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- Correntes oceânicas de superfície (Parte III)
Por Jana M. Del Favero Balanço Geostrófico e Correntes de Contorno Oeste Iniciaremos esse post juntando os conceitos apresentados nos dois tópicos anteriores. Então, caso você não se lembre, releia as partes I e II . Começamos com um vento exercendo um arrasto sobre a superfície do mar no Hemisfério Sul e colocando a água em movimento (Figura 1). Com o movimento, a água da superfície desviará para a esquerda em resposta ao Efeito de Coriolis . Como estamos falando do Hemisfério Sul, o transporte de Ekman será para o sul da direção dos ventos de alísios (que sopram de leste para oeste) e para o norte da direção dos ventos de oeste (que sopram de oeste para leste). O resultado desses transportes é o empilhamento de água no centro dos giros oceânicos, por causa da convergência da água. Esse “morro” d'água no centro do giro pode chegar a ser até 2,0 m mais elevado do que a borda do giro. No entanto, ao mesmo tempo que o transporte de Ekman empurra a água "morro acima" o gradiente de pressão age para empurrar a água "morro abaixo". Novamente, devido ao efeito de Coriolis, a água escorrendo pelo “morro” é desviada para a esquerda, até que gire o suficiente e comece a "subir o morro" novamente até ser puxada morro abaixo pelo gradiente de pressão . Isso se repete até que o equilíbrio entre Coriolis e gradiente de pressão seja atingido. Quando ocorre esse equilíbrio dinâmico, a corrente de água fica constante e estável, circulando o “morro”, e não mais “subindo e descendo”. Essas correntes estacionárias (ou seja, velocidade e pressão constantes em determinado ponto) são chamadas de correntes geostróficas (Figura 2) . É importante compreender que as correntes em um giro oceânico, que fluem paralelamente aos ventos dominantes, não fluem por causa direta do arrasto do vento, mas sim devido a um escoamento geostrófico , ou seja, devido a um equilíbrio dinâmico entre a deflexão de Coriolis e o gradiente de pressão. Os continentes são enormes barreiras que interrompem o escoamento das correntes geostróficas. Nas latitudes médias (entre 30 e 60 graus de latitude) , o escoamento da corrente leste é desviada em direção ao equador pelos continentes (isso ocorre lá na quebra da plataforma), enquanto no equador o escoamento das correntes de oeste é desviado em direção aos polos pelos continentes (veja novamente a figura na parte I que ilustra os giros de circulação oceânicos). A força do efeito de Coriolis depende da velocidade do objeto em movimento e de sua localização na Terra: quanto maior a velocidade do objeto em movimento (ou do escoamento), e quanto maior for a distância do equador, maior será a deflexão de Coriolis. Assim, nas latitudes médias o escoamento da corrente leste é desviado em direção ao equador com mais força e velocidade do que as correntes equatoriais que fluem para o oeste e são desviados em direção aos polos. Isso resulta em um volume muito maior de água desviada para o equador e, consequentemente, um volume muito grande de água no equador derivando para oeste e se acumulando nas bordas oeste das bacias oceânicas . Esse acúmulo de água exige um escoamento geostrófico mais intenso ao longo do lado oeste dos giros oceânicos para atingir o equilíbrio dinâmico, a chamada intensificação das correntes de contorno oeste. As correntes de contorno oeste são mais estreitas, rápidas e profundas (Figura 3). Um exemplo é a Corrente do Golfo que se move a uma velocidade média de 7,2 km por hora, tem largura média de 70 km e transporta um volume de 55 Sv (Sv é uma medida de volume denominada sverdrup e 1 Sv = 1 milhão de metros cúbicos por segundo). Já as correntes de contorno leste são mais largas, lentas e rasas. Um exemplo é a Corrente das Canárias que se move a uma velocidade média de 2,0 km por hora e transporta 16 Sv. A Corrente do Brasil, aqui no hemisfério sul, também é um exemplo de corrente de contorno oeste. No entanto, ela é uma corrente oeste atípica, pois sua velocidade e transporte são baixos quando comparadas com outras do mesmo tipo. Isso se deve à presença de uma corrente de subsuperfície fluindo em sentido contrário na maior parte de sua extensão. #descomplicando #janamdelfavero #correntesoceânicas #correntes #correntedesuperfície
- One hundred days between the sky, litter and the sea
Post by Marina Tonetti Botana English edit by Carla Elliff Illustration by Caia Colla I was searching for long distance swimmers when I found out about Ben Lecomte. Ben is an endurance athlete, which means he practices aerobic sports of either moderate or low intensity over a long period of time, such as marathons. In 1998, he crossed the North Atlantic in a campaign supporting the fight against cancer. To my surprise, after a lot of planning, Ben was now crossing the Pacific Ocean. However, this time, he was campaigning to raise awareness on the issue of plastic pollution in our oceans and highlighting the importance of marine conservation. The project already relied on partnerships with research groups from important universities in the field of oceanography, such as the Scripps Institution of Oceanography and the University of Hawaii (UH). Also, the initiative was being filmed and already has 14 episodes ready. More content is being produced so that, in the end, this whole venture can become a documentary. The organizers also negotiated support from brands that sell sustainable products, such as icebreaker , which produces clothing with plant-based fibers. At the time I came to know of this project, the team was in Hawaii due to some problems in their vessel and they would move on to California in a few weeks. The new route through the North Pacific was plotted out so that they would cross the largest garbage patch in the world, with an estimated 1.6 million km². Ben would cross this stretch swimming in the company of a team of scientists and activists responsible for surveying and sampling. Surprisingly, there were two spots open for scientists on board this new stage. The crew would consist of just 10 people, of which four were in Ben’s personal team. The other six spots rotated among professionals working with science, education, and media production. At the time I was just about to finish my master’s degree and I saw this vacancy for a scientist as a unique opportunity for an experience outside academia representing a cause with environmental and social purposes. I believe that the only way to effectively change the mentality and behaviors of mankind is through education. There is no point in “prohibiting” littering or “forcing” people to recycle and use sustainable products. People must understand why these issues are relevant so that they contribute towards a positive change. I submitted my intention letter and my CV for this opportunity. Although I have only been in academia for a relatively short length of time, I believed that my principles and my experiences at the University of São Paulo (USP) and abroad in other projects would be well received. Moreover, I am a triathlete myself, with experience in ironman events (3.8 km swimming, 180 km cycling and 42 km running) and supporting other ultra-distance athletes. I believed these extracurricular activities could be a way to stand out among other applications. In the world of sports and science we are constantly subjected to failures, maybe more so than in other professions. Living both realities has made me develop my focus and determination to reach my objectives and to see each one as part of my purpose in life. I raised all these points in my intention letter, and I wrote each phrase with my mind, body and soul. I believed that Ben’s cause could be my own as well. The days passed by and, when I least expected it, I was in the final phase of selection for an interview. I was tested and assessed from different perspectives in the conversations I had with Ben and the crew. In addition to questions about my academic background, they tested me psychologically through a series of questions. We would be at sea for about 100 days, confined in the space of a sailboat, with no freshwater for bathing and with almost no communication with the outside world. I was warned that it was very likely that I would be the only woman aboard in a crew of nine men. Fortunately, none of these issues intimidated me and I was selected. The expedition route was planned by Professor Nikolai Maximenko, a physical oceanographer at UH, for his project on litter/plastic monitoring using satellites. We will cross as many garbage patches as possible during the expedition. We will make visual observations and collect different sizes of plastic particles using a neuston net. In addition to the particles, we will collect the organisms that grow and thrive on different types of plastic, contributing to the dissemination of species in the subtropical gyre of the North Pacific. Microplastics and neuston net. Credits: Hannah Altschwager, The Vortex Swim (C). The partner projects seek to better understand the connectivity of bioinvasion of species that inhabit garbage patches. I will be responsible for coordinating and recording sampling onboard. Moreover, I will swim beside Ben whenever possible. He will swim for about 8 hours/day, distributed over 2 periods of 4 hours each. During the interviews he told me I was the only applicant he interviewed who offered to accompany him in the water… I will arrive in Hawaii over the next few days and we will set sail by the end of May. I can hardly wait to meet the whole crew in person! I was also happy to find out that the other scientist selected was a woman as well, Juliette (an American marine biologist). I am extremely happy and grateful for representing, firstly, women in science and also Brazil in a project with such a noble and current cause. We are living difficult times in Brazilian science, which are in some ways even more challenging for women. However, I believe that it is during times of trouble that we should dare to create our own opportunities. In this expedition, science and sports were somehow combined in the search for my own purpose, directly reflecting my lifestyle. I hope other girls and scientists can be adventurous and risk more in search of their dreams in a vast ocean, filled with mystery and opportunities Glossary Garbage patch : regions in the ocean that favor the concentration of litter at the sea surface due to ocean gyres, which are large oceanic current systems. Neuston : aquatic organisms that live at the sea surface, occupying the first 10 cm of the water column. Neuston nets are used to capture these organisms. To know more access: https://www.seeker.com/the-swim - official website https://www.youtube.com/playlist?list=PL6uC-XGZC7X7iQ31AN0hszm5a3RCosk00 - YouTube channel with episodes produced #scientistlife #marinelitter #marineconservation #endurance #ironman #caiacolla #chatcarlaelliff #chat #chatmarinatbotana
- Viruses aren’t always villains!
By Catarina R. Marcolin English edit by Carla Elliff Who here has never been sick because of a virus? Generally, viruses are always associated with bad situations in our lives, feeling ill and diseases (dangerous or not). But in the oceans, viruses have a very important role. First you must know that a virus can infect practically every life form, including bacteria, archaea and microeukaryotes, which are the basis of the food webs in the oceans. And did you know that a certain group of marine bacteria (SAR11) is considered the most abundant group of organisms on our planet? SAR11 can inhabit places where most organisms could not survive. These marine bacteria have such a fantastic distribution that they used to be thought of as invulnerable. However, a few years ago, a group of marine viruses (pelagiphages) were discovered infecting and killing millions of these SAR11 bacteria per second. You’ll soon find out why this is so important. Studies from the 1990s and 2000s showed that once a viral infection killed its host, cell matter (meaning nutrients and carbon) was released back into the microbial loop of the oceans. But hang on, what is a microbial loop? Before we talk about the microbial loop, we need to talk about the food web, which represents the feeding relationships among organisms. It is through the food web that the energy from the sun can reach all living things, including us, mere human beings. Energy from the sun is absorbed and converted into carbon in the ocean by primary producers (phytoplankton), which are eaten by zooplankton, which are then eaten by fish, which are then eaten by bigger fish, birds and/or whales. But this classic description of a food web (phytoplankton-zooplankton-fish) is just one component in a much more complex cycle. And although the microbial loop is less known, it is not less important. Back to what in fact is this microbial loop. Put simply, it is the process through which the microbial community (especially bacteria) degrades organic matter. This organic matter can be derived from the excretes of organisms, from zooplankton’s sloppy feeding (when zoo doesn’t consume their food whole, releasing unconsumed bits to the waters around them), and from the breaking down and dissolution of matter from plants and others. This organic matter is not initially available for direct absorption by most organisms. The paramount role of bacteria is to reintroduce this carbon into the cycle, meaning, back into the food web. And this represents a very important additional source of energy to the system. The term microbial loop was invented by a very famous Pakistani scientist called Farooq Azam and his collaborators. I had the opportunity to watch an amazing talk by Dr. Azam at an ASLO meeting (ASLO stands for Association for the Sciences of Limnology and Oceanography) in 2013, held in New Orleans. He had only one slide and still managed to time out, but no one had the guts to interrupt because it was like listening to a fairytale, where microbes were the main character and the story was being told by the writer himself. Unmissable! If you’d like to know more about the work done by this researcher, access his webpage . Back to the main character of this story, viruses! As I said at the beginning of the post, viruses have an important role in the microbial loop. Laboratory experiments have indicated that this release of cell matter by viruses can stimulate the growth of the microbial community. There is also evidence that viruses are responsible for the turnover of 20-50% of bacterial communities per day. If these estimates are accurate, then viruses can increase the flow in organic matter (carbon) to the bottom of the oceans, when compared with ecosystems with no viruses. And this is important because the climate of our planet is largely regulated by this flow of carbon to the bottom of the oceans, which is mediated by living organisms (the famous biological pump, as described in the image above). This means that the fact that this year was scorching hot in your hometown is in some way associated with the balance of carbon flow in different parts of the oceans worldwide. We still know little about marine viruses. The viruses in the picture here were isolated during the TARA Oceans expedition. They are so small you would have to put 250 of them side by side to reach the width of a strand of hair. More recent studies indicate that these pelagiphages are nearly as abundant as SAR11 bacteria, the “invulnerables”, described above. Therefore, knowing more about marine viruses will help us understand better about how carbon is stocked and released in the ocean. While my cold last week had nothing to do with these fantastic organisms, they have everything to do with the balance of our planet. Viruses come in all shapes and sizes! If you liked today’s post, leave a comment! This way we can seek guests to further explore themes that you guys think are interesting. See you next time! References and interesting news: Shelford EJ, Middelboe MM, Møller EF, Suttle CAS. (2012). Virus-driven nitrogen cycling enhances phytoplankton growth. Aquat Microbial Ecol, 66: 41–46. Weitz J. S. et al., 2014. A multitrophic model to quantify the effects of marine viruses on microbial food webs and ecosystem processes. The ISME Journal, 1–13. Buchan, A.; LeCleir, G. R.; Gulvik, C. A.; Gonzalez, J. M. (2014). Master recyclers: features and functions of bacteria associated with phytoplankton blooms. Nature Reviews Microbiology, 12, 686 - 698. http://uanews.org/story/ua-scientists-help-discover-most-abundant-ocean-virus #microbialloop #bacteria #marinebiology #marinescience #plankton #virus #chatcatarinarmarcolin #chatcarlaelliff
- Projeto UFSC sem Plástico: pequenas mudanças de hábito, grandes impactos no meio ambiente
Conheça o projeto premiado nos EUA que está mudando a UFSC e surgiu do desejo de estudantes por um mundo melhor. Por Lisiane de Liz Todos os anos toneladas de resíduos produzidos no continente, tanto de origem doméstica como industrial, chegam aos oceanos. Uma vez no ambiente marinho, dependendo do tipo e densidade desses resíduos, eles irão se acumular nas praias, na coluna d'água ou sobre o fundo. Dessa forma, a biota desses compartimentos pode ser afetada pela presença desse material. Exemplos disso são sufocamento ou sensação de falsa saciedade causada pela ingestão de resíduos, tais como plásticos. Além disso, resíduos como restos de redes de pesca podem ser responsáveis pelo aprisionamento de espécies, dificultando a movimentação e/ou captura de presas. A maior parte dos resíduos encontrados no ambiente marinho é composta por plásticos , que podem representar mais de 90% do material descartado de forma inapropriada que chega no mar. O desconhecimento dos danos causados pelos plásticos, aliado à ausência de responsabilidade pela quantidade de plásticos que consumimos (principalmente os descartáveis) e à má gestão do descarte desses resíduos são os maiores responsáveis pela entrada exacerbada de plásticos nas praias e oceanos. Preocupados com os problemas ambientais gerados pelo uso inconsequente de plásticos, foi criado o projeto de extensão “UFSC sem Plástico”, composto por um grupo multidisciplinar de estudantes de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Economia, Engenharia Ambiental e Sanitária, Nutrição, e Oceanografia. O projeto conta com o apoio da professora Dr. Juliana Leonel , responsável pelo projeto, e da Coordenadoria de Gestão Ambiental da UFSC. O projeto questiona o padrão de consumo e descarte de resíduos impostos na nossa sociedade, bem como dentro da Universidade. O campus de Florianópolis localizado no bairro Trindade congrega cerca de 70 mil pessoas e 15 lanchonetes que geram diariamente uma porção excessiva de resíduos plásticos. Além disso, a UFSC tem gastos elevados com materiais descartáveis e o direcionamento de resíduos para o aterro sanitário; gastos estes que poderiam ser destinados para outras atividades, como bolsas e auxílios aos alunos. Tendo em vista esse panorama, o Projeto UFSC sem Plástico tem como objetivo contribuir com a redução do consumo de plásticos e descartáveis dentro da Universidade e, consequentemente, minimizar o nosso impacto ambiental. Esperamos erradicar os canudos e substituir os itens de plástico por itens reutilizáveis com a conscientização das pessoas através das redes sociais do projeto e de parcerias com as cantinas, que devem apoiar a ação e incentivar seus clientes a levarem seus próprios copos. Todo material produzido pelo UFSC Sem Plástico tem licença de uso do tipo Creative Commons ( Attribution-NonCommercial 4.0 International ) que significa que pode ser usado por outras pessoas e/ou instituições desde que não seja para fins comerciais. Dessa forma, você pode ficar a vontade para usar nosso material desde que cite a fonte. No final de 2018, o UFSC Sem Plástico participou do evento Students for a Zero Waste Conference nos EUA, onde recebemos o prêmio “The Innovation Award for a Promising New Initiative”. Imagem: Membros do UFSC Sem Plástico (fornecido pelo projeto sob licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International). O que já foi feito? 1. Durante o segundo semestre de 2018 foram realizadas campanhas na Feira de Produtos Orgânicos, que ocorre toda quarta-feira na praça central da UFSC, com o objetivo de conscientizar as pessoas a trazerem um copo/caneca reutilizável para tomar caldo de cana, café, açaí etc. Durante o horário de funcionamento da feira os estudantes que participam do projeto conversavam com os feirantes e com os clientes sobre a necessidade de reduzir o consumo de plásticos descartáveis. Além disso, copos reutilizáveis eram emprestados para o consumo do caldo de cana. A atividade na feira era acompanhada de postagens nas redes sociais para incentivar as pessoas a adotarem um copo/caneca reutilizável. 2. Campanha de conscientização em um dos RUs da UFSC, que ainda fornecia copos descartáveis para os usuários, que resultou na eliminação dos copos descartáveis (vale ressaltar que na UFSC cada estudante/funcionário ao fazer sua carteirinha de identificação ganha uma caneca plástica reutilizável). 3. Implementação de um banco de copos em uma das cantinas da UFSC (as pessoas podem usar esses copos para tomar café/chá/suco nos dias que esqueceram de trazer seus reutilizáveis). Alguns eventos também usam nosso banco de copos para evitar o uso de descartáveis. 4. Criação do Selo Cantina Consciente dividida em 3 níveis. Para adquirir os selos as cantinas devem assumir compromissos sustentáveis, tais como, esconder (ou eliminar) os canudos descartáveis, ofertar pratos/talheres/copos/canecas reutilizáveis e estimular que os clientes tragam suas próprias canecas para consumo de bebidas. No momento duas cantinas estão se adaptando para receber o primeiro nível do selo. Imagem: Selos Cantina Consciente (fornecido pelo projeto sob licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International) 5. Divulgação do "Guia UFSC Sem Plástico: onde descrevermos como criamos o projeto para estimular a criação de projetos similares em outras universidades. Quem quiser receber o guia basta nos contactar através do e-mail ufscsemplastico@gmail.com 6. Criação do "Manual CA Consciente”, no qual são estabelecidas parcerias com centros acadêmicos auxiliando-os a serem veículos de conscientização ambiental. A ação tem como objetivo a sensibilização e transformação gradual dos centros acadêmicos e dos graduandos, tornando-os responsáveis pelo seu consumo e ações dentro da universidade, despertando consciência ambiental. Os CAs participantes concordam em reduzir (ou eliminar) o uso de descartáveis em seus eventos, a manter um banco de copos em suas instalações e disseminar os objetivos do UFSC Sem Plástico. P.S.: quem quiser receber o Guia UFSC Sem Plástico ou Manual CA Consciente pode escrever para ufscsemplastico@gmail.com . P.S.1: quer saber mais sobre o UFSC Sem Plástico? Siga-nos no Instagram e no Facebook . Sobre Lisiane de Liz: Curiosa para compreender os oceanos, sua influência na manutenção da Terra e toda sua complexidade, optei por cursar Oceanografia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Apesar de não morar em uma cidade costeira e nem sempre passar o verão em contato com os oceanos, quando ocorria esse encontro sempre observava e escutava o som do mar procurando entendê-lo e pensando em como poder ajudar na sua preservação. Meu trabalho de conclusão de curso, bem como meu projeto de dissertação do mestrado é na área de Geoquímica Orgânica. A preocupação com a poluição marinha consequente dos nossos hábitos e do descarte incorreto de produtos, principalmente descartáveis, me despertou a sensibilizar pessoas próximas sobre conscientização e mudança. Durante o primeiro ano do mestrado, encontrei pessoas que assim como eu, também estavam incomodadas com essa problemática tanto no meio ambiente quanto na nossa universidade, foi quando criamos o projeto UFSC Sem Plástico. Atualmente sou mestranda na UFSC. #ciênciasdomar #plástico #conscientizaçãoambiental #extensãouniversitária #convidados
- The effects of the lack of communication between science and society
By Jana del Favero Translated by Lídia Paes Leme English edited Katyanne M. Shoemaker Original With the investment cut by CAPES (a Brazilian science funding agency) on the 3rd of August 2018, many Brazilian researchers started using social media to tell society about what they’ve been researching, using the hashtags #MinhaPesquisaCapes and #ExistePesquisaNoBr. (#MyresearchinBrazil, #thereisscienceinBrazil). In this blog we surveyed editors and guests to see who had received CAPES funding at some point in their career. In less than 2 hours, we had over 20 researchers. What fault do we have, as scientists, in this government cut? Why did we wait for the announcement of such a drastic measure to start communicating the importance of our research to society? Why did we wait for absurd ideas, such as the anti-vaccine movement, the flat Earth conspiracy, and others to spread before bringing science to the public? Shouldn’t it be routine for scientists to speak directly to society? Why don’t we? The first reason that comes to mind is the constant lack of time, and this walks side by side with the lack of incentive (and/or lack of recognition). We, Brazilian scientists, other than developing our research, juggle: 1) Teaching (undergrad and grad); 2) Advising (undergrad, masters, doctorate research); 3) Proposing and managing research, teaching, and extension projects; 4) Finding funding and supplying equipment and other materials for research and teaching; 5) Organizing others schedules for lab and field work; 6) Attending meetings and serving on committees (department, courses, post-grad, etc); and 7) Participating in evaluation panels (exams, undergrad/grad titles). The lack of incentive is in the fact that funding agencies, career evaluations, and teaching exams in public universities undervalue public outreach efforts. Currently, the best way to score points in academia is to publish many articles in scientific magazines, and those rarely reach the general public. I’m not saying that peer-reviewed papers are not important, but that they shouldn’t be the only metric. This lack of incentive quiets the scientists, and in turn, society doesn’t value the science being done because they don’t know how it can affect their lives. Add to this a government that doesn’t encourage scientific dissemination because scientists don’t speak up and the public doesn’t ask for it, and we enter a vicious cycle that is hard to break. It’s worth remembering that the majority of research done in Brazil comes from within the University setting. The research is done by scientists, mainly in masters, doctoral, or post-doctoral programs, that are funded by research grant agencies, like CAPES. Without funding for communication, society will never be able to see the importance of the research that brings them medicine, fish in the market, and transportation! One example of this disconnect between science and society was a paper’s headline announcing that CAPES would not have money to assist in paying researchers after August 2019; but I’d like to make it clear that CAPES does not pay partial assistantships, but rather exclusive scholarships that are the only means of income for most researchers. This payment is called a research assistantship because it is not taxed, but it also does not come with benefits like vacation days, 13rd salary, guaranteed funding, or unemployment insurance. In many cases, the one with a scholarship is legally restricted from performing any other money-making activity while receiving this funding. Therefore, these scholarships are actually “salaries,” and the only source of income the researchers have. Who doesn’t work best when they have a good, stable income? When they don’t have to worry if their scholarship will be cut off or not? When they don’t frequently have to ask for extensions or to submit new project proposals? So I leave here a challenge for all of my colleagues in academia: Speak up! Don’t let the hashtags #MinhaPesquisaCapes #ExistePesquisaNoBrasil be short-lived. And also, I challenge all non-scientists: find something in your life that wasn’t created, dependent upon, or made better by science. Value all you have around you, because then you’ll be valuing science! #chatjanamdelfavero #scienceoutreach #scientistlife
- Ondas Oceânicas
Por Jana M. del Favero É impossível ir à praia e não se encantar pelo vai e vem das ondas. Se a superfície do mar não fosse perturbada pelo vento ou por outros fatores que apresentaremos nesse post (como terremotos), ela seria naturalmente lisa. Porém sabemos que a superfície do mar não é lisa, e sim cheia de ondulações. Uma onda oceânica é uma ondulação na superfície do mar que tem movimento regular: a água sobe formando a crista da onda (ponto de máxima elevação) e desce formando o cavado (ponto de mínima elevação, também chamado de vale ou cava). Assim como as ondas sonoras, que aprendemos no colégio, ou as ondas que formamos ao brincar com uma corda, as ondas oceânicas distinguem-se umas das outras pelas seguintes propriedades: 1) altura - distância vertical que separa a crista do cavado; 2) comprimento - distância horizontal entre a crista de uma onda e a crista da onda seguinte (veja a figura abaixo); e 3) período - tempo que duas cristas sucessivas levam para passar por um ponto fixo, como a perna de um píer. Representação de onda com suas nomeclaturas (Fonte: Bate Papo Com Netuno com Licença CC BY SA 4.0) Uma das maneiras de classificar as ondas é através do período. Por exemplo, as ondas capilares têm períodos de menos de um décimo de segundo. Estas são facilmente vistas em um mar liso e calmo quando uma rajada de vento perturba abruptamente a superfície da água, criando ondas muito pequenas, de curta duração. Já os tsunamis têm períodos longos, da ordem de minutos e horas, e são gerados por perturbações submarinas, como um terremoto. Porém, os períodos de ondas mais longos são das marés . Sim, você não leu errado: marés são ondas com grande comprimento, que ocasionam o aumento e a diminuição do nível do mar com um período distinto, entre 12 e 24 horas dependendo do local em que você estiver na Terra (já falamos sobre marés aqui ). Engana-se quem acha que as ondas ocorrem apenas na superfície dos oceanos. Um tipo de onda, chamado de onda interna , ocorre debaixo da água e se move ao longo das picnoclinas, que são as superfícies que separam as massas de água de diferentes densidades. Essas ondas internas viajam a velocidades muito menores do que as ondas de superfície, pois a diferença de densidade entre duas massas de água é bem menor do que entre o ar e a água. No entanto, seu período e comprimento são relativamente longos (medidos em minutos e em centenas de metros, respectivamente). Além disso, as maiores ondas internas podem atingir ou mesmo exceder 100 metros de altura, quase três vezes mais altas do que as maiores ondas na superfície. Mas como estamos habituados com as ondas de superfície geradas pelo vento, focaremos nelas nesse post. Com uma ida à praia você já consegue entender a relação entre a força do vento e o tamanho das ondas: com o aumento da velocidade do vento, aumenta o comprimento, o período e a altura das ondas resultantes, desde que o vento sopre tempo suficiente e a pista (área de água sobre a qual o vento sopra) seja adequada em comprimento. Outra característica que é fácil de notar é o chamado movimento orbital das partículas de água sob as ondas. Vou dar um exemplo: nadadores no mar logo atrás da arrebentação (zona onde as ondas quebram) são empurrados para cima e em direção à praia à medida em que sobem a frente de uma onda até sua crista e em seguida são empurrados para baixo e mar adentro ao passo que descem a parte de trás da onda até seu cavado. Isso mostra que, com a passagem de uma onda, qualquer coisa que esteja flutuando e todas as partículas de água perturbadas pela onda tendem a retornar ao mesmo ponto de onde começaram. Assim sendo, em teoria, não existe movimento de avanço de massa independentemente do número de ondas que passam pela área: é a energia da onda, e não as partículas de água, que se desloca ao longo da superfície do mar. Exemplo de como uma partícula (no caso, uma gaivota) se mantém parada, enquanto a energia da onda se desloca, perturbando a superfície do mar. Fonte Quanto maior for a onda, maior será o tamanho da órbita formada. O tamanho das órbitas diminui rapidamente com a profundidade e não é detectável em profundidades iguais a cerca de metade do comprimento da onda. Os mergulhadores estão bem cientes desse efeito por escaparem de serem empurrados pelas ondas ao nadar em direção ao fundo. Inclusive, há diversos relatos de mergulhadores usando equipamento SCUBA (aquele com cilindro de ar) sobrevivendo a tsunamis por estarem abaixo d’água! Representação de ondas curta (direita) e longa (esquerda). (Fonte: Bate Papo Com Netuno com Licença CC BY SA 4.0) E o que podemos aprender com essas medidas de onda? Bom, ondas que estão em águas menos profundas que a metade do seu comprimento irão interagir com o fundo do oceano e eventualmente quebrar. A água perto do fundo do mar não consegue se mover em uma órbita circular, apenas “para trás e para frente”, ou seja, as órbitas circulares das partículas de água se tornam elipses achatadas por causa da interferência do fundo. Além disso, a interferência do fundo muda a forma e a velocidade da onda, de modo que uma onda de água profunda é transformada em uma onda de água intermediária e, em seguida, em uma onda de água rasa. Uma onda de água profunda é definida como uma onda que se move na água que é mais profunda do que sua base, que é metade de seu comprimento. Uma onda de água intermediária percorre profundidades que estão entre a metade e um vigésimo do seu comprimento. Por fim, uma onda de água rasa está em uma profundidade inferior a um vigésimo do seu comprimento. É importante notar que esta é uma classificação relativa, o que significa que o comprimento da onda é analisado em relação à profundidade da água. Isso quer dizer que é possível ter ondas de águas profundas em uma banheira cheia com alguns centímetros de água, e ondas de água rasa em um oceano profundo. Uma banheira é uma bacia oceânica inteira para uma formiga, ao passo que essa mesma bacia oceânica não é mais que um laguinho para um titã… é tudo relativo! As órbitas descritas pelas partículas sob as ondas são circulares para as ondas de águas profundas (esquerda). Já para as ondas de águas rasas, as órbitas das partículas são comprimidas em elipses alongadas (direita) (Fonte: Bate Papo Com Netuno com Licença CC BY SA 4.0). Quando as ondas começam a interagir com o fundo, elas perdem velocidade por causa do atrito com o fundo. Este atrito também faz com que suas alturas aumentem e seus cavados se tornem achatados. Essa mudança na forma e o aumento da altura refletem a redistribuição da energia da onda com a diminuição da profundidade da água. O que não muda é o período, propriedade fundamental de uma onda. Ou seja, o período de uma onda medido em uma praia será o mesmo ao seu período no momento de sua geração na área de tempestade em mar aberto. Quando a altura é aproximadamente igual a um sétimo do comprimento de onda, a crista fica inclinada e instável; como o atrito com o fundo retarda a base da onda, a parte superior avança e a onda quebra. Esse vídeo explica como as ondas que vemos nas praias se formam e quebram. #janamdelfavero #descomplicando #ondas
- A formiga e o mar
Por Juliana Leonel Ilustração: Joana Ho Não, não estamos falando de uma formiga marinha nem de formigueiros no fundo dos oceanos. Mas sim, a formiga e o mar estão relacionados. Venha saber como Os oceanos têm uma ligação muito próxima com tudo que é feito no continente e, de uma forma ou de outra, tudo (ou quase tudo) chega aos oceanos. Então, se usamos algum produto/substância em casa, na agricultura ou na indústria, esse material, um dia, chegará aos oceanos. O Brasil tem um papel importante no abastecimento das fábricas de papel e celulose em diversos países do mundo (principalmente na China e em países da Europa). Por isso, nosso território tem extensas plantações de eucalipto que, devido ao seu rápido crescimento e baixo custo de plantio, é uma excelente fonte de matéria prima para estas indústrias. No entanto, as plantações de eucalipto são um “prato cheio e saboroso” para formigas cortadeiras que podem causar a desfolha total das plantas e levá-las à morte. Atualmente, para controlar esses insetos, são usadas iscas formicidas granuladas, sendo a Sulfluramida a mais usada. Diversos pesquisadores observaram que a Sulfluramida, após ser lançada no ambiente, se transforma em outros compostos químicos depois de algumas semanas. Um deles, o ácido perfluoroctanoico sulfônico (PFOS), é altamente persistente no ambiente e apresenta efeitos tóxicos para a biota, incluindo nós seres humanos. Porém, embora o PFOS seja classificado como um Poluente Orgânico Persistente pela Convenção de Estocolmo ( saiba mais aqui ), da qual o Brasil é signatário, a cada cinco anos, o país pede autorização para continuar utilizando a Sulfluramida. Alguns trabalhos, realizados em 2012 e 2014, apresentaram valores elevados de PFOS em águas dos mares brasileiros¹,², que não foram condizentes com o uso industrial dos PFOS no país. Com isso surgiu a pergunta: seria a Sulfluramida uma fonte significante de PFOS para a região costeira do Brasil? Para responder esta pergunta os pesquisadores do Laboratório de Oceanografia Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) trabalham em colaboração com outras instituições nacionais e internacionais realizando análises de amostras ambientais e experimentos laboratoriais. Dessa forma, pela primeira vez, um estudo³,4 reuniu dados sobre uso, produção, comercialização, exportação e importação do ingrediente ativo da Sulfluramida (EtFOSA – N-ethilperfluoro-octano-1-sulfonamida) mostrando que a importação de EtFOSA pelo Brasil passou de 30 toneladas em 2007 para 60 toneladas em 2014. O mesmo estudo também avaliou a ocorrência de PFOS e outras substâncias perfluoroalquiladas (PFASs) em águas superficiais da Baía de Todos os Santos (Bahia), onde se constatou a presença de um perfil de PFASs que corresponde ao uso da Sulfluramida. Mas a pergunta ainda não estava respondida, pois os estudos que sugerem a degradação da Sulfluramida para PFOS realizaram apenas análises em solos e/ou água e nenhum deles estudou a degradação a partir das iscas formicidas, que são possíveis fontes dessa substância. A partir disso, foi elaborado um experimento para estudar essa degradação em solo, com e sem a presença de cenouras (vegetal escolhido pois é fácil de cultivar em laboratório, tem crescimento rápido e é usado na alimentação humana)5. O estudo concluiu que num período de menos de duas semanas a Sulfluramida era degrada para PFOS em uma quantidade maior que anteriormente estimada. Além disso, observou-se que o PFOS é absorvido do solo pela cenoura, e se distribui entre sua casca, seu interior e suas folhas. Ou seja, alimentos plantados próximos de regiões onde há uso da Sulfluramida podem ser expostos a PFOS. Concomitantemente, dados gerados a partir da análise de amostras (água fluvial, marinha e subterrânea, solo, folha e sedimento) da região de Caravelas e Alcobaça (extremo sul da Bahia) auxiliaram a entender como pode ocorrer o transporte da Sulfluramida e seus produtos de degradação, desde a região de aplicação até a costa. Esta região foi escolhida devido à presença de extensas plantações de eucalipto. Por exemplo, 30,6% da área total da cidade de Caravelas é ocupada por eucalipto. Esse trabalho permitiu confirmar a hipótese que o uso de Sulfluramida nas plantações de eucalipto da Bahia são uma fonte significante de PFOS para a região costeira. Lembrando que é justamente nesta região onde se encontra a maior concentração de recifes de coral do Atlântico Sul, os recifes de Abrolhos. Além disso, a presença de PFOS (e outros compostos perfluorados) em água de poço artesiano foi particularmente preocupante, devido ao potencial de exposição de seres humanos através da ingestão de água. Infelizmente, embora haja estudos em busca de alternativas, a Sulfluramida é considerada o método mais eficiente para o controle de formigas cortadeiras no Brasil e não há uma perspectiva para que seu uso seja proibido. Trabalhos como esse exemplificam porque a liberação indiscriminada de agrotóxicos ( foram mais de 100 liberados só em 2019 ) é tão preocupante, pois, uma vez que são introduzidos no ambiente, esses compostos não atingem somente o local onde ele é aplicado e podem permanecer no ambiente por muito tempo (veja o caso da ocorrência do DDT no ambiente antártico ). Além disso, pouco se sabe sobre os produtos de degradação da maior parte dos agrotóxicos usados no Brasil. Referências: Benskin, J.P., Muir, D.C.G., Scott, B.F., Spencer, C., De Silva, A., Kylin, H., Martin,J.W., Morris, A., Lohmann, R., Tomy, G., Rosenberg, B., Taniyasu, S., Yamashita, N., 2012a. Perfluoroalkyl acids in the atlantic and canadian arctic oceans. Environ. Sci. Technol. 46, 5815–5823. González-Gaya, B., Dachs, J., Roscales, J.L., Caballero, G., Jimenez, B., 2014. Perfluoroalkylated substances in the global tropical and subtropical surface oceans. Environ. Sci. Technol. 48, 76–84. Gilljam, J.L., Leonel, J., Cousins, I.T., Benskin, J.P., 2016a. Is ongoing Sulfluramid use in South America a significant source of perfluorooctane sulfonate (PFOS)? Production inventories, environmental fate, and local occurrence. Environ. Sci. Technol. 50, 653–659. Gilljam, J.L., Leonel, J., Cousins, I.T., Benskin, J.P., 2016b. Additions and correction to is ongoing Sulfluramid use in South America a significant source of perfluorooctanesulfonate (PFOS)? Production inventories, environmental fate, and local occurrence. Environ. Sci. Technol. 50, 7930–7933. Zabaleta, I., Bizkarguenaga, E., Nunoo, D.B.O., Schultes, L., Leonel, J., Prieto, A., Zuloaga, O., Benskin, J.P., 2018. Biodegradation and uptake of the pesticide sulfluramid in a soil/carrot mesocosm. Environ. Sci. Technol. 52, 2603–2611. Nascimento, R. A., Nonoo, D. B. O., Bizkarguenaga, E., Schults, L., Zabaletab, I., Benskin, J. P., Spanó, S., Leonel, J. (2018). Sulfluramid use in Brazilian agriculture: A source of per- and polyfluoroalkyl substances (PFASs) to the environment. Envirom. Pol. 242, 1436-1443 #ciênciasdomar #julianaleonel #joanaho #poluiçãomarinha #POPs #praguicidas
- Mulheres no Oceano
Por Raphaela Duarte, Andreliza Roberta Terciotti de Oliveira, Yonara Garcia , Thais R. Semprebom, Mariana P. Haueisen e Douglas F. Peiró Acesse a publicação original aqui Mulheres cientistas em treinamento pela NASA, em 1975. Fonte Existem grandes descobertas científicas realizadas por mulheres na ciência, mas nem sempre são elas que se destacam. Uma das áreas em que estão bastante presentes é a Biologia Marinha. As mulheres também amam os oceanos e cuidam deles. Quantas cientistas mulheres você conhece por suas grandes descobertas? Poucas? Nenhuma? Sempre existiram mulheres cientistas que fizeram grandes descobertas para a ciência, mas devido à desigualdade de gênero, poucas foram reconhecidas pelo mundo. Em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, 8 de março, uma data que representa a luta pela igualdade dos gêneros, selecionamos três grandes biólogas marinhas para que você se inspire nestas incríveis profissionais. Rachel Louise Carson Rachel Carson nasceu em Springdale, Pensilvânia, Estados Unidos, no dia 27 de maio de 1907. Foi uma das pioneiras na conscientização ambiental moderna , com publicação de livros e artigos sobre o meio ambiente. Rachel estudou na Faculdade da Pensilvânia para Mulheres, atual Universidade Chatham. Inicialmente ingressou no curso de Língua Inglesa, mas, em janeiro de 1928, transferiu para Biologia, onde graduou-se com honras em 1929 . No outono de 1929 ela continuou estudando zoologia e genética na John Hopkins University, após um curso de verão no Laboratório de Vida Marinha. Nesta mesma universidade, obteve o título de mestre em Zoologia, em 1932. Apesar de ter a intenção de investir no doutorado, em 1934 ela deixou John Hopkins para dar aulas e ajudar a família. Sua carreira como bióloga marinha começou no United States Fish and Wildlife Service como escritora . Reconhecida por várias revistas , ela se tornou escritora em tempo integral em 1950. No ano seguinte, escreveu o livro The Sea Around Us, que se tornou um best-seller e ganhou o National Book Award. Seus dois próximos livros, The Edge of the Sea e Under the Sea Wind foram sucesso de vendas também. Essa trilogia explora a vida marinha, desde a zona litorânea até as profundezas. O seu livro mais conhecido é o Silent Spring, ou Primavera Silenciosa, de 1962 , em que Rachel descreve os efeitos nocivos de pesticidas, especialmente o DDT, no meio ambiente. Rachel faleceu no dia 14 de abril de 1964 devido a um infarto, provavelmente causado pela sua situação frágil, uma vez que tratava de um câncer de mama em metástase desde 1960. Marta Vannucci Marta Vannucci nasceu em Florença, Itália, no dia 10 de maio de 1921, e se estabeleceu no Brasil em 1930 com sua família. É considerada uma das maiores especialistas em ecossistema de manguezais . Em 1943 formou-se em História Natural e, após um ano, defendeu sua tese de Doutorado em Ciências pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, sob orientação do professor Ernst Marcus, zoólogo renomado mundialmente. Desde então, passou a ser sua assistente no Departamento de Zoologia da mesma faculdade. Em 1946 foi convidada para trabalhar no Instituto Paulista de Oceanografia (IPO) pelo professor russo Wladimir Besnard. Em 1951, ambos conseguiram que o Instituto fosse incorporado na Universidade, quando então surgiu o Instituto Oceanográfico, como uma Unidade de Pesquisa da USP (IOUSP). Atuou fortemente na Seção de Oceanografia Biológica, setor de invertebrados marinhos, e dedicou-se arduamente no estudo do plâncton, publicando mais de 100 trabalhos . De 1964 a 1969, Marta esteve na direção do IOUSP , dedicando-se à construção do prédio do Instituto, na organização dos cursos de pós-graduação e negociando o Navio Oceanográfico “Prof. Wladimir Besnard”, que realizou diversas expedições com pesquisadores e alunos, colaborando com coletas e pesquisas do Instituto até o ano de 2008. Marta assumiu, em 1970, o cargo de perito em oceanografia pela UNESCO em Cochin, no estado de Kerala, sul da Índia, e a partir de 1974 interrompeu suas atividades no IOUSP. Pela UNESCO, contribuiu com expedições marinhas, conferências internacionais, organização de laboratório de triagem de plâncton (México) e com centenas de trabalhos científicos. Publicou diversos livros, sendo um dos mais famosos “Os manguezais e nós”, de 1999 , que retrata a importância desse ecossistema para a subsistência das zonas costeiras e produção de nutrientes para fauna e flora. Aposentou-se pela UNESCO em 1989 e atualmente vive em São Paulo. Sylvia Earle Sylvia Alice Earle nasceu em 30 de agosto de 1935 em Gibbstown, New Jersey, Estados Unidos. Curiosa, como uma cientista nata, desde pequena adorava explorar a natureza e era fascinada por todas as formas de vida que ali viviam. Aos 13 anos mudou-se para a Flórida, dedicou-se aos estudos e ganhou uma bolsa de estudo na Florida State University . Durante a graduação aprendeu a mergulhar, recebendo certificado de mergulho autônomo. Sylvia se especializou em botânica e se formou em 1955. Neste mesmo ano, matriculou-se no mestrado em botânica na Duke University. Após o mestrado, casou-se e começou uma família, mas não deixou de explorar a vida marinha. Em 1964, quando seus filhos tinham dois e quatro anos, Sylvia fez parte da expedição da National Science Foundation no Oceano Índico, durante seis semanas. Em 1966, completou seu Ph.D. em ficologia (estudo das algas), também na Duke University. Com sua crescente carreira, ela se tornou pesquisadora na Universidade Harvard e diretora residente do Cape Haze Marine Laboratories, na Flórida. Em 1968, grávida de quatro meses, viajou a trinta metros abaixo das águas das Bahamas no submersível Deep Diver . Em 1969, inscreveu-se para participar do projeto Tektite, onde os cientistas viveram por semanas em um laboratório no fundo do oceano, a 15 metros de profundidade. Apesar de sua grande experiência com mergulho, possuindo mais de mil horas de pesquisa debaixo da água, Sylvia não pode participar do Tektite I, pois algumas pessoas não aceitaram uma mulher viajando com homens em uma longa expedição científica. Mas em 1970, Sylvia liderou o Tektite II, uma expedição exclusivamente feminina, abrindo precedentes para que futuras expedições aquáticas incluíssem mulheres em suas equipes. Earle liderou mais de 100 expedições submarinas durante sua carreira, acumulando mais de 7 mil horas subaquáticas. Suas missões científicas a levaram a lugares como as Ilhas Galápagos, a China e as Bahamas. Bióloga marinha, escritora, empreendedora, atualmente Sylvia Earle é exploradora da National Geographic Society , fundadora da Sylvia Earle Alliance (SEA) / Mission Blue , fundadora da Deep Ocean Exploration and Research Inc. (DOER), presidente do conselho consultivo do Harte Research Institute e ex-cientista-chefe da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). Ainda existem muitos nomes que poderíamos citar, tanto por suas histórias de luta quanto por seus grandes feitos na ciência. As mulheres sempre estiveram presentes nas Ciências do Mar trazendo descobertas, novas conquistas e defendendo a vida marinha. E se você ainda quer conhecer novas histórias, a UNESCO lançou o projeto “Mulheres cientistas marinhas compartilham suas histórias” (“ Women marine scientists share their stories ” ), no qual promove a igualdade de gênero por meio de histórias de cientistas marinhas, no intuito de encorajar jovens mulheres a seguir a carreira das ciências do mar. Em homenagem ao dia das mães, o Bate-papo com Netuno escolheu este texto por trazer três mulheres, biólogas marinhas e mães! Marta Vanucci e Sylvia Earle se tornaram mães durante a trajetória de suas carreiras. Já Rachel Louise Carson, apesar de não ter tido filhos biológicos, precisou se tornar mãe e provedora. Em 1934, durante a grande depressão, abandonou a pós-graduação para procurar emprego e ajudar no sustento da família. Com a morte de seu pai, em 1935, Carson se dedicou a cuidar de sua mãe e, dois anos depois, com a morte de sua irmã, assumiu a responsabilidade de cuidar de suas duas sobrinhas. Até que em 1957, mais uma tragédia familiar aconteceu, uma de suas sobrinhas morreu aos 31 anos, deixando um filho de 5 anos, Roger Christie. Carson adotou Roger e se mudou com a mãe idosa para Silver Spring, Maryland, onde, apesar dos percalços, continuou a se dedicar aos estudos sobre ameaças ambientais específicas. Bibliografia: Academy of Achievement. Sylvia Earle, Ph.D. Disponível em: http://www.achievement.org/achiever/sylvia-earle/#biography . Acesso em: 11 mar. 2019. Canal Ciência. Cientistas Brasileiros Notáveis. Disponível em: http://www.canalciencia.ibict.br/notaveis/livros/marta_vannucci_38.html . Acesso 19 de fev. de 2019. CNPq. Pioneiras da Ciência no Brasil. Disponível em: http://www.cnpq.br/web/guest/pioneiras-da-ciencia-do-brasil . Acesso 20 de fev. de 2019. IOUSP. A mulher que navegou nos mares do mundo – Marta Vannucci. Disponível em: http://www.io.usp.br/index.php/noticias/10-io-na-midia/716-a-mulher-que-navegou-nos-mares-do-mundo-marta-vannucci. Acesso 15 de fev. de 2019. LEAR, Linda. The Life And Legacy Of Rachel Carson. Disponível em: < http://www.rachelcarson.org >. Acesso em: 15 mar. 2019. Memória USP. Marta Vannucci. Disponível em: http://200.144.182.66/memoria/por/pessoa/724-Marta_Vannucci. Acesso 20 de fev. de 2019 . The Nature Conservancy. The Conservancy and Dr. Sylvia Earle. Disponível em: https://www.nature.org/en-us/about-us/where-we-work/united-states/florida/stories-in-florida/florida-dr-sylvia-earle-ocean-advocate/ . Acesso em: 11 mar. 2019. Varela, G. A. Gênero e trajetória científica: as atividades da cientista Marta Vannucci no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (1946-1969)¹. Niterói, v.13, n.1, p. 123-142, 2. sem. 2012. Wikipedia. Rachel Carson. Disponível em: https://en.m.wikipedia.org/wiki/Rachel_Carson . Acesso em: 05 mar. 2019. Woman in History. Rachel Carson. Disponível em: https://web.archive.org/web/20120808015112/http://www.lkwdpl.org/wihohio/cars-rac.htm . Acesso em: 05 mar. 2019. Sobre os autores: Raphaela Duarte Mestranda em Ecologia Aplicada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) – Lavras, MG – Brasil. Graduação em Ciências Biológicas (Bacharelado) pela UFLA. Graduação sanduíche nos Estados Unidos pelo College of Charleston, Charleston – SC. Graduação à distância no Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes pela Universidade de Franca (UNIFRAN). Especialização em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Editora assistente do Projeto Biologia Marinha Bióicos. Desde que entrei na graduação me identifiquei com a biologia marinha, e apesar de não estar perto do mar sempre procuro saber sobre o assunto e interagir com pessoas, instituições e cursos nessa área. Gosto principalmente de divulgar essas informações, pois acredito que o conhecimento é o nosso maior poder e ferramenta de educação ambiental. Andreliza Roberta Terciotti de Oliveira Sou bióloga formada pela UFSCar campus Sorocaba. Sou professora colaboradora no Projeto Biologia Marinha Bióicos, dedico-me na redação de artigos para Revista de divulgação científica. Sou apaixonada pelo mundo marinho, principalmente pela fauna, e gosto de compartilhar com as pessoas meu conhecimento e minhas experiências. Thais R. Semprebom Sou bióloga formada pela UEL e tenho mestrado em Botânica pelo IB/USP. Sou professora e autora de materiais didáticos, além de dedicar-me à divulgação científica. Gosto de ajudar as pessoas a pensar na Ciência e entendê-la, para que possam compreender melhor o mundo em que estamos e, assim, viver de forma mais consciente e harmoniosa com o ambiente e a vida! Mariana P. Haueisen Graduanda em Ciências Biológicas na PUC Minas. Participa do programa de Residência Pedagógica e trabalha com cartografia no Laboratório de Tratamento da Informação Biológicas do Departamento de Ciências Biológicas. Desenvolve trabalhos de biogeografia de tubarões no Laboratório de Tratamento da Informação Espacial do Programa de Pós-Graduação em Geografia da PUC Minas. Tem interesse e experiência na área da Biologia Marinha com foque em tratamento da informação e ecologia. Douglas F. Peiró Sou Biólogo Marinho. Paulista, caiçara por opção (referência aos habitantes da zona costeira do Estado de São Paulo e alguns outros Estados). Fundador e Coordenador do Projeto Biologia Marinha Bióicos de educação e divulgação científica de Biologia Marinha. Possuo pós-doutorado pela Université de Poitiers na França. Doutorado em Biologia Comparada de animais marinhos pela Universidade de São Paulo, com doutorado sanduíche na University of Louisiana at Lafayette nos EUA. Mestrado em Biologia Comparada de animais marinhos pela Universidade de São Paulo. Especialização em docência de Biologia Marinha. Graduação em Ciências Biológicas (Bacharelado e Licenciatura Plena). Tenho me dedicado há 18 anos à Biologia Marinha e ao ensino, tendo participado de inúmeras expedições científicas no litoral e também de cruzeiros oceanográficos nos Brasil e no exterior. Também atuo como professor de nível superior há mais de dez anos; atualmente sou docente do Projeto Bióicos e da Universidade Federal de São Carlos. #mulheres #biografia #ciência #biologiamarinha #mulheresnaciência #yonaragarcia #convidados
- Sea turtles and ocean fisheries
By Melissa Marcon English edit by Lidia Paes Leme and Carla Elliff Sea turtles are globally distributed and can be found in tropical and subtropical seas in all oceans. Five of the seven species that exist on the planet use the Brazilian coast for feeding and reproduction. The five sea turtle species that can be found in the Brazilian coast. A) Loggerhead turtle ; B) Green turtle ; C) Leatherback turtle ; D) Hawksbill turtle ; and E) Olive Ridley turtle (Source: adapted from NOAA ). Sea turtle populations are decreasing either directly or indirectly because of human destruction of the environment in nesting beaches (like lights, car traffic and others), nest predation, interaction with fisheries and pollution. The interaction with fisheries is one of the greatest causes of mortality and injury in young and adult sea turtles all over the world. In my master’s degree thesis I evaluated the interactions of leatherback and loggerhead turtles with the longline pelagic fisheries of the Southeast/South regions of Brazil. My main goal with this study was to quantify the distribution patterns of these species' incidental catches and correlate them with environmental (oceanographic), biological and operational variables, hoping to contribute in the formulation of conservation and management of fisheries strategies that would benefit the maintenance of the fishing ecosystem. Estimates of incidental capture of these turtles by pelagic longlines are concerning when compared to the mortality rates in fisheries and to the low recovery potential of these populations in the Atlantic Ocean. To understand more about this fisheries technique, access the links at the end of the post. Pelagic longline fishing (Source: NOAA ) Monitoring accidental catches combined with abiotic and operational data, which is often obtained by onboard observers in the commercial fleet, must be valued as a rich source of information. These data allow a better understanding of the behavior of sea turtle populations and of the importance of environmental variations in population dynamics. In my study I identified that loggerhead turtles were more frequently accidentally captured than leatherback turtles, similar to what other researchers had found. The fact that most loggerhead individuals were hooked by the mouth agrees with the fact that the species feeds on fish, therefore feeding from the longline bait. Leatherbacks, on other hand, were more commonly found with the hook externally attached to their body, which can also be related to their feeding habits, as they prey on gelatinous plankton. I also observed that there were more captures in the fall. It is possible that some oceanographic phenomena happens during this season, increasing the turtles' relative abundance. Therefore, the peak of accidental captures in the fall might be related to their migration to inner coastal regions, possibly for feeding, and, consequently, they are more vulnerable to longline fishing in this season. The accidental captures of loggerhead turtles analyzed in my dissertation was significantly higher when squid was used as bait in fisheries, showing that there's a preference for this food by the species. It's important to point out that observations made by other authors show a decrease of loggerhead captures when Atlantic mackerel ( Scomber scombrus ) is used as bait. Circle hooks have also been showed to minimize damages of accidental catches. The opportunistic feeding of the loggerhead in its juvenile stage makes it a very susceptible species for the incidental catch in pelagic longline fishing. Circle hooks help reduce sea turtle bycatch. Additionally, if the barb of the hook is flattened, other impacts are minimized while maintaining fishing function (Source: NOAA ) I n general terms, I was able to identify behavioral patterns, like location and preferences for types of bait, kinds of hooks and seasons, when loggerhead and leatherback sea turtles are more frequently captured. It is important to say that the data I used from the fisheries showed to be very useful, being sometimes the only source of information for the pattern of migratory behavior analysis, location and preferred habitat by sea turtles in various parts of the world. It might be a paradox that the activity that causes the impact itself can help us understand the affected populations in more detail. Data on accidental or accessory capture is becoming more and more complete and allows better identification of potential impacts in these populations. Thus, based on the results of my thesis, various initiatives and measures can be proposed to contribute to the conservation of the species studied and with the management of the fishing activity. Life in the ocean is not easy for our beautiful marine giants. Therefore, all efforts to understand and protect them and the environment they live in are extremely valid and gratifying. References and additional information: ICMBIO - Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Sudeste e Sul – CEPSUL. Espinhel de superfície e fundo. Available at: http://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/artes_de_pesca/industrial/espinhel/espinhel_superficie_fundo.pdf NOAA. Fishing Gear: Pelagic Longlines. Available at: https://www.fisheries.noaa.gov/national/bycatch/fishing-gear-pelagic-longlines FAO Fisheries and Aquaculture Department. Guidelines to reduce sea turtle mortality in fishing operations. Rome, FAO. 2009. 128pp. Available at: http://www.fao.org/3/i0725e/i0725e.pdf About the author: Melissa Marcon graduated in veterinary medicine from the Faculdade de Jaguariúna (2009). Her love for the ocean and its inhabitants led her to complete a master’s degree in biological oceanography at the Oceanographic Institute of the University of São Paulo. Melissa works in the field of medical and surgical clinic of small animals and wildlife. She has experience in collecting biological material, beach monitoring, necropsy, rescue and rehabilitation of marine fauna, especially sea turtles. Melissa has published another post here in the blog. Check it out (Portuguese version only) here: " Uma veterinária, a tartarugas marinhas, e a oceanografia " #marinescience #guests #ocean #fisheries #seaturtles #longline #accidentalcapture #bycatch #chatlídiapaesleme #chatkatyannemshoemaker
- Muito além dos nossos olhos: microplásticos no fundo do mar
Por Gabriel Stefanelli Silva Quando comecei a ler sobre plástico no oceano, no tão distante ano de 2011, ainda estava no começo da graduação em biologia marinha. Naquela época, já sabíamos que existiam grandes quantidades de lixo – e não só plástico – flutuando por aí. Teve forte repercussão na mídia a existência dessas concentrações de lixo nos pontos em que as correntes marinhas formam os grandes giros, sendo o Grande Depósito de Lixo do Pacífico (GDLP), a maior concentração de lixo marinho do mundo. Para se ter uma ideia, o GDLP tem uma área de mais ou menos 1,6 milhão de km², o tamanho do estado do Amazonas! Conseguem imaginar? Apesar de muitas pessoas pensarem que essas concentrações são ilhas de lixo, elas são na realidade uma “sopa” feita de vários tipos de detrito. A maior parte é composta por microplástico , partículas plásticas que medem entre 5 mm e 1 µm – às vezes nem dá para ver a olho nu! Localizado entre a Califórnia e o Havaí, o GDLP é tão heterogêneo na sua distribuição de resíduos que ao longo da sua extensão podemos encontrar desde muito lixo, até pouco ou nenhum lixo. Mas apesar de famoso, o GDPL é só um dos pontos de acúmulo de lixo marinho – então, para onde vai o resto? Extensão do Grande Depósito de Lixo do Pacífico (GDLP), entre a Califórnia e o Havaí. A figura mostra que existem dois “giros de lixo” na Zona de Convergência Subtropical. O giro oeste é menos extenso e está localizado próximo ao Japão. (Fonte: NOAA Marine Debris Program , domínio público) Seis anos depois, quando terminei o mestrado na temática de peixes de água doce, decidi voltar às minhas raízes e me aprofundar sobre o lixo no mar no meu projeto de doutorado. Achei um artigo publicado em 2016 sobre um grupo de cientistas britânicas lideradas pela pesquisadora Dra. Michelle Taylor (que continua sendo uma grande referência na área), sobre o primeiro registro de ingestão de microplástico em animais de mar profundo, e aquilo me deixou muito animado! Entrei em contato com o Prof. Paulo Sumida do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO - USP) e começamos a trabalhar algumas ideias. O laboratório do Paulo é o único especializado em mar profundo no Brasil, e me pareceu ideal para fazer um projeto sobre o lixo nessas regiões tão remotas do oceano. O mar profundo, desde que começou a ser estudado no final do século 19, ainda é um prato cheio para a pesquisa de exploração! E na questão do lixo plástico, vemos muito flutuando na superfície, mas temos pouquíssima noção sobre onde é que tudo isso vai parar... O que já sabemos é que grande parte do material que flutua na superfície acaba afundando pela ação de correntes marinhas e pelo acúmulo de microrganismos, que aumentam a densidade das partículas. Eventualmente, esse lixo chega ao sedimento do fundo e fica retido entre os grãos de lama e areia. Isso significa que os animais que se alimentam de material depositado, como os pepinos-do-mar, e filtradores, como os mariscos, são extremamente suscetíveis à ingestão de microplástico. O Paulo e eu decidimos, então, fazer uma análise sobre a ingestão desse material ao longo da teia alimentar de profundidade, verificando se uma partícula ingerida por determinado organismo poderia ser transferida ao seu predador, um fenômeno conhecido como biomagnificação. Isso significa que animais na base da teia (ou de menor nível trófico), mesmo sendo incapazes de ingerir uma grande quantidade de microplástico, poderiam causar um acúmulo de lixo nos tratos digestivos de seus predadores quando consumidos em grande número, e assim por diante. Ao morrer, os organismos predadores de topo poderiam, ainda, devolver o microplástico ao ambiente e reiniciar o processo. Ao longo do tempo, esses ciclos de ingestão de lixo ficam cada vez mais graves e mais deletérios ao ecossistema. Exemplo de biomagnificação de microfibras plásticas (em azul) a partir do consumo de organismos contaminados ao longo de uma cadeia alimentar marinha. De baixo para cima, há um aumento no nível trófico dos organismos, começando por microcrustáceos do zooplâncton, passando por peixes e terminando com uma ave predadora. (Fonte: por Gabriel Stefanelli com licença CC 4.0 SA-BY) Trabalhar com mar profundo – e fazer pesquisa oceânica como um todo – pode ser um desafio. Uma parte do meu doutorado envolve cruzeiros científicos, e minha primeira expedição embarcada tinha como destino um ponto a mais de mil quilômetros da costa de São Paulo. Ao final de cinco dias de viagem, com mar violento (e muitos vômitos), tivemos um problema com as redes e nem foi possível fazer a coleta. Felizmente, sempre há um plano B e hoje já tenho material de outras expedições, inclusive animais coletados desde os anos 80 e que fazem parte da Coleção Biológica Prof. Edmundo F. Nonato do Instituto Oceanográfico da USP. Juntando todo o material que tenho disponível, são mais de 30 anos de informação sobre poluição no oceano. Puxado, mas muito interessante! Estou quase na metade do doutorado, e apropriadamente quase metade dos organismos que eu analisei tinha pelo menos uma microfibra em seu interior. E enquanto esperamos a volta das atividades da universidade para analisar essas microfibras, continuamos vendo notícias sobre poluição marinha. Mês passado foi publicado um estudo mostrando que plástico há mais de 20 anos no fundo do mar se mantém preservado como novo e fornece um ambiente propício a microrganismos que normalmente não estariam naquela área, o que pode trazer grandes ameaças ao funcionamento do ambiente de profundidade. Também recentemente foi descoberta uma nova espécie de anfípoda – um tipo de crustáceo – de mar profundo que foi coletada com microplástico no estômago. A espécie até recebeu um nome simbólico, Eurythenes plasticus , e é apenas mais um exemplo de como o lixo que nós produzimos chega aos locais remotos do oceano, dos polos até as regiões mais profundas do planeta. Muito me espanta como o plástico, principalmente na forma de micro e nano partículas, está impregnado no ambiente marinho, e que até o peixe consumido na mesa de tantas casas pode estar contaminado por um poluente que nem conseguimos ver direito! O momento em que vivemos parece realmente desesperador; seria possível tirar algo positivo dessa situação? Justamente por ser prontamente chamativo, o tópico de lixo no mar tem promovido ondas de mobilização por um maior cuidado com o ambiente. Uma das evidências recentes foi a proibição de sacolas plásticas e canudos aqui em São Paulo e em outros estados do Brasil. Entre outras iniciativas, também temos a proibição de itens plásticos de uso único na Europa, projetos de recuperação de redes de pesca abandonadas nos EUA e estratégias de participação de jovens no combate à poluição por plástico na Ásia. Esse é o melhor momento para discussões sobre o impacto antrópico na natureza, e não há como deixar para depois. É agora que temos o potencial de mudar a percepção das pessoas sobre como somos capazes de alterar – para pior ou melhor – o ambiente, com um microplástico de cada vez. Ou então, se assim preferirmos, um microplástico a menos por vez! Lixo em uma praia de São Vicente, litoral Paulista. (Fonte: foto por Fernando De Grande com licença CC 4.0 SA-BY) Literatura complementar sugerida: https://science.sciencemag.org/content/368/6495/1140 https://www.nature.com/articles/s41598-020-66361-7 Sobre o autor: Me interesso sobre o oceano (e o mar profundo) desde criança. Fiz graduação em biologia, mestrado em ecologia e estou a meio caminho de um doutorado em oceanografia. Minha área de pesquisa primária é a ecologia, com uma pitada de poluição e atividades de educação e alfabetização oceânica. Sou fã de Pokémon, gosto de cozinhar para a minha ecóloga preferida e encher a paciência da Tapioca e do Dominique, meus gatos. Qualquer dúvida, comentário, ou sugestão, pode mandar para gabrielstefanelli@hotmail.com . #microplástico #marprofundo #lixonomar #poluição #ciênciasdomar #convidados
- Um peixe vermelho em um oceano azul engana muita gente!
Por Carla Elliff Quando pensamos nos oceanos, algumas palavras-chave costumam vir à mente: água salgada, peixes e a cor azul. Mas e se eu te dissesse que a cor vermelha tem uma história talvez mais interessante para os oceanos que a cor azul? Cores são nossas percepções da luz refletindo sobre diferentes materiais. Quando vemos um objeto amarelo isso significa que, entre todas as cores que a luz branca carrega, é aquele tom de amarelo que aquele objeto reflete de volta, enquanto as outras cores são absorvidas. A luz é composta por ondas eletromagnéticas, que são ondas resultantes de fontes de energia elétrica e magnética juntas. Essas fontes podem ser desde um micro-ondas na sua cozinha, ou até o nosso Sol, por exemplo. Esquema do reflexo da cor de um objeto e a absorção das outras cores (Fonte: Bate-Papo com Netuno com licença CC BY SA 4.0) Mas o que faz uma cor ser diferente da outra? Assim como outros tipos de ondas, as ondas eletromagnéticas se propagam com variadas frequências e oscilações. Isso determina o comprimento delas, que é uma das características mais importantes para entendê-las. Como falado no começo, tanto as ondas emitidas pelo seu micro-ondas quanto as ondas vindas do Sol são do mesmo grupo. Mas, a não ser que você desenvolva superpoderes, você nunca verá cores saindo enquanto sua pipoca estoura! Acontece que existe uma variação muito grande de possíveis frequências e comprimentos de ondas eletromagnéticas. Nós humanos conseguimos ver apenas uma pequena porção delas, que se encaixam no que chamamos de espectro visível . Fora desse intervalo de comprimento de onda, temos ainda as ondas ultravioleta e o infravermelho, por exemplo. Variação de ondas eletromagnéticas de acordo com sua frequência e comprimento. Na imagem, infravermelho (IR) (Fonte: Wikimedia com licença CC BY-SA 3.0) Aqui, vamos focar no nosso espectro visível. Ele é composto pelas cores vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta. Esta é a ordem dos comprimentos de onda do mais longo (vermelho) ao mais curto (violeta) e essa informação faz toda a diferença para os oceanos. Como sabemos, o oceano é um grande corpo d’água e, já que a água é mais densa que o ar, é mais difícil para a luz se propagar. Apesar da luz solar conseguir, em certas condições, alcançar profundidades de até 1.000 m, ela raramente ultrapassa 200 m. A partir daí temos um mundo escuro, que exige adaptações incríveis para a sobrevivência dos seus habitantes. Porém, muito antes de toda luz acabar, alguns comprimentos de onda “enfraquecem” e se perdem pelo caminho. É como se a profundidade do oceano aos poucos fosse filtrando a luz, cor por cor. Esquema da perda de comprimentos de onda da luz solar de acordo com a profundidade, em metros, no oceano (Fonte: Bate-Papo com Netuno com licença CC BY SA 4.0) A primeira cor a ser perdida é o vermelho. Isso acontece porque ele tem um comprimento de onda mais longo, o que significa que ele tem menos energia. Com menos energia, a onda enfraquece mais rapidamente e deixa de se propagar. O resultado disso é que a partir desse ponto no oceano, onde o comprimento de onda não chega, a cor vermelha simplesmente não é mais visível. Porém, o fato dela não ser mais visível não a torna menos popular! Na realidade, ser um peixe vermelho nessa profundidade do oceano, traz uma vantagem incrível para sua sobrevivência: você se torna quase invisível para seus predadores e para suas presas. Sem uma outra fonte de luz, objetos e seres vermelhos nesse caso vão ter uma coloração azul-acinzentada que se mistura com a cor do seu entorno, funcionando como uma excelente camuflagem. Esse é o caso de muitas espécies de organismos marinhos. Por exemplo, o peixe-relógio ( Hoplostethus atlanticus ) que vive entre 180 e 1.800 m de profundidade em diversas regiões do planeta. Ele é predado por tubarões, moreias, e parentes do bacalhau e da cavala. Ser quase invisível é uma ajuda e tanto… O peixe-relógio, um importante recurso pesqueiro, estampando um selo das Ilhas Faroé (Fonte: Wikimedia em domínio público). A cor de muitos organismos marinhos é uma adaptação que depende de qual posição na coluna d’água eles vivem. (Ilustração: Catarina R. Mello com licença CC BY SA 4.0 ) Entender como as ondas eletromagnéticas da luz solar se propagam no oceano também responde uma pergunta clássica: por que o oceano é azul? Vídeo demonstrativo da perda das cores no oceano ( Link de acesso ) Dentro do nosso espectro visível, o comprimento de onda mais curto (e, portanto, com mais energia) seria o violeta. No entanto, o violeta que normalmente imaginamos, num tom entre lilás e roxo, é na realidade uma mistura de frequências de ondas. A luz solar contém bem menos ondas nessa frequência. O tom mais no fim do gradiente do nosso espectro que é refletido pelos oceanos é o anil, um azul profundo. Ou seja, os oceanos são azuis pela mesma razão que qualquer outro objeto tem sua cor: eles refletem melhor essa tonalidade devido às suas características físicas, enquanto absorvem as outras. Um mar mais verde pode ser o resultado de uma floração de microalgas, que afetam a forma como a luz é refletida. Da mesma forma, a foz do rio Amazonas é escura, amarronzada, por conta da cor refletida pela grande quantidade de partículas de sedimento ali presentes, que foram trazidas pela água doce. Diferentes cores do oceano (Foto1: Catarina Ruiz - Ubatuba/SP; Foto2: André Pálóczy - Costa do Rio de Janeiro/RJ; Foto3: Jana del Favero - Ilha de Marajó/PA, com licenças CC BY SA 4.0 ) E aí? Vai tentar enxergar os peixes vermelhos invisíveis na próxima vez que vir um mar azulzinho? Formatado por: Catarina R. Mello Para saber mais, acesse: https://oceanexplorer.noaa.gov/facts/animal-color.html https://oceanexplorer.noaa.gov/facts/red-color.html https://oceanservice.noaa.gov/facts/light_travel.html #luz #cor #oceanografiafísica #adaptação #oceanoprofundo #ciênciasdomar #carlaelliff
- Meu embrião é canibal
Por Cláudia Namiki Sempre que pensamos em tubarões e raias, imagens de animais majestosos, grandes e (quase) invencíveis geralmente nos vêm à cabeça. Já falamos aqui no blog sobre o fascínio e o medo que estes animais despertam nas pessoas. Falamos também sobre como várias espécies estão sendo ameaçadas de extinção , sem que ninguém saiba. Agora, vamos descomplicar como os elasmobrânquios começam a sua vida nos oceanos. Os tubarões e raias são peixes cartilaginosos que estão presentes na Terra há milhões de anos e possuem estratégias variadas para garantir a sobrevivência de seus embriões. Algumas espécies produzem ovos, enquanto outras têm maneiras inusitadas e até mesmo assustadoras (do ponto de vista humano, é claro) de gerar seus descendentes. Todas as espécies desse grupo se reproduzem através de fecundação interna. O macho introduz o esperma na fêmea com auxílio do clásper , que é uma modificação da nadadeira pélvica. Dependendo da espécie, os ovócitos (gametas femininos) podem ser imediatamente fecundados, ou a fêmea pode guardar os espermatozóides para que a fecundação ocorra em outro momento. Isso pode acontecer até mais de um ano depois, como no caso do tubarão-pintado ( Scyliorhinus sp.). Na imagem observamos a abertura urogenital, a nadadeira pélvica e o clásper de um tubarão-galha-preta macho. Modificado de Wikimedia Commons com licença: CC BY-SA 3.0. Após a fecundação, os embriões se desenvolvem no útero da fêmea em espécies vivíparas , ou em ovos depositados no ambiente, em espécies ovíparas . Em todos os casos, os filhotes já nascem como miniaturas de tubarões e raias, ou seja, não possuem uma fase larval como outros peixes . Os pais não cuidam dos filhotes. Os recém-nascidos se escondem imediatamente por instinto, para não serem devorados por predadores, incluindo sua própria mãe, como no caso do tubarão-limão ( Negaprion brevirostris ). Parto de um tubarão-limão. Viviparidade A viviparidade (desenvolvimento dentro do útero materno) permite que os filhotes nasçam maiores e, com isso, consigam ter mais sucesso na captura de presas, ao mesmo tempo que o número de possíveis predadores diminui. Afinal, no mar, tamanho é documento e geralmente o maior engole o menor. No entanto, o desenvolvimento de filhotes tão grandes, com até 1 metro de comprimento, requer muita energia da mãe para nutrir os embriões. Por isso, em algumas espécies, a gestação pode demorar até dois anos, como no caso do cação-de-espinho ( Squalus acanthias ), e para a maioria, só ocorre em anos alternados. As peculiaridades dos elasmobrânquios não param por aí; a evolução foi muito criativa em relação ao modo de nutrição do embrião, conforme podemos conferir a seguir. Viviparidade lecitotrófica ou aplacentária: o embrião tem uma reserva nutricional chamada de vitelo, que fica armazenado no saco vitelínico ligado diretamente ao seu trato digestório. É como se estivesse agarrado numa despensa cheinha de comida. Exemplo: cação-de-espinho ( Squalus acanthias ). Embriões de cação-de-espinho ( Squalus acanthias ) com saco vitelínico. Fonte: David Bryan . Todos os direitos reservados. Oofagia: após acabar com as reservas do saco vitelínico, o embrião passa a se alimentar diretamente dos ovócitos (gametas femininos) lançados no útero, como por exemplo na espécie chamada de marracho ( Lamna nasus ). Isso porque, mesmo grávida, a fêmea continua liberando os ovócitos, que são eventualmente fecundados em algumas espécies, como no cação-mangona ( Carcharias taurus ). Alerta: informações fortes a seguir!!! Adelfofagia, embriofagia ou canibalismo embrionário: o embrião mais desenvolvido, após consumir todo seu vitelo, passa a devorar os outros embriões que estão no útero. Este embrião ainda é cego, porém possui dentes afiados e pode nadar pelo útero, sentindo a presença dos demais embriões. Vale ressaltar que, após devorar os irmãos, o embrião sobrevivente continua se alimentando através da oofagia até o seu desenvolvimento completo. Este é o caso do cação-mangona ( Carcharias taurus ). A fêmea dessa espécie possui dois úteros e consegue dar à luz a dois filhotes de 1,0 m cada um. Embrião de tubarão se alimenta de outros embriões menos desenvolvidos que estão dentro do útero. Viviparidade placentária: após o consumo do vitelo, o saco vitelínico se liga à parede do útero, formando uma placenta saco-vitelínica, com um cordão umbilical que transporta nutrientes e oxigênio da mãe para o embrião e as excretas metabólicas do embrião para a mãe. Em alguns casos, como no cação-bicudo ( Rhizoprionodon terraenovae ) o cordão umbilical desenvolve prolongamentos que servem para absorver o líquido nutritivo produzido pela mãe por meio de células especiais na parede uterina. Esse líquido, chamado de “leite uterino” por causa de suas propriedades nutritivas, também pode ser ingerido pela boca, ou absorvido pela pele ou por filamentos branquiais do embrião. Mas atenção, porque apesar do nome, o leite uterino nada tem a ver com o leite produzido pelos mamíferos. Desenvolvimento da placenta de um tubarão-limão. Viviparidade trofoblástica: nas raias Myliobatoide , como a raia-manta, os embriões se desenvolvem dentro de ovos, chamados de cápsulas ovígeras, que permanecem no útero da mãe, onde após a eclosão continuam sendo nutridos pelo leite uterino, sem a formação de uma placenta. Raia-manta. Fonte: Flickr com licença CC BY 2.0. No caso do tubarão-tigre ( Galeocerdo cuvier ), acreditava-se que os embriões se alimentavam apenas do vitelo, já que permanecem em cápsulas. Porém, pesquisadores descobriram que a cápsula contém um líquido nutritivo produzido pela mãe que também alimenta o embrião. Isso assegura o desenvolvimento de um grande número de embriões (entre 18 e 17 ) e permite que os filhotes nasçam com um tamanho relativamente grande; o que não seria possível apenas com o consumo do vitelo. Você pode acessar a publicação e dar uma olhada nas fotos clicando aqui. Tubarão-tigre ( Galeocerdo cuvier ). Fonte: Wikimedia Commons com licença CC BY-SA 3.0. Oviparidade Na oviparidade a fêmea libera os ovos na água e, embora essa estratégia pareça uma forma mais simples, ela aparece nas espécies mais modernas do grupo. Assim, a viviparidade é considerada uma estratégia mais antiga e a oviparidade uma novidade, em termos evolutivos. Ovos de tubarão-inflado ( Cephaloscyllium ventriosum). Fonte: Aquarium of the Pacific . Todos os direitos reservados. Tubarão-pintado ( Scyliorhinus sp.) adulto e seus ovos com embriões em diferentes fases do desenvolvimento embrionário. Fonte: Banco de dados do Projeto Tamar. Todos os direitos reservados. O embrião é protegido pela cápsula ovígera, que é uma estrutura queratinosa, medindo entre 2-4 cm e que normalmente fica aderida a algas ou outros substratos, como fendas de rochas. Dentro da cápsula o embrião desenvolve-se continuamente. O desenvolvimento pode ser classificado de acordo com as características apresentadas, como no exemplo da espécie de tubarão-gato, Scyliorhinus stellari, para a qual foram identificados 7 estágios. Ovo de tubarão-gato Scyliorhinus stellaris. Modificado de Musa et al. 2018 com licença CC BY-SA 4.0. Desenvolvimento embrionário do tubarão-gato Scyliorhinus stellaris. Modificado de Musa et al. 2018 com licença CC BY-SA 4.0. Ovos de raia. Fonte: Bate-Papo com Netuno com licença CC BY-SA 4.0. As espécies ovíparas podem depositar em torno de 60 ovos por ano e o tempo de desenvolvimento dos embriões varia entre muitas semanas e 15 meses. Se a cápsula não for encontrada por nenhum predador, como outros tubarões, linguados, elefantes marinhos e alguns moluscos gastrópodes, o embrião terá grandes chances de sobreviver e alcançará um tamanho relativamente grande ao nascer. Dizem que a vida é uma aventura desde o nascimento. Mas os tubarões levaram isso muito a sério, tornando a vida uma aventura desde o início do seu desenvolvimento. Bibliografia: Castro, J.I., Sato, K., Bodine, A.B. 2016. A novel mode of embryonic nutrition in the tiger shark, Galeocerdocuvier, Marine Biology Research, 12:2, 200-205. DOI:10.1080/17451000.2015.1099677 Castro, J.I., Bubucis, P.M., Neal, A. 1988. The reproductive biology of the chain dogfish, Scyliorhinus rotifer . Copeia, 1988 (3), 740-746. Hamlett, W.C., A.M. Eulitt, R.L. Jarrell, M.A. Kelly 1993. Uterogestation and placentation in elasmobranchs. Journal of Experimental Zoology, 266:347–367. Helfman, G.S., Collete, B.B., Facey,D.E., Bowen, B.W. 2010. The Diversity of Fishes-Biology, Evolution and Ecology. Oxford, Wiley-Blackwell, 720 p. Musa, S.M., Czachur M.V., Shiels H.A. 2018. Oviparous elasmobranch development inside the egg case in 7 key stages. PLoS ONE 13(11):e0206984. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0206984 #tubarão #raia #reprodução #embrião #elasmobrânquios #viviparidade #oviparidade #canibalismo #desenvolvimentoembrionário #descomplicando #cláudianakimi












