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Mulheres em posição de liderança

Por Anônima


Ilustração de Caia Colla



Desde os trabalhos e projetos que fiz durante a escola, sempre estive em posições de liderança. Sempre tive essa vocação para liderar grupos e gosto muito disso. Sou uma mulher de palavras claras e diretas. Não gosto de contornos, apesar de muitas vezes precisar dar voltas para não me entenderem errado. Afinal de contas, um homem assertivo é considerado um homem decidido, mas uma mulher assertiva é considerada uma mulher mal educada, dura ou “de gênio forte”. Você já viu um homem sendo acusado de ser duro, mesmo sendo?


Há algum tempo, tive meu primeiro cargo formal em posição de liderança, que foi como presidenta do Diretório Acadêmico do meu curso, e, mais recentemente, presidenta da comissão organizadora de um evento nacional. Com isso, vieram muitas coisas boas, pois tive espaço para colocar minhas ideias em prática com a ajuda de pessoas maravilhosas na equipe. Porém, infelizmente nem tudo são flores, e passei a receber comentários maldosos, mas não me dava conta do porquê…


Até que, certo dia, escutando o episódio 186 O lobby do batom vermelho e a geração da desesperança do podcast “Bom dia, Obvious”, me vieram flashes de que nas gestões passadas do Diretório Acadêmico pouco se fazia, e nunca ninguém disse nada. Por quê? Porque todas foram lideradas por homens! Eu fui a primeira mulher a assumir o cargo em muito tempo. E, como é de costume em uma sociedade patriarcal, uma mulher em posição de liderança é um alvo muito fácil. Estava aí o porquê das críticas tão pesadas às minhas ações.


Durante o podcast, é falado que a política é uma máquina de moer mulheres. Com isso, afirmo que não só a política tradicional, mas qualquer cargo de liderança é uma máquina de moer mulheres. Para observar isso, basta relembrar como se deu o processo de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, que sofreu inúmeros ataques misóginos. Ou, ainda, o discurso de renúncia ao cargo de primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, alegando “não ter mais combustível no tanque”.


Há uma distância imensa no julgamento recebido por homens e mulheres em um mesmo ato. Muitas vezes a mulher comete um ato BEM menor e é massacrada.


Quando olhamos para a realidade da academia vemos situações similares. Depois que você se dá conta do problema, passa a perceber que ele é recorrente. Presenciei uma ocasião em que dois professores (uma mulher e um homem) demitiram os alunos de seus cargos de um projeto. Mas adivinhem quem foi a louca e grossa? O professor homem é que não foi!


Como abordado em outro texto do Bate-Papo com Netuno, quantas mulheres estão em cargos de lideranças de projetos? E quantas podem agir como os homens e pedir para que seus alunos façam uma apresentação para ela sem que sejam chamadas de incapazes?


Outro ponto é perceber que, para ser respeitada, uma mulher precisa estar bem vestida, caso contrário, logo pensam: “mas como assim ela é a minha chefe?”. Você precisa se montar toda, passar maquiagem, colocar uma roupa bem formal (e só vale ser abaixo do joelho, hein!!). Enquanto isso, os homens desfilam de shorts, chinelo e blusas folgadas pela universidade, trabalho e congressos. Ouvi uma vez de uma mulher que ocupava uma posição de liderança na área de computação que ela se vestia bem e usava salto alto não porque gostava, mas porque percebeu que assim ela era mais respeitada.


Ser mulher em um cargo de liderança é solitário, apesar de ter boas pessoas com você. Não se pode deslizar, pois, por menor que seja, isso será motivo para duvidarem da sua capacidade e da sua índole. O tempo todo temos que provar a nossa capacidade; ser mulher é não ter um minuto sequer de descanso.


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