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  • Tiradas do Netuno #3

    Muitas pessoas não sabem, mas a maioria dos peixes que habita o oceano libera suas células reprodutoras (ovócitos e espermatozoides) na água onde ocorre a fertilização, formando os ovos. Peixes como sardinhas, garoupas, bijupirás e atuns apresentam essa estratégia e são capazes de produzir milhões de ovos. Ao fim do desenvolvimento do embrião, após 24 horas (mais ou menos, dependendo da espécie), acontece o nascimento (eclosão) de uma pequena larva. Mesmo com a capacidade natatória ainda em desenvolvimento, essa pequenina larva enfrentará diversos desafios, como se manter em um ambiente agradável, encontrar alimento e não ser predada. Apenas 1% delas atingirão a vida adulta. Clique aqui e saiba mais sobre a vida “dura” de um peixe marinho bebê. Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #mundosoceanicos #ictioplâncton #peixes #larvas #gilbertojunior

  • Tiradas do Netuno #4

    Enquanto em terra nós comemoramos o Natal, nos oceanos temos a chegada do fenômeno El Niño. O nome desse fenômeno climático vem justamente em homenagem ao menino Jesus, já que as datas coincidem. Quer saber mais sobre este fenômeno que tem tanto impacto sobre a pesca e o clima em nosso planeta? É só ver nosso Descomplicando sobre El Niño, clicando aqui . Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #elnino #elniño

  • Tiradas do Netuno #5

    O desejo dessa tartaruguinha é o mesmo de toda a equipe do Bate-papo com Netuno. Como não temos um gênio da lâmpada para realizar nosso desejo, tentamos fazer nossa parte divulgando dados e informações sobre esse vilão do oceano. Assim sendo, foi impossível escolher um único post para compartilhar junto com essa tirinha e, portanto, fizemos uma pequena coletânea sobre o assunto. Se informe, não seja enganado por frases do tipo: “mas plástico é reciclável” ou “esse pode usar, é biodegradável”! Vamos reduzir o consumo e evitar o uso único do plástico sempre que possível! Aqui no Bate Papo com Netuno nós já compartilhamos diversos conteúdos sobre o tema plásticos no meio ambiente. Quer saber um pouco mais sobre o tema? Clique aqui . Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #plasticos #lixomarinho #poluiçãomarinha

  • Tiradas do Netuno #6

    A ficção científica às vezes é menos impressionante que a realidade, especialmente quando pensamos na vida marinha! Para sobreviver em um ambiente tão diferente da nossa terra firme, diversos organismos marinhos desenvolveram estratégias incríveis. Apesar disso resultar em sobreviventes muito eficientes, muitos deles são mais reconhecidos como verdadeiros “monstros marinhos”. Perfeitos exemplos para inspirar a sétima arte... Nós já escrevemos dois posts sobre essas inspirações marinhas. Divirta-se: Festa das Bruxas no Oceano 10 animais marinhos que inspiraram os Pokémons Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #inspiração #monstros #ficçãocientífica

  • Tiradas do Netuno #8

    De modo geral, os vírus são comumente associados a situações ruins nas nossas vidas, a mal estar e doenças (perigosas ou não). Mas nos oceanos, os vírus têm um papel muito importante. Você sabia que nem sempre o vírus é um vilão? Leia nosso post sobre o assunto aqui . Criação da tirinha: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #vírus #vírusnooceano #alçamicrobiana #bactérias #biologiamarinha #ciênciasdomar #catarinarmarcolin

  • Tiradas do Netuno #7

    Mar & Covid-19 Hora de inspirar, expirar e não pirar. Logo logo isso vai passar... Criação: Gilberto do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #fiqueemcasa #quarentena #covid19 #coronavirus #tiradasdonetuno #gilbertojunior

  • Análise dos programas de governo dos presidenciáveis Bolsonaro e Haddad: MEIO AMBIENTE

    Por Rafael Van Erven Ludolf e Renata Maciel Ribeiro Análise do programa de governo do candidato Jair Bolsonaro : 1) Não consta as palavras-chaves: ecologia, ecológico, sustentabilidade, conservação, preservação, sustentabilidade ambiental, desenvolvimento sustentável, direito dos animais, animais. Consta a palavra-chave: sustentável, uma única vez, na página 68; 2) Nada consta sobre o maior desafio do planeta: o desenvolvimento sustentável; 3) Nada consta sobre sustentabilidade ambiental, proteção e preservação da flora, fauna, água, ar, terra; 4) Nada consta sobre direitos dos animais; 5) Consta proposta de enfraquecer o licenciamento ambiental para que as hidrelétricas sejam instaladas, na página 71; 6) Consta proposta sobre uma "Nova Estrutura Federal Agropecuária" e é citado o termo Desenvolvimento Rural Sustentável, mas sem contextualizar ou detalhar. 7) Consta superficialmente sobre a segurança no campo e a reforma agrária (que são as questões mais emergentes na Amazônia em relação ao desmatamento e conflitos no campo). Aponta estas questões como “grandes demandas” mas não discute potenciais soluções (página 69); 8 ) Consta superficialmente sobre a geração de energias limpas (eólica e solar), na página 49; 9) Nada consta sobre as mudanças climáticas, emissão de gases de efeito estufa, intensificação da produção agropecuária, resgate de carbono, incentivo a agricultura familiar; 10) Nada consta sobre a regularização fundiária. E, visto que a expansão do arco do desmatamento se dá, majoritariamente, pela posse de terras ilegais, e ainda, que vale 200 vezes mais derrubar a floresta em uma área ilegal do que mantê-la em pé para incentivo à atividades extrativistas, esta é também uma questão de significativa importância para o desenvolvimento sustentável. Conclusões : - A proposta do candidato Bolsonaro vai na contramão do desenvolvimento sustentável e da conservação do meio ambiente, representando um retrocesso às conquistas ambientais; - A proposta do candidato Bolsonaro enfatiza o desenvolvimento econômico sem harmonização com o ambiental, não podendo garantir a preservação do meio ambiente para a geração presente e futura; - A proposta do candidato Bolsonaro ignora emergentes questões ambientais, apesar de tocar superficialmente em algumas delas - conflito no campo, reforma agrária e produção de energia limpa; - Apesar de ausente no plano de governo, o discurso do candidato Bolsonaro corrobora com tais conclusões, pois defende a redução de terras indígenas, que são áreas protegidas por lei e contêm os maiores e mais preservados remanescentes florestais, abrindo espaço para a grilagem (posse de terras ilegalmente) e mais desmatamento. Análise do programa de governo do candidato Fernando Haddad : 1) Consta as palavras-chaves: agroecologia, ecológica, sustentabilidade, preservação, desenvolvimento sustentável, direitos dos animais, proteção e defesa dos animais; 2) Apesar de tratar a questão ecológica como uma questão transversal (página 47), esta precisa ser discutida em suas particularidades. Voltado à valorização do capital natural como bandeira socioeconômica e ambiental do Brasil, no entanto, sem o caráter exploratório e degradante visto até hoje. A proposta é garantir o desenvolvimento econômico sustentável, valorizando nossas potencialidades (recursos naturais) de forma economicamente justa e ambientalmente responsável; 3) Consta uma mudança de estrutura produtiva (sustentabilidade) com uma economia de baixo impacto e alto valor agregado (página 48) - conforme discutido pela pesquisadora Bertha Becker desde a década de 70; 4) Consta produção de energias limpas como uma potencialidade econômica e propõe o incentivo à produção de novas capacidades produtivas para que a energia limpa seja economicamente competitiva (página 49); 5) Consta mobilização de recursos para políticas de financiamento a projetos ambientais de empresas em parceria com universidades e institutos de pesquisa (fomento à conservação ambiental e pesquisa) (página 48); 6) Consta projetos de transporte limpo - diversificação de modais de transporte de cargas e passageiros (construção de ferrovias e hidrovias) (página 49); 7) Consta sobre a água - revitalização de bacias, despoluição de rios retomada à Política de Saneamento Ambiental Integrado (página 50); 8 ) Quando trata de política ecológica no campo realça a diluição da dicotomia campo-cidade e a importância de estender ao campo as políticas de saneamento, saúde, educação, cultura (página 55); 9) Consta política de segurança alimentar - propõe a instituição de programa de redução de agrotóxicos redigido de acordo com as recomendações da FAO. Incentivo de produção integrada e minimização do uso de agrotóxicos e pesticidas (página 55); 10) Consta atualização e ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) com o objetivo de de fortalecer a agricultura familiar pela compra de alimentos de pequenos produtores para abastecimento de hospitais e escolas (página 56); 11) Consta sobre o agronegócio - reconhece sua importante participação na economia nacional e propõe a regulação da atividade para mitigar danos socioambientais e impedir o avanço do desmatamento a partir de correções de permissividades legais (página 56); 12) Consta sobre reforma agrária - propõe o fortalecimento da agricultura familiar visando estimular a ruralização voluntária, em contraposição à urbanização forçada que, por consequência, gera o aumento da violência nos centros urbanos. E ainda, a criação de novo imposto territorial rural com o objetivo de desestimular a acumulação de terras improdutivas para a especulação imobiliária (principal causa de desmatamento na Amazônia). Além disso, propõe a regularização fundiária dos territórios tradicionais e o reconhecimento e demarcação das terras indígenas como meio de preservação da biodiversidade cultural e ecológica (página 56); 13) Consta a proteção dos animais - discute que os aparatos legais não têm sido suficientes para garantir a proteção dos animais, com isso, propõe a construção de políticas públicas nacionais de proteção e defesa dos animais voltada principalmente a área da educação (página 58); 14) Consta a retomada da implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, incorporando princípios da economia circular, para promover o manejo adequado e a redução de resíduos. Conclusões : - A proposta do candidato Haddad discute importantes pontos de debates ambientais, apesar de não se aprofundar muito em vários destes pontos. Admite a educação ambiental como uma temática transversal (página 59) e, de modo geral, defende o fortalecimento dos órgãos de fiscalização e gestão de recursos, parcerias internacionais para redução de emissões, alianças para apoio em desastres naturais e aplicação mais rígida das legislações ambientais e políticas de comando e controle do desmatamento (página 58 e 59). - Ciente da emergência das questões agrárias no Brasil, propõe o fortalecimento da agricultura familiar, regularização fundiária (página 56) e fortalecimento dos dispositivos legais e órgãos de fiscalização (página 58) para o combate do desmatamento na região do arco de desmatamento. Fontes : Plano de Governo do candidato Jair Bolsonaro: http://divulgacandcontas.tse.jus.br/…/proposta_153428463223… Plano de Governo do candidato Fernando Haddad: http://www.pt.org.br/…/plano-de-governo_haddad-13_capas-1.p… Sobre os autores : Rafael Van Erven Ludolf é advogado, pós-graduado em direito do consumidor e responsabilidade civil e mestrando em sistemas de gestão com foco na sustentabilidade ativista pelos direitos dos animais. Renata Maciel Ribeiro é cientista ambiental e mestre em sensoriamento remoto com foco em estudos de desmatamento e ocupações humanas na Amazônia brasileira. #querodebate #ciênciasambientais #desenvolvimentosustentável #meioambiente #planodegoverno #políticaambientl #presidenciáveis #RafaelVanErvenLudolf #RenataMacielRibeiro #convidados #ciênciasdomar

  • Mulheres em eventos científicos: por que estamos falando sobre isso?

    Por Juliana Leonel Ilustração: Caia Colla O Gordon Research Conference (GRC) é um grupo de aproximadamente 200 conferências de alto prestígio internacional coordenado por uma organização sem fins lucrativos com o mesmo nome. Os tópicos das conferências cobrem as mais diversas áreas da ciência. Durante esse eventos pesquisadores de várias partes do mundo se reúnem para discutir os assuntos mais recentes e as últimas descobertas científicas de um determinado campo científico. No final de julho ocorreu o GCR de Geoquímica Orgânica na cidade de Holderness nos EUA.  O GRC - Geoquímica Orgânica ocorre a cada 2 anos e é a terceira vez que tive a oportunidade de participar deste evento, o que me deixou muito feliz. Mas o que esse ano teve de tão especial comparado aos anos anteriores? Foi o evento que mais houve participação de representantes das universidades brasileiras. E mais que isso, todas mulheres! Foram seis oceanógrafas brasileiras de quatro instituições diferentes (UFSC, UFBA, UFPR e PUC-RJ) de três regiões distintas do Brasil. E isso não foi notado só por mim ou minhas colegas, foi notado por várias pessoas que vieram salientar como a participação brasileira estava aumentando e, alguns destacaram também o fato de serem todas mulheres. Algumas pessoas chegaram até a comentar que o Brasil devia ser um país onde há grande incentivo para mulheres seguirem a carreira científica... infelizmente, essa parte tivemos que explicar que não era bem assim.  Entre as muitas atividades que compõem o evento houve um momento para pensarmos e discutirmos sobre a diversidade de gênero no evento e na geoquímica orgânica, e como poderíamos aumentar a igualdade de participação. Nesse momento foi possível perceber que embora as oportunidades e incentivos para pesquisa sejam maiores em países da América do Norte e da Europa do que no nosso país, no quesito incentivo e participação da mulher na ciência não somos muito diferentes. Na conferência mesmo, havia um número maior de homens participantes e, principalmente de palestrantes. E, da mesma forma como ocorre no Brasil, há mulheres e homens que negam que haja qualquer tipo de desequilíbrio nas participações.  Ao mesmo tempo que essas informações entristecem, é bom saber que há muitas pessoas conscientes do problema, dispostos a discutir e tomar atitudes para tentar mudar essa realidade. Mas como podemos mudar isso? Como podemos incentivar mais mulheres a participarem da ciência (principalmente de áreas como ciências da terra e ciências exatas)? Como aumentar a participação de mulheres em conferências, tanto como participantes ou palestrantes? Como aumentar o número de mulheres nos programas de pós-graduação, departamentos, institutos? O primeira passo talvez seja mostrar que mulheres também podem fazer pesquisa. Pode parecer bobagem, mas muita gente acha que isso é coisa só de homem. Depois precisamos incentivá-las! E esse incentivo deve ser feito em todas as faixas etárias, começando quando elas são novas e ainda estão a procura de exemplos, como é o caso da iniciativa Meninas com Ciência USP . Mas deve continuar também quando elas estão na graduação, na pós-graduação ou até mesmo jáinseridas no mercado de trabalho. Afinal, sempre surgem dúvidas e, em um ambiente que exalta homens e deixa as mulheres de lado, não é difícil surgirem questionamentos (haja autoestima e perseverança!). Um outro ponto importante, é dar visibilidade para essas mulheres, a regra quem não é vista não é lembrada se aplica aqui. Pesquisas mostram que homens têm maior facilidade em se auto indicar e/ou indicar os colegas para cargos, prêmios etc. E se nós fizermos o mesmo? Como fazer isso? Comece conhecendo as mulheres da sua universidade, instituto, departamento… quem são? O que fazem? Onde vivem? Do que se alimentam? Converse com elas, dividam histórias, dúvidas, alegrias e aflições de serem pesquisadorAs. Depois de conhecê-las será fácil de lembrá-las na hora de escolher/indicar uma representante, uma palestrante, um exemplo, etc.  Além disso, que tal começar a pedir que as comissões organizadoras dos eventos se preocupem em incentivar, aumentar e facilitar a participação feminina? Por exemplo, as comissões devem 1) refletir a diversidade que se espera em um evento científico (uma comissão formada por homens brancos de meia idade não vai saber quais são as necessidades do restante das pessoas); 2) determinar que haverá igualdade de gênero no número de palestrantes; 2) inserir em seus códigos de conduta ações para que as mulheres se sintam confortáveis e não sejam desrespeitadas durante a conferência (a propósito, as conferências que você participa tem código de conduta?); 3) orientar os revisores dos trabalhos submetidos a terem consciência das suas tendências ( olha que legal esse código que foi passado para os revisores do SciPy2018); 4) oferecer espaços de cuidado/recreação para as pessoas que levarem suas crianças; 5) oferecer um espaço adequado (atenção aqui, espaço adequado e não simplesmente um espaço!) para mães que precisam amamentar ou retirar leite (está em dúvida sobre o que é um espaço adequado, consulte as usuárias , há até mesmo um artigo discutindo isso) A participação de mulheres em eventos internacionais é super importante para o estabelecimento de parcerias e estudos de maior importância. Para fazer ciência de ponta, precisamos de interação internacional. E as possibilidade de interação aumentam enormemente se você estiver nesses eventos, bem como se você der uma palestra para outras pessoas do seu campo de atuação. Por isso mulheres, não esqueçam da sororidade (= união e aliança entre mulheres, baseada na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum)! Com ela somos mais fortes e vamos mais longe! #julianaleonel #caiacolla #eventoscientíficos #mulheresnaciência

  • XIII SEMBIO-UFBA

    Em setembro de 2018, nossa editora Gabrielle Souza participou da XIII Semana de Biologia da UFBA em Salvador- BA. A semana tinha como tema IBIO 50 anos: Perspectivas do Biólogo no século XXI. Gabrielle apresentou um trabalho intitulado “Descomplicando Netuno: aprimorando a comunicação entre a ciência e a sociedade”, que foi fruto da seção criada aqui no blog “Descomplicando Netuno”, enquanto a Gabrielle era bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq. Gabrielle Souza apresentando o pôster na XIII Sembio-UFBA em Salvador -BA. #netuniandoporai #cnpq #divulgacaocientifica #gabriellesouza

  • O oceano Pacífico está diminuindo?

    Por Jana M. del Favero Antes de responder essa pergunta, precisamos entender alguns conceitos e teorias. Então pegue um mapa-múndi e observe. Uma impressão que esse mapa nos passa é que os continentes estão ancorados de forma duradoura em um determinado ponto da superfície da Terra, certo? Mas, na verdade sabemos que eles estão “vagando” pelo mundo com o passar do tempo. No momento em que você lê esse post, o local no qual você se encontra está derivando lentamente e sem parar.  Observando novamente o mapa-múndi nota-se um impressionante quebra-cabeça formado pelas linhas de costa de ambos os lados do Oceano Atlântico, principalmente  as bordas opostas da África e da América do Sul. Isso sugere que se você combinar cuidadosamente as bordas de todos os continentes eles podem ser reagrupados em uma única massa de terra, como se um quebra cabeça fosse resolvido. Foi então, baseando-se em informações geológicas e paleontológicas (em fósseis) que o meteorologista alemão, Alfred Wegener, apresentou ao mundo em 1915 uma nova hipótese de compreensão da história da Terra: a deriva continental .  Segundo Wegener, entre 100 e 150 milhões de anos atrás essa única massa de terra, a Pangeia , se partiu e os pedaços, ou melhor, os continentes, se afastaram, abrindo novas bacias oceânicas entre eles (aqui vale fazer um parênteses pois, se existia um único supercontinente, também existia um único oceano, o Panthalassa ). Porém, diversos pesquisadores contestaram a afirmação de Wegener de que a crosta de granito dos continentes poderia “arar” seu trajeto pela crosta basáltica, mais densa, dos oceanos e alguns geofísicos afirmaram, com base em cálculos, que a deriva continental não era possível de ocorrer. Além disso, o próprio Wegener não conseguia explicar porque  os continentes derivaram. Assim, a teoria da deriva continental de Wegener foi ignorada por mais de meio século.  Com a posterior descoberta da cordilheira mesoceânica do Oceano Atlântico (Cordilheira Mesoatlântica), pôde-se notar a semelhança do seu recorte com o das bordas dos continentes às margens do Atlântico. Além disso, foi constatado que o assoalho do vale desta cordilheira é composto por basalto jovem recém-cristalizado. Assim, em meados dos anos 60, geólogos e geofísicos propuseram uma nova hipótese: o fundo oceânico novo e a crosta são criados continuamente!  Eles surgem a partir da  intrusão e extrusão de basalto na crista de todas as cordilheiras mesoceânicas. A crosta recém-formada se move lateralmente liberando espaço na crista das cordilheiras mesoceânicas para a formação da nova crosta basáltica. Este processo, chamado de espalhamento do assoalho oceânico , provoca a expansão das bacias oceânicas e, assim, os continentes de cada lado da bacia são movidos junto com o assoalho oceânico, explicando a deriva continental! A hipótese da deriva continental tornou-se parte de uma teoria maior, a teoria da tectônica de placas . Essa teoria foi formulada nos anos 60 e é baseada na ideia de que a superfície da Terra é dividida em uma série de placas com bordas definidas pela sismicidade, ou seja, frequência/número, magnitude/força e distribuição de terremotos. Essas placas, que também são conhecidas como  placas tectônicas ou placas litosféricas, são como finas panquecas, pois são de 10 a 50 vezes mais largas do que espessas.  Em todas as bacias oceânicas, algumas placas estão se separando nas cordilheiras mesoceânicas e formando um novo assoalho (conforme visto anteriormente esse processo é chamado de espalhamento do assoalho oceânico ).  Já outros pares de placas, principalmente nas bordas do Oceano Pacífico, estão sofrendo um processo chamado subducção : quando pares de placas colidem ativamente e uma placa “obriga” a outra a mergulhar para a astenosfera (segunda camada da Terra, logo abaixo da litosfera), onde se derrete e produz magma. Quando os continentes de duas diferentes placas se encontram em uma zona de subducção, eles colidem e esmagam os sedimentos marinhos que ficam entre os dois, erguendo-os e criando os grandes dobramentos montanhosos, como ocorre nas elevações do Himalaia.  Por fim, os limites das placas onde a litosfera não é criada e nem destruída são chamados falhas transformantes , e, neste casos, as placas apenas deslizam lateralmente uma pela outra. Agora estamos prontos para responder a pergunta inicial: o Pacífico está diminuindo? E a resposta é sim! Como há pouquíssimas zonas de subducção nos Oceanos Atlântico, Índico e Ártico, essas bacias estão se expandindo com passar do tempo, por causa do espalhamento do assoalho oceânico a partir de suas cordilheiras mesoceânicas. Por outro lado, nas bordas do Oceano Pacífico encontramos a maioria das zonas de subducção. Como as taxas de subducção são muito maiores do que as taxas de produção do assoalho nas cordilheiras mesoceânicas, pois existem mais regiões de espalhamento do que zonas de subducção, o resultado é o encolhimento do Oceano Pacífico em tempo geológico. Fonte:  Garrison, T. Essentials of oceanography. 5a edição. Brooks/Cole, Cengage Learning, 464 p.  Pinet, P.R. 2014. Invitation To Oceanography. 7a edição. Jones & Bartlett Learning. 662 p. #janamdelfavero #ciênciasdomar #assoalhooceânico #baciasoceânicas #derivacontinental #tectônicadeplacas

  • “Mulher não tem aptidão para determinado campo científico” e outros seres mitológicos do imaginário

    Por Veronica Slobodian Post original aqui . Ilustração: Joana Ho A Academia tem o costume de se achar diferente do restante dos agrupamentos humanos. Os acadêmicos se consideram gozar de um alto grau de questionamento, de maneira que não sucumbiriam às crendices populares e quaisquer tipos de argumentos que não sejam respaldados somente em fatos, dados empíricos, experimentos regulados. Entretanto, o ambiente acadêmico apresenta crendices populares, como qualquer outro agrupamento humano. Inclusive crendices com personagens dignos de criptozoologia ou folclore, com espécies lendárias, mitológicas e hipotéticas, as quais teriam sido avistadas por diversos acadêmicos ao longo de suas carreiras. Personagens como a “mulher não gosta de exatas”, a “mulher não tem aptidão para determinado campo científico”, a “mulher não serve para assumir posição de liderança”, dentre outros tantos. Essas são figuras folclóricas do ambiente acadêmico as quais estão arraigadas há tanto tempo no imaginário popular de seus membros, que muitos juram terem visto tais espécimes, argumentam até ter registros concretos de suas existências, e acabam passando os contos referentes a esses personagens através das gerações. Mas é isso que elas são: figuras folclóricas. E cada vez mais temos dados empíricos para argumentar este posicionamento. Na Ictiologia não era diferente. O ser mitológico mais famoso da ictiologia era a “mulher não gosta de trabalhar com peixes”. Os argumentos do folclore para a existência de tal personagem eram geralmente referentes ao “fato” de que a maioria das pessoas que decide trabalhar com peixes tem esta vontade derivada de terem pescado muito quando crianças. Esse ser mitológico também foi aventado como uma condição madura da espécie “menina não gosta de pescar”, afinal, pescaria é algo que os pais fazem com seus filhos. Que pai leva sua filha para pescar, não é mesmo? “Meninas não gostam de lago, grama ou peixes". Argumentam que por termos menos meninas pescadoras, seria natural termos menos mulheres trabalhando com peixes e, portanto, menos mulheres sendo convidadas a palestrar em congressos de peixes. De maneira a sairmos do ambiente folclórico, e trabalharmos com dados concretos (afinal, cientista gosta de dados, não é mesmo?), iniciamos uma pesquisa sobre o perfil de gênero na ictiologia. Há um grande desbalanço de gênero na ictiologia brasileira? Se sim, quais fatores podem levar a tal? O estopim para tal pesquisa foi observar que nos últimos congressos ictiológicos brasileiros o número de palestrantes mulheres era muito inferior ao de homens, compreendendo de 21–32% (em média 25,8%) na última década. E para tal fato muitas hipóteses foram traçadas ao longo do tempo, que pudessem explicar e justificar tais números. Claro, se o ser mitológico de “mulher não gosta de trabalhar com peixes” realmente existisse, e devesse ser descrito pela ciência, provavelmente a porcentagem de mulheres na Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI) deveria ser semelhante à de mulheres palestrantes. Para a surpresa de muitos, encontramos que as mulheres compreendem 40% da SBI. Então aventamos que provavelmente o ser mitológico não era necessariamente a “mulher não gosta de trabalhar com peixes”, mas “mulher não gosta de trabalhar com sistemática e taxonomia de peixes”, de maneira que há muito menos mulheres formadas na área que homens. Para tal, levantamos os dados de mestrados e doutorados em sistemática e taxonomia de peixes nos últimos anos, e obtivemos que as mulheres são 43% de tais formações. Posteriormente, a dúvida que surgiu é se o ser mitológico não seria “mulher publica menos, por isso é menos convidada a palestrar”. E num levantamento de 2003–2017 na revista Neotropical Ichthyology encontramos que as mulheres são primeiras autoras em 39% dos artigos, em média. Dessa forma, acabamos por executar algumas lendas do folclore acadêmico: “mulher não gosta de trabalhar com peixes”, “mulher não gosta de trabalhar com sistemática e taxonomia de peixes” e “mulher publica menos, por isso é menos convidada a palestrar”. Entretanto, matar as lendas não as tira do imaginário popular. E, muito menos, explica como elas vieram a existir. Talvez essa seja uma pergunta que nunca será respondida propriamente, ao menos não ao rigor que nós, acadêmicos e acadêmicas, gostaríamos que tivesse. Portanto, nossa intenção com tal trabalho não foi apenas de matar as lendas, mas de despertar a conscientização sobre o assunto da desigualdade de gênero na participação e representatividade das mulheres na ictiologia brasileira. Admitimos que tal desigualdade existe e ela é fruto de seres mitológicos que, apesar de muito arraigados na crendice popular, não têm dados empíricos para justificar sua descrição formal. Ao admitirmos, podemos pensar então em estratégias para enterrar propriamente esses personagens, e dar lugar às personagens reais, às mulheres fortes e grandes cientistas que compõem a ictiologia brasileira. Sobre a autora: Veronica Slobodian é coordenadora do projeto de levantamento da participação e representatividade de mulheres na ictiologia brasileira. Entretanto, todo o trabalho citado foi feito e/ou corroborado por mais de 50 pesquisadoras, de todo o Brasil, que assinam o projeto em andamento. #mulheresnaciência #ictiologia #repost #veronicaslobodian #joanaho #convidados

  • Os desafios para chegar até aqui

    Por Yonara Garcia Ilustração: Caia Colla   Terminando de escrever minha dissertação comecei a refletir sobre todos os desafios pelos quais eu passei no decorrer dos dois anos do mestrado para eu poder entregar esse trabalho redondinho, como se tudo tivesse sido perfeito e fácil de concluir. É uma mistura de sentimentos, pois ao passo que fiquei feliz por ter conseguido concluir mais uma etapa, percebi que esse documento não contava nem um terço de todas as desventuras que ocorreram. Na minha opinião, um dos capítulos da dissertação deveria ser um making-of da pesquisa, só pra contar tudo que deu errado e que você teve que resolver para entregar um bom trabalho. Para ingressar no mestrado é necessário que, no dia da matrícula, você entregue uma Plano de Mestrado contando qual será o objetivo de sua pesquisa, qual a hipótese e o que você pretende fazer para responder essa hipótese. Nossa, até aqui foi fácil, é simples! Basta você seguir o método descrito que daí os resultados serão tratados, você discute com base em muita bibliografia estudada sobre o assunto e pronto. Em dois anos é tranquilo terminar isso. Quem dera! Pelo menos no meu caso não foi assim…Então vou contar um pouquinho pra vocês das desventuras que ocorreram durante o meu mestrado. Meu trabalho de mestrado consistia, basicamente, em um estudo comportamental de determinados organismos do plâncton marinho por meio de filmagens em um sistema óptico tridimensional. Para construir esse sistema, eu e mais uma equipe de alunos da pós que também usariam esse sistema nos reunimos e, com base em estudos anteriores, fizemos o sistema preliminar, achando que já daria certo. Foi aí que a novela começou. Com os primeiros sistemas, percebemos alguns itens que não estavam legais como aumento, a cor do LED e a forma como o sistema estava disposto sobre a mesa. Então desmontamos o sistema e montamos outro sistema com as alterações necessárias. Essa última frase pode ser repetida mais 3 vezes, pois a cada nova montagem notávamos defeitos e tínhamos que repensar uma nova configuração do sistema. Até que depois de muitos arranjos e rearranjos e com a ajuda de pesquisadores especialistas nesta parte óptica, conseguimos chegar no sistema definitivo. Nossa, até aqui já se foram alguns meses. Enfim consegui fazer meus primeiros experimentos. Agora sim, é gerar os resultados e partir para o abraço. Infelizmente, não. Nesta etapa do trabalho eu precisaria filmar as trajetórias que o meu organismo-alvo realizava na coluna de água. O software que tínhamos para que as duas câmeras filmassem ao mesmo tempo travava após 20 segundos de filmagem, o que não era muito representativo para mim. Achamos que era memória do computador, mas mesmo trocando para um computador mais turbinado o software apresentava o mesmo defeito. E agora? Para nossa sorte, nosso laboratório conta com um aluno da ciência da computação que desempenha um trabalho formidável. Para esse problema das filmagens nós trocamos o programa e começamos a utilizar um software que ele desenvolveu. Apesar de não limitar o tempo, esse software não disparava as duas câmeras ao mesmo tempo, então tivemos que utilizar dois computadores. Mas isso era passível de falha humana, pois mesmo que eu tentasse, não conseguia clicar com o mouse ao mesmo tempo nos dois computadores. A solução que encontramos foi utilizar dois microcontroladores que eram disparados por um potenciômetro e então as duas câmeras começavam a gravar ao mesmo tempo. Em meio a todos os testes que íamos fazendo o programa ia sendo modificando de acordo com as nossas demandas. Mais um problema resolvido! Agora sim é partir para os experimentos. Mas o desafio de trabalhar com organismos vivos é que você depende que o mesmo esteja presente no ponto da coleta. Para meu trabalho, infelizmente, esses ajustes foram concluídos em uma época em que não tinha tantos exemplares para que eu pudesse realizar os meus experimentos. Enquanto isso o jeito era fazer coletas diárias, até que o organismo surgisse e, então, realizar os experimentos. Até aqui vários meses já se passaram, mas eu consegui realizar os experimentos. Após as filmagens, os vídeos eram tratados por meio de um programa que nos dava como resultado final a trajetória realizada pelo organismo (além das coordenadas e dados numéricos relevantes para o estudo). Mas como esse texto é para relatar as desventuras que aconteceram, você já pode imaginar que alguma coisa aqui também deu errado. Pois bem, o programa que me forneceria as trajetórias do organismo não comportava vídeos tão longos quanto os nossos. Então mais uma vez fomos atrás de nosso “amigo-luz” e ele desenvolveu um software que nos daria a trajetória dos organismos, independente do tamanho do vídeo. Talvez aqui você esteja achando que é fácil desenvolver um programa, mas não é! Ele desenvolve para o objetivo que precisamos, nós testamos, verificamos o que precisa implementar, o que precisa mudar, e por aí vai, até chegarmos no ponto que precisamos e que talvez para outro trabalho ainda esteja sujeito a alterações. Mais um problema resolvido! Agora sim, tratar os dados e analisar os resultados. Não que esta etapa seja fácil, mas olha quanta coisa foi feita além do que estava escrito no Plano de Mestrado inicial (isso porque contei resumidamente!). Eu não esperava me deparar com tantos desafios. Sabia que não seria trivial, mas também não esperava que nesse período eu tivesse que resolver tanta coisa. Para o mestrado eu precisei ser mais que uma bióloga...aprendi a soldar, fazer ligações elétricas, entender de física, ser técnica de computador, entender um pouquinho de programação e tudo o que foi necessário para que meu trabalho saísse. Além de tudo o que vai acontecendo, todos os obstáculos da pesquisa, você ainda tem que lidar com sua vida pessoal. Essa parte é complicada! Muitas vezes, por problemas pessoais me senti empacada diante de um monte de coisas pra resolver. Não importa o tamanho do problema, sei que muitos passaram por coisas piores no decorrer de sua pesquisa, mas sendo ela pequena ou grande, é algo que mexe com você e te faz sentir incapaz de avançar (Veja como exemplo nosso post, O que aprendi sobre saúde mental na pós-graduação ). Bem, mas apesar de tudo o que foi contado aqui, eu cheguei ao final do mestrado com o sentimento de dever cumprido. Para mim, é muito importante compartilhar com vocês todas as minhas desventuras, pois mostra o que envolve fazer uma pesquisa...são muitas tentativas, erros e acertos, para no final publicarmos um trabalho lindo, impecável e redondinho. Mesmo com toda a pressão e obstáculos que tive que passar, eu amo o que eu faço e a cada dia tenho mais certeza que fiz a escolha certa, apesar de todos os desafios para chegar até aqui! E você, qual foi o desafio que você teve que enfrentar na sua pesquisa? Compartilhe com a gente um pouquinho de sua história! #vidadecientista #yonaragarcia #pesquisa #pósgraduação

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