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Correr e catar lixo: um novo esporte Plogging

há 1 hora
3 min de leitura

Ao caminhar na areia da praia, com certeza você já avistou algum tipo de lixo. Infelizmente, essa é a realidade na qual vivemos: de bitucas de cigarro a pedaços de plástico ou tampinhas de garrafa, esses elementos não são difíceis de encontrar. Muitas vezes, eles nos incomodam e até nos levam a recolhê-los. Se você é uma dessas pessoas que catam lixo na areia, você já pratica um esporte que nem conhecia: o plogging.


Lixo coletado pela autora em apenas 10 min de Plogging em Juquehy, SP.
Lixo coletado pela autora em apenas 10 min de Plogging em Juquehy, SP.

Esse termo, cunhado na Suécia, é uma combinação da palavra sueca plogga (pegar) e jogging (correr, em inglês) - ou seja, correr e pegar lixo ao mesmo tempo. 


Pode parecer um pouco estranho, mas esse esporte vem conquistando o mundo. O criador do termo, o esportista sueco Erik Ahlström, criou o site Plogga (@plogga), que reúne informações sobre a prática e divulga eventos realizados em diferentes lugares do mundo. Seus lemas são “seja parte da solução, não da poluição” e “corra com propósito” . 


O movimento se espalhou! Hoje, há grupos de plogging do México (@PloggingMX) à Porto Seguro, Bahia (@ploggingportoseguroba), entre tantos outros grupos grandes nos Estados Unidos, Europa e Índia. Segundo o Plogga, a prática já chegou a mais de 100 países!


Embora tenha começado como uma atividade associada à corrida (jogging), você não precisa necessariamente correr para praticar o plogging. Ele pode ser feito vinculado a qualquer atividade física que você goste: caminhando, pedalando, remando, nadando… Afinal, a ideia é movimentar o corpo enquanto recolhe o lixo encontrado pelo caminho. 


Como exercício, o plogging também permite variar os movimentos do corpo, incorporando flexões, agachamentos e alongamentos à atividade principal. E não precisa acontecer apenas na praia: parques, ruas, praças, avenidas... qualquer lugar pode virar cenário para a prática. 


 O plogging pode, inclusive, virar brincadeira entre crianças, sendo uma maneira divertida para engajá-las com a responsabilidade ambiental. Podem ser criadas corridas competitivas ou jogos, como, por exemplo, quem encontra itens mais coloridos ou o material vindo de mais longe.


Os adeptos dessa prática desenvolvem valores como solidariedade, esforço e perseverança, ao mesmo tempo em que enfatizam seu compromisso com o meio ambiente.


O plogging em si não é só esporte; é também uma forma de conscientização. 



A solução para o problema do lixo não está apenas em retirá-lo das ruas, praias e parques, mas também em repensar a forma como o produzimos e consumimos. Ao percebermos a quantidade e os tipos de resíduos que encontramos pelo caminho, somos convidados a olhar para os nossos próprios hábitos e escolhas.


E essa relação com o lixo pode provocar sentimentos diferentes. Um estudo recente com ativistas que recolhem voluntariamente resíduos mostrou que, embora sentimentos negativos, como o nojo, possam ser um estímulo inicial para a ação, o contato com o lixo também pode despertar sensações positivas, como alegria, prazer e inspiração. A prática de recolher resíduos pode ainda gerar uma sensação de que estamos fazendo algo concreto pelo lugar onde vivemos. 


Também pode ser legal participar da campanha que ocorre em consonância com o Dia Mundial da Limpeza (World Cleanup Day), considerada a maior ação cívica de proteção ao meio ambiente, convergindo esforços para um mesmo propósito. A organização estima que 180 países,1.200 cidades brasileiras e 50 milhões de voluntários já participaram das ações. Verifique no site, talvez exista alguma ação acontecendo pertinho de você!  


E aí, topa começar esse novo esporte?


Fontes:






LEPISTÖ, Ella; PYYHTINEN, Olli. Affective encounters with waste: The role of affects in trash activism. Ethnography, v. 27, n. 3, p. 755–780, 2026. DOI: 10.1177/14661381251316133 




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