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  • Floating algae: Transportation for marine invertebrates

    By Izadora Mattielo English edit: Lidia Paes Leme and Katyanne M. Shoemaker A study in the Chilean Patagonia... During college, I did a summer internship in Chile with a professor of marine ecology. A month before the trip I met up the professor at a meeting in Brazil, where we discussed my project. The project would be concentrated on studying “floating algae.” What? Yeah, he wanted me to get on a boat and hunt for algae that were floating in the middle of the ocean, in order to analyze the accompanying fauna. Hmmm…OK, and? The professor explained that these algae were detached because of strong marine currents, storms, and winds, and they were now drifting on the surface, a term called rafting. Along with the algae, some fauna would likely be attached, sheltered in between the leaves. Most of these companion fauna are marine invertebrates with no larval phase. Without a planktonic larval phase, many invertebrates have a limited distance they can move on their own. By hitching a ride on these floating algae, the algae become a mechanism for dispersion and connectivity for many marine species! Macrocystis pyrifera floating. By Ivan Hinojosa. Photo: Schematic of benthic and floating algae and the most common animals found in both states. By Ivan Hinojosa. This professor and his team had previously reported the presence of native species in different regions of the country, but the majority of those animals lacked a larval phase. It didn’t make sense how these animals could be so widely dispersed in different areas. This could only be explained by a “loading” of these species to new regions. It was then discovered that the floating algae were the means of transportation for these marine communities. The algae is like a bus, but instead of picking up and dropping off around a city, the algae can float for hundreds of miles in the ocean. Interesting, no? And it was! Since my internship only lasted three months, I wasn't able to participate in the collection of my samples (the cool part), because the identification of fauna would take too long after returning. However, the professor did take me on an expedition for another project! Imagine a paradise, with big waves, lots of sun, but very cold weather. Three of us were floating in a small boat, GPS in one hand, binoculars in the other, paper and pencil at the ready to take notes. We couldn't take our attention from the sea, always searching for the algae rafts. Oh, and man was I seasick! But in those moments, you just contract your stomach and remember your love for science, and everything will work out. Left: Me and the boat in Punta Choros before the expedition; Right: People collecting a raft of floating macroalgae with a sieve so animals cannot escape. Pics: Ivan Hinojosa My project aimed to compare the fauna accompanying floating algae with that of algae that have not yet detached, which we call benthic. Benthic algae are fixed to the bottom or to some substrate, like a stone, for example. The benthic algae were collected through scuba diving. The specific algae I studied were Macrocystis pyrifera , which form giant kelp forests in the Pacific Ocean. On the left are fronds of a benthic algae, the famous marine kelp. To the right is a close-up image of Macrocystis pyrifera, with its leaves and aerocysts. Second photo by Ivan Hinojosa In the lab, the algae were washed in strainers to size fractionate and retain the animals that we wanted to identify. After that, the algae were weighed and measured. We identified the animals with magnifying glasses. So, onto the results! The benthic algae had abundant companion fauna, which were different from the floating algae. Some groups like sea urchins and some crustaceans (called decapods) were only found on the benthic algae, likely because they were unable to hold onto the non-fixed algae while it drifted. Graph of the occurrence of different taxa within each kind of algae; floating and benthic. By Izadora Mattiello and Ivan Hinojosa. Another interesting finding was that despite the lower number of species, floating algae mostly supported species with direct development (those without a larval phase). This further reinforces our initial hypothesis that floating algae contribute to species dispersal. A well-known case on the Chilean coast is the bivalve mollusk Gaimardia trapesina. Unfortunately, almost everything has a downside. In this case, it is garbage loading! With all of the human-produced plastic waste that has been thrown into the ocean, the algae end up carrying litter in addition to animals. During my analysis, I got tired of throwing plastic away; there were bottle lids, pieces of rope, etc. that ended up entangled in the algae. It is very clear how much we have abused this ecosystem. Do you like rubbish in your car, the subway, or on an airplane? The next time you are at the beach, try to remember how tiny marine animals are transported, and grant them the same respect you expect for yourself. To the next! by Ivan Hinojosa. Know more at: Lab BEDIM #scientificpopularization #algae #flotingalgae #patagonia #chile #science #ocean #marinescience

  • Simpósio: Por mais mulheres na Zoologia, CBZOO 2020

    Por Catarina R. Marcolin No dia internacional da mulher queremos lembrar da importância de seguirmos na discussão sobre questões de gênero na Ciência. Nos últimos dias 5 e 6 de março, Rafaela Falaschi (UEPG) organizou um Simpósio chamado "Por mais Mulheres na Zoologia" durante o XXXIII Congresso Brasileiro de Zoologia, em Águas de Lindóia, SP. Foi a primeira vez em que estive em um congresso científico com tanto espaço e com tanto destaque para discutirmos essas questões. Além de termos enchido o salão nos dois dias, tivemos um público bem diverso, escutando, comentando, se engajando. Foi mais do que lindo, foi necessário. Foram muitos assuntos discutidos, por mulheres incríveis, que não posso deixar de citar: Márcia Barbosa (UFRGS, diretora da Academia Brasileira de Ciências), Annie Hsiou (USP), Fernanda Werneck (INPA), Laura Sousa (UNIFESP), Veronica Slobodian (UnB), Priscila Camelier (UFBA), Thaís Guedes (UEMA). Tive muito orgulho de estar entre elas. Falamos sobre representativade das mulheres na ciência, maternidade e ciência, síndrome do impostor, redes de cooperação entre mulheres, mulheres no campo e conhecemos de um jeito profundo e encantador a história da Bherta Lutz. Eu não tinha ideia do real tamanho da importância dessa cientista, especialmente sobre sua luta pelos direitos da mulher (se hoje podemos votar, agradeça à Bertha Lutz). E foi chocante notar como muitas das lutas de Bertha, são as mesmas de hoje. Eu estive como palestrante, junto com Verônica Slobodian, numa mesa redonda sobre "Mulheres no campo" e falei sobre assédio em embarques. Foi um momento muito tenso e emocionante, com lágrimas na plateia (eu já tinha derramado minha cota enquanto analisava os dados). Mas também foi gratificante perceber que os dados que apresentei causaram desconforto e um desejo/necessidade de fazer algo para mudar o cenário das mulheres que precisam trabalhar em ambientes confinados e perigosos. Queremos agradecer a todas as mulheres que responderam ao formulário sobre assédio em embarques, em breve divulgaremos os resultados. Tenho certeza que depois deste evento muitos laços e redes foram criados e que saímos de lá com propostas de ações para melhorarmos o cenário de inserção das mulheres na ciência, contribuindo para uma sociedade mais justa e mais eficiente. #assedionao #mulheresnaciência #cbzooo2020 #simposiodemulheres #catarinarmarcolin #netuniandoporai

  • Costão Rochoso

    Por Jana del Favero e Carla Elliff O costão rochoso é um ambiente costeiro formado por rochas (substrato consolidado) situado na transição entre os meios terrestre e marinho. Pode ser formado por paredões verticais bastante uniformes, que se estendem muitos metros acima e abaixo da superfície da água (ex. a Ilha de Trindade) ou por matacões de rocha fragmentada de pequena inclinação (ex. na costa de Ubatuba/SP). Figura 1: Exemplos de costões rochosos na Ilha de Trindade-ES (à esquerda - Fonte . Com licença CC BY-SA 3.0) e em Ubatuba-SP (à direita - Fonte . Com licença CC BY-SA 4.0) Na maioria das vezes, os costões são extensões das serras rochosas que atingem o fundo do mar. No estado de São Paulo, por exemplo, observa-se que em locais onde a Serra do Mar está próxima ao oceano, ocorre um predomínio de costões rochosos na interface da terra com o mar (ex. Ubatuba), já em locais onde a Serra do Mar está muito distante da costa, ocorre o predomínio de manguezal ou restinga (ex. Cananéia). Já no Rio Grande do Sul, só existem costões rochosos no município de Torres, que representa o único ponto onde a Serra Geral encontra o mar! Figura 2: Praia da Guarita em Torres-RS (Fonte: Carla Elliff, licença CC BY-SA 4.0). O costão rochoso é um importante substrato de fixação para larvas de diversas espécies e locomoção para muitos organismos. A sua ocupação não ocorre aleatoriamente, ou seja, os organismos se estabelecem ou se locomovem em faixas bastante distintas normalmente perpendiculares à superfície do mar. Estas regiões (ou zonas) são formadas a partir das habilidades adaptativas dos organismos relacionadas a fatores abióticos (ambientais, como o nível da maré), e fatores bióticos (diversos níveis de interações biológicas, como predação e competição por espaço). A esta distribuição organizada dá-se o nome de zonação e, de maneira geral, três zonas foram definidas: 1) Supralitoral: região superior do costão rochoso que é permanentemente exposta ao ar, onde chegam somente borrifos de água do mar. Ela está compreendida entre o limite inferior de distribuição da vegetação terrestre, e o limite superior de ocorrência de cirripédios (cracas) ou, por vezes, de gastrópodos do gênero Littorina. Nessa zona os fatores abióticos como temperatura e radiação solar possuem grande importância na distribuição dos organismos, os quais são adaptados à perda de água e à variação da temperatura. 2) Mediolitoral: é a zona que fica submersa durante a maré alta e exposta durante a maré baixa. Comumente é marcada pela ocorrência de cracas e por algas verdes. Os organismos sésseis (aqueles que não se movem, são fixos) dessa zona estão adaptados à variação de maré e a todas as mudanças ambientais impostas por essa oscilação, o que inclui um período reduzido para alimentação e liberação de larvas. Os organismos móveis podem migrar para regiões inferiores na maré baixa e permanecem sempre submersos. Nessa zona ocorrem as poças de maré, depressões onde a água do mar forma piscinas sujeitas às condições atmosféricas e alta variabilidade de temperatura e salinidade durante a maré baixa (já falamos sobre os peixes encontrados nas poças de marés aqui ). 3) Infralitoral: é a zona que fica sempre submersa, pois está situada abaixo do nível mínimo da maré baixa. Nessa zona, os fatores abióticos são mais estáveis e as relações biológicas (como predação, herbivoria, competição) determinam a distribuição dos organismos. Ela é caracterizada principalmente pela ocorrência de algas do gênero Sargassum e outros organismos da fauna como os equinodermas (ouriços-do-mar e estrelas-do-mar), cnidários (anêmonas), crustáceos (camarão, ermitão, caranguejo etc.), além de várias espécies de peixes. Figura 3: Esquema de um costão rochoso com indicação de suas zonações, exposto no Museu de Ciências Naturais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (MUCIN/UFRGS) (Fonte: Carla Elliff, licença CC BY-SA 4.0) . Além de sua importância ecológica como substrato consolidado para o crescimento de tantos organismos, os costões rochosos são também importante área para exploração de recursos. Mexilhões e outros tantos moluscos bivalves são coletados durante as marés baixas em muitos desses locais, caracterizando a atividade de mariscagem . Além disso, a coleta de algas marinhas para consumo humano é também uma prática muito antiga realizada principalmente em países asiáticos, como o Japão. Outro aspecto importante dos costões rochosos é sua característica como um laboratório natural a céu aberto. Toda essa diversidade de vida marinha está lá fixa em sua zonação, prontinha para ser estudada! Cada mudança de maré gera grandes alterações ambientais, permitindo o estudo de diversas respostas biológicas que podem servir de base para outras pesquisas. Além disso, por se tratar de um ecossistema de fácil acesso (basta ficar de olho na tábua de maré para ver toda a zonação disponível), é também um ótimo local para crianças e adultos curiosos aprenderem sobre as ciências do mar. Figura 4: Famílias aproveitam a maré baixa em San Diego (EUA) para explorar a porção exposta de um costão rochoso e suas poças de maré (Fonte: Carla Elliff, licença CC BY-SA 4.0). #descomplicando #costãorochoso #ecologiamarinha #litoral #zonação #poçademaré #craca #mexilhão #carlaelliff #janamdelfavero

  • Minha vida de Oceanógrafa Geofísica em um ambiente predominado por homens

    Por Camila Antunes Uma história real de muito preparo e decisões difíceis para continuar acreditando na nossa profissão. Olá, me chamo Camila, tenho 30 anos, sou Bacharela em Oceanografia, formada em 2012 no Centro Universitário Monte Serrat (UNIMONTE) e sou também Marinheira de Convés e Rádio Operadora, meu foco de trabalho é em Geofísica . Essas três profissões estão tão interligadas na minha vida, que às vezes fica difícil dizer quando começa uma e termina outra. Para explicar como hoje conquistei minha realização profissional, preciso voltar para 2014. Dois anos após me formar na Universidade, tinha bons estágios no meu currículo (entre eles no Instituto de Pesca e na Companhia Docas (CODESP), ambos do Estado de São Paulo) e falava inglês e espanhol, mas ainda assim estava trabalhando como marinheira numa travessia de ferry boat da minha região, uma ocupação que não era meu objetivo. O ferry boat foi e é um lugar de muitas emoções para mim. Por um lado era ali que eu me sustentava, ganhando dinheiro para pagar meu aluguel e meus gastos. Por outro, eu estava estagnada e muito longe de me sentir realizada como Oceanógrafa . Trabalhei lá de 2010 a 2014, até que um grande amigo e Oceanógrafo, também da UNIMONTE, me deu o primeiro “empurrãozinho”. Ele fazia a travessia frequentemente e assim sempre conversávamos. Uma vez ele disse que entregou meu currículo para a empresa de dragagem que ele trabalhava. Batata, consegui a entrevista! Pedi as contas da travessia e fui para a empresa de dragagem. A partir daí, minha vida deu um giro de 180°, me tornei Survey (profissional responsável por realizar hidrografia). Comecei a aprender a fazer levantamentos de batimetria, que basicamente são medidas 3D do fundo do mar, usando equipamentos hidroacústicos, dados de maré e sonda de condutividade, temperatura e profundidade ( CTD ), formando uma imagem que representa o solo marinho. Esses levantamentos podem ser usados para encontrar objetos como navios naufragados, tubulações de plataformas de petróleo ou, no caso da dragagem, para calcular volume e caracterizar o tipo do fundo. Cheguei a um ponto no trabalho em que eu já comandava equipes de brasileiros e holandeses. Conheci praticamente todos os estados da costa brasileira, culturas diferentes, aprendi a usar equipamentos de sondagem como SingleBeam , MultiBeam , SideScan , marégrafo, CTD... Assim acrescentei muitas experiências profissionais ao meu currículo. Trabalhei nessa empresa de dragagem por três anos e meio e, criei uma boa bagagem e tanto na área, como oceanógrafa e como gestora. Claro que passei por algumas situações difíceis, mas essas a gente não posta no Instagram , né? Como chegar a ficar três meses direto a bordo de um navio sem desembarcar ou ficar em terra sozinha numa cidade qualquer, longe dos amigos e da família. Por várias vezes trabalhei por três ou quatro meses e depois ficava apenas uma semana em casa e já tinha que voltar. O celular e computador ficavam 24h ligados para que eu desse suporte, mesmo na folga. Algumas vezes eu chegava em reuniões em outras empresas e o cliente achava que eu era a secretária do meu gerente , porque esse é um ambiente predominantemente masculino. Muitos se assustavam e pareciam contrariados quando descobriam que eu seria a Survey responsável pelo levantamento e processamento batimétrico daquela região. Eu era a única mulher que fazia esse tipo de serviço na empresa naquele período e isso me deixava um pouco intimidada. Parecia que eu sempre precisava mostrar mais do que o necessário para executar o trabalho, sentia que sempre precisava provar mais e mais. Ao mesmo tempo, eu sabia que tinha responsabilidade para com as próximas mulheres que estavam por vir naquele mercado de trabalho , porque estava abrindo uma portinha. Pensava que o cliente já não iria ficar com o pé atrás com a próxima mulher que aparecesse para fazer aquele serviço, pois a Camila deu um bom exemplo antes. Chegou um momento em que minha vida profissional estava nas alturas, mas minha vida pessoal estava longe de ser flores. Mesmo nas folgas eu não tinha substitutos e por isso não conseguia descansar. Foi então que recebi uma proposta para trabalhar em Santos-SP, a 20 min da minha residência, onde meu salário seria um pouco menor, mas eu poderia ir para casa todos os dias. Pedi as contas da empresa de dragagem. Não foi uma decisão fácil, mas foi uma das melhores que tomei até hoje. Uma frase que aprendi e levo comigo como mantra: “É muito fácil ser workaholic e é muito fácil ser preguiçoso, difícil é você achar um equilíbrio entre os dois”. Estamos em janeiro de 2018 e comecei meu novo emprego como Survey numa empresa de hidrografia. Agora eu estava do outro lado: se antes eu acompanhava a dragagem, agora eu fiscalizava a dragagem, mais especificamente a do Porto de Santos. Essa empresa de hidrografia é uma das mais reconhecidas do ramo no Brasil. Ela é responsável pela aprovação de diversas batimetrias do tipo Cat A Especial (NORMAN-25-REV2), que são as batimetrias que mudam a carta náutica, o mapa oficial da nossa zona costeira e marinha. Para conseguir esse feito, obrigatoriamente, a empresa precisa ser reconhecida pela Marinha do Brasil. Centenas de novas cartas são enviadas todos os anos, mas apenas algumas dezenas são aprovadas. Naquele momento fiquei muito feliz, não só por ir para casa todos os dias, mas também com a experiência que poderia agregar naquele local. Eram muitos equipamentos e softwares diferentes para eu aprender, e a empresa ofereceu cursos, inclusive internacionais. Naquele momento estava me sentindo A profissional no ramo... e completa. Quando cheguei no primeiro dia de trabalho, conheci uma estagiária de engenharia que, um tempo depois, se tornou auxiliar de batimetria. Ela nunca tinha conhecido uma Survey mulher, então a partir dali eu a “adotei”, ensinando o que eu tinha aprendido e a incentivando para continuar nesse ramo ainda predominantemente masculino. Alguns meses depois havia entrado outra Oceanógrafa como Survey , mas infelizmente ela não ficou muito tempo. Foi meu primeiro contato com outra profissional da área diretamente. De 2014 até 2018, eu tinha agregado ao meu conhecimento dezenas de softwares utilizados para levantamentos e processamentos batimétricos, falava fluentemente inglês e espanhol. Mas algo ainda me incomodava, porque eu tinha uma certa dificuldade na parte física dos equipamentos. Por exemplo, identificar tipos de cabos, caso tivesse que instalar ou desinstalar alguma configuração, também com a parte do hardware... afinal eu sou Oceanógrafa de formação e não tenho conhecimento de T.I. ou eletrônica. Então pensei que precisaria estudar mais e mais, e resolvi começar um curso básico de Hardware e Redes. Incrível como a Oceanografia te leva a lugares que você nem imaginaria que tivesse envolvimento direto com o mar. Uma vez um garoto que estava para se formar em Oceanografia me perguntou: -Camila, como faço para trabalhar na área? Respondi: - O que você tem além da Oceanografia? Tem estágios? Fala outras línguas? Algum outro curso qualquer? Porque se você vai se candidatar para uma vaga de oceanografia, é óbvio que você é Oceanógrafo, mas o que o mercado quer saber é o que mais você pode oferecer. Voltando à empresa de hidrografia, trabalhei lá por apenas sete meses. Isso doeu um pouco, pois não imaginava sair do meu emprego anterior onde fiquei tanto tempo para ficar menos de um ano na nova empresa. Tomei essa decisão de sair pois não estava me sentindo confortável com algumas atitudes da empresa. Assim que eu pedi as contas, vieram conversar comigo, mas não tinha mais clima para continuar por lá. Saí sem perspectivas, desempregada, mas com minha dignidade intacta e com uma conta que me daria uma sobrevida de uns três meses no máximo e bem apertada. As contas chegando, o psicológico dando tilt. Enquanto passava os dias mandando currículo, criei um tempo para não pensar em besteira e comecei a fazer quadros de nós de marinharia para vender (minha 4ª profissão nas horas livres!). Foi uma experiência bem bacana, mas não queria aquilo para minha vida. Se tem algo que eu amo é minha profissão de oceanógrafa e queria/precisava voltar para a área. Passado 1 mês, 2 meses... no 3º mês eu já estava surtando! A oferta de emprego não chegava, então decidi abrir minha própria empresa, a CBA Oceanography. E não é que deu certo?! Não estava nem com o número do CNPJ ainda, quando uma empresa de batimetria offshore entrou em contato comigo, perguntando os valores da minha diária e se eu estava disponível para viajar. Nem acreditei! Foi meu primeiro passo na área offshore, que são empresas voltadas para o ramo de mar aberto, quilômetros de distância da costa. Utiliza-se equipamentos mais robustos (chamados subsea ), e geralmente as operações são voltadas para monitoramento ou instalação de cabos submarinos ou em conjunto com plataformas de petróleo, chegando a mais de 4000 m de profundidade em cada projeto. Trabalhei por três meses nessa empresa com o objetivo de monitorar o fundo marinho de Natal-RN até Fernando de Noronha, para um lançamento de cabo submarino, onde eu e a equipe saímos numa reportagem do G1 pelo projeto. Acabou o projeto, mas os amigos ficaram. Um deles, oceanógrafo da UFES, disse que a universidade precisava de um treinamento rápido sobre um software de levantamento e processamento batimétrico, e me perguntou se a faculdade me pagasse poderia ensinar, já que eu tinha experiência. Óbvio que aceitei! Janeiro de 2019. Minha primeira turma de Treinamento de Configuração de Multibeam e Softwares, foi incrível! Graduados e mestres em Oceanografia, de olhos e ouvidos abertos para tudo o que eu falava, realmente é algo que vou levar para minha vida. Interessante como nada é por acaso. Durante o curso um dos alunos me perguntou: - Camila, você está gostando de ser autônoma? Respondi: -Sim, mas eu deixaria de ser autônoma se uma empresa que eu tenho interesse, e venho pesquisando há um tempo, me contratasse. Aluno: Qual empresa? Respondi: - DOF Subsea Aluno: - Ah, recebi uma mensagem em um grupo que a DOF está com vaga na área de batimetria... Quando ele falou isso nem acreditei! Peguei o e-mail do contato, acreditando/desacreditando ao mesmo tempo. No dia seguinte mandei um e-mail com meu CV e em umas duas semanas já tinha passado por todas as etapas do processo e conseguido a vaga. Fevereiro de 2019. Entrei na DOF Subsea, onde pela primeira vez encontrei várias mulheres da área tão capacitadas quanto eu, o que me deu bastante confiança para começar essa nova jornada. Lá entrei para um outro nicho de batimetria, com veículos submarinos autônomos (AUV), que consiste num veículo que funciona autonomamente coletando informações geofísicas do fundo marinho. Essas informações incluem o processamento e interpretação de dados coletados com equipamentos chamados sonar de varredura lateral ( side-scan sonar ) e perfilador de sub-fundo ( sub-bottom profiler) . Elas permitem uma interpretação geológica detalhada do fundo marinho e de subsuperfície a partir dos dados sísmicos, sonográficos e de batimetria, além de realizar o controle de qualidade dos dados de batimetria e backscatter provenientes do ecobatímetro multifeixe. Nesse ramo eu apliquei meus conhecimentos, mas também estive aberta para muitos outros aprendizados na empresa, como atuar em projetos internacionais. Recentemente fui para Angola, onde trabalhei por dois meses, e em breve estarei nos EUA, também com um projeto de AUV. Esse é um resumo da minha carreira profissional. Gosto de contar para vermos que nem tudo é como a gente imagina, nem fácil ou lindo com as paisagens do Instagram que eu costumo postar. Mas cada conquista e cada obstáculo superado me fizeram ser quem eu sou hoje e me orgulho muito disso. “Não tenha medo de arriscar”. Sobre a autora: Camila Basílio Antunes - Oceanógrafa e atua na área de Geofísica. Paulistana raiz e Caiçara de coração, casada a 5 anos, aquariana, gamer e geek; no meu tempo livre estou no meio desse mundo e tenho o mar como meu segundo lar. Instagram @camih_bas As imagens contidas nesse post, são de autoria própria. #Batimetria #Survey #Oceanografia #Hidrografia #Multibeam #mulheresnaciência #convidados

  • O medo que te cerca vem de onde?

    Por: Anônima* Ilustração: Caia Colla Escrevo esse texto em 15 de outubro, no Dia Internacional de Sensibilização à Perda Gestacional, Neonatal e Infantil. Eu nem sabia que essa data existe. Esse ano, ao saber, chorei. Muitas pessoas próximas à mim nem sabem que sou mãe de um anjo. Escondi por três meses a gestação por medo. E não era medo de perder o bebê como muitas mães relatam, era medo de perder a bolsa de pesquisa que recebia na época. E olha que eu nem sei dizer como meu supervisor iria reagir, já que eu nunca sequer contei a ele sobre a gravidez. Não sei se ele seria compassivo com a minha situação ou um babaca. Eu tive medo. Medo baseado em relatos de amigas que foram “demitidas” ao contar para o(a) professor(a) responsável que estavam grávidas**. Medo baseado em relatos de amigas que foram coagidas a assinar termo de compromisso prometendo não engravidar durante o doutorado. Medo baseado em relatos de amigas que não conseguiram seguir a carreira acadêmica depois da gravidez. Medo baseado em relatos de amigas que não engravidam temendo não dar conta de cumprir prazos e cuidar do filho. E por causa de tantos medos, eu não curti os únicos três meses que tive meu filho em minha barriga. Por ironia, quando estava começando a aceitar o meu destino, quando estava começando a aceitar que daria uma pausa na carreira para cuidar de mim e do meu filho - mesmo ciente que essa pausa poderia ser um parada permanente*** - fui surpreendida com um aborto espontâneo durante uma viagem para um congresso internacional. Me mantive aparentemente forte e apresentei dois trabalhos oralmente, conversei com pesquisadores de renome, socializei e fiz o meu papel de pesquisadora. Fingi estar bem, mesmo estando dilacerada por dentro. Voltei para o Brasil acreditando ter deixado todos os medos e tristezas para trás. Mas o fantasma do medo continuou me assombrando. O prazo da minha bolsa estava expirando e eu temia não conseguir outra posição se o professor responsável pensasse que eu engravidaria de novo se soubesse que eu tinha engravidado antes. E assim, com medo de desabafar e ter meu segredo descoberto, guardei toda a dor comigo. Não deixei de ir um só dia ao instituto de pesquisa que estava vinculada e cumprir meus prazos. E hoje, meses depois do ocorrido, já vinculada a um novo projeto, em um novo instituto, continuo com o mesmo medo me acompanhando. Durante a entrevista, tive medo de que de alguma maneira meu novo supervisor descobrisse toda essa história e não me selecionasse. Novamente, não estou dando a chance de saber se meu supervisor seria compassivo ou babaca, e guardo meus medos comigo. Então, se você também está com medo, só queria te falar que você não está sozinha, por mais que continuamos escondidas atrás dos nossos próprios fantasmas. *Por medo, envio esse post como anônima para as editoras do Bate-papo com Netuno. **Aqui cabe um parênteses, hoje muitas bolsas de pesquisa de agências de fomento possuem licença maternidade, mas muitas bolsas de pesquisa são vinculadas a grandes projetos ou empresas e, nesse caso, quem decide quem fica ou não com o salário é o professor responsável pela atividade. ***Vou precisar fazer um terceiro parênteses para as jovens pesquisadoras: ficar um ou até mesmo dois anos afastados da academia gera lacunas no currículo lattes difíceis de serem sanadas que nos colocam em posições desfavoráveis em processos seletivos. Porém, alguns editais já consideram essa uma questões e tratam diferentemente as interrupções na carreira devido a maternidade. #mulheresnaciência #maternidade #caiacolla

  • I Workshop do Plano Estadual de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar - SP

    Em dezembro de 2019, nossa editora Carla Elliff participou da organização do I Workshop do Plano Estadual de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar (PEMALM) - SP . O projeto PEMALM ocorre em parceria mútua entre o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), a Cátedra da UNESCO para a Sustentabilidade dos Oceanos, o Instituto de Estudos Avançados (IEA) e Instituto Oceanográfico (IOUSP) da Universidade de São Paulo, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SIMA) e a Embaixada da Noruega. Uma das premissas do PEMALM é que tomadores de decisão e atores interessados possam contribuir com o diagnóstico do problema e com o desenvolvimento de soluções para o lixo no mar. Portanto, como estratégia para reunir informações, formalizar uma rede de colaboradores e planejar diretrizes futuras, realizou-se o I Workshop do Plano Estadual de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar. O evento ocorreu nos dias 12 e 13 de dezembro de 2019, no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, na cidade de São Paulo. O workshop contou com a participação de atores que produzem e têm o potencial de produzir informações sobre lixo no mar no estado de São Paulo, totalizando cerca de 80 pessoas. Para chegar nesse número, foi feito um esforço de muitas semanas seguindo uma metodologia padronizada. O resultado foi um público muito diversificado, reunindo pesquisadores, representantes do poder público, setor privado e ONGs, para conversar sobre um mesmo tema, encontrando uma linguagem em comum para pensar em soluções. Para saber mais sobre o projeto e como foi esse primeiro workshop, acesse o canal PEMALM SP no YouTube ! Apresentação - Plano Estadual de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar (PEMALM) I Workshop - Plano Estadual de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar (PEMALM) #lixonomar #lixomarinho #poluição #plástico #sãopaulo #políticaspúblicas #participativo #carlaelliff #netuniandoporai

  • Palestra “Marine Debris: the ocean’s biggest tiny problem”

    No dia 04 de novembro de 2019, transmitimos online em nosso Facebook a palestra “Marine Debris: the ocean’s biggest tiny problem” da Dra Jennifer Brandon. Durante sua pesquisa de doutorado, a Dra Brandon desenvolveu novos métodos para quantificar a distribuição e abundância dos menores microplásticos no mar aberto. Ela ainda examinou como estes plásticos minúsculos entram na cadeia alimentar planctônica e no registro sedimentar. A palestra foi organizada pelo Consulado Americano em parceria com o SAGE/COPPE/UFRJ e pode ser assistida online em: https://youtu.be/0tI23oW8_TI #netuniandoporai #microplasticos #marinedebris #plasticos #poluicaomarinha #palestra

  • SBPC Jovem 2016

    Em julho de 2016, nossa editora Catarina Marcolin coordenou a atividade “Desvendando os mistérios do oceano: venha conhecer o plâncton microscópico” durante a 68a Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Porto Seguro, BA. O evento aconteceu no Campus Sosígenes Costa da UFSB e recebeu milhares de crianças, jovens e adultos. Houve exposição de animais microscópicos vivos, equipamentos de coleta e vídeos sobre trabalhos de campo em oceanografia. #netuniandoporai #catarinarmarcolin #sbpcjovem #ufsb

  • Por que precisamos falar sobre divulgação científica?

    No dia 02 de agosto de 2019, em meio à tantos ataques ao INPE e à ciência, a Jana del Favero , nossa editora, falou sobre a importância de uma comunicação científica honesta e de qualidade entre os cientistas e a sociedade. Abordou as razões pelas quais muitos cientistas não realizam nenhuma atividade de popularização das ciências. Por fim, deu dicas para quem pretende começar a divulgar o seu trabalho. O assunto está tão em alta, que mesmo após 50 minutos de palestras, ainda rolou mais de uma hora de discussão e de trocas sobre o tema. #janamdelfavero #netuniandoporai #INPE

  • Popularização das ciências na UFRJ

    No dia 04 de julho de 2019, nossa editora Jana del Favero falou sobre “Popularização das ciências por que precisamos falar sobre isso?" para alunos, técnicos e professores no Programa de Pós Graduação em Ecologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A apresentação foi seguida por diversas perguntas e comentários da platéia. Anfiteatro lotado para assistir a palestra sobre popularização das ciências na UFRJ. Tópicos abordados na palestra. #janamdelfavero #netuniandoporai #UFRJ

  • Larval Fish Conference 2019

    Durante o “Larval Fish Conference”, realizado em Mallorca - Espanha, houve uma seção para apresentações de iniciativas de divulgação científica. Nossa editora Jana del Favero falou sobre o Bate-papo com Netuno, que foi amplamente elogiado como ação de popularização de ciência. #netuniandoporaí #janamdelfavero #outreachscience #popularizacaodasciencias

  • Oficina de Saberes

    Entre março e maio de 2019, o Bate-papo com Netuno e a Universidade Federal do Sul da Bahia promoveram uma oficina no Centro Integrado de Educação de Porto Seguro (CIEPS). Três cientistas do mar (Silvio Sasaki, Juliana Quadros e Andresa Oliva) foram conversar com estudantes do ensino médio sobre suas histórias de vida, sobre como descobriram que queriam ser cientistas e as aventuras e percalços ao longo de suas carreiras. Além das conversas, os convidados ainda realizaram algumas atividades científicas com os alunos. Maiores informações, clique aqui ! #netuniandoporai #catarinarmarcolin #ufsb #ciêncianaescola

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