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- Festa das bruxas no oceano
Por Yonara Garcia E para entrar neste clima de Halloween, que tal falarmos de alguns monstrinhos do mundo submarino?! O mundo submarino é composto por uma imensa diversidade de organismos, desde os mais minúsculos organismos do plâncton às enormes baleias azuis, dos mais fofos, como o polvo Dumbo, aos mais feios, como o blobfish (lembre dele em nosso post Quem estuda o feio, bonito lhe parece ). E no mês de outubro, quando comemoramos o Halloween, no Brasil conhecido como o Dia das Bruxas, resolvemos fazer uma pequena lista dos bichos mais assustadores do fundo do mar. Aproveitem a leitura e se inspirem para, quem sabe no futuro, usar fantasias bem originais! Fonte: Polvo Dumbo (esquerda) e Blobfish (direita). Peixe Diabo Negro do Mar Em 1995, saía na capa da revista Time o Peixe Diabo Negro do Mar, o espécime que se tornaria o símbolo do mar profundo. Este peixe é uma espécie abissal , conhecida pelo nome científico Melanocetus johnsonii pertencente a ordem dos Lophiiformes. Ocorrem em profundidades mesopelágicas em águas tropicais e temperadas em todo o mundo. Possuem uma espécie de “vara de pesca” que termina em uma bolha que emite uma luz como uma isca, atraindo as presas em direção aos seus temidos dentes afiados. Esta luminosidade é possível graças à simbiose com bactérias bioluminescentes. Machos e fêmeas são muito diferentes. As fêmeas podem medir até 20 cm de comprimento, com cabeça e boca bem grandes. Já os machos tem o corpo mais simples, são bem menores que as fêmeas (chegando a medir apenas 2,9 cm, pouco maior que uma moeda de 1 real) e são incapazes de sobreviver sozinhos, vivendo como parasitas nas fêmeas. Ao encontrar uma fêmea, o macho morde sua barriga e se funde ao seu corpo, recebendo dela nutrientes e suprimento de sangue e fornecendo uma fonte permanente de espermatozóides. Recentemente, pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterrey, na Califórnia, conseguiram filmar uma fêmea de 9 cm. As filmagens foram realizadas a 600 metros de profundidade no cânion submarino de Monterrey, na costa da Califórnia, sendo a primeira vez registrado em seu habitat natural. Esse misterioso predador também já foi vilão no cinema. Se você já assistiu ao filme Procurando Nemo , vai se lembrar desse monstruoso peixe que Dory e Marlin encontram no fundo do mar. No filme, em meio a escuridão, eles são atraídos pela isca de luz do Diabo Negro do Mar, mas ao perceberem o monstro que estava por trás, nadam rapidamente para não serem capturados por esse feroz predador e, assim, continuarem as buscas por Nemo. Fonte Lula vampira do inferno A lula vampira do inferno ( Vampyroteuthis infernalis ), é o único representante vivo da Ordem Vampyromorphida, pertencentes ao grupo dos cefalópodes. São organismos pequenos, atingindo tamanho máximo de 28 cm. Ocorrem em grandes profundidades (normalmente entre 600 e 1200 m) em águas temperadas e tropicais dos Oceanos Pacífico, Atlântico e Índico. Nestas profundidades, a luz solar é fraca ou ausente, a quantidade de oxigênio é baixa e a temperatura varia entre 2° a 6°C. Apesar de possuírem uma taxa metabólica muito baixa e viverem sob concentrações de oxigênio também extremamente baixas, estes animais são capazes de se deslocarem com velocidades relativamente altas, utilizando principalmente suas aletas para se deslocarem, ao invés do jato propulsão, como outras lulas. Embora escassos, alguns estudos verificaram que estes animais se alimentam de copépodes, camarões e cnidários, mas a maior parte de sua energia é obtida por meio de detritos (partículas não-vivas que se originam nas camadas superiores do oceano e que precipitam em direção às camadas mais profundas). De acordo com a presença dos bicos da lula vampiro no estômago de alguns animais, foi observado que estes organismos são predados principalmente por pinípedes (focas, leões-marinhos, lobos-marinhos e morsas), baleias e peixes bentopelágicos. O nome lula vampiro do inferno foi dado devido a algumas características morfológicas como sua pele escura, a presença de uma membrana entre os tentáculos que dão a impressão de uma capa e os olhos vermelhos (dependendo da iluminação). Para o naturalista e explorador William Beebe (1926), a lula vampira do inferno é como “um polvo muito pequeno, mas terrível, preto como a noite, com mandíbulas brancas marfim e olhos vermelho sangue” (" a very small but terrible octopus, black as night, with ivory white jaws and blood red eyes "). Que medo! Mas de acordo com alguns estudos do comportamento, elas não passam de um animal dócil. Uma dica de leitura muito interessante, de autoria do filósofo Vilém Flusser e do biólogo/artista Louis Bec, é o livro chamado Vampyrotheuthis infernalis , uma mistura de filosofia/ciência/fábula que discute o quão distante estamos nós humanos dos animais. Peixe-bruxa O peixe-bruxa faz parte da Classe Myxini e, apesar de ser classificado por alguns pesquisadores como vertebrado, não possui nem vértebras nem ossos (Heimberg et al., 2010; Nelson et al., 2016). De acordo com Theodore Uyeno, da Universidade Estadual de Valdosta (Geórgia, EUA), a partir de um estudo que analisou o DNA desses organismos, o peixe-bruxa é considerado um vertebrado que perdeu as características do uso da coluna. No lugar da coluna ele possui uma corda de cartilagem (notocorda), que em nós, humanos, aparece apenas na fase embrionária. Pertencem a classe Myxini e são encontrados em águas frias em ambos os hemisférios.São criaturas primitivas, semelhantes às enguias, sem escamas, com corpo cilíndrico e alongado possuindo movimento parecido ao de uma cobra. Não possui mandíbula nem estômago. Possui vários corações e pelo menos duas vezes mais sangue em seus corpos do que outros peixes. Contam com quatro pares de tentáculos de detecção dispostos em torno de sua boca. A boca contém duas fileiras paralelas de dentes fortes e pontiagudos, que são presos a placas dentais ásperas. Apesar de possuírem apenas a arcada dentária superior, esses animais possuem uma mordida poderosa! Por meio de alguns estudos, pesquisadores sugeriram que esse peixe é capaz de morder, pois se enrola para formar nós, principalmente próximo da cabeça, que junto com a arcada superior prende e espreme o alimento. São quase cegos, com olhos rudimentares que são capazes de detectar a luz, mas têm sentidos bem desenvolvidos de toque e cheiro. Apelidados de “urubus marinhos”, passam a maior parte de suas vidas no fundo dos oceanos se alimentando de peixes mortos e moribundos, mas também atacam pequenos invertebrados, tendo como seu prato favorito carcaças de baleias. Além disso, foi observado que estes peixes ainda são capazes de absorver nutrientes pela pele. Uma característica notável desses animais é a capacidade de secretar uma espessa camada de muco sobre a pele que serve tanto como uma mecanismo de defesa como uma arma de caça. O vídeo abaixo mostra o momento que esses peixes encontram uma carcaça no fundo do mar. É quase que um ataque zumbi de tão voraz e por isso eles merecem estar em nossa lista. Tubarão-duende Se você já assistiu MIB: Homens de Preto, vai notar a grande semelhança desse animal aos alienígenas do filme. Esse é o Mitsukurina owstoni , também conhecido como tubarão-duende. Este peixe de águas profundas possui uma ampla distribuição, com registros no Oceano Pacífico, Atlântico e Índico. Sua aparência incomum tem como destaques seu focinho alongado e achatado, que se projeta no topo de sua cabeça, parecido com uma pá, e uma boca protuberante, com dentes longos e finos, capaz de se estender para frente sob o focinho ou se retrair para uma posição sob o olho. Acredita-se que o focinho plano tenha a função de detectar os sinais elétricos fracos emitidos pelas presas. Pode chegar até 3,9 m de comprimento. De acordo com análises de conteúdo estomacal, pesquisadores descobriram que eles se alimentam principalmente de peixes, lulas e crustáceos. Fonte Este tubarão não é um hábil nadador, então, ao detectar uma presa, ele se move lentamente em direção a sua comida e, no momento do ataque, ele projeta sua mandíbula para frente, de forma abrupta e bem rápida, puxando a presa para dentro de sua boca. Apesar de raramente capturado, esta espécie não é considerada ameaçada (no status na Lista Vermelha do UICN ele é considerado como “Preocupação Menor”), visto que na maioria das vezes em que é pescado é apenas como uma captura acessória (não intencional) de redes de arrasto em águas profundas, principalmente na costa do Japão. Em 2011, o tubarão-duende foi capturado acidentalmente por um barco de pesca na costa do Rio Grande do Sul. Este exemplar foi doado ao Museu Oceanográfico da FURG (Universidade Federal do Rio Grande), sendo o segundo exemplar a integrar a coleção científica do país. Apesar de alguns organismos das profundezas serem bem “horripilantes”, todos são importantes para o ecossistema marinho. Já imaginou se eles se organizassem para fazer uma festa de Halloween no fundo dos oceanos? Acho que as fantasias mais tenebrosas que apareceriam seriam de homens e plásticos, que são as maiores ameaças para a existência deles. Então, aproveite sua festa, mas faça sempre a sua parte, para que deixemos de ser os verdadeiros monstros da vida marinha. Feliz Dia das Bruxas! Referências: HEIMBERG, Alysha M. et al. microRNAs reveal the interrelationships of hagfish, lampreys, and gnathostomes and the nature of the ancestral vertebrate. Proceedings of the National Academy of Sciences , v. 107, n. 45, p. 19379-19383, 2010. NELSON, Joseph S.; GRANDE, Terry C.; WILSON, Mark VH. Fishes of the World . John Wiley & Sons, 2016. Robison, B. H., Reisenbichler, K. R., Hunt, J. C., & Haddock, S. H. D. (2003). Light Production by the Arm Tips of the Deep-Sea Cephalopod Vampyroteuthis infernalis. The Biological Bulletin, 205(2), 102–109. doi:10.2307/1543231 ZINTZEN, Vincent et al. Hagfish feeding habits along a depth gradient inferred from stable isotopes. Marine Ecology Progress Series , v. 485, p. 223-234, 2013. https://www.iucnredlist.org/species/44565/10907385 https://www.floridamuseum.ufl.edu/discover-fish/species-profiles/mitsukurina-owstoni/ https://australianmuseum.net.au/goblin-shark-mitsukurina-owstoni https://australianmuseum.net.au/humpback-blackdevil-melanocetus-johnsonii-gunther-1864 http://marinebio.org/species.asp?id=179 http://www.bbc.com/earth/story/20160905-the-strangest-fish-in-the-sea #yonaragarcia #ciênciasdomar #diadasbruxas #halloween #lulavampiradoinferno #peixediabonegrodomar #peixebruxa #tubarãoduende
- Análise dos programas de governo dos presidenciáveis Bolsonaro e Haddad: CIÊNCIA E TECNOLOGIA
A dois dias da eleição, o Bate-papo com Netuno publica uma nova comparação entre os planos de governo de Haddad e Bolsonaro, candidatos à presidência da república. Dessa vez, avaliamos as propostas dos candidatos em relação à ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Segundo o IBGE, CT&I compreende a pesquisa e o desenvolvimento, a produção do conhecimento, assim como as tecnologias, os recursos humanos e os financiamentos na área, além de outros serviços baseados no conhecimento. Esse post pode te ajudar a decidir seu voto ou, se você já está decidido, saber o que esperar do próximo presidenciável nesse campo. Ministério Em 2016, o presidente Michel Temer fundiu o Ministério que era dedicado a CT&I ao Ministério das Comunicações. A ação foi duramente criticada pela comunidade científica na época (relembre lendo nosso post “ Ciência Nada Básica ”). Sobre a reconstrução do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o candidato Haddad expressa uma proposta que visa“garantir a prioridade estratégica da área no novo projeto nacional de desenvolvimento”. Além disso, Haddad promete atender a um pedido da comunidade científica que é a revogação da Emenda Constitucional 95, que estabelece um teto para os gastos do governo federal pelos próximos 20 anos, o que diminui investimentos em CT&I. O candidato Bolsonaro não cita o Ministério em questão, afirmando apenas que vai reduzir o número de ministérios, sem especificar quais. Em entrevista dada à SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), o candidato do PSL afirma que o provável ministro da pasta de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações será o engenheiro Marcos Pontes, “que também é astronauta, escolhido por meritocracia”, afirma o candidato. Investimento O candidato do PT trata de CT&I especificamente na seção “Promover uma estratégia nacional de desenvolvimento”, no capítulo sobre “Estratégia de expansão produtiva” (página 45). A CT&I também permeia os capítulos que tratam de educação, meio ambiente e agricultura. O candidato do PSL aborda o assunto nas seções intituladas Saúde e Educação (slide 41) e Inovação, Ciência e Tecnologia (slides 48 e 49). O candidato Haddad propõe fortalecer as instituições de pesquisa e ampliar os investimentos em CT&I através da liberação de recursos e parcerias entre as instituições de pesquisa públicas e privadas em biotecnologia, nanotecnologia, fármacos, energia e defesa nacional, áreas consideradas estratégicas pela equipe do candidato. No plano é destacado que investimentos na área promovem o desenvolvimento econômico através da geração de conhecimento que diminui as desigualdades no padrão tecnológico, Segundo o plano, a falta de investimento na área faz o país perder competitividade internacional (veja mais nas páginas 43 e 44). O candidato do PSL tem a intenção de tornar o país um centro mundial de pesquisa e desenvolvimento em grafeno e nióbio , para gerar novas aplicações e produtos. O modelo atual de pesquisa e desenvolvimento no Brasil é criticado pelo candidato do PSL, que o classifica como esgotado. O candidato propõe criar hubs tecnológicos, para jovens pesquisadores e cientistas serem estimulados a buscar parcerias com empresas privadas para transformar ideias em produtos. O candidato refere-se ao destaque dado a cursos técnicos e à área de exatas em países asiáticos como exemplo. Ele destaca ainda que essa área não pode ser exclusivamente dependente de recursos públicos. O candidato Haddad indica associação entre universidades e centros de excelência em pesquisas públicas e privadas, “capazes de operar em redes colaborativas e em coordenação com a estruturação de ecossistemas de inovação”. Ele propõe implementar um plano (Plano Decenal de Ampliação dos Investimentos em CT&I) para o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento pelo governo e pela indústria chegar ao patamar de 2% do PIB até 2030. O plano do candidato do PT afirma que a estratégia nacional de expansão produtiva será orientada pelos critérios de “integração regional como base para inserção soberana do Brasil no mundo; redução da restrição externa; maior potencial de desenvolvimento e disseminação de novas tecnologias; elevação do padrão de vida do conjunto da população; sustentabilidade ambiental e desconcentração regional e espacial; e integração social e geração de empregos de qualidade”. O plano afirma que quanto maior a quantidade de critérios preenchidos pelo setor, mais alta será a hierarquia dele. Cada região do Brasil deve buscar suas vantagens comparativas, segundo o candidato do PSL. Como exemplo, é citado o potencial da região Nordeste de desenvolver fontes de energia renováveis. Em seguida, é mencionado que “há espaço para trazer o conhecimento de Israel” para a agricultura. Universidades Todos os cursos universitários devem “estimular e ensinar o empreendedorismo”, afirma o plano do candidato do PSL. De acordo com o candidato, o jovem tem que “deixar de ter uma visão passiva” sobre o futuro e sair da faculdade pensando em como transformar “o conhecimento obtido” em produtos, negócios riqueza e oportunidade. O candidato Haddad afirma que vai ampliar o empreendedorismo e o crédito cooperado para ampliar as oportunidades de “trabalho decente”, em especial para mulheres, trabalhadores de meia-idade e jovens, segmentos que são classificados como “as grandes vítimas do atual ciclo de desemprego” (mais explicações sobre o tema podem ser lidas nas páginas 44 e 45 do plano). O plano do candidato defende que a cultura empreendedora deve ser trabalhada desde o ensino fundamental, passando pelos cursos profissionalizantes e universidades para que “o ambiente das startups“ cresça no Brasil. Na educação, o plano do candidato Bolsonaro cita que se deve ter “mais ciência”, sem maiores esclarecimentos, e que as universidades precisam gerar avanços técnicos para o Brasil, “através do desenvolvimento de novos produtos e pesquisa em parceria com a iniciativa privada”. O candidato do PSL afirma que “a pesquisa mais aprofundada segue um caminho natural. Os melhores pesquisadores seguem suas pesquisas em mestrados e doutorados, sempre próximos das empresas”. O Bate-papo com Netuno pondera essa afirmativa no plano do candidato, já que temos em todo o mundo pesquisadores qualificados e premiados distante das empresas, próximos de grandes centros de pesquisa ligados às universidades, fazendo pesquisa básica, por exemplo. O candidato do PT promete remontar o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, classificado como “alavanca fundamental para o desenvolvimento do país”, De acordo com o plano, esse sistema está “na maior crise da sua história”. A crise, promete o candidato, será revertida através da conexão entre as políticas públicas e “o curso da expansão da fronteira de conhecimento aplicada em todas as áreas do sistema produtivo”. Sugestões de leitura: A verdade sobre o nióbio (Revista Superinteressante) As propostas dos candidatos à Presidência para ciência, tecnologia e inovação (SBPC) Candidatos à Presidência da República respondem questões sobre CT&I e educação enviadas pela SBPC e ABC (SBPC) Ciência básica é fundamental para o país, ressalta presidente da SBPC (Agência FAPESP) Eleições 2018: Quais as propostas de Bolsonaro e Haddad para a economia (BBC) Eleições 2018: Um guia de como escolher um candidato (BBC) Substância feita de óleo usado transforma esgoto em água potável (Galileu) #ciênciaetecnologia #meioambiente #planodegoverno #presidenciáveis #ciênciasdomar
- Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2018
Durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia da USP, em outubro de 2018, nossa editora Jana del Favero participou da mesa de debate sobre a "Presença e contribuição de mulheres para o avanço da ciência no Brasil". Esse evento contou com a participação e o protagonismo de jovens estudantes que fazem parte do Programa "Imprensa Jovem", ligados ao Núcleo de Educomunicação. O evento pode ser assistido na íntegra aqui . #netuniandoporai #janamdelfavero #snct2018 #mulheresnaciência
- Mulheres e o Sucesso Profissional
Durante a IV Semana de Ciências do Mar, realizada nas dependências do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo, em outubro de 2018, nossa editora Jana del Favero participou da mesa redonda “Mulheres e o Sucesso Profissional”. #netuniandoporai #janamdelfavero #mulheresnaciência #unifesp
- Como uma larva no mar: a vida de um poliqueta
Por Agna Silveira Os organismos do grupo Polychaeta pertencem a uma classe de invertebrados do filo Annelida (já falamos de poliquetas aqui ). São vermes que podem ter uma aparência grotesca, mas também apresentam-se bonitos e graciosos; podem ser vermes de escamas, vermes arenícolas (que vivem na areia) e muitos outros. São divididos comumente em 2 grupos de acordo com o seu estilo de vida: se vivem em túneis ou tubos, onde quase não se locomovem, são chamados de Sedentaria , mas se são livres e exploram o mundo por aí, são chamados de Errantia . Polychaeta da família Tomopteridae, a única família holoplanctônica, ou seja, que tem todo o seu ciclo de vida no plâncton . É um típico exemplar dos Errantia . Fonte . Poliqueta tubícola (ou seja, vive em tubos, típico Sedentaria ) da Baía do Araçá, São Sebastião, SP Foto: Álvaro E. Migotto. Fonte . Os biólogos costumam classificar os organismos vivos de acordo com as mais diferentes características, utilizando critérios morfológicos, fisiológicos, genéticos e moleculares, por exemplo. Chamamos esse processo de classificação taxonômica e ela resulta no agrupamento dos organismos em Filo, Classe, Ordem, Família, entre outros. Para exemplificar essa sistematização , tomamos como exemplo o nosso personagem principal (uma larva de poliqueta da família Spionidae coletada no píer de Porto Seguro). A sua classificação taxonômica encontra-se abaixo: Filo Annelida Classe Polychaeta Ordem Canalipalpata Subordem Spionida Família Spionidae Os poliquetas adultos podem se reproduzir de forma assexuada ou sexuada . Vamos relembrar um pouco o que isso quer dizer? Quando os poliquetas se reproduzem sexuadamente , eles liberam gametas diretamente na água, onde ocorre a fertilização. A partir daí se desenvolvem larvas planctotróficas (que se alimentam de plâncton ). As larvas são, portanto, uma fase do ciclo de vida de alguns organismos. Além disso, os poliquetas são capazes de se regenerar quando partes de seu corpo são fragmentadas em segmentos, que se regeneram em novos indivíduos (essa seria a reprodução assexuada). Percebam que não há fase larval neste caso, pois a partir de um organismo adulto se desenvolve outro adulto. O tamanho destes animais pode variar bastante, desde seres microscópicos até organismos de 3 metros de comprimento! O corpo da larva que aparece no vídeo tem aproximadamente 700 μm de comprimento, menor que 1 mm, ou seja, equivale aproximadamente à largura da cabeça de um alfinete. Apesar de tão pequeninas, essas larvas conseguem nadar de modo impressionante, utilizando estruturas chamadas de parapódios (elas ocorrem em pares isolados que crescem na lateral do corpo), onde se inserem as cerdas. Essas estruturas atuam como se fossem remos ou pequenos pés, conjuntamente com músculos circulares e longitudinais para nadar à beça nos oceanos (veja o vídeo). Video da larva de Spionidae usando os parapódios para nadar. Vídeo filmado no laboratório da UFSB, por Catarina Marcolin. Edição Agna Silveira. As larvas de poliqueta se alimentam de fitoplâncton ou de partículas em suspensão. Para isso, esses animais desenvolveram estruturas adaptadas para capturar partículas, como os cílios protostomiais. Talvez você esteja se perguntando como esses animais conseguem encontrar alimento nos vastos oceanos. Acontece que os poliquetas possuem órgãos sensoriais que variam nas diferentes espécies de acordo com seu estilo de vida. O que chamamos de olhos nestes organismos são órgãos fotorreceptores localizados no protostômio, que podem variar de dois a quatro pares e detectam apenas variações de intensidade luminosa. Em alguns grupos, como os poliquetas pelágicos da família Alciopidae, existem grandes olhos capazes de formar imagem, conforme pode ser visto na imagem abaixo. Note os enormes olhos deste poliqueta da família Alciopidae. Fonte . Uma vez capturado o alimento, é hora da digestão! Poliquetas, incluindo suas larvas, possuem um tubo digestivo completo, ou seja, tem uma boca anterior (para captação de alimento) e um ânus exterior (para liberação de fezes). No vídeo você pode ver o alimento migrando no tubo digestivo até ser finalmente expelido na forma de fezes. Fofo não? As larvas de poliqueta não são apenas fofas, elas participam de processos ecológicos fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas, do qual você também faz parte. São um importante elo de ligação entre os produtores primários (organismos que produzem o próprio alimento) e os animais marinhos de maior tamanho como larvas de peixes, até baleias. O que significa que estes animais são essenciais na transferência de matéria e energia nos ecossistemas marinhos. Você imaginou que um bichinho tão pequeno seria tão importante? Páginas Consultadas : http://biomarpt.ipma.pt/pdfs/1572Curso%207-Taxonomia%20e%20Ecologia%20de%20Zooplancton%20Marinho_Metodo%20e%20tecnicas%20de%20amostragem%20contagem%20e%20identificacao.pdf http://www.biorede.pt/page.asp?id=780 https://sites.evergreen.edu/vms/polychaete-larvae-eq/ http://simbiotica.org/digestivo.htm http://www.repository.naturalis.nl/document/549831 Sobre a autora: Sou Bacharel Interdisciplinar em Ciências, estudante de segundo ciclo no curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Fiquei encantada pelo mundo microscópico desde que o conheci, então decidi incluir o zooplâncton na minha formação como conteúdo optativo. Este texto foi o resultado da avaliação final do componente Bioecologia do Zooplâncton, ofertado na UFSB, pela professora Catarina Marcolin . #ciênciasdomar #comportamentoanimal #larvas #meroplâncton #poliquetas #convidados #AgnaSilveira
- Challenges faced by women in science
By Catarina R. Marcolin Edited by Katy Shoemaker A debate at the Institute for Advanced Studies (IEA-USP) recently got my attention, entitled “Women in the University and Sciences: Challenges and Opportunities. ” If you can understand a bit of Portuguese, it is worth watching the entire video (it is only available in portuguese). The debate lasts around an hour and consists of three female scientists telling incredible statistics and surprising facts about women’s participation in the academic world, and some of these facts are really hard to believe. So this week, I want to discuss some of the facts included in this debate. To do that, I searched for more data so we can go deeper into the subject. First of all, I was happy to find out that women represent about 50% of the undergraduate students in Brazil. We are even the majority in some areas. However, when we look only at the sciences and engineering, women make up less than 40%. At the University of São Paulo, USP, a paltry 15% of the students enrolled in engineering courses are female. Extending beyond undergraduate education, there are also as many women as men in graduate and postdoc positions in Brazil. In fact, in 2010, more women earned Masters and Ph.D. titles than men. But again, that is not the reality in science and engineering. There is still something hampering our inclusion in these areas, including oceanography. The most shocking numbers are those related to the distribution of specific research grants called PQ grants. These grants are awarded to researchers for research excellence, and they determine the distribution of funding to research projects in the country. Therefore, PQ grants directly affect our performance as researchers. PQ fellowships are tiered, and women's participation decreases as we go up each level. Note that women receive no more than 38% of these grants, even at the lowest level. PQ research grants per level in 2014. Level 2 is the lowest category that a researcher can apply for, whereas SR is the highest level. Source: CNPq. Women: Feminino; Men: Masculino. It is clear from these two plots that there is both horizontal and vertical segregation of men from women. Women appear to be concentrated in certain careers (horizontal), but within a career, there is a vertical separation of power, with women having low representation in the highest positions. We find more examples of vertical segregation when we analyze leadership positions in large research groups. In Brazil there are currently 126 National Institutes of Science and Technology (INCTs). Well, 109 of those INCTs are run by men and only 17 by women. There are 6 INCTs focused on oceanography/marine science, and only one of those is lead by a woman ( Antarctic Environmental Research - INCT-APA ). An all too common scenario can be seen in the Brazilian Academy of Sciences (ABC) . The following data was presented by the physicist Carolina Brito (Federal University of Rio Grande do Sul) in the debate I mentioned at the beginning of this post. For a researcher to join ABC, he/she is nominated by an ABC member and a committee decides whether or not that researcher will enter. This committee is massively comprised by men, and as you can imagine, the result is not at all encouraging for female scientists. There is a list of the current ABC members on their website. There are 795 men and 122 women in ABC. From these, 15% of the men are below the 1A level in the CNPq, and only 1% of the women are below level 1A researchers. A fast interpretation we can make is this: if you want to be a member of ABC, and if you are a woman, it is almost mandatory to be a level 1A researcher or higher. For men, this standing does not have the same impact. Unfortunately, this reality does not seem to be getting any better. In 2008, 20% of the deans in universities were women, and 8 years later, this number dropped to 10%. Although 48% of the Ph.D. holders are women, only 23% of them occupy teaching positions in our public universities. In a previous post we have addressed some of the reasons for why women quit the academic career at a higher rate than men ( When to add children to the academic timeline ). So, what can we do to change that picture? The data presented here is limited. We need numbers, we need more indicators. We need training on gender issues. In France, curriculum was recently modified to discuss gender in all undergraduate courses. That sounds like a good start. We need to fund women's projects, provide scholarships, and reward them. We have very few initiatives, but these have incredible effects. Check out the post Finding self-confidence as a woman in science to see Deborah's testimony on the importance of being recognized in her area. We need role models. Young female scientists do not see people like themselves in power positions regularly enough. Socially, girls are still discouraged to pursue scientific careers that are considered "hard." From a very young age, we are overwhelmed with ancient cliches telling us how to take care of the house, how to be good wives, mothers, true ladies of our homes. We have to give girls the opportunity to fall in love with science and make them confident that this relationship can work. The L'Oreal Foundation recently conducted an opinion poll that demonstrated how Europeans feel about the role of women in science. Five thousand people were heard (men and women), and 67% said that women are not qualified to hold positions of high responsibility. The main reason being that "women would suffer from lack of perseverance, lack of practical spirit, scientific rigor, rational, and analytical spirit." All I have to say about this is: It’s time to get to work! At the VII Brazilian Congress of Oceanography there was a round table discussion on the subject, with a crowded room of people eager to speak. Although it was an excellent experience, there is still so much to discuss. So I want to invite you all to continue this discussion. Let's talk about gender in the spaces we occupy, spread this idea! Organize an event and call everyone you know. Share your experiences with us! References on statistics: http://cnpq.br/estatisticas1 http://memoria.cnpq.br/estatisticas/bolsas/sexo.htm http://inct.cnpq.br/institutos/ #femalepower #womeninscience #genderequality #gender #chat #chatcatarinarmarcolin #chatkatyannemshoemaker
- Meninas com Ciência USP 2018
Em 2018 o Bate Papo com Netuno marcou presença no Meninas com Ciências USP no Instituto Oceanográfico da USP. O Meninas com Ciência foi um evento gratuito que ocorreu em 5 sábados distribuídos entre outubro, novembro e dezembro (período integral), foram 5 dias de palestras e/ou aulas práticas com professoras de diversas áreas da ciências, como Oceanografia, Astronomia, Neurociências, Microbiologia e muito mais. O Meninas com Ciência foi um evento de mulheres cientistas para meninas (do quinto ao nono ano do ensino fundamental) que sonham. O blog teve representação dentro do comitê organizador do evento com a participação da nossa editora Amanda Bendia e da nossa colaboradora Júlia Gonçalves . Além disso, a Claudia Nakimi , mais uma de nossas editoras, teve uma conversa com as meninas abordando o tema divulgação científica. Foram apresentados, pelo blog, pôsteres que ilustravam um pouquinho da vida de nossas editoras e outras cientistas de destaque. #netuniandoporai #cláudianaminki #meninascomciência #mulheresnaciência #usp
- Uma breve história do Big-Bang ao alvorecer da vida: Parte V
Por Amanda Bendia Sobre a Astrobiologia: será que estamos sós no Universo? Uma das perguntas que mais nos intriga é: será que a vida surgiu uma única vez no planeta ou podemos considerar múltiplas origens para a vida? Para responder à essa pergunta precisaríamos voltar há mais de 3,5 bilhões de anos atrás e como isso não é possível, necessitamos recorrer à filosofia da ciência. Existem basicamente duas correntes de pensamento opostas sobre esse assunto: a contingência e o determinismo. A contingência sugere que, devido às condições tão específicas e raras que propiciaram um conjunto de moléculas químicas a formarem um ser vivo, a vida na Terra teria surgido uma única vez. Os deterministas, por outro lado, dizem que estas condições não são tão raras assim, e como leis químicas e físicas provavelmente governaram a emergência da vida, seu surgimento seria inevitável. O determinismo indica a origem da vida como um evento plural: pode ter ocorrido diversas vezes em nosso planeta e também além dele, em outros corpos do sistema solar e de outros sistemas planetários. Considerando que já detectamos bilhões de estrelas em inúmeras galáxias, parece razoável imaginar que em algum lugar do Universo as condições necessárias surgiram e a vida poderia também ter se originado. O ramo da ciência que estuda essa possibilidade é denominado Astrobiologia e com as ferramentas modernas multidisciplinares da Astronomia, Biologia, Física, Química e Engenharia, podemos estar cada vez mais perto de descobrir se há algum tipo de vida fora da Terra. As questões sobre a origem da vida são discutidas desde os primórdios da humanidade e seu assombroso mistério sempre intrigou desde os mais céticos aos mais religiosos. As religiões exerceram um papel fundamental no início das civilizações ao preocuparam-se em discutir assuntos sobre de onde viemos, quem somos e como a vida surgiu. Como nossos antepassados não tinham as ferramentas modernas, o pensamento religioso e principalmente filosófico foi essencial para a evolução de seu conhecimento. O conhecimento construído ao longo da história da humanidade foi o alicerce para o desenvolvimento das ferramentas científicas e tecnológicas atuais, que estão nos possibilitando estar cada vez mais perto de desvendar o grande mistério. É importante destacar que o pensamento filosófico é até hoje fundamental no embasamento científico. Ele nos faz quebrar paradigmas e enfrentar as barreiras do conhecimento. A nossa capacidade de pensar por meio da filosofia e da ciência e produzir tecnologia é uma das características que nos diferencia dos demais organismos. Estamos cada vez mais avançando sobre os mistérios da origem da vida, mas sempre nos perguntamos se um dia vamos desvendá-lo totalmente. É difícil responder à essa pergunta, uma vez que jamais iremos conseguir reproduzir todas as exatas condições que estavam presentes há bilhões de anos. Seja esse mistério desvendado ou não, permaneceremos sempre fascinados ao imaginar que alguns átomos produzidos após o Big-Bang se combinaram bilhões de anos depois, formando uma vida capaz de questionar a sua própria existência. E assim encerramos a nossa série "Uma breve história do Big-Bang ao alvorecer da vida". Perdeu ou gostaria de reler as partes anteriores? Clique para acessar: Parte I , Parte II , Parte III e Parte IV ! #amandabendia #astrobiologia #bigbang #ciênciasdomar
- Misadventures in Research
By Yonara Garcia English edit: Lídia Paes Leme and Katyanne Shoemaker Illustration by: Caia Colla As I was finishing writing my thesis, I started to consider all of the challenges that I went through in the two years of my Masters education in order to deliver such a perfectly rounded piece of work. My feelings were mixed because I was obviously happy to finish this step in my life, but I realized that this document didn’t contain even a third of all the misadventures that got me to this point. In my opinion, the thesis was missing a chapter; there should have been a chapter on “the making of” the research, just to explain how much went wrong and what it really takes to deliver good work. When starting a Masters course, you must submit a proposal, which includes your research objectives, the hypothesis, and how you plan to answer that hypothesis. Wow! It was so easy so far! You just follow a previously described method and you understand what your results will look like and how they should be treated. This is all based on previously done work on a similar subject, which of course you know all about after reviewing the relevant literature. Two years to finish this project? No problem! …or at least that is what I thought. For me, it was not this easy, so I am going to tell you a little bit about my many misadventures during my masters. My work was a behavioral study of marine planktonic organisms in a 3D system. To build the system, I got together with a crew of post-graduate students who would also be using the experimental tank. This is where the soap opera began. We believed that we could build our system based on previous studies, but we quickly noticed that several components were not correct. There were issues with the magnification, color of LED lights, and the shape and positioning on the table. Everything had to be disassembled and reassembled to incorporate the necessary changes. The entire system had to be rebuilt 4 times because with each assembly we noticed new flaws. After months of arranging and rearranging pieces, and with the help of specialists in the area of optics, we finally reached a working system. Ok, that took a few more months than expected, but now I could finally perform my tests, generate results, and graduate, right? Wrong. My work required filming the trajectories my target organism takes in the water column. However, the software for the two cameras we had would only film for 20 seconds at a time, which was not a long enough time span to get a valid representation of swimming behavior. We increased the computer’s memory, but that was not the issue. Thankfully, a student in our lab was proficient with computer science, and he became a key contributor to this project’s success. The filming software was completely replaced with software he developed. This new program didn’t have a time limit, however it could not utilize two cameras at once, so two computers had to be used. Having the two computers meant we could be introducing human error in timing; no matter how hard I tried, I cannot click the mouse at the exact same time on two computers. The solution for this problem was to use two microcontrollers that were activated by a potentiometer. Finally, we had a working system with a program that could be modified according to our needs! Onto the experiments! One of the primary challenges of working with living organisms is that you depend on them to be present in a certain collection spot at a given time of year. Unfortunately for me, by the time the experimental system was set up, we could not find enough individuals to run the experiments. It took several months of daily sampling to have enough individuals to perform all of my experiments, but I finally finished. After video collection, the next step of the project was to use a computer program to find coordinates and relevant numerical data on the trajectories of the organisms. Given the topic of this post, it may not be a surprise to say something went wrong in this part too. As it turned out, the program that was originally going to be used could not compare the long videos that we fought so hard to attain. Once more, we turned to our computer science hero, and he developed software that could give us the organisms’ trajectories independent of video size. Let me take a moment to point out that software development is not an easy task; it took several iterations to get it to the point we needed it. With data in hand, I could finally analyze them and get my results. Data analysis is never easy, but given what I had already gone through, the challenges seemed minor in comparison. I had no idea how far off that initial Master’s plan would end up being, or that I would face so many challenges. I also didn’t expect how much this project would shape me. I had to be more than a biologist for this work; I learned how to solder, make electrical connections, understand physics, be a computer technician, and learn a little about programming. Beyond all of the research obstacles, you still have to live your own life. This may be the most complicated part of the whole project. I often felt defeated and like I couldn’t carry on as I was faced with problem after problem. I know many others have lived through much bigger issues with their graduate research, but no matter the size of the problem, it shakes you to the core, and it can often be debilitating. But, if you can push through these setbacks and fears of failure, you will eventually reach the end with a huge sense of accomplishment, as I did. It is important for me to share these misadventures in research with you to show what it actually takes to do research—it involves many tries and more wrongs than rights, but in the end, you publish a beautiful piece of well-crafted work. Even with all of the pressures and obstacles I faced, I still love what I do. Through all of the challenges, I grow more certain that I made the right choice. What challenges have you faced in your research? Comment below to share a little of your story with us! #chatyonaragarcia #scientistlife #caiacolla #chat #chatlídiapaesleme
- Publicar ou morrer ou publicar sem sofrer? Eis a questão!
Por Catarina R. Marcolin Conversando com uma colega que estava há uma semana de defender o mestrado, eis que ela me diz “Nossa, não vejo a hora de entregar esse mestrado e começar a produzir alguma coisa, sinto que não tô produzindo nada!”. Ao mesmo tempo em que pensei “Como assim?”, eu também entendi perfeitamente o que ela estava sentindo. Ilustração: Caia Colla . Na carreira acadêmica a gente aprende que produzir = publicar. Portanto, enquanto não sai a publicação do paper numa revista legal, a gente trabalha insanamente, mas não parece que aquele trabalho é útil. Então nosso corpo não processa a recompensa pelo nosso trabalho. E isso é um grande desestimulador para os pesquisadores. Todos nós precisamos de motivação para viver. E no trabalho isso não é diferente. O que nos faz levantar todos os dias, tomar banho, trocar de roupa, enfrentar o trânsito e se dirigir ao trabalho, em um laboratório ou em uma Universidade, é o amor à ciência. E para provar nosso amor à ciência, o que fazemos? A gente pensa numa pergunta interessante, coleta dados, analisa esses dados, rebolamos na estatística e finalmente reportamos para a comunidade científica. Essa é a grande prova de que fizemos algo em nome desse amor, a nossa tão sonhada publicação. Colocando dessa maneira, parece tudo muito simples. Um cientista deve ser uma pessoa muito realizada em sua profissão, certo? Mas não é tão simples assim. Em muitos casos, eu diria que na maioria das vezes, a conquista desse prêmio é bem tortuosa e exigente emocionalmente. O processo de revisão por pares é exaustivo, o nosso trabalho é constantemente criticado (nem sempre de forma muito elegante), versão após versão, até conquistarmos uma versão publicável, que não está nem perto da perfeição, mas é o melhor que se pode fazer dentro de determinado contexto. Isso quando não somos rejeitados logo de cara porque nosso artigo não se encaixa no escopo da revista, ou não atende ao amplo público leitor daquela revista. E todo esse processo pode demorar muito mais do que um ano para se completar. Então imagine como você se sentiria se só conseguisse se sentir recompensado por determinada atividade um ano após o seu início? Ou ainda, que demore ainda mais tempo e que quando você pensa que finalmente estaria terminando uma etapa da sua vida, na verdade muitas outras estariam apenas começando... Está vendo onde quero chegar com esse falatório? Precisamos de mais “prêmios”! Não podemos depender apenas do sucesso na publicação para nos sentirmos úteis no mundo. Precisamos de prêmios a cada semana, ou até mesmo todos os dias. Cada conquista deve ser comemorada, para cada artigo que é lido e bem interpretado, comemore. Para cada parágrafo escrito, celebre. Para cada análise estatística conquistada, vibre! Cada pequeno passo deve ser visto como algo relevante, senão corremos o sério risco de travarmos e desistirmos no meio do caminho, ou pior, de ficarmos deprimidos pela ausência de senso de utilidade. Além disso não podemos deixar de chamar atenção para o fato de que a maioria dos pesquisadores no Brasil são contratados como docentes em Universidades públicas. No exercício de nossos cargos, precisamos dar aulas, participar de reuniões e nos envolver em inúmeras atividades burocráticas e administrativas, além de desempenhar atividades de extensão, como a divulgação científica que fazemos aqui neste blog. Recentemente, uma publicação na Scientific American recomenda que os cientistas sejam premiados por atividades de divulgação científica também. Motivação é o que conduz o ser humano. Portanto, não é para nos sentirmos seres felizes e encantados que precisamos nos sentir úteis. É para que a gente não esmoreça nesse longo e pedregoso caminho que é a publicação de um artigo, é para que o mundo possa ter acesso a toda a ciência produzida em um laboratório. Afinal de contas, quantos de nós conseguiu publicar tudo que foi produzido desde que começou a fazer ciência? Eu mesma, nunca consegui publicar a parte mais importante do meu mestrado porque travei psicologicamente e não consegui retomar depois de tê-lo submetido 7 vezes. Ainda não desisti... E você? Já passou por algo semelhante? Conta aí nos comentários! #catarinarmarcolin #caiacolla #vidadecientista #capes #ciência #pesquisador #pressão #produtividade #produtivismo
- Os efeitos da falta de comunicação da ciência com a sociedade
Por Jana del Favero Ilustração: Joana Ho Com o corte de verba anunciado pela CAPES no último dia 3, muitos pesquisadores brasileiros começaram a usar as redes sociais para contar para a sociedade o que pesquisam utilizando as hashtags #MinhaPesquisaCapes e #ExistePesquisaNoBr. Nós mesmas, aqui do Bate-papo com Netuno, fizemos um levantamento de editoras e convidadas que tiveram bolsa CAPES em algum momento de sua carreira, e em menos de de duas horas já tínhamos mais de 20 pesquisas descritas. Mas que culpa temos nós, pesquisadores, nesse corte do governo? Por que esperamos o anúncio de uma medida tão drástica, para só então começar a falar com a sociedade e divulgar a importância das nossas pesquisas? Por que esperamos que ideias absurdas, como o movimento anti-vacina, o conceito de terraplana, entre outros, comecem a pipocar para que a ciência venha a público? Falar com a sociedade não deveria ser algo rotineiro dos cientistas? Por que não falamos? O primeiro motivo que me vem na mente seria a persistente falta de tempo, que caminha lado a lado com a falta de incentivo (e/ou falta de reconhecimento). Nós, cientistas brasileiros, além de realizarmos nossa pesquisa, conciliamos: 1. Dar aula (para graduação e pós graduação; 2. Orientar (iniciação científica, mestrado e doutorado); 3. Propor e gerenciar projetos de pesquisa, ensino e extensão; 4. Comprar equipamento e demais materiais para pesquisa e ensino (isso inclui conseguir financiamento, fazer orçamentos, pechinchar preços e realizar a compra em si); 5. Organizar escala de trabalho em laboratório e de trabalhos de campo; 6. Participar de inúmeras reuniões e comitês (departamento, colegiado de curso, pós graduação, etc); 7. Participar de bancas de avaliação (concurso, TCCs, pós graduação). A falta de incentivo está no fato de que as agências de fomento, as avaliações para ascensão de carreira e os concursos para a seleção de professor em universidades públicas não consideram (ou dão um peso muito baixo) se você divulgou sua pesquisa ou se você tem alguma atividade de extensão. Para pontuar, o mais importante é o número de artigos publicados em revista científica, e essas revistas quase nunca alcançam o público geral (não estou falando que artigos revistos por pares não são importantes, mas não deveriam ser a única métrica). Então os cientistas não falam por falta de incentivo, a população não valoriza porque não sabe como a ciência pode afetar sua vida, o governo não incentiva porque os cientistas não falam e a população não cobra, e assim entramos em um ciclo vicioso difícil de ser quebrado. Vale lembrar que a maior parte das pesquisas no Brasil vem de dentro das universidades, e são realizadas por pesquisadores, em sua maioria mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos que são pagos por agências de fomento à pesquisa, como a CAPES. Sem a comunicação, a sociedade jamais conseguirá enxergar que não existe um remédio, um peixe no mercado ou um meio de locomoção sem pesquisa! Um exemplo dessa desconexão entre ciência e sociedade foi a manchete divulgada por um jornal que anunciava que a CAPES não teria verba para pagar os auxílios aos pesquisadores a partir de agosto de 2019, mas gostaria de deixar claro que a CAPES não paga auxílio aos pesquisadores, e sim bolsas de dedicação exclusiva que são a única forma de sustento para a maioria desses pesquisadores. Essa remuneração pelo trabalho de pesquisa é assim chamada porque sobre ela não incidem encargos, como impostos, mas também não traz benefícios como férias, 13° salário, fundo de garantia e seguro desemprego. Em muitos casos, o bolsista não pode nem realizar outra atividade remunerada durante o tempo de recebimento da bolsa. Assim, as bolsas são na verdade "salários" e única fonte de renda da qual a maioria desses pesquisadores depende para viver. Quem não trabalha melhor quando está bem remunerado? Quando não precisa se preocupar se sua bolsa vai ser cortada ou não? Quando não precisa, frequentemente, pedir extensões de prazo ou submeter novos projetos? Então deixo aqui um desafio para todos os colegas pesquisadores: falem! Não deixem as hashtags #MinhaPesquisaCapes #ExistePesquisaNoBrasil serem algo provisório. E também desafio os não cientistas: apontem algo em sua vida que não foi criado pela ciência ou que não dependa dela. Valorizem tudo que vocês tiverem ao seu redor, pois desse jeito você estará valorizando a ciência! #janamdelfavero #vidadecientista #existepesquisanobrasil #minhapesquisacapes #joanaho
- Correntes oceânicas de superfície (Parte I)
Por Jana M. del Favero Arrasto do vento, gradiente de pressão e deflexão de Coriolis As correntes oceânicas podem ser divididas em dois tipos: as de superfície, sendo a maioria delas movida pelo vento; e as correntes de subsuperfície, regidas pela densidade (já falamos sobre as correntes de subsuperfície em um outro post, relembre aqui ). As correntes de superfície forçadas pelo vento representam apenas 10% do volume do oceano, e seu padrão de circulação resulta da interação do arrasto do vento, do gradiente de pressão e da deflexão de Coriolis. Cada tópico será apresentado a seguir. Arrasto do Vento Sabemos que o vento é o ar em movimento. As moléculas de ar arrastadas pelo vento na superfície do mar colidem com as moléculas de água da superfície do oceano, transferindo energia pela fricção do arrasto: erguendo ondas e gerando correntes. Para visualizar o que foi dito acima, basta soprar uma bacia cheia de água e observar que a água parada foi posta em movimento pelo vento do teu sopro. Os ventos na superfície terrestre sopram em um padrão regular, como uma resposta ao aquecimento desigual do ar na superfície da Terra e à deflexão de Coriolis (calma que a gente já explica isso também). Assim, em ambos os hemisférios os ventos de oeste produzem um cinturão de correntes de água que fluem para o leste nas latitudes médias, e nas baixas latitudes (lá pertinho do Equador) os ventos alísios geram duas correntes de água que se movem para o oeste. Essas correntes são desviadas uma da outra pelos continentes, criando os giros de circulação (grandes circuitos de correntes). Vamos comparar o sentido do fluxo das correntes de água com os padrões de vento? Olha a Figura abaixo! Circulação global do vento (primeira figura): note que os ventos fluem das zonas de alta pressão para as zonas de baixa pressão. Correntes oceânicas superficiais (segunda figura): observe que o padrão de circulação oceânica global gerada pelo vento consiste em giros que rodam no sentido horário no Hemisfério Norte e no sentido anti-horário no Hemisfério Sul (Fonte: Pinet, 2014). Antes de prosseguir, veja o vídeo a seguir para melhor entender o Sistema de Ventos Global: Gradientes de Pressão Um gradiente de pressão é uma mudança de pressão ao longo de uma distância. Gradientes de pressão surgem devido a variações horizontais na altura da superfície da água. Sim, eu não disse errado... Muitas pessoas imaginam que a superfície do mar, se não fosse perturbada pelas ondas, seria plana. Mas na verdade a superfície do mar é deformada em montes e depressões, revelando uma “topografia” sutil e definida. Essa topografia de água é gerada, em parte, pela convergência e divergência das correntes: correntes convergentes causam um acúmulo de água, criando uma “colina”; já as correntes divergentes provocam um afastamento de água, criando um “vale” (a diferença de elevação entre o topo da “colina” e a parte inferior do “vale” é de cerca de 1 metro ou menos). Como a pressão varia diretamente com a altura da coluna d'água (lembre-se da fórmula para pressão: P = ρgh, em que ρ é a densidade, g a aceleração da gravidade e h a altura da massa), os gradientes de pressão causam um fluxo de água das “colinas” (zonas de alta pressão) para os “vales” (zonas de baixa pressão). Quanto maior for a diferença (gradiente) de pressão ao longo de determinada distância, maior será o fluxo de água (da mesma maneira que uma bola rola mais rápido em uma encosta íngreme do que em uma com um declive suave). Deflexão de Coriolis A rotação do planeta influencia fortemente o movimento dos fluidos de ar e de água, em um efeito chamado de deflexão de Coriolis. Para começar a entender esse efeito basta se imaginar sentado com um amigo em um carrossel em movimento. Ao jogar uma bola para seu amigo, que está sentado em um cavalo na borda do carrossel, a bola faz uma curva acentuada e seu amigo é incapaz de pegá-la. Na verdade, o caminho da bola foi realmente em linha reta, como notado por uma pessoa observando acima do carrossel, por exemplo. Porém, do seu ponto de vista e do seu amigo, que estavam no carrossel, a bola fez uma curva acentuada. Em outras palavras, a deflexão não foi real, mas sim aparente, criada porque o seu eixo de referência estava em movimento (veja a figura abaixo). O ponto é esse: assim como aconteceu com o carrossel em movimento, por causa do movimento da Terra girando em torno do seu eixo (a rotação da Terra), as correntes de água e de ar são desviadas pelo efeito de Coriolis. Em outras palavras, as correntes de água e de ar não fluem diretamente na direção dos gradientes de pressão, mas em algum ângulo por causa do efeito de Coriolis. No Hemisfério Norte a deflexão de Coriolis é para a direita, e no Hemisfério Sul, para a esquerda. Isso é causado pela rotação no sentido horário no Hemisfério Sul em relação ao Polo Sul e pela rotação no sentido anti-horário no Hemisfério Norte em relação ao Polo Norte. Para facilitar, se imagine no Polo Norte e olhe para baixo na Terra, você verá o planeta girando no sentido anti-horário sobre seu eixo. A quantidade de deflexão induzida pelo efeito de Coriolis depende da velocidade do objeto em movimento e de sua localização na Terra, ou seja, a deflexão de Coriolis aumenta com velocidade e com a distância do equador. Para melhor visualizar o que é o efeito de Coriolis, assista o vídeo a seguir: Continuaremos falando de correntes de superfície em outros Descomplicando. Fonte: Pinet, P.R. 2014. Invitation To Oceanography. 7a edição. Jones & Bartlett Learning. 662 p. #coriolis #correntesoceânicas #descomplicando #janamdelfavero












