Pinguins - lentos na terra, velozes no mar

Atualizado: Jul 12

Por Juliana Leonel


Os pinguins são aves muito diferentes das demais, pois têm seus corpos modificados para nadar e mergulhar, e não para voar. Eles fazem parte da família Spheniscidae que compreende entre 17 - 20 espécies, todas com ocorrência apenas no Hemisfério Sul. O número inexato de espécies é porque ainda há debates se alguns grupos pertencem ou não a espécies distintas ou se são apenas subespécies.


Mapa mundo com os continentes em cinza. Em outra cor são contornadas asa regiõe (continentes e ilhas) no hemisfério sul onde são encontrados pinguins.

Distribuição das espécies de pinguim. Imagem em domínio público


O nome popular pinguim é em função da semelhança com um grupo de aves extintas no século XIX, os auks. Elas são aves da família Alcidae e do gênero Pinguinus, mas não tem relação evolutiva com as espécies de pinguim que conhecemos hoje. No entanto, os primeiros navegadores que avistaram um pinguim deram esse nome devido a semelhança física com os auks.


Exemplar de auk (Pinguinis impennis) empalhada sendo exposto em um museu e ao lado um exemplar do que seria um dos seus ovos.

Exemplar de auk (Pinguinis impennis). Imagem de Mike Pennington

com licença CC BY-SA 2.0


Todos eles têm o mesmo padrão de cor: barriga branca e dorso escuro, mas apresentam variações de cor e plumagem na cabeça, sendo que algumas são bem elaboradas, como é o caso do pinguim macaroni (Eudyptes chrysolophus) ou do pinguim saltador de rocha (Eudyptes chrysocome). A barriga branca e o dorso preto são estratégias evolutivas para proteção contra predadores. Quando as focas e orcas observam os pinguins de baixo para cima nadando, eles ficam quase imperceptíveis e o mesmo acontece quando eles mergulham fundo e expõem o dorso para os predadores.


Fotos de cinco diferentes espécies de pinguins para mostrar como eles tem cores e penas diferentes na cabeça. A partir do canto superior esquerdo em sentido horário: Eudyptes chrysocome com penas pretas e amarelas na cabeça em ums estrutura que parece um topete; Pygoscelis papua com cabeça preta, bico amarelo e um mancha branca sobre o olho; Pygoscelis antarctica (cabeça todas preta e apenas um conotrno amarelo no centro do bico); Spheniscus magellanicus (cabeça e bico pretos com uma faixa branco sobre os olhos que se unem na parte superior do bico); Aptenodytes forsteri (bico e topo da cabeça pretos, o retante da cabeça é branca exceto por um contorno preto na altura do queixo).

A partir do canto superior esquerdo em sentido horário: Eudyptes chrysocome e Pygoscelis papua - Imagem Ben Tubby com licença CC BY 2.0; Pygoscelis antarctica - Imagem de Andrew Shiva com licença CC BY-SA 4.0; Spheniscus magellanicus - Imagem de David com licença CC BY 2.0; Aptenodytes forsteri - Imagem de Ian Duffy com licença CC BY 2.0


Os pinguins não voam, mas apresentam características que fazem deles exímios nadadores: corpo hidrodinâmico, nadadeiras (ao invés de asas), camada densa de penas que permitem a formação de uma camada de ar que ajuda na flutuabilidade enquanto isola o corpo do contato com a água gelada auxiliando a manter a temperatura corpórea. Além disso, espalham o óleo produzido na glândula uropigial para recobrir as penas e aumentar a proteção na água. Na terra eles andam, mas para se mover mais rápido ou entre obstáculos podem saltar com os dois pés juntos. Além disso, eles também deslizam de barriga no gelo (como em um tobogã).


Apesar de todos os pinguins terem forma similar: corpo hidrodinâmico com asas em formato de nadadeiras planas, eles têm uma ampla variação de tamanho. O menor pinguim é o Eudyptula minor, chamado de pinguim azul ou pequeno pinguim, que atinge 40 cm e pesa 1,1 kg; ele é comumente encontrado na Austrália e na Nova Zelândia. Já o pinguim imperador (Aptenodytes forsteri), com ocorrência restrita à Antártica, é a maior espécie com tamanho de até 115 cm e 30 kg.


Eudyptula minor - imagem de J.J. Harrison com licença CC BY-SA 3.0 e Aptenodytes forsteri - imagem de Christopher Michel com licença CC BY 2.0


As distintas espécies de pinguins ocorrem principalmente em regiões polares e temperadas, como Antártica, Terra do Fogo, África do Sul, Ilhas Malvinas e Nova Zelândia. No entanto, o pinguim-das-galápagos (Spheniscus mendiculus), como o nome popular já sugere, habita a Ilha Galápagos localizada nos trópicos.


Os pinguins nidificam em grandes colônias que podem ter de poucas centenas até milhares de centenas de casais. A reprodução ocorre entre a primavera e o outono. Eles são organismos monogâmicos e, em geral, colocam dois ovos e macho e fêmea dividem a responsabilidade de cuidar dos ovos, enquanto um cuida do ninho o outro sai para se alimentar em incursões que podem durar de dias até semanas. O pinguim imperador é uma exceção, pois coloca apenas um ovo que é cuidado pelo macho.


Grupo de aproximadamente 20 mil pinguins reunidos em uma colônia.

Colônia com aproximadamente 20 mil Aptenodytes patagonicus nas Ilhas Geórgia do Sul - imagem de Liam Quinn com licença CC BY-SA 2.0.


Durante o inverno é comum aparecerem pinguins nas praias do Brasil, principalmente nos estados do sul e sudeste; mas não é raro um ou outro indivíduo ir parar nas águas quentes da Bahia. A espécie que comumente chega à costa brasileira é a Spheniscus magellanicus (pinguim de magalhães). Uma espécie que se reproduz em colônias localizadas na Argentina, Ilhas Falkland e Chile. São organismos de tamanho médio que se alimentam de crustáceos e lulas.


Grupo de 5 pinguins de magalhães (os que mais comumente chegam no Brasil) andando sobre cascalho.

Spheniscus magellanicus - imagem de Martin St-Amant com licença CC BY-SA 3.0


Os pinguins se alimentam de krill, lulas e peixes. Os predadores de pinguins adultos são orcas, tubarões e focas leopardos. No caso de ovos e filhotes, eles também podem ser predados por outras aves como skuas e petréis.


Pinguim briga (= expressão do corpo como se estivesse gritando) com um petrel que matou se filhote.

Pinguim confrontando um petrel - imagem de Constantine com licença CC BY-SA 3.0



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