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  • Podcast EP0T2

    Quem gostou da nossa primeira temporada, não pode perder a segunda! Venha navegar com a gente! Narração: Catarina Marcolin Edição: Leandro Santos Ilustração: Catarina Ruiz Mello Ouça também em: Spotify Anchor Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #podcastdobpcn

  • Podcast EP8T1

    Mergulho para a vida na escuridão: uma pesquisa nas profundezas do mar "Ter a chance de mergulhar tão profundo era um de meus sonhos (quase impossíveis) como oceanógrafa, que se tornou realidade em 14 de novembro de 2014" Autora : Camila Negrão Signori Post original : Fevereiro de 2016, seção Vida de Cientista Links interessantes: O blog da expedição "Dark Life" para as fontes hidrotermais da Elevação Leste do Pacífico (East Pacific Rise, a 9°N) ainda está no ar: http://web.whoi.edu/darklife/ About Woods Hole Oceanographic Institution: http://www.whoi.edu/ Uma visão geral da carreira de pesquisadora da Camila: http://agenciasn.com.br/arquivos/3010 https://www.mergulhonaciencia.com/ Ilustração e Edição : Catarina Mello Narração : Catarina Marcolin Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #vidadecientista #convidados #mergulho #alvin #podcastdobpcn #catarinarmarcolin #catarinarmello

  • Podcast EP7T1

    As aventuras de trabalhar no mar Tempestades, falta de água doce na embarcação, âncoras enroscadas, variações das marés e a adrenalina de trabalhar no mar. Autora : Cássia Goçalo Post original : Setembro de 2015, seção Vida de Cientista Posts sugeridos: Até os peixes amam a praia Ilustração : Gilberto Júnior , @mundosoceanicos.arte Narração : Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #vidadecientista #cássiaggoçalo #bióloga #oceano grafia #fieldworkfail #podcastdobpcn #catarinarmarcolin #catarinarmello #gilbertojunior

  • Podcast EP5T1

    Meu mestrado: uma história de ansiedade e superação Abraçar a carreira de cientista é encarar um caminho de medos, agressividade, impotência... mas também um encanto e beleza que não nos deixa abandoná-la... Autora: Juliana Bomjardim Post original: Abril de 2019, seção Vida de Cientista Ilustração: Caia Colla Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #vidadecientista #julianabomjardim #mestrado #sustentabilidade #educaçaoambiental #divulgaçãocientífica #meioambiente #podcastdobpcn #caiacolla #catarinarmarcolin #catarinarmello

  • Podcast EP3T1

    Os desafios para chegar até aqui "Mas você só faz mestrado?". Os desafios enfrentados até a entrega da publicação da dissertação. Autora: Yonara Garcia Post original: Junho de 2018, seção Vida de Cientista Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello Ilustração: Juliana Bomjardim Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #vidadecientista #yonaragarcia #pesquisa #pósgraduação #podcastdobpcn #caiacolla #catarinarmarcolin #catarinarmello

  • Podcast EP2T1

    Tá com medo? Vai com medo mesmo “ Se vocês amam a ciência tanto quanto eu, não desistam e não dêem ouvidos ao impostor dentro de vocês”. Autora: Fernanda Ramos Post original: Junho de 2019, seção Vida de Cientista Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello Ilustração: Juliana Bomjardim Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #vidadecientista #meioambiente #ocypodequadrata #sindromedoimpostor #convidados #podcastdobpcn #julianabomjardim #catarinarmarcolin #catarinarmello

  • Podcast EP1T1

    Cem dias entre céu, lixo e mar Uma triatleta & cientista vai encarar a missão de passar 100 dias no mar visitando ilhas e analisando o lixo encontrado no Pacífico. Autora: Marina Tonetti Botana , @mtonettibotana Post original: Maio de 2019, seção Vida de Cientista Links sugeridos no episódio: Canal do YouTube da expedição Site oficial da expedição Rede social da expedição: @benlecomtetheswim Ilustração: Caia Colla Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #podcast dobpcn #vidadecientista #lixomarinho #preservacaodosoceanos #endurance #ironman #caiacolla #catarinarmarcolin #catarinarmello

  • Podcast EP6T1

    Amazonas: um mar de “água doce” Amazonas?!... O que uma oceanógrafa foi fazer lá. Autora : Jana Del Favero Post original : Maio de 2016, seção Vida de Cientista Ilustração : Joana Ho Narração : Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #vidadecientista #janamdelfavero #amazonas #institutomamirauá #joanaho #podcastdobpcn #catarinarmarcolin #catarinarmello

  • Manguezais

    Por Juliana Leonel Os manguezais são ecossistemas costeiros de transição entre os ambientes marinho e terrestre. Localizados nas regiões tropicais e subtropicais, abrigam um grande número de espécies e têm ampla importância ecológica, econômica, social, na manutenção do clima, na proteção costeira, como fonte de nutrientes para a zona costeira, na retenção de contaminantes etc. Imagem de Lamiot via Wikimedia com licença CC BY-SA 3.0 Do ponto de vista ecológico é muito comum a frase “manguezais são berçários para diversas espécies”, mas o que isso significa? Isso quer dizer que muitas espécies dependem dos manguezais para sua reprodução e manutenção da população. Na verdade, o número de espécies que dependem dos manguezais, direta ou indiretamente e durante toda a vida ou apenas em um período dela, é muito grande. Somado a isso, nos manguezais há espécies que não ocorrem em outros ecossistemas, altamente adaptadas às características específicas deste local. Por exemplo, por serem zona de transição sofrem os efeitos da oscilação da maré com consequentes variações de temperatura, salinidade e quantidade de água, além da baixa quantidade de oxigênio no sedimento. Os manguezais são ambientes com sedimento fino (lama) que tem pouca troca gasosa com a atmosfera e, consequentemente, limitada oxigenação. Por isso aquele cheiro de “ovo podre” forte é bem característico deste local. Mas não tem nada de errado com isso, pelo contrário! Com a baixa presença de oxigênio as bactérias passam a usar o enxofre para realizar a degradação da matéria orgânica (que é outra coisa que tem muito no sedimento dos manguezais), em um processo anaeróbico, que produz ácido sulfídrico (= cheiro de ovo podre). Essas características do sedimento permitem que haja uma diversidade microbiológica bastante específica nesse ambiente, inclusive algumas com potencial para biorremediação de alguns tipos de contaminação, como hidrocarbonetos de petróleo. São poucas as espécies de árvores presentes no manguezal, mas elas têm diversas adaptações para sobreviverem em um ambiente com tantas limitações. Entre elas, a Rhizophora mangle (mangue vermelho), tem raízes aéreas longas que aumentam a fixação no sedimento com baixa compactação e auxiliam na troca de gases e água. Essas estruturas ajudam a conter os processos erosivos devido a ação de marés e ondas. Além disso, oferecem proteção adicional em casos de eventos extremos. Por exemplo, no tsunami que atingiu a costa tailandesa em 2004, observou-se que as áreas com densa floresta de mangues foram menos destruídas, por dissipar a energia das ondas, quando comparadas com as áreas onde não haviam manguezais. Ou seja, os manguezais são importantes também para a segurança das cidades costeiras. Adaptações de Rhizophora mangle (via Wikimedia em Domínio Público) e da Avicennia marina (de Piripitus via Wikimedia com licença CC BY-SA 3.0) Entre as muitas espécies de peixes, crustáceos e moluscos que vivem nos manguezais, encontram-se diversas de interesse comercial que são fonte de alimento e de renda para muitas comunidades de baixa renda. Dessa forma, a preservação desse ecossistema significa preservar uma fonte importante de proteína e também a sobrevivência financeira de muitas pessoas. Caranguejo Uçá (Pancrat via Wikimedia com licença CC BY-SA 3.0) Caranguejo Aratu (Bob Peterson via Flickr com liceça CC BY 2.0) Os manguezais são um dos ambientes costeiros mais importantes no armazenamento de carbono azul ( blue carbon ) que é o carbono atmosférico fixado por ecossistemas costeiros ao invés dos ecossistemas terrestres tradicionais. Nos manguezais o dióxido de carbono é retirado da atmosfera através do crescimento de plantas e acúmulo e soterramento de matéria orgânica no sedimento. O fato de ser um ambiente com pouca oxigenação no sedimento não favorece a degradação da matéria orgânica (que libera dióxido de carbono) e favorece seu acúmulo. Ou seja, no balanço final, eles retêm mais carbono do que liberam e isso tem um papel fundamental na manutenção do clima. Apesar de todos os benefícios gerados pelos manguezais, eles estão em constante risco devido ao crescimento urbano, obras costeiras, expansão da maricultura, mineração e sobrepesca de algumas espécies. O Brasil sozinho possui em torno de 15% de toda a área de manguezal do mundo; segundo o Ministério do Meio Ambiente, em 2009, eram 1 225 444 hectares distribuídos desde o Oiapoque (AM) até Laguna (SC). No entanto, estima-se que houve uma perda de 20% em área só na última década e meia. Para saber mais: Recomendamos o material Desvendando os manguezais da Fundação Grupo o Boticários #Mangue #Manguezais #AmbienteCosteiro #Oceanografia #Descomplicando #JulianaLeonel #ZonaCosteira

  • Orcas: from sea monsters to the Blackfish effect

    By Dani Abras English edit by Lidia Paes Leme and Katyanne Shoemaker *post originally published in Portuguese on November 27, 2015 Illustration by Carla Elliff Until the 1960s, Orca ( Orcinus orca ) were a little known species in the world. They were only seen in the wild, in the areas they live, mainly the coastal regions of Canada and New Zealand. That all changed in 1977, when a film called “ Orca: The Killer Whale ” was released. The ominous title, along with the little that was known about these animals in mainstream culture quickly made orcas one of the most feared species by humans. The popular name “killer whale” is misleading and the worst kind of marketing for these animals for three reasons: First : orcas are not whales, but dolphins! True whales belong to the Mysticeti sub-order, which are cetaceans that have no teeth but baleen bristles in their mouth, which they use to filter food. Orca are in the sub-order Odontoceti (toothed cetaceans), and are further classified within the family Delphinidae, the same family as Flipper, the bottle-nosed-dolphin. Second : the term “killer whale” comes from an incorrect translation of the term used in the Mediterranean in the 1920s or 1930s meaning “whale killer” (“ asesina de ballenas ”, in Spanish). Someone wrongly translated this name into the English name "killer whale," giving the false impression that orcas are whales that kill. In reality, their Spanish name was given due to the fact that they sometimes prey on some species of whales (gray, minke, and humpback, for example). Third : aren't orcas so beautiful and charismatic? Why not adopt the name Sea Panda? I vote for that! Killer Whale or Sea Panda? (by @ Liz Climo ) It was then that Shamu (and her predecessors) came into the game, completely changing the negative image of orcas to the general public. The first orca to be captured and put on display to the public was named Moby Doll. The Vancouver Aquarium wanted to study its brain and make a life-size replica of an orca, and commissioned a specimen from hunters in the region to serve as a model. This animal, which they mistakenly thought was a female (and who should not have survived the hunt), was taken to a tank, where he only lived for 87 days. This happened in 1964, by coincidence, the same year SeaWorld opened in the USA. The marine parks already had dolphins on display, but never an orca, and Moby Doll sparked interest and caught the attention of the park's owners. The original “Shamu” was the third orca that lived in captivity, but the first one captured exclusively for this purpose. In 1965, SeaWorld ordered its purchase, and since then, it has kept orcas in its tanks. The first Shamu died in 1971, but to this day she “lives” as the main attraction and icon of SeaWorld. It was from this moment that orcas ceased to be feared animals and became charismatic beings, capturing the hearts of spectators worldwide. Soon, all of the SeaWorld water parks brought in wild orcas for shows, which became the flagship of their attractions. Moby Doll (Vancouver Aquarium, available under license CC BY SA ) In 2010, this image of happy captive orcas began to unravel. Dawn Brancheau, an experienced orca trainer, was brutally murdered in front of hundreds of spectators, by the largest orca that ever lived in captivity, the male Tilikum. As investigations into the attack continued, a series of lies that SeaWorld told its millions of annual visitors began to be unmasked. A chorus of people joined the few scientists who were already opposed to keeping orcas captive for entertainment, initiating the "Blackfish Wave" or "Blackfish Effect." This wave of opposition was triggered by the documentary of the same name ( Blackfish - or Animal Fury , in Portuguese - a very bad name, in my opinion) released in 2013. The documentary was centered around the issues of captivity and focuses on Tilikum, and the three deaths that he caused during his 27 years of confinement. The documentary explains the problems of keeping orcas in captivity, from their brutal capture, to the low quality of life that individuals suffer while in small pools, to the issue of selective inbreeding between the captive orcas, especially with regards to the problematic behaviors in Tilikum’s family line. Blackfish is a disturbing documentary. Not because it contains strong images - the documentary's director, Gabriela Cowperthwaite, has said she wanted “children [to be able to] watch the film, without traumatizing the audience” - but because it unravels uncomfortable facts for any animal lover. Some images of the daily life of the orcas and the procedures they are subjected to in the water parks are discussed, explaining how the animals suffer from confinement and other unnatural methods. The film features reports from former trainers about the relationships they formed with the animals they cared for, the extensive daily training, and situations of aggression and violence by orcas that never made it into the news. Logo for the Blackfish documentary ( Wikimedia Commons, under public domain ) The film sheds light on some of the most absurd lies that SeaWorld preaches to its visitors. The biggest one is that orcas live to be around 30 years old, when we know that in the wild, an orca can live about 80 years, and reach up to 104 years (one orca named "Granny" off the west coast of Canada). At shows, trainers say that their animals exhibit behaviors similar to natural ones, but when we realize that an orca swims around 80 km a day, and that it needs to circle the pool 1,500 times to reach this distance, we see how much captivity escapes the reality of a wild orca. The term “Blackfish” is a popular name given to orcas by the First Nations, indigenous peoples in western Canada that, above all, respect orcas as they are “animals that have great spiritual power.” The orca population that lives in this place is classified as threatened, not because of the native people, but because of the captive orca industry. Orca in numbers: 15 aquariums and marine parks have orcas in their facilities, today in the world. Corky 2, the oldest captive orca, has already spent 46 years in confinement. 57 orcas live in captivity today. 162 orcas have died in captivity. 151 accidents have occured between trainers and orcas. 4 people have died from attacks by captive orcas. 0 people have died from attacks by orcas in the wild. $162,855,000.00 reais is what Brazilians spend at SeaWorld Orlando, per year. 770,000 Brazilians visit the park in Orlando annually. Orca in British Columbia, Canada (Photo by Thomas Lipke on Unsplash ) After the release of the film Blackfish in 2013, SeaWorld's shares fell by more than 30%, and the number of park goers decreases each year. In November 2015, SeaWorld announced a change in the theatrical patterns of the orca presentations, in an attempt to adapt to the criticism it has been receiving, and to appeal to its lost viewers. This change proposes a more organic nature to the presentations. The end of acrobatic shows does not mean freeing the orcas or ending the shows permanently however. It will only be a restructuring of the show, to appear more "natural" to the viewer. I believe that there are two effective weapons in the struggle against captivity: information and decision. The information is available on several sites on the internet as well as some documentaries: in addition to " Blackfish ," " A Fall From Freedom, " " Lolita: Slave to Entertain, " and " The Cove " have great information. The decision not to go to aquatic parks and aquariums that have cetaceans (orcas, dolphins and belugas) in captivity is with you, dear reader. When there is no more demand, there will be no more space for this type of entertainment, but as long as there are people paying to attend these places, there will be suffering orcas. So, join the campaign #EndCaptivity , share this idea with your relatives and friends. Blackfish can be viewed on Netflix or Net’s Now, in addition to YouTube. Official website: http://www.blackfishmovie.com/ Facebook: www.facebook.com/BlackfishFilm About the author: Daniela Abras is from Belo Horizonte, she has a bachelor’s degree in Marine Biology from UFRJ, and a Masters’ degree in Oceanography from USP. She has loved cetaceans since she was 8 years old, when she did a school project about them. When she was a teenager, she would say that she wanted to work with whales, but was never taken seriously. In the early 1990s, she heard the famous National Geographic “Whale Songs” vinyl record and discovered the “Save the whales” project. This originated her biggest determination: to study and protect whales. Founder of VIVA Instituto Verde Azul , she is now a researcher for the Brazilian Humpback Whale Institute, dedicating herself daily to studying these magnificent animals. #MarineScience #Whale #Blackfish #Guests #Odontoceti #Orca #Documentary #CarlaElliff

  • Antropoquinas: rochas e lixo no mar

    Por Carla Elliff Ilustração por Joana Ho . A poluição por lixo no mar (principalmente plástico) está em toda parte. Relatos de lixo sendo ingerido por tartarugas, mamíferos e aves têm se tornado cada vez mais comuns. Também já sabemos que além das nossas praias, encontramos lixo em grandes profundidades no oceano. Por isso, o tema tem sido discutido amplamente, sendo incluído também em políticas públicas que buscam entender e amenizar o problema. Mas um compartimento ambiental ainda pouco explorado quando o assunto é lixo no mar, é o geológico . Sim, geologia. Aquela que estuda o “palco” sobre o qual toda a vida no planeta se desenvolve. Esse arcabouço também é afetado pela nossa poluição, mesmo sendo não vivo ( abiótico ). Para ilustrar como, trago o exemplo das antropoquinas : rochas sedimentares recentes com cimentação natural de itens de origem humana. Antes de chegar nelas, deixa eu contar sobre os bastidores dessa descoberta… Exemplo de antropoquina coletada no litoral gaúcho. Essa amostra consiste em uma tampinha de metal com grãos e uma concha de bivalve cimentados de forma natural. (Foto por Gerson Fernandino com licença CC BY 4.0). Em 2018, eu e meu marido, Gerson Fernandino, passamos alguns meses na Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Eu como doutoranda, cursando algumas disciplinas lá como aluna especial, ele como professor substituto. Foram 4 meses de inverno no melhor estilo Cassino! Vento, umidade e frio de renguear cusco! Mas também foram 4 meses junto a pessoas incríveis, que nos acolheram como velhos amigos. Entre essas pessoas estavam os professores Paula Dentzien-Dias e Heitor Francischini. Ambos paleontólogos, grudamos neles logo no início, fascinados pelo trabalho que desenvolvem. Aprendemos, por exemplo, que o Rio Grande do Sul é riquíssimo em fósseis da megafauna do Pleistoceno . Essa época geológica corresponde a cerca de 11 mil anos antes do presente e a megafauna é representada por mamíferos como mastodontes (parecidos com mamutes), gliptodontes (mamíferos extintos que parecem tatus gigantes) e preguiças-gigantes. Nem só de dinossauros vive a paleonto! Parte do trabalho da Paula e do Heitor consiste em ir até certos pontos no extremo sul do litoral gaúcho – ou seja, no finzinho do Brasil (ou seria o começo?) – e procurar esses fósseis. As condições de vento e maré têm que estar propícias para garantir uma boa coleta. Então, ficando de olho na previsão do tempo, chegamos a uma semana ideal. Eu e Gerson rapidamente nos voluntariamos para ajudar! Fomos até a Praia do Hermenegildo e depois nos Concheiros do Albardão, munidos de caixas para amostras e, claro, casaco corta-vento. Passamos o dia praticamente (ou às vezes literalmente) jogados de bruços na praia separando o que era material recente e o que eram fósseis, muitos só restando seus fragmentos. Coletando fósseis na Praia do Hermenegildo e Concheiros do Albardão. Muitos dos fósseis são pequenos fragmentos, então fica mais fácil se deitar na areia para encontrá-los! Às vezes uma peça maior é coletada, como essa garra de preguiça-gigante. (Fotos por Carla Elliff com licença CC BY 4.0). Além dos fósseis, outro item geologicamente interessante da região são as coquinas . Coquinas são rochas sedimentares formadas majoritariamente por fragmentos de conchas. Elas são bastante comuns na região e preservam muita história com cada um dos bioclastos (fragmentos de origem biológica que formam uma rocha) que as compõem. Amostra de coquina ao lado de uma caneta, usada como escala. (Foto por Carla Elliff com licença CC BY 4.0). Bom, realizado nosso sonho de sermos paleontólogos por um dia, continuamos a frequentar o laboratório durante nossa estada na FURG. Sabendo do nosso trabalho com poluição por plástico, um dia Paula e Heitor dizem “Ah! Temos uma amostra que vocês vão gostar”. Eis que eles nos trazem algo que só tínhamos imaginado que poderia ocorrer: rochas sedimentares que, além dos usuais grãos de areia e bioclastos, continham também itens de metal e plástico cimentados naturalmente em sua composição. Essas amostras haviam sido coletadas em trabalhos de campo anteriores no litoral, guardadas mais por serem curiosas do que qualquer outro interesse. Eu lembro da cara do Gerson analisando a amostra, como se Papai Noel tivesse trazido o brinquedo que ele pediu! Desde seu mestrado ele teorizava como o plástico poderia futuramente fazer parte do ciclo das rochas, considerando que ele está em toda parte, inclusive como fragmentos entre os grãos de areia. Alguns estudos já reportaram o que se chama de plastiglomerados , piroplástico e plasticrostas . Todos são exemplos de interações de plástico com o compartimento geológico (e descritos apenas no hemisfério norte até o momento), mas nenhum resultante de processos naturais de diagênese (o conjunto de processos que leva sedimentos à sua consolidação na forma de rochas). O que tínhamos em mãos era um lixo bem valioso. Apelidamos as amostras de “antropoquinas”, em homenagem às numerosas coquinas encontradas na região, adicionando o sufixo antropo- para representar a contribuição humana naquela rocha. O nome pegou e, assim, reportamos a ocorrência curiosa no artigo Anthropoquinas: First description of plastics and other man-made materials in recently formed coastal sedimentary rocks in the southern hemisphere . As primeiras amostras de antropoquinas que vimos. Elas incluem tampinhas de metal, um brinco de plástico, um cravo de metal (possivelmente de um navio) e um fragmento transparente de plástico. (Fotos por Carla Elliff com licença CC BY 4.0) No entanto, descrever as antropoquinas responde apenas a algumas das nossas perguntas. Sabemos agora que é possível, sim, que itens de lixo, inclusive plástico, possam ser incorporados em rochas sedimentares recentes. Sabemos que é um processo natural e a composição química do material natural que compõe essas amostras. Sabemos que isso está ocorrendo no Rio Grande do Sul. Abrimos agora a porteira para mais um monte de perguntas: quão recentes são essas rochas? Quais as condições ambientais necessárias para sua formação? Qual a abrangência de sua ocorrência? Qualquer tipo de material consegue ser cimentado em uma antropoquina? Por quanto tempo esse lixo cimentado “sobreviverá” nas rochas? Deixarão vestígios? Quais as implicações dessa interação para a preservação da nossa geodiversidade? Se o nosso lixo chegou até as rochas, que chance temos de mitigar os impactos dessa poluição? Me arrisco agora a responder, mesmo que superficialmente, a essa última pergunta. Não há dúvidas que a humanidade deixa sua marca no planeta. Seja pela presença de lixo, pelos sinais radioativos que deixamos com bombas nucleares, pela extinção de espécies (inclusive algumas da tal megafauna que mencionei) ou pela nossa contribuição de gases do efeito estufa. Se esta marca é irreversível, ainda não temos certeza. Discute-se também o uso destes tipos de ocorrências humanas no registro geológico do planeta para dar suporte à proposta de uma nova época geológica, o Antropoceno , ainda sem consenso em nível global. Limpar por completo o planeta dos sinais deixados pela nossa sociedade moderna pode ser uma tarefa impossível e talvez sem sentido. Por isso, prefiro focar em algo mais tangível: reduzir os impactos dos sinais que estão aí e não permitir que continuem a se expandir. Encontraremos ainda muitas antropoquinas no meio do caminho. Que sirvam de alerta e lembrete sobre nossa responsabilidade com a Terra. O que deixamos para trás diz muito sobre o nosso futuro. A nossa pesquisa conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS, processo Nº 19/2551-0001804-5). #CiênciasDoMar #Plástico #LixoNoMar #Poluição #Geologia #RochaSedimentar #Fósseis #Antropoceno #CarlaElliff #JoanaHo #Antropoquinas #Coquinas #Oceanografia #OceanografiaGeológica #Geologia

  • Grossa ou Assertiva: depende do gênero?

    Por Ju Leonel Ilustrado por Lídia Paes Leme Falar usando um tom firme, de forma séria e indo direto ao ponto pode gerar duas interpretações: ou te consideram uma pessoa assertiva ou te consideram uma pessoa grossa. Mas qual a linha que separa uma da outra? Alguns dirão que a linha é tênue, que depende da situação, do contexto, dos gestos... A verdade é que a linha é bem clara e bem demarcada. Ela é o gênero, também pode ser traçada em função da cor de pele, orientação sexual ou identidade sexual - falarei como mulher branca, cis, hetero, que é o meu lugar de fala, mas fica aberto o convite para quem quiser falar sob outras perspectivas. Isso mesmo: se eu falo com um tom firme sou taxada de grossa, quando um homem fala a mesma coisa usando o mesmo tom (quiçá até de forma rude) ele é descrito como assertivo. Será que essa percepção corresponde à realidade? - alguns devem estar se perguntando. Que atire a primeira pedra a mulher que nunca passou e/ou vivenciou essa situação; ou que até mesmo não traçou essa linha. Desde a nossa infância, nós mulheres, somos condicionadas a assumir uma determinada postura; devemos ser delicadas, manter o tom de voz baixo, não devemos nos impor em uma discussão etc, ao ponto em que consideramos grosseira uma mulher que está apenas sendo assertiva e consideramos assertivo um homem que está sendo grosseiro. Essa diferença entre o comportamento que é aceito quando exibido por homem, mas não quando vem de uma mulher, é usualmente observada em sala de aula quando professores aceitam melhor os questionamentos, críticas ou comentários de um estudante do gênero masculino do que os de uma estudante do gênero feminino. Outro exemplo é quando estudantes consideram “normal” o comportamento de determinado professor, mas o mesmo tipo de comportamento não é mais aceitável quando apresentado por uma professora. Fora do ambiente acadêmico, em reuniões de trabalho, por exemplo, também podemos observar essa diferença: ao homem é dado de antemão o “direito” de interromper, de falar mais alto, de perder a paciência e até mesmo se exaltar, enquanto a mulher que fizer o mesmo será classificada como histérica, desequilibrada ou louca*. *substantivo feminino muitas vezes usado para invalidar as falas e ou sentimentos de uma mulher Em meus muitos anos na academia (entre formação e trabalho), já presenciei diversas situações difíceis, entre elas a de um aluno que saiu da sala de aula batendo a porta e bravejando, tudo isso por não aceitar que zerou um trabalho descaradamente plagiado, um crime segundo nosso código penal. Já presenciei um colega, professor doutor, abandonar uma reunião batendo a porta porque foi contrariado pelos demais docentes. No entanto, nunca vi uma mulher (seja aluna ou professora/pesquisadora) ter as mesmas atitudes. O que vi foram mulheres sendo taxadas de "descontroladas", "pessoas que não sabem trabalhar em grupo", "inflexíveis" e a clássica "elas devem estar na TPM" em momentos em que pediram a palavra ou que, simplesmente, esperavam respeito ao discordarem dos demais. Uma das situações que mais me marcou aconteceu há poucos anos, quando um colega foi extremamente grosso com todo​s ao longo de uma reunião, porque​,​ ​após se referir às mulheres​ ali​ presentes ​como meninas​,​ foi lembrado que "aqui só há mulheres e nenhuma menina". ​E, como era de se esperar, a colega que o lembrou disso recebeu olhares que expressavam o descontentamento com seu comentário, considerado desnecessário pelos presentes. Caso você esteja se perguntando, também comentaram sobre o comportamento dele, mas apenas para justificá-lo, foram usadas frases como "ele está sobrecarregado de trabalho", quase em tom de pena. Pois é, isso é fruto do machismo estrutural impregnado na nossa criação e que nos cerca no dia a dia de tal forma que, muitas vezes, nos faz normalizar o inadmissível. Mas qual a verdade por trás dessa tentativa de calar as mulheres e/ou nos diminuir: medo de terem sua competência questionada? Medo de comparações e que o mundo se dê conta de que mulheres são tão competentes e capazes quanto os homens? Receio de um sistema mais diverso e, consequentemente, com menos privilégios para os homens? Não é de hoje que a equidade é vista, mesmo que de forma inconsciente, como uma ameaça. Isso porque ela significa romper com a estrutura que sempre privilegiou homens e os colocou como líderes natos, simplesmente por serem homens. Reconhecer que julgamos de forma diferente o discurso do outro por conta de seu gênero, raça, cor e classe é o primeiro dos inúmeros passos para uma sociedade mais justa. Por isso, pare, avalie seus atos e faça a sua parte. #Mulheres #JulianaLeonel #MulheresNaCiência #Feminismo #LendaUrbana #ViésDeGênero #LídiaPaesLeme

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