Motilidade do plâncton: quando o de cima sobe e o debaixo desce

Por Yonara Garcia


O plâncton é definido, tradicionalmente, como organismos que vivem "ao sabor das águas", são organismos que vivem na coluna de água e que não possuem movimentos natatórios suficientes para vencer a força das correntes ou movimentos da água, sendo passivamente transportados no meio aquático que habitam (para saber mais sobre o plâncton clique aqui, aqui e aqui). Apesar de não conseguirem se movimentar ativamente como tubarões e baleias, a capacidade de natação dos organismos planctônicos lhes permite desempenhar diversas funções importantes em seu habitat, como a probabilidade de acasalamento, a interação presa-predador, assim como aumenta as chances de os organismos encontrarem condições adequadas de alimento, temperatura, luminosidade, entre outros.


Muitos fenômenos importantes estão ligados à motilidade do plâncton marinho. Um exemplo dessas movimentações é a migração vertical diária, definida como um movimento sincronizado de certos organismos presentes na coluna de água, para cima e para baixo, durante um ciclo de 24 horas, podendo ser considerado um dos maiores movimentos diários de biomassa do planeta! O padrão mais comum é a migração dos organismos para baixo, em direção a águas mais profundas e escuras, antes do amanhecer, e para cima, em direção à superfície, ao anoitecer. Este fenômeno ocorre em pelo menos algumas espécies de todos os principais grupos de zooplâncton (incluindo espécies de água doce), e foi registrado em dinoflagelados (fitoplâncton) e em muitas espécies nectônicas, como cefalópodes e peixes. Com este deslocamento vertical, os organismos podem alcançar de dezenas a centenas de metros em poucas horas, mesmo organismos tão pequenos quanto os copépodes.


Uma animação que apresenta o movimento que os organismos presentes na coluna de água realizam de acordo com a fonte de luz, descrevendo um padrão de migração vertical mais comum com a migração dos organismos para baixo, em direção a águas mais profundas e escuras, antes do amanhecer, e para cima, em direção à superfície, ao anoitecer.

Migração vertical diária - Fonte: NASA


Há várias hipóteses sobre o motivo desse movimento diário, como por exemplo, neste padrão de deslocamento mais comum, os organismos permanecem em águas mais escuras durante o dia para ficarem menos vulneráveis à predação e migram para a superfície durante a noite para se alimentarem. Para indivíduos do fitoplâncton, a migração permite que as células se desloquem para regiões mais profundas e frias ao anoitecer, onde os nutrientes limitantes são abundantes e há menor risco de predação e, durante o dia, permaneçam em águas superficiais com disponibilidade de luz.


O fato é: a migração vertical diária possui diversas consequências biológicas e ecológicas importantes, como o aumento da variabilidade genética em determinadas populações, auxílio na dispersão larval de diversos organismos e o aumento na velocidade com que a matéria orgânica produzida na zona eufótica é transferida para o fundo do oceano (se a gente começar a ligar os pontos, vamos perceber que ela tem relação com o ciclo do carbono, atuando no “sequestro do carbono” e, consequentemente, nas mudanças climáticas…Bota importância nisso!).


Assim, a motilidade é um elemento chave para responder diversas questões ecológicas que ocorrem nos ecossistemas aquáticos. Explorar mais esse campo, entender melhor sobre os padrões natatórios dos organismos, pode nos ajudar a entender melhor fenômenos como este que ocorrem no oceano.


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