Resultados da Busca
548 resultados encontrados com uma busca vazia
- Bonitinho, mas... ordinário
Por Corey Eddy e Jana M. del Favero Dois peixes-leão já foram avistados no Brasil, ambos na região de Arraial do Cabo (RJ), um primeiro em 2014 e o segundo agora recentemente, em março de 2015. Mas, se só foram dois exemplares, por que se preocupar? Antes de continuar a leitura assistam o curto vídeo do programa Fantástico da rede Globo ( acesse aqui ), para maiores informações dos problemas que essa espécie, de origem do Indo-Pacífico, causa atualmente no Caribe e para que se tenha uma noção do quão rápido que ela se alastrou por lá. Os especialistas brasileiros ainda estão debatendo como esses Peixes-leão foram parar em águas brasileiras e se há mais indivíduos em águas mais profundas, que não seriam observados por mergulhadores (detalhes aqui ). Porém, enquanto não há um consenso, fui conversar com um colega da University of Massachusetts (EUA) que estuda a população invasora de Peixe-leão nas Bermudas, para saber o que está sendo feito por lá e que medidas poderiam ser adotadas no Brasil. Abaixo traduzo o que ele me contou: Desde a descoberta do Peixe-leão na Flórida (EUA) em 1985, sua população expandiu rapidamente da Venezuela até Rhode Island (EUA). Pesquisadores acreditam que sua expansão pode eventualmente atingir até o Uruguai. E então, desde o ano passado, dois Peixes-leão já foram avistados no Brasil! Esquema representativo da distribuição do peixe-leão ao redor do mundo. Diagramação por Naira Silva . Fonte Como em seu ambiente de origem, o Indo-Pacífico, os Peixes-leão são reconhecidos e evitados pelas suas presas, eles evoluíram para predadores oportunistas com dieta ampla (em outras palavras, comem de tudo o que tiver disponível). Porém, devido a ingenuidade de suas presas no ambiente invadido, os Peixes-leão são capazes de selecionar e consumir grandes quantidade de invertebrados, peixes juvenis e peixes adultos pequenos, muitos dos quais desempenham importantes papéis ecológicos e econômicos. Para se ter um ideia, os Peixes-leão podem reduzir as populações de peixes juvenis de um recife em quase 80% em menos de cinco semanas! Além disso, amparado pela ausência de um predador verdadeiro, populações de Peixe-leão no Atlântico têm atingido densidades bem maiores do que no Pacífico, afetando a estrutura da comunidade, a biodiversidade e a saúde de recifes de coral. Felizmente, eles são deliciosos, e demora somente 1 minuto para remover os perigosos espinhos, tornando-os perfeitamente seguros para manusear. Se houver pesca de Peixe-leão, nós poderemos salvar o oceano. “We have to eat them to beat them” (Nós temos que comê-los para vencê-los). Meu trabalho de doutorado é parte de um projeto financiado pelo “UK’s Department of Environment, Food and Rural Affairs” que está investigando características biológicas e ecológicas da população de Peixe-leão ao redor das Bermudas e o impacto que eles podem causar na estrutura e funcionamento do ecossistema recifal de lá. Para o meu primeiro capítulo eu vou utilizar dados de abundância e distribuição do Peixe-leão para estimar o tamanho populacional. Os peixes são coletados através de mergulhos em 15 locais e em 5 diferentes profundidades (10, 20, 30, 45 e 60 m) usando uma lança. Todos os indivíduos coletados são pesados, medidos, dissecados e processados para futuras análises. Depois de um ano, todos os locais são novamente observados para calcular a taxa de recolonização. Esses dados também irão facilitar o desenvolvimento de um mapa que auxiliará as atividades de remoção do Peixe-leão em locais-chave. Nos próximos capítulos estudarei a história de vida dessa espécie para calcular o seu crescimento populacional. Para calcular crescimento e quanto tempo o Peixe-leão vive, utilizarei o otólito dos indivíduos capturados tanto durante a pesquisa, quanto por outros mergulhadores e pescadores (Não lembra o que é otólito? Clique aqui ). Além disso, através das gônadas vou analisar os aspectos reprodutivos e estimar a fecundidade (quantos “ovos” são desovados por cada fêmea em média). Por fim, analisarei o estômago do Peixes-leão amostrados para saber o que eles estão comendo nas Bermudas, investigando os impactos que eles podem estar causando em peixes e invertebrados nativos e identificando fatores que podem influenciar a distribuição da população. Quando finalizado, meu doutorado irá ajudar o “Lionfish Task Force Bermuda” (http://www.lionfish.bm) e o Departamento de Proteção Ambiental local no desenvolvimento de um plano para a remoção a longo prazo desta espécie de águas locais. Controlar e reduzir o crescimento contínuo da população de Peixe-leão é uma parte crucial de qualquer esforço para minimizar os impactos negativos sobre as espécies de peixes nativas e os ecossistemas de recifes de coral, e evitar impactos secundários sobre a pesca e o turismo. Além de minha pesquisa de doutorado, estou profundamente envolvido na educação pública e uma das minhas atividades pode ser uma ideia muito útil para o Brasil. Como voluntário para a “Ocean Support Foundation” (http://www.oceansupport.org), eu gerencio “Bermuda Lionfish Culling Program” (programa de abate do Peixe-leão). Este programa permite que qualquer residente das Bermudas, com mais de 16 anos de idade, possa receber a formação adequada e uma autorização especial para caçar Peixe-leão. Até o momento, temos certificadas mais de 500 caçadores, os quais são uma grande ajuda na remoção do Peixe-leão e na manutenção dos recifes. Como o Brasil foi invadido só recentemente, o momento inicial é perfeito para mobilizar mergulhadores, pescadores e ambientalistas para entrar na água e começar a caçada. Cada Peixe-leão que é removido ajuda muito para preservar e proteger o ambiente marinho do Brasil, especialmente quando ainda são poucos os Peixes-leão observados nas redondezas. Sobre o convidado: Corey Eddy é doutorando na Universidade de Massachusetts Dartmouth (EUA). Ele fez a graduação na Universidade de Rhode Island (EUA), cujo programa levou-o para Bermudas por um semestre no “Bermuda Institute of Ocean Sciences”. Quando estava por lá passou a realizar as atividades descritas no texto. Os seus interesses concentram-se em estudar as características da história de vida, uso de habitat e ecologia alimentar de predadores ecologicamente importantes. Contato: corey.eddy@umassd.edu #conservação #convidados #nairasilva #peixes #janamdelfavero #coreyeddy
- How to tell the age of a fish and other things
By Cláudia Namiki Edited by Katyanne M. Shoemaker Have you ever wondered how to tell the age of a fish? If it was born in an aquarium, it is easy to know, but what if it was caught in the wild? The teleost fishes have structures located in the inner ear called otoliths, which are used for balance and hearing. In Portugal, these structures are also known as "stones of judgment," which makes sense, since they are in the head of the fish! There are three pairs of otoliths and each has a different name: sagitta, lapillus and asteriscus. Otolith growth occurs through the alternating deposition of calcium carbonate and a protein that forms rings that can be observed in a cross section, much like those observed in the trunks of trees. Otoliths of Myctophum affine larvae. Photo: Claudia Namiki. In adult fish the otolith is big, thus it is necessary to cut, sand, and polish the otolith until the rings become visible. In larval fish the otoliths are small enough to see through and can simply be glued to a microscope slide. In the case of larval fish, the real work is to remove the otolith from from a fish between 2.0 mm and 2.0 cm length. If the larvae are so small, imagine the size of otoliths!! It is a difficult task that requires much patience. In Brazil we used to say that it requires the discipline and patience of a Japanese elder. I think I used the full 25% of my Japanese DNA while studying the larval growth of an abundant lanternfish species on the Brazilian coast ( Myctophum affine ). This species does not have a popular name in Brazil, because, although abundant and consumed by other fishes, it is not consumed by humans. In English they are called metallic lanternfish, but only fishermen or ichthyologists know of it. So what does this have to do with the topic? How do we know the age of a fish? In most cases, the formation of the otolith rings is daily in the fish larvae and annual in the adult fishes. Thus, counting the number of rings present in a otolith, we can know the age of the fish in years or days, depending on its life stage. The most interesting thing is that we can relate the age to the length of the fish; with data from various fish, we can know how long it takes a species to reach a certain size. For example, the larvae of the metallic lanternfish can increase their size more than four times in less than a month! Now that is a fast growth rate! Larvae of other popular species such as sardines and mackerel also grow at a similar rate. Knowing the growth rate of larval and juvenile fish is important because it helps us determine how long each species takes to become a reproductively active adult. This growth rate may be influenced by several factors with temperature as one of the most important. Higher temperatures speed up the fish metabolism, which helps the animal grow more quickly. This means that if we were a fish, we would grow faster in Brazil than in Russia! For example, lantern fish larvae can take between 27 days (tropical species) to 80 days (cold climate species) to become a juvenile. When I first started to study otoliths, I was only interested in the age and growth rate of fish larvae. However, I discovered that these structures are even more fascinating than I first thought. Because they are quite resilient (in the case of adult fish), the otoliths can be found almost intact in the stomach content of other animals and at archaeological sites. Additionally, otolith shape is unique to each species, so it is possible to identify the species that has been consumed, or that inhabited certain place thousands of years ago. The otolith shape is so important that many works are devoted to describing them, and among them is one otolith identification guide recently published in the Brazilian Journal of Oceanography, by researchers of the Oceanographic Institute of São Paulo University (http://dx.doi.org/10.1590/S1679-875920140637062sp1) (which contains wonderful illustrations by our illustrator and oceanographer Silvia Gonsales). Moreover, the otoliths carry information from the environment where the fish lived (or should I say swam?). If we know which chemical elements are present in the otoliths, it is possible to know where the fish was throughout its life. So, while otolith may be just a simple guidance instrument for the fish, for us it gives us access to a world of information about the life history of these important organisms. To find out more you may visit: http://www.usp.br/cossbrasil/doc_labic.php Campana, S.E. 2011. Otolith Microstructure Preparation. Available at: http://www.marinebiodiversity.ca/otolith/english/preparation.html Campana, S. E. & Jones, C. M. 1992. Analysis of otolith microstructure data. In Otolith Microstructure Examination and Analysis (Stevenson, D. K. & Campana, S. E., eds), pp. 73–100. Canadian Special Publication of Fisheries and Aquatic Sciences 117. Conley, W. J. & Gartner, J. V. 2009. Growth among larvae of lanternfishes (Teleostei: Myctophidae) from the Eastern Gulf of Mexico. Bulletin of Marine Science 84, 123–135. Katsuragawa, M. & Ekau, W. 2003. Distribution, growth and mortality of young rough scad, Trachurus lathami, in the south-eastern Brazilian Bight. Journal of Applied Ichthyology, 19, 21–28. Namiki, C.; Katsuragawa, M.; Zani-Teixeira, M. L. 2015. Growth and mortality of larval Myctophum affine (Myctophidae, Teleostei). Journal of Fish Biology, 86, 1335-1347. doi: 10.1111/jfb.12643 , Available at: wileyonlinelibrary.com Rossi-Wongtschowski, C.L.D.B., Siliprandi, C.C., Brenha, M.R.,Gonsales, S.A., Santificetur, C., Vaz-dos-Santos, A.M. 2014.Atlas of marine bony fish otoliths (sagittae) of Southeastern- Southern Brazil Part I: Gadiformes Macrouridae, Moridae, Bregmacerotidae, Phycidae And Merlucciidae); Part II: Perciformes (Carangidae, Sciaenidae, Scombridae And Serranidae). Brazilian Journal of Oceanography, 62(special issue):1-103. Available at: http://dx.doi.org/10.1590/S1679-875920140637062sp1 Zavalla-Camin, L. A., Grassi, R. T. B., Von Seckendorff, R.W. & Tiago, G. G.1991. Ocorrência de recursos epipelágicos na posição 22°11’S - 039°55’W, Brasil. Boletim do Instituto de Pesca 18, 13–21. #chatcláudianamiki #marinescience #age #fish #otoliths #chat
- O vírus nem sempre é o vilão!
Por Catarina R. Marcolin Quem nunca ficou de cama por causa de uma "virose"? De modo geral, os vírus são sempre associados a situações ruins nas nossas vidas, a mal estar e doenças (perigosas ou não). Mas nos oceanos, os vírus tem um papel muito importante. Em primeiro lugar, você precisa saber que os vírus podem infectar praticamente todas as formas de vida, incluindo bactérias, archaea e microeucariontes, os quais são a base das redes tróficas dos oceanos. E vocês sabiam que um determinado grupo de bactérias marinhas (SAR11) é considerado o grupo de organismos mais abundante do nosso planeta? As SAR11 conseguem habitar lugares onde a maioria dos outros organismos não consegue sobreviver. Essas bactérias marinhas tem uma distribuição tão fantástica que antes acreditava-se que elas eram invulneráveis. Mas há apenas dois anos, descobriu-se que um grupo de vírus marinhos (“pelagiphages”, ou pelagifagos, termo em português) conseguem infectar e matar milhões dessas bactérias SAR11 por segundo. Já já você vai descobrir porque isso é tão importante. SAR11: As bactérias de maior sucesso no planeta são marinhas. Fonte Estudos da década de 90 e anos 2000 já demonstravam que a infecção viral, ao provocar a morte do hospedeiro, libera material celular (ou seja, nutrientes e carbono) de volta na alça microbiana dos oceanos. Mas um momento, o que é alça microbiana? Antes ainda de falarmos de alça microbiana, precisamos falar sobre a rede trófica, que representa as relações de alimentação entre os organismos. É através da rede trófica que a energia emitida pelo sol consegue chegar a todos os seres vivos, inclusive nós, simples humanos. A energia solar é absorvida e convertida em carbono pelos produtores primários (fitoplâncton), que são consumidos pelo zooplâncton, que é então consumido por peixes, que são consumidos por peixes maiores, aves e/ou baleias. Mas essa clássica descrição da rede trófica (fitoplâncton-zooplâncton-peixe) é apenas um componente de um ciclo mais complexo. E apesar de a alça microbiana ser muito menos conhecida, ela não é menos importante. Voltamos então para o que é essa tal alça microbiana. É simplesmente o processo pelo qual a comunidade microbiana (especialmente bactérias) degrada matéria orgânica. Essa matéria orgânica pode ser derivada da excreção dos organismos, do sloppy feeding do zooplâncton (quando o zoo não consome sua comida por inteiro, liberando partes não consumidas deste alimento para o oceano ao seu redor), bem como pela quebra e dissolução de materiais de plantas, entre outros. Essa matéria orgânica não está inicialmente disponível para absorção direta pela maioria dos organismos. O grande papel das bactérias é reintroduzir esse carbono de volta no ciclo, ou seja, na rede trófica. E isso representa uma fonte adicional de energia muito importante no sistema. Saiba mais sobre estes processos acompanhando a legenda do esquema abaixo, publicado na revista Nature. O termo alça microbiana foi criado por um cientista paquistanês muito famoso chamado Farooq Azam, e por seus colaboradores. Eu pude assistir uma palestra belíssima do Dr. Azam no congresso da ASLO (uma associação que reúne cientistas das áreas de limnologia e oceanografia) em 2013, em New Orleans. Ele tinha apenas um slide e estourou o tempo que tinha para falar, mas ninguém teve coragem de interromper, pois era como escutar um conto de fadas, onde os micróbios eram o personagem principal, contada pelo próprio escritor da fábula. Imperdível! Quer saber mais sobre o trabalho deste pesquisador, acesse sua página ( http://azamlab.eng.ucsd.edu/publications ). Mas vamos voltar ao personagem principal desta história, os vírus! Como falei no início do post, os vírus tem um papel importante na alça microbiana. Experimentos em laboratório indicaram que essa liberação de material celular pelos vírus pode ter o efeito de estimular o crescimento da comunidade microbiana. E já existem evidências de que os vírus são responsáveis pelo turn over (ou seja, pela renovação) de 20-50% da comunidade bacteriana por dia. Se essas estimativas representam bem a realidade, então os vírus devem aumentar o fluxo de matéria orgânica (carbono) para o fundo dos oceanos, quando comparados com ecossistemas sem vírus. E isso é importante porque o clima do nosso planeta é regulado, em grande parte, pelo fluxo de carbono para o fundo dos oceanos, que é mediado por organismos vivos (a tão famosa bomba biológica, descrita na imagem acima). Ou seja, o fato de este ano estar quente pra chuchu na sua cidade, tem uma certa associação com o equilíbrio dos fluxos de carbono em diferentes partes dos oceanos no mundo. Ainda sabemos pouco muito pouco sobre os vírus marinhos. Os vírus da foto ao lado foram isolados durante a expedição TARA Oceans . Eles são tão pequenos, que precisaríamos alinhar 250 deles para termos a espessura de um fio de cabelo. Os estudos mais recentes indicam que esses pelagifagos sejam quase tão abundantes quanto as bactérias SAR11, as "invulneráveis" descritas acima. Portanto, saber mais sobre os vírus marinhos nos ajudará a entender melhor sobre como o carbono é estocado e liberado nos oceanos. Apesar da minha gripe da semana passada não ter relação nenhuma com esses organismos fantásticos, eles tem tudo a ver com o equilíbrio do nosso planeta. Um tipo de vírus marinho coletado durante a expedição Tara Oceans. Fonte Se você gostou do post de hoje, deixe um comentário! Assim poderemos buscar convidados para explorar melhor os tema de interesse do nosso público. Até a próxima! Artigos consultados e notícias interessantes: Shelford EJ, Middelboe MM, Møller EF, Suttle CAS. (2012). Virus-driven nitrogen cycling enhances phytoplankton growth. Aquat Microbial Ecol, 66: 41–46 Weitz J. S. et al., 2014. A multitrophic model to quantify the effects of marine viruses on microbial food webs and ecosystem processes. The ISME Journal, 1–13 Buchan, A.; LeCleir, G. R.; Gulvik, C. A.; Gonzalez, J. M. (2014). Master recyclers: features and functions of bacteria associated with phytoplankton blooms. Nature Reviews Microbiology, 12, 686 - 698 http://uanews.org/story/ua-scientists-help-discover-most-abundant-ocean-virus #alçamicrobiana #bactérias #biologiamarinha #ciênciasdomar #plâncton #vírus #catarinarmarcolin
- Um “mar” de algas
Por Cássia Goçalo e José Eduardo Martinelli Filho Você já deve ter ido a uma praia e se decepcionado quando viu muitas algas marrons boiando na água do mar. Além do mal cheiro, uma grande dificuldade ao nadar... Pois é, essas algas são geralmente inofensivas aos seres humanos e podem ser fontes de substâncias anticoagulantes, antioxidantes, antipiréticos e analgésicos, além de funcionarem como biofiltros da poluição marinha causada pelos seres humanos. Está ocorrendo um aumento na frequência e na intensidade das algas encalhadas nas praias ao redor do mundo. O fenômeno chamado de “marés de algas” seria explicado pela eutrofização costeira (aumento de nutrientes no ambiente marinho, relacionado a poluição). As “marés de algas” podem prejudicar as economias locais baseadas no turismo, aquicultura e a pesca artesanal tradicional, impedindo pequenos barcos de navegarem e entupindo tanques de cultivo. Há algumas semanas houve uma invasão de Sargassum (um tipo de algas marrons ou pardas) no litoral do estado do Pará. As algas também foram registradas em grandes quantidades em Fernando de Noronha e no estado do Maranhão. Como relatado pelo Prof. Martinelli da Universidade Federal do Pará “Elas são transportadas pelo oceano através das correntes marinhas por quilômetros de distância. A floração de algas que ocorreu no Brasil, possivelmente é provinda do mar do Sargaço e do Caribe. Essas algas podem ser utilizadas como fertilizante, sendo colhidas antes de atingir a costa, processadas e distribuídas aos agricultores tradicionais”. Confira a reportagem completa aqui . Algas pardas do gênero Sargassum encalhadas na praia do Atalaia, em Salinópolis, Estado do Pará, durante o mês de maio de 2015. As algas do gênero Sargassum são encontradas em bancos de algas nos mares tropicais e subtropicais e conseguem flutuar pois possuem “bolsas” de ar. Servem como habitat de muitos organismos marinhos e espécies de peixes como o “porquinho”, até mesmo golfinhos e tartarugas foram observados entre as algas. No post Algas flutuantes: o meio de transporte dos invertebrados marinhos vimos como os animais são transportados por macroalgas flutuantes do gênero Macrocystis , da mesma forma que ocorre com o Sargassum . O encalhe de algas no litoral do Pará é um fenômeno recente, só chamou a atenção quando em 2013, grandes quantidades foram relatadas uma vez no município de Salinópolis. Já em 2014, pilhas de algas se acumularam durante dois períodos no mês de maio. Em 2015, até o momento, já foram três eventos. Para ilustrar o tamanho do problema, para uma única praia (Atalaia, município de Salinópolis) o professor estimou cerca de 174 e 234 toneladas de alga para os dois encalhes ocorridos em 2014. Tais eventos duram entre 2 a 5 dias, período em que as praias ficam lotadas de algas. O turismo é afetado uma vez que, expostas ao sol, as plantas entram em rápida decomposição, liberando um cheiro desagradável para a maioria dos banhistas. Já as crianças que moram no local se divertem com a pilha de algas, enquanto pescadores reclamam da grande quantidade do material em suas redes de arrasto. Algas pardas do gênero Sargassum encalhadas na praia do Atalaia, em Salinópolis durante o mês de maio de 2015. Descrevendo assim, as algas até parecem nocivas para o ambiente e para as atividades humanas, mas tais organismos podem ser benéficos, inclusive para a economia local se forem utilizadas as estratégias necessárias. Outras espécies de Sargassum são utilizadas em países como o Japão e a China na alimentação e também como fertilizantes, além de matéria-prima para a extração de gelatina e até mesmo de álcool. Para a região afetada na costa paraense, o mais viável, num primeiro momento, seria a coleta das algas e distribuição para os agricultores locais, para a produção de adubo. Vale lembrar que o complexo de espécies Sargassum natans/fluitans são algas que podem fechar seu ciclo de vida na coluna de água, ou seja, independente do fundo marinho. As algas encontradas nas praias da região Norte do Brasil e em Fernando de Noronha pertencem justamente a tais espécies. As mesmas também são responsáveis pela formação do mar de Sargassum no Caribe. O professor Martinelli apresenta duas explicações sobre a origem das algas: a primeira é de que essas algas se desprendam do mar de Sargaço e sejam transportadas até a costa norte do Brasil. A segunda é de que uma população dessas algas já esteja se desenvolvendo recentemente na costa da região norte do Brasil. Amostras de algas foram enviadas para as professoras Maria Teresa Széchy e Beatriz de Barros Barreto, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, para sequenciamento do DNA e assim dar subsídios para as explicações levantadas. Estudos sobre as marés de algas são considerados essenciais para se obter reais perspectivas ambientais e econômicas futuras para o Brasil, em termos de viabilidade e aproveitamento deste recurso natural ao invés de apenas considerá-las como "ervas daninhas". Saiba mais em: http://oceanexplorer.noaa.gov/explorations/03edge/background/sargassum/sargassum.html Artigos e sites recomendados: Montes, R. C. Estudo Ficoquímico da alga marinha Sargassum vulgare var. nanum E. de Paula (Sargassacea) do litoral paraibano. Universidade Federal da Paraíba. Dissertação de Mestrado, João Pessoa, 2012. 115 p. Smetacek, V.; Zingone, A. 2013. Seaweed tides on the rise. Nature. Vol 504 p. 84-88. http://g1.globo.com/pa/para/jornal-liberal-1edicao/videos/t/edicoes/v/toneladas-de-algas-marinhas-invadiram-as-praias-de-salinas-no-nordeste-do-para/4111340/ Sobre o convidado: O professor José Eduardo Martinelli Filho (também conhecido como Zé Du) foi aluno de mestrado e doutorado do Instituto Oceanográfico da USP e colega das editoras deste blog. Foi professor substituto na UNESP São Vicente em 2008, professor assistente na UFPA campus de Altamira entre 2009 a 2012 e professor adjunto da Faculdade de Oceanografia da UFPA em Belém, desde 2012. Formado em Biologia, atua principalmente nos temas Oceanografia Biológica, Ecologia Marinha e Zoologia de Invertebrados. #algas #convidados #floração #cássiaggoçalo #joséeduardomartinellifilho #ciênciasdomar
- Empreendedoras ao Mar!
Por Adriana Lippi Talvez o termo empreender esteja mais em voga agora do que antes, talvez eu esteja mais atenta a ele recentemente. Quando se pensa em empreendedores e empresários o que te vem à cabeça? Um cara ricaço dono de várias empresas (Richard Brandson - Virgin)? Um cara que manja muito de tecnologia e cria coisas inovadoras (Steve Jobs - Apple)? Um cara desonesto que faz lobby com metade dos políticos para conseguir se dar melhor? Ilustração: Joana Ho. Sinto que existem ares de prestígio para empreendedores, como se fossem pessoas meio fora do padrão e que fazem algo extraordinário. Bom, alguns são, mas talvez haja mais empreendedores do que você pensa. O que tem em comum a dona da barraca de café da manhã, a moça da cesta de trufas que as vende na universidade no intervalo das aulas e a amiga que vende artesanatos que ela mesmo faz (ou não)? Elas também são empreendedoras! É capaz de você se deparar até com mais mulheres empreendedoras no seu círculo social do que com homens empreendedores. O estudo do SEBRAE de 2015 indica que 49% dos empreendedores brasileiros são mulheres. Os motivos para as mulheres começarem um negócio próprio podem ser dos mais variados: Ela pode já ter filhos e precisa de um negócio que permita que ela tenha horários flexíveis para participar da vida familiar ; Ela não conseguiu ser contratada por alguma empresa; Ela já tem um emprego, mas quer/precisa aumentar seus rendimentos; Ela já esteve em empresas mas não se sentiu reconhecida, nem conseguiu subir de cargo e acredita que ela possa replicar aquele modelo de negócio quem sabe até com melhorias; Ela quer criar um negócio que não existe, mas que ela acredita ser possível. E por aí vai! O empreendedorismo não é a solução para todos os problemas, afinal, se todos forem empreendedores quem vai trabalhar nas empresas já existentes? Todos os tipos de atuação tem seu valor nesse universo econômico e social. Existem muitas teorias sobre o estado atual da economia global: haverá uma migração do capitalismo para outra forma de economia? Talvez, só o tempo dirá, mas cada vez mais pessoas querem desenvolver negócios inovadores e a internet está aí para conectar essas pessoas e divulgar para todos essas novas possibilidades. Estamos em uma crise global. Não só econômica, mas política, de representatividade, política, de gênero, de identidade, de classes, etc… E talvez os novos empreendimentos não sirvam só para gerar renda, mas talvez para ajudar o mundo a se reencontrar. Já pensou como você pode ser peça importante seja para sua família e/ou comunidade? Já pensou em algo que possa mudar o mundo? Ok, ok, mas o que isso tudo de empreendedorismo pode ter a ver com os mares e os oceanos? Existe um conceito recente chamado de “Economia Azul”, que seria uma evolução da “ Economia Verde ”. Vou tentar explicar bem simplificadamente: A Economia Verde busca reduzir impactos, se importa com a questão socioambiental buscando igualdade e inclusão social e uso eficiente dos recursos. Já a Economia Azul tem duas vertentes. Uma delas é a definição de Economia Azul por Gunter Pauli . Em seu livro ele diz que a Economia Azul deve buscar inspiração na natureza e seus processos além de valorizar as pessoas do local, tendo como alguns princípios: não existe lixo (tudo é aproveitável), os processos são não-lineares (ou seja, não existe um “fim”, um produto ou resíduo de um processo sempre pode ser o início de outro processo, podendo retornar de forma cíclica), um processo gera muitos benefícios, entre outros. A definição de Economia Azul feita na Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável de 2012) seria a aplicação da Economia Verde para regiões costeiras. Não sou especialista em empreendimentos de Economia Verde ou Azul, mas vou tentar dar alguns exemplos pra ilustrar: Como exemplos da Economia Verde, voltada para os oceanos, tem a Ocean Drop , uma empresa bem nova formado por oceanógrafos, que utiliza microalgas encontradas nos oceanos para criar suplementos nutricionais. Há também a Eco-Reef , que comercializa animais para aquários marinhos que são reproduzidos em cativeiro, ou seja, protegendo os ecossistemas já existentes de perderem espécies para atividades de aquarismo, como aconteceu com o peixe-palhaço após o filme da Disney “Procurando Nemo”, cuja a captura aumentou muito e levou ao colapso algumas populações da espécie. Quanto a Economia Azul, eu não consegui levantar exemplos atuais de empresas que atuem no oceano, mas há alguns anos atrás o Prof. Jorge Costa da FURG estudava como utilizar o CO2 gerado por termoelétricas para produzir a microalga Spirulina para suplementação nutricional, dessa forma o “resíduo” da termoelétrica serviria para outro processo (produção de microalga). Como um exemplo não ligado aos oceanos, temos uma vinícola sul-africana que utiliza patos que fazem a função de adubagem pela fezes que eliminam e controle de pragas como caracóis, parasitas e outros insetos. Dessa forma produzem as uvas sem necessidade de uso intenso de agrotóxicos, fertilizante, pesticidas, etc… e os patos acabaram se tornando uma atração turística . Acredito que seja possível combinar as duas visões de Economia Azul (aplicar o conceito de Pauli para regiões costeiras), mas precisamos de empreendedoras e empreendedores dispostos a criar esses negócios. E ai, alguém se habilita? Extras: Videos sobre Economia Azul https://www.youtube.com/watch?v=1af08PSlaIs https://www.youtube.com/watch?v=flMvwi6jR8o Sobre Adriana: Oceanógrafa, programadora web, viciada em ler, aprender e questionar, com mania de controle de tarefas, equipes e finanças de projetos, diretora do Instituto Costa Brasilis. Me apaixonei pelas diatomáceas ainda no colégio, achava que passaria o resto da minha vida trabalhando com esses minúsculos e quase invisíveis seres, mas não podia ignorar as coisas visíveis do meu dia-a-dia que achava importante realizar. Participei da A.A.A Oceanográfica, do Centro Acadêmico Panthalassa, encabecei O Escafandro (periódico feito pelos alunos da graduação do IOUSP), participei da organização de eventos científicos (SNO2010, SBO2011, Oceanos & Sociedade 2013, ISBS2015), fui gerente de Tecnologia de Informação e Comunicação na SALT e agora to tentando descobrir como viver no mundo das ONG’s, mas com saudades das minhas diatomáceas! Leia também outros textos da Adriana. #carreira #convidados #adrianalippi #empreendedorismo #joanaho #mulheresnaciência
- Duas razões para assistir o documentário “Mission Blue”
Por Jana del Favero e Catarina R. Marcolin No nosso primeiro post da sessão mulheres “ Desafios antigos para mulheres atuais” recebemos uma sugestão do Prof. Otto Müller P. Oliveira para que fizéssemos uma postagem sobre o documentário “Mission Blue”. E de fato, esse documentário merece uma menção especial em nosso blog, pois além da excelente produção, o conteúdo é inspirador. O documentário “Mission Blue” foi lançado em 2014 e conta a história desta incrível bióloga marinha, Sylvia Alice Earle, exploradora, autora, mãe, avó (entre outros mil títulos possíveis) e sua campanha para criar uma rede global de áreas marinhas protegidas, as chamadas “Hope Spots” (áreas de esperança). Ao assistir o filme é impossível não se apaixonar e se inspirar por dois "personagens". O primeiro é a própria organização, também chamada de Mission Blue , que foi formada em resposta ao prêmio recebido por Sylvia Earle no ano de 2009 no “TED PRIZE WISH” (assista a palestra aqui ). Nessa palestra, a Dra. Earle faz um apelo para que se usem todos os meios possíveis (filmes, expedições, internet, novos submarinos) numa campanha para conquistar apoio público que suporte uma rede global de áreas marinhas protegidas. Se esses “pontos de esperança” forem grandes o suficiente, será possível salvar e restaurar o coração azul do planeta! Hoje o Mission Blue é formado por mais de 100 grupos que se preocupam com a conservação dos oceanos, desde empresas multinacionais até equipes de cientistas. O site do Mission Blue traz uma interessante e assustadora estatística: atualmente apenas 2% dos oceanos estão completamente protegidos, indicando a importância deste tipo de iniciativa. Fonte O segundo motivo é a personagem principal, Sylvia Earle, uma senhora que fará 80 anos em agosto deste ano e continua ativamente estudando, explorando, mergulhando e defendendo os oceanos ( saiba mais ). Sylvia terminou o colégio com apenas 16 anos, a graduação com 19 e o mestrado com 20. Durante o doutorado esse ritmo foi diminuído, devido ao casamento e filhos, mas logo Sylvia retornou ao seu ritmo frenético. Em 1964, quando seus filhos tinham apenas 2 e 4 anos ela viajou por 6 semanas para participar de uma expedição no Oceano Índico. Segundo Sylvia, ela não sabia que seria a única mulher a bordo, pois tinha sido convidada como única botânica, não como única mulher. Um repórter a abordou em Mombassa, no Kenia, de onde o navio partiria, e Sylvia relata que estava interessada em falar do trabalho, mas tudo que o repórter queria saber era como seria sua estadia em alto mar com tantos homens. No final, a chamada da matéria foi: " Sylvia Sails Away With 70 Men, But She Expects No Problems " (Sylvia navegará com 70 homens, mas ela não espera problemas). Apesar de tudo ter corrido aparentemente bem, Sylvia deixa implícito em algumas entrevistas que as expedições científicas podem ter levado ao fim o seu primeiro casamento. Essa é uma dificuldade recorrente encontrada no mundo científico, afinal de contas são muito comuns os trabalhos onde o(a) cientista precisa se ausentar por dezenas de dias, às vezes meses, sem comunicação alguma com a família. Em 1966 Sylvia terminou seu doutorado e em 1968 viajou à 30 m de profundidade nas águas de Bahamas a bordo de um submersível, estando grávida de 4 meses do seu terceiro filho e já no seu segundo casamento. Em 1969 ela se inscreveu para participar do projeto Tektite, no qual cientistas viveram semanas em um laboratório no fundo do mar, a 15 m de profundidade. Apesar de mais de 1000 horas de mergulho e da excelente proposta escrita, não foi permitido à Sylvia que convivesse com outros homens debaixo d’água no Tektike I. Mas no ano seguinte, houve o convite para que Sylvia liderasse o Tektite II, então com uma equipe só de mulheres. O sucesso dessa equipe de mulheres foi um importante marco e abriu precedentes para que futuras expedições aquáticas incluíssem mulheres em suas equipes, e isso influenciou ainda a inclusão de mulheres em expedições espaciais. Depois de sua experiência como “sereia”, Sylvia se tornou um rosto popular na mídia e sua carreira decolou (diríamos que além de tudo, ela tem um rosto muito belo). Em 1979 Sylvia caminha no fundo oceânico em uma profundidade nunca então pisada por qualquer outro humano, usando o chamado JIM SUIT, a quase 400 m de profundidade. Essa aventura resultou no livro “Exploring the Deep Frontier”. Na década de 80, junto ao engenheiro Graham Hawkes, ela começou uma empresa para criar veículos submersíveis, como o Deep Rover. Essa parceria culminou em seu terceiro casamento, sendo que dessa vez seus únicos filhos foram os submarinos por eles criados. Uma de suas filhas atualmente trabalha com ela em sua empresa. Ao perguntarem se Sylvia teve problemas em conciliar família e carreira, ela diz que sim, vários, e que ela tentou rearranjar sua vida, tendo um laboratório e uma biblioteca dentro de casa. Para as mulheres que sonham em seguir uma carreira científica e formar famílias, Sylvia aconselha: “Tentem, nunca se saberá como será se não tentar”. Fonte Além do próprio documentário, recomendamos a entrevista em: http://www.achievement.org/autodoc/page/ear0int-1 E que vejam o curto vídeo: http://voices.nationalgeographic.com/2013/06/14/in-her-words-sylvia-earle-on-women-in-science/?source=newsbundlearticles #biologiamarinha #carreira #mulheresnaciência #oceano #TEDtalks #catarinarmarcolin #janamdelfavero
- A água em Marte e o fundo do oceano
Por Jana M. del Favero No final de setembro de 2015 cientistas da NASA anunciaram a confirmação da existência de água salgada em Marte , o “Planeta Vermelho”. A notícia causou um certo alvoroço por causa da possibilidade de encontrarem vida por lá. Landscape do misterioso planeta vermelho, no filme Perdido em Marte. Fonte Sabemos que a vida depende de água: ela é o maior constituinte dos fluidos dos seres vivos (o corpo humano é constituído em média por 60% de água), é necessária para a realização da fotossíntese e é indispensável para diversas outras funções vitais. Entretanto, a frase recém dita esquece de citar um importantíssimo detalhe: a vida COMO NÓS CONHECEMOS depende de água! Na hora lembrei-me de uma charge, feita em data bem anterior à descoberta de água em Marte. Na charge há dois vermes tubícolas gigantes conversando e um pergunta: “você acha que existe vida na superfície do oceano?”, e o outro responde: “Não! Não tem fonte hidrotermal lá em cima, o que eles usariam como energia?”. Fonte Cheguei até a postar essa charge na minha página pessoal do Facebook, mas depois refleti: quantos dos meus amigos sabem o que são vermes tubícolas gigantes? E o que são fontes hidrotermais? Bem, vermes tubícolas são animais invertebrados pertencentes ao filo Annelida (sim, o mesmo das minhocas) e da classe Polychaeta (vermes aquáticos), porém eles são sésseis, fixados em uma superfície subaquática. Eles possuem em torno de seu corpo um tubo, no qual podem guardar todo o corpo. As da charge são da espécie Riftia pachyptila, vermes tubícolas gigantes, que podem atingir um comprimento de 2,4 m em um tubo com 4 cm de diâmetro e vivem em grandes profundidades oceânicas (mais informações aqui ). Foto de uma concentração de Riftia pachyptila (tubos brancos com as plumas avermelhadas). Fonte Já a fonte hidrotermal submarina é uma fissura na crosta terrestre a partir da qual emerge um fluido hidrotermal: a água que penetra na crosta em altas profundidades reage com os minerais presentes, sofrendo alterações físico-químicas no caminho. Junto dessas fontes parece haver um oásis de vida, graças à quimiossíntese, um processo no qual os microrganismos utilizam a energia química para produzir matéria orgânica, a partir do dióxido de carbono (mais informações sobre as fontes hidrotermais aqui ). Fonte Antes da descoberta das fontes hidrotermais submarinas na década de 70, a comunidade científica assumia que toda a vida no oceano dependia da produção fotossintética, produzida principalmente pelo fitoplâncton. Como a fotossíntese depende da luz solar, era como afirmar que toda a vida nos oceanos dependia unicamente do sol! Então, as fontes hidrotermais submarinas e a quantidade de organismos que vivem ao redor dela provaram o contrário. E é esse o ponto que quero chegar com esse post, conhecemos tão pouco do oceano quanto conhecemos do espaço! Segundo a pesquisadora Lúcia Campos, conhecemos pouco mais de 1% dos oceanos e eles cobrem 80% do nosso planeta, sendo que a maior parte dos oceanos tem apenas 3 km de profundidade. Já Marte está a aproximadamente 60 milhões de quilômetros de distância da Terra! Não que estudar o que ocorre no espaço não tenha sua devida importância, mas gostaria que a quantidade de verba investida em estudos espaciais e a devida atenção na mídia fosse dada também aos oceanos, ainda tão desconhecidos e tão mais presentes em nossas vidas. #fontehidrotermal #marte #oceano #vermestubículas #ciênciasdomar #janamdelfavero
- Atuar em oceanografia implica obrigatoriamente em ter uma carreira acadêmica?
Por Adriana Lippi Ilustração: Joana Ho . Desde que ingressei na graduação de oceanografia sempre ouvi questionamentos relacionados ao "o que você vai fazer": O que o oceanógrafo faz? Trabalha com pesquisa, né? Vai trabalhar no TAMAR, certo? entre outros. Eu também não tinha muita certeza de como iria ser depois de formada, mas considerava a carreira na ciência. Ao começar o meu curso também me engajei em diferentes atividades durante a graduação: participei de entidades estudantis, empresa júnior, me lancei a editar um informativo impresso para os alunos, resolvi que queria fazer um site primeiro para a atlética e depois para o centro acadêmico, organizei alguns eventos… e tentei me formar nesse meio tempo. Quando me deparei com a parte "científica-acadêmica": iniciação científica e trabalho de graduação, senti uma imensa dificuldade. Óbvio que bateu a maior crise existencial: "Poxa, mas eu fiz tanta coisa nesses anos e não consigo escrever essa monografia! Não consigo ter uma bolsa de iniciação? Posso montar um site inteiro, mas não consigo entender o que estou fazendo nessa pesquisa...". Entreguei a monografia mesmo assim, fazendo como foi possível, levei várias puxadas de orelha de relator e orientador. Acabei optando por não ingressar num mestrado logo após a graduação, ao contrário da maioria dos meus colegas que seguiram na área, consegui uma bolsa de desenvolvimento tecnológico em um projeto no INPE e lá fiquei por 6 meses. Nesse período tive oportunidade de (re-)ingressar na vida acadêmica, possibilidades de mestrado, tempo para estudar, poucas responsabilidades. Até tentava, mas não me animei. Ler artigos científicos e bolar um projeto com hipótese, metodologia e selecionar e citar referências me deixava ansiosa só de pensar. Demorei até aceitar que era possível que a ciência não encaixasse com as minhas habilidades e ambições, pelo menos nessa altura da minha vida. No final do último ano de graduação e nesse período no interior consegui fazer uma graninha fazendo sites, habilidade que consegui desenvolver durante a graduação, depois de fazer a disciplina de introdução à lógica de programação. Na disciplina descobri que programar era algo que gostava muito e isso me levou a programar sites. Fazia isso por gosto, às vezes para tapar algum buraco, quando precisava de um site para um evento. Demorei muito até ver que poderia usar essa habilidade para pagar umas contas. Tive um grande amigo, que até hoje é meu parceiro no trabalho e na vida, que insistiu muito comigo até que pudesse enxergar que poderia fazer isso como profissional. Tinha um lado de mim que me incomodou por muito tempo: “Estou fazendo oceanografia, não quero desperdiçar a graduação fazendo sites, que todo mundo pode fazer. Quero ser oceanógrafa!”. Porém, volta e meia aparecia alguém precisando dos “meus serviços”: fazer um site ali, organizar um evento aqui, ajudar com uma diagramação acolá… Na grande maioria todos essas pessoas eram do meio científico: professores universitários, pesquisadores, entre outros. Demorou mais um tanto para que pudesse ver que fazendo isso não estava desviando da minha área de oceanografia. Foi um professor que me mostrou: “ Atividades-meio importam”, ou seja, posso não estar fazendo a atividade-fim: pesquisa, publicações, livros, porém minha atuação (atividades-meio) ajudava que essas atividades-fim fossem desenvolvidas de uma forma melhor . Aí perdi a vergonha do meu trabalho! A partir dessa conclusão, consegui me ver de uma forma mais definida como profissional, investir mais na minha capacitação, divulgar um pouco melhor o que fazia, etc. Desde então consegui uma colocação dentro de uma empresa onde aprendi muito, e recentemente optei por mudar meus caminhos indo para o terceiro setor. Sobre Adriana : Oceanógrafa, programadora web, viciada em ler, aprender e questionar, com mania de controle de tarefas, equipes e finanças de projetos, diretora do Instituto Costa Brasilis. Me apaixonei pelas diatomáceas ainda no colégio, achava que passaria o resto da minha vida trabalhando com esses minúsculos e quase invisíveis seres, mas não podia ignorar as coisas visíveis do meu dia-a-dia que achava importante realizar. Participei da A.A.A Oceanográfica, do Centro Acadêmico Panthalassa, encabecei O Escafandro (periódico feito pelos alunos da graduação do IOUSP), participei da organização de eventos científicos (SNO2010, SBO2011, Oceanos & Sociedade 2013, ISBS2015), fui gerente de Tecnologia de Informação e Comunicação na SALT e agora to tentando descobrir como viver no mundo das ONG’s, mas com saudades das minhas diatomáceas! #vidadecientista #ciênciaetecnologia #convidados #adrianalippi #interdisciplinaridade #joanaho #programação
- Uma brasileira fazendo pesquisa na “gringa”
Por Jana M. del Favero É cada vez mais comum a saída de brasileiros para estudar e/ou pesquisar no exterior, quer seja durante a graduação ou durante a pós-graduação. Todo mundo já ouviu falar de pessoas que tiveram experiências maravilhosas no exterior, outras que tiveram algumas frustações e desapontamentos. A decisão de sair do conforto de casa, ficar longe da família, dos amigos, nunca é fácil. Para nós mulheres, muitas vezes o intercâmbio deixa de acontecer porque o marido não pode acompanhar, ou porque tem a escola do filho. Eu tive a sorte do meu marido ter aceitado embarcar nessa aventura comigo, e como no momento estou morando nos Estados Unidos, resolvi compartilhar com vocês minha experiência e dar algumas dicas, para tentar ajudar aqueles que pretendem estudar e/ou pesquisar no exterior. A idéia de fazer a dupla titulação surgiu no final do meu mestrado, quando o convênio entre o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP) e a Universidade de Massachusetts (UMASS) estava ainda sendo assinado. Alguns professores da UMASS foram para o Brasil divulgar a faculdade, o programa, e desde o principio já quis participar, pois muito me interessou a história de fazer um único doutorado e sair com os dois diplomas... Cheguei em New Bedford - Massachusetts (EUA) em agosto de 2014 e confesso que o povo americano foi algo que de cara me surpreendeu. Apesar daquele aspecto mais frio típico de qualquer estrangeiro, foram bastante solícitos e prestativos. Não esperem abraços, beijos e a recepção brasileira, mas com o tempo você vai se sentido acolhida. Me ajudaram a arrumar um apartamento e praticamente o mobiliei de graça, cada dia era alguém me oferecendo alguma coisa... Além do mais, os alunos do instituto onde estou marcam happy hour praticamente a cada 15 dias, me acolheram no Thanksgiving, Natal, festa de Halloween etc. Bem, mas vamos ao que interessa, a faculdade. É fácil perceber que sim, eles tem dinheiro, sim eles tem equipamentos e sim, eles tem bons professores e pesquisadores. Mas sinceramente, nada que não seja encontrado pelo Brasil em diversos institutos também. Mas a idéia desse post não é comparar instituições do exterior versus brasileiras, isso daria um outro post e uma outra discussão. O que pretendo com esse post é fazer comparações mais culturais e do nosso dia a dia. Uma das coisas que estranhei é o fato de não ter propriamente uma hora de almoço, sair um grupo para almoçar é bem raro e, quando acontece, é marcado com bastante antecedência. A grande maioria leva marmita e, ou come rapidinho na copa, ou come na frente do computador mesmo. Eu particularmente sempre vou pra copa na esperança de ter alguém disposto para um papinho. Outra diferença é não ter hora do café, aquele outro momento que você sabe que vai encontrar amigos para um outro bate papo. Em compensação, às 17 horas todo mundo já foi embora, então você tem o resto do dia pra ir pra academia, happy hour, compras etc... e nesse momento sim vão socializar com você. Senti isso nítido, local de trabalho é trabalho, lazer é lazer. Essa distinção entre trabalho e social ficou bem nítida no dia em que fui ao NOOA (National Oceanic and Atmospheric Administration) me encontrar com um pesquisador que conheci em um congresso em Miami em 2013 e encontrei novamente com ele em Quebec em 2014. Nossas conversas no congresso sempre foram como amigos e ele se mostrou bastante interessado no meu trabalho e disposto a ajudar. Cheguei no NOOA esperando que fôssemos tomar um café, prosear, e depois discutir o trabalho. Mas não, chegando já fui direto para a sala de reuniões, meu “amigo” chegou com mais dois pesquisadores que brevemente se apresentaram e já pediram para eu apresentar meu projeto, o que eu estava pesquisando. Foram três horas de discussão do meu trabalho, bastante produtivas, que culminaram numa parceria que mantenho até hoje. Porém, o bate papo que eu estava esperando que fosse acontecer, como sempre acontecia quando encontrava esse pesquisador nos congressos, não aconteceu. Outra coisa que acho que quem vem para o exterior fazendo dupla titulação deve aproveitar é a oportunidade de cursar disciplinas, coisa que somente um “sanduíche” não te oferece. É interessante ver como é tratada uma disciplina no exterior. Por exemplo, todo dia antes da aula você já tem que ter lido o capítulo correspondendo ao tema, ter assistido as aulas online (sim os professores gravam vídeos e colocam online) e na aula mesmo é só uma revisão rápida e discussão. Por aqui também se tem seminário toda semana, um ótimo momento para ver pessoas e não tomar café sozinho, além dos seminários serem sempre interessantes... Fico feliz de um dia ter seminário de alguém do Woods Hole, outro de alguém do MIT, Harvard, NOOA (se você nunca ouviu falar nessas instituições vale a pena um google, todas são instituições de peso na área da oceanografia). Acho importante aproveitar o momento no exterior para fazer contato com outros pesquisadores e ampliar o network. Outra dica que dou para qualquer pessoa indo para um país que tenha um inverno mais rígido é se programar para chegar no verão. Dessa maneira você chega ainda quentinho, sol brilhando, e se estiver no hemisfério norte pegará todo o outono. Não tem como não se apaixonar pelo outono, ver todas as árvores mudando de cor e as folhas caindo, até o cheiro fica diferente. Quando o inverno chega você tem que mudar totalmente tua rotina, não dá mais para andar tranquilamente, tudo fica branco e cinza, e o pessoal não para de reclamar que todo dia tem que limpar o carro pra sair, do frio etc... Mais uma boa razão para fazer tua chegada no verão, você já terá feito amizades e durante o inverno será convidada para jantares e cervejinhas na casa de amigos, que passa a ser a programação principal em dias de frio e nevasca. Mas para nós, “gringos”, é uma experiência única e linda. Até ficar duas horas tirando neve do carro ou andar pela rua como se fosse um rink de patinação no gelo passa a ser divertido. E por fim chega a primavera, e a cada grau que a temperatura aumenta você percebe a mudança no rosto das pessoas, todos voltam a sorrir. O mais importante de lembrar é que você que é o peixinho fora d’água, então não espere que eles se acostumem com você, mas sim você que deve se acostumar com eles, com seus modos e culturas. Tente sempre ver o lado positivo das coisas e das pessoas, tentando não reclamar de tudo que aparecer... Aproveite o momento para abraçar todas as oportunidades, todos os eventos, seminários e trabalhos que aparecerem. O interessante é voltar para o Brasil com a bagagem cheia de novos aprendizados e histórias. Gostou desse post? Continue lendo sobre o assunto aqui . #internacionalização #viagens #janamdelfavero #mulheresnaciência
- Devastatingly beautiful: the growing problem of Lionfish
By Corey Eddy and Jana M. del Favero Edited by Katyanne M. Shoemaker Two lionfish have been sighted in Brazil, both in the southeastern area of Arraial do Cabo (Rio de Janeiro). The first one was in 2014 and another more recently in March 2015. But with only two individuals spotted, why should we care? Brazilian experts are still debating how these lionfish ended up in the Brazilian waters and if there may be more individuals in deeper waters, not observable by divers (details here ). While there is no consensus, I asked a colleague, Corey Eddy, to write about the invasive population of lionfish in Bermuda; I wanted to know what is being done there and what measures could be adopted in Brazil. Below it is the text he wrote: "Since the discovery of lionfish in Florida in 1985, their population expanded rapidly to stretch from Venezuela to Rhode Island (US). It was thought their range of invasion could eventually stretch as far south as Uruguay. As lionfish are recognized and avoided by prey in their native territory, they have evolved into opportunistic predators with broad diets. However, due to prey naivety in their invasive range, lionfish are able to consume large quantities of invertebrates, juvenile fish, and small-bodied adult fish, many of which play important ecological or economic roles. Consequently, research shows that lionfish can reduce juvenile reef fish populations by nearly 80% in as little as five weeks. Bolstered by the lack of any natural predator, lionfish populations in the Atlantic have reached densities far greater than in their native range, with the potential to affect community structure, biodiversity, and the health of coral reef ecosystems. Fortunately, they are delicious and it only takes one minute to remove their dangerous spines, making them perfectly safe to handle. If we can create a fishery for them, we can save the ocean. We have to eat them to beat them." Representation of the worldwide lionfish distribution. Diagram by Naira Silva. Lionfish illustration's Source . My doctoral work is part of a larger project, funded through the UK’s Department of Environment, Food and Rural Affairs, that is investigating the biological and ecological characteristics of the lionfish population around Bermuda and the potential impact lionfish may have upon the structure and function of Bermuda’s coral reef ecosystem. For my first chapter, I will be using the data we collect on lionfish abundance and distribution to estimate the population size. Our team is assessing lionfish abundance via underwater visual surveys at 15 sites in each of five depth zones across the Bermuda platform (10, 20, 30, 45, and 60m) using SCUBA or appropriate technical diving equipment (i.e. trimix diving with multiple tanks). Using a roving search protocol that encompasses cryptic habitats, divers record all lionfish seen and attempt to capture each individual using a pole-spear. Following capture, all lionfish are measured, weighed, dissected, and processed for further analyses. Belt-transect surveys of reef fish, focusing upon small and cryptic species, are conducted concurrently to determine the abundance and distribution of potential prey. A number of these sites are being resurveyed after one year to assess re-colonization rates. This data will also facilitate the development of a distribution map that aids removal activities targeting lionfish at key locations and times that account for seasonal population fluctuations and movement patterns. My next two chapters will document the life history characteristics of this species to estimate population growth as it pertains to their potential ecological impact. In chapter two, I will examine the demographics of the lionfish population as well as growth rates and longevity of lionfish in Bermuda. This work utilizes standard otolith (“fish ear bone”) aging techniques applied to specimens captured during our underwater surveys and opportunistically from other divers, commercial fishermen, and permitted lionfish hunters. Following this, my third chapter will examine the reproductive condition and quantify the fecundity of lionfish. Gonads will be weighed, sectioned, and analyzed by traditional histological methods to determine overall fecundity, reproductive seasonality, and the developmental stage of fish, thus providing an estimate of the reproductive potential driving the overall population growth. In my final chapter, we are investigating the feeding ecology of lionfish to explore the impact they may have on the native fish and invertebrate communities, as well as the entire local ecosystem, and to identify factors driving the population’s distribution. This research involves conventional stomach content analysis (SCA) complemented with more advanced stable isotope analysis (SIA) that reveals details not detectable through traditional methods. Because the stable isotope ratios of carbon (13C/12C) and nitrogen (15N/14N) in the tissues of predators are directly related to the ratios found in their prey, the change in these ratios relative to a standard, δ13C and δ15N, are used to indicate the primary carbon sources for a consumer and an estimate of trophic position, respectively. To further indicate the potential impact of lionfish on Bermuda’s reef ecosystem, we will also perform this analysis on prey species (i.e. those identified by the SCA) and others we know are competing with lionfish for these same resources. By plotting δ13C and δ15N of lionfish and these various species, we can see the extent to which lionfish are utilizing resources needed by native species. When completed, this project will estimate the extent to which invasive lionfish could impact Bermuda’s coral reef ecosystem and help mitigate that impact by providing data on lionfish abundance and distribution to assist the Bermuda Lionfish Task Force and the Department of Environmental Protection ( http://www.lionfish.bm ) in developing a comprehensive plan that facilitates large-scale, long-term removal of this species from local waters. Controlling and reducing the continued growth of the lionfish population is a crucial part of any effort to minimize negative impacts on native fish species and coral reef ecosystems, and avoid secondary impacts on fisheries and tourism. In addition to my doctoral research, I am heavily involved in public education and one of the projects I work on may be very useful to implement in Brazil. As a volunteer for the Ocean Support Foundation ( http://www.oceansupport.org ), I run the Bermuda Lionfish Culling Program on behalf of the Department of Environmental Protection. This program allows any Bermudian resident, over 16 years of age, to receive the proper training and a special permit to hunt lionfish. This is different from a traditional spearfishing license because permitted lionfish hunters are allowed to hunt lionfish while using SCUBA, within one mile of shore, and on shipwrecks and other protected sites, situations normally forbidden by Bermuda law. To date, we have certified over 500 hunters, all of whom are a major help in removing lionfish and keeping Bermuda’s reefs clean and healthy. As Brazil has only recently been invaded, these early days are the perfect opportunity to mobilize SCUBA and free divers, fishermen, and environmentalists to get into the water and start hunting. Every lionfish that is removed greatly helps to preserve and protect Brazil’s marine environment, especially at this early point, when there may be very few lionfish around. Corey Eddy biography: Corey Eddy is a PhD candidate at the University of Massachusetts Dartmouth. He received his bachelor’s degree from the University of Rhode Island, whose study abroad program first brought him to Bermuda for a semester at the Bermuda Institute of Ocean Sciences. He is also a Fellow through the National Science Foundation’s Graduate Research Program and a member of the Bermuda Lionfish Task Force. As a volunteer for the Ocean Support Foundation, he developed and currently manages the Bermuda Lionfish Culling Program on behalf of the Department of Environmental Protection. His research interests focus on studying the life history characteristics, habitat use, and feeding ecology of ecologically important predators. Contact: corey.eddy@umassd.edu #conservation #invited #chatjanamdelfavero #lionfish #nairasilva #coreyeddy #marinescience #chat
- 10 habilidades profissionais que você desenvolve fazendo ciência
Por Lilian Pavani Quem faz (ou já fez) pesquisa científica sabe como é difícil explicar o que faz, uma vez que o seu trabalho não é um estágio ou emprego, você é bolsista de iniciação científica, mestrado ou doutorado, o que te coloca basicamente na posição de estudante. Quem nunca ouviu a frase “você trabalha ou só estuda?”. Ao contrário do senso comum, sim, você trabalha e muito!! Engana-se quem pensa que trabalhar com pesquisa é moleza. Pesquisar vai muito além de ler artigos e livros, e envolve essencialmente a construção de conhecimento novo. Nesse ardoroso caminho, todo cientista é forçado a aprender muita coisa que é valorizada no “mundo real”. Quando eu fazia pesquisa não tinha muita noção de todas as coisas que tinha aprendido, mas quando comecei a trabalhar no mundo empresarial percebi quantas habilidades eu possuía graças à minha iniciação científica e mestrado, ambos em ecologia marinha. Mas independentemente do assunto que você pesquisa, com certeza você concorda com o seguinte: 1. Você sabe usar Word e Excel l Você pode precisar de uma série de softwares complicados para analisar algo específico do seu trabalho, mas jamais vai dispensar uma tabela de dados ou um gráfico feito no Excel, transformando de pizza para barras e trocando cores de séries de dados até achar o modelo que melhor representa seus resultados. E esteja você pleiteando uma bolsa, apresentando resultados ou formatando uma tese, com o perdão do trocadilho, você tira o Word de letra. Você insere tabelas, imagens e referências sem perder de vista a formatação de parágrafos, margens e rodapés. 2. Você sabe fazer belas apresentações em PowerPoint Quem nunca fez um pôster para apresentar em um congresso? E apresentações para uma disciplina da pós ou para sua banca examinadora? Com certeza você desenvolveu um bom senso estético e sabe como escolher a melhor cor de fundo, a melhor fonte, sabe distribuir os elementos do seu slide de forma simétrica e sabe que uma imagem vale mais que mil palavras, apresentando de forma maestral todas as informações importantes adequadas ao tempo disponível, seja 5, 20 ou 50 minutos. 3. Gerenciamento de projetos é algo natural Provavelmente, tudo começou com uma pergunta que você gostaria de responder, uma necessidade que você identificou – etapa de Iniciação. Para responder a essa sua pergunta você precisou escrever um projeto de pesquisa, então teve que levantar informações, definir as atividades necessárias ao seu estudo, estimar os recursos necessários e prazos - etapa de Planejamento. Com sua bolsa aprovada, você desenvolveu as atividades pré-definidas - etapa de Execução – e enquanto o seu projeto estava sendo desenvolvido, de tempos em tempos algumas atividades e processos foram revistos, buscando um ajuste e melhorias - etapa de Monitoramento e Controle. Ao final das atividades você apresentou seus resultados em um relatório final e talvez até um artigo, que passou por rigorosa avaliação do seu orientador e outros pares (praticamente uma auditoria) - etapa de Finalização. Pronto, você pode nunca ter ouvido falar em PMBOK ou MS Project, mas sabe tudo de gerenciamento de projetos! 4. Qualidade é obrigação Os níveis de exigência na área acadêmica chegam a ser estratosféricos. Já vi gente sendo desligada da pós graduação porque suas notas não atingiam o desejado pelo programa, o qual tem uma reputação a zelar junto à CAPES e agências financiadoras. Da mesma forma, se seu resumo não estiver satisfatório você não pode apresentar seu trabalho em um congresso e se seu artigo não estiver bem estruturado não será publicado em nenhum periódico. Os pares avaliam tudo e varrem o seu trabalho em busca de um deslize, portanto, fazer bem feito sempre é a ordem. 5. Você se transforma em uma pessoa criteriosa Em vista da obrigação da qualidade, quanto mais criterioso você for no desenvolvimento do seu trabalho, maior a chance de que ele seja bem feito. Sem perceber você acaba adquirindo esse hábito. 6. Argumentar é mais que necessário Tanto para discutir seus resultados quanto para solicitar financiamento ou convencer seu orientador, você precisa saber embasar, defender e provar seus pontos de vista. 7. Você aprende a lidar com pessoas Durante a sua pesquisa você precisa lidar com pessoas diferentes em diversos níveis hierárquicos o tempo todo. No mínimo você tem um orientador, quando não há também co-orientadores. Se você está no mestrado ou doutorado, você terá colaboradores, os alunos de iniciação científica. E sempre haverá a necessidade de se relacionar com outros membros do departamento onde você trabalha, principalmente outros professores. Quem conhece minimamente a área acadêmica sabe que costuma haver uma guerra de egos, e você estará sob o fogo cruzado, fazendo o possível para manter as coisas caminhando sem prejudicar o andamento da sua pesquisa. 8. Você entende que prazos são importantes e os cumpre Se você possui uma bolsa, você estará sempre atento aos prazos de relatórios de acompanhamento, aos prazos de prestação de contas e liberação de verbas. Se você ainda não tem, você está acompanhando os prazos do programa, bem como os editais para saber quando submeter uma proposta. E se você quer apresentar seu trabalho em um congresso, você tem prazo para envio de resumos (em alguns casos os organizadores podem estender o prazo, mas em geral as pessoas aproveitam a extensão de prazo para revisar). 9. Gerenciamento financeiro faz parte Em geral as bolsas de pós-graduação e algumas de iniciação científica possuem uma reserva técnica, uma verba extra que não remunera o pesquisador, mas serve para a aquisição de equipamentos, livros, realização de saídas de campo, enfim, atividades necessárias ao desenvolvimento da sua pesquisa. Essa verba não é um valor alto e você aprende a gerenciar os recursos financeiros buscando o melhor custo-benefício. Em alguns casos, você aprende até a gerenciar verbas de projetos diferentes para a compra de materiais comuns a todos os envolvidos no laboratório. 10. Você sabe que o seu sucesso depende inteiramente de você O ambiente acadêmico acaba sendo muito hostil, exigindo muita dedicação. Por isso, em geral as pessoas buscam se qualificar o máximo possível e estão sempre em busca do aperfeiçoamento. Portanto, se você tem a intenção de deixar a carreira acadêmica e seguir outra carreira, valorize-se! Você tem muito a oferecer! ;) Sobre Lilian Pavani: Bióloga, mestre em ecologia e especialista em engenharia ambiental pela Universidade Estadual de Campinas, amante de esponjas e outros invertebrados marinhos, principalmente os coloridos. Após navegar entre esponjas, algas, anfípodes e petróleo, as correntes e ventos a levaram literalmente a outras estradas, onde atuou no estudo de fauna atropelada, supervisão e gerenciamento ambiental de obras de rodovias. Nutre interesses muito diversos como educação, inovação e cozinha, toca flauta doce em um grupo amador de música antiga, escreve pensamentos e observa pássaros. Enfim, vive com os pés na areia e meio que assim, entre marés. Lilian Pavani é também autora de outros posts em nosso blog. Clique aqui e leia mais. #vidadecientista #convidados #lilianpavani #interdisciplinaridade #profissão
- Ocean fertilization and climate change
By Yonara Garcia Edited by Katyanne M. Shoemaker Have you heard of geoengineering? It’s a tool becoming increasingly used, but is often controversial because, in some cases, the result can be completely unexpected! Today we’ll talk about a polemic experiment carried out in July 2012 by Russ George, an American businessman who dumped approximately 100 tons of iron sulphate in the Pacific Ocean as part of a geoengineering project off the west coast of Canada. Ocean fertilization by iron sulfate. Source Iron is considered an essential element, often limiting, for phytoplankton growth. Phytoplankton perform photosynthesis, a process in which sunlight is used as an energy source and absorbs carbon dioxide (CO2) and water to produce organic matter in the form of carbohydrates. Phytoplankton cells are formed from these carbohydrates with the addition of other substances such as proteins, amino acids, and other molecules. In 1980, oceanographer John Martin proposed that certain regions of the ocean (the areas called HNLC - High Nutrient, Low Chlorophyll), although rich in nutrients, would be poor in primary production due to lack of iron. Thus, the addition of iron should increase the production of phytoplankton and hence affect the carbon cycle, reducing CO2 levels in the atmosphere. His famous phrase “Give me half a tanker full of iron and I’ll give you an Ice Age” caused great excitement because he believed that if certain areas of the ocean were fertilized, the effects of global warming could be reversed, cooling the Earth. Thus arose the idea that the American businessman put into practice. Russ and his team released a certain amount of iron into the sea, believing it would promote photosynthetic activity and thus increase the efficiency of the carbon sequestration processes in the ocean. Just like the process to fertilize a crop for it to go grow faster! This issue has generated much controversy because it conflicts with ethical and political questions about the effects that an intervention like this would bring to a complex ecosystem. We still know relatively little about the ocean. To better understand why the idea of this project is so controversial, let’s first talk about some important processes in the “wonderful world ocean.” Have you ever heard of “physical pump”? Or a “biological pump”? No, it’s not a kind of weapon of war to decimate an enemy population. The physical pump is the process related to the solubility of CO2 in the ocean (solubility = maximum amount of a substance that can be dissolved in a liquid). The biological pump takes into account what happens to the CO2 after it is dissolved in the ocean, when a fraction of dissolved carbon is absorbed through photosynthesis, in the surface layers of the ocean, and transported to the bottom. The diagram below explains how carbon is transported in the ocean. CO2 is a gas capable of dissolving in the surface of the oceans. This solubility mechanism is related to the concentration of this gas in the atmosphere and the water temperature: the more CO2 in the atmosphere and the lower the temperature, the greater the amount of gas dissolved in the ocean surface. Once dissolved in water, the CO2 passes to a further stage of the cycle, where it can be absorbed by photosynthetic marine organisms. Part of the organic matter formed during photosynthesis is used in cellular respiration and released back into the seawater as CO2. The other fraction, which was used in the formation of the cell, is consumed by zooplankton (primary consumers in marine food webs - read more here) and/or transported by gravity to the bottom of the ocean through “marine snow,” particles made up of food debris and fecal pellets coming from feeding zooplankton, shells, and dead microorganisms. This carbon transfer process to the deep ocean decreases the amount of carbon in the photic zone (zone that receives enough sunlight for photosynthesis to occur), sequestering (removing) billions of tons of carbon from the atmosphere each year. Some studies have estimated that the biological pump is responsible for removing about 5-15 gigatons of carbon per year (Henson et al., 2011). Marine Phytoplankton. Source You can probably imagine how important this removal is when looking at the large amount of carbon that our industrial activities, cars, and planes have emitted into the atmosphere over the last few years. It is important to remember that the much discussed global warming, among other issues, is largely caused by an excess of carbon in the atmosphere. According to the IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) 2014, in 2010 alone, 49 gigatons of carbon were released into the atmosphere by human activities. And that is precisely why these experiments with iron have gained so much popularity. Sounds simple, right? Okay, solved the problem of global warming! Let's fertilize the oceans! But it is not so simple. Interfering in natural ecosystems is an extremely sensitive subject, which can cause incalculable and irreparable damage. Some researchers performed similar experiments as the American businessman and concluded that despite the fertilization increasing the rate of photosynthesis, it can trigger changes in ocean chemistry by changing the operation of the entire system. For example, increased photosynthetic rates by phytoplankton are directly proportional to the amount of dimethylsulfide (DMS - volatile sulfur in reduced form) secreted by these microalgae in water, which is vaporized and form condensation particles in the air (i.e. more photosynthesis by the phytoplankton = more dimethylsufide into the air). In the atmosphere, these particles facilitate the formation of clouds, which would be great, because with the increased formation of clouds there is increased reflection of solar radiation and thus greater cooling of the planet. However, not all types of clouds have the property to cool the planet. Recent studies suggest that other climatic factors may also affect the distribution and properties of clouds, which could increase the temperature of the planet. Furthermore, it was observed that fertilization also increases the production of nitrous oxide (N2O), a molecule that heats 320 times more than CO2. Another study, published in April 2014 in Geophysical Research Letters , showed that more than 66% of the carbon sequestered by the ocean returns to the atmosphere in 100 years. That is, the biological pump may lessen the temperature of the Earth, sequestering carbon from the atmosphere, but we do not know what will happen when this carbon returns. Controversial enough for you? Thus, although the processes that occur in the ocean are responsible for reducing the concentration of CO2 in the atmosphere, altering the system may not be the best solution because there are many chemical, physical, and biological processes that are not fully understood. While we did not reach a more integrated understanding of these processes, the reduction of CO2 emissions would be much more efficient and safer than trying to remedy a problem by manipulating a process so complex and poorly understood. Literature: http://www.nature.com/ngeo/journal/v6/n9/full/ngeo1921.html http://www.nature.com/nature/journal/v446/n7139/full/nature05700.html https://www.ipcc.ch/publications_and_data/ar4/wg1/en/ch7s7-3.html http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/2013GL058799/full https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/syr/AR5_SYR_FINAL_SPM.pdf Henson, S. A., R. Sanders, E. Madsen, P. J. Morris, F. Le Moigne, and G. D. Quartly (2011), A reduced estimate of the strength of the ocean's biological carbon pump, Geophysical Research Letters, 38 #chatyonaragarcia #marinescience #biologicalpump #climatechange #microalgae #oceanfertilization #phytoplankton #plankton #chat











