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- Osmose e Osmorregulação
Por Gabrielle Souza Os seres vivos marinhos mais simples que conhecemos vivem em equilíbrio com o meio hídrico onde estão inseridos. Porém, de modo geral, quanto maior a complexidade do organismo, mas sua constituição interior difere do meio ambiente onde vive e por isso é preciso adaptar-se fisiologicamente, utilizando um processo natural denominado de osmorregulação. Antes de falarmos de osmorregulação é importante definir o que é osmose! Osmose é simplesmente o movimento da água através de uma membrana permeável, regido pela diferença de concentração entre solutos. Ou seja, a água sempre tende a atravessar uma membrana permeável do local menos concentrado (hipotônico) em direção ao local com maior concentração de solutos (hipertônico). E isso acontece naturalmente, sem gasto de energia. Agora sim, sabendo do que se trata a osmose, podemos te dizer que a osmorregulação é o nome que damos à capacidade de um organismo de regular a quantidade de água e/ou solutos em seu interior, independente do que aconteceria se apenas a osmose estivesse acontecendo. Essa é uma estratégia amplamente utilizada por organismos marinhos para regular os sais e a água em seus corpos, mantendo-se diferentes do meio externo. Fonte Existem diversos animais que realizam este processo, são alguns exemplos: peixes, baleias, golfinhos, moluscos, crustáceos, entre outros. Na imagem abaixo pode-se analisar como a osmorregulação é feita por peixes de água salgada, mas lembre-se que há uma diferença com os peixes de água doce. Afinal de contas, a quantidade de sais na água do mar é bem diferente da água doce. Fonte Existem mais sais na água do mar do que dentro do corpo dos peixes marinhos, por isso haverá uma perda de água constante para o meio, pela osmose, o que levaria a uma rápida desidratação. Porém, os peixes marinhos têm o comportamento de ingerir a água do mar, repondo essa perda de água. Mas... e os sais ingeridos junto com essa água salgada? Eles devem eliminar este excesso de sais no corpo. E como isto é feito? Esse é um trabalho para as brânquias! Isso mesmo. Além das trocas gasosas, as brânquias são também responsáveis por eliminar o excesso de sais no corpo do peixe. Já nos peixes de água doce a situação é inversa. O meio é menos concentrado e o interior do peixe é mais concentrado. Neste caso a água entra por osmose no corpo do peixe, através da sua superfície. Estes peixes não ingerem água e suas brânquias, por sua vez, acabam absorvendo os sais. Não é incrível? Post relacionados: Querida, estou grávido Para saber mais: Schmidt Nielsen, Knut. Fisiologia Animal - Adaptação e Meio Ambiente. Quinta Edição, Livraria Santos Editora, São Paulo. 2002, 600 p. Eckert, R; Randall, D; Burggren. W. Fisiologia Animal. Mecanismos e Adaptações. Guanabara ed. 4ª. Edição. 2011. 729p #descomplicando #gabriellesouza #osmorregulação #osmose #peixes
- Tragédias também ocorrem no paraíso
Pela Equipe editorial do Bate-papo com Netuno Leia este post e demonstre seu apoio à bióloga que foi violentada em Noronha. Em diversas postagens da sessão “Mulheres na Ciência” apresentamos e discutimos dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mundo científico. Entre todas as dificuldades, focamos principalmente em violências verbais e psicológicas sofridas pelas mulheres em nossa sociedade machista (relembre o post aqui ). Porém, não conseguimos mensurar quão enorme foi o nosso susto ao nos depararmos com a notícia de uma bióloga de 30 anos estuprada na ilha mais paradisíaca do Brasil, Fernando de Noronha, PE (saiba mais sobre o caso aqui ). E por que sentimos a necessidade esmagadora de abordar esse assunto aqui? Primeiro porque somos todas mulheres, segundo porque somos todas biólogas, terceiro porque já “vendemos” alguns sonhos sobre nossa profissão, através de histórias sobre mulheres que vão para ambientes inóspitos (leia mais ), que embarcam sob condições nem sempre seguras (leia mais ) e que lutam para achar seu espaço ao sol num ambiente de minorias (leia mais ), tentando mostrar sua força e sua garra! Quando a agressão muda de verbal e psicológica para física, o assunto fica ainda mais delicado, mais assustador... E quando se trata de uma colega de profissão, de alguém com trajetória semelhante à nossa, o assunto nos atinge como uma flechada direta no coração! Pois é assim que nós, editoras do Bate Papo com Netuno, estamos nos sentindo, como um alvo de coração partido que pode ser atingido a qualquer momento. A bióloga citada nas reportagens estava morando em Fernando de Noronha há aproximadamente um ano, realizando o sonho de trabalhar no paraíso como prestadora de serviço do Instituto Chico Mendes. Porém, do dia para noite seu sonho é atravessado por um bandido que poderia ter colocado um ponto final em sua história. Entretanto, a vítima continua forte e tentando lutar contra o seu agressor, juntando a sociedade e clamando por justiça! Protestos estão sendo realizados em Fernando de Noronha, mulheres estão se unindo. Pedidos de combate a impunidade, de segurança e de novas denúncias estão no ar. A mais recente notícia é de que prenderam um suspeito (veja aqui ). O primeiro passo foi dado, mas ainda há um longo caminho pela frente, é preciso pedir o julgamento e que ele seja condenado. É preciso pedir que outras vítimas tenham a coragem dessa bióloga e denunciem. É preciso lutar para que nossa sociedade pare de culpar as vítimas. Comentários machistas ainda se multiplicam como do tipo: “ela aceitou carona, estava pedindo”, ou “Se o comportamento dela era indecente ela pediu” ou ainda “Será que se ele fosse um branquinho pegável, seria estupro ou fantasia na ilha do amor?” (comentários retirados do site G1, há vários outros tão chocantes quanto estes!). É por acreditarmos que nenhuma mulher deva passar o que essa bióloga passou e por apoiarmos a bandeira por ela levantada, que resolvemos escrever esse post. Basta! #SomosTodasMulheres #SomosTodasBiologas #SomosTodasPaulas #SomosTodasMarias #SomosTodasGiselle Quer ajudar e não sabe como? Entre nesse link e peça que o tema segurança da mulher seja tratado com prioridade na audiência em que o ministério público de Pernambuco falará sobre problemas estruturais de Fernando de Noronha. #mulheresnaciência #janamdelfavero #biologiamarinha #estupro #ilhasoceânicas #mulheres #violênciacontraamulher
- Como saber a idade de um peixe e outras coisas mais...
Por Cláudia Namiki Você já quis saber qual a idade de um peixe? Se ele nasce em um aquário, isso é fácil de saber, mas e se ele é capturado na natureza? Como você saberia quantos anos o bicho tem? Os peixes ósseos possuem estruturas chamadas otólitos que são localizadas no ouvido interno, e estão relacionadas com os mecanismos de equilíbrio e audição. Em Portugal, também são conhecidos como “pedras do juízo”, o que faz muito sentido, já que estão encontrados na cabeça dos peixes! São três pares de otólitos e cada um possui um nome diferente: sagitta , lapillus e asteriscus . (Gostaria de saber por que cada um deles recebeu esse nome, mas ainda não encontrei a resposta…). O crescimento dos otólitos ocorre através da deposição alternada de carbonato de cálcio e proteína, formando anéis que podem ser observados em um corte transversal, assim como aqueles observados nos troncos das árvores. Otólitos de larvas de Myctophum affine . Fotos: Cláudia Namiki. Em peixes adultos o otólito é grande, e é preciso cortar, lixar e polir até que os anéis estejam visíveis. Nas larvas de peixes os otólitos são muito pequenos e não é preciso fazer nada disso, pois os anéis são visíveis através dos otólitos quando utilizamos o microscópio. Nesse caso, o maior trabalho é retirar os otólitos das larvas que medem entre 2,0 mm até no máximo 2,0 cm. Se a larva é tão pequena, imagine o tamanho do otólito!! Dá um certo trabalho realizar essa tarefa, dizem até que é coisa para pessoas com paciência oriental. Eu acho que utilizei os 25% do meu DNA japonês quando estudei o crescimento das larvas de uma espécie de peixe lanterna muito abundante na costa brasileira: Myctophum affine . Vou ficar devendo um nome popular, porque, apesar de abundante e muito apreciada como alimento por outros peixes, não é utilizada para consumo humano e, portanto é uma ilustre desconhecida para a maioria de nós. Mas e aí? O que isso tem a ver com o tema? Como podemos saber a idade de um peixe? Acontece que a formação dos anéis dos otólitos é diária em larvas de peixes e anual em peixes adultos, na maioria dos casos. Dessa forma, contando o número de anéis presentes em um otólito, podemos saber qual a idade do peixe, em anos ou em dias, dependendo do momento da vida em que o peixe se encontra. Mas, o mais interessante é que podemos relacionar a idade com o comprimento e, com dados de vários peixes em mãos, podemos saber em quanto tempo uma espécie atinge um certo tamanho. Por exemplo, as larvas da ilustre desconhecida M. affine podem aumentar seu tamanho em mais de quatro vezes em menos de um mês! É muito rápido! Larvas de outras espécies mais populares como sardinha e chicharro também crescem com uma velocidade parecida. Conhecer qual é a velocidade de crescimento das larvas e juvenis de peixes é importante para saber quanto tempo cada espécie demora até se tornar um adulto e poder reproduzir. Essa velocidade de crescimento pode ser influenciada por diversos fatores. Entre eles a temperatura parece ser um dos mais importantes, pois temperaturas mais altas aceleram o metabolismo e tornam o crescimento mais rápido. Olha que interessante, se nós fôssemos parecidos com os peixes, cresceríamos mais rapido no Brasil do que na Rússia! Por exemplo, os peixes lanterna podem demorar desde apenas 27 dias para se tornar um jovem (espécies de clima tropical) até 80 dias (espécies de clima frio). Quando comecei os estudos com otólitos eu estava interessada somente na idade e no crescimento das larvas de peixes, mas descobri que essas estruturas são ainda mais fascinantes, porque são bastante resistentes (no caso dos peixes adultos) e sua forma é única para cada espécie. Essas características permitem utilizar os otólitos encontrados no estômago de outros indivíduos e em sítios arqueológicos para identificar a espécie que foi consumida, ou que habitava determinado local há milhares de anos. A forma é tão importante que muitos trabalhos são dedicados à descrever os otólitos, e entre eles está um atlas de identificação de otólitos publicado recentemente na Brazilian Journal of Oceanography, por pesquisadores do Instituto Oceanográfico da USP (e que contém ilustrações lindíssimas da nossa ilustradora e oceanógrafa Silvia Gonsales ). Além de tudo isso, os otólitos ainda carregam informações do ambiente por onde o peixe andou (ou seria melhor dizer nadou?). Sabendo quais elementos químicos estão presentes nos otólitos é possível saber onde o peixe esteve ao longo de sua vida. Assim, enquanto para os peixes os otólitos podem ser simples instrumentos de orientação, para nós é um mundo de informação sobre a história de vida desses organismos tão importantes. Se quiser saber mais, acesse: http://www.usp.br/cossbrasil/doc_labic.php Campana, S.E. 2011. Otolith Microstructure Preparation. Available at: http://www.marinebiodiversity.ca/otolith/english/preparation.html Campana, S. E. & Jones, C. M. 1992. Analysis of otolith microstructure data. In Otolith Microstructure Examination and Analysis (Stevenson, D. K. & Campana, S. E., eds), pp. 73–100. Canadian Special Publication of Fisheries and Aquatic Sciences 117. Conley, W. J. & Gartner, J. V. 2009. Growth among larvae of lanternfishes (Teleostei: Myctophidae) from the Eastern Gulf of Mexico. Bulletin of Marine Science 84, 123–135. Katsuragawa, M. & Ekau, W. 2003. Distribution, growth and mortality of young rough scad, Trachurus lathami, in the south-eastern Brazilian Bight. Journal of Applied Ichthyology, 19, 21–28. Namiki, C.; Katsuragawa, M.; Zani-Teixeira, M. L. 2015. Growth and mortality of larval Myctophum affine (Myctophidae, Teleostei). Journal of Fish Biology, 86, 1335-1347. doi: 10.1111/jfb.12643 , Available at: wileyonlinelibrary.com Rossi-Wongtschowski, C.L.D.B., Siliprandi, C.C., Brenha, M.R.,Gonsales, S.A., Santificetur, C., Vaz-dos-Santos, A.M. 2014.Atlas of marine bony fish otoliths (sagittae) of Southeastern- Southern Brazil Part I: Gadiformes Macrouridae, Moridae, Bregmacerotidae, Phycidae And Merlucciidae); Part II: Perciformes (Carangidae, Sciaenidae, Scombridae And Serranidae). Brazilian Journal of Oceanography, 62(special issue):1-103. Available at: http://dx.doi.org/10.1590/S1679-875920140637062sp1 Zavalla-Camin, L. A., Grassi, R. T. B., Von Seckendorff, R.W. & Tiago, G. G.1991. Ocorrência de recursos epipelágicos na posição 22°11’S - 039°55’W, Brasil. Boletim do Instituto de Pesca 18, 13–21. #biologiamarinha #equilíbrio #larvas #otólitos #peixes #cláudianamiki #ciênciasdomar
- The hard-knock life of a marine baby fish
By Cássia G. Goçalo Edited by Katyanne M. Shoemaker Most fish in the world’s oceans reproduce by releasing their reproductive cells (oocytes and sperm) into the marine environment, where the two meet and fertilization occurs. Fish like sardines, groupers, tuna and cobias use this strategy to spawn millions of eggs. About 24 hours after (more or less, depending on species) the end of embryonic development, baby fish are hatched, called larvae. For a tiny larva to survive in the marine environment, a large amount of quality food is necessary (such as zooplankton, see "For plankton, size matters" ). Babies need to be well fed to guarantee fitness and growth until they reach adulthood. In the ocean, there are many animals that feed on small organisms, and eggs and fish larvae have high nutritional value. Fish and other marine animals, such as jellyfish, consume millions of eggs and larvae each season, as just another step in the marine food chain. It was once believed this little fish lived floating in the seawater for days or even weeks until its eyes, mouth and fins were completely developed. In my doctoral project, I studied the behavior of these small larvae during the first days of life, and I observed that, in addition to floating, they have an amazing swimming ability. Larvae are able to achieve extremely high speeds while swimming to capture food, up to 40 times their body size per second. Note: the world’s fastest man swims only 1.5 times his body size per second! In general, the swimming of marine organisms is related to feeding, breeding, and the escape from predators. To get food, fish larvae need to coordinate their bodies to move their fins, interpret prey movement, open their mouths, and then capture the prey. To get away from predators, they need to bend their bodies and change swimming direction to successfully escape. These behavioral patterns were recorded for grouper ( Epinephelus marginatus ) and cobia ( Rachycentron canadum ) larvae, in my studies. To perform this research we (Laboratory of Plankton Systems team and me, http://laps.io.usp.br/index.php/en/ ) set up an optical system with a similar configuration to a microscope but in a horizontal position, to study organisms 2-5 millimeters in size in a small aquarium. We filmed with a video camera that captures a high rate of frames per second (also known as "high speed camera"). See more at https://www.facebook.com/lapsiousp Even with all this skill, survival rate of individuals is only 1% from egg to adulthood. This high mortality rate is due to predation and/or starvation. A small larva faces many challenges, but if successful, one day it will become a mature adult fish and produce a new generation of eggs and larvae, maintaining a natural balance between species and the marine ecosystem. In the marine environment there are about 16,000 species of fish, many of which we know little about the larval behavior of. An example similar to the research done in my doctoral work is the study conducted on adult fish behavior through, which can be seen in documentaries presented by the National Geographic Channel ( http://natgeotv.com/uk/hunters-of-the-deep/galleries/super-fast-fish ). The researchers offered different prey and filmed the swimming and feeding behavior of different species of marine fish. For the curious: access the page and watch the video "Blink of an Eye." Questions and comments? Contact us or leave a response below! See you on the next post! References: FUIMAN, L. A. Special considerations of fish eggs and larvae. In: Fuiman, L. A.; Werner, R. G. (eds). Fishery Science: The unique contributions of early life stages . Blackwell Science. p. 1- 32, 2002. GOÇALO, C.G.; AQUINO, N. A. de; KERBER, C. E.; NAGATA, R. M.; LOPES, R. M. Swimming behavior of cobia larvae ( Rachycentron canadum ) facing prey and predator. 38th Annual Larval Fish Conference, Quebéc, Canadá. 2014 HOUDE, E. D. Emerging from Hjort’s shadow. J. Northwest Atl. Fish. Sci. , v. 41, p. 53-70, 2008. #eggs #larvae #fish #marinebabyfish #chatcássiaggoçalo #marinescience #behavior #chat
- A new home for Nemo
By Cathrine Boerseth Edited by Katyanne M. Shoemaker People don't like having their homes destroyed and neither do animals; bears don’t like it, birds don't like it, fish certainly don't like it and neither do the tiniest planktonic animals that people often forget even exists. Some of these tiny animals are meroplanktonic, which means they only float around in the early stages of their lives, to grow up as adults they need somewhere to settle down, a nice home with a good foundation; for many organisms that means a hard surface like rocks or a coral reef. Sadly, in the waters of northern Paraná state, many of these nice hard (and already rare) surfaces were destroyed by destructive fishing methods like trawling. The meroplanktonic larvae were still floating around in the water, but there were few places for them to settle down. In the biological world one thing always affects another and so did the lack of appropriate habitat in our case; fish eat the organisms living on and around rocky reefs and so the lack of hard bottom substrates meant a lack of food for the fish, and so the populations declined. But what if we made new homes for these animals and what if those homes were so sturdy and strong that trawlers wouldn't be able to break them? Well, that’s exactly what researchers did between 1997 and 2013 when they deployed a number of artificial reefs along the Paraná coast. But what exactly is an artificial reef? An artificial reef can be made out of rocks, concrete blocks or even sunken ships. They are man-made structures, preferably with different holes and crevasses, placed under water to provide shelter for marine organisms. Bacteria and algae are usually the first organisms to arrive, meroplanktonic larvae settle and grow up to be anything from anemones to crabs; all of these animals attract fish looking for food and they in turn attract larger fish and other predators. After a while, the ecosystem on the artificial reef grows to become a place with both food and shelter for all kinds of marine organisms. However, even after the artificial reefs were in place, many questions were still unanswered: would meroplanktonic organisms come to settle? Would they attract fish? Would those fishes reproduce? Would the ecosystem of the artificial reefs be anything like a natural rocky reef? The answer to the two first questions was discovered to be a big YES, but what about the other questions? That's what I wanted to find out! Exiting stuff, now what? To answer those questions, we decided to look at fish larvae and fish eggs. To capture them we used a net attached to an underwater scooter (so cool, I know), and a light-trap. With the scooter and light-trap we were able to capture larvae very close to the artificial reef; the net captured eggs and the smallest fish larvae while the trap attracted larger larvae. We also sampled at a distance from the artificial reef (would the abundance of larvae and eggs be different there?) and at a natural rocky reef habitat nearby (the beautiful archipelago of Currais). We collected as many samples as the weather and waves allowed between the July of 2014 and April of 2016. The samples were collected using a light-trap (left) and a net attached to an underwater scooter (right). So what did the data show? The number of fish larvae and fish eggs was in fact higher on the artificial reef compared to samples taken at a distance from the reef. Furthermore, the fact that the samples contained eggs and very small newly hatched larval fish means that fish are either reproducing on the reefs or close by. Additionally, many of the fish larvae collected on the artificial reefs belonged to species that are known to live on rocky reef habitats; most of the other species found were pelagic, which means they live in the open water. What does it all mean? Well, it means that the artificial reef is beginning to act like a natural reef (great!), but it still has a way to go. Fish are still more abundant on the natural reef and many of the fishes on the artificial reef are more like visitors, like the pelagic species. They are all welcome of course! The artificial reef provides food and shelter; many of the visitors attracted by delicious food become food themselves, but that's ok, it's all part of the food network. It may sound like artificial reefs are the solution to all of our problems and you may want to stand up with your hands in the air shouting: let's put artificial reefs in all the seas in all the world! Then everything will be great again, right? That would be amazing, but unfortunately, as with most things in life, it's just not that simple. There are many factors to consider because deploying an artificial reef is in itself a human intervention in nature and could cause more harm than good, careful research in each individual case is essential! What can we learn from all this? Nature finds a way. Humans are destructive; in order to get our way and build our houses, we destroy houses of so many other animals. Fortunately, given time, many ecosystems are resilient enough to come back to life. Artificial reefs may not be the answer to all our problems, but on the coast of Paraná it appears that a tiny piece of a suffering ecosystem may actually be getting back on its feet. About Cathrine : Biologist and currently preparing to defend my masters’ dissertation in the field of biological oceanography at the University São Paulo. As a true Norwegian I fell in love with the ocean scuba diving in the freezing waters of the north. I have been living in Brazil for four years now and I can't wait to discover where life will take me in the future. What I know with certainty is that I want to work and live close to nature, that being in the beautiful tropics of Brazil or in the wonderful Arctic of Norway (or somewhere in between). #marinescience #cathrineboerseth #artificialreefs #invited #meroplankton #chat
- Empreendedoras ao Mar!
Por Adriana Lippi Talvez o termo empreender esteja mais em voga agora do que antes, talvez eu esteja mais atenta a ele recentemente. Quando se pensa em empreendedores e empresários o que te vem à cabeça? Um cara ricaço dono de várias empresas (Richard Brandson - Virgin)? Um cara que manja muito de tecnologia e cria coisas inovadoras (Steve Jobs - Apple)? Um cara desonesto que faz lobby com metade dos políticos para conseguir se dar melhor? Ilustração: Joana Ho. Sinto que existem ares de prestígio para empreendedores, como se fossem pessoas meio fora do padrão e que fazem algo extraordinário. Bom, alguns são, mas talvez haja mais empreendedores do que você pensa. O que tem em comum a dona da barraca de café da manhã, a moça da cesta de trufas que as vende na universidade no intervalo das aulas e a amiga que vende artesanatos que ela mesmo faz (ou não)? Elas também são empreendedoras! É capaz de você se deparar até com mais mulheres empreendedoras no seu círculo social do que com homens empreendedores. O estudo do SEBRAE de 2015 indica que 49% dos empreendedores brasileiros são mulheres. Os motivos para as mulheres começarem um negócio próprio podem ser dos mais variados: Ela pode já ter filhos e precisa de um negócio que permita que ela tenha horários flexíveis para participar da vida familiar ; Ela não conseguiu ser contratada por alguma empresa; Ela já tem um emprego, mas quer/precisa aumentar seus rendimentos; Ela já esteve em empresas mas não se sentiu reconhecida, nem conseguiu subir de cargo e acredita que ela possa replicar aquele modelo de negócio quem sabe até com melhorias; Ela quer criar um negócio que não existe, mas que ela acredita ser possível. E por aí vai! O empreendedorismo não é a solução para todos os problemas, afinal, se todos forem empreendedores quem vai trabalhar nas empresas já existentes? Todos os tipos de atuação tem seu valor nesse universo econômico e social. Existem muitas teorias sobre o estado atual da economia global: haverá uma migração do capitalismo para outra forma de economia? Talvez, só o tempo dirá, mas cada vez mais pessoas querem desenvolver negócios inovadores e a internet está aí para conectar essas pessoas e divulgar para todos essas novas possibilidades. Estamos em uma crise global. Não só econômica, mas política, de representatividade, política, de gênero, de identidade, de classes, etc… E talvez os novos empreendimentos não sirvam só para gerar renda, mas talvez para ajudar o mundo a se reencontrar. Já pensou como você pode ser peça importante seja para sua família e/ou comunidade? Já pensou em algo que possa mudar o mundo? Ok, ok, mas o que isso tudo de empreendedorismo pode ter a ver com os mares e os oceanos? Existe um conceito recente chamado de “Economia Azul”, que seria uma evolução da “ Economia Verde ”. Vou tentar explicar bem simplificadamente: A Economia Verde busca reduzir impactos, se importa com a questão socioambiental buscando igualdade e inclusão social e uso eficiente dos recursos. Já a Economia Azul tem duas vertentes. Uma delas é a definição de Economia Azul por Gunter Pauli . Em seu livro ele diz que a Economia Azul deve buscar inspiração na natureza e seus processos além de valorizar as pessoas do local, tendo como alguns princípios: não existe lixo (tudo é aproveitável), os processos são não-lineares (ou seja, não existe um “fim”, um produto ou resíduo de um processo sempre pode ser o início de outro processo, podendo retornar de forma cíclica), um processo gera muitos benefícios, entre outros. A definição de Economia Azul feita na Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável de 2012) seria a aplicação da Economia Verde para regiões costeiras. Não sou especialista em empreendimentos de Economia Verde ou Azul, mas vou tentar dar alguns exemplos pra ilustrar: Como exemplos da Economia Verde, voltada para os oceanos, tem a Ocean Drop , uma empresa bem nova formado por oceanógrafos, que utiliza microalgas encontradas nos oceanos para criar suplementos nutricionais. Há também a Eco-Reef , que comercializa animais para aquários marinhos que são reproduzidos em cativeiro, ou seja, protegendo os ecossistemas já existentes de perderem espécies para atividades de aquarismo, como aconteceu com o peixe-palhaço após o filme da Disney “Procurando Nemo”, cuja a captura aumentou muito e levou ao colapso algumas populações da espécie. Quanto a Economia Azul, eu não consegui levantar exemplos atuais de empresas que atuem no oceano, mas há alguns anos atrás o Prof. Jorge Costa da FURG estudava como utilizar o CO2 gerado por termoelétricas para produzir a microalga Spirulina para suplementação nutricional, dessa forma o “resíduo” da termoelétrica serviria para outro processo (produção de microalga). Como um exemplo não ligado aos oceanos, temos uma vinícola sul-africana que utiliza patos que fazem a função de adubagem pela fezes que eliminam e controle de pragas como caracóis, parasitas e outros insetos. Dessa forma produzem as uvas sem necessidade de uso intenso de agrotóxicos, fertilizante, pesticidas, etc… e os patos acabaram se tornando uma atração turística . Acredito que seja possível combinar as duas visões de Economia Azul (aplicar o conceito de Pauli para regiões costeiras), mas precisamos de empreendedoras e empreendedores dispostos a criar esses negócios. E ai, alguém se habilita? Extras: Videos sobre Economia Azul https://www.youtube.com/watch?v=1af08PSlaIs https://www.youtube.com/watch?v=flMvwi6jR8o Sobre Adriana: Oceanógrafa, programadora web, viciada em ler, aprender e questionar, com mania de controle de tarefas, equipes e finanças de projetos, diretora do Instituto Costa Brasilis. Me apaixonei pelas diatomáceas ainda no colégio, achava que passaria o resto da minha vida trabalhando com esses minúsculos e quase invisíveis seres, mas não podia ignorar as coisas visíveis do meu dia-a-dia que achava importante realizar. Participei da A.A.A Oceanográfica, do Centro Acadêmico Panthalassa, encabecei O Escafandro (periódico feito pelos alunos da graduação do IOUSP), participei da organização de eventos científicos (SNO2010, SBO2011, Oceanos & Sociedade 2013, ISBS2015), fui gerente de Tecnologia de Informação e Comunicação na SALT e agora to tentando descobrir como viver no mundo das ONG’s, mas com saudades das minhas diatomáceas! Leia também outros textos da Adriana. #carreira #convidados #adrianalippi #empreendedorismo #joanaho #mulheresnaciência
- Duas razões para assistir o documentário “Mission Blue”
Por Jana del Favero e Catarina R. Marcolin No nosso primeiro post da sessão mulheres “ Desafios antigos para mulheres atuais” recebemos uma sugestão do Prof. Otto Müller P. Oliveira para que fizéssemos uma postagem sobre o documentário “Mission Blue”. E de fato, esse documentário merece uma menção especial em nosso blog, pois além da excelente produção, o conteúdo é inspirador. O documentário “Mission Blue” foi lançado em 2014 e conta a história desta incrível bióloga marinha, Sylvia Alice Earle, exploradora, autora, mãe, avó (entre outros mil títulos possíveis) e sua campanha para criar uma rede global de áreas marinhas protegidas, as chamadas “Hope Spots” (áreas de esperança). Ao assistir o filme é impossível não se apaixonar e se inspirar por dois "personagens". O primeiro é a própria organização, também chamada de Mission Blue , que foi formada em resposta ao prêmio recebido por Sylvia Earle no ano de 2009 no “TED PRIZE WISH” (assista a palestra aqui ). Nessa palestra, a Dra. Earle faz um apelo para que se usem todos os meios possíveis (filmes, expedições, internet, novos submarinos) numa campanha para conquistar apoio público que suporte uma rede global de áreas marinhas protegidas. Se esses “pontos de esperança” forem grandes o suficiente, será possível salvar e restaurar o coração azul do planeta! Hoje o Mission Blue é formado por mais de 100 grupos que se preocupam com a conservação dos oceanos, desde empresas multinacionais até equipes de cientistas. O site do Mission Blue traz uma interessante e assustadora estatística: atualmente apenas 2% dos oceanos estão completamente protegidos, indicando a importância deste tipo de iniciativa. Fonte O segundo motivo é a personagem principal, Sylvia Earle, uma senhora que fará 80 anos em agosto deste ano e continua ativamente estudando, explorando, mergulhando e defendendo os oceanos ( saiba mais ). Sylvia terminou o colégio com apenas 16 anos, a graduação com 19 e o mestrado com 20. Durante o doutorado esse ritmo foi diminuído, devido ao casamento e filhos, mas logo Sylvia retornou ao seu ritmo frenético. Em 1964, quando seus filhos tinham apenas 2 e 4 anos ela viajou por 6 semanas para participar de uma expedição no Oceano Índico. Segundo Sylvia, ela não sabia que seria a única mulher a bordo, pois tinha sido convidada como única botânica, não como única mulher. Um repórter a abordou em Mombassa, no Kenia, de onde o navio partiria, e Sylvia relata que estava interessada em falar do trabalho, mas tudo que o repórter queria saber era como seria sua estadia em alto mar com tantos homens. No final, a chamada da matéria foi: " Sylvia Sails Away With 70 Men, But She Expects No Problems " (Sylvia navegará com 70 homens, mas ela não espera problemas). Apesar de tudo ter corrido aparentemente bem, Sylvia deixa implícito em algumas entrevistas que as expedições científicas podem ter levado ao fim o seu primeiro casamento. Essa é uma dificuldade recorrente encontrada no mundo científico, afinal de contas são muito comuns os trabalhos onde o(a) cientista precisa se ausentar por dezenas de dias, às vezes meses, sem comunicação alguma com a família. Em 1966 Sylvia terminou seu doutorado e em 1968 viajou à 30 m de profundidade nas águas de Bahamas a bordo de um submersível, estando grávida de 4 meses do seu terceiro filho e já no seu segundo casamento. Em 1969 ela se inscreveu para participar do projeto Tektite, no qual cientistas viveram semanas em um laboratório no fundo do mar, a 15 m de profundidade. Apesar de mais de 1000 horas de mergulho e da excelente proposta escrita, não foi permitido à Sylvia que convivesse com outros homens debaixo d’água no Tektike I. Mas no ano seguinte, houve o convite para que Sylvia liderasse o Tektite II, então com uma equipe só de mulheres. O sucesso dessa equipe de mulheres foi um importante marco e abriu precedentes para que futuras expedições aquáticas incluíssem mulheres em suas equipes, e isso influenciou ainda a inclusão de mulheres em expedições espaciais. Depois de sua experiência como “sereia”, Sylvia se tornou um rosto popular na mídia e sua carreira decolou (diríamos que além de tudo, ela tem um rosto muito belo). Em 1979 Sylvia caminha no fundo oceânico em uma profundidade nunca então pisada por qualquer outro humano, usando o chamado JIM SUIT, a quase 400 m de profundidade. Essa aventura resultou no livro “Exploring the Deep Frontier”. Na década de 80, junto ao engenheiro Graham Hawkes, ela começou uma empresa para criar veículos submersíveis, como o Deep Rover. Essa parceria culminou em seu terceiro casamento, sendo que dessa vez seus únicos filhos foram os submarinos por eles criados. Uma de suas filhas atualmente trabalha com ela em sua empresa. Ao perguntarem se Sylvia teve problemas em conciliar família e carreira, ela diz que sim, vários, e que ela tentou rearranjar sua vida, tendo um laboratório e uma biblioteca dentro de casa. Para as mulheres que sonham em seguir uma carreira científica e formar famílias, Sylvia aconselha: “Tentem, nunca se saberá como será se não tentar”. Fonte Além do próprio documentário, recomendamos a entrevista em: http://www.achievement.org/autodoc/page/ear0int-1 E que vejam o curto vídeo: http://voices.nationalgeographic.com/2013/06/14/in-her-words-sylvia-earle-on-women-in-science/?source=newsbundlearticles #biologiamarinha #carreira #mulheresnaciência #oceano #TEDtalks #catarinarmarcolin #janamdelfavero
- Mais notícias sobre larvas de peixes
Olá a todos! Há alguns dias a agência de notícias da USP publicou uma notícia sobre o trabalho de doutorado da nossa colunista Cássia Goçalo . A reportagem ressalta as importantes implicações dos resultados encontrados pela nossa colunista durante o seu doutoramento. Acesse a matéria aqui e saiba mais sobre o comportamento de larvas de peixes. Se você ainda não conferiu o post dela sobre esse mesmo assunto, acesse aqui . Consulte o trabalho completo no link abaixo: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/21/21134/tde-07052015-105843/ #comportamento #larvas #oceano #peixes #cássiaggoçalo #ciênciasdomar
- A tour through the ocean: understanding the comings and goings of humpback whales
By Daniela Abras Edited by Katyanne M. Shoemaker It is immensely challenging to try to understand the mechanisms that move a 15 meter-long and 40 ton organism 9,000 km yearly. Humpback whales migrate every year from the feeding grounds of Antarctica to the mating grounds of Brazil. The route, which is about 4,500 km each way, is made twice a year and typically takes about 2 months going, and 2 months coming back. By including their 4 month stay in Brazil mating, these whales spend 8 months of the year without food. That’s a long fast! To accomplish this feat, they need to eat a lot during the 4 months in Antarctica, and they need to stock up on energy reserves, in the form of body fat. But what do these whales eat? As the adorable Dory, from Disney/Pixar’s Finding Nemo would say, whales don't eat fish, they eat krill. Krill are small crustaceans, similar to shrimp, that are about 5cm long and live in giant clusters (swarms). Krill are the base of the vertebrate food chain in Antarctica, where most species depend on it, directly or not. Many species of fish, seals, penguins, and whales prey almost exclusively on it. Some species, like Orca whales and Leopard seals, prey on fish or penguins. This is why the food chain in Antarctica has been called by scientists “krill-dependent.” Every year, whales arrive at the Brazilian coast in July and stay there until November. There are times when the population arrives slightly earlier in the year and stay longer, but they can also come later in the season and leave more quickly. In some years, there are more whales than in others. This started to raise some questions: When they stay in Abrolhos longer, is it because they fed better? When they leave the bank earlier than average, is it because of high water temperatures? Or do these things not influence their behavior at all, and they rely mostly on genetic programming? What initiates the migration process? My Master's research focused on these questions to try to understand the diverse environmental mechanisms influencing the migratory dynamics of humpback whales. I primarily focused on the availability of their main source of energy. To do that, I analyzed parameters such as photoperiod, water temperature in both Abrolhos and in Scotia Sea (where they stay in Antarctica), and the availability of krill during summer. I compared this to 7 years of sighting data collected at a fixed location around the Abrolhos Archipelago. To observe the whales, a piece of topography equipment with 30X zoom, called a theodolite, was used. For the 5 months the whales were in Abrolhos, we observed the whales daily, and found that the population's abundance fluctuates throughout the reproductive season with a gradual increase in July, followed by the peak in August/September, and then a gradual decrease, until no more whales were present by the end of November. Watching whales with the theodolite, from Abrolhos Archipelago. The results were more than expected. In years when there were more krill available, the whales fed more and had greater energy stores. This allowed them to invest a longer period of time on reproduction and more whales were seen in Abrolhos. The opposite was also true. In years with less krill, fewer whales were seen in Abrolhos and their time at Abrolhos was shortened. The water temperature didn't seem to have significant influence on their migration, however it assisted in indicating the starting moment for the migration – the migratory timing. The most surprising result was related to the photoperiod (length of daylight in a day). No other research had related the migratory dynamics with photoperiod, perhaps because scientists thought it was too obvious. But, sometimes, it's important to understand the obvious! The photoperiod in Antarctica has a huge difference between summer (18 hours of light) and winter (6 hours), while in Abrolhos, the difference from summer (13 h) and winter (11h) is far smaller. Therefore, as my dissertation's conclusion, I discovered that the humpback whale's migration starts and is influenced by the sharp lowering of photoperiod when they are in Antarctica. When in Abrolhos, migration is impacted by the sum of 3 factors: the photoperiod (which is more steady than in Antarctica), the sea surface temperature (this slightly increases gradually during the reproductive season) and krill availability while in Antarctica. It was difficult to analyze such a high volume of data, linking different environmental parameters in order to answer all of my research questions. With these results, we have started to understand complex migratory dynamics and the importance of krill in the maintenance of the humpback's population. If you want to know more about my Master's dissertation, contact me via email at daniabras@gmail.com The humpback whale population was almost driven to extinction in the early 20th century from intensive commercial hunting. Before commercial whaling, the estimated population was around 25,000 individuals, but it dropped to about 800 individuals while at the peak of whaling. After the whale-hunting moratorium in 1986, the population recovered and is now around 15,000 individuals today! In 2015, humpback whales were officially removed from the endangered species list in Brazil. This is a victory for the whales as well as for those of us that have the privilege of watching them arrive annually, in bigger numbers every time, performing their aquatic ballet. Go meet them! Between July and November, they are concentrated on the Abrolhos region, but they can also be seen from the states of Rio Grande do Norte state to Rio de Janeiro. Want to know more about humpback whales? Visit the Brazilian Humpback Whale Institute website: www.baleiajubarte.org.br About: Daniela Abras is from Belo Horizonte, has a bachelor’s degree in Marine Biology from UFRJ, and has a Masters degree in Oceanography from USP. She has loved cetaceans since she was 8 years old, when she did a school project about them. When she was a teenager, she would say that she wanted to work with whales, but was never taken seriously. In the early 90s, she heard the famous National Geographic “Whale Songs” vinyl record and discovered the “Save the whales” project. From all of this obstinacy, her dream to study and protect whales came to life. She is now a researcher for the Brazilian Humpback Whale Institute, dedicating herself daily to studying these magnificent animals. #danielaabras #marinescience #behavior #conservation #invited #ocean #whale #chat
- The ship’s balance...
By Izadora Mattielo Edited by Katyanne M. Shoemaker Have you ever asked how ships are balanced at sea? Or how it can carry people and merchandise without tipping over? It is easy to imagine that there is an ideal maximum weight, designed and calculated by engineers, that the ship can support without sinking. OK. But how does how can this keep its balance when it is empty? The answer is easy: it needs to add weight when it is empty and then release the weight while loading it with people or merchandise. In the beginning, there were several attempts with stones and pieces of wood, but due to the effort required to add and remove these materials, a better thought was to use the seawater! Pumps could be used to pull in and throw out the water when ship was docked. This method is the method we still use today; ships have a ballast tank, which can hold ballast water that is pumped in and released. That is where my story begins! Imagine an empty ship going from China to Brazil, where it will be loaded with merchandise. As already explained, the ship would have to pump water from the Chinese coast to keep balance while traveling. The water pumped in however, is not pure and has a lot of organisms that who are trapped inside the ballast tank. You might be asking: isn’t there a mesh filter that can be used to avoid trapping these organisms? Yes, but it’s not efficient, especially for microorganisms. A second problem is, according to International Maritime Organization (IMO), ships are to exchange water in the open sea, because there are different physical and biological conditions in port that the organisms from the open ocean cannot survive. However, this does not happen. Aside from many ships not changing water at sea, there are several organisms that can resist both the travel and different environmental conditions. When arriving at the destination port, these non-native organisms are discharged along with the ballast water, causing serious problems for the local fauna and flora, as well as public health. Can you imagine the environmental impact? Because of this, there are many countries that belong to IMO doing research to solve this problem. One of these solutions is the treatment of the ballast water inside of the tank. There are many treatment proposals: mechanic, physical, and chemical. These are currently either in testing, generate waste, or are not completely efficient. I did work with phytoplankton, marine microalgae explained here . These microscopic organisms can be resistant to many treatments, and some species are toxic to animals. In fact, red tide is caused by a microalgae group. My challenge was then, to find ways to eradicate these microscopic algae from the ship ballast water. I tested three treatments: exposure to UV, ozone, and Peraclean, a chemical with characteristics similar to hydrogen peroxide. As I developed this project, I knew that these treatments were of huge importance and needed further studies done. The most interesting stage of this project was the partnership with the company Brasil Ozonio (a company that works with the University of São Paulo). Don’t be afraid to make university-industry partnerships; much of our knowledge doesn’t go forward because the researchers don’t want to expose their work and ideas. This partnership was essential to my work. The most interesting stage of this project was the partnership with the company Brasil Ozonio (a company that works with the University of São Paulo). Don’t be afraid to make university-industry partnerships; much of our knowledge doesn’t go forward because the researchers don’t want to expose their work and ideas. This partnership was essential to my work. After conducting a series of experiments, my best result was with the ozone! I was able to eradicate even the most resistant microalgae (the dinoflagellates), which no other treatment had managed to kill. In addition to being effective, this treatment doesn’t generate waste into the treated water, so it may be safely discharged overboard. In future posts, I will discuss my results in more detail, but if you want to know a little more about it, follow the links about my dissertation: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/21/21134/tde-02022015-135423/pt-br.php http://www.usp.br/aun/exibir.php?id=6118&edicao=1076 See you! #ballastwater #environmentalimpact #microalgae #ozone #chatizadoramattielo #marinescience #chat
- Atuar em oceanografia implica obrigatoriamente em ter uma carreira acadêmica?
Por Adriana Lippi Ilustração: Joana Ho . Desde que ingressei na graduação de oceanografia sempre ouvi questionamentos relacionados ao "o que você vai fazer": O que o oceanógrafo faz? Trabalha com pesquisa, né? Vai trabalhar no TAMAR, certo? entre outros. Eu também não tinha muita certeza de como iria ser depois de formada, mas considerava a carreira na ciência. Ao começar o meu curso também me engajei em diferentes atividades durante a graduação: participei de entidades estudantis, empresa júnior, me lancei a editar um informativo impresso para os alunos, resolvi que queria fazer um site primeiro para a atlética e depois para o centro acadêmico, organizei alguns eventos… e tentei me formar nesse meio tempo. Quando me deparei com a parte "científica-acadêmica": iniciação científica e trabalho de graduação, senti uma imensa dificuldade. Óbvio que bateu a maior crise existencial: "Poxa, mas eu fiz tanta coisa nesses anos e não consigo escrever essa monografia! Não consigo ter uma bolsa de iniciação? Posso montar um site inteiro, mas não consigo entender o que estou fazendo nessa pesquisa...". Entreguei a monografia mesmo assim, fazendo como foi possível, levei várias puxadas de orelha de relator e orientador. Acabei optando por não ingressar num mestrado logo após a graduação, ao contrário da maioria dos meus colegas que seguiram na área, consegui uma bolsa de desenvolvimento tecnológico em um projeto no INPE e lá fiquei por 6 meses. Nesse período tive oportunidade de (re-)ingressar na vida acadêmica, possibilidades de mestrado, tempo para estudar, poucas responsabilidades. Até tentava, mas não me animei. Ler artigos científicos e bolar um projeto com hipótese, metodologia e selecionar e citar referências me deixava ansiosa só de pensar. Demorei até aceitar que era possível que a ciência não encaixasse com as minhas habilidades e ambições, pelo menos nessa altura da minha vida. No final do último ano de graduação e nesse período no interior consegui fazer uma graninha fazendo sites, habilidade que consegui desenvolver durante a graduação, depois de fazer a disciplina de introdução à lógica de programação. Na disciplina descobri que programar era algo que gostava muito e isso me levou a programar sites. Fazia isso por gosto, às vezes para tapar algum buraco, quando precisava de um site para um evento. Demorei muito até ver que poderia usar essa habilidade para pagar umas contas. Tive um grande amigo, que até hoje é meu parceiro no trabalho e na vida, que insistiu muito comigo até que pudesse enxergar que poderia fazer isso como profissional. Tinha um lado de mim que me incomodou por muito tempo: “Estou fazendo oceanografia, não quero desperdiçar a graduação fazendo sites, que todo mundo pode fazer. Quero ser oceanógrafa!”. Porém, volta e meia aparecia alguém precisando dos “meus serviços”: fazer um site ali, organizar um evento aqui, ajudar com uma diagramação acolá… Na grande maioria todos essas pessoas eram do meio científico: professores universitários, pesquisadores, entre outros. Demorou mais um tanto para que pudesse ver que fazendo isso não estava desviando da minha área de oceanografia. Foi um professor que me mostrou: “ Atividades-meio importam”, ou seja, posso não estar fazendo a atividade-fim: pesquisa, publicações, livros, porém minha atuação (atividades-meio) ajudava que essas atividades-fim fossem desenvolvidas de uma forma melhor . Aí perdi a vergonha do meu trabalho! A partir dessa conclusão, consegui me ver de uma forma mais definida como profissional, investir mais na minha capacitação, divulgar um pouco melhor o que fazia, etc. Desde então consegui uma colocação dentro de uma empresa onde aprendi muito, e recentemente optei por mudar meus caminhos indo para o terceiro setor. Sobre Adriana : Oceanógrafa, programadora web, viciada em ler, aprender e questionar, com mania de controle de tarefas, equipes e finanças de projetos, diretora do Instituto Costa Brasilis. Me apaixonei pelas diatomáceas ainda no colégio, achava que passaria o resto da minha vida trabalhando com esses minúsculos e quase invisíveis seres, mas não podia ignorar as coisas visíveis do meu dia-a-dia que achava importante realizar. Participei da A.A.A Oceanográfica, do Centro Acadêmico Panthalassa, encabecei O Escafandro (periódico feito pelos alunos da graduação do IOUSP), participei da organização de eventos científicos (SNO2010, SBO2011, Oceanos & Sociedade 2013, ISBS2015), fui gerente de Tecnologia de Informação e Comunicação na SALT e agora to tentando descobrir como viver no mundo das ONG’s, mas com saudades das minhas diatomáceas! #vidadecientista #ciênciaetecnologia #convidados #adrianalippi #interdisciplinaridade #joanaho #programação
- Uma brasileira fazendo pesquisa na “gringa”
Por Jana M. del Favero É cada vez mais comum a saída de brasileiros para estudar e/ou pesquisar no exterior, quer seja durante a graduação ou durante a pós-graduação. Todo mundo já ouviu falar de pessoas que tiveram experiências maravilhosas no exterior, outras que tiveram algumas frustações e desapontamentos. A decisão de sair do conforto de casa, ficar longe da família, dos amigos, nunca é fácil. Para nós mulheres, muitas vezes o intercâmbio deixa de acontecer porque o marido não pode acompanhar, ou porque tem a escola do filho. Eu tive a sorte do meu marido ter aceitado embarcar nessa aventura comigo, e como no momento estou morando nos Estados Unidos, resolvi compartilhar com vocês minha experiência e dar algumas dicas, para tentar ajudar aqueles que pretendem estudar e/ou pesquisar no exterior. A idéia de fazer a dupla titulação surgiu no final do meu mestrado, quando o convênio entre o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP) e a Universidade de Massachusetts (UMASS) estava ainda sendo assinado. Alguns professores da UMASS foram para o Brasil divulgar a faculdade, o programa, e desde o principio já quis participar, pois muito me interessou a história de fazer um único doutorado e sair com os dois diplomas... Cheguei em New Bedford - Massachusetts (EUA) em agosto de 2014 e confesso que o povo americano foi algo que de cara me surpreendeu. Apesar daquele aspecto mais frio típico de qualquer estrangeiro, foram bastante solícitos e prestativos. Não esperem abraços, beijos e a recepção brasileira, mas com o tempo você vai se sentido acolhida. Me ajudaram a arrumar um apartamento e praticamente o mobiliei de graça, cada dia era alguém me oferecendo alguma coisa... Além do mais, os alunos do instituto onde estou marcam happy hour praticamente a cada 15 dias, me acolheram no Thanksgiving, Natal, festa de Halloween etc. Bem, mas vamos ao que interessa, a faculdade. É fácil perceber que sim, eles tem dinheiro, sim eles tem equipamentos e sim, eles tem bons professores e pesquisadores. Mas sinceramente, nada que não seja encontrado pelo Brasil em diversos institutos também. Mas a idéia desse post não é comparar instituições do exterior versus brasileiras, isso daria um outro post e uma outra discussão. O que pretendo com esse post é fazer comparações mais culturais e do nosso dia a dia. Uma das coisas que estranhei é o fato de não ter propriamente uma hora de almoço, sair um grupo para almoçar é bem raro e, quando acontece, é marcado com bastante antecedência. A grande maioria leva marmita e, ou come rapidinho na copa, ou come na frente do computador mesmo. Eu particularmente sempre vou pra copa na esperança de ter alguém disposto para um papinho. Outra diferença é não ter hora do café, aquele outro momento que você sabe que vai encontrar amigos para um outro bate papo. Em compensação, às 17 horas todo mundo já foi embora, então você tem o resto do dia pra ir pra academia, happy hour, compras etc... e nesse momento sim vão socializar com você. Senti isso nítido, local de trabalho é trabalho, lazer é lazer. Essa distinção entre trabalho e social ficou bem nítida no dia em que fui ao NOOA (National Oceanic and Atmospheric Administration) me encontrar com um pesquisador que conheci em um congresso em Miami em 2013 e encontrei novamente com ele em Quebec em 2014. Nossas conversas no congresso sempre foram como amigos e ele se mostrou bastante interessado no meu trabalho e disposto a ajudar. Cheguei no NOOA esperando que fôssemos tomar um café, prosear, e depois discutir o trabalho. Mas não, chegando já fui direto para a sala de reuniões, meu “amigo” chegou com mais dois pesquisadores que brevemente se apresentaram e já pediram para eu apresentar meu projeto, o que eu estava pesquisando. Foram três horas de discussão do meu trabalho, bastante produtivas, que culminaram numa parceria que mantenho até hoje. Porém, o bate papo que eu estava esperando que fosse acontecer, como sempre acontecia quando encontrava esse pesquisador nos congressos, não aconteceu. Outra coisa que acho que quem vem para o exterior fazendo dupla titulação deve aproveitar é a oportunidade de cursar disciplinas, coisa que somente um “sanduíche” não te oferece. É interessante ver como é tratada uma disciplina no exterior. Por exemplo, todo dia antes da aula você já tem que ter lido o capítulo correspondendo ao tema, ter assistido as aulas online (sim os professores gravam vídeos e colocam online) e na aula mesmo é só uma revisão rápida e discussão. Por aqui também se tem seminário toda semana, um ótimo momento para ver pessoas e não tomar café sozinho, além dos seminários serem sempre interessantes... Fico feliz de um dia ter seminário de alguém do Woods Hole, outro de alguém do MIT, Harvard, NOOA (se você nunca ouviu falar nessas instituições vale a pena um google, todas são instituições de peso na área da oceanografia). Acho importante aproveitar o momento no exterior para fazer contato com outros pesquisadores e ampliar o network. Outra dica que dou para qualquer pessoa indo para um país que tenha um inverno mais rígido é se programar para chegar no verão. Dessa maneira você chega ainda quentinho, sol brilhando, e se estiver no hemisfério norte pegará todo o outono. Não tem como não se apaixonar pelo outono, ver todas as árvores mudando de cor e as folhas caindo, até o cheiro fica diferente. Quando o inverno chega você tem que mudar totalmente tua rotina, não dá mais para andar tranquilamente, tudo fica branco e cinza, e o pessoal não para de reclamar que todo dia tem que limpar o carro pra sair, do frio etc... Mais uma boa razão para fazer tua chegada no verão, você já terá feito amizades e durante o inverno será convidada para jantares e cervejinhas na casa de amigos, que passa a ser a programação principal em dias de frio e nevasca. Mas para nós, “gringos”, é uma experiência única e linda. Até ficar duas horas tirando neve do carro ou andar pela rua como se fosse um rink de patinação no gelo passa a ser divertido. E por fim chega a primavera, e a cada grau que a temperatura aumenta você percebe a mudança no rosto das pessoas, todos voltam a sorrir. O mais importante de lembrar é que você que é o peixinho fora d’água, então não espere que eles se acostumem com você, mas sim você que deve se acostumar com eles, com seus modos e culturas. Tente sempre ver o lado positivo das coisas e das pessoas, tentando não reclamar de tudo que aparecer... Aproveite o momento para abraçar todas as oportunidades, todos os eventos, seminários e trabalhos que aparecerem. O interessante é voltar para o Brasil com a bagagem cheia de novos aprendizados e histórias. Gostou desse post? Continue lendo sobre o assunto aqui . #internacionalização #viagens #janamdelfavero #mulheresnaciência












