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  • Tiradas do Netuno #20

    Que mulher nunca desejou ter tantos braços quanto um polvo? Por mais que isso pareça vantajoso, não seria melhor desejar que nossas demandas coubessem nos nossos dois bracinhos humanos mesmo? São muitas as reflexões quando pensamos no famoso “ dar conta de tudo ”! Para saber mais, acesse o post “ “Mulheres são melhores em multitarefas”: você conhece essa lenda urbana? ” publicado em 01/09/2020 e o post “ Mulheres do século 21 com comportamentos do século 20 e tarefas do século 19 ” publicado em 07/03/2016. Criação: Mariane Soares (@marisoares.dsgn), com palpites das editoras do Bate-Papo com Netuno. #TiradasDoNetuno #MarianeSoares #Multitarefas #TerceiroTurnoDeTrabalho #Maternidade #ViésDeGênero #Carreira

  • Live: Assédio em Embarcações é real!

    Em 15 de março de 2022, a mestra Michele Maia e nossa editora Catarina Marcolin , orientadora do mestrado em questão no PPGCTA (UFSB/IFBA), realizaram a Live “Assédio em Embarcações é Real” para compartilhar os resultados alcançados em nossa pesquisa sobre assédio em embarcações. Nossa pesquisa resultou da dissertação de mestrado da Michele Maia, que teve como título “Relações de Gênero nas Ciências Ambientais: Uma Análise sobre Situações de Assédio em Embarcações”. A Live foi transmitida pelo canal do YouTube e, se você perdeu, pode assistí-la no canal do YouTube do Bate-Papo com Netuno. No primeiro momento da live, foram apresentados os resultados que demostraram que o assédio é mais prevalente entre as mulheres, principalmente as mulheres pretas, e que mulheres sofrem mais assédio sexual e múltiplos tipos de assédio. Além disso, a experiência de assédio em embarcações tem forte potencial para interferir diretamente na trajetória acadêmica e profissional, uma vez que provoca consequências físicas e psicológicas nas vítimas, inclusive com grande frequência de sintomas relatados entre os homens também. Assim, nós reforçamos que esse não é um problema exclusivo das mulheres, mas de toda a sociedade! Também foi apresentado um guia para gestores/as que tem o intuito de orientar a elaboração de ações de prevenção e combate ao assédio em embarcações, tendo como subsídio uma cartilha online e uma ficha de avaliação de cada embarque, ambos elaborados por nós. Em breve vocês encontrarão aqui na página do Bate-Papo com Netuno dedicada ao combate ao assédio , um link para minha dissertação, o guia para gestores/gestoras e a cartilha para compartilhar à vontade. Se você tem algum material bacana para compartilhar sobre o tema, envie pra gente, que iremos colocar na nossa página. Vamos lutar por um mundo onde não haja tolerância ao assédio! #NetuniandoPorAi #EmbarqueSemAssédio #MulheresnaCiências #catarinarmarcolin #Live

  • Prêmio Marta Vannucci de Mulheres na Ciência do Oceano

    Por Carla Elliff “Completo no início da Década do Oceano, uma década como oceanógrafa.” Não acredito que já faz quase um ano desde que primeiro rascunhei essas palavras – é difícil acreditar também na montanha-russa emocional que foi refletir sobre esses 10 anos. A razão que me fez parar em meio a esse mundo caótico, respirar fundo e olhar para trás, foi o Prêmio Marta Vannucci de Mulheres na Ciência do Oceano , que tive a honra de receber na categoria Jovem Cientista. O prêmio, que em 2021 realizou sua primeira edição, é uma homenagem feita pela Cátedra UNESCO para Sustentabilidade do Oceano, ligada ao Instituto Oceanográfico (IO) e ao Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), e pela Liga das Mulheres pelo Oceano. Profª Drª Marta Vannucci foi uma pioneira nas ciências do mar no Brasil, sendo a primeira mulher a integrar a Academia Brasileira de Ciências como membro associado e atuando como diretora do Instituto Oceanográfico da USP, nas décadas de 1950 e 1960. Todo seu legado inspirou a criação desse prêmio que busca promover, destacar e reconhecer o trabalho de cientistas brasileiras, identificando mulheres inspiradoras (categoria Cientista Inspiração) e premiando jovens cientistas talentosas e promissoras (categoria Jovem Cientista) no campo das Ciências Marinhas (como detalhado lá no blog da Liga das Mulheres pelo Oceano ). Me perguntei muito se eu deveria me candidatar a esse prêmio. Tenho muito orgulho da minha trajetória e conquistas, mas mais do que isso eu tenho gratidão por todos aqueles que caminharam comigo. Não me parecia justo me candidatar a um prêmio por uma história escrita a tantas mãos. Foram semanas de indecisão! (e só aquela primeira frase escrita na carta de apresentação necessária para a inscrição...) Fui refletindo o que de fato era essa minha indecisão e receio (alô, terapia?!). Sou muito da lógica de que o “não” a gente já tem, então se não custa tentar, bora lá! Mas parecia ser mais difícil esse “bora lá” quando o que estaria sendo avaliado não era um projeto ou artigo que eu escrevi, mas eu mesma – um tópico que eu sou bem tímida para falar (vide o gigante atraso para escrever este post!). E acho que esse dilema interno que eu estava passando é justamente uma das razões que motivam prêmios como este para mulheres na ciência. A carreira de cientista tem muitos momentos de rejeição, revisão e escrutínio. Isso é necessário para avançarmos nos nossos conhecimentos, faz parte da base do método científico. No entanto, existem formas e formas de se criticar o trabalho de alguém. Infelizmente, é muito comum vermos pessoas que minam em vez de elevar a confiança de quem estão mentoreando – e muitas vezes indo além e chegando a situações de assédio. Aqui no Bate-Papo com Netuno já compartilhamos diversas histórias nesta temática e vemos como a balança pesa de maneira desfavorável para mulheres. Para mim, nunca fez sentido o ambiente tóxico de altíssima competitividade da academia. Fui procurando nichos e parcerias que rejeitassem também essa cultura e, felizmente, descobri que existem muitas pessoas que pensam o mesmo! E, não surpreendente, me vejo hoje trabalhando em grupos majoritariamente femininos, onde sinto que pude crescer muito sem medos do trio rejeição-revisão-escrutínio irem para além do necessário. Um desses grupos é o próprio Bate-Papo com Netuno! Enorme fonte de inspiração e motivação para mim. Aliás, em um dos meus momentos de indecisão sobre me inscrever ou não no prêmio, lembro direitinho de receber uma mensagem da Juliana Leonel no nosso grupo de whatsapp dizendo “Se inscrevam, mulheres!!”, copiando o link do prêmio. E isso é algo que precisamos mais e que está ao nosso alcance: apoio. E foi com muito apoio que escrevi a tal carta de apresentação. Foram precisamente 300 palavras (o limite máximo!) para contar a “importância prática e/ou teórica de sua trajetória científica” e, olha, ô 300 palavras difíceis! Ao final, porém, eu senti que eu tinha viajado no tempo. Relembrei alegrias e conquistas e me deu uma saudade gostosa da história de como me tornei a profissional que sou hoje. A cerimônia de premiação foi inteiramente online e lá dividi a mesa com mulheres fantásticas, incluindo a Profª Drª Yocie Yoneshigue Valentin, ganhadora da categoria Cientista Inspiração. Vocês podem conferir como foi pelo canal do YouTube da Cátedra para Sustentabilidade do Oceano (isso é, se não se incomodarem com a quantidade de água salgada que despejo enquanto mal consigo falar!) Como comecei o post com minha frase de abertura na carta de apresentação, finalizo da mesma forma que fechei minha carta: “Ainda não sei se uma década é muito ou pouco, mas sei que sou muito grata por esses primeiros dez anos e estou ansiosa pelos próximos.” Muito, muito obrigada. #MulheresNaCiência #Prêmio #MartaVannucci #CátedraUnesco #LigaDasMulheresPeloOceano #DécadaDoOceano #Oceanografia

  • Quanto custa o acesso à informação?

    Por Juliana Leonel Ilustração por Alexya Queiroz . Para conduzir a sua pesquisa, um grupo de cientistas precisa de salário/bolsas¹ e de laboratórios - sejam eles cheios de vidrarias e reagentes, de equipamentos que parecem saídos de um filme de ficção científica, de computadores ou de livros. Só isso? Não! Toda pesquisa surge a partir de uma pergunta e de hipóteses que são levantadas para respondê-la. Mas para elaborar as perguntas e as hipóteses é preciso saber o que já foi estudado sobre o assunto, o que já se sabe, quais perguntas ainda estão sem respostas, o que nunca foi investigado, e até mesmo o que já deu errado nas pesquisas sobre o tópico em questão. E isso tudo implica em muita, mas muita leitura sobre o tema de trabalho. E para que isso seja possível é preciso acesso às pesquisas já desenvolvidas. Quando um cientista finaliza uma pesquisa ele escreve artigos científicos sobre o trabalho que desenvolveu onde apresenta sua motivação, a importância do trabalho, objetivos, métodos de estudo e, por fim, mostra os resultados e os discute. Esses artigos são enviados para revistas científicas onde são revisados por outros cientistas e depois (não sem antes passar por modificações e ajustes) são publicados para que todos tenham acesso aos dados e informações. Mas será que todos de fato têm acesso? Vale lembrar que a maior parte das revistas científicas de algumas áreas (da oceanografia, por exemplo) são revistas internacionais em que os trabalhos são publicados em língua inglesa. O inglês é considerado por muitos como a língua da ciência e que publicar nessa língua permite que pessoas dos mais diversos países leiam os trabalhos (aumentando o acesso a pesquisa). No entanto, o Brasil mesmo é um exemplo de país em que aprender inglês é um privilégio, mesmo para pessoas que têm acesso à educação superior. Temos aqui a primeira barreira para o acesso à informação científica. Mesmo que o inglês não fosse um problema, esses artigos são escritos usando termos e jargões que não são familiares à maioria da população. Ou será que todos sabem o que é um glúon? Logo, mesmo artigos publicados em português, não são acessíveis para todos. E aqui destaco a importância de divulgadores de ciência que, entre outras muitas coisas, fazem a “tradução” das pesquisas para uma linguagem mais acessível e inclusiva. Por fim, nem para os pesquisadores os artigos científicos são realmente (sempre) acessíveis . Como assim? Não faz sentido, né? A maioria das revistas científicas onde os trabalhos são publicados pertencem a poucos grupos que têm corpos editoriais que organizam a logística de recebimento dos artigos, passando pela revisão até a publicação. Claro que tudo isso envolve custos e, por isso, para acessar esses trabalhos os pesquisadores ou suas instituições devem assinar essas revistas ou podem comprar apenas os artigos que têm interesse em ler. Acontece que o preço de um artigo varia, em média, de 30-40 dólares. Isso mesmo, por um artigo, UMzinho! Sabe quantos artigos um pesquisador lê? Ao longo de um doutorado, por exemplo, centenas… faz as contas aí de quanto sai tudo isso. A verdade é que os valores cobrados estão muito aquém do custo envolvido na produção dos periódicos científicos e tem algumas pessoas lucrando muito com isso. Estima-se que a margem de lucro da Elsevier , uma das gigantes no mundo de publicações científicas, seja maior que a do Google (30-40 %). Não é à toa que diversas universidades ao redor do mundo começaram a discutir sobre esses custos e alguns países, como a Suécia, pararam de assinar periódicos de grandes grupos e começaram a incentivar seus pesquisadores a só publicar em periódicos científicos de acesso aberto. Nestes, é comum que os autores dos artigos paguem uma taxa antes da publicação (e normalmente o valor é bem alto!). Apesar de existirem periódicos predatórios (pagou = publicou) existem muitos que são sérios e comprometidos com a ciência que adotam esse método. No Brasil, há o Portal de Periódicos da CAPES, financiado pelo governo federal, em que são disponibilizadas milhares de assinaturas de revistas científicas. No entanto, o acesso só pode ser feito por quem estiver dentro de uma instituição pública (ou tiver um registro em uma). Ou seja, uma parcela grande de pessoas não tem acesso; embora todos paguem impostos. Além disso, nem todos os periódicos estão disponíveis no sistema CAPES. Agora como fica o pesquisador que finalizou seu doutorado, ainda precisa publicar seus resultados, mas para isso precisa ter acesso a outros artigos científicos?² O que acontece com quem trabalha em uma empresa ou em órgãos do governo estadual, por exemplo? Não é só quem está na universidade que precisa ter acesso a esses periódicos. Essa barreira invisível é chamada de paywall e ela impede ou restringe o acesso aos estudos científicos . E isso tem consequências importantes: restringe o número de revistas e artigos científicos a serem acessados e isso modula a ciência, pois as pesquisas e discussões científicas serão baseadas somente no material ao qual se teve acesso; gera uma segregação entre pesquisadores/grupos de pesquisa que têm mais ou menos acesso às informações; impede que informações científicas sobre grandes problemas (como mudanças climáticas, água potável, biodiversidade) sejam acessadas pelo maior número possível de pessoas; favorece o desenvolvimento de uma ciência regulada em função dos interesses dos detentores do paywall . Você já tinha pensado nesse custo? Ou em como o paywall impede que a ciência seja acessível para todos (mesmo para cientistas)? Há pessoas que não só pensam sobre isso como também tentam mudar essa realidade (mesmo que suas práticas sejam ainda consideradas ilegais), como é o caso do Aaron Swartz (que se matou depois de ter sido condenado a pagar 1 milhão de dólares em multa e mais 35 anos de prisão por ter disponibilizado artigos que conseguiu através da sua conta do MIT) e da Alexandra Elbakyan (que hoje vive escondida por ter criado uma plataforma para distribuição livre de artigos científicos). Ironicamente, em 2016, a própria Nature (que cobra até 2 mil dólares para os cientistas publicarem em suas revistas) a nomeou uma das 10 pessoas mais relevantes para a ciência. Você já pensou no impacto que a plataforma criada pela Alexandra teve na sua pesquisa? Ou já pensou em incluí-la na lista de agradecimentos do seu TCC, dissertação, tese, artigo? ¹ Lembrando que bolsa não é salário ² Algumas universidades possuem cadastros para estudantes egressos para permitir que continuem acessando os periódicos #VidaDeCientista #PreçoDaCiência #FreeScience #Artigos #Publicações #OpenAccess #RevistaCientífica #JulianaLeonel #AlexyaQueiroz

  • Tiradas do Netuno #19

    Estamos chegando ao fim do primeiro ano da Década do Oceano , mas o que isso significa? Em 2017 a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que o período de 2021 a 2030 será dedicado à Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, apelidada carinhosamente de Década do Oceano. Desde então, muito trabalho tem sido feito para mobilizar e articular ações em prol do lema da Década: “a ciência que precisamos para o oceano que queremos”. O caminho é longo, mas juntos chegaremos lá! Para saber mais, acesse o post “ Década do Oceano: 10 anos para nunca mais tirarmos os olhos do mar ” publicado em 11/06/2020. Criação: Mariane Soares (@marisoares.art), com palpites das editoras do Bate-Papo com Netuno. #TiradasDoNetuno #MarianeSoares #DécadaDoOceano #ONU #IOC #UNESCO #DesenvolvimentoSustentável #Oceanografia #Oceano #Marinho

  • Pesquisa de plâncton para proteção ambiental: poluição por cosméticos de proteção solar

    Por Sabine Schultes Ilustração por Joana Dias Ho . Em meu último post , apresentei a vocês a preocupação de poluir o ambiente aquático com cosméticos que nos protegem contra a radiação UV. Desde então, tive a ajuda de muitos de nossos estudantes de biologia da LMU Munique para coletar dados sobre questões específicas de pesquisa e para alcançar e comunicar o problema ao público. Neste post, eu me detenho aos resultados que Helena, Theresa, Alexandra, Franziska, Mirjam, Daniela e Isabel obtiveram em seus trabalhos finais de bacharelado ou estágios de pós-graduação em laboratório - sim, apenas mulheres jovens inteligentes estiveram trabalhando aqui! Nossa pesquisa concentrou-se no plâncton, que é a base das teias tróficas aquáticas, e pudemos trabalhar com métodos de laboratório pontuais para estudar os efeitos da poluição sobre o crescimento, a fisiologia e a diversidade. Comunidades de plâncton de lagos e águas costeiras foram amostradas, espécies individuais de fitoplâncton e zooplâncton foram cultivadas e utilizadas em experimentos. As estudantes trabalharam duro no laboratório e passaram semanas no microscópio - até mesmo no microscópio eletrônico! - Elas usaram contadores de células e analisadores de pigmento para coletar resultados. Uma abordagem direta para descobrir os efeitos negativos foi trabalhar com culturas de uma espécie e poluí-las com diferentes concentrações de um protetor solar. Isso nos permitiu estimar mudanças na taxa de divisão celular, para organismos unicelulares como o fitoplâncton, ou medir o sucesso do desenvolvimento de larvas à adultos quando trabalhamos com zooplâncton. Para resumir uma longa história, descobrimos que as taxas de crescimento e recrutamento em uma cultura de copépodes, isto é, pequenos crustáceos, foram diminuídas quando em concentrações de protetores solares que eram duas ordens de magnitude inferiores às concentrações necessárias para reduzir a taxa de crescimento de seus alimentos. Voltarei às consequências disso depois. Levando a complexidade um passo adiante, as estudantes incubaram água do lago, que continha uma mistura natural de espécies fitoplanctônicas, e novamente poluíram as amostras com diferentes concentrações de protetor solar. Desta vez, pudemos observar que um grupo de fitoplâncton, as diatomáceas, foi particularmente sensível às mudanças na química da água. As cianobactérias, no entanto, aproveitaram para crescer mesmo sob condições altamente poluídas, onde espécies pertencentes a outros grupos (chlorophytas e cryptophytas) também estavam desaparecendo. Nesses níveis, os copépodes morrem em 24 horas. Nesta imagem do microscópio eletrônico de varredura, você pode ver como as partículas minerais contidas nos cosméticos de proteção solar se aderem a uma célula de diatomáceas. Diatomáceas dispostas em uma lâmina. Copyright D.Maurer (Bachelor thesis, LMU Munich). Por que é um problema quando a poluição química interfere no crescimento do plâncton? No ambiente aquático, tanto no de água doce quanto no marinho, todas as espécies da comunidade estão conectadas em uma complexa teia alimentar onde a energia é transferida dos produtores (fitoplâncton) através de consumidores de primeira ordem (zooplâncton) para consumidores de topo (peixes, por exemplo). Os nutrientes inorgânicos são constantemente utilizados e reciclados e o ecossistema é considerado como estando em equilíbrio dinâmico. Quando alguns dos componentes da cadeia alimentar são perdidos devido a uma maior sensibilidade à poluição, este equilíbrio é deslocado, levando eventualmente a uma maior perda de espécies e, enfim, a uma degradação da qualidade da água para níveis onde a saúde humana também é afetada. Se a poluição por protetores solares leva a este tipo de consequência ou não, dependerá da quantidade de cosméticos que entram na água com os banhistas. Como se pode ver nesta figura, a facilidade em que protetores solares se dissolvem em água varia grandemente entre marcas. Copyright M.Kathol (Bachelor thesis, LMU Munich). A circulação da água diluirá a poluição localmente aumentada por toda a coluna de água. Portanto, o plâncton em pequenos lagos ou sistemas com pouca troca e agitação da água durante o verão estará mais em risco do que ao longo das praias oceânicas que têm uma alta taxa de fluxo de água. Além disso, se os ingredientes cosméticos puderem ser quebrados por bactérias, o ecossistema se recuperará rapidamente, mas alguns componentes são resistentes à degradação microbiana e se acumularão ao longo da cadeia alimentar em consumidores de topo. O que podemos fazer para encontrar uma solução para este problema? Em vez de poluir as amostras de plâncton com marcas comerciais e, portanto, misturas químicas, começamos a explorar quais dos componentes individuais eram "seguros para o plâncton" e quais não eram. Para isso, utilizamos uma receita DIY (faça você mesmo) para cosméticos naturais - essa foi a parte fácil - e fizemos experimentos com uma teia trófica artificial de plâncton. Foi um trabalho extremamente entediante! Nesta foto você pode comparar a cor das garrafas à esquerda com as da direita. Um dos componentes que testamos alterou o equilíbrio entre os produtores verdes (algas) e seus consumidores - portanto, o consideramos NÃO "seguro para plâncton". Frascos de incubação. Copyright I.Schultz-Pernice (relatório de estágio principal LMU Munique) Para comunicar nosso trabalho científico ao público em geral, uma de minhas alunas fez uma pesquisa de opinião em "pontos de banho" populares em Munique. Ela recebeu ajuda de uma cientista social que trabalha no campo da comunicação ambiental - outra jovem brilhante! - e, juntas, desenvolveram um questionário. Os banhistas foram questionados sobre seus hábitos de compra e uso de protetor solar. Copyright M. Kathol (tese de bacharelado, LMU Munique) A maioria das pessoas ainda não estava ciente da poluição da água devido aos produtos cosméticos com proteção solar e outros produtos de higiene pessoal. Nós os informamos sobre nossas pesquisas e lhes sugerimos estratégias sobre como conciliar sua própria "segurança solar" com um comportamento ambientalmente amigável. Os banhistas estão abertos a encontrar soluções como a compra de cosméticos ambientalmente seguros, mas os produtos precisam permanecer acessíveis, já que o preço é muito importante para a escolha do consumidor. Então, você pode se proteger E proteger também o meio ambiente aquático? Acho que esta pergunta precisa ser respondida individualmente. Se você trabalha fora e em contato com a água, por exemplo, se você ensina esportes aquáticos, a escolha deveria ser usar roupas de proteção. Como um turista que tem o hábito de tomar bastante sol durante suas curtas férias, você deve procurar por cosméticos com proteção solar que sejam ecologicamente corretos, mesmo que custem um pouco mais. Além do mais, esses também serão bons para sua pele - e lembre-se também de todo o esforço de pesquisa que provavelmente foi investido em seu desenvolvimento! Estamos trabalhando nisso… Trabalho em andamento: Incubação de amostras de água para testar a segurança do plâncton sob um cosmético DIY (faça você mesmo) em condições reais de luz (~ 2 m de profundidade da água) em uma praia mediterrânea. Licença CC4.0 BY. Sobre a autora: Olá e obrigada por terem vindo ao meu perfil. Estou feliz por contribuir para este blog e por alcançar outros amantes do Oceano. Minha formação universitária é em biologia e oceanografia. Passei 20 anos longe de casa estudando e trabalhando em outros países e em outros continentes. Tive a oportunidade de trabalhar como cientista e professora universitária. Atualmente, vivo de volta em casa e leciono em uma escola maravilhosa em Munique. A água é uma substância fascinante. Nenhuma vida é possível sem água líquida. A água molda nossos terrenos e toda a água do Oceano ajuda a manter a temperatura da Terra. Da próxima vez que você estiver na praia, pegue uma garrafa e encha-a com água do mar (limpa!). Cheire-a e agite-a. Compare com sua água mineral e você terá um primeiro vislumbre de que o Oceano está vivo. #CiênciasDoMar #Oceanografia #BiologiaMarinha #ProtetorSolar #PoluiçãoProtetorSolar #Convidadas #Convidados #SabineSchultes #MulheresNaCiência

  • Ciclos biogeoquímicos: Parte 1 - Ciclo do Carbono

    Por Juliana Leonel ​Ciclos biogeoquímicos são os processos pelos quais elementos passam pela biosfera, atmosfera, litosfera e hidrosfera. O mais conhecido possivelmente seja o da água, mas ​há outros, como o ciclo do carbono (C), nitrogênio (N), fósforo (P), sílício (Si), enxofre (S), ferro (Fe) etc. Alguns termos importantes quando falamos dos ciclos biogeoquímicos são: reservatório, fluxo e tempo de residência. Reservatório é cada um dos compartimentos que compõem o ciclo; sedimento marinho, biota e coluna d'água são exemplos de reservatórios. Fluxo é a quantidade da substância que entra (ou sai) do compartimento por unidade de tempo; por exemplo, 500 tonelada​s​ de C por ano. E o tempo de residência é o período médio que cada partícula da substância reside no compartimento. Para calcular o tempo de residência basta dividir o tamanho do compartimento pelo fluxo de entrada ou de saída. Os reservatórios podem ter tamanhos, fluxo e tempo de residência variados. Um dos ciclos mais importantes é o do carbono. Ele contribui para a manutenção do clima na Terra (ao longo do período geológico os momentos de resfriamento ou aquecimento ocorreram por desequilíbrios nesse ciclo), além de ser responsável pelo tamponamento da água do mar e fonte de energia para a vida terrestre. O ciclo do carbono pode ser dividido em ​dois subciclos que se ligam pela incorporação de carbono (seja orgânico ou inorgânico) nas rochas sedimentares e pelo seu intemperismo: a) ciclo curto (ou bioquímico) b) ciclo longo (ou geológico) Representação dos subciclos do carbono: ciclo bioquímico (curto) e ciclo geoquímico (longo) O ciclo curto ​engloba a produção ​​da​ matéria orgânica​,​ pela fotossíntese ou quimiossíntese​,​​ através da assimilação do carbono inorgânico pelos organismos autotróficos para a produção de matéria orgânica​. Além disso, ele envolve a degradação da biomassa para carbono inorgânico (CO2). A meia vida desse ciclo varia de poucos dias até décadas. Já o ciclo longo (ou geoquímico), como o nome sugere, tem meia vida muito maior, chegando até a milhões de anos. Ele inclui a incorporação do C (seja na forma de matéria orgânica ou carbonato de cálcio) nas rochas sedimentares​, seu retrabalhamento (que pode levar a formação de combustíveis fósseis ) e o retorno desse C à atmosfera (como CO2, CH4, CO etc), seja pela erosão das rochas ou pela queima de combustíveis fósseis. Embora o ciclo geoquímico do C seja quantitativamente o mais importante (as rochas sedimentares são o maior reservatório de C na Terra), todo a matéria orgânica (=carbono orgânico) e o carbonato (=carbono inorgânico) é originário do subciclo bioquímico. O oceano representa o maior reservatório biologicamente ativo no ciclo do C, contendo 50 vezes mais C que a atmosfera e 70 vezes mais que a vegetação terrestre. Por ser o maior de todos os reservatórios, o oceano controla as quantidades de carbono na atmosfera, o que impacta diretamente o clima em escalas intermediárias. Estudar os fluxos de carbono no oceano nessas diferentes escalas de tempo e espaço é essencial para a compreensão da dinâmica do clima global e para fazer projeções futuras, dado esse momento tão delicado no qual vivemos imersos em mudanças climáticas. #Descomplicando #CicloDoCarbono #CiclosBiogeoquímicos #OceanografiaQuímica #Carbono #JulianaLeonel

  • Tiradas do Netuno #18

    Os cetáceos se destacam entre os grupos de organismos que evoluíram dependentes do uso do som em meio aquático. Entre os cetáceos viventes há dois grupos principais: os misticetos (comumente reconhecidos como baleias) e os odontocetos (golfinhos), os quais podem ser diferenciados, por exemplo, pelos seus aparatos bucais e utilização destes para captura de alimento. Outra maneira de diferenciar esses dois grupos é por meio das características do repertório sonoro. Golfinhos e baleias emitem sons com diferentes propósitos, como por exemplo, para atrair parceiros para cópula, para expressões de alerta entre predadores e presas e delimitação de território. Além disso, o som pode ser utilizado como um processo de percepção ativa, envolvendo a produção e a recepção de ondas, chamado ecolocalização. Neste caso o som é utilizado como referência geográfica. Este processo envolve a produção de som, geralmente emitido em um curto intervalo de tempo e em alta frequência, cujo eco ou reverberação no ambiente é interpretado e utilizado como auxílio na orientação ou na captura de uma presa. Resumidamente, o som pode ser utilizado pelos cetáceos com funções de comunicação e sociabilidade, assim como em um sistema de georreferenciamento. Entretanto, nem todos os cetáceos ecolocalizam. Apesar dos misticetos e dos odontocetos emitirem sons, apenas os odontocetos são reconhecidos como ecolocalizadores. Para saber mais, acesse o post “ Os sons dos oceano ” publicado em 16/03/2016. Criação: Mariane Soares (@marisoares.art), com palpites das editoras do Bate-Papo com Netuno. #TiradasDoNetuno #MarianeSoares #Oceanografia #OceanografiaBiológica #CiênciasDoMar #BiologiaMarinha #SonsDoOceano #Ecolocalização #Golfinho

  • Plankton research for environmental protection: pollution from sunscreen cosmetics

    By Sabine Schultes Illustration by Joana Ho In my last post I introduced you to the concern of polluting the aquatic environment with cosmetics that protect us from UV-radiation. Since then, I’ve had help from many of our biology students at LMU Munich to collect data on specific research questions and to reach out and communicate the problem to the public. In this post, I dwell on the results that Helena, Theresa, Alexandra, Franziska, Mirjam, Daniela and Isabel obtained in their B.Sc. theses or post-graduate lab internships - yes, only smart young women were at work here! Our research focused on plankton, which is the basis of aquatic food webs and we were able to work with timely lab methods to study pollution effects on growth, physiology and diversity. Plankton communities from lakes and coastal waters were sampled, individual species of phytoplankton and zooplankton were grown in culture and used in experiments. The students worked hard in the laboratory and spent weeks at the microscope - even the electron microscope! - they used cell counters and pigment analyzers to gather results. A straightforward approach to find out about negative effects was to work with cultures of one species and pollute those with different concentrations of a sunscreen cosmetic. It allowed us to estimate changes in the rate of cell division, for single celled organisms such as phytoplankton, or to measure the success of development from larvae to adult when working with zooplankton. To cut a long story short, we found out that growth and recruitment in a copepod culture, i.e. tiny crustaceans, were delayed at sunscreen concentrations that were two orders of magnitude lower than the concentrations needed to reduce the growth rate of their food. I will get back to the consequences of this later. Taking complexity one step further, the students incubated lake water, which contained a natural mixture of phytoplankton species, and again polluted the samples with different concentrations of sunscreen. This time, we were able to observe that one phytoplankton group, the diatoms, was particularly sensitive to the changes in water chemistry. Cyanobacteria, however, could take advantage and grew even under highly polluted conditions where species belonging to the other functional groups (chlorophytes and cryptophytes) were also disappearing. At these levels, copepods die within 24 hours. In this image from the scanning electron microscope, you can see how mineral particles contained in sunscreen cosmetics stick to a diatom cell. Several diatoms disposed on a blade (Copyright D.Maurer ,Bachelor thesis, LMU Munich) Why is it a problem when chemical pollution interferes with plankton growth? In the aquatic environment, both freshwater and marine, all species of the community are connected in a complex food-web where energy is transferred from producers (phytoplankton) via first order consumers (zooplankton) to top-consumers (fish, for example). Inorganic nutrients are constantly used and recycled and the ecosystem is considered to be in a dynamic equilibrium. When some of the components of the food-web are lost because of greater sensitivity to pollution, this equilibrium is shifted leading eventually to further loss of species and ultimately to a degradation of the water quality to levels where human health is also affected. Whether sunscreen pollution entails this kind of consequences will depend on the amount of cosmetics that enter the water with the swimmers. As you can see in this figure, how easily a sunscreen dissolves in water varies strongly between brands. (Copyright M.Kathol, Bachelor thesis, LMU Munich) Water circulation will dilute the locally enhanced pollution throughout the water column. Therefore, plankton in small lakes or systems with little exchange and stirring of water during the summer will be more at risk than along ocean beaches that have a high rate of flushing. Also, if cosmetic ingredients can be broken down by bacteria the ecosystem will recover quickly, but some components are refractory to microbial degradation and will accumulate along the food chain in top-consumers. What can we do to find a solution to this problem? Instead of polluting the plankton samples with commercial brands and hence chemical mixtures, we started to explore which of the individual components were “plankton safe” and which were not. For this, we used a DIY (do it yourself) recipe for natural cosmetics - that was the easy part - and experimented with an artificial plankton food web. It was extremely tedious work! In this picture you can compare the color of the bottles to the left with the ones on the right. One of the components that we tested shifted the balance between the green producers (algae) and their consumers – so we need to consider it NOT ”plankton safe” . Incubation bottles (Copyright I.Schultz-Pernice, Master internship report, LMU Munich) To communicate our scientific work to the general public, one of my students made an opinion poll at popular bathing spots around Munich. She got help from a social scientist working in the field of environmental communication – another bright young woman! - and together they developed a questionnaire. Swimmers were asked about their habits of buying and using sunscreen. (Copyright M. Kathol, Bachelor thesis, LMU Munich) The majority of people were not yet aware of the water pollution due to sunscreen cosmetics and other personal care products. We informed them about our research and suggested to them strategies on how to reconcile their own “sun safety” with an environment-friendly behavior. Swimmers and sunbathers are open to find solutions such as buying environmentally safe cosmetics but products need to remain affordable, since the price is really important for consumer choice. So, can you protect yourself AND the aquatic environment? I guess this question needs to be answered individually. If you work outside and in contact with water, for example if you teach water sports, the choice should be to wear protective clothing. As a tourist who has the habit to sunbathe intensively during your short holidays, you should search for sunscreen cosmetics that are environmentally friendly even if they cost a little bit more. As a matter of fact these will also be good for your skin – and remember all the research effort that has probably been invested into its development! We are working on it... Ongoing work: Incubation of water samples to test the plankton safety of a DIY sunscreen cosmetic under real light conditions (~ 2m water depth) at a Mediterranean beach. (License CC4.0 BY) About Sabine Hi and thanks for coming to my profile. I am happy to contribute to this blog and to reach out to other Ocean lovers. My university education is in biology and oceanography. I spent 20 years away from home studying and working in other countries and on other continents. I had the chance to work as a scientist and university teacher. At present, I live at home again and I teach at a wonderful school in Munich. Water is a fascinating substance. No life is possible without liquid water. Water shapes our land and all the water in the Ocean helps maintain Earth’s temperature. Next time you are at the beach, take a bottle and fill it with (clean!) seawater. Smell it and shake it. Compare it to your mineral water and you will get a first glimpse that the Ocean is alive. #MarineScience #Oceanography #MarineBiology #sunscreen #sunscreenpolution #Guests

  • Self-cleaning corals: Hope after an oil spill

    By Leandro Santos English edit by Katyanne Shoemaker *post originally published in Portuguese on August 27, 2020 Illustration by Joana Ho . Brazilian corals are known for their strength and resilience, but I wish that they didn't need to prove themselves so often these days. Although the Northeastern coast of Brazil has warm, inviting waters, the water is also more turbid than other places where corals occur around the world. Cloudy water makes development more difficult for most coral species (read more about coral biology here ). These environmental conditions allow for a very special assemblage of shallow-water coral species – almost half of which are only found in Brazil! 2019 was a difficult time for the Northeastern corals. Due to El Niño, the water warmed above the ideal for these animals for too long. These adverse conditions generate stress, which leads to bleaching events for coral colonies. When bleaching persists for an extended time, it can cause the death of the corals. In some places, like in Recife de Fora (Porto Seguro – BA), this bleaching event was responsible for around 90% mortality of the Fire Coral ( Millepora alcicornis ). Fire Coral colonies bleached in March 2019. After the warm summer and fall had passed, we were able to see an improvement in the colonies. However, near the beginning of the spring, we started hearing news of a mysterious oil spill disaster that impacted the Northeast. For those of us living and working with coral in Porto Seguro (an area of Abrolhos Bank which hosts the majority of the South Atlantic coral biodiversity), the worries began to creep in. How would our lives be impacted in the short and long term? What would be the impacts on the ecosystems reached? Just thinking of what was to come created restless nights, dreams of catastrophic outcomes, and difficult discussions with peers and collaborators about possible actions and outcomes. The Projeto Coral Vivo, an NGO that works on research and conservation of corals, designed scientific experiments to test the different degrees and types of contact with the oil spill. The project was also interested in investigating the consequences of this crime, the potential economic impacts, and in producing data to assist in future decision making. Researcher preparing an experiment with oil on coral. Although researchers have long known of the resilience of Brazilian corals, one observation surprised us: these animals’ ability to remove the oil touching them. In many trials we found that corals ended up clean even when we completely covered them with oil. Then we planned an experiment just to confirm that this really occurs. The experiment consisted of putting living corals next to (dead) coral skeletons and covering them both in oil. If the oil stayed on the skeleton but not on the living coral, it would be evidence that the coral had actively removed it rather than just floating away. For this study we used the species Mussismilia harttii , more commonly known as cauliflower coral. The coral responded very quickly. Within 5 minutes we noted the production of large amounts of mucous. Corals continuously produce mucus, but in this case a remarkable amount of mucus and bubbles formed rapidly. Additionally, the oil-covered coral began a stress response of removing some of its own internal gut filaments. The result of all this movement was that within two hours, all of the corals had removed the oil covering them. This oil floated off together with the coral's mucus. The skeletons however remained intact and full of oil. This was a truly amazing observation of the ability of these animals. Not only can they remove sediment that has landed on them, they have a powerful enough stress response to remove a thick coat of oil. Figure showing how well living corals can remove oil from themselves. On the left is the living coral, and on the right is just the skeleton. This experiment teaches us an important lesson in science: answers seldom come without creating more questions. We could see the removal of the oil, but still don’t know exactly which mechanisms within the corals are responsible for the reaction. We have an idea that it may be an interaction between the mucous production, the movement of flagella around the mount, and other actions, but this needs to be further investigated. We can’t always predict what will happen. Although some experiments have been done previously to measure the potential impact of oil spills, much research is still needed to understand the bigger picture. Moments of crisis demand a lot of knowledge, which means research needs to be done sooner rather than later. With further research, we can make better policy decisions and hopefully prevent further disasters from happening. The value of traditional experimentation must be recognized in this time as well, as they can often provide more information than theoretical models alone. Corals are incredible animals that have learned survival skills from millennia of evolution. Until now, oil hasn’t seemed to cause much direct harm to corals, but non-direct harm could still be caused through some yet unknown cascade effect. One clear threat to corals is climate change, as we saw in 2019. In 2020 other regions from the Northeast showed bleaching events and high mortality. The South Atlantic is a refuge for our special fauna, but with all the increasing attacks on them, it is becoming harder to defend themselves, even with their surprising arsenal of tricks. The crime of the oil spill that reached the Brazilian coast, and the magnitude of it ( 3000 km of coastline!) was an example of what can occur when the political powers don’t act fast or accurately, and the communication among scientists and policy managers is inefficient. Few actions were taken based on previous knowledge about oceanographic factors. If the damage was controlled, it was through the action of volunteers, traditional communities, and local organizations. The true impacts of the oil spill will remain a mystery for years to come. It was only one chapter from a series of disasters that are still to come. R eferences and suggested reading: https://www.oeco.org.br/noticias/oleo-atinge-apa-costa-dos-corais-maior-reserva-marinha-federal-do-brasil/ https://www.residenciais.org/2020/01/oleo-no-nordeste-expedicao-revela-impacto-invisivel-nos-recifes-de-corais/ https://ufal.br/ufal/noticias/2019/12/expedicao-nao-registra-mortalidade-de-corais-relacionada-ao-oleo Santos HF, Santos LFA, Jesus HE, Lacerda CHF, Mies M. In Press. The South Atlantic coral Mussismilia harttii actively and quickly removes heavy crude oil from its surface. Bulletin of Marine Science. https://doi.org/10.5343/bms.2020.0017 . About the author: An ever-learning biologist that graduated from the University of São Paulo. I have experience in marine invertebrate zoology, ecology of consolidated substrates, environmental education, and aquaculture. I am currently a master’s degree student at the Federal University of Southern Bahia, where I integrate the Research and Outreach Nucleus on Environmental Education (NUPPEA/UFSB). My project involves environmental education in conservation units along the Costa do Descobrimento of Brazil. When I’m able to, I like to be caught by some waves (sometimes they win!) and learn about the thousand art forms of capoeira. I believe in the urgency to change habits and that we can only build our future collectively. With all folks. #OilInTheNortheast #OilSpill #Corals #Bleaching #MarineScience #LeandroSantos #JoanaHo

  • XVI Semana Temática de Oceanografia

    Entre 30 de agosto e 3 de setembro de 2021, foi realizada a XVI Semana Temática de Oceanografia (STO), em formato totalmente virtual. Este evento é organizado todos os anos por alunos do curso de graduação em Oceanografia do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Em 2021, o tema da STO foi “ Explorando a interface terra-mar .” Divulgação da mesa-redonda “Aproximação da sociedade à academia” da XVI STO. O Bate-Papo com Netuno marcou presença na XVI STO na mesa redonda realizada no dia 1º de setembro: Aproximação da sociedade à academia. Estavam presentes nesta discussão Roberta Quintino (Educa Ciência), Dra. Carla Elliff (Bate-papo com Netuno) e Profa. Dra. Camila Signori (MicrOcean Lab /EAmar/Presidente CCEx). Durante a mesa, as palestrantes apresentaram diversos exemplos de como divulgar as ciências do mar, tanto em formatos presenciais quanto virtuais. Confira abaixo a discussão completa: A programação completa da XVI STO está disponível no canal do YouTube do evento e pode ser acessada aqui . #NetuniandoPorAí #CarlaElliff #STO #DivulgaçãoCientífica

  • Oceanografia no gelo

    Por Katyanne M. Shoemaker Traduzido por Carla Elliff *este post foi publicado originalmente em inglês em 26 de agosto de 2021 Ilustração de Joana Ho A primeira vez que vi gelo marinho, pensei que fosse uma miragem. Ao nos aproximarmos do gelo no navio de pesquisa alemão Polarstern , outros cientistas que já haviam feito pesquisa no Ártico começaram a apontar para o gelo marinho lá longe. Parecia uma nuvem baixa, pairando sobre o oceano. Porém, à medida que avançávamos, eu me dei conta que o primeiro pedaço de gelo à distância era como uma península, aflorando de um imenso reino de água congelada, e nós estávamos indo direto para lá. Nosso navio era um quebra-gelo com fundo duplo, que abriu seu caminho com facilidade através da zona de gelo marginal fina e dos pedaços quebrados de gelo. Depois de algumas horas de navegação, o gelo se tornou mais espesso e você conseguia sentir o navio se movendo um pouco mais lentamente, mas gelo de 1 metro de espessura ainda não era um desafio para esse navio. No nosso segundo dia no gelo, chegamos a áreas ainda mais espessas, mas o navio persistiu, frequentemente precisando abrir uma distância para bater com tudo no gelo mais espesso (3 ou mais metros) múltiplas vezes para quebrá-lo. Por vezes o navio inteiro pendia para um lado e permanecia assim por vários minutos, transformando um corredor normal em uma encosta de morro a ser escalada. Apesar disso ser levemente irritante (possivelmente mais por causa do enjoo) e causar dificuldades para uma boa noite de sono, a vida no navio continuava normal nessas operações de pegar distância e bater com tudo no gelo. Afinal de contas, os laboratórios precisavam ser montados e ciência precisava ser feita! A) A plataforma de gelo apareceu como uma faixa branca reluzente no horizonte ao nos aproximarmos. B) Foi fácil o navio abrir caminho pela zona de gelo marginal, já que se tratava de gelo pouco compactado e era razoavelmente fino. C) À medida que o navio se movia mais ao norte pela plataforma de gelo, este foi se tornando mais espesso e duro de quebrar. Fotos de Katyanne Shoemaker, licença CC BY 4.0 E por que todo esse esforço? Por que estávamos tentando forçar nossa entrada nessa plataforma de gelo? Bom, tudo isso fazia parte da Expedição MOSAiC ( Multidisciplinary drifting Observatory for the Study of Arctic Climate , ou Observatório flutuante Multidisciplinar para o Estudo do Clima Ártico em tradução livre) de um ano de duração. Detalhes da minha experiência até esta viagem já foram contadas aqui . O objetivo dessa expedição era estudar um bloco estável de gelo por um ano inteiro. Isso foi feito deixando que o navio ficasse congelado no gelo durante o outono, durante a época de congelamento, de modo a derivar junto à plataforma de gelo pelo pólo norte durante o inverno e primavera, eventualmente derretendo no verão em algum lugar (se tudo der certo) no Estreito de Fram. A circulação do oceano e correntes de vento são forças constantemente em ação sobre o gelo, empurrando grandes parcelas pelo Oceano Ártico. Em setembro de 2019, quando o Polarstern entrou no gelo, um time de oceanógrafos físicos, físicos de gelo marinho e modeladores selecionaram com muito cuidado um pedaço de gelo para chamar de lar, nosso floe . Mapa do caminho derivado durante a expedição MOSAiC. O quebra-gelo alemão Polarstern derivou com o gelo Ártico por quase um ano inteiro, abandonando o flow em junho apenas para trocar os passageiros e receber novos estoques de suprimentos em Svalbard. Crédito da foto: Matthew Shuppe, licença CC BY 4.0 O “M” de MOSAiC quer dizer Multidisciplinar e essa expedição com certeza o era. Equipes de cientistas trabalhavam juntos para planejar locais de amostragem, perfurar o gelo de metros de espessura para lançar equipamentos e realizar amostragens intensas. Físicos de gelo marinho faziam caminhadas regulares ao longo de transectos no floe para medir a espessura do gelo, profundidade da neve e outras inúmeras variáveis. Balões gigantescos de hélio eram presas com um cabo no gelo e carregavam equipamento nas alturas, entre as nuvens, para medir condições atmosféricas. Água do mar e zooplâncton eram coletados pelo lado do navio usando guinchos para enviar equipamentos milhares de metros para baixo. Havia até um Veículo Operado Remotamente ( Remotely Operated Vehicle, ROV) que era capaz de realizar medidas e coletar amostras (incluindo zooplâncton para minha pesquisa) diretamente do gelo marinho. O ROV, chamado de Beast, sendo preparado para um mergulho abaixo do gelo marinho (esquerda). O ROV estava preso a um cabo laranja que carregava informação aos controladores localizados numa pequena tenda no gelo. Neste lançamento, o Beast puxou atrás dele uma rede de zooplâncton, que foi removida aqui pelo meu colega de laboratório (direita). Crédito da foto: Katyanne Shoemaker, licença CC BY 4.0 Ao longo de todo o frio (chegando a -35 °C) e escuro inverno, cientistas trabalharam neste floe de gelo coletando amostras do gelo, oceano e atmosfera. Para minha sorte, meu papel nesta expedição ocorreu durante o verão, quando o Ártico recebe luz solar por 24 horas seguidas e as temperaturas ficam próximas ao limite congelante (geralmente -2 – +2 °C). Nessas temperaturas relativamente amenas, o gelo pode derreter rapidamente na superfície ou abaixo dela. Quando gelo superficial derrete é possível ver lindas poças azuis de água doce ( meltponds ), que eventualmente derretem até chegarem na água do mar abaixo, onde se misturam. O gelo também derrete no lado de baixo à medida que a luz retorna e as temperaturas aumentam na primavera. Este derretimento de água traz consigo organismos microscópicos que estavam presos no gelo quando ele se formou, incluindo algas do gelo fotossintetizantes. Uma vez liberadas de volta para o oceano, essas algas do gelo podem aproveitar dos nutrientes e luz solar e causar uma floração de fitoplâncton. Vista de um helicóptero da plataforma de gelo e navio mostrando os vários tons de azul. As áreas azul claras no gelo são poças de água derretida. À medida que as poças se tornam mais profundas, elas podem derreter até chegar na água no mar abaixo do gelo. Crédito da foto: Katyanne Shoemaker, licença CC BY 4.0 Essa transição para um período de florações era exatamente o que eu estava interessada em capturar. Florações de fitoplâncton no oceano normalmente tem um efeito cascata, causando explosões de vida ao longo da cadeia alimentar. Meu projeto na Expedição MOSAiC tratou de observar do que o zooplâncton no Ártico se alimentava e eu estava particularmente interessada em ver se ele se alimentava das algas do gelo diretamente ou se esperavam até que estas eram liberadas para o oceano. O zooplâncton no Ártico ocorre em diferentes tamanhos, desde microplâncton unicelular até águas-vivas, pterópodes e krill que você pode segurar com as mãos. Meu interesse principal era nos copépodos, que são altamente abundantes no oceano mas fundamentais na teia trófica do Ártico. A diversidade abundante debaixo do gelo! O conteúdo das redes de zooplâncton mostra várias espécies e estágios de vida de copépodes e outros organismos do zooplâncton. O copépode laranja grande na porção central inferior é o Paraeuchaeta, as formas ovais vermelhas que nadam rápido são ostracodes, e os organismos com longas antenas vermelhas são copépodes Calanus. Centenas de horas foram gastas no mar triando estes animais para experimentos, fotografias e preservação para análises laboratoriais. Crédito do vídeo: Katyanne Shoemaker, licença CC BY 4.0 Diferentes espécies de copépodes têm diferentes estratégias de vida. Alguns, como o azul e brilhante Metridia , estão ativos o ano inteiro e comem qualquer coisa disponível para eles, incluindo fito- e zooplâncton e partículas de matéria morta que estejam afundando. Outros aparentam ser exclusivamente carnívoros, como o grande Paraeuchaeta. O grupo mais abundante de copépodes que eu vi no Ártico foi de longe os copépodes Calanus , que tipicamente têm sido considerados herbívoros mas também se aproveitam de presas animais menores quando disponíveis. Os copépodes Calanus se esbaldam nas águas superficiais de verão repletas de fitoplâncton e criam estoques de gordura em um saco lipídico . Essa gordura ajuda os copépodes a sobreviver ao longo inverno em um estado parecido com uma hibernação, conhecido como diapausa . A gordura (ácidos graxos ômega-3, iguais ao de suplementos de óleo de peixe) também são super apetitosos para praticamente tudo que vive em volta dos copépodes e, por isso, eles tendem a estar no menu para muitas espécies de baleias no Ártico e para o bacalhau polar. A temporada de derretimento de verão no Ártico traz consigo luz e alimento! Essas imagens mostram o desenvolvimento da cor verde no trato digestório dos copépodes Calanus, indicando uma mudança no tipo e abundância do seu alimento. O saco de óleo dentro desses animais também cresce à medida que os copépodes se alimentam para estocar energia para o inverno seguinte. Crédito da foto: Katyanne Shoemaker, licença CC BY 4.0 Já que ser capaz de se alimentar e estocar lipídios é tão importante para copépodes, suas vidas estão delicadamente ligadas aos ritmos sazonais de luz solar e derretimento de gelo. Algumas espécies de copépodes só começam a se reproduzir quando há abundância de alimento para garantir a sobrevivência de um maior número de sua prole. Outras espécies põem ovos antes do período de floração, na expectativa que haverá alimento suficiente quando seus bebês copépodes (chamados nauplii ) atingirem a idade de se alimentar. O foco da minha pesquisa foi entender qual sua alimentação naquele momento, considerando o que estava disponível nas águas ao redor e o timing da sua atividade alimentar. Este estudo dará uma base para outras pistas sobre alimentação atual na região central do Ártico. Não podemos prever no momento se ou como esses padrões sazonais podem ser perturbados com um ecossistema mais quente. O que sabemos é que as regiões polares estão sentindo as mudanças climáticas de maneira mais drástica que qualquer outro local na Terra. Como alterações na taxa e início da temporada de derretimento de gelo vai afetar padrões sazonais de organismos que dependem do gelo marinho? Apenas o tempo dirá qual o futuro do ecossistema do Ártico. Para saber mais sobre como as mudanças climáticas estão afetando as regiões polares, acesse: https://worldoceanreview.com/en/wor-6/climate-change-impacts-in-the-polar-regions/ Para mais informações sobre a Expedição MOSAiC, incluindo posts no blog da equipe ao longo de um ano no mar, visite: https://mosaic-expedition.org/ #CiênciasDoMar #Ártico #PesquisaPolar #Oceanografia #BiologiaMarinha #Copépode #Zooplâncton #MOSAiC #MOSAiCExpedition #MudançasClimáticas #GeloMarinho #Gelo #KatyanneShoemaker

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