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  • GEOARRETADAS

    Mulheres arretadas que trabalham divulgando as Geociências no ensino médio de escolas públicas baianas Por Ana Cecília Rizzatti de Albergaria Barbosa Mulheres são minoria nas ciências exatas e isso todo mundo já sabe. Mas, como mudar? Pensando nisso, professoras do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia criaram o GEOARRETADAS, um programa de extensão onde as Geociências são apresentadas a alunas e alunos do ensino médio, incentivando meninas de escolas públicas da Bahia a entrarem neste fascinante mundo. Cientistas mulheres são geralmente sub-representadas, principalmente dentro das ciências exatas. Nestas, é comum a valorização da imagem masculina, desestimulando as mulheres a seguirem suas carreiras. Os pesquisadores Renan Ramos e Samara Tedeschi, da UNESP e UFSCar, analisando a participação das mulheres no corpo docente e na produção científica do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP de Rio Claro, verificaram uma baixa representatividade e, consequentemente, menor produção bibliográfica feminina em cinco dos sete departamentos analisados. O mesmo foi observado por professoras do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia, onde somente 31% dos docentes são mulheres. Essas professoras também observaram que as taxas de evasão das graduandas eram mais altas, agravando a baixa representação feminina não apenas na área acadêmica, como também no mercado de trabalho. Pensando nisso, essas professoras se reuniram e criaram o programa de extensão “GEOARRETADAS: despertando a vocação de meninas para as Geociências na Bahia”. O GEOARRETADAS nasceu em 2018 através de uma ideia da Profa Simone Moraes, com ajuda da Profa Tatiane Combi. Inicialmente, tinha-se como pretensão ministrar palestras sobre as atualidades e aplicabilidades das Geociências em nosso dia a dia para estudantes do sexo feminino matriculadas em escolas públicas de Salvador. Entretanto, após conversas com a Secretaria da Educação do Estado da Bahia, verificou-se a necessidade da divulgação das Geociências a estudantes de ambos os gêneros. Assim, optou-se por ministrar o curso para todos os interessados das escolas públicas parceiras. No entanto, para incentivar as alunas a seguirem o caminho das geociências, as ministrantes e monitoras desse curso deveriam ser mulheres. Assim, as alunas de ensino médio que participassem do grupo poderiam se sentir representadas. A primeira edição do GEOARRETADAS aconteceu em 2019. No total, 7 professoras e 13 alunas de graduação e pós-graduação se envolveram no projeto. Dois colégios participaram das atividades, levando ao Instituto de Geociências da UFBA mais de 70 inscritos; a maioria do sexo feminino. As aulas aconteceram em 8 sábados, começando pela manhã e indo até o final da tarde. Nesses dias, falou-se aos alunos sobre a UFBA e seus programas de assistência estudantil, bem como o que é Oceanografia, Geologia, Geofísica e Geografia. Além de uma apresentação sobre o que cada profissional faz, foram apresentados aos alunos temas geocientíficos relevantes para a sociedade, bem como foram realizadas atividades práticas. Percebia-se nitidamente o interesse dos alunos em todas as aulas, incluindo a surpresa de alguns em saber que a UFBA realizava este tipo de pesquisa e que seus cursos eram acessíveis para eles. No final do curso, os alunos desenvolveram a produção de recursos didáticos, com a publicação de um jornal falando sobre os temas das geociências que eles aprenderam. Figura 1: Atividades práticas realizadas com alunos do Ensino Médio no Projeto GEOARRETADAS. (Fotos: Simone Moraes) Figura 2: Jornal desenvolvido pelos alunos do Ensino Médio de escolas baianas participantes do GEOARRETADAS de 2019. (Figura: Simoe Moraes) Em 2020 e 2021, por causa do isolamento ocasionado pela pandemia do COVID-19, as atividades presenciais foram suspensas. Mas nada abalou as GEOARRETADAS, que se reuniram novamente mudando um pouco o formato do projeto. As professoras envolvidas optaram por fazê-lo remotamente, mas dessa vez voltado a professores do ensino médio. A intenção era incentivá-los a incluir temas relacionados às geociências em suas aulas. As inscrições foram abertas para todos os professores de escola pública da Bahia. No primeiro ano, foram ministradas palestras com temas de interesse geral, como Antártica, poluição, tectônica de placas, mudanças climáticas, entre outros. No final, os cursistas realizaram a construção de recursos didáticos relacionados a um ou mais dos temas ministrados. Esses recursos foram construídos de maneira que eles pudessem usar em suas aulas. Em 2021, optou-se por escolher um tema comum de abrangência às quatro áreas das Geociências e que tivesse impacto nos alunos do ensino médio da Bahia: poluição. A Geologia trabalhou com eles um caso de rejeitos de mineração em um município da Bahia. A Oceanografia tratou do derrame de petróleo que aconteceu na costa nordestina em 2019. A Geofísica explicou sobre métodos geofísicos para estudos de aterros e lixões. A Geografia explanou sobre a contaminação dos alimentos por pesticidas utilizados em plantações de grande porte. Nesse ano, os cursistas também realizaram a construção de materiais didáticos que pudessem ser usados depois em suas aulas. As docentes e monitoras envolvidas no curso fizeram uma cartilha que está sendo editada e será distribuída a escolas da Bahia. Agora, em 2022, prevê-se a execução do projeto novamente de maneira presencial para estudantes do ensino médio de um colégio público de Salvador. Até o momento, a execução desse projeto de extensão tem sido um sucesso, nos três formatos que ele já foi realizado. Nesses três anos, houve diversos elogios feitos tanto pelos alunos quanto pelos professores do ensino médio que participaram das atividades propostas. Além disso, vale destacar que muitos dos cursistas dos dois últimos anos pediram que a atividade se tornasse uma especialização, considerando as possibilidades que ela pode criar. Mas, o principal indicador do sucesso está na entrada de alunas que participaram das atividades de 2019 nos cursos ofertados pelo Instituto de Geociências da UFBA. Isso mostra que o objetivo inicial do projeto está sendo cumprido. O trabalho conjunto de mulheres retadas, como as que fazem parte do GEOARRETADAS, consegue inserir mais mulheres nas Geociências e demonstrar a sua importância para a sociedade. Esperamos que nosso projeto inspire outras mulheres retadas a divulgarem a Geociências em suas cidades. Referências ou sugestão de leitura: Ramos, Renan Carvalho; Tedeschi, Samara Pereira. A participação das mulheres na produção científica da UNESP, câmpus de Rio Claro. Caderno Espaço Feminino, 28(1):140-151 2015 Silveira, Camila; Ferreira, Gabriela, Souza, Alicia Aparecida de. A representação feminina nas ciências exatas de uma universidade federal. Revista Feminismo, 7(3):32-46, 2019. Naideka, Naiani; Santosa, Yane H.; Soares, Patrícia; Hellingera, Renata, Hacka, Thayna; Orth, Elisa S. Mulheres cientistas na química brasileira. Química Nova, 43(6):823-836, 2020. Sobre a autora: Sou oceanógrafa, pela Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado em Oceanografia, pela mesma Universidade. Realizei um período de estágio sanduíche na Universidade de Bremen (Alemanha) e realizei pós-doc na PUC do Rio de Janeiro, ambos com geoquímica marinha. Desde 2014, sou professora do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal da Bahia, onde sou apaixonada pela docência e ciência. Além de trabalhar com uma área muito linda, minha profissão me proporcionou muitas coisas, como ótimos amigos, experiências e viagens para lugares incríveis. Nestes, posso incluir: Antártica, ilhas remotas, outros países e cruzeiros oceanográficos. Trabalho com Oceanografia Química e Geoquímica Marinha, onde minhas principais linhas de pesquisa são: poluição marinha, biomarcadores de contaminação e análise de processos da matéria orgânica. Desde que comecei a docência, venho incentivando minhas alunas a se posicionarem no mercado de trabalho, principalmente naqueles espaços onde a maioria dos atuantes são homens. Estou envolvida com o projeto GEOARRETADAS desde sua criação. Em 2021, ganhei um prêmio da L’oreal, UNESCO e ABC para mulheres nas ciências (“For Woman in Science”), dentro da área química. Desde pequena, sempre tive uma relação muito boa, de amor mesmo, com o mar. Já falava que iria fazer oceanografia ou biologia marinha, desde os meus 11 anos. Nas feiras de ciências de minha escola, sempre apresentava alguma coisa voltada para os oceanos. Já no colegial, ganhei menção honrosa num programa de ciências da UNESCO apresentando um trabalho sobre espessantes tirados de algas marinhas. Quando criança, fiz curso de vela, e na adolescência, de mergulho. Mantive esses hobbies por muito tempo. Agora, adulta, estou me aventurando no surf. Além disso, quando possível, gosto muito de correr na orla (ajuda a manter o corpo saudável e descansa a mente) e de levar meu filhote para brincar nas ondas e areia das praias baianas, no intuito dele ter o mesmo gosto que os pais pelo mar e o respeito pelo meio ambiente. E-mail: cecilia.albergaria@ufba.br, Instagram: @ana_ce83, @geoarretadas. #MulheresNasCiências #DivulgaçãoCientífica #Geoarretadas #MulheresNasGeociências #MulheresEmExatas #ForWomenInScience #Oceanografia #Geologia #Geofísica #Geografia #UFBA #Convidados

  • Os pequenos peixes escondidos nas poças de maré

    Por Marina Brenha-Nunes Essa história começa na Baía do Araçá, que é uma planície de maré situada em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Essa planície permanece quase inteiramente descoberta durante a maré baixa, mas na maré alta abriga um elevado número de peixes e raias, que adentram a planície para se alimentar e se reproduzir. Por estar ao lado do Porto de São Sebastião, que poderá ser expandido para a área da baía, ela tem sido estudada por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, a fim de servir de modelo para outros locais que necessitam desenvolver um plano de manejo e desenvolvimento local. Quando se trabalha com peixes costeiros é muito comum que façamos a coleta deles durante a maré alta (maré cheia), principalmente por dois motivos: o primeiro é que na maré alta ocorre a maior quantidade de peixes próximos à costa; o segundo é que existem muitas técnicas de coleta para capturar o maior número possível de peixes em um determinado local, como por exemplo, a rede de arrasto, utilizando um barco a motor, e a rede picaré, que faz outro tipo de arrasto, manual, realizado na praia (veja mais sobre peixes e praias aqui). Em uma tarde de trabalho intenso de coletas de peixes durante a maré alta na Baía do Araçá, a professora Dra. Carmen Rossi-Wongtschowski (minha orientadora), quem observava e supervisionava tudo, reparou que, quando a maré começava a baixar, alguns corpos d’água permaneciam isolados, desconectados do mar, na praia de fundo areno-lodoso. Ela observou também que havia muitos peixes vivendo ali nesses corpos, e que as amostragens realizadas na maré alta não estavam capturando aqueles animais, que também pertenciam ao Araçá, local de todo estudo que estávamos fazendo. Conversa vai e conversa vem… decidimos que o meu projeto de mestrado seria estudar os peixes que habitavam esses corpos d’água na Baía do Araçá. Na verdade, já existem estudos com peixes que habitam esses corpos d’água, que são chamados de poças de maré. Porém, percebemos que no Araçá existiam dois tipos de poças de maré, as arenosas e as rochosas. Observando essa diferença, começamos a suspeitar que esse fato poderia trazer variação nas espécies que viviam nos dois tipos de poça e na sua quantidade. E foi isso que fizemos… identificar quais e quantas espécies estavam presentes em cada tipo de poça. Pesquisando na literatura sobre os peixes que habitavam diferentes tipos de poças de maré, encontramos que havia basicamente estudos em poças rochosas, ou seja, não existiam trabalhos em poças arenosas. E isso foi outro fato que nos chamou atenção!...Como assim não estudam todos os tipos de poças que existem?? Pois bem, além de identificarmos dois tipos de poças em um mesmo local, não existia bibliografia que nos “iluminasse” quanto à coleta de peixes em poças arenosas. Assim, lá fomos nós! Desenvolvemos um protocolo/roteiro para a coleta dos peixes em poças arenosas que devesse atender a alguns requisitos básicos: (1) ser reproduzido para poças arenosas encontradas em qualquer lugar do planeta; (2) ser relativamente de baixo custo, principalmente para que pesquisadores de países em desenvolvimento (como o Brasil) conseguissem replicar o procedimento sem grandes problemas financeiros; (3) tinha que ser uma coleta rápida, pois a poça de maré deixa de ser uma poça a partir do momento que ela se conecta com o resto do oceano com a elevação do nível da maré, e isso leva em média de 3 a 4 horas. Dessa forma, com o intuito de contribuir para o projeto que estava sendo desenvolvido na Baía do Araçá, que era identificar o maior número de peixes de diversos tamanhos que viviam no Araçá, construímos uma rede com a tela de mosquiteiro (igual à de barrar mosquito), só que adaptada para pegar peixes!!! Apesar das poças arenosas serem mais trabalhosas para coleta em campo em relação às rochosas, devido principalmente ao seu enorme tamanho e o curto tempo de trabalho disponível, conseguimos chegar a um nível de 89% de eficiência de captura com o procedimento desenvolvido! Ou seja, se em uma poça arenosa tivesse 100 peixes vivendo ali, conseguiríamos capturar 89 deles. E isso é ótimo, pois mostra que o nosso protocolo foi eficiente e pode ser replicado por outros pesquisadores, e até mesmo aprimorado!! Em relação às espécies encontradas, identificamos algumas espécies diferentes entre os dois tipos de poça. Por exemplo, nas arenosas capturamos muitos indivíduos do peixe-rei (Atherinella brasiliensis), carapeba (espécies do gênero Eucinostomus sp.), o amboré claro (Ctenogobius boleosoma – que habita locais de fundo claro), o ubarana (Elops saurus). Já nas rochosas, capturamos basicamente espécies que possuem adaptações para tolerar as condições de uma poça de maré, como altas temperaturas e salinidade, diminuição no nível de água e oxigênio, foi o caso do amboré escuro (Bathygobius soporator – que habita locais de fundo mais escuro e se entoca em frestas das rochas) e um tipo de maria-da-toca (Scartella cristata, que também se entoca em frestas). Tão diferentes a ponto de nem serem consideradas pelos especialistas adaptadas à vida nas poças de maré! Peixes coletados nas poças rochosas, amboré escuro (Bathygobius soporator) e a maria-da-toca (Scartella cristata). Peixes coletados em poças arenosas, carapeba (espécies do gênero Eucinostomus sp.), ubarana (Elops saurus). Vocês devem estar se perguntando: “Como assim? Mas então, como elas estavam lá?” A grande diferença é que geralmente encontramos espécies de peixes típicas de poças de maré rochosas desde fases juvenis até a fase adulta, como foi o caso do amboré escuro e da maria-da-toca, mas nas poças arenosas encontramos muitas larvas (fase inicial do desenvolvimento dos peixes - saiba mais sobre larvas de peixes aqui) ou somente indivíduos juvenis de espécies que costumamos encontrar basicamente na maré alta, como é o caso do peixe-rei e da carapeba. Isso significa que se alguém considerava que, por ventura, esses dois tipos de poças poderiam abrigar as mesmas espécies de peixes, basicamente as que tinham sido descritas em poças rochosas, houve um grande engano. A diferença no número de espécies e na quantidade de peixes capturados entre elas é bem marcante e traz uma questão ecológica atrelada importantíssima para a conservação de ambientes costeiros, mostrando que precisamos conhecer todos eles antes de propor medidas únicas para todos os tipos de ambiente. Poças de maré sempre foram habitats ecologicamente importantes para diversas espécies que participam e equilibram a cadeia alimentar costeira, além disso, podem interagir com espécies de peixes recifais e servir de isca para os pescadores. Colocando em pauta outros tipos de poças de maré, com algumas funções distintas daquelas já conhecidas, entendemos que as poças também podem vir a desempenhar um papel de abrigo para as larvas, fugindo de alguns predadores e aproveitando para se alimentar com maior “tranquilidade”. Muitas das larvas encontradas foram de espécies que são capturadas pelos pescadores na fase adulta durante a maré alta para o comércio ou seu consumo próprio. Mas, se degradarmos esses ambientes, onde essas larvas irão se abrigar? Além de pensar no futuro dessas larvas, devemos pensar também que junto com uma construção portuária, vem atrelada uma questão de invasão de espécies que não são nativas da região. Também detectamos esse cenário no Araçá, uma vez que capturamos duas espécies exóticas (não nativas da região), o Omobranchus punctatus (muzzled blenny) e o Butis koilomatodon (mud sleeper) também conhecido como barrigudo ou dorminhoco, em poças arenosas e que são potenciais competidores das nossas espécies nativas. Além da degradação, o ambiente pode ser dominado por essas espécies, que desequilibram o ambiente e os ciclos de vida das demais espécies. Como ambientalista, é necessário conhecer, proteger e conservar áreas costeiras para que possamos ter um retorno produtivo para as nossas vidas e para nossas futuras gerações, pensando no equilíbrio ecológico natural do sistema, para continuarmos colhendo bons frutos da natureza. Referências: BRENHA-NUNES, M. R. (2016). Ictiofauna em poças de maré arenosas e rochosas e seus fatores estruturadores em uma planície de maré subtropical. Dissertação de mestrado. Universidade de São Paulo, São Paulo, p. 79. BRENHA-NUNES, M. R.; CONTENTE, R. F.; ROSSI-WONGTSCHOWSKI, C. L. D. B. (2016). A protocol for measuring spatial variables in soft-sediment tide pools. Zoologia 33(2), 1-4. Disponível em: CONTENTE, R. F.; BRENHA-NUNES, M. R.; SILIPRANDI, C. C.; LAMAS, R. A.; CONVERSANI, V. R. M. (2015). Occurrence of the non-indigenous Omobranchus punctatus (Blenniidade) on the São Paulo coast, South-Eastern Brazil. Marine Biodiversity Records 8(e73), 1-4. Disponível em: CONTENTE, R. F.; BRENHA-NUNES, M. R.; SILIPRANDI, C. C.; LAMAS, R. A.; CONVERSANI, V. R. M. (2016). A new record of the non-native fish species Butis koilomatodon (Bleeker 1849) for southeastern Brazil. Biotemas 29(2). Disponível em: Sobre Marina Brenha-Nunes: Bióloga, graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo, SP). Desde a escola já queria seguir a vida de bióloga marinha, começando com uma vontade louca de participar do Instituto Baleia Jubarte, depois do TAMAR e fui trabalhar com peixes a partir de um estágio voluntário no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) em 2011. Trabalhei diretamente com morfologia de otólitos (ossos do ouvido interno dos peixes ósseos), passando por diversas consultorias ambientais e estudos de meio com escolas privadas. Depois disso, ingressei no mestrado do IO-USP e finalizei-o em maio de 2016 sobre os peixes em poças de maré e atualmente resolvi me dedicar à educação básica como professora de Ensino Médio na rede estadual. Link para o currículo de Marina #convidados #peixes #poçademaré

  • Geofísica marinha: como e quais são os métodos para estudar o som no oceano?

    Por Arthur Antônio Machado Ilustração de Luiza Soares Ondas sonoras são utilizadas como um meio de comunicação pelos animais nos oceanos há milhões de anos (veja o post sobre esse tema). Porém, para nós seres humanos, tanto a descoberta de ondas sonoras nos oceanos, como a utilização delas para diferentes fins se deu muito mais recentemente - a partir da segunda guerra mundial, quando começamos a desenvolver sonares para descobrir a localização de submarinos. Na oceanografia os primeiros usos da propagação do som na água foram para medir a profundidade dos oceanos, isto é a batimetria, através de equipamentos conhecidos como ecobatímetro ou ecossonda. Antes do desenvolvimento dos ecobatímetros os levantamentos batimétricos eram realizados com o uso de um cabo com peso na ponta. Este cabo descia até o fundo e a profundidade era estimada pela quantidade de cabo na água entre a embarcação e o fundo. Era um processo lento e não muito preciso no caso de águas profundas. O ecobatímetro é um equipamento simples, que mede a profundidade do local, que se baseia na medição do tempo decorrido entre a emissão de um pulso sonoro e a recepção do mesmo sinal após ser refletido pelo fundo. O tempo que o som leva entre o momento de sua emissão e o de sua recepção determina a profundidade entre a superfície da água e o fundo. Se lembrarmos da fórmula da velocidade: V = D T Onde V=velocidade, D=distância e T=tempo. Para o método do ecobatímetro temos que lembrar que o tempo é duplo, isto é, o tempo de ida e volta do pulso sonoro, portanto temos: D = (Vágua*T) 2 Onde Vágua= velocidade do som na água, T = tempo de ida e volta do som entre superfície e fundo, D=profundidade no local. Os primeiros ecobatímetros são conhecidos como ecobatímetros monofeixe (Figura 1), pois eles emitem um pulso sonoro apenas. Atualmente existem os ecobatímetros multifeixe (Figura 1), que emitem vários pulsos sonoros (feixes) permitindo o mapeamento de uma área maior (Figura 2), não apenas o ponto logo abaixo da embarcação. Figura 1 - Diferentes métodos acústicos de geofísica marinha. Fonte: Jorge P. Castello e Luiz C. Krug ,2017 com © Copyright - modificado de USGS Coastal and Marine Geology Project). Figura 2 - Registro de batimetria multifeixe. Fonte NGDE-NOAA em Domínio Público. Nos últimos 60 anos os métodos acústicos de geofísica marinha continuaram avançando juntamente com o crescimento da capacidade computacional, permitindo que grandes quantidades de dados possam ser analisadas praticamente em tempo real, à medida que são adquiridos, possibilitando controle imediato de qualidade do processo de aquisição de dados. Outra vantagem da evolução da tecnologia é em relação à portabilidade dos equipamentos de geofísica marinha, possibilitando o desenvolvimento de estudos em áreas restritas, no princípio, inacessíveis a grandes embarcações. Outros métodos acústicos de geofísica marinha amplamente utilizados são os métodos de perfilagem sísmica, onde o objetivo é o mapeamento das camadas sedimentares em subsuperfície, isto é, abaixo do fundo marinho. Semelhante ao exame de ultrassonografia onde obtêm-se uma imagem interna do corpo humano através da resposta acústica do pulso sonoro refletindo em diferentes camadas do corpo, a perfilagem sísmica gera uma imagem das camadas abaixo do leito marinho (Figura 3). Figura 3 - Seção sísmica do talude continental na Bacia de Santos. Atributos Cosseno da Fase e Amplitude RMS sobrepostos. (B) Fácies sísmicas interpretadas e eixos do canal indicados. Fonte Dutra, 2019 - Licença CC BY_NC 3.0 BR. Um dos maiores especialistas de geofísica rasa do Brasil, o pesquisador Luiz Antonio Pereira de Souza do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT-SP), subdivide os métodos sísmicos principalmente em dois conjuntos (Figura 4), investigação de superfície (batimetria e imageamento) e investigação de subsuperfície (perfilagem sísmica). Figura 4 - Compartimentação da investigação sísmica de áreas submersas rasas. INVESTIGAÇÃO DE SUPERFÍCIE: batimetria - utiliza fontes acústicas que emitem frequências a partir de 30kHz; imageamento - utiliza fontes acústicas que emitem sinais de frequências geralmente superiores a 100kHz. INVESTIGAÇÃO DE SUBSUPERFÍCIE: perfilagem sísmica – utiliza fontes acústicas que emitem frequências geralmente inferiores a 20kHz. Pode ser subdividida em dois grupos: métodos que priorizam a resolução (>2kHz) e os que priorizam a penetração (<2kHz). Fonte Souza, 2006 com © Copyright. O primeiro conjunto de métodos sísmicos utiliza fontes acústicas que emitem espectros contendo altas frequências (> 30 kHz) e que são empregados na investigação da topografia de fundo ou da profundidade da coluna da água e no imageamento da superfície de fundo (Figura 5). Figura 5 - Registro do navio Typo realizado com um sonar de varredura lateral (Side scan sonar). Fonte: Michigan Technological University Great Lakes Research Center) em Domínio Público. - O segundo conjunto de métodos sísmicos utiliza fontes acústicas que emitem espectros contendo baixas frequências (< 20 kHz), e que são empregados na perfilagem de subsuperfície (Figura 6). Figura 6 - Registro de exsudação de gás obtido por meio do emprego da perfilagem sísmica contínua com fonte acústica do tipo Sparker. Fonte: Arquivo pessoal Arthur Antônio Machado com licença CC BY 4.0. Os métodos acústicos de geofísica marinha estão ficando cada vez mais acessíveis não só para pesquisadores, mas também para a população em geral. Hoje em dia equipamentos (batimetria e imageamento) para embarcações de lazer são bem baratos tendo seus valores semelhantes ao de um notebook. Essa popularização ajuda no entendimento melhor de leigos na morfologia do fundo marinho e na conscientização das atividades turísticas. Referências: DUTRA, I. 2019. Evolução deposicional do canal contornítico de Santos, porção norte da Bacia de Santos (Monografia). Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. SOUZA LAP. 2006. Revisão crítica da aplicabilidade dos métodos geofísicos na investigação de áreas submersas rasas. Tese de Doutorado. Instituto Oceanográfico, Universidade de São Paulo. 311p. SOUZA LAP, BIANCO R, TESSLER MG & GANDOLFO OCB. 2007. Investigações geofísicas em áreas submersas rasas: qual o melhor método? In: 10º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, Rio de Janeiro-RJ. SOUZA LAP, GANDOLFO OCB. 2021. Geofísica aplicada à geologia de engenharia e ambiental. Editora ABGE, 120p. Sobre o autor: Me chamo Arthur, sou oceanólogo pela FURG, mestre em BioEcologia Aquática pela UFRN e doutor em Oceanografia Física, Química e Geológica pela FURG. Atualmente sou Professor e coordenador do curso de Oceanografia da UFBA. Atuo principalmente nos seguintes temas: Morfodinâmica Costeira, Interação Oceano-Atmosfera, Geofísica Marinha, Ilhas Oceânicas e Mergulho Científico. A minha relação com o mar vem desde cedo, com 7 anos de idade comecei a praticar mergulho livre e desde então o meu interesse pelo mundo subaquático só aumentou. Com o passar dos anos meu interesse pelo mar crescia e diversas perguntas surgiam na cabeça de uma criança curiosa: ‘Por que o mar é salgado?’, ‘Por que os navios fundeados ficavam aproados para o vento?’, ‘Por que o mergulhador oscila no fundo quando tem onda na superfície?’, ‘Por que quando passa uma tempestade as ondas batem no calçadão?’. Com a chegada da adolescência e as perguntas sobre o que iria fazer da minha vida profissional, fui procurar cursos de graduação que teriam relação com o mar. Nessa procura encontrei a Oceanografia. arthur.machado@ufba.br (e-mail) @arthur.oceanografia (instagram) @oceaam (Twitter) #CiênciasDoMar #Geofísica #SomDoOceano #OceanografiaGeológica #Convidados #BatePapoComNetuno

  • Marina Week 2022: Compromisso para o Futuro do Oceano

    Entre 1 e 5 de junho de 2022, ocorreu a Marina Week - A Semana do Mar de São Paulo, no Memorial da América Latina (São Paulo, SP). Organizado pela Cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano e pela Scientific American Brasil, o evento, que está em sua terceira edição, contou com uma programação repleta de atrações para todos os gostos: ciência, esportes, música, políticas públicas… No dia 3 de junho, nossa editora Carla Elliff subiu ao palco representando o Bate-Papo com Netuno na celebração da assinatura do “Compromisso para o Futuro do Oceano”, junto a outros signatários. Participação do Bate-Papo com Netuno no Seminário Futuro do Oceano durante a Marina Week 2022 (CC-BY-SA 4.0) Como descrito pela Cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano, este é um compromisso voluntário que busca criar uma grande aliança para a construção colaborativa de uma agenda em prol do oceano. O evento foi transmitido via YouTube e pode ser acessado aqui: Além disso, o “Compromisso para o Futuro do Oceano” segue aberto para o recolhimento de novas assinaturas. Acesse o site da Cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano para saber mais e se juntar a esse movimento! #NetuniandoPorAí #FuturoDoOceano #MarinaWeek #DécadaDoOceano #CarlaElliff

  • Tiradas do Netuno #23

    Já dizia a minha avó "nem tudo que reluz é ouro”. Na escuridão do mar profundo, um pontinho de luz pode significar muitas coisas, por isso é melhor ficar esperto! Para saber mais, acesse o post “Será que existe luz no fundo do mar?”, publicado em 30/11/2017. Criação: Mariane Soares (@marisoares.dsgn), com palpites das editoras do Bate-Papo com Netuno. #TiradasDoNetuno #MarianeSoares #CiênciasDoMar #Bioluminescência #Luciferina #MarProfundo

  • What if the ocean dried up?

    By Pedro Marone Tura English edit by Lidia Paes Leme and Katyanne Shoemaker *post originally published in Portuguese on November 23, 2017 Illustration by Joana Ho. Children ask the best questions. On my last trip to the beach, a child, upon learning that I was an oceanographer, asked me one of the best questions I have ever heard, "What would happen if the sea dried up?" "Do you want to know what would happen to the fish and the weather?" I asked. "No, no. What's down there? If there was no water, what would I see?" I was stunned for a few seconds at both the simplicity and complexity of the question. What could I tell a child about the bottom of the sea that would answer their curiosity and at the same time not bore them to death (the main challenge)? "Much more than shipwrecks and corals," I began. Although this topic is new among the FAQs (Frequently Asked Questions) at beach gatherings - usually related to surfing - I realized that marine geomorphology is a subject that is little appreciated by the general public. Sitting on the beach, have you ever wondered what the sea bottom is like between Brazil and Africa? Is it uniform and boring? Or, do I find the same beach sand filling the entire ocean floor? Two thirds of our planet is underwater and, except when the subject is oil or the Brazilian pre-salt layer, we care little about what lies beyond the waterline. Marine geomorphology tells us incredible stories about the evolution of planet Earth itself. Each beach, plain, parcel, and island is the result of years of sedimentary processes - the balance between deposition and erosion of sediments - on a landscape forged by tectonic forces. How many years? All of them. Even though slow, ocean and coastal environments are always changing. Add human interactions to the equation and the result is the current landscape. But if they are so dynamic, how is it possible to know the history and evolution of these places? Perhaps you have heard the expression: 'The present is the key to the past' (or perhaps ‘history always repeats itself’). Besides being poetic, this phrase represents one of the most important concepts in geology - uniformitarianism. Essentially, if I observe a certain outcome for a certain process today, this was also true throughout geological history. In this way it is possible to reconstruct past environments by looking for clues to what happened. Logical or magical? But of course, no child wants to hear about sedimentary facies, proxies, or reflectors. So I stopped myself. Instead, I started by talking about one of the most fascinating environments for any age group: hydrothermal vents. Worthy of a science fiction setting, amidst the darkness of the deep ocean, there are real chimneys, which constantly spew a variety of chemical elements into the ocean. The sources are concentrated at the boundary between tectonic plates, in regions with no light. In other words, the main process of transforming inorganic matter into organic matter - photosynthesis - does not occur in these regions. Instead of light, the organisms harness energy from chemical reactions, a process known as chemosynthesis. What was at first thought to be a lifeless region has proven to be one of the most amazing from a biogeochemical point of view. Hydrothermal vents and their black fumaroles (also called black smokers or chimneys). Chemical elements are often discharged into the ocean from these vents which are used as an energy source for the organisms living near the vents (Ocean Networks Canada/Flickr). (CC BY-NC-SA 2.0) "Now look back. What do you think of the Serra do Mar?" The Serra do Mar is a mountain range with an impressive size and extent. But, with all due respect, it doesn't even compare to the structures we find hidden in the ocean. Imagine walking across a plain and encountering mountains that rise up for kilometers in height, without breaking the surface of the ocean. Uninformed sailors cannot imagine the incredible formations that lie beneath their feet. Such structures are not rare and exist all over the ocean. In fact, a mountain range cuts across the entire Atlantic Ocean, at the meeting of the South American and African tectonic plates, the so-called Mid-Atlantic Ridge. Interestingly, the range emerges from the sea near the Arctic Circle, in Iceland. How about visiting an underwater mountain range on your next vacation? Left: Diving in the Meso-Atlantic range in the Silfra fissure, Iceland. (Source, CC BY-NC-SA 2.0). Right: Path between the mountain range in Thingvellir National Park, Iceland. (Source: CC BY-NC-ND 2.0). Shaped like irregular cones, seamounts exist in all ocean basins. The diameter of these structures varies, but generally does not exceed a few kilometers. But of course, there are exceptions. Imagine a structure rising three kilometers above the ocean floor, with an area larger than the state of Santa Catarina. This structure is the Rio Grande Rise. As if its size were not enough, a canyon about 800 meters high and more than 25 km thick cuts through this entire 'geological building.' A Grand Canyon of its own. Impressive? No doubt about it. Due to these numbers, the Rio Grande Elevation has been affectionately called the 'Brazilian Atlantis' by the media and advertising channels. And so the conversation took a good few minutes of our afternoon and added other curious people. There is no shortage of examples. New techniques of bottom measurement and exploration have shown that we still know little about our oceans. In fact, we know more about the surface of the Moon and planets like Mars than we do about the ocean floor. If you have ever felt annoyed that you were born at a time when space travel is still premature, cheer up. You were born at the right time to explore the oceans! For more: https://www.youtube.com/watch?v=D69hGvCsWgA http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=pedaco-continente-submerso-meio-atlantico#.WgOJ0eNFyP8 http://geologiamarinha.blogspot.com.br/2011/02/elevacao-do-rio-grande.html http://www.amusingplanet.com/2014/09/the-mid-atlantic-ridge-in-iceland.html About Pedro Marone Tura: I am an oceanographer and currently a doctoral student in biological oceanography at the Oceanographic Institute - USP. I work with the vertical flow of particles in the water and the biogeochemical cycling of elements in the marine environment. Always passionate about oceanography and its interdisciplinarity, today I discovered a new passion: education. I see in it the opportunity to bring society closer to the academic world. #MarineSciences #DeepOcean #Seamounts #Guests #JoanaHo

  • Enfrentando o lixo no mar, mas sem sair de casa

    Por Carla Elliff Ilustração Joana Ho Talvez tenha virado até um clichê falar o quanto a pandemia mudou nossa forma de trabalhar, mas não deixa de ser verdade. Descobrimos dezenas de ferramentas para reuniões online, assistimos lives praticamente todas as semanas e testamos os limites da internet das nossas casas. Foram muitos obstáculos que tivemos que superar (ou pelo menos contornar com gambiarras) para continuar com nossas pesquisas e demandas de trabalho rotineiras (lembram das nossas dicas de “home lab”?). Foi no meio deste turbilhão que saiu o Plano Estratégico de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar para o Estado de São Paulo (PEMALM). Já falei por aqui sobre a relação entre lixo no mar, ciência e políticas públicas. Se você ainda não leu, o spoiler é que eles têm tudo a ver! Quando iniciamos o projeto para construir o PEMALM lá em meados de 2019, colocamos como objetivo conduzir esse processo de forma participativa. Os processos participativos são uma forma de ampliar a inclusão da sociedade nas tomadas de decisão sobre gestão pública. Isso significa ouvir de diferentes setores da sociedade o que eles querem e precisam e, só então, bater o martelo sobre o que será decidido. Para desenvolver o PEMALM, foi importante ouvirmos do setor público, da iniciativa privada, do meio acadêmico, de ONGs, de associações... enfim, ouvimos de centenas de indivíduos e instituições o que eles achavam que um plano de monitoramento e avaliação sobre lixo no mar deveria abordar. Planejamos diversos momentos para interagir e trocar experiências com essas pessoas e instituições (a quem chamamos de “atores”). Tivemos um primeiro workshop realizado no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP) e, depois, uma série de reuniões ao longo do litoral, indo até o território onde os atores estão. Uma das reuniões do projeto de construção do PEMALM, realizada na sede do Parque Estadual Xixová-Japuí. A pandemia foi decretada bem no momento em que havíamos forjado esse relacionamento com os atores. Estávamos a pleno vapor, nos preparando para um segundo workshop para validar todo nosso progresso. Tivemos que parar e reavaliar o caminho que iríamos percorrer. O primeiro passo foi entender o novo equilíbrio da nossa dinâmica de trabalho. Nossa equipe era um misto de pessoas vinculadas ao IOUSP e servidores estaduais da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA). São dois ambientes de trabalho bem distintos, cada um com seus desafios. Uma vez assentada a poeira (e instaladas as webcams), estabelecemos uma agenda de reuniões semanais e consultamos nossa rede de atores mobilizados. Precisávamos entender qual a situação em que eles se encontravam: teriam interesse e disponibilidade em continuar nossa co-construção em um ambiente virtual? O que achariam de um workshop online? A resposta foi positiva! Seguimos investindo ainda mais em estratégias de comunicação virtuais (e-mails, site do projeto e até um canal do YouTube foram ficando recheados de informações sobre o andamento do PEMALM) e planejando como fazer um workshop bem interativo e, ao mesmo tempo, que não fosse desgastante para os participantes. O zoom fatigue (ou cansaço virtual) era – e ainda é – um grande companheiro de quem está no trabalho remoto. Sabíamos que não seria possível reproduzir o formato de programação com dois dias inteiros, como fizemos no modo presencial. Também não queríamos sobrecarregar os participantes com várias ferramentas diferentes... Foram muitas as considerações que tivemos que fazer, mas foi essencial nos colocarmos no lugar dos participantes e sermos honestos também sobre o tamanho das nossas próprias pernas figurativas. Precisamos pedir uma extensão no prazo do projeto, mas ao final nasceu, em janeiro de 2021, o PEMALM! O PEMALM pode ser acessado no site www.pemalm.com/o-plano em português, inglês ou espanhol. Dessa experiência toda de adaptação também nasceu um artigo, publicado na Revista Costas: From In-person to Virtual Engagement: Adaptations of a Participative Process for Designing a Marine Litter Public Policy in Brazil. Nele, comparamos a participação dos atores em nossos momentos de interação presencial e virtual. Concluímos que foi possível garantir a qualidade do processo participativo e apontamos que, em vista da normalização do trabalho remoto, pode ser que vejamos mais estratégias híbridas de desenvolvimento de políticas públicas daqui para frente. #CiênciasDoMar #LixoNoMar #LixoMarinho #PoluiçãoPorPlástico #PolíticaPública #CiênciaEGestão #Participativo #Monitoramento #PEMALM #JoanaDiasHo #CarlaElliff

  • E se o mar secasse?

    Por Pedro Marone Tura Ilustração: Joana Ho As crianças fazem as melhores perguntas. Em minha última viagem à praia, uma criança ao saber que eu era oceanógrafo me fez uma das melhores perguntas que já ouvi. “O que aconteceria se o mar secasse?”. “Você quer saber o que aconteceria com os peixes e com o clima?”- perguntei. “Não, não. O que tem lá embaixo? Se não tivesse água, o que eu veria?”. Fiquei alguns segundos atônito com a simplicidade e complexidade da pergunta. O que eu poderia dizer a uma criança sobre o fundo do mar que respondesse à essa curiosidade e ao mesmo tempo não a matasse de tédio (esse sim, o principal desafio)? “Muito mais que naufrágios e corais”-comecei. Apesar deste tópico ser inédito entre as FAQs (Frequently Asked Questions - Perguntas mais frequentes) das rodinhas de praia – geralmente relacionadas ao surf – percebi que a geomorfologia marinha é um assunto pouco apreciado pelo público geral. Você, sentado na beira da praia, já se perguntou como é o fundo do mar entre o Brasil e a África? Seria ele uniforme e tedioso? Ou então, será que eu encontro a mesma areia da praia preenchendo todo o fundo oceânico? Dois terços do nosso planeta estão submersos e, salvo quando o assunto é petróleo e pré-sal, pouco nos importamos com o que está além da linha d’água. A geomorfologia marinha nos conta histórias incríveis sobre a própria evolução do planeta Terra. Cada praia, planície, parcel e ilha é o resultado de anos de processos sedimentares – balanço entre deposição e erosão de sedimentos - sobre um cenário forjado pelas forças tectônicas. Quantos anos? Todos eles. Mesmo que lentos, os ambientes oceânicos e costeiros estão sempre mudando. Adicione à equação a ação humana e o resultado é a paisagem atual. Mas se são tão dinâmicos, como é possível saber da história e evolução desses locais? Talvez já tenha ouvido a expressão: ‘O presente é a chave do passado’. Além de poética, essa frase representa um dos conceitos mais importantes da geologia – o uniformitarismo. Essencialmente, se hoje observo um certo resultado para um determinado processo, isso também foi verdade ao longo da história geológica. Dessa forma é possível reconstruir ambientes passados procurando por pistas do que aconteceu. Lógico ou mágico? Mas claro, nenhuma criança quer ouvir sobre fácies sedimentares, próxies ou refletores. Alto lá! Comecei falando de um dos ambientes mais fascinantes para qualquer faixa etária: as fontes hidrotermais. “Dignas de um cenário de ficção científica!”. Em meio à escuridão do oceano profundo existem verdadeiras chaminés, que constantemente jogam no oceano uma variedade de elementos químicos. As fontes se concentram no limite entre placas tectônicas, em regiões com nenhuma luz. Ou seja, o principal processo de transformação da matéria inorgânica em orgânica - a fotossíntese - não ocorre nessas regiões. Ao invés da luz, os organismos aproveitam a energia das reações químicas dos elementos, um processo conhecido como quimiossíntese. O que no início se pensou que fosse uma região sem vida, mostrou-se uma das mais incríveis do ponto de vista biogeoquímico. Fonte hidrotermal e sua fumarola negra. Elementos químicos são constantemente despejados no oceano por essas chaminés. Fonte. “Agora olhe para trás. O que você acha da Serra do Mar?”. A Serra do Mar é uma cadeia de montanhas que impressiona por seu tamanho e extensão. Mas, com todo respeito, nem se compara às estruturas que encontramos escondidas no oceano. Imagine caminhar por uma planície e se deparar com montanhas que erguem-se por quilômetros de altura, sem aflorar na superfície. Navegantes desinformados nem imaginam a incrível formação que está sob seus pés. Essas estruturas não são raras e existem por todo oceano. Aliás, uma cadeia de montanhas corta todo oceano Atlântico, no encontro entre as placas tectônicas sul-americana e africana, a chamada Cordilheira Meso-Atlântica. Caprichosamente, a cadeia emerge próximo ao círculo polar ártico, na Islândia. Que tal nas próximas férias visitar uma cadeia de montanhas submarinas? Esquerda: Mergulho na cordilheira Meso-Atlântica na Silfra fissure, Islândia. Fonte. Direita: Caminho entre a cordilheira no Thingvellir National Park, Islândia. Fonte. Em formato de cones irregulares, os montes submarinos existem em todas as bacias oceânicas. O diâmetro dessas estruturas varia, mas geralmente não ultrapassa poucos quilômetros. Mas é claro, existem exceções. Imagine uma estrutura erguendo-se três quilômetros sobre o fundo oceânico e com uma área maior que o estado de Santa Catarina. Essa estrutura é a Elevação Rio Grande. Não bastasse seu tamanho, um cânion de aproximadamente 800 m de altura e mais de 25 km de espessura corta todo esse ‘edifício geológico’. Um Grand Canyon próprio. Impressionante? Sem dúvida. Devido a esses números, a Elevação Rio Grande foi carinhosamente chamada de a ‘Atlântida brasileira’ pela mídia e canais de divulgação. E assim a conversa tomou bons minutos da nossa tarde e agregou outros curiosos. Exemplos não faltam. Novas técnicas de medição e exploração do fundo tem mostrado que ainda conhecemos pouco dos nossos oceanos. Na realidade, conhecemos mais sobre a superfície da Lua e de planetas como Marte do que do fundo oceânico. Se algum dia você já se sentiu chateado por ter nascido em uma época em que viagens espaciais ainda são prematuras, e navegações em naus e caravelas ultrapassadas, anime-se. Você nasceu na época certa para explorar os oceanos. Para saber mais: https://www.youtube.com/watch?v=D69hGvCsWgA http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=pedaco-continente-submerso-meio-atlantico#.WgOJ0eNFyP8 http://geologiamarinha.blogspot.com.br/2011/02/elevacao-do-rio-grande.html http://www.amusingplanet.com/2014/09/the-mid-atlantic-ridge-in-iceland.html Sobre Pedro Marone Tura: Sou oceanógrafo e atualmente aluno de doutorado em oceanografia biológica pelo Instituto Oceanográfico - USP. Trabalho com o fluxo vertical de partículas na água e com o ciclo biogeoquímico dos elementos no ambiente marinho. Sempre apaixonado por oceanografia e sua interdisciplinaridade, hoje descobri uma nova paixão: a educação. Vejo nela a oportunidade de aproximar a sociedade do mundo acadêmico. #ciênciasdomar #convidados #joanaho #marprofundo #PedroMaroneTura

  • Isótopos: da teoria à prática

    Por Juliana Leonel Ilustração de Alexya Queiroz No texto Descomplicado Isótopos e no texto Paleoceanografia – como e por que devemos reconstruir o passado dos oceanos? os isótopos estáveis são citados como uma ferramenta importante para estudos oceanográficos. Mas como isso é feito? Como as aplicações são muitas, vamos focar em uma que é bastante utilizada, o uso dos isótopos de oxigênio, o δ18O (= 18O/16O). Antes de qualquer coisa é necessário saber que moléculas de água podem ter na sua composição diferentes isótopos de oxigênio (H216O, H217O, H218O). Considerando as moléculas de água com oxigênio-16 e as com oxigênio-18: a mais leve terá mais facilidade em evaporar, enquanto a segunda para precipitar (na forma de chuva ou neve). Dessa forma, o vapor de água tem menores valores de δ18O que da água da chuva/neve. Além disso, conforme esse vapor de água é transportado das baixas para altas latitudes (e ocorre precipitação nesse processo) a vapor vai ficando mais empobrecido (valores menores de δ18O) e o mesmo acontece com a precipitação.Esse fenômeno é chamado de Destilação de Rayleigh. Figura 01: Evolução do δ18O nas precipitações em função do transporte atmosférica a partir das baixas latitudes para as altas latitudes. Da mesma forma que para a água, a calcita pode ser composta por diferentes isótopos de oxigênio: 16O, 17O, 18O. A calcita nada mais é que o carbonato de cálcio (CaCO3) precipitado a partir da água do mar por organismos calcificantes, como os foraminíferos, para formarem suas conchas/carapaças. A assinatura isotópica do oxigênio na calcita é resultado de dois fatores: 1. Fracionamento isotópico em função do efeito da temperatura na reação de calcificação: quanto maior a temperatura da água, menor o fracionamento isotópico e menor o δ18O da calcita e, quanto menor a temperatura, maior o fracionamento e maior δ18O da calcita. Em função disso, através da análise do δ18O nas carapaças de foraminíferos preservados no sedimento marinho, é possível calcular as temperaturas passadas (= paleotemperaturas) da superfície do oceano e suas variações ao longo do tempo, ou seja, é possível estudar as mudanças climáticas ao longo do tempo geológico. 2. O δ18O da água do mar onde houve a formação da calcita e que é influenciada basicamente pelo balanço de evaporação-precipitação e volume de gelo. Quando maior a evaporação, maior será o δ18O da superfície do oceano das carapaças de foraminíferos planctônicos e, quanto maior a precipitação, menor o δ18O da superfície do oceano e das carapaças dos foraminíferos planctônicos. Isso permite estudar tanto alterações nos valores de δ18O devido a processos locais como alterações no volume de gelo em escalas milenares (glaciações e interglaciações). Além disso, esse padrão de variação do δ18O da superfície do oceano em função do balanço entre evaporação e precipitação é semelhante ao da salinidade. Logo, o δ18O medido nas carapaças dos foraminíferos planctônicos preservados nas camadas sedimentares pode ser usado para estimar variações nos valores de salinidade. Atualmente vivemos em um período interglacial e a água do mar tem δ18O = 0, mas durante os períodos glaciais a água do mar tinha δ18O > 0. Isso porque, devido às baixas temperaturas do período glacial, a água do mar nas regiões polares congelava e, como a molécula de água mais leve (H216O) tem preferência nesse processo, "sobrava" mais 18O no mar. Considerando que a temperatura do oceano profundo não muda muito, as variações do δ18O nas conchas dos foraminíferos bentônicos preservados no sedimento marinho refletem principalmente as variações no δ18O da água do mar devido às variações no volume de gelo: o aumento no volume de gelo nas calotas polares também aumenta o valor de δ18O na água do mar e, consequentemente, nas conchas de foraminíferos bentônicos. Já quando começava a haver um aumento nas temperaturas (período inter glacial), parte do gelo derretia e a água enriquecida em 16O voltava para o oceano fazendo com que os valores de δ18O diminuíssem. Entender as variações no volume de gelo também permite inferir sobre variações no nível do mar. O uso de isótopos de oxigênio das carapaças de foraminíferos como paleotermômetro é uma ferramenta tão robusta que deram origem aos Estágios Isotópicos Marinhos, que são períodos de aquecimento e resfriamento alternados que ocorreram nos últimos milhões de anos e que foram reconhecidos pelas variações nos valores de δ18O em testemunhos marinhos pelo pesquisador Cesare Emiliani na década de 1950. Esse é o melhor conjunto de dados sobre o clima do Quaternário (2,6 milhões de anos até o presente) e serve de padrão de comparação para qualquer outro registro climático. Além das carapaças de foraminíferos, os valores de δ18O também podem ser medidos em testemunhos de gelo. Isso permite estudar não só as variações de temperatura, mas também a origem do gelo presente nas calotas polares, pois ele é formado tanto pelo congelamento da água do mar como pela neve e, cada uma dessas fontes têm diferentes valores de δ18O: a) ~ 0 quando formados pelo congelamento da água do mar; e b) > 0 quando formados pela precipitação da neve. Logo, isso pode ser usado para estudar as variações de temperatura e processos de formação das calotas polares. #isótopos #paleotemperatura #paleoceanografia #JulianaLeonel #ciênciasdomar

  • Isótopos

    Por Juliana Leonel Muitas são as ferramentas que foram divisores de águas nos avanços dos estudos oceanográficos. Assim como o CTD nos permitiu medir salinidade e temperatura das diferentes camadas do oceano, os métodos de geofísica nos permitiram entender o que há nas camadas de sedimento e rocha do fundo oceânico. Uma ferramenta que ganhou destaque nas ciências do mar na última década, devido aos avanços analíticos que permitiram um aumento nas suas aplicações, é a assinatura isotópica de diferentes elementos químicos em diferentes matrizes ambientais. Os isótopos, estáveis e radioativos, permitem desde a datação de materiais até a entender mudanças na circulação oceânica que ocorreram há milhares de anos, bem como nos ajuda a entender a evolução da atmosfera terrestre e permite estudar o intemperismo através do tempo geológico. Mas o que são isótopos? São átomos de um mesmo elemento químico (X) que possuem a mesma quantidade de prótons, mas diferente número de nêutrons, ou seja, tem o mesmo número atômico (Z) e diferente número de massa (A). Em geral, nos referimos aos isótopos dos elementos da seguinte forma: 14C, 18O, 34S etc, os quais lemos como: carbono-14, oxigênio-18, enxofre-34. A exceção é o hidrogênio, pois seus isótopos recebem nomes específicos: 1H, 2H e 3H são, respectivamente, Prótio, Deutério e Trítio. Quando a combinação de nêutrons e prótons no núcleo de um isótopo lhe dá estabilidade, ele não sofre decaimento radioativo ao longo do tempo e é chamado de isótopo estável. Isso significa, por exemplo, que o 13C não se transformará em outro elemento. Porém, quando o isótopo tem um núcleo instável ele irá sofrer decaimento radioativo em busca de estabilidade e nesse processo poderá formar outro elemento; por exemplo o 14C ao decair irá formar o 14N. O decaimento radioativo é um processo em que o núcleo instável de um elemento libera energia e ocorre perda/ganho de elétrons ou prótons ou nêutrons formando outro elemento. Diferentes elementos químicos têm diferentes números de isótopos e um mesmo elemento pode ter isótopos estáveis e radioativos. A proporção entre os diferentes isótopos estáveis de um mesmo elemento varia em função de cada elemento. A proporção entre a abundância de diferentes isótopos de um elemento em uma amostra é chamada de razão isotópica ou composição isotópica ou assinatura isotópica. As variações na razão isotópica são chamadas de fracionamento isotópico e ocorrem em função: do decaimento radioativo; de reações físico-químicas e biológicas. Alguns exemplos: evaporação, condensação, fotossíntese e oxi-redução. Essas pequenas diferenças são responsáveis pelas diferentes proporções de isótopos em uma determinada amostra. No entanto, dependendo do elemento, pode ocorrer ou não o fracionamento isotópico: enquanto a evaporação leva ao fracionamento isotópico do oxigênio, o mesmo não ocorre para os isótopos de carbono ou nitrogênio, que serão afetados pelas reações de fotossíntese e de nível trófico, respectivamente. A quantificação da razão isotópica de um elemento em uma amostra é feita comparando o valor encontrado nela pelo valor de uma amostra de referência, ou seja, é dado pelo desvio relativo (δ) expresso em partes por mil (os valores são multiplicados por 1000 para evitar trabalhar com números muito pequenos). Vamos ver o que isso significa na prática. Imagine um valor de δ13C = - 27: Lemos δ13C como delta carbono-13; δ13C expressa o quanto a razão isotópica na amostra (13C/12C) é maior ou menor que a razão isotópica na amostra de referência; Como o δ13C não se refere a uma concentração (isso é muito importante!), podemos ter tanto valores positivos como negativos; Quando δ13C é positivo significa que a amostra está enriquecida em relação a amostra de referência; Quando δ13C é negativo significa que a amostra está empobrecida em relação a amostra de referência. Devido à diferença no número de massa, os isótopos apresentam pequenas mudanças nas suas propriedades físico-químicas. No caso dos isótopos radioativos, eles decaem espontaneamente em função da instabilidade nuclear e nesse processo emitem diferentes tipos de radiação (∝, ß e γ). O elemento que sofre o decaimento é chamado de isótopo-pai e o elemento formado de isótopo-filho ou isótopo radiogênico. O isótopo-filho tem número atômico diferente do isótopo-pai, ou seja, é um elemento diferente. Além disso, quando ele é estável o decaimento para nesse ponto, mas se ele for também um isótopo radiativo o decaimento continua até formar um isótopo estável. Exemplos de decaimento radioativo do 238U (decaimento alfa), do 3H (decaimento beta) e do 26Al(decaimento beta) com os respectivos elementos formados a partir da reação. Um conceito importante dos isótopos estáveis - e que permite que eles sejam usados em diversos estudos, principalmente na datação de amostras - é a meia-vida (representada como t1/2); ela é o tempo que demora para metade de uma determinada quantidade de um isótopo radiativo decair. A meia-vida pode ser da ordem de décimos de segundos até bilhões de anos, dependendo do composto. Representação da meia vida Exemplo da cadeia de decaimento do urânio- 238 até chegar no chumbo-206 (isótopo estável) Bateu aquela curiosidade em como usamos os isótopos em estudos oceanográficos? Em breve traremos exemplos de algumas explicações. #Descomplicando #Isotopos #Traçadores #Oceanografia #JulianaLeonel

  • Hurricanes and their names

    By Carolina Barnez Gramcianinov English edit by Lidia Paes Leme and Katyanne Shoemaker *post originally published in Portuguese on October 5, 2017 Illustration by Silvia Gonsales The 2017 Atlantic tropical cyclone season began on April 19, and by October, the Atlantic had seen 6 major hurricanes including Harvey, Maria, and Irma, which all went down in history. Irma was a devastating Category 5 hurricane, and we probably won't have any more hurricanes with that name in the Atlantic. Do you know why? Have you ever wondered where hurricane names come from and why we name them? Naming tropical cyclones (also called hurricanes in the North Atlantic and East/Central North Pacific, or typhoons in the Northwest Pacific) with short, simple, first names makes communication and warnings to the population easier. In the past, codes involving latitude and longitude were used, but this caused some confusion due to the amount of letters and numbers. During the hurricane season, it is common to have more than one system active in the Atlantic at once, and it is important that the alerts are clearly understood for each of them. Confusion between hurricanes that occur at the same time in different regions or in sequence with one another was very common when the news was transmitted, mainly via radio, which delayed and compromised public announcements and evacuation plans. Animation with satellite imagery from September 14, 2017 of the western North Pacific, with tropical cyclones Talim (farther north) and Doksuri (farther south). This color infrared image shows the characteristics of clouds, and consequently rain, associated with the atmospheric systems. The colder the cloud, the higher it is and the greater the potential for heavy rain. In the color scale, higher clouds are represented by the color red. (Source: https://www.ssd.noaa.gov/PS/TROP/Basin_WestPac.html) The tradition of naming hurricanes originated in the West Indies, where affected communities named them after the saint whose holiday was closest in occurrence. In the early 19th century, an Australian meteorologist started giving female names to cyclones, and this practice was adopted around the world, especially by Navy and Army meteorologists during World War II. It was not until 1978 that male names began to be used in the eastern North Pacific, and a year later in the Atlantic and Gulf of Mexico. Currently, the names are chosen from lists organized by the World Meteorological Organization (WMO1). There is a series of lists for each oceanic region affected by tropical cyclones, making a total of 10 regional lists. They are all in alphabetical order, so it is easy to identify the cyclone number for that season. In any region, a tropical cyclone that starts with A is the first of the season. Regions with a lot of cyclone activity have longer lists. The Atlantic and Gulf of Mexico list, for example, has 21 names per season, the North Central Pacific has only 12. But what if during the season there are more hurricanes than names? Each region has a contingency plan for this. In the Atlantic the Greek alphabet was used, until confusion in 2020 led to changing to a backup list of names. The Greek alphabet had only been needed twice in busy hurricane seasons, once in 2005, the year of Hurricanes Katrina and Wilma, and again in 2020, which saw 9 Greek alphabet named storms. Due to a lack of understanding of the Greek alphabet, it was determined this system caused too much confusion and the WMO decided to use a backup list in the future, as is done in other regions. GOES satellite images of Hurricane Wilma (2005) hitting Florida (USA). This was the most intense tropical cyclone recorded in the Atlantic basin, reaching winds of 295 km/h. (Source: NOAA -https://www.ssd.noaa.gov/PS/TROP/trop-atl.html) Each major region has a list that includes names for more than one year. When you get to the last name on the last available list, you go back to the first list. For example, in the Atlantic we have 6 lists, that means that every 7 years we repeat them. So in 2023 we will be using the same list as 2017. So sometimes we hear repeated names, or when we do research on a hurricane there will be more than one with the same name. But then there is the question: why don't names of "famous" cyclones like Katrina and Sandy appear on the list anymore? The answer is that, out of consideration for the victims, cyclones that have caused severe damage and many deaths have their names removed from the lists. When this happens, the WMO chooses a name with the same initial to replace it. This is the case with tropical cyclones Haiyan (Philippines, 2013), Sandy (USA, 2012), Katrina (USA, 2005), and Mitch (Honduras, 1998), for example. For more retired hurricane names, click here. Hurricane Irma (2017) was among one of the most intense in history and was the most intense cyclone to hit the US since Katrina (2005). Another striking characteristic was the number of days at sustained maximum intensity: it maintained winds reaching almost 300 km/h for almost 2 full days. The damage was wide-spread and devastating, resulting in the removal of the name from the list. Irma was the eleventh name with an "I" to be removed from the Atlantic list, this initial being the one with the most names removed: Ione (1955), Inez (1966), Iris (2001), Isidore (2002), Isabel (2003), Ivan (2004), Ike (2008), Igor (2010), Irene (2011), Ingrid (2013). After the retirement of Irma in 2017, two more “I” names have further been retired, Iota (2020) and Ida (2021). Example of the monitoring conducted by the US National Hurricane Center (NHC). In the image we can see Hurricane Jose and two disturbances with a small potential for cyclone development marked with yellow "X" (chances less than 40%). (Source: http://www.nhc.noaa.gov/) If you want to know the names of future tropical cyclones, check out the lists on the World Meteorological Organization's website. Want to know what the next Atlantic hurricane will be called? Check the National Hurricane Center's website: http://www.nhc.noaa.gov/ . About Carolina Barnez Gramcianinov: I am an oceanographer from IO-USP, where I also got my master's degree in Physical Oceanography. I have always been interested in the impact of the oceans on the weather and climate, which motivated me to enter the PhD program in Meteorology at IAG-USP. Since I started as an undergraduate, I fell in love with ocean physics and its impact on other processes. Now in my doctorate, I’ve been charmed by the dynamics and thermodynamics of the atmosphere. I seek to be in between these two environments and I believe that an integrated understanding between these areas is still lacking for a better understanding of the climate system. #MarineScience #Guests #Hurricane #Interdisciplinarity #IOUSP #Meteorology #Oceanography

  • Equidade de mulheres na ciência oceânica: iniciativas para mudanças efetivas

    No dia 09 de maio de 2022, nossa editora Jana del Favero moderou, juntamente com a professora Germana Barata (Unicamp), webinário intitulado Equidade de mulheres na ciência oceânica: iniciativas para mudanças efetivas. Esse foi o segundo dia do Programa de Seminários DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão), organizado por membros do Comitê de Assessoramento da Década do Oceano no Brasil. Para trazer iniciativas que buscam mudanças efetivas rumo à equidade de mulheres na ciência, o webinário contou com a participação das seguintes mulheres: - Jacqueline Leta, da Gênero e Número, mostrando dados sobre a presença da mulher na ciência, - Mariana Andrade, da Liga das Mulheres para o Oceano, apresentando o Prêmio Marta Vannucci, - Fernanda Staniscuaski, do projeto Parent in Science, trazendo as iniciativas que o projeto desenvolve; - Catarina Marcolin, aqui do Bate Papo com Netuno, sobre a nossa pesquisa de assédio em embarcações. Esse papo inspirador pode ser assistido pelo Canal do Youtube da Década da Ciência Oceânica: https://www.youtube.com/watch?v=fb1q8rKCs0s #NetuniandoPorAi #MulheresNaCiência #DécadaDoOceano #DEI #Equidade #catarinarmarcolin #janamdelfavero #AdicionarHashtagsAoFinal #UsarCadaPalavraEmMaíuscula #NetuniandoPorAí #NomeDaAutoraSeForDoBlog

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