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- Atuar em oceanografia implica obrigatoriamente em ter uma carreira acadêmica?
Por Adriana Lippi Ilustração: Joana Ho . Desde que ingressei na graduação de oceanografia sempre ouvi questionamentos relacionados ao "o que você vai fazer": O que o oceanógrafo faz? Trabalha com pesquisa, né? Vai trabalhar no TAMAR, certo? entre outros. Eu também não tinha muita certeza de como iria ser depois de formada, mas considerava a carreira na ciência. Ao começar o meu curso também me engajei em diferentes atividades durante a graduação: participei de entidades estudantis, empresa júnior, me lancei a editar um informativo impresso para os alunos, resolvi que queria fazer um site primeiro para a atlética e depois para o centro acadêmico, organizei alguns eventos… e tentei me formar nesse meio tempo. Quando me deparei com a parte "científica-acadêmica": iniciação científica e trabalho de graduação, senti uma imensa dificuldade. Óbvio que bateu a maior crise existencial: "Poxa, mas eu fiz tanta coisa nesses anos e não consigo escrever essa monografia! Não consigo ter uma bolsa de iniciação? Posso montar um site inteiro, mas não consigo entender o que estou fazendo nessa pesquisa...". Entreguei a monografia mesmo assim, fazendo como foi possível, levei várias puxadas de orelha de relator e orientador. Acabei optando por não ingressar num mestrado logo após a graduação, ao contrário da maioria dos meus colegas que seguiram na área, consegui uma bolsa de desenvolvimento tecnológico em um projeto no INPE e lá fiquei por 6 meses. Nesse período tive oportunidade de (re-)ingressar na vida acadêmica, possibilidades de mestrado, tempo para estudar, poucas responsabilidades. Até tentava, mas não me animei. Ler artigos científicos e bolar um projeto com hipótese, metodologia e selecionar e citar referências me deixava ansiosa só de pensar. Demorei até aceitar que era possível que a ciência não encaixasse com as minhas habilidades e ambições, pelo menos nessa altura da minha vida. No final do último ano de graduação e nesse período no interior consegui fazer uma graninha fazendo sites, habilidade que consegui desenvolver durante a graduação, depois de fazer a disciplina de introdução à lógica de programação. Na disciplina descobri que programar era algo que gostava muito e isso me levou a programar sites. Fazia isso por gosto, às vezes para tapar algum buraco, quando precisava de um site para um evento. Demorei muito até ver que poderia usar essa habilidade para pagar umas contas. Tive um grande amigo, que até hoje é meu parceiro no trabalho e na vida, que insistiu muito comigo até que pudesse enxergar que poderia fazer isso como profissional. Tinha um lado de mim que me incomodou por muito tempo: “Estou fazendo oceanografia, não quero desperdiçar a graduação fazendo sites, que todo mundo pode fazer. Quero ser oceanógrafa!”. Porém, volta e meia aparecia alguém precisando dos “meus serviços”: fazer um site ali, organizar um evento aqui, ajudar com uma diagramação acolá… Na grande maioria todos essas pessoas eram do meio científico: professores universitários, pesquisadores, entre outros. Demorou mais um tanto para que pudesse ver que fazendo isso não estava desviando da minha área de oceanografia. Foi um professor que me mostrou: “ Atividades-meio importam”, ou seja, posso não estar fazendo a atividade-fim: pesquisa, publicações, livros, porém minha atuação (atividades-meio) ajudava que essas atividades-fim fossem desenvolvidas de uma forma melhor . Aí perdi a vergonha do meu trabalho! A partir dessa conclusão, consegui me ver de uma forma mais definida como profissional, investir mais na minha capacitação, divulgar um pouco melhor o que fazia, etc. Desde então consegui uma colocação dentro de uma empresa onde aprendi muito, e recentemente optei por mudar meus caminhos indo para o terceiro setor. Sobre Adriana : Oceanógrafa, programadora web, viciada em ler, aprender e questionar, com mania de controle de tarefas, equipes e finanças de projetos, diretora do Instituto Costa Brasilis. Me apaixonei pelas diatomáceas ainda no colégio, achava que passaria o resto da minha vida trabalhando com esses minúsculos e quase invisíveis seres, mas não podia ignorar as coisas visíveis do meu dia-a-dia que achava importante realizar. Participei da A.A.A Oceanográfica, do Centro Acadêmico Panthalassa, encabecei O Escafandro (periódico feito pelos alunos da graduação do IOUSP), participei da organização de eventos científicos (SNO2010, SBO2011, Oceanos & Sociedade 2013, ISBS2015), fui gerente de Tecnologia de Informação e Comunicação na SALT e agora to tentando descobrir como viver no mundo das ONG’s, mas com saudades das minhas diatomáceas! #vidadecientista #ciênciaetecnologia #convidados #adrianalippi #interdisciplinaridade #joanaho #programação
- Ocean fertilization and climate change
By Yonara Garcia Edited by Katyanne M. Shoemaker Have you heard of geoengineering? It’s a tool becoming increasingly used, but is often controversial because, in some cases, the result can be completely unexpected! Today we’ll talk about a polemic experiment carried out in July 2012 by Russ George, an American businessman who dumped approximately 100 tons of iron sulphate in the Pacific Ocean as part of a geoengineering project off the west coast of Canada. Ocean fertilization by iron sulfate. Source Iron is considered an essential element, often limiting, for phytoplankton growth. Phytoplankton perform photosynthesis, a process in which sunlight is used as an energy source and absorbs carbon dioxide (CO2) and water to produce organic matter in the form of carbohydrates. Phytoplankton cells are formed from these carbohydrates with the addition of other substances such as proteins, amino acids, and other molecules. In 1980, oceanographer John Martin proposed that certain regions of the ocean (the areas called HNLC - High Nutrient, Low Chlorophyll), although rich in nutrients, would be poor in primary production due to lack of iron. Thus, the addition of iron should increase the production of phytoplankton and hence affect the carbon cycle, reducing CO2 levels in the atmosphere. His famous phrase “Give me half a tanker full of iron and I’ll give you an Ice Age” caused great excitement because he believed that if certain areas of the ocean were fertilized, the effects of global warming could be reversed, cooling the Earth. Thus arose the idea that the American businessman put into practice. Russ and his team released a certain amount of iron into the sea, believing it would promote photosynthetic activity and thus increase the efficiency of the carbon sequestration processes in the ocean. Just like the process to fertilize a crop for it to go grow faster! This issue has generated much controversy because it conflicts with ethical and political questions about the effects that an intervention like this would bring to a complex ecosystem. We still know relatively little about the ocean. To better understand why the idea of this project is so controversial, let’s first talk about some important processes in the “wonderful world ocean.” Have you ever heard of “physical pump”? Or a “biological pump”? No, it’s not a kind of weapon of war to decimate an enemy population. The physical pump is the process related to the solubility of CO2 in the ocean (solubility = maximum amount of a substance that can be dissolved in a liquid). The biological pump takes into account what happens to the CO2 after it is dissolved in the ocean, when a fraction of dissolved carbon is absorbed through photosynthesis, in the surface layers of the ocean, and transported to the bottom. The diagram below explains how carbon is transported in the ocean. CO2 is a gas capable of dissolving in the surface of the oceans. This solubility mechanism is related to the concentration of this gas in the atmosphere and the water temperature: the more CO2 in the atmosphere and the lower the temperature, the greater the amount of gas dissolved in the ocean surface. Once dissolved in water, the CO2 passes to a further stage of the cycle, where it can be absorbed by photosynthetic marine organisms. Part of the organic matter formed during photosynthesis is used in cellular respiration and released back into the seawater as CO2. The other fraction, which was used in the formation of the cell, is consumed by zooplankton (primary consumers in marine food webs - read more here) and/or transported by gravity to the bottom of the ocean through “marine snow,” particles made up of food debris and fecal pellets coming from feeding zooplankton, shells, and dead microorganisms. This carbon transfer process to the deep ocean decreases the amount of carbon in the photic zone (zone that receives enough sunlight for photosynthesis to occur), sequestering (removing) billions of tons of carbon from the atmosphere each year. Some studies have estimated that the biological pump is responsible for removing about 5-15 gigatons of carbon per year (Henson et al., 2011). Marine Phytoplankton. Source You can probably imagine how important this removal is when looking at the large amount of carbon that our industrial activities, cars, and planes have emitted into the atmosphere over the last few years. It is important to remember that the much discussed global warming, among other issues, is largely caused by an excess of carbon in the atmosphere. According to the IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) 2014, in 2010 alone, 49 gigatons of carbon were released into the atmosphere by human activities. And that is precisely why these experiments with iron have gained so much popularity. Sounds simple, right? Okay, solved the problem of global warming! Let's fertilize the oceans! But it is not so simple. Interfering in natural ecosystems is an extremely sensitive subject, which can cause incalculable and irreparable damage. Some researchers performed similar experiments as the American businessman and concluded that despite the fertilization increasing the rate of photosynthesis, it can trigger changes in ocean chemistry by changing the operation of the entire system. For example, increased photosynthetic rates by phytoplankton are directly proportional to the amount of dimethylsulfide (DMS - volatile sulfur in reduced form) secreted by these microalgae in water, which is vaporized and form condensation particles in the air (i.e. more photosynthesis by the phytoplankton = more dimethylsufide into the air). In the atmosphere, these particles facilitate the formation of clouds, which would be great, because with the increased formation of clouds there is increased reflection of solar radiation and thus greater cooling of the planet. However, not all types of clouds have the property to cool the planet. Recent studies suggest that other climatic factors may also affect the distribution and properties of clouds, which could increase the temperature of the planet. Furthermore, it was observed that fertilization also increases the production of nitrous oxide (N2O), a molecule that heats 320 times more than CO2. Another study, published in April 2014 in Geophysical Research Letters , showed that more than 66% of the carbon sequestered by the ocean returns to the atmosphere in 100 years. That is, the biological pump may lessen the temperature of the Earth, sequestering carbon from the atmosphere, but we do not know what will happen when this carbon returns. Controversial enough for you? Thus, although the processes that occur in the ocean are responsible for reducing the concentration of CO2 in the atmosphere, altering the system may not be the best solution because there are many chemical, physical, and biological processes that are not fully understood. While we did not reach a more integrated understanding of these processes, the reduction of CO2 emissions would be much more efficient and safer than trying to remedy a problem by manipulating a process so complex and poorly understood. Literature: http://www.nature.com/ngeo/journal/v6/n9/full/ngeo1921.html http://www.nature.com/nature/journal/v446/n7139/full/nature05700.html https://www.ipcc.ch/publications_and_data/ar4/wg1/en/ch7s7-3.html http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/2013GL058799/full https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/syr/AR5_SYR_FINAL_SPM.pdf Henson, S. A., R. Sanders, E. Madsen, P. J. Morris, F. Le Moigne, and G. D. Quartly (2011), A reduced estimate of the strength of the ocean's biological carbon pump, Geophysical Research Letters, 38 #chatyonaragarcia #marinescience #biologicalpump #climatechange #microalgae #oceanfertilization #phytoplankton #plankton #chat
- Dinâmica da produção primária e convecção profunda de retorno (overturn) no mar Mediterrâneo
Uma abordagem por modelagem 3D de alta resolução Por Fayçal Kessouri Tradução: Catarina R. Marcolin O meu trabalho tem como foco a modelagem de sistemas plactônicos utilizando um modelo de acoplamento físico-biogeoquímico. Este tipo de modelo é uma representação virtual 3D dos principais constituintes dos níveis tróficos mais baixos do ecossistema marinho. Inclui plâncton, bactérias e os nutrientes que os suportam sobre condições hidrológicas e forçantes atmosféricas realísticas. O modelo biogeoquímico com o qual trabalhei mostra o impacto de correntes dinâmicas sobre os nutrientes que suportam o plâncton marinho, incluindo nitrato, fostato e silicato. Como eles estão distribuídos no oceano? Como são consumidos? Quem os consome? O modelo biogeoquímico mostra apenas uma parte das complexas relações entre diferentes componentes de um ecossistema. Alguns exemplos são como os apresentados a seguir na figura 1 abaixo: matéria inorgânica alimenta o fitoplâncton quando certas condições abióticas estão disponíveis (luz suficiente, camada estratificada dos oceanos), zooplâncton se alimenta de fitoplâncton. A matéria orgânica é mineralizada em inorgânica e serve de alimento para as bactérias, as quais liberam matéria orgânica e inorgânica dissolvidas, e o ciclo continua. O plâcton marinho é a base de toda a vida marinha. Eles influenciam a pesca, a economia mundial, a saúde humana e tem um importante papel na manutenção da biodiversidade. O plâncton é composto de: Fitoplâncton: contém a maior massa de produtores marinhos do mundo. Algumas estimativas mostram que os produtores marinhos produzem mais da metade do oxigênio que respiramos na Terra. Zooplâncton: se alimentam de fitoplâncton (veja também o post da Catarina ). Representam a maior migração animal diária do planeta. Bacterioplâncton e virioplâncton: constituem a maior biomassa do planeta, procariotos e vírus são frequentemente esquecidos quando falamos em redes tróficas marinhas clássicas (leia mais aqui ). O mar Mediterrâneo fica entre três continentes (Europa, África e Ásia) e, portanto, está sujeito a pressões físicas da descargas de rios e de depósitos atmosféricos de matéria orgânica e inorgânica, os quais tem dois níveis de impactos: (1) equilíbrio geral de matéria orgânica e inorgânica em todo o mar, (2) eutrofização (elevação no nível de nutrientes) de águas costeiras. Um dos nossos achados mais importantes usando este modelo é a quantificação de todas as importações e exportações de matéria nos últimos dez anos entre o Mediterrâneo e os ambientes adjacentes (continentes e oceano Atlântico). Nós estimamos que o Mediterrâneo enriquece o Atlântico em mais de 140 X 109 mols de nitrogênio todos os anos através do estreito de Gibraltar. O mar Mediterrâneo tem uma característica em comum com o Oceano Atlântico Norte e o Oceano Ártico: zonas de convecção profundas. No Mediterrâneo, uma mistura intensa é observada quase todos os invernos por dois meses. Imagine uma gota de água se movendo do fundo do Mediterrâneo a uma profundidade de 2300 m e subindo para a superfície em um único dia. Esta convecção de retorno a partir de gradientes criados por trocas de calor na superfície e fluxos de água doce é o motor da circulação termohalina global. Esta circulação criada por um gradiente de densidade é estimada estar numa escala de 70 anos no Mediterrâneo e 1000 anos nos oceanos do mundo. As massas de águas profundas contem altas concentrações de nutrientes, os quais são propagados para a superfície durante eventos de mistura profunda. Quando a mistura se interrompe no final do inverno, alguns dos nutrientes são aprisionados nas águas superficiais e uma grande floração de fitoplâncton é formada, cobrindo uma área de 5 mil a 20 mil km2 (figura 2). Florações de fitoplâncton podem ser tão grandes que podem ser observadas do espaço por satélites e são, portanto, bem modeladas. Essas florações de fitoplâncton ocorrem diretamente acima do local da convecção profunda, o qual é referido como o giro norte do Noroeste do mar Mediterrâneo. Este giro é provocado por fortes correntes ciclônicas (sentido anti-horário no hemisfério norte). Sobre Fayçal Kessouri : Atualmente sou pós-doutorando no Departamento de Oceano e Atmosfera da Universidade da Califórnia em Los Angeles, CA, EUA e o meu doutorado foi desenvolvido na Universidade de Toulouse na França (Laboratoire d’Aerologie). Meu campo de trabalho é biogeoquímica oceânica e modelagem 3D de ecossistemas planctônicos, especialmente forçantes físicas. Eu trabalhei com os impactos da convecção profunda no ecossistema planctônico no mar Mediterrâneo e atualmente estou trabalhando com o sistema de ressurgência da corrente da Califórnia e seus impactos na acidificação e hipóxia na costa oeste americana. Meu desejo em conseguir treinamento em modelagem numérica me motivou a trabalhar com um time de físicos para adquirir uma visão mais integrada do funcionamento dos ecossistemas e seus impactos. Isso me ajudou a estudar processos dinâmicos tais como a convecção que sempre me fascinou. Estou convencido de que a modelagem é uma ferramenta perfeita para complementar as redes de observações que tem sido feitas, especialmente se você quer estudar diferentes escalas espaciais e temporais. #ciênciasdomar #fayçalkessouri #convidados #modelagem #oceanografiafísica #plâncton #catarinarmarcolin
- Fishers’ stories
By Ana Helena Bevilacqua Edited by Katyanne M. Shoemaker Everything started in 2007, when a São Paulo girl left her hometown to live on the Amazon. The main objectives were to get a master’s degree, study freshwater fish physiology, get to know the forest, learn how to fish, and to spread her wings. She achieved all of these things, fishing abilities left to be desired… The master’s project fieldwork required long periods of time spent in the Amazon’s countryside, collecting fish, doing experiments, meeting people, learning the local customs, and living intensely with the forest and its traditions. And in the middle of this ocean of new experiences, a passion for the anecdotes told by fishers arose! At the time, the stories were not the goal of the study, but they quickly became a personal goal. Long, late afternoons were spent together with fishermen and their families, with many kids, dogs and, for sure, a good cup of sweet, fresh coffee, a local tradition not to be missed! From these relaxed chats, was born ideas for a future PhD. Until this point, the PhD was merely a faint idea since the master’s degree needed to be finished first. As time passed, the fieldwork was finished, the master’s degree was defended, and the will to continue the talks was only increasing. But what was next? But there, a PhD topic had already been mapped out: human ecology of small-scale fishers! And so, the migration to the marine sciences happened as naturally as those long conversations on the riverbank. Giving way to more targeted conversations, accompanied with only clipboard, paper, pencil, and a huge salt-water ocean ahead. The perfect life: go to the beach to spend all day talking with fishers! This is all that I wanted! But, there was more to this, I had an ultimate goal, so the conversations were not uncommitted and light. There were questions to be answered, a methodology to be followed, and something to be done. After all, it was PhD fieldwork! The goal of my PhD was to understand a little more about the small-scale fishers from the northeast coast of Brazil, and communicate traditional fishers’ knowledge to the scientific community. Basically what I wanted to do was to combine the fishers’ stories with traditional knowledge of marine sciences, and show that this knowledge can fill the gaps in scientific information in areas with limited data available. This information from local fishers could be used in sculpting local management plans and public policies. However, this first required me to prove that there is knowledge and truthful information behind the fishers’ anecdotes. I needed to compare the information provided in the fishers’ stories with the information from scientific literature, which I did using a marine ecosystem virtual model. This virtual model tries to represent all ecological relationships that exist in the real ecosystem, such as growth, reproduction, and predation. For this, I built two models: one based on scientific information and another one based on my conversations, and then compared the two! For this ecosystem model I used free software called Ecopath with Ecosim, which is a computational program where we can insert all the information of a real environment and to create a virtual one. This software was created by Villy Christensen and Daniel Pauly in 1992, at the Institute for the Ocean and Fisheries (ex-Fisheries Centre), in the University of British Columbia, in Canada, and is constantly being enhanced. The program I use is based on energy balance equations that define the natural dynamics present in the marine environment and the ecological interactions that occur there. In other words, all energy available is cycled between all species, and is responsible for organismal growth and reproduction. For this, we use information about how much food predators require and compare this to production rates of the prey. The program is able to create an “ecological snapshot” about what is happening in that environmental (if you want know more about this software, go to ecopath.org). For the construction of a virtual marine ecosystem (or freshwater, if you prefer), we must define the area, insert all species or groups of species, include information about the diet of each organism, determine the predators, how much food each one needs per day and growth rates. Of course we also must include the fisheries, by vessel type and gear. After this, the software can use the biological interactions to create a trophic web of who eats whom, just like the diagram below. The advantage of this model is that in addition to creating an easy visualization ecosystem, we can change fishing pressure on target species, and also include the by-catch (common expression in fisheries science to define the species that was caught unintentionally). The best thing about this model is that we are able to “predict” how the entire ecosystem would react to an increase (or decrease) in fishing pressure, restriction of certain gear, creation of non-take zones, or even a total ban on fishing. With that, we can have a better understanding of future fish stocks, if a number of management and conservation actions are (or not) taken. And what about the fishers? The results were amazing: the fishers model is almost the same as the scientific model! This means the fishers’ knowledge can be equated with scientific knowledge on some issues, and this can be used to fill the gaps about areas or species with little to no current scientific data. Furthermore, this knowledge is cheaper and more quickly accessible than most scientific research. Of course, the fishers don’t know everything. Some questions they were unable to answer. Just like in science, some issues remain a mystery for mankind. Thus, combining science with traditional knowledge of natural resources, we can gain a better understanding of ecological relationships and facilitate the implementation of management plans. All photos by: Laura Honda. About Ana Helena Bevilacqua : Ana was always in love with animals, but it was the fishes that most caught her attention. Since she hated see sick animals, she decided to be a biologist (Mackenzie University, São Paulo), and later went to the Amazon to do a masters’ degree (National Institute for Amazonian Research, Manaus) and ended up going to the beach for her PhD studies. Today, Ana is freezing in Vancouver (Canada), where she is doing an exchange as part of the PhD requisites in Ecology, in the Federal University of Rio Grande do Norte (Natal). In addition to animals, she is interested in healthy eating, canine psychology, hikes, stand-up paddleboard and maracatu. More information in: www.ecopath.org Christensen V (2013) Ecological networks in fisheries: predicting the future? Fisheries 38(2):76–81 Christensen V, Pauly D (1992) ECOPATH II—a software for balancing steady-state ecosystem models and calculating network characteristics. Ecol Model 61:169–185 Coll, M., et al. (2015) Modelling dynamic ecosystems: venturing beyond boundaries with the Ecopath approach. Reviews in Fish Biology and Fisheries 25.2: 413-424. #marinescience #chatanahelenabevicqua #ecologicalphotography #fisherman #humanecology #marineecosystems #invited #chat
- Você conhece algum cientista brasileiro?
Por Izadora Mattielo Lembro-me de uma vez, quando eu estava fazendo o mestrado, que uma criança me perguntou o que eu fazia. Na hora eu fiquei paralizada por vários segundos, porque se já era difícil explicar para os meus pais o que eu fazia, imagina para uma criança! Mas na hora respondi: sou cientista! - achando que a criança iria entender e ter curiosidade para saber mais daquela instigante profissão. Mas pela cara de interrogação dela, vi que se eu tivesse falado que fazia mestrado com corantes vitais para monitorar o fitoplâncton marinho da água de lastro de navios, ia dar na mesma! Fonte Como eu já estava acostumada com essas reações, após eu contar o que eu fazia, nem fiquei frustrada. Mas até hoje tenho um sentimento de que podemos e devemos divulgar mais a ciência! Não é culpa da criança não entender o que um cientista faz. O que falta é divulgação desta carreira, não só através da mídia e dos diversos canais de comunicação, como também por nós cientistas. Um estudo divulgado na 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), sobre o interesse dos brasileiros em Ciência e Tecnologia (C&T) demonstrou que os brasileiros possuem 67% de interesse em C&T, enquanto os europeus manifestam 53% de interesse. Porém, a pesquisa enfatiza que apesar deste grande interesse dos brasileiros, há baixo acesso a esse tipo de informação no país e que as pessoas têm dificuldades para saber onde encontrar estes assuntos, ainda mais de fontes confiáveis, sendo que a maioria delas buscam em programas de televisão. Fonte Apesar do significativo interesse em ciência da população brasileira, os cientistas possuem certas dificuldades para divulgar sua pesquisa para a sociedade. Embora o currículo lattes já tenha um local especial para indicar quando o pesquisador trabalha com popularização de ciência e tecnologia, essas atividades tendem a ser deixadas para segundo plano, pois dentro das universidades e centros de pesquisa, a pressão para publicar os resultados em revistas científicas específicas é muito grande e a linguagem utilizada nessas revistas é bem diferente da linguagem de divulgação para o grande público. E mesmo que o pesquisador tenha vontade de divulgar sua pesquisa em outros canais de comunicação, este tipo de atividade ainda não é amplamente valorizada no mundo acadêmico, embora os três pilares da universidade sejam ensino, pesquisa e extensão. Para quem não sabe, extensão tem a ver com a interação entre universidade e comunidade, e divulgação de ciência é uma atividade de extensão. Infelizmente, o que ocorre é que se o pesquisador investir tempo em divulgar suas descobertas e avanços em uma linguagem mais acessível, geralmente em blogs, redes sociais, revistas gerais e reportagens, ele pode ficar em desvantagem em sua carreira científica por não alcançar a produtividade esperada, em termos de publicação em periódicos internacionais específicos. Afinal de contas, a principal métrica utilizada para avaliar a produtividade de um pesquisador é baseada na quantidade de artigos publicados em periódicos internacionais de sua área específica. Na prática o que acontece é: se um pesquisador não alcançar um certo número de artigos publicados nessas revistas por ano ele vai sofrer as consequências, podendo chegar a ser descredenciado de cursos da pós-graduação. Em outras palavras, ele pode ficar mal posicionado perante seus colegas e às agências financiadoras, que hoje valorizam apenas um único tipo de produção acadêmica no momento da liberação de verbas para pesquisas. Fonte Mas não é apenas dentro das universidades e centros de pesquisa que essa falta de incentivo ocorre. Faltam também alicerces para que jovens cientistas possam se interessar, estudar e exercitar a divulgação científica em massa. No Brasil ainda são poucos os cursos voltados para a formação de “Divulgadores Científicos”, à exemplo dos cursos oferecidos pelo Labjor e pelo Museu da Vida . Para algumas pessoas pode ser mais fácil, mas na maioria das vezes não é trivial “traduzir” um estudo técnico científico para uma linguagem clara e amplamente acessível, sendo de grande valor uma formação especializada. Esta é uma profissão igualmente apaixonante e muitos profissionais dedicam-se somente à esta atividade, “traduzindo” estudos das mais variadas áreas para o público geral. São cientistas, jornalistas e profissionais da comunicação que se dedicam em restabelecer a “ponte” entre os produtores de ciência e sociedade. Mas será que toda a origem deste problema está nas universidades e na ineficiência da divulgação? Não podemos deixar de mencionar o papel do ensino fundamental e médio em estimular o interesse das crianças e adolescentes pela ciência! Não é apenas para formar profissionais da área, mas as competências desenvolvidas quando se faz ciência como curiosidade,organização, elaboração de experimentos, métodos, testar hipóteses, solucionar problemas e raciocínio lógico, são muito importantes para o desenvolvimento humano em qualquer área. Apesar de ainda haver poucas escolas com disciplinas dedicada à filosofia da ciência, existem algumas iniciativas de Institutos, Fundações e até mesmo de universidades. Um exemplo é o programa Febrace da Universidade de São Paulo, que tem como objetivo aproximar escolas públicas e privadas das universidades e estimular o contato de adolescentes com a ciência através de projetos criativos e inovadores (detalhes aqui ). No final do programa, há premiação para os alunos com os melhores projetos. Quem sabe, deste programa não surgirão futuros jovens cientistas? Pelo menos todos terão a experiência de ter feito ciência e saberão um pouco mais sobre essa profissão. Fonte Um outro déficit é a pequena divulgação da pesquisa científica para as empresas do país. Muitas acabam importando a tecnologia de fora ou gastando tempo e dinheiro nos seus setores de Pesquisa e Desenvolvimento, sendo que alguma universidade já está desenvolvendo o mesmo feito. Ou seja, a falta de comunicação entre eles reflete até na baixa contratação dos jovens cientistas que querem atuar na pesquisa aplicada. A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e diversas agências de inovação das universidades têm feito grande esforço para aproximar e fomentar a inovação entre universidades e empresas (tema para outro post). Mas não são só problemas. Uma recente tecnologia tem aproximado mais a sociedade dos cientistas. O crowdfunding é uma plataforma online em que as pessoas postam seus projetos para conseguir financiamento coletivo. Neste caso, o pesquisador posta seu projeto de pesquisa, explicando seus objetivos de maneira clara, além dos benefícios que trará e os custos de cada etapa. Neste momento é crucial explorar o “marketing científico”, pois a própria população irá julgar o projeto e aqueles que se engajarem na causa contribuirão financeiramente para o projeto acontecer. Resumindo, apesar destas excelentes iniciativas, ainda estamos longe do ideal de divulgação da ciência e tecnologia no Brasil. Vamos fazer um pequeno teste: Você sabe me dizer o nome de um grande cientista brasileiro? E o que ele fez? Comente no final desse post e conte para nós qual cientista brasileiro você conhece! Se a ciência fosse mais incentivada no país, teríamos mais divulgação desta carreira, maior valorização e um número maior de jovens interessados, com potencial para se tornarem grandes cientistas, melhorando o desenvolvimento tecnológico e econômico do nosso país. #vidadecientista #izadoramattielo #ciência #ciênciaetecnologia #pesquisa
- Mulheres do século 21 com comportamentos do século 20 e tarefas do século 19
Por Cássia Gôngora Goçalo e Catarina R. Marcolin Desde o século 19 já havia mulheres desempenhando papéis de destaque como cientistas. Por exemplo, Bertha Lutz (filha de Adolfo Lutz) nasceu no século 19 e foi bióloga, ativista, feminista e pioneira na luta pelos direitos das mulheres no início do século 20. Se tornou um ícone para as mulheres cientistas brasileiras. Ela foi sensacional no seu tempo, quebrando tabus e lutando pelo reconhecimento da mulher pela cidadania, num tempo onde isso era inconcebível! Assim como Sylvia Earle, nascida no século 20, que enfrentou a comunidade científica e fez com que as mulheres deste blog tivessem admiração por ela. Leiam mais sobre a vida desta incrível cientista aqui . Figura 1. Bertha Maria Júlia Lutz, zoóloga especialista em anuros e ativista feminista durante o século 20. Fonte E hoje, século 21, ainda vemos diferenças e preconceitos entre os gêneros, o que parece inacreditável, mas nem por isso é menos real! Figura 2. Sylvia Earle, bióloga marinha e pioneira na inclusão de mulheres em expedições científicas. Fonte Decidimos escrever este post após refletir bastante ao longo das discussões expostas neste blog, na sessão Mulheres nas Ciências. Eu (Cássia) nasci em uma família cujo sobrenome significa Batalha (Gongora), na qual as mulheres não poderiam deixar de fazer jus ao nome, ou seja, são batalhadoras. Tenho orgulho de falar que são mulheres fortes, guerreiras, independentes, bem-sucedidas profissionalmente e financeiramente. E claro: Mães e Avós. Desde pequena escuto esta frase “Menina você deve estudar e trabalhar para ter seu próprio sustento e que nunca na sua vida você tenha que pedir para um homem comprar, nem sequer, um pacote de absorvente para você”. E enfim, hoje sou uma dessas mulheres. Eu (Catarina) também venho de uma família muito matriarcal, com mulheres fortes que perseguiram seus sonhos profissionais. Somos professoras, agrônomas, pesquisadoras e, como Cássia, também sempre fui incentivada a desenvolver o intelecto e a buscar a realização profissional e a independência financeira. E isso não veio somente das mulheres da família, meu pai sempre me chamava a atenção para que eu pensasse com minha própria cabeça e que formasse minhas opiniões com base em diferentes fontes e pontos de vista. Apesar do meu contexto familiar favorável e de eu ter tido acesso à uma educação razoável, eu não sou imune a pensamentos e comportamentos machistas, vez ou outra. E é por isso que consideramos que a discussão sobre igualdade de gêneros, direitos humanos e muitos outros temas complexos, devem estar sempre presente no nosso dia, se reconstruindo e aprimorando. Um comentário que outrora parecia inofensivo, depois de ouvir outros pontos de vista pode parecer completamente inaceitável. Apesar da discussão sobre igualdade de gêneros ser muito mais ampla nos dias de hoje, o que percebemos, como meras observadoras do mundo à nossa volta, é que estamos ainda longe da tão almejada igualdade. A maioria das nossas amigas/conhecidas assumiram tarefas antes ocupadas pelos homens, mas não abandonaram as tarefas dos séculos passados. Estudamos (muito), trabalhamos (demais), construímos uma carreira (sólida) e administramos uma família (com amor), cuidamos dos afazeres domésticos, da limpeza da casa e do preparo das refeições (com carinho), do pagamentos das contas, além de cuidarmos da saúde (da nossa, do marido/esposa e dos filhos) e da estética, e hoje parece que nos tornamos fortes, porém exaustas, mulheres do século 21. Essa sobrecarga de tarefas pode ser atribuída a uma cultura inflexível de que as tarefas domésticas são uma obrigação primária da mulher. O homem quase nunca divide as tarefas domésticas e quando o faz, geralmente é no segundo plano. Além disso, precisamos nos perguntar se nós mulheres queremos realmente essa vida exaustiva e competitiva, acumulando tarefas, tentando fazer o tempo se multiplicar. Por outro lado, as mulheres que escolhem, de forma consciente, não casar e/ou não ter filhos, para se dedicar inteiramente à carreira e aos seus hobbys ou a qualquer outra atividade, frequentemente são vistas/julgadas como egoístas ou solitárias. Essa mulher é vista dessa forma inclusive por nós, mulheres esclarecidas do século 21. Figura 4. A mulher maravilha do século 21. Ilustração de Caia Colla . Nós temos energia, capacidade, disposição e muito orgulho do que conquistamos ao longo dos séculos, mas frequentemente ouvimos relatos de mulheres sobre essa sobrecarga de tarefas, pois ao longo dos anos, o que mais fizemos foi acumular funções (“Enquanto descanso carrego pedras” - frase constantemente citada pela bisavó da Cássia, no sentido de que após o trabalho, ainda há as tarefas caseiras para serem realizadas). Você não se cansa só de pensar sobre isso? E será que estamos mais felizes tentando desempenhar esse papel de mulher maravilha? Este papel é algo que nós escolhemos desempenhar ou nos foi designado? Quando entrevistada, Indra K. Nooyi, CEO da PepsiCo, contou sobre as dificuldades em lidar socialmente com sua escolha de priorizar a carreira e como ela acredita que mulheres de sucesso fingem que podem ter tudo, tentando conciliar um alto cargo executivo e os papéis de mãe, nora, filha, esposa (confira a entrevista completa aqui , é muito interessante!). Mas não estamos aqui para julgar suas escolhas, mulher do século 21, o que pretendemos com esse post é promover uma reflexão sobre isso. O mais importante é que cada mulher consiga encontrar as respostas dentro de si mesma e que seja honesta em seus relacionamentos. Precisamos escolher conscientemente quais atividades iremos desempenhar, sem culpa e sem imposição por terceiros. No momento em que definir sua postura diante da sua própria vida, lembre-se que homens e mulheres do século 21 possuem comportamentos diversos e que apesar de ninguém se autodeclarar machista, muitos de nós ainda se comportam como companheiros(as) do século 20. E isso vale para qualquer tipo de relação onde sejam estabelecidos papéis tradicionais. Independentemente do comportamento alheio, saiba que cada uma de nós influencia as pessoas ao nosso redor, especialmente como futuras mães, tias e avós de homens e mulheres. E ser independente, significa liberdade em escolher os papéis a serem exercidos em nossas vidas (dona de casa, profissional, solteira, casada ou mulher maravilha). Nossa mensagem é: respeite as opções alheias, dentro do seu seio familiar e profissional e passe a mensagem de que igualdade de gêneros é muito mais do que dividir tarefas domésticas ou igualdade salarial, é respeitar e reconhecer que entre homens, mulheres, gays, transexuais, transgêneros, etc., somos todos seres humanos. E muitas de nós somos novas mulheres com hábitos antigos... ainda. Não esqueçamos que ainda temos um longo caminho a percorrer. Portanto, aproveite o Dia Internacional da Mulher e dedique-se à você! Referências: Gongora, B. 2002. Recordando passagens da minha vida. iEditora. São Paulo, 102 p. Silva, M. F. da, Silva, J. B. da, Rocha, A. E., Oliveira, F. P., Gonçalves, L. S., Silva, M. F. D., & de Queiroz, O. H. (1995). Inventário da família Orchidaceae na Amazônia Brasileira: parte I. Acta Botanica Brasilica. p. 163 a 175 http://memoria.cnpq.br/web/guest/pioneiras-view/-/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/902173;jsessionid=524922C3FCF3F135300954E25C1260A9?p_p_state=pop_up&_56_INSTANCE_a6MO_viewMode=print Sobre Caia Colla , autora do desenho deste post: Sou Caia Colla. Mais uma mulher comum tentando administrar muitas bolas no ar. Trabalho período integral como técnica de laboratório no Instituto Oceanográfico, sou mãe de duas meninas lindas e esposa de um cara incrível. Mas meu dia tem muitos turnos e para sobreviver à pressão e ter prazer nas pequenas coisas preciso ser mais que isso. A arte me salva. Espanto os maus espíritos cantando numa banda e os meus demônios através do desenho. E assim sigo, sendo muitas em uma. #mulheresnaciência #cássiaggoçalo #catarinarmarcolin #caiacolla #carreira
- História de Pescador
Por Ana Helena Bevilacqua Tudo começou em 2007, quando a paulistana deixou o berço da cidade natal e decidiu viver na Amazônia. Os objetivos da mudança eram fazer o mestrado, estudar fisiologia de peixes de água doce, conhecer a floresta, aprender a pescar e ganhar asas. Destes todos, a pesca deixou a desejar... O projeto de mestrado contava com muitas atividades e coletas em campo durante longos períodos pelo interior do Amazonas. Coletava peixes, fazia experimentos, conhecia gente, aprendia os costumes da mata e vivia intensamente a floresta e suas tradições. E nesse mar de novas experiências, nasceu a paixão pela conversa de pescador! Naquela época, a conversa não era o objetivo do estudo, mas rapidamente passou a ser o objetivo pessoal. E assim, os longos e mornos finais de tarde foram preenchidos pela companhia de pescadores e suas famílias, sempre cheios de crianças, cachorros e, claro, um bom cafezinho, bem doce e fresco, como a tradição local não deixa faltar. A partir desse papo, informal e descompromissado, foram nascendo as ideias para o futuro doutorado, até então apenas em planos porque o mestrado devia ser finalizado. E o tempo foi passando, as coletas acabando, o mestrado defendido, e a vontade de continuar as conversas só crescia. Mas e agora? E aí que já estava traçado o tema do doutorado: ecologia humana de pescadores de pequena escala. E foi assim que a migração para a ciência marinha aconteceu tão naturalmente quanto aquelas longas conversar na beira do rio, dando lugar a conversas mais direcionadas, na companhia de prancheta, lápis e com um oceano de água salgada à nossa frente. Que delícia, ir para a praia para passar o dia conversando com pescadores! Era tudo o que eu queria! Mas como nesse momento o objetivo já era outro, as conversas já não eram mais descompromissadas e leves. Neste momento haviam perguntas a serem respondidas, uma metodologia a ser seguida, resultados a serem buscados e algo a ser concluído! Afinal, eu já estava fazendo as coletas do doutorado! O objetivo do doutorado era entender um pouco mais a pesca de pequena escala no litoral do nordeste brasileiro e trazer para perto da ciência acadêmica o conhecimento tradicional do pescador. Basicamente o que eu queria fazer era aliar o conhecimento tradicional às ciências marinhas e provar que este pode ajudar, e muito, a preencher as lacunas que existem na ciência e, assim, melhor embasar os planos de manejo e as políticas públicas. Mas para isso precisava provar que por trás da “conversa de pescador” havia conhecimento. Então, o que eu queria era comparar se as informações que conseguia com os pescadores estavam de acordo com o conhecimento científico, usando um modelo virtual de um ecossistema marinho. Esse modelo virtual tenta representar todas as relações ecológicas que existem no ecossistema real, como crescimento, reprodução, predação, entre outros. Para isso, criei dois modelos: um apenas baseado nas informações que obtive durante as “conversas” com os pescadores artesanais e outro criado com informações da literatura científica. E depois seria só comparar os dois! Para a criação desse modelo de ecossistema marinho usei um software livre chamado Ecopath with Ecosim , que nada mais é do que um programa de computador onde inserimos todas as informações de um ecossistema real e conseguimos um ecossistema virtual. Este programa foi criado por Villy Christensen e Daniel Pauly em 1992, no Centro de Pesca da Universidade da British Columbia em Vancouver, Canadá, e que continua a ser aprimorado até hoje. Está baseado em equações de balanço de energia que definem a dinâmica natural presente no ambiente marinho e as relações ecológicas que ocorrem ali, ou seja, toda a energia disponível é ciclada entre as espécies presentes e é responsável pelo crescimento e reprodução dos organismos. Para isso é comparada as informações da quantidade de alimento necessária por dia para os predadores com as informações sobre o crescimento e reprodução das presas. O programa é capaz de criar uma “fotografia ecológica” do que está acontecendo no ecossistema naquele momento (Se quiser saber mais sobre o software acesse www.ecopath.org ou de uma olhada nas referências abaixo). Para a criação do ambiente virtual marinho (ou de água doce, se preferir) precisamos definir o tamanho da área, colocar todas as espécies ou grupos presentes, inserir informações sobre a dieta dos organismos, definir quem são os predadores, o quanto cada um come por dia e a taxa de crescimento de cada espécie, sem esquecer de inserir a pesca por tipo de embarcação e apetrecho. Definido tudo isso, o programa cria todas as interações biológicas e monta uma teia trófica de quem come quem, igualzinho ao esquema abaixo. A vantagem desse modelo é que além de criar um ecossistema de fácil visualização, ainda podemos inserir a pressão de pesca sobre determinada espécie alvo, como também o chamado by-catch (expressão usada pela ciência pesqueira para definir a pesca de espécies acessórias que são capturadas acidentalmente junto com a espécie alvo). E o mais legal é que com esse modelo conseguimos “prever” como o ecossistema inteiro reagiria a um aumento (ou diminuição) da pressão de pesca, restrição de determinado apetrecho, fechamento de áreas ou mesmo a proibição total da pesca ou de determinada espécie alvo. Com isso, conseguimos um melhor entendimento sobre o futuro, caso algumas ações de manejo e conservação sejam (ou não) tomadas. Mas e os pescadores? Ah sim! O resultado foi incrível: o modelo dos pescadores e o modelo científico são praticamente iguais! Ou seja, os pescadores possuem conhecimento que pode ser equiparado ao conhecimento científico em algumas questões, e este pode ser usado para preencher as lacunas de informações científicas sobre determinada área e/ou espécie. Além de ser de baixo custo, este tipo de informação pode ser acessada em um tempo bem menor em comparação à certas pesquisas científicas. Mas claro que os pescadores não tem todas as respostas. Assim como na ciência, algumas questões continuam a ser uma grande incógnita para todos os seres humanos. Portanto, aliar a ciência ao conhecimento tradicional dos usuários dos recursos pode trazer um melhor entendimento sobre as relações ecológicas e facilitar a implantação de planos de manejo para a utilização destes mesmos recursos. Para mais informações: www.ecopath.org Christensen V (2013) Ecological networks in fisheries: predicting the future? Fisheries 38(2):76–81 Christensen V, Pauly D (1992) ECOPATH II—a software for balancing steady-state ecosystem models and calculating network characteristics. Ecol Model 61:169–185 Coll, M., et al. (2015) Modelling dynamic ecosystems: venturing beyond boundaries with the Ecopath approach. Reviews in Fish Biology and Fisheries 25.2: 413-424. #ciênciasdomar #anahelenabevilacqua #ecologiahumanadepescadores #ecossistemamarinho #fotografiaecológica
- Alcatrazes e seus peixes...
Por Natasha Hoff Ilustração de Joana Ho . Para falar sobre Alcatrazes, preciso falar da minha história com este lugar incrível. Começou em 2011, quando ouvimos sobre o arquipélago numa palestra e decidimos investir em um projeto na região, que seria desenvolvido no contexto de uma disciplina. Acabou que nosso projeto não foi selecionado pela disciplina, mas fomos convidados pelo pessoal da ESEC Tupinambás para executá-lo. Assim, iniciou-se uma parceira, um projeto, um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso!), um mestrado e, agora, um doutorado. Muitos termos e nomes desconhecidos? Então, calma porque eu vou explicar. Alcatrazes é um arquipélago, predominantemente rochoso, formado por ilhas, ilhotes, lajes e parcéis. Está localizado no litoral norte de São Paulo, no município de São Sebastião, a aproximadamente 43 km da costa, partindo do Porto de São Sebastião (Fig. 1). Sua ilha principal, maior e mais imponente (visível de pontos mais altos de São Sebastião e Ilhabela), também leva este nome – Ilha de Alcatrazes. E por quê Alcatrazes? Alcatraz é o nome popular de aves muitos abundantes por lá: os Alcatrazes ( Fregata magnificens , Fig. 2, esquerda), mas também pode se referir a outra espécie, o Atobá ( Sula leucogaster , Fig. 2, direita). E não é a ilha americana onde se tem aquela prisão de segurança máxima! Já recebi perguntas nessa linha... O segundo termo que possa ser desconhecido ao leitor é “ESEC Tupinambás”. ESEC é a abreviação de Estação Ecológica, que é um tipo de Unidade de Conservação de proteção integral. Ou seja, o objetivo central de uma ESEC é a preservação da natureza e a pesquisa científica, não sendo permitida a visitação pública. A ESEC Tupinambás foi estabelecida em 1987 e possui dois núcleos (Fig. 3). O primeiro é formado pelas ilhas das Cabras e das Palmas, que também compõem o arquipélago da ilha Anchieta, em Ubatuba. O segundo núcleo é composto por porções do arquipélago dos Alcatrazes, em São Sebastião (para saber mais sobre a ESEC Tupinambás e outras áreas de proteção marinhas, clique aqui). Mas, por que apenas porções? Acho que foi uma primeira tentativa de mostrar o quanto a região é importante, mas não foi muito aproveitada por nós (sociedade civil e órgãos ambientais), visto que até hoje, as pequenas porções protegidas permanecem as mesmas. Mas isso ainda poderá mudar, e mais para frente eu explico isso! Por último, mas não menos importante, temos a área Delta da Marinha do Brasil. Esta é uma área de 710 km2 delimitada em torno do arquipélago destinada a treinamentos militares. Apesar de ser, teoricamente, importante para o Brasil, os treinos de tiro trouxeram grandes impactos à ilha de Alcatrazes, usada como alvo até 2013. Como exemplos dos impactos causados temos a ocorrência de sucessivos incêndios florestais, a supressão de cerca de 12 % da vegetação original para a construção de estruturas de apoio e a introdução do capim-gordura, espécie exótica invasora. Nenhum trabalho foi feito a fim de averiguar os efeitos na biota marinha. Atualmente, em toda a extensão da área Delta é proibido fundear (lançar âncora; ancorar) e pescar. Apesar de não ser este seu objetivo, a área Delta representa a maior zona de exclusão de pesca da zona costeira do Estado de São Paulo. Tendo isto esclarecido, podemos começar a conversa sobre o trabalho que desenvolvi no meu mestrado. Ao terminar meu TCC, vi que aquele lugar que tanto me fascina é tão carente de informação que eu poderia continuar a gerar informações úteis e relevantes sobre a área. E foi o que eu fiz... eu tive uma ideia que foi muito bem aprimorada pela minha nova orientadora. Eu estava migrando da oceanografia química para a oceanografia biológica (aí está uma das maravilhas de ser oceanógrafa!), e estar aberta a novas proposta foi fundamental! A ideia foi avaliar a integridade biótica dos ecossistemas da região do arquipélago dos Alcatrazes utilizando a ictiofauna marinha demersal (também conhecida como comunidade de peixes marinhos associados à superfície de fundo) como indicadora da qualidade ambiental. E todo mundo me pergunta: o que é integridade biótica? Costumo responder que é o quanto aquele ecossistema consegue se manter saudável, íntegro, apesar das influências externas, como o tráfego de embarcações, atividade portuária, etc. Os dados que utilizei foram provenientes de três fontes diferentes: 1. Um trabalho publicado em 1989, pelo Prof. Alfredo M. Paiva Filho (ex-diretor do Instituto Oceanográfico da USP) e colaboradores. Foi muito interessante saber a história deste trabalho e como o instinto de pesquisador já nasce com a gente: a ideia de coletar lá surgiu durante uma travessia entre Ubatuba e Santos, como se fosse um daqueles “ clicks ” de ideias brilhantes que a gente tem. Foram lá, coletaram, publicaram e este foi o único trabalho utilizando a ictiofauna demersal publicado até então! 2. Em 2011, juntamente com o nosso levantamento abiótico, foi feito uma coleta que auxiliaria na elaboração do Plano de Manejo da ESEC (isso promoveria uma melhor e mais organizada gestão da ESEC). 3. Nova coleta realizada em 2014 para este projeto. Foi a primeira vez do Barco de Pesquisa Alpha Delphini pescando e uma grande experiência para todos nós! Para avaliar os dados, utilizei dois métodos: o Índice de Integridade Biótica (IIB) e as curvas ABC (Abundance Biomass Comparison). Estes métodos foram estabelecidos na década de 1980, mas ainda são extremamente subutilizados no Brasil. O IIB é baseado em características das comunidades que são consideradas indicadores da saúde do ecossistema. Quais seriam essas características num ecossistema dito saudável? Um maior número de espécies, dentre as quais os indivíduos estejam bem distribuídos; com maior ocorrência de predadores de topo, aqui representados pelos elasmobrânquios, e especialistas em relação à alimentação (piscívoros ou invertívoros, por exemplo). A presença também de um maior número de indivíduos jovens (não aptos a reprodução) pode ser considerada uma característica positiva, indicando que determinado habitat pode estar sendo utilizado como área de alimentação e crescimento dos peixes. Já as curvas ABC se baseiam nas características das espécies: por exemplo, quando houver influência de fatores estressores, as espécies dominantes serão, de modo geral, aquelas de menor porte, numerosas e com rápido ciclo reprodutivo e ciclo de vida curto, o que chamamos de espécies r-estrategistas. Assim, percebemos uma maior quantidade de organismos com pequena biomassa, portanto, a curva de distribuição de abundância predominaria sob a curva de biomassa num ambiente impactado e vice-versa (Fig. 4). Registramos 90 espécies de peixes, sendo 12 de elasmobrânquios. Dentre elas, aquelas que ocorreram nos três períodos e estão dentre as mais abundantes foram: Dactylopterus volitans (coió ou voador-de-fundo), Prionotus punctatus (cabrinha) e Pagrus pagrus (pargo; Fig. 5). Essas, juntamente com mais de 30 outras espécies, são apontadas como fauna acompanhante da pesca camaroeira no sudeste brasileiro, podendo ser descartadas, vendidas como mistura ou vendidas separadamente, como a merluza, o peixe-sapo (ou peixe-diabo), cinco espécies de linguado, etc. Os principais resultados apontam para um ambiente que, apesar de protegido, vem ainda se recuperando. Em 1986, ainda não havia a área Delta nem ESEC, ou seja, não havia nada que protegesse de alguma forma a ictiofauna da região, com exceção da distância da costa. O ambiente foi classificado como pobre e a curva de abundância predominou sob a de biomassa. O ecossistema tinha baixa riqueza de espécies, uma espécie de elasmobrânquio (grupo formado pelas raias, tubarões e cações) e baixo número de predadores de topo de cadeia (no caso, seriam os organismos piscívoros, que se alimentam prioritariamente de peixes). Deste momento até 2011, a fiscalização por parte da ESEC era incipiente e, portanto, atribuí à presença da Marinha do Brasil e da área Delta na área à proteção e melhora da qualidade ambiental neste período. Assim, passou-se de uma qualidade ambiental pobre para moderada e as curvas de abundância e biomassa se aproximaram. Muitas espécies mais foram registradas, inclusive de elasmobrânquios, que passou de uma para nove espécies, além de espécies piscívoras, etc. A partir de 2011, aumentou o contingente e as possibilidades de uma maior efetividade de proteção do arquipélago. Isso, associado à presença da área Delta, garantiu uma melhora ainda maior na qualidade ambiental em 2014, que passou de moderada para boa, mas as curvas de abundância e biomassa permaneceram próximas, indicando que há ainda sinais de estresse na comunidade de peixes. Dessa forma, foi possível observar que, apesar das limitações dos métodos e dos dados utilizados, os resultados foram relevantes e condizentes com o histórico de proteção ambiental do arquipélago dos Alcatrazes e da ESEC Tupinambás, que ainda precisa de maior proteção efetiva. Com tão poucas informações sobre o arquipélago, optamos por realizar um grande levantamento bibliográfico e assim mapear o arquipélago, associando essas informações com dados relacionados à susceptibilidade de cada trecho do arquipélago ao óleo (para prevenção caso ocorra algum derrame de petróleo que atinja a região. E eu espero que isso não aconteça!). Esse mapeamento gera o que chamamos de Carta de Sensibilidade Ambiental ao Derramamento de Óleo, ou simplesmente Carta SAO (Fig. 6). A carta contempla informações sobre a biota, correntes marinhas, localização de sítios arqueológicos, pontos históricos e o ISL (Índice de Sensibilidade do Litoral, que varia conforme a capacidade de penetração e permanência do óleo nos diferentes pontos da região em estudo), entre outras informações relevantes. Além do próprio mapeamento, ao realizar a carta, foi apontada uma grande lacuna de conhecimentos sobre fitoplâncton (tema já abordado neste blog ) e produtividade primária, espécies de invertebrados marinhos, algas, etc. Finalmente, quanto à alta biodiversidade que o arquipélago dos Alcatrazes apresenta, espera-se que esta se mantenha protegida pelas restrições de pesca e do tráfego de embarcações na área Delta da Marinha do Brasil, pela existência da Estação Ecológica Tupinambás e pela distância da costa. A pesca demersal, por exemplo, afeta não somente as espécies-alvo, mas aquelas removidas pela captura de pesca acidental (ou bycatch ), além de desestruturar os habitat associados à superfície de fundo. O arquipélago dos Alcatrazes ainda representa um região costeira importantíssima, e ainda muito pouco conhecida. Precisamos compreender suas relações ecológicas, ocupação e uso da área pelos diferentes organismos para, assim, subsidiar sua conservação e manejo. Quer saber mais? Unidades de Conservação: http://www.mma.gov.br/areas-protegidas/unidades-de-conservacao ESEC Tupinambás: Leite, K. L. (2014), Gestão e integração de uma Unidade de Conservação Marinha Federal (Estação Ecológica Tupinambás) no contexto regional de gerenciamento costeiro do Estado de São Paulo, Dissertação de mestrado, Escola Nacional de Botânica Tropical, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Minha dissertação: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/21/21134/tde-22092015-135056/pt-br.php Fauna acompanhante e pesca camaroeira: Graça Lopes, R., A. R. G. Tomás, S. L. S. Tutui, E. S. Rodrigues, & A. Puzzi (2002), Fauna acompanhante da pesca camaroeira no litoral do estado de São Paulo, Brasil, B. Inst. Pesca, São Paulo, 28(2), 173–188. Sedrez, M. C., J. O. Branco, F. Freitas Júnior, H. S. Monteiro, & E. Barbieri (2013), Ichthyofauna bycatch of sea-bob shrimp (Xiphopenaeus kroyeri) fishing in the town of Porto Belo, SC, Brazil, Biota Neotrop., 13(1), 165–175. Vianna, M., F. E. S. Costa, & C. N. Ferreira (2004), Length-weight relationship of fish caught as by-catch by shrimp fishery in the southeastern coast of Brazil, B. Inst. Pesca, São Paulo, 30(1), 81–85. Sobre a autora: Possui graduação em Oceanografia pela Universidade de São Paulo, e mestrado em Ciências (Oceanografia, área de concentração Oceanografia Biológica) pela USP. Atualmente, é doutoranda em Ciências pelo programa de pós-graduação em Oceanografia, área de concentração Oceanografia Biológica, pelo Instituto Oceanográfico da USP. #ciênciasdomar #natashahoff #alcatrazes #convidados #joanaho #peixes #unidadesdeconservação
- Fatos sobre as Unidades de Conservação no Brasil
Por Jana M. del Favero No ano de 1934 surgia o primeiro Código Florestal brasileiro, em resposta à grande expansão cafeeira que acontecia na época, principalmente na região Sudeste (quer saber mais sobre o código florestal, clique aqui ). Ele estabeleceu o marco legal dos parques nacionais, sendo que em 1937 criava-se o primeiro parque brasileiro, o do Itatiaia, localizado nas montanhas da Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro. Depois vieram o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, também no estado do Rio de Janeiro, e os parques nacionais das Sete Quedas e do Iguaçu, em 1939. E aqui vale fazer uma pequena ressalva, o Parque Nacional das Sete Quedas incluía as Cataratas de Guaíra, maior cachoeira do mundo em volume de água, até o seu desaparecimento com a formação do lago da Usina hidrelétrica de Itaipu. Parque Nacional do Itatiaia, primeiro parque brasileiro. Fonte E desde então diversos outros parques e unidades de conservação (UCs) das mais diferentes categorias foram criadas (leia mais sobre parques aqui ). Mas minha pergunta com esse novo post é a seguinte: qual a situação das UCs no Brasil? Para se ter uma noção mais clara do esforço de conservação em andamento no Brasil, é importante comparar a situação das áreas protegidas para conservação no país com a de outros países. O esforço de conservação mundial tem avançado muito nos últimos anos. Em 1985, apenas 3,5% do território mundial estavam protegidos; em 2008 já eram 12,8%. O Brasil foi o destaque nesse esforço recente, pois foi o responsável por 74% das áreas protegidas mundiais criadas de 2003 a 2008, correspondendo a 703.864 km², principalmente na Amazônia (JENKINS & JOPPA, 2009). Enquanto o Brasil tem aproximadamente 28% de seu território continental e 2% de áreas marinhas protegidas na forma de UCs, no mundo apenas 15,7% dos territórios terrestres e 8,4% das áreas marinhas encontram-se atualmente sobre alguma proteção legal (WDPA, 2014). Em termos relativos à área terrestre sob proteção sobre área total do país, ao compararmos a situação brasileira com a do grupo dos países mais desenvolvidos mais a Rússia, conhecido como G8, o Brasil (20%) fica atrás apenas da Alemanha (38%) e França (26%). Ou seja, o país tem, proporcionalmente, mais áreas protegidas do que os países mais ricos, tais como, Reino Unido (14%), Estados Unidos (13%) e Japão (2%) (WDPA, 2014). Distribuição espacial das áreas protegidas. Verde: áreas terrestres; Azul: áreas marinhas. Fonte: UNEP-WCMC 2014. Relatório disponível aqui Contudo, apesar do expressivo crescimento do sistema e de sua posição de destaque no cenário internacional, a efetiva implementação das UCs brasileiras ainda deixam muito a desejar já que é grande o número de unidades em todas as esferas governamentais, com inúmeras lacunas e fragilidades: regularização fundiária pendente, falta de funcionários e infraestrutura básica, ausência de plano de manejo ou planos de manejo não revisados, entre outros. A maior parte dos problemas enfrentados tem a mesma causa em comum: recursos insuficientes para sua implementação e manutenção! Os recursos alocados, infelizmente, são insuficientes e não vêm acompanhando a expansão do Sistema Nacional de Unidades de Conservação ( SNUC ). Segundo o MMA (2009), o orçamento federal para as unidades de conservação é praticamente o mesmo desde o ano 2000 (cerca de R$300 milhões/ano), observando um aumento apenas 6,83% entre os anos de 2000 e 2008, enquanto no mesmo período a área somada das UCs federais teve uma expansão de 78,46%. Fonte Somadas todas as fontes de recursos disponíveis, o orçamento federal para as Unidades de Conservação atingiu R$ 331 milhões em 2008, um valor muito abaixo das necessidades mínimas para a gestão efetiva das UCs. De acordo com estimativas, para que o SNUC funcione plenamente, seriam necessários gastos correntes anuais da ordem de R$543 milhões para o sistema federal e de R$ 361 milhões para os sistemas estaduais, além de R$ 611 milhões em investimentos em infraestrutura e planejamento no sistema federal e de outros R$ 1,18 bilhão nos sistemas estaduais (MMA, 2009). Este cenário é mais dramático quando são comparados os orçamentos para as áreas protegidas no Brasil com o de outras nações. Embora na comparação com outros oito países o Brasil ocupe posição intermediária e à frente de países em desenvolvimento, ele se posiciona abaixo da metade dos recursos necessários para consolidação do sistema e representa o menor investimento por hectare. Países como o México e a África do Sul investem entre dez e dezessete vezes mais que o Brasil na manutenção dos seus sistemas por hectare de área protegida. Voltaremos a falar mais sobre Unidades de Conservação, principalmente as marinhas. Aguardem! Deixo aqui meu enorme agradecimento à Barbara Banzato, José Augusto Auroca e Juliana Carbonari, que colaboraram com a elaboração do texto o qual me baseei para resumir nesse post. Referências citadas: Jenkins, C.N.; Joppa, L. 2009. Expansion of the global terrestrial protected area system. Biological Conservation, 142: 2166–2174. MMA. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação. 2009. Disponível em: http://www.mma.gov.br/sitio/index.phpido=conteudo.monta&idEstrutura=119&idConteudo=9677&idMenu=11809 WDPA, 2014. World Database on Protected Areas (WDPA). < http://www.wdpa.org >. #ciênciasdomar #janamdelfavero #unidadesdeconservação
- Bonitinho, mas... ordinário
Por Corey Eddy e Jana M. del Favero Dois peixes-leão já foram avistados no Brasil, ambos na região de Arraial do Cabo (RJ), um primeiro em 2014 e o segundo agora recentemente, em março de 2015. Mas, se só foram dois exemplares, por que se preocupar? Antes de continuar a leitura assistam o curto vídeo do programa Fantástico da rede Globo ( acesse aqui ), para maiores informações dos problemas que essa espécie, de origem do Indo-Pacífico, causa atualmente no Caribe e para que se tenha uma noção do quão rápido que ela se alastrou por lá. Os especialistas brasileiros ainda estão debatendo como esses Peixes-leão foram parar em águas brasileiras e se há mais indivíduos em águas mais profundas, que não seriam observados por mergulhadores (detalhes aqui ). Porém, enquanto não há um consenso, fui conversar com um colega da University of Massachusetts (EUA) que estuda a população invasora de Peixe-leão nas Bermudas, para saber o que está sendo feito por lá e que medidas poderiam ser adotadas no Brasil. Abaixo traduzo o que ele me contou: Desde a descoberta do Peixe-leão na Flórida (EUA) em 1985, sua população expandiu rapidamente da Venezuela até Rhode Island (EUA). Pesquisadores acreditam que sua expansão pode eventualmente atingir até o Uruguai. E então, desde o ano passado, dois Peixes-leão já foram avistados no Brasil! Esquema representativo da distribuição do peixe-leão ao redor do mundo. Diagramação por Naira Silva . Fonte Como em seu ambiente de origem, o Indo-Pacífico, os Peixes-leão são reconhecidos e evitados pelas suas presas, eles evoluíram para predadores oportunistas com dieta ampla (em outras palavras, comem de tudo o que tiver disponível). Porém, devido a ingenuidade de suas presas no ambiente invadido, os Peixes-leão são capazes de selecionar e consumir grandes quantidade de invertebrados, peixes juvenis e peixes adultos pequenos, muitos dos quais desempenham importantes papéis ecológicos e econômicos. Para se ter um ideia, os Peixes-leão podem reduzir as populações de peixes juvenis de um recife em quase 80% em menos de cinco semanas! Além disso, amparado pela ausência de um predador verdadeiro, populações de Peixe-leão no Atlântico têm atingido densidades bem maiores do que no Pacífico, afetando a estrutura da comunidade, a biodiversidade e a saúde de recifes de coral. Felizmente, eles são deliciosos, e demora somente 1 minuto para remover os perigosos espinhos, tornando-os perfeitamente seguros para manusear. Se houver pesca de Peixe-leão, nós poderemos salvar o oceano. “We have to eat them to beat them” (Nós temos que comê-los para vencê-los). Meu trabalho de doutorado é parte de um projeto financiado pelo “UK’s Department of Environment, Food and Rural Affairs” que está investigando características biológicas e ecológicas da população de Peixe-leão ao redor das Bermudas e o impacto que eles podem causar na estrutura e funcionamento do ecossistema recifal de lá. Para o meu primeiro capítulo eu vou utilizar dados de abundância e distribuição do Peixe-leão para estimar o tamanho populacional. Os peixes são coletados através de mergulhos em 15 locais e em 5 diferentes profundidades (10, 20, 30, 45 e 60 m) usando uma lança. Todos os indivíduos coletados são pesados, medidos, dissecados e processados para futuras análises. Depois de um ano, todos os locais são novamente observados para calcular a taxa de recolonização. Esses dados também irão facilitar o desenvolvimento de um mapa que auxiliará as atividades de remoção do Peixe-leão em locais-chave. Nos próximos capítulos estudarei a história de vida dessa espécie para calcular o seu crescimento populacional. Para calcular crescimento e quanto tempo o Peixe-leão vive, utilizarei o otólito dos indivíduos capturados tanto durante a pesquisa, quanto por outros mergulhadores e pescadores (Não lembra o que é otólito? Clique aqui ). Além disso, através das gônadas vou analisar os aspectos reprodutivos e estimar a fecundidade (quantos “ovos” são desovados por cada fêmea em média). Por fim, analisarei o estômago do Peixes-leão amostrados para saber o que eles estão comendo nas Bermudas, investigando os impactos que eles podem estar causando em peixes e invertebrados nativos e identificando fatores que podem influenciar a distribuição da população. Quando finalizado, meu doutorado irá ajudar o “Lionfish Task Force Bermuda” (http://www.lionfish.bm) e o Departamento de Proteção Ambiental local no desenvolvimento de um plano para a remoção a longo prazo desta espécie de águas locais. Controlar e reduzir o crescimento contínuo da população de Peixe-leão é uma parte crucial de qualquer esforço para minimizar os impactos negativos sobre as espécies de peixes nativas e os ecossistemas de recifes de coral, e evitar impactos secundários sobre a pesca e o turismo. Além de minha pesquisa de doutorado, estou profundamente envolvido na educação pública e uma das minhas atividades pode ser uma ideia muito útil para o Brasil. Como voluntário para a “Ocean Support Foundation” (http://www.oceansupport.org), eu gerencio “Bermuda Lionfish Culling Program” (programa de abate do Peixe-leão). Este programa permite que qualquer residente das Bermudas, com mais de 16 anos de idade, possa receber a formação adequada e uma autorização especial para caçar Peixe-leão. Até o momento, temos certificadas mais de 500 caçadores, os quais são uma grande ajuda na remoção do Peixe-leão e na manutenção dos recifes. Como o Brasil foi invadido só recentemente, o momento inicial é perfeito para mobilizar mergulhadores, pescadores e ambientalistas para entrar na água e começar a caçada. Cada Peixe-leão que é removido ajuda muito para preservar e proteger o ambiente marinho do Brasil, especialmente quando ainda são poucos os Peixes-leão observados nas redondezas. Sobre o convidado: Corey Eddy é doutorando na Universidade de Massachusetts Dartmouth (EUA). Ele fez a graduação na Universidade de Rhode Island (EUA), cujo programa levou-o para Bermudas por um semestre no “Bermuda Institute of Ocean Sciences”. Quando estava por lá passou a realizar as atividades descritas no texto. Os seus interesses concentram-se em estudar as características da história de vida, uso de habitat e ecologia alimentar de predadores ecologicamente importantes. Contato: corey.eddy@umassd.edu #conservação #convidados #nairasilva #peixes #janamdelfavero #coreyeddy
- 10 habilidades profissionais que você desenvolve fazendo ciência
Por Lilian Pavani Quem faz (ou já fez) pesquisa científica sabe como é difícil explicar o que faz, uma vez que o seu trabalho não é um estágio ou emprego, você é bolsista de iniciação científica, mestrado ou doutorado, o que te coloca basicamente na posição de estudante. Quem nunca ouviu a frase “você trabalha ou só estuda?”. Ao contrário do senso comum, sim, você trabalha e muito!! Engana-se quem pensa que trabalhar com pesquisa é moleza. Pesquisar vai muito além de ler artigos e livros, e envolve essencialmente a construção de conhecimento novo. Nesse ardoroso caminho, todo cientista é forçado a aprender muita coisa que é valorizada no “mundo real”. Quando eu fazia pesquisa não tinha muita noção de todas as coisas que tinha aprendido, mas quando comecei a trabalhar no mundo empresarial percebi quantas habilidades eu possuía graças à minha iniciação científica e mestrado, ambos em ecologia marinha. Mas independentemente do assunto que você pesquisa, com certeza você concorda com o seguinte: 1. Você sabe usar Word e Excel l Você pode precisar de uma série de softwares complicados para analisar algo específico do seu trabalho, mas jamais vai dispensar uma tabela de dados ou um gráfico feito no Excel, transformando de pizza para barras e trocando cores de séries de dados até achar o modelo que melhor representa seus resultados. E esteja você pleiteando uma bolsa, apresentando resultados ou formatando uma tese, com o perdão do trocadilho, você tira o Word de letra. Você insere tabelas, imagens e referências sem perder de vista a formatação de parágrafos, margens e rodapés. 2. Você sabe fazer belas apresentações em PowerPoint Quem nunca fez um pôster para apresentar em um congresso? E apresentações para uma disciplina da pós ou para sua banca examinadora? Com certeza você desenvolveu um bom senso estético e sabe como escolher a melhor cor de fundo, a melhor fonte, sabe distribuir os elementos do seu slide de forma simétrica e sabe que uma imagem vale mais que mil palavras, apresentando de forma maestral todas as informações importantes adequadas ao tempo disponível, seja 5, 20 ou 50 minutos. 3. Gerenciamento de projetos é algo natural Provavelmente, tudo começou com uma pergunta que você gostaria de responder, uma necessidade que você identificou – etapa de Iniciação. Para responder a essa sua pergunta você precisou escrever um projeto de pesquisa, então teve que levantar informações, definir as atividades necessárias ao seu estudo, estimar os recursos necessários e prazos - etapa de Planejamento. Com sua bolsa aprovada, você desenvolveu as atividades pré-definidas - etapa de Execução – e enquanto o seu projeto estava sendo desenvolvido, de tempos em tempos algumas atividades e processos foram revistos, buscando um ajuste e melhorias - etapa de Monitoramento e Controle. Ao final das atividades você apresentou seus resultados em um relatório final e talvez até um artigo, que passou por rigorosa avaliação do seu orientador e outros pares (praticamente uma auditoria) - etapa de Finalização. Pronto, você pode nunca ter ouvido falar em PMBOK ou MS Project, mas sabe tudo de gerenciamento de projetos! 4. Qualidade é obrigação Os níveis de exigência na área acadêmica chegam a ser estratosféricos. Já vi gente sendo desligada da pós graduação porque suas notas não atingiam o desejado pelo programa, o qual tem uma reputação a zelar junto à CAPES e agências financiadoras. Da mesma forma, se seu resumo não estiver satisfatório você não pode apresentar seu trabalho em um congresso e se seu artigo não estiver bem estruturado não será publicado em nenhum periódico. Os pares avaliam tudo e varrem o seu trabalho em busca de um deslize, portanto, fazer bem feito sempre é a ordem. 5. Você se transforma em uma pessoa criteriosa Em vista da obrigação da qualidade, quanto mais criterioso você for no desenvolvimento do seu trabalho, maior a chance de que ele seja bem feito. Sem perceber você acaba adquirindo esse hábito. 6. Argumentar é mais que necessário Tanto para discutir seus resultados quanto para solicitar financiamento ou convencer seu orientador, você precisa saber embasar, defender e provar seus pontos de vista. 7. Você aprende a lidar com pessoas Durante a sua pesquisa você precisa lidar com pessoas diferentes em diversos níveis hierárquicos o tempo todo. No mínimo você tem um orientador, quando não há também co-orientadores. Se você está no mestrado ou doutorado, você terá colaboradores, os alunos de iniciação científica. E sempre haverá a necessidade de se relacionar com outros membros do departamento onde você trabalha, principalmente outros professores. Quem conhece minimamente a área acadêmica sabe que costuma haver uma guerra de egos, e você estará sob o fogo cruzado, fazendo o possível para manter as coisas caminhando sem prejudicar o andamento da sua pesquisa. 8. Você entende que prazos são importantes e os cumpre Se você possui uma bolsa, você estará sempre atento aos prazos de relatórios de acompanhamento, aos prazos de prestação de contas e liberação de verbas. Se você ainda não tem, você está acompanhando os prazos do programa, bem como os editais para saber quando submeter uma proposta. E se você quer apresentar seu trabalho em um congresso, você tem prazo para envio de resumos (em alguns casos os organizadores podem estender o prazo, mas em geral as pessoas aproveitam a extensão de prazo para revisar). 9. Gerenciamento financeiro faz parte Em geral as bolsas de pós-graduação e algumas de iniciação científica possuem uma reserva técnica, uma verba extra que não remunera o pesquisador, mas serve para a aquisição de equipamentos, livros, realização de saídas de campo, enfim, atividades necessárias ao desenvolvimento da sua pesquisa. Essa verba não é um valor alto e você aprende a gerenciar os recursos financeiros buscando o melhor custo-benefício. Em alguns casos, você aprende até a gerenciar verbas de projetos diferentes para a compra de materiais comuns a todos os envolvidos no laboratório. 10. Você sabe que o seu sucesso depende inteiramente de você O ambiente acadêmico acaba sendo muito hostil, exigindo muita dedicação. Por isso, em geral as pessoas buscam se qualificar o máximo possível e estão sempre em busca do aperfeiçoamento. Portanto, se você tem a intenção de deixar a carreira acadêmica e seguir outra carreira, valorize-se! Você tem muito a oferecer! ;) Sobre Lilian Pavani: Bióloga, mestre em ecologia e especialista em engenharia ambiental pela Universidade Estadual de Campinas, amante de esponjas e outros invertebrados marinhos, principalmente os coloridos. Após navegar entre esponjas, algas, anfípodes e petróleo, as correntes e ventos a levaram literalmente a outras estradas, onde atuou no estudo de fauna atropelada, supervisão e gerenciamento ambiental de obras de rodovias. Nutre interesses muito diversos como educação, inovação e cozinha, toca flauta doce em um grupo amador de música antiga, escreve pensamentos e observa pássaros. Enfim, vive com os pés na areia e meio que assim, entre marés. Lilian Pavani é também autora de outros posts em nosso blog. Clique aqui e leia mais. #vidadecientista #convidados #lilianpavani #interdisciplinaridade #profissão
- The ship’s balance...
By Izadora Mattielo Edited by Katyanne M. Shoemaker Have you ever asked how ships are balanced at sea? Or how it can carry people and merchandise without tipping over? It is easy to imagine that there is an ideal maximum weight, designed and calculated by engineers, that the ship can support without sinking. OK. But how does how can this keep its balance when it is empty? The answer is easy: it needs to add weight when it is empty and then release the weight while loading it with people or merchandise. In the beginning, there were several attempts with stones and pieces of wood, but due to the effort required to add and remove these materials, a better thought was to use the seawater! Pumps could be used to pull in and throw out the water when ship was docked. This method is the method we still use today; ships have a ballast tank, which can hold ballast water that is pumped in and released. That is where my story begins! Imagine an empty ship going from China to Brazil, where it will be loaded with merchandise. As already explained, the ship would have to pump water from the Chinese coast to keep balance while traveling. The water pumped in however, is not pure and has a lot of organisms that who are trapped inside the ballast tank. You might be asking: isn’t there a mesh filter that can be used to avoid trapping these organisms? Yes, but it’s not efficient, especially for microorganisms. A second problem is, according to International Maritime Organization (IMO), ships are to exchange water in the open sea, because there are different physical and biological conditions in port that the organisms from the open ocean cannot survive. However, this does not happen. Aside from many ships not changing water at sea, there are several organisms that can resist both the travel and different environmental conditions. When arriving at the destination port, these non-native organisms are discharged along with the ballast water, causing serious problems for the local fauna and flora, as well as public health. Can you imagine the environmental impact? Because of this, there are many countries that belong to IMO doing research to solve this problem. One of these solutions is the treatment of the ballast water inside of the tank. There are many treatment proposals: mechanic, physical, and chemical. These are currently either in testing, generate waste, or are not completely efficient. I did work with phytoplankton, marine microalgae explained here . These microscopic organisms can be resistant to many treatments, and some species are toxic to animals. In fact, red tide is caused by a microalgae group. My challenge was then, to find ways to eradicate these microscopic algae from the ship ballast water. I tested three treatments: exposure to UV, ozone, and Peraclean, a chemical with characteristics similar to hydrogen peroxide. As I developed this project, I knew that these treatments were of huge importance and needed further studies done. The most interesting stage of this project was the partnership with the company Brasil Ozonio (a company that works with the University of São Paulo). Don’t be afraid to make university-industry partnerships; much of our knowledge doesn’t go forward because the researchers don’t want to expose their work and ideas. This partnership was essential to my work. The most interesting stage of this project was the partnership with the company Brasil Ozonio (a company that works with the University of São Paulo). Don’t be afraid to make university-industry partnerships; much of our knowledge doesn’t go forward because the researchers don’t want to expose their work and ideas. This partnership was essential to my work. After conducting a series of experiments, my best result was with the ozone! I was able to eradicate even the most resistant microalgae (the dinoflagellates), which no other treatment had managed to kill. In addition to being effective, this treatment doesn’t generate waste into the treated water, so it may be safely discharged overboard. In future posts, I will discuss my results in more detail, but if you want to know a little more about it, follow the links about my dissertation: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/21/21134/tde-02022015-135423/pt-br.php http://www.usp.br/aun/exibir.php?id=6118&edicao=1076 See you! #ballastwater #environmentalimpact #microalgae #ozone #chatizadoramattielo #marinescience #chat












