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  • Quando o amor pela ciência consegue superar a ignorância

    Por Alessandra Pfuetzenreuter Ilustração feita por Alexya Queiroz Uma boa parcela dos brasileiros sonha em um dia se formar em um curso de graduação. Seja por exigência dos pais ou por lutas e ambições próprias. No meu caso foi por lutas próprias. Quando eu decidi seguir na área ambiental, em 2013, inspirada em fazer parte daquele grupo que estava se propondo a salvar o mundo, enquanto todos os noticiários eram de desastres, poluição marinha e morte de milhares de baleias. Vim de uma família onde meu pai estudou até o ensino fundamental e minha mãe até o ensino médio e técnico. Meu pai sempre trabalhou de pedreiro e sempre foi muito bom no que fazia, o pouco estudo que teve o ajudou em tudo o que foi preciso para desenvolver sua profissão. Minha mãe, logo que terminou os estudos, começou a trabalhar em uma empresa, assim como é o desejo de muitos pais ainda hoje para seus filhos. Bem, eu sempre quis estudar. Minha vida toda, a escola sempre foi meu “porto seguro” pois era quando estava longe dos problemas domiciliares (mas isso é assunto para outro dia). A escola, me trazia paz, brincadeiras, eu tinha uma melhor amiga, e lembro que toda sexta-feira era dia de levar seu brinquedo preferido e o meu era um Ursinho Carinho, que tinha uns 15 cm. Meus pais nunca entendiam por que, sempre que me mandavam dormir, eu ficava com uma frestinha da porta aberta, onde entrava uma mínima luz e eu ficava lendo os livrinhos da escola. E assim foi minha infância. Sempre estava envolvida nas atividades de ciência, de laboratório e vivia na biblioteca. Nunca fui a melhor aluna, talvez porque desde cedo tinha a responsabilidade de cuidar de meus irmãos mais novos, o que acabava tirando um pouco do meu tempo de estudar e brincar. Minhas brincadeiras acabavam sendo fazer as “lições de casa” que as professoras passavam. Na adolescência saí cedo de casa (ainda mais para os padrões atuais), com 18 anos, sem nenhum preparo, o que me impediu de continuar a estudar, pois precisava trabalhar para me alimentar. Acabei começando uma faculdade aos 22 anos, mas não consegui continuar por falta de estrutura e dinheiro. Anos mais tarde, acabei voltando para a casa de meus pais, e comecei a faculdade novamente. Acordava às 4h da manhã para pegar ônibus, ir para outra cidade, estudar, voltava, trabalhava até as 22h da noite, e quando chegava em casa, era só o tempo de tomar um banho e fazer as atividades que precisava para entregar no outro dia. E assim foi... até que um dia, meu pai começou a gritar comigo porque eu ficava com a luz acesa para fazer as atividades da faculdade. Eu passava o dia fora de casa, estudando e trabalhando, e só tinha esse horário para fazer as minhas atividades, e mesmo assim ele não entendia e brigava comigo. Foi assim que resolvi sair de casa, novamente... Fui morar com uma amiga do curso de graduação na cidade onde era a faculdade. Comecei a trabalhar em um bar, à noite, para pagar aluguel e comida, e foi assim até conseguir um estágio no Projeto Babitonga Ativa, onde aprendi muito sobre questões acadêmicas, profissionais e pessoais também. Esse estágio deu suporte mínimo financeiro para me manter, e que durou 4 dos 5 anos de faculdade. Nesse tempo, foram tantos os perrengues! Tive que me mudar umas 20 vezes em 4 anos, sem contar a casa que pegou fogo e uma casa com morcegos... Mas essas são outras histórias. Onde eu gostaria mesmo de chegar, é, em primeiro lugar, não é fácil passar anos em uma faculdade contando moedinhas para sobreviver. No meu caso, que não tive ajuda de meus pais, que pelo contrário, só me colocaram mais desafios, mesmo assim me formei... Com todo orgulho do mundo, chamei eles para a minha formatura, que não foi das mais glamourosas, mas para mim foi uma super conquista. Conquista que consegui porque encontrei (enfim) um parceiro que me apoiou em tudo que eu acreditava, e me deu forças para terminar meu curso... Pois até então, as únicas palavras que eu escutava (de meu pai/mãe, e ex-namorados) era “isso não dá futuro”, “vai ser o quê da vida? Professora?”, “quando vai começar a ganhar dinheiro?”, “quando vai achar um emprego de verdade?”, “está na hora de você crescer e ter responsabilidades”, entre outras tantas. E minha resposta para essas negativas, sempre foi “eu sou alguém, eu tenho responsabilidades, eu faço muita coisa, e que professor(a) é a profissão mais valiosa do mundo”, mas em pensamentos, para mim, porque nunca tive coragem de afrontar essas opressões. E mesmo assim, com um super apoio de meu namorado, entrei para o mestrado. Me formei mestra, mas o reconhecimento veio apenas de pesquisadores, como eu, e de alguns amigos, que também sabem de como é difícil essa vida acadêmica, principalmente no Brasil. Meus pais, souberam dessa minha nova conquista, mas nem se importaram. Eu sigo, agora rumo ao doutorado, pois mesmo com tantos desafios, ainda acredito que a pesquisa e ciência no Brasil, mesmo não valorizada, ainda precisa ser feita, e precisamos mudar essa visão, precisamos valorizar, e ainda mais nos valorizar por fazer algo tão incrível, e que é capaz de mudar para melhor a vida das pessoas. Sobre a autora: Sou Alessandra, me formei em biologia marinha pela Univille, atualmente trabalho pesquisando assuntos relacionados à gestão costeira. Adoro o mar e toda a força que ele nos dá. Sou jogadora gamer nas horas vagas e meu jogo preferido é Final Fantasy XIV. Se quiserem me acompanhar ou entrar em contato sigam meu Facebook (Alessandra Pfuetzenreuter). Abraços, a todos e a todas e que sempre tenhamos força para continuar. #VidaAcadêmica #OpressãoNuncaMais #ValorizeACiencia #VidaDeCientista #Convidados #PósGraduação #EscrevendoParaUmBlog #DivulgaçãoCientífica

  • Podcast EP7 e EP8T2

    Entrevista com Nathália Lins Silva - Parte I Aprecie o sotaque dessa pernambucana maravilhosa que supera obstáculos como quem troca de camisa. Entrevista com Nathália Lins Silva - Parte II Sabedoria é saber se reinventar sem desistir de seus sonhos. Vem com a gente no último episódio da nossa segunda temporada! Ilustração: Catarina Mello Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello e Leandro Santos Links interessantes: O que você sabe sobre plâncton? Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #podcastdobpcn #catarinarmarcolin #catarinarmello #leandrosantos #mulheresnaciência #maternidadeeciência #convidados

  • Podcast EP6T2

    Nunca é tarde para florescer Impossível não se emocionar com a garra e determinação que levaram Rosa a um dos lugares mais gelados do planeta. Autora: Rosa Gamba Post original: Maio de 2018, seção Mulheres na Ciência Ilustração: Caia Colla Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello e Leandro Santos Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #mulheresnaciência #rosagamba #caiacolla #podcastdobpcn #catarinarmarcolin #catarinarmello #leandrosantos

  • Podcast EP3T2

    De oceanógrafa a programadora Se você encontrou algo que você AMA fazer, jamais ignore isso. Autora: Letícia Portela Post Original: Junho de 2017, seção Mulheres na Ciência Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina R Mello e Leandro Santos Ilustração: Lídia Paes Leme Links interessantes: https://leportella.com/de-oceanografa-para-programadora.html https://leportella.com/ Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #leticiaportella#matlab#mulheresnaciência#oceanografa#oceanografia#programação#programadora#python#software#convidados#podcastdobpcn#catarinarmarcolin #catarinarmello #leandrosantos

  • Podcast EP1T2

    Sobre mudar a rota de navegação Quem nunca pensou em como seria a vida se tivesse escolhido outra carreira? Decidir mudar às vezes é mais difícil que viver a mudança. Autora: Raquel Moreira Saraiva Post original: Outubro de 2017, seção Vida de Cientista Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina R Mello e Leandro Santos Ilustração: Joana Ho Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #carreira #jornalismocientifico #raquelmoreirasaraiva #vidadecientista #podcastdobpcn #catarinarmarcolin #joanaho #leandrosantos

  • Podcast EP0T2

    Quem gostou da nossa primeira temporada, não pode perder a segunda! Venha navegar com a gente! Narração: Catarina Marcolin Edição: Leandro Santos Ilustração: Catarina Ruiz Mello Ouça também em: Spotify Anchor Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #podcastdobpcn

  • Podcast EP8T1

    Mergulho para a vida na escuridão: uma pesquisa nas profundezas do mar "Ter a chance de mergulhar tão profundo era um de meus sonhos (quase impossíveis) como oceanógrafa, que se tornou realidade em 14 de novembro de 2014" Autora: Camila Negrão Signori Post original: Fevereiro de 2016, seção Vida de Cientista Links interessantes: O blog da expedição "Dark Life" para as fontes hidrotermais da Elevação Leste do Pacífico (East Pacific Rise, a 9°N) ainda está no ar: http://web.whoi.edu/darklife/ About Woods Hole Oceanographic Institution: http://www.whoi.edu/ Uma visão geral da carreira de pesquisadora da Camila: http://agenciasn.com.br/arquivos/3010 https://www.mergulhonaciencia.com/ Ilustração e Edição: Catarina Mello Narração: Catarina Marcolin Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #vidadecientista #convidados #mergulho #alvin #podcastdobpcn #catarinarmarcolin #catarinarmello

  • Podcast EP7T1

    As aventuras de trabalhar no mar Tempestades, falta de água doce na embarcação, âncoras enroscadas, variações das marés e a adrenalina de trabalhar no mar. Autora: Cássia Goçalo Post original: Setembro de 2015, seção Vida de Cientista Posts sugeridos: Até os peixes amam a praia Ilustração: Gilberto Júnior, @mundosoceanicos.arte Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #vidadecientista #cássiaggoçalo #bióloga #oceanografia #fieldworkfail #podcastdobpcn #catarinarmarcolin #catarinarmello #gilbertojunior

  • Podcast EP5T1

    Meu mestrado: uma história de ansiedade e superação Abraçar a carreira de cientista é encarar um caminho de medos, agressividade, impotência... mas também um encanto e beleza que não nos deixa abandoná-la... Autora: Juliana Bomjardim Post original: Abril de 2019, seção Vida de Cientista Ilustração: Caia Colla Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #vidadecientista #julianabomjardim #mestrado #sustentabilidade #educaçaoambiental #divulgaçãocientífica #meioambiente #podcastdobpcn #caiacolla #catarinarmarcolin #catarinarmello

  • Podcast EP3T1

    Os desafios para chegar até aqui "Mas você só faz mestrado?". Os desafios enfrentados até a entrega da publicação da dissertação. Autora: Yonara Garcia Post original: Junho de 2018, seção Vida de Cientista Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello Ilustração: Juliana Bomjardim Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #vidadecientista #yonaragarcia #pesquisa #pósgraduação #podcastdobpcn #caiacolla #catarinarmarcolin #catarinarmello

  • Podcast EP2T1

    Tá com medo? Vai com medo mesmo “Se vocês amam a ciência tanto quanto eu, não desistam e não dêem ouvidos ao impostor dentro de vocês”. Autora: Fernanda Ramos Post original: Junho de 2019, seção Vida de Cientista Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello Ilustração: Juliana Bomjardim Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #vidadecientista #meioambiente #ocypodequadrata #sindromedoimpostor #convidados #podcastdobpcn #julianabomjardim #catarinarmarcolin #catarinarmello

  • Podcast EP1T1

    Cem dias entre céu, lixo e mar Uma triatleta & cientista vai encarar a missão de passar 100 dias no mar visitando ilhas e analisando o lixo encontrado no Pacífico. Autora: Marina Tonetti Botana, @mtonettibotana Post original: Maio de 2019, seção Vida de Cientista Links sugeridos no episódio: Canal do YouTube da expedição Site oficial da expedição Rede social da expedição: @benlecomtetheswim Ilustração: Caia Colla Narração: Catarina Marcolin Edição: Catarina Mello Ouça também em: Siga o Bate-Papo com Netuno nas redes sociais: Facebook: fb.com/batepapocomnetuno Instagram: @batepapocomnetuno Twitter: @batepapocomnetuno Youtube: bit.ly/netuno_youtube #podcastdobpcn #vidadecientista #lixomarinho #preservacaodosoceanos #endurance #ironman #caiacolla #catarinarmarcolin #catarinarmello

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