top of page

Resultados da Busca

549 resultados encontrados com uma busca vazia

  • Estuários

    Por Jana M. del Favero Fonte Você já deve ter ido, passado ou até mesmo nadado em um estuário. Afinal, ao redor dos mesmos estão estabelecidas as maiores cidades e os maiores portos do mundo. Além de ser uma área importante para a navegação e ao urbanismo, os estuários são áreas de reprodução, habitat e alimentação para inúmeras espécies, sendo diversas delas de interesse pesqueiro. Mas antes de detalharmos sua importância econômica e ecológica é preciso perguntar: você sabe mesmo o que é um estuário? Um estuário é um corpo de água semi fechado localizado no limite entre continente e oceano e no qual as águas do rio e do oceano se misturam. A palavra “estuário” é derivada do latim aestuarium , que significa “dependente de maré”. São nos estuários que os rios começam “a sentir” o ritmo das marés . O tipo de estuário mais comum é desembocadura de um rio, mas algumas baías, golfos, enseadas também podem ser considerados estuários.. Os estuários que temos hoje espalhados pelo mundo surgiram depois o último máximo glacial. Nesse período glaciares imensos cobriam uma grande parte da Europa, América do Norte e Ásia e, quando derreteram, fizeram o nível do mar subir aproximadamente 120 m, ou seja, até o nível que temos hoje. Isso levou a inundação de regiões costeiras e, onde haviam leitos de rios ou outros baixios, formaram-se estuários. Fonte As flutuações de salinidade estão entre as principais características dos estuários. A periodicidade das marés faz com que a água salgada do mar entre no estuário durante o período de maré alta e saia durante a maré baixa, permitindo o predomínio da água “doce” do rio que desemboca no estuário. Além dessa oscilação da maré, a salinidade nos estuários ainda varia por causa das mudanças no regime de ventos, chuvas e evaporação. Inclusive, em alguns estuários, como o da Lagoa dos Patos no RS, a ação dos ventos é mais importante do que a maré. A alta variabilidade na salinidade representa um alto custo energético aos organismos que vivem nos estuários, pois há a necessidade de ajuste fisiológico a essas mudanças ( osmorregulação ). Como resultado, um baixo número de espécies conseguem permanecer por longos períodos nos estuários e são consideradas estuarino residentes. A maioria das espécies encontradas nos estuários apenas utilizam estes ambientes em uma determinada fase do seu ciclo de vida ou como rota de migração. Assim sendo, os organismos encontrados nos estuários são de origem marinha, límnicos (ou dulciaquícolas) e estuarinos (ou de água salobra), e podem ser classificados como: 1) estenoalinos : organismos que não toleram (ou toleram muito pouco) mudanças de salinidade, como o peixe-espada ( Trichiurus lepturus ) de origem marinha, e 2) eurialinos : toleram mudanças na salinidade e são capazes de se deslocar para o interior do estuário, como a corvina ( Micropogonias furnieri ). A vegetação estuarina também é caracterizada por um número limitado de espécies. Além da variação da salinidade, os estuários são muito homogêneos quanto ao substrato , sendo a maioria de fundo lamoso, o que dificulta a fixação das plantas e das macroalgas. Além disso, a turbidez das águas estuarinas restringe a penetração da luz, dificultando a presença de plantas e macroalgas que crescem submersas. De uma maneira geral, podemos dizer que nos estuários localizados em zonas temperadas são comumente encontrados os marismas , que são substituídos pelo manguezal na paisagem dos estuários tropicais e equatoriais. Apesar de toda a adversidade citada, os estuários estão entre os ecossistemas mais produtivos do planeta, pois os rios trazem grandes quantidades de nutrientes, que agem como “ fertilizantes ”, ao mesmo tempo que as ondas e marés ajudam a manter a água bem ventilada com oxigênio e agitam o sedimento, ressuspendendo nutrientes e matéria orgânica do fundo. Esses processos sustentam a produção primária de fitoplâncton, algas bentônicas e gramas marinhas que sustentarão níveis tróficos superiores. Assim, as poucas espécies de animais adaptadas às adversidades do estuário, se beneficiam da alta abundância de suprimento alimentar, da reduzida competição por alimento e espaço, e da pouca predação. Fonte No entanto, devido a sua proximidade com zonas urbanas, industriais e portuárias, os estuários também recebem uma quantidade grande de contaminantes, tais como esgotos, fertilizantes, praguicidas, hidrocarbonetos de petróleo e metais. Isso coloca em risco a qualidades das águas, a sobrevivências dos organismos que ali habitam e podem gerar danos a saúde a quem ingerir peixes e frutos do mar de regiões estuarinas. Não muito tempo atrás, os habitantes das zonas costeiras eram despreocupados com seu impacto na qualidade da água dos estuários. Argumentava-se que os estuários eram limpos diariamente pelas marés, como se as mesmas agissem como a descarga da nossa casa. Infelizmente, este não é o caso. Poluentes são facilmente retidos no sistema (subprodutos do petróleo, metais pesados, fertilizantes, esgotos e pesticidas, entre outros), gerando diversos tipos de poluição e contaminação. Precisamos com urgência preservar esses ambientes tão frágeis e tão importantes aos humanos e a diversos outros animais. #descomplicando #janamdelfavero #estuário

  • Correntes oceânicas de superfície (Parte II)

    Por Jana M. del Favero Transporte de Ekman, ressurgência, subsidência e circulação de Langmuir Vimos no primeiro post sobre as correntes oceânicas de superfície (relembre aqui ) que a colisão das moléculas de ar do vento com as moléculas de água na superfície do mar resulta no movimento da água, gerando uma corrente. Iniciado o movimento superficial das moléculas de água, elas vão exercer um atrito (uma força) sobre as moléculas de água logo abaixo, iniciando o movimento delas também. Assim, com o vento soprando persistentemente por um longo período de tempo, o movimento vai sendo transferido cada vez mais para baixo na coluna de água. Conforme esse movimento gerado pelo vento vai atingindo as camadas mais profundas da coluna de água, ele vai perdendo velocidade pois aumenta a distância da força motriz (geradora), o vento. Além de diminuir de velocidade, a direção do fluxo da corrente de água também muda com o aumento da profundidade, como resultado da deflexão de Coriolis . Você deve estar lembrado que no Hemisfério Norte a camada de água da superfície flui para a direita da direção do vento gerador. Do mesmo modo, quando a camada de água superficial coloca a camada de água subjacente em movimento por causa do atrito, a camada subjacente também sofrerá um desvio à direita do escoamento da camada acima dela, e assim por diante: cada camada de água mais profunda é desviada para a direita da camada imediatamente acima dela (lembrando que estamos falando do Hemisfério Norte, pois no Hemisfério Sul o desvio seria para a esquerda). O resultado de todo esse processo de perda de velocidade e deflexão é uma corrente espiralada, chamada espiral de Ekman . Sob a influência de um vento forte persistente, a espiral de Ekman pode estender-se até uma profundidade entre 100 e 200 metros. Apesar de receber o nome de espiral, a espiral de Ekman não se movimenta como um redemoinho formado quando a água desce por um ralo. O termo espiral é usado para  para designar os movimentos horizontais na coluna de água dividida em camadas, sendo que cada camada se movimenta em direção horizontal levemente diferente. O físico escandinavo, V. Walfrid Ekman, ainda calculou que o transporte resultante na espiral gerada pelo vento é de 90 graus à direita do vento no Hemisfério Norte e de 90 graus à esquerda do vento no Hemisfério Sul. Esse transporte resultante, chamado de transporte de Ekman , representa a média de todas as direções e velocidades da espiral de Ekman. Resumidamente, a maior parte da água desloca-se a um ângulo de 90 graus em relação ao vento gerador A espiral de Ekman. 1 - Vento, 2 - Força de cima, 3 - Direção efetiva da corrente 4 -  Efeito Coriolis. Fonte A influência do transporte de Ekman é importante sobre outros tipos de correntes de superfície, como na ressurgência e na subsidência . Na ressurgência, por exemplo, um vento soprando paralelo à costa em determinada direção (dependendo do hemisfério), resulta em um transporte de Ekman que afasta a água superficial da costa, aflorando a água mais profunda para "ocupar"o lugar da superficial que foi retirada (já falamos sobre a importância da ressurgência costeira aqui ). Na subsidência ocorre o contrário: o transporte de Ekman resultante de ventos soprando paralelamente à costa impulsiona água em direção a linha de costa  e faz com que as águas de superfície sejam empurradas para baixo, ou seja, ocorre um afundamento da água de superfície. A ressurgência e a subsidência também podem ocorrer longe da influência das bordas dos continentes, em mar aberto. Por exemplo, nas proximidades de 30°N e 30°S as correntes superficiais dos giros de circulação convergem (vão na mesma direção) devido a deflexão de Coriolis, produzindo empilhamentos de água que induzem a subsidência. No equador, por outro lado, os ventos de sudeste e nordeste geram duas correntes superficiais que fluem para o oeste e são desviadas pelo efeito de Coriolis para o norte (direita) no Hemisfério Norte e para o sul (esquerda) no Hemisfério Sul. As águas superficiais locais são então removidas por esse fluxo divergente (em direção oposta), promovendo a ressurgência (a figura abaixo ilustra o descrito). É importante ter em mente que o transporte de Ekman é uma resposta para um vento soprando por muito mais do que algumas horas ou até mesmo dias (longo prazo). A curto prazo, ventos que sopram persistentemente e com força na superfície dos oceanos podem ocasionar movimentos verticais na água, fazendo com que o fluxo seja paralelo ao vento gerador e gerando células de circulação longas e estreitas nos primeiros seis metros da coluna de água (com movimentos semelhantes ao de um saca-rolha). As células são chamadas de células de Langmuir e o fluxo de circulação de Langmuir (veja a figura abaixo). Vocês já devem ter visto no mar o resultado dessa circulação e não entenderam do que se tratava. Por causa da rotação em direções opostas desses “saca-rolhas”, os limites de duas células de Langmuir adjacentes (de dois saca-rolhas) alternam entre fluxos que se encontram e se afastam, enfileirando qualquer material flutuante (como bolhas, manchas de óleo, algas etc) nas zonas de fluxo convergente. Assista o filme abaixo sobre a Espiral e o Transporte de Ekman: Fonte: Pinet, P.R. 2014. Invitation To Oceanography. 7a edição. Jones & Bartlett. Learning. 662 p. #janamdelfavero #descomplicando #circulaçãodelangmuir #correntesoceânicas #ressurgência #subsidência #transportedeekman

  • Mulheres em eventos científicos: por que continuamos falando sobre isso?

    Por Paula Birocchi No início de 2018, soube através do SOLAS do instituto GEOMAR Helmholtz Center for Ocean Research que estavam abertas as inscrições para participar de um curso de verão do Integrate Marine Biosphere Research in Climate and Ecosystem ( IMBER ClimEco 6 Summer School ). A Juliana e eu, nos inscrevemos e fomos aprovadas para participar. Ficamos muito felizes e, eu já mandei e-mail para todos os patrocinadores ( sponsorships ) do evento, em meu nome e no da Juliana. Muitos responderam no mesmo dia (sexta-feira) negando o auxílio financeiro. Até que, na segunda-feira, a coordenadora do evento, Lisa Maddison do IMBER me mandou um e-mail informando que uma pessoa havia desistido de participar e, devido ao meu entusiasmo, eu havia conseguido um auxílio do SCOR (SCOR = Scientific Committee on Oceanic Research , uma organização internacional que financia atividades de pesquisa e educação superior nas Ciências do Mar) de 1.800 dólares. Esse valor pagava as passagens aéreas para a Indonésia! Infelizmente, a Juliana não conseguiu o mesmo auxílio e não pôde ir comigo. Quando faltava praticamente um mês para a viagem, eu fui informada de um auxílio extra da NOAA ( National Oceanic and Atmospheric Administration , EUA) de 500 dólares que pagou a hospedagem, inscrição e alimentação durante o evento. Vocês já devem imaginar como eu me senti a pessoa mais sortuda do mundo e ficava saltitando pelo IOUSP , onde eu era estudante de mestrado. Então, no dia 28 de julho embarquei em Guarulhos com destino a Etiópia, onde fiz escala de 5 horas para então seguir até Singapura. Fiquei em Singapura por 2 dias, quando dormi apenas 4- 5 horas por noite devido à mudança do fuso horário e pela empolgação mesmo. Que cidade maravilhosa! Singapura é super turística e simplesmente a combinação perfeita de uma cidade grande em que você pode desfrutar da natureza e do calor tropical, mas ao mesmo tempo de shoppings, vida noturna, comida maravilhosa e uma cultura riquíssima sobre o budismo (muitos e muitos templos), yoga etc. Depois de Singapura, voei diretamente a Yogyakarta, a cidade Indonésia onde foi o Summer School CLIMECO 6 . Que povo, que cultura, que lugar. O povo indonésio é muito receptivo e muito rico culturalmente. Uma cidade de muita gente, muita comida gostosa, muitas motos, muita natureza e muitos templos budistas, sendo o maior deles Borobudur, também localizado em Yogyakarta. Não preciso dizer que todos os palestrantes do Summer School foram sensacionais e todos muito abertos a ouvir os alunos, de igual pra igual, sem julgamentos, sem se colocar num patamar acima deles. Aprendi muito. Também tive momentos em que me senti um pouco sozinha na Indonésia, afinal fui sozinha, sem conhecer ninguém antes, mas isso não me desmotivou de continuar a nadar. Não devo negar que, durante o Summer School muitas vezes também me senti um pouco como um “peixinho fora d’água”, pois um outro colega mexicano que conheci por lá e eu éramos os únicos oceanógrafos físicos no evento. Mas, foi justamente por isso que o evento foi tão enriquecedor. Conhecer biólogos, ecólogos, engenheiros e até uma advogada, todos com a preocupação de entender melhor como aplicar a sustentabilidade de forma interdisciplinar em seus projetos de pesquisa e, por consequência, em suas vidas. Ao final do evento, tanto eu quanto o mexicano ganhamos uma menção honrosa dos organizadores a respeito das nossas apresentações de trabalho em formato de pôster, foi inesquecível. Dessa forma, eu agradeço pela oportunidade de poder participar deste evento, neste lugar. Agradeço ao apoio de todos os brasileiros que sabem dessa jornada, às brasileiras Kelly e Bia pelo companheirismo durante toda a viagem, e a organização do evento, principalmente a Lisa Maddison, a Anne, ao Chris Brown e ao SCOR e a NOAA, que financiaram a minha ida. Minha eterna gratidão! Dicas? Confie em você e não desista de um sonho se você puder tentar fazê-lo se tornar realidade com seus próprios passos. Mande e-mails, muitos e-mails, porque quem não chora, não mama, e faça parcerias, novos contatos. Deixo aqui uma foto do templo Borobudur, um lugar que com certeza me inspirou e, acredito eu, deve inspirar muitas pessoas ao redor do mundo. (Veja o primeiro post sobre o tema aqui ) Sobre a autora : Paula é oceanógrafa, mestre em Oceanografia Física pelo programa de pós-graduação em Ciências do Instituto Oceanográfico da USP e doutoranda também pela USP. A autora desenvolve pesquisa com modelagem numérica a fim de compreender interações entre a oceanografia física e os processos biológicos e químicos da água do mar. Ultimamente estuda esses processos e a relação com mudanças antropogênicas no sistema carbonato no oceano. Sempre foi curiosa por ciência e apaixonada por gatos, plantas, vôlei e nos últimos anos por rugby. #vidadecientista #convidados #paulabirocchi #eventocientífico #mulheresnaciência #mulheres

  • Sobre amamentar e se doutorar

    Por Tatiana Pinheiro Dadalto Ilustração por Caia Colla Era junho de 2016 quando descobri que em breve iria realizar o meu sonho mais lindo: ser mãe . A gravidez aconteceu em uma fase muito produtiva, a 4 meses do prazo final de conclusão do meu doutorado em Geologia e Geofísica Marinha na Universidade Federal Fluminense (UFF). Nessa época, além do doutorado, eu trabalhava diariamente na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), casa dos meus dois orientadores. Para mim era certo o fim da “fase Rio de Janeiro” na minha vida: meu marido e eu sempre desejamos ter filhos em uma cidade mais calma e mais perto de nossa família, que residia entre o Espírito Santo e a Bahia. Iríamos nos mudar para Vitória - ES e em 8 meses nossa vida tinha que estar organizada para o nascimento da nossa pequena. Para terminar o doutorado, precisei de mais tempo do que imaginei e pedi uma prorrogação de 6 meses além do prazo final, que foi concedida. Combinei com meus orientadores que em dezembro iria defender minha tese e só então me mudaria para Vitória, onde meu marido já ia semanalmente trabalhar. Trabalhei com afinco: todo o amor que já sentia por minha filha me dava muita energia, bom humor e determinação. O sono e o cansaço típicos do primeiro trimestre de gravidez me faziam dormir cedo, muito cedo mesmo. E no dia seguinte, energia, criatividade, entusiasmo e muito amor me faziam levantar animada e sem café ir trabalhar para finalizar o sonho do doutorado. Novembro chegou e meu orientador propôs que deixássemos a defesa para depois do nascimento de Liz, para que eles (ele e minha orientadora) tivessem tempo suficiente para ler os capítulos que eu já havia entregado e mais tempo para se aprofundar na discussão sobre a ‘ arquitetura estratigráfica e evolução geológica da magnífica e apaixonante Restinga da Marambaia ’. Meu orientador propôs que usássemos todo o prazo de 6 meses já concedido e os 4 meses da licença maternidade para que eu defendesse o mais tarde possível, já que eu estaria cuidando de minha recém-nascida. Eu aceitei e julho de 2017 passou a ser meu novo prazo. Apesar de tudo isso, mantive meu planejamento de mudança. Mudamos para Vitória em janeiro de 2017, eu com um barrigão de 8 meses de gestação. Meu marido foi quem procurou nosso novo apartamento, organizou toda a mudança e entregou o apartamento do Rio. Eu organizei a casa nova, arrumei o quarto da minha florzinha, terminei e enviei a tese para os meus orientadores e não mexi mais com o doutorado - era o tempo dos meus orientadores darem suas sugestões, correções e orientações finais. Liz nasceu em 17/02/2017, o dia mais emocionante da minha vida. Nasceu e veio direto pra mim, pro meu peito, pro meu cheiro. No meu peito, fez os primeiros movimentos de sugar. Mamou em livre demanda do dia em que nasceu até fevereiro de 2018, quando já tinha um aninho de idade. Praticamos amamentação exclusiva durante os seis primeiros meses de sua vida, quando iniciamos a introdução alimentar de sólidos. Diariamente experimentamos o amor, o dengo, o calor, a paciência, o chamego, a criação de vínculo da amamentação. Um desses dias foi o dia da minha defesa do doutorado. Viajamos de carro para o Rio – meu marido, Liz, minha sogra e eu. Nos momentos antes da defesa, eu e minha orientadora já havíamos informado a todos os componentes da banca examinadora da minha situação, que eu estava com minha bebê do lado de fora e que faríamos pausas para que eu pudesse amamentar. Combinei com meu marido e minha sogra que eles ficassem distantes, pois eu não iria conseguir me concentrar se ouvisse o choro dela. Seria impossível pra mim! Liz tinha cinco meses e meio e ainda se alimentava exclusivamente através do aleitamento materno. Apresentei a tese em 1 hora e fizemos uma pausa. Fui até minha filha, nas sombras do estacionamento da UFF. Dei “mamá” e avisei que se houvesse necessidade que a levassem para mim, pois eu já tinha terminado a parte mais difícil. E voltei para a arguição. Depois de cerca de 2 horas, enquanto um dos professores falava, comecei a ouvir o chorinho da minha menina aumentando de intensidade gradativamente e avisei a todos que minha filha estava chegando pra mim. Peguei ela chorando no meu colo, a acalmei e a coloquei no meu peito para mamar. O professor cuja fala havia sido interrompida, me olhava com cara de interrogação pensando ‘o que será que eu faço agora?’ e eu disse a ele ‘pode continuar’. Continuamos a arguição, Liz mamou, largou o peito, eu ainda a mantive no meu colo um tempo, dormindo calmamente, enquanto literalmente defendia minha tese. Depois passei ela pro colo do papai, que só voltou com ela no fim da arguição para a foto oficial com a banca! Senti que a reação das pessoas foi de estranhamento e também foi de apoio e incentivo. Um estranhamento natural por estarem vivendo uma situação de amamentação pública durante uma defesa de doutorado, o que, infelizmente, ainda é incomum; e apoio, especialmente do público feminino, porque todos ali, me parece, sabiam reconhecer a importância da amamentação, do acolhimento materno e dos direitos envolvidos (da mãe e da criança). Acredito que o diálogo prévio preparou todos para viverem esta situação (talvez por isso não tenha havido um estranhamento maior e comentários). Estou certa também de que a minha postura de ter CERTEZA de que é meu direito acolher minha filha e de que é direito da minha filha ser alimentada foram decisivas para que tudo acontecesse da forma que foi. Espero que contando minha história, outras mães - especialmente as doutorandas! - se inspirem e se renovem em ânimo para buscarem uma rede de apoio e seguirem em frente em seus estudos e/ou suas atividades profissionais sem deixarem de ser mães acolhedoras e confiantes sobre seu direito de amamentar. Foi assim que meus dois maiores sonhos se realizaram. Que felicidade! Não foi fácil. Mas foi incrível. Foi muito difícil ter que escrever com uma bebê que mamava a cada 2 horas. Foi muito difícil ter que deixar minha bebê tanto tempo sem meu colo na fase em que ela descobria que ela e a mamãe não eram uma só pessoa (por volta dos três meses de idade, quando eu tinha que rever o texto, editar, formatar). Foi muito difícil pro meu marido, e para todos que me ajudaram com Liz, mantê-la entretida, longe da mamãe por algumas horas do dia. Foi muitíssimo difícil escrever com o esquecimento típico da fase de puerpério e amamentação ( baby brain ). Por outro lado, foi muito fácil trabalhar naquilo que é minha paixão. Foi muito positivo contar com a compreensão dos meus orientadores. Foi decisivo ter recebido o apoio, a presença e o estímulo de um marido incrível. Foi muito importante ter uma rede de apoio para os cuidados de Liz. Foi muito reconfortante ter recebido a atenção e os cuidados da minha mãe durante o puerpério, quando fiz as primeiras movimentações para retomar a escrita. Foi muito bom ter feito tudo isso com amor e com a certeza de que todo esforço valeria a pena e me permitiria o preparo necessário para o trabalho que eu desejo, meu outro sonho: a vida acadêmica. Sigamos em frente! Sobre Tatiana: Tatiana Pinheiro Dadalto é oceanógrafa, doutora em Geologia e Geofísica Marinha pela Universidade Federal Fluminense (UFF, 2017). Atualmente, é professora substituta na Universidade Federal do Sul da Bahia. Gosta de passar seu tempo livre em família e também de cozinhar, fotografar e estar ao ar livre em contato com a Natureza. #mulheresnaciência #doutorado #maternidade #convidados #aleitamentoexclusivo #amamentação Todas as imagens foram cedidas pela autora.

  • Ressurgência Costeira

    Por Gabrielle Souza Você já ouviu falar no fenômeno chamado “Ressurgência”? Sabe do que ele é capaz? Hoje no Descomplicando Netuno nós vamos explicar para você! Ressurgência também conhecida como “upwelling” (em inglês) consiste no afloramento da água fria de uma camada inferior para a superfície. Próximo da costa, este fenômeno ocorre, principalmente, por causa da ação dos ventos, que ao soprar paralelamente a costa, empurram a água da superfície fazendo com que ocorra a substituição da mesma pela água da camada inferior. A figura abaixo ilustra como este processo ocorre. Mas não é qualquer vento que pode gerar a ressurgência! Ele precisa ter a direção certa, e estar no lugar certo! Fonte: NOAA. What is upwelling? National Ocean Service website Mas você já se perguntou qual a importância da ressurgência?! A água da camda mais profunda ajuda na “ fertilização ” das águas superficiais, pois é rica em nutrientes. Assim sendo, o processo de ressurgência auxilia na manutenção da malha alimentar. E como isso funciona?! Na malha trófica marinha os organismos estão localizados em níveis, ou seja, o fitoplâncton como produtor primário, serve de alimento para o zooplâncton, que serve de alimento para diversos peixes, que servem de alimentos para predadores de topo de cadeia, como, por exemplo, os tubarões. Deste modo, a ressurgência reflete na produção de peixes, pois quanto mais nutrientes disponíveis, maior a quantidade de fitoplâncton e consequentemente maior a quantidade de zooplâncton, aumentando a quantidade de alimento para os peixes.  Na costa brasileira, o principal ponto de ressurgência é a região de Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro. Durante o verão com o aumento da frequência e intensidade dos ventos de nordeste as águas de camadas inferiores afloram e ficam mais frias nesta região. Por isso, por mais calor que esteja, dar um mergulho é tão sofrido em diversas praias fluminenses. Para saber mais:  https://www.youtube.com/watch?v=9OxietVkp9w https://www.youtube.com/watch?v=D3F320CFF_I Referências: GEOGRAPHIC, National. Upwelling: Upwelling usually results in rich fisheries.. Disponível em: < https://www.nationalgeographic.org/encyclopedia/upwelling/ >. Acesso em: 15 jul. 2017. SCHOOLS, Science Education Through Earth Observation For High. Quando a água retorna do fundo do oceano.Disponível em: < http://www.seos-project.eu/modules/world-of-images/world-of-images-c03-p21.pt.html >. Acesso em: 15 jul. 2017. COMMERCE, National Oceanic And Atmospheric Administration U.s. Department Of. What is upwelling?: Upwelling is a process in which deep, cold water rises toward the surface.. Disponível em: < https://oceanservice.noaa.gov/facts/upwelling.html >. Acesso em: 15 jul. 2017. LALLI, Carol M.; PARSONS, Timothy R.. Biological Oceanography An Introdution. 2. ed. Vancouver, Canadá: The Open University- Set Book, 1998. 337 p. Elsevier Butterworth-Heinemann. SILVA, Gustavo Leite da et al. ESTUDO PRELIMINAR DA CLIMATOLOGIA DA RESSURGÊNCIA NA REGIÃO DE ARRAIAL DO CABO, RJ. -, Rio de Janeiro, p.1-11. Disponível em: < http://www.enapet.ufsc.br/anais/ESTUDO_PRELIMINAR_DA_CLIMATOLOGIA_DA_RESSURGENCIA_NA_REGIAO_DE_ARRAIAL_DO_CABO_RJ.pdf >. Acesso em: 24 jul. 2017. #cabofrio #descomplicando #ressurgência #fertilização #fitoplâncton #gabriellesouza #riodejaneiro #upwelling #zooplâncton

  • Tiradas do Netuno #10

    Ser um peixe vermelho num oceano azul traz uma vantagem incrível! Dependendo da sua profundidade, você se torna quase invisível para seus predadores e para suas presas. Sem contar que fica imbatível no esconde-esconde! Entenda mais sobre como funcionam as cores no oceano em nosso post “ Um peixe vermelho em um oceano azul engana muita gente! ” --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com palpites das editoras do Bate-Papo com Netuno. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- #tiradasdonetuno #gilbertojunior #luz #cor #oceanografiafísica #adaptação #oceanoprofundo

  • Tiradas do Netuno #1

    Essa tirinha foi inspirada no post “ Pequenas águas-vivas e o segredo para a vida eterna ”. Criação: Oceanógrafo Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #águasvivas #vidaeterna #gilbertojunior

  • Tiradas do Netuno #2

    O tubarão-baleia é um tubarão filtrador que se alimenta, principalmente, de plâncton. Ele é o maior peixe do mundo, chegando a medir até 12 m de comprimento. As fêmeas carregam ovos dentro delas e seus bebês já nascem com quase 60 cm. Na tirinha, Jack é um peixe cartilaginoso e sua amiga Dory um peixe ósseo. Mas você sabe mesmo o que é um peixe? E qual a diferença entre peixes ósseos e cartilaginosos? Clique aqui e compreenda essa “família” complicada do Jack. Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #tubaraobaleia #peixes #tubarão

  • Tiradas do Netuno #3

    Muitas pessoas não sabem, mas a maioria dos peixes que habita o oceano libera suas células reprodutoras (ovócitos e espermatozoides) na água onde ocorre a fertilização, formando os ovos. Peixes como sardinhas, garoupas, bijupirás e atuns apresentam essa estratégia e são capazes de produzir milhões de ovos. Ao fim do desenvolvimento do embrião, após 24 horas (mais ou menos, dependendo da espécie), acontece o nascimento (eclosão) de uma pequena larva. Mesmo com a capacidade natatória ainda em desenvolvimento, essa pequenina larva enfrentará diversos desafios, como se manter em um ambiente agradável, encontrar alimento e não ser predada. Apenas 1% delas atingirão a vida adulta. Clique aqui e saiba mais sobre a vida “dura” de um peixe marinho bebê. Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #mundosoceanicos #ictioplâncton #peixes #larvas #gilbertojunior

  • Tiradas do Netuno #4

    Enquanto em terra nós comemoramos o Natal, nos oceanos temos a chegada do fenômeno El Niño. O nome desse fenômeno climático vem justamente em homenagem ao menino Jesus, já que as datas coincidem. Quer saber mais sobre este fenômeno que tem tanto impacto sobre a pesca e o clima em nosso planeta? É só ver nosso Descomplicando sobre El Niño, clicando aqui . Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #elnino #elniño

  • Tiradas do Netuno #5

    O desejo dessa tartaruguinha é o mesmo de toda a equipe do Bate-papo com Netuno. Como não temos um gênio da lâmpada para realizar nosso desejo, tentamos fazer nossa parte divulgando dados e informações sobre esse vilão do oceano. Assim sendo, foi impossível escolher um único post para compartilhar junto com essa tirinha e, portanto, fizemos uma pequena coletânea sobre o assunto. Se informe, não seja enganado por frases do tipo: “mas plástico é reciclável” ou “esse pode usar, é biodegradável”! Vamos reduzir o consumo e evitar o uso único do plástico sempre que possível! Aqui no Bate Papo com Netuno nós já compartilhamos diversos conteúdos sobre o tema plásticos no meio ambiente. Quer saber um pouco mais sobre o tema? Clique aqui . Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #plasticos #lixomarinho #poluiçãomarinha

  • Tiradas do Netuno #6

    A ficção científica às vezes é menos impressionante que a realidade, especialmente quando pensamos na vida marinha! Para sobreviver em um ambiente tão diferente da nossa terra firme, diversos organismos marinhos desenvolveram estratégias incríveis. Apesar disso resultar em sobreviventes muito eficientes, muitos deles são mais reconhecidos como verdadeiros “monstros marinhos”. Perfeitos exemplos para inspirar a sétima arte... Nós já escrevemos dois posts sobre essas inspirações marinhas. Divirta-se: Festa das Bruxas no Oceano 10 animais marinhos que inspiraram os Pokémons Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #inspiração #monstros #ficçãocientífica

bottom of page