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  • When to add children to the academic timeline?

    Por Jana M. del Favero Edited by Katyanne M. Shoemaker When starting a research project, it is necessary to establish a project timeline in which all of the activities to be carried out are mapped out to keep on schedule. My question, one I know other women ask as well, is where and how to fit a pregnancy in the academic timeline? During undergrad, we're too young and have the whole world ahead of us; during a masters', time is short, we have approximately two years in which it is impossible to think of things other than classes and the thesis. Then comes the doctorate. We're more mature, some are already married, but we still only think of research and publications – we know that after the four years of the doctorate we'll face the competition for jobs or need to be able to engage in a postdoctoral position. Therefore, the best option would be to wait for all of that to end, and decide to get pregnant after getting hired, with some professional, financial, and personal stability guaranteed. That stability generally occurs when a woman is around 37 years old, though, long after her fertility peak (Figure 1). Although it is not difficult to name successful female researchers/professors with kids, the “graduate students that gave up their academic career after getting pregnant” scenario is far more common. As Figure 2 shows, the dropout percentage amongst post-doctorate researchers with no kids or plans to have kids is practically the same for both men and women. However, having a child after starting a post-doc doubles the dropout rate among women, but has no effect for men. Of course a child can alter a woman's life path, and also her academic productivity. Leslie (2007) shows that the more children a woman has, the less time she spends on professional activities (Figure 3). Shockingly (although the research dialog doesn't discuss reasons), the same study shows that the effect is reversed in men: more kids equals more working hours! I won't dare to go further in discussing causes for this difference, but I see two possibilities: a man sees it as more responsibility and, seeing himself as the family provider, works more (this is not necessarily his fault, the systemic tradition imposes and teaches women to take care of their home and men to provide for it); or they run from the domestic responsibilities for whatever reasons. A friend told me that when his child was a baby and required all mom's all attention and care, he would prefer to work late to avoid getting home before the baby was asleep, justifying himself by saying he was jealous of all the care his spouse had for the baby and felt he didn’t fit in his own home. One way to enhance female representation in universities and to reduce the academic dropouts is to focus on the problems mothers face to take care of a family while studying and researching. Williams and Ceci (2012) made a list of strategies that could be adopted to minimize problems and help families. As an example: universities could offer quality childcare, offer maternity leave for the primary care giver, regardless of sex; they could also instruct selection committees how to ignore curriculum gaps that happened while one was using more time to take care of the family (as an example, the committee would understand why someone didn't publish for some time if that time was used to take care of a newborn), and so on. What is not on the study's list, and what I consider extremely important, is a structural change in people's minds. I heard once that, to be accepted in a certain lab in Spain, the professor in charge would ask women to sign a form, agreeing not to get pregnant during the doctoral program. It's painfully hard to believe many minds still work like that! And back to Brazil, where are we? USP, one of the largest universities in Brazil, has a childcare center that is praised by the parents, but just got at least 117 spots suspended for lack of funds invested in them (read more here). Not all funding agencies provide paid maternity leave for those with grants. Some progress can be seen, but many setbacks are still noticed. Even though some universities have adopted measures to help families' lives, a lot still need to be done. I'll not be able to give an answer to the question I posed in the text's title here, mostly because I believe it's a personal decision and not just a cake recipe. Personally, I've been married for 3 years and will finish my PhD in the middle of 2016, with no intentions of expanding the family by then. Nonetheless, I will not end the post with this matter. The blog will have testimonials of “women who are warriors,” that managed to study and have children; “altruistic women,” that gave up their academic career to dedicate themselves fully to their family and feel good about it; “scrappy women,” that stepped out of the university for a while to take care of kids and suffered many obstacles to get back in. My testimonial of an “indecisive woman” you already have. What about you, have something to share? We welcome you to comment or contact us. References: Goulden, M.; Frasch, K.; Mason, M. 2009. Staying competitive: Patching America's leaky pipeline in the sciences. Center for American Progress, https://www.americanprogress.org/issues/technology/report/2009/11/10/6979/staying-competitive/ Leslie, D.W. 2007. The reshaping of America's academic workforce. Research Dialogue 87. https://www.tiaa-crefinstitute.org/public/pdf/institute/research/dialogue/87.pdf Willians, W.M.; Ceci, S.J. 2012. When Scientists Choose Motherhood. American Scientist, Volume 100. http://www.americanscientist.org/issues/pub/when-scientists-choose-motherhood/1 #chatjanamdelfavero #womeninscience #children #chat #motherhood

  • Todos os caminhos nos levam ao mar

    Plumas costeiras e o transporte de nutrientes para o oceano profundo Por Douglas Vieira da Silva Os rios transportam para o oceano uma série de nutrientes, esse aporte é essencial para manter a produtividade marinha em regiões que carecem de outras fontes de nutrientes. Por isso, é de se esperar que os rios desempenhem um papel importante para o balanço de nutrientes no oceano. A carga de nutriente dos rios se origina de processos de erosão e escoamento pelo continente, que por sua vez, desembocam no mar. Essa descarga de água dos rios, relativamente menos salina, quando se espalha no mar é chamada de pluma costeira. Uma vez que a água doce e os nutrientes chegam à costa, eles são transportados mar à dentro por padrões de circulação regidos pelas plumas costeiras. O padrão de circulação de cada pluma costeira é determinado pela intensidade da vazão do rio, pelas correntes marinhas locais e pela rotação da Terra associada a latitude em que a pluma se encontra. Dessa forma, a carga de nutrientes do rio se espalha em função do caminho realizado pela pluma e da sua mistura com o oceano aberto, um processo mediado pelas forçantes citadas. Entretanto, os mares mais rasos da plataforma continental são ambientes bastante dinâmicos e mais produtivos que o oceano profundo. Logo, uma parte dos nutrientes que chega através dos rios já é consumida parcialmente na porção mais costeira pelos organismos do fitoplâncton e uma fração menor restante é exportada para o oceano profundo. Esquema mostrando a excursão de uma pluma costeira até o oceano profundo. Nota-se que apenas parte do volume da pluma atinge águas oceânicas (em cor azul), o que age como limitador ao aporte de nutrientes (representados por N). Outro fator importante é que os nutrientes são consumidos na plataforma continental, ficando disponível uma fração reduzida para fertilizar as águas do oceano mais profundo (Fonte: feito pelo próprio autor com licença CC BY-SA 4.0). Considerando que há diferentes tipos de plumas ao redor do mundo, podemos esperar que a contribuição de cada uma delas para a entrada de nutrientes no oceano seja diferente. Para podermos entender o que explica essa diferença, precisamos partir de dois parâmetros principais que atuam sobre as plumas e afetam a travessia dos nutrientes até o oceano profundo: comprimento e latitude. Como comprimento, consideramos a distância da foz do rio até a borda da pluma, onde a língua de água doce pode ser distinguida por um gradiente abrupto com a água salgada do mar, separando claramente as duas massas de água. O comprimento da pluma depende do volume de descarga do rio (o qual também é dependente da latitude, como veremos a seguir) e da geometria de desembocadura do rio. A latitude da pluma é importante para a descarga, pois a média de chuva do planeta é maior na região dos trópicos, isto é, nas baixas latitudes. Em média, as plumas de rios dos trópicos apresentam as maiores descargas fluviais. Como por exemplo, o Rio Congo e o Rio Amazonas, que representam as maiores entradas de água doce no oceano Atlântico. Dessa forma, as plumas de regiões tropicais acabam sendo relativamente maiores em comprimento, conforme esquematizado abaixo. Essa maior extensão facilita a travessia pela quebra da plataforma, promovendo maior entrada de nutrientes no oceano profundo. Já as plumas de altas latitudes, localizadas em regiões onde a média de precipitação é menor, apresentam em média descargas fluviais menores e comprimentos reduzidos. Além da variável climática, nas altas latitudes o efeito da rotação do planeta, via aceleração de Coriolis, que tende a aprisionar as plumas ao longo da costa. A aceleração de Coriolis age sobre o movimento das correntes, causando a sua deflexão. A água das plumas quando defletidas acabam encontrando a linha costa como uma barreira lateral. Assim, a água da pluma e os nutrientes trazidos por ela permanecem por um período maior na região de plataforma, uma vez que a ação do Coriolis impede o espalhamento da pluma em direção ao oceano. Por conta disso, uma fração ainda maior de nutrientes acaba sendo retida e consumida ali mesmo, o que diminui a entrada de nutrientes em águas oceânicas mais profundas. Exemplo do efeito da rotação da Terra sobre o comprimento das plumas costeiras, que combinado com o padrão de chuvas determina o comprimento da pluma costeira. As plumas com comprimento superior à extensão da plataforma continental são capazes de exportar mais nutrientes para as águas oceânicas mais profundas. (Fonte: feito pelo próprio autor com licença CC BY-SA 4.0). Vemos então que esses dois parâmetros determinantes (comprimento da pluma e latitude) estão correlacionados. Dessa forma, podemos dividir as plumas em duas classes: as que possuem um comprimento maior do que a extensão da plataforma continental e as que possuem um comprimento menor e não ultrapassam a quebra de plataforma. Vamos pegar o exemplo da pluma do Rio Amazonas, uma pluma de grande escala com comprimento de 400 km. Esta não sofre o efeito da rotação planetária, já que se encontra em uma região Equatorial, onde a aceleração de Coriolis é muito pequena e portanto as correntes não sofrem deflexão. Dessa forma, a pluma do Rio Amazonas é capaz de atingir águas oceânicas com uma frequência muito maior, e, assim, entregar uma maior fração de nutrientes para o oceano profundo. Em contrapartida, a pluma do Rio da Prata é relativamente menor, com uma descarga considerável e comprimento de 200 km. Devido à latitude em que se encontra, a deflexão devido ao Coriolis (e condição de ventos apropriadas) tende a aprisionar a sua descarga na plataforma, canalizando seu escoamento ao ponto de apresentar episódios em que a sua pluma atinge a latitude do estado de São Paulo (cerca de 1600 km ao norte da desembocadura do Rio da Prata). Nesse deslocamento paralela à costa, sua carga de nutrientes se mantém predominantemente na plataforma, ao invés de alcançar as águas profundas do oceano Atlântico. Os nutrientes acabam sendo consumidos na própria plataforma, já que ficam por lá durante um longo período. Portanto, neste caso, a contribuição para a entrada de nutrientes na foz é bem menor do que seria se esta pluma estivesse em uma latitude menor. Essa diferença pode ser observada a partir da pluma de baixa salinidade associada a cada um desses rios, conforme o mapa abaixo. Mapa de salinidade da superfície do mar para o Atlântico Sul, mostrando os rios com as maiores descargas nessa bacia oceânica. Fica evidente a diferença de escala entre a Pluma do Rio Amazonas, cuja anomalia de salinidade chega a ocupar uma grande extensão do Oceano Equatorial, e a Pluma do Rio da Prata, que fica aprisionada no ambiente de plataforma. (Fonte: www.remss.com - Soil Moisture Active Passive Mission - SMAP, domínio público). Ao estudar as plumas costeiras podemos traçar a origem dos nutrientes transportados para o mar, uma vez que os nutrientes apresentam proporções de compostos ligados à sua origem continental. Como a proporção de nutrientes pode ser ligada à influência de uma pluma específica, é possível avaliar a contribuição de cada uma delas aos diversos sistemas marinhos que se encontram à margem das plataformas continentais. A quantidade de nutrientes na água do mar é um fator determinante para a produção primária, a qual, além de refletir diretamente nas teias tróficas marinhas, tem papel relevante nos processos climáticos, uma vez que as plumas também alteram a estrutura superficial do oceano que interage com a atmosfera, estabelecendo-se um sistema complicado de interação e feedback positivo entre organismos e processos físicos. Uma vez que as plumas se distribuem pelas bacias oceânicas, não é suficiente apenas saber o quanto entra de nutrientes no mar, mas também é necessário estimar como o comportamento e circulação das plumas costeiras altera a fração de nutrientes que chega ao mar aberto. A maioria das estimativas de produtividade do oceano consideram a entrada de nutrientes dos rios apenas como os valores obtidos na sua foz, sendo que fica evidente a necessidade de considerar as transformações que essa carga de nutrientes passa ao longo da sua travessia junto com as plumas. Afinal, todos os caminhos levam ao mar, mas alguns atalhos fazem a diferença e podemos pensar nas plumas costeiras como atalhos para os nutrientes chegarem mais longe, oceano adentro. Referências ou sugestões de leitura: HORNER-DEVINE, Alexander R.; HETLAND, Robert D.; MACDONALD, Daniel G. Mixing and transport in coastal river plumes. Annual Review of Fluid Mechanics, v. 47, p. 569-594, 2015. DOI: https://doi.org/10.1146/annurev-fluid-010313-141408 KJERFVE, Björn; MIRANDA, Luiz Bruner de; CASTRO, Belmiro Mendes. Princípios de oceanografia física de estuários. São Paulo: EDUSP, 2002. SIMPSON, John H.; SHARPLES, Jonathan. Introduction to the physical and biological oceanography of shelf seas. Cambridge University Press, 2012. SHARPLES, Jonathan et al. What proportion of riverine nutrients reaches the open ocean?. Global Biogeochemical Cycles, v. 31, n. 1, p. 39-58, 2017. DOI: https://doi.org/10.1002/2016GB005483 Sobre o autor: Oceanógrafo e mestre em oceanografia física, química e geológica. Meus temas de pesquisa sempre se focaram em regiões de plataforma continental, estuários e lagunas costeiras da região Sul e Sudeste do Brasil. Atualmente sou doutorando em meteorologia no IAG-USP, onde estudo a interação oceano-atmosfera na Pluma do Rio Amazonas. #PlumasCosteiras #Nutrientes #RiosEMares #Foz #Descomplicando #Oceanografia #Convidados

  • Apesar de você, me tornei doutora

    Por Gabriela Figueiredo Aviso de gatilho. Ilustração: Catarina Ruiz Mello Após um ano da conclusão do meu mestrado em Biologia de Ambientes Aquáticos na Universidade Federal de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, um dilema apareceu: o que fazer em seguida? A dúvida e incerteza de que rumo tomar aumentaram ainda mais quando me deparei com o desemprego e a falta de opções de trabalho na minha área. Vi no doutorado a luz no fim do túnel. Não sabia que essa escolha traria muitos desafios e tomadas de decisões, que foram as mais difíceis na minha vida acadêmica. Desde minha graduação em Ciências Biológicas na Universidade Estadual da Paraíba – Campina Grande, estudei ecologia trófica de peixes, que se tornou minha paixão aprofundada no mestrado. Quando fui pesquisar departamentos e laboratórios em que eu pudesse continuar trabalhando nessa área, vi que na Universidade Federal de Pernambuco isso seria possível. Achei um professor que atuava nessa área. Coincidentemente eu já havia lido alguns trabalhos científicos dele. Muitos me alertaram sobre a forma como ele trabalhava, de sua fama de super exigente, mas eu, na ânsia de ingressar logo em um doutorado, acreditei que era um exagero. Fiz a seleção nos meses de outubro e novembro de 2015. De início, ele já queria que eu me mudasse para iniciar os trabalhos desde janeiro, quando o ano letivo só iniciaria em março. Por um acaso, no final de dezembro, antes de ingressar no doutorado, quebrei meu pé e não pude me mudar em janeiro, como ele havia recomendado. Nesse momento, começou a minha saga. Ele não acreditou que eu, realmente, tivesse quebrado o pé, passado por uma cirurgia e que estava impossibilitada de trabalhar. Foi necessário eu viajar até Recife com a ajuda dos meus pais, para ele ver com os próprios olhos a minha situação. Ainda tive que ouvir piadinhas como “Nossa, você quebrou mesmo seu pé. Achava que era mais uma desculpa de aluno para não trabalhar. Essa seria a desculpa mais diferente que eu já ouvi”. Lembro-me de não ter dado muita atenção ao comentário. Mas desde então, ele começou com uma série de comentários e atitudes que me deixavam mal. Primeiro, ele falou que eu teria que merecer a chave do laboratório. Então, todos os dias, eu tinha que chegar primeiro e ficar esperando alguém abrir a porta para eu poder trabalhar. Ele chegou a duvidar da minha capacidade de realizar as atividades laboratoriais, mudou meu projeto, tirando a parte mais inovadora do trabalho simplesmente porque quis. Durante quase um ano que passei no laboratório, ele não me deixava analisar os dados que seriam utilizados na minha tese. Ao invés disso, me mandava fazer outros trabalhos. Foram muitos os abusos morais. Ele chegou a cancelar uma disciplina em que eu tinha me inscrito com a desculpa de que eu estava faltando muito no laboratório e disse para eu colocar na justificativa que estava cancelando a matrícula na disciplina porque ele havia mandado. Quando falei que tinha interesse em fazer um doutorado sanduíche, ele argumentou que eu não faria, pois seus alunos não precisavam disso, já que esse argumento só era válido para estudantes que não conseguiam publicar. Um dia, chegou a gritar e brigar comigo por eu estar ajudando outra aluna a melhorar a apresentação do seu projeto. Falou que eu não era a orientadora dela, que eu deveria estar trabalhando, ao invés de estar ajudando a colega. Gritou comigo dizendo que eu estava ‘peitando’ ele. Além dessas grosserias e falta de respeito, ele fazia alguns comentários extremamente machistas e humilhantes. Para ele, era uma vitória fazer o aluno chorar. Sentia prazer quando dizíamos que a fama dele era de carrasco. Foram quase 12 meses nesse processo, até que um dia, ele avisou que todos seus alunos iriam participar de um congresso em outro estado, no qual ele seria palestrante. Conversando com ele, falei que para mim, só seria interessante participar se enviasse algum resumo, pois seria uma viagem cara. Como eu não tinha nenhum resultado da minha tese, porque ele não me deixava analisar as amostras do meu trabalho, ele me deu uns dados resultantes de um ex-aluno e falou para eu fazer o resumo com aqueles dados. Falei para ele que não queria, pois não eram meus resultados. Ele bateu na mesa e disse que os dados eram dele e que eu deveria fazer o que ele quisesse. Depois de pronto, ele veio me questionar se eu concordava com o que eu havia escrito, e começou a me chamar de plagiadora, disse que plágio dava cadeia, me chamou de mau caráter, burra... Não poupou palavras. Fiquei em choque e sem nenhuma reação. Sabia que se eu me descontrolasse, perderia a minha razão. Voltei pra casa arrasada. Nunca tinha ouvido tanta baixaria. Nunca ninguém tinha dito aquelas palavras para mim. Lembro de ter conversado com meus pais e ter dito que não ia deixar isso ficar desse jeito. Era muita falta de respeito comigo e eu não merecia nenhuma palavra daquelas que foram proferidas numa sexta-feira. Na segunda-feira, fui falar com ele. Mas parecia que estava adivinhando, pois chegou ao laboratório já com a cara fechada. Ainda assim, me mantive firme e fui conversar. Quando comecei a falar que não tinha gostado da nossa conversa, ele bateu o celular na mesa, falou que a porta era a serventia da casa, disse que não estava gostando da orientação e mandou pegar minhas coisas e ir embora. Não consegui falar absolutamente nada, mas escutei o que, no fundo, eu mais queria ouvir: sair daquele laboratório. Arrumei meus materiais e saí de lá, pela última vez. Ele ainda teve a cara de pau de me 'expulsar' e sair espalhando mentiras no departamento. Ainda disse para seus alunos que eu teria uma chance de voltar para o laboratório, caso eu me desculpasse, o que eu jamais faria, por não ter culpa de nada. Lembro de ter ido em busca dos meus direitos, mas como não havia provas suficientes de assédio, não consegui levar adiante. Saindo de lá, fui conversar com o coordenador do curso, expliquei a minha situação e tive seu total apoio para mudar de orientador. Não foi nada fácil, até porque eu era nova no departamento e não conhecia muito bem os professores. Mas tive muita sorte da coordenação me apoiar e tornar o processo de mudança de orientador mais simples. Fui em busca de alguém que trabalhasse com uma metodologia que eu havia usado no mestrado e, naquele momento, encontrei o meu orientador atual, com o qual terminei meu doutorado. Ao me apresentar, recebi dele o apoio necessário para recomeçar minha nova etapa. Como já havia passado quase um ano de curso, o tempo era insuficiente para fazermos novas coletas. Por isso, ele me propôs trabalhar com dados coletados, mas para tal, eu teria que mudar completamente de área. Foi assim que eu entrei para o mundo do zooplâncton. Foi uma decisão difícil, deixar a paixão pela ecologia de peixes e aprender do zero sobre uma comunidade extremamente importante no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. Mas aceitei esse desafio, e junto com ele, vieram: a volta da minha autoestima, o prazer de trabalhar no novo assunto, além de parcerias com laboratórios e colaboradores franceses, com os quais pude, finalmente, realizar meu doutorado sanduíche, sonho antigo. Após trabalhar intensivamente no Brasil, morei durante um ano na França, onde consegui concluir meus estudos com sucesso. Apesar dessa mudança radical, hoje percebo que foi o melhor que poderia ter me acontecido. Fui acolhida na família “zooplanctônica”, me apaixonei pelo zooplâncton, concluí minha tese de doutorado da qual tenho muito orgulho, além de já ter dois artigos publicados, o que coroou meu esforço. Sobre Gabriela: Gabriela Guerra Figueiredo é formada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), mestre em Biologia de Ambientes Aquáticos e Continentais pela Universidade Federal de Rio Grande (FURG) e doutora em Oceanografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Sempre amou os animais, e trabalhar com biologia marinha era sua paixão. Atualmente trabalha com ecologia de zooplâncton com ênfase em análise de isótopos estáveis. #Convidados #AssedioMoraléCrime #VidaDeCientista #PósGraduação #AssédioMoral #Doutorado

  • Sorria recife, você está sendo fotografado!

    Por Carolina D. Teixeira Muitos aqui já devem ter ouvido falar que os recifes são ecossistemas com rica biodiversidade e que prestam serviços ecossistêmicos da mais alta relevância, tais como a mineralização do carbonato de cálcio, o provimento de recursos pesqueiros e a proteção das linhas de costa. Sem falar no imenso potencial turístico! Os maiores e mais ricos recifes do Atlântico Sul, Abrolhos, estão localizados no sul da Bahia e no norte do Espírito Santo. São os únicos, em todo o mundo, que formam os chamados “chapeirões”, que consistem em estruturas recifais cogumelares com paredes íngremes sombreadas e topos expandidos lateralmente e bem iluminados. Essas colunas recifais enormes são construídas por algas coralináceas, briozoários e corais, podendo chegar a mais de 20 metros de profundidade e 50 metros de diâmetro. Visando conservar uma parte desse ecossistema único foi criado, em 1983, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, o primeiro dessa categoria no Brasil. No entanto, a região como um todo sofre constantemente com o mal uso da zona costeira, incluindo dragagens próximas aos recifes, desmatamento e urbanização descontrolada. Os recifes de Abrolhos também têm sido profundamente impactados pelas mudanças climáticas, como mostrei no meu trabalho de iniciação científica, e sofrem com a má gestão da pesca. O Parque Nacional, apesar de muito importante, não é suficiente para controlar essa enxurrada de ameaças! Diante desse contexto, estudos de longo prazo são essenciais para orientar os gestores e demais atores responsáveis pelo manejo dos recursos do mar. Desde 2006, cientistas de diferentes universidades do Brasil, reunidos na Rede Abrolhos, monitoram a região através de amostragens dentro e fora do Parque Nacional, e em locais mais ou menos impactados pelas atividades na zona costeira. O meu trabalho de mestrado envolveu a análise de dados do esforço empreendido entre 2006 e 2018, como parte do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração do CNPq. A partir dessa base de dados, procurei responder três questões centrais: 1) como a cobertura bentônica mudou ao longo dos anos?; 2) houve mudança de dominância em algum sítio e/ou habitat específico?; 3) como as histórias de vida das espécies mais abundantes influenciam na dinâmica da comunidade? Para responder essas questões, escolhemos 5 recifes, 3 deles próximos a costa (recifes costeiros) e 2 mais afastados (recifes externos). Os sítios costeiros incluíram os recifes Pedra de Leste e Sebastião Gomes, onde as águas são naturalmente mais turvas, sendo que Sebastião Gomes também recebe sedimentos de uma operação de dragagem de um canal de navegação usado para escoar toras de madeira. O Recife das Timbebas, também costeiro, ocorre numa área costeira menos sujeita à sedimentação e parcialmente protegida pelo Parque Nacional. Os dois recifes monitorados no Parcel dos Abrolhos, a mais de 60 km da costa (veja o mapa a seguir para se localizar na área), estão localizados na área menos turva e mais emblemática e protegida do Parque Nacional. (A): Mapa da área de estudo e os pontos amostrais localizados nos diferentes recifes (TIMB = Timbebas, PLES = Pedra de Leste, SGOM = Sebastião Gomes, PAB = Parcel dos Abrolhos). Os valores de turbidez (Kd490) se referem as médias de inverno de 2018; (B) e (C): vista aérea dos recifes externos e costeiros, respectivamente. O barco presente em B e C mede 15 metros. Fonte: Rede Abrolhos, licença CC BY SA 4.0. No primeiro ano (2006), quando eu ainda estava no 6º ano do ensino fundamental II e meu orientador era um jovem recém-doutor, foram colocados pinos metálicos nos recifes, de forma a permitir que as exatas mesmas parcelas fossem re-amostradas ao longo do tempo. E assim o foram nos últimos 15 anos! Nesses pinos são encaixadas estruturas de PVC com 15 subdivisões, as quais são fotografadas individualmente. Esse método é conhecido como foto-quadrado, e cada recife conta com 20 pontos fixos que nos permitem gerar 300 fotos padronizadas a cada ano. Ao final do trabalho, analisei cerca de 16 mil imagens! (A): quantificação do bentos utilizando o método do foto-quadrado no topo (B): quantificação do bentos utilizando o método do foto-quadrado na parede (C). Fonte: Rede Abrolhos, licença CC BY SA 4.0. Em geral, os recifes de Abrolhos mantiveram a cobertura de corais relativamente estável, sem um declínio regional que pudesse caracterizar o processo conhecido como “mudança de fase”, ou seja, sem a substituição maciça de corais por outros organismos que não constroem recifes, como as macroalgas. As flutuações na cobertura de corais foram ligadas principalmente aos eventos de anomalias térmicas positivas, quando a temperatura medida é superior à temperatura média da região ao longo dos anos. No entanto, em Sebastião Gomes, o sítio mais próximo da área de descarte da dragagem, organismos não-construtores de crescimento rápido se sobrepuseram aos corais, com destaque para o zoantídeo Palythoa caribaeorum, popularmente conhecido como “baba-de-boi”. A menor variação temporal foi observada nos topos dos chapeirões do Parque Nacional e nas paredes dos recifes costeiros, uma tendência que pode estar relacionada à história de vida dos organismos dominantes desses locais, que incluem corais conhecidos por serem mais tolerantes a flutuações ambientais, tais como a Montastraea cavernosa. Montastraea cavernosa, coral mais abundante dos recifes de Abrolhos. Fonte: Rede Abrolhos, licença CC BY SA 4.0. Apesar de não termos identificado um declínio da cobertura coralínea na escala regional, temos evidências suficientes para supor que a cobertura dos recifes não continuará estável por muito mais tempo. Os estressores não param de se intensificar e as anomalias térmicas estão ficando cada vez mais frequentes. O nosso trabalho, realizado a muitas mãos (são 14 co-autores de 5 universidades diferentes), mostra claramente que o controle dos estressores locais que contribuem para a deterioração dos recifes deve ser priorizado, inclusive porque a reversão e a restauração tendem a se tornar cada vez mais difíceis e caras na medida que a degradação se amplia. Leitura sugerida: Nossa pesquisa já foi publicada e pode ser acessada em: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0247111. O histórico da degradação da região de Abrolhos pode ser encontrado em: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0247111.s002. Para conhecer os demais trabalhos da Rede Abrolhos, nos siga nas redes sociais ou visite nosso site: http://abrolhos.org/. Sobre a autora: Carolina D’Ornellas Teixeira é carioca, formada em Biologia Marinha pela UFRJ e mestre em Ecologia, também pela UFRJ. Se interessou pelo mundo dos corais ainda na graduação quando estudou o branqueamento em massa causado pelas anomalias térmicas de 2015-2017. Atualmente trabalha no Laboratório de Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (SAGE-COPPE), na UFRJ, onde atua no âmbito do PELD Abrolhos. #RedeAbrolhos #CiênciasDoMar #Recifes #Coral #Abrolhos #MonitoramentoAmbiental #Oceanografia #BiologiaMarinha #Convidados

  • Importância e curiosidades das coleções científicas

    Por Jana M. del Favero Entre o fim do mestrado e o começo do doutorado fiz uma pausa de um ano e meio na qual participei da montagem da Coleção Biológica Prof. Edmundo F. Nonato - ColBio, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Foram meses verificando frascos com algum tipo de material biológico, entre peixes, zooplâncton, otólitos, e digitando todas as informações sobre os mesmos no computador, como datas de coleta, locais, profundidades de coleta, o tipo de amostrador usado, a embarcação etc. Foi durante esse período que percebi a importância das coleções científicas, que preservam materiais cuidadosamente coletados para diversos fins, possibilitando inúmeras pesquisas. Sou suspeita para falar, pois foi durante esse período trabalhando na coleção que observei que havia amostras de ovos e larvas de uma espécie de peixe (Engraulis anchoita) durante vários anos, desde 1974 até 2010, o que me possibilitaria uma análise da distribuição e abundância desses organismos  em um longo período de tempo, verificando a influência de fatores ambientais que não podemos analisar com poucos meses de coleta. Citando o que a Silvia Gonsales (nossa ilustradora) me disse, “as coleções armazenam peças com informações relevantes de um quebra-cabeça a ser montado e desvendado pelos pesquisadores”. É por isso que quando ocorre algum acidente, como o incêndio do Instituto Butantã em 2010, não são apenas cobras já mortas que se perdem, mas sim informações relevantes, insubstituíveis, que deixarão buracos nesses quebra-cabeças, que podem se tornar impossíveis de serem montados. Outra grande importância das coleções biológicas é a economia financeira que podem proporcionar. Muitas vezes não nos damos conta  do alto custo de uma saída de campo para uma instituição ou para uma agência financiadora do projeto. A saída fica ainda mais cara se para a realização da mesma for necessário o uso de algum navio de pesquisa, principalmente se a área estudada for muito afastada da costa ou muito grande! Eu mesma, no meu projeto de doutorado não gastei um real com coletas, graças ao material guardado no ColBio. Agora suponhamos que você faz um trabalho no qual quer saber quais espécies de peixes ocorrem em uma certa região. Você identifica as espécies e na hora da publicação, ou em algum outro momento, algum pesquisador o questiona se você identificou corretamente a espécie X. Se a sua espécie X tiver ao menos um indivíduo depositado (guardado) em alguma coleção biológica, o pesquisador questionador pode analisar por si mesmo o “espécime-testemunho”, ou seja, o indivíduo por você depositado, e comprovar a identificação daquela espécie. Ou até mesmo quando você está identificando um indivíduo coletado e tem dúvidas quanto à sua classificação. Nessa hora não há nada melhor do que consultar uma coleção científica e analisar as possíveis espécies que seu indivíduo parece pertencer. Incontáveis vezes fui ao Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo-MUZUSP durante o meu mestrado para ver indivíduos depositados na coleção ictiológica (de peixes). Se vocês achavam que o museu de uma universidade ou de ciências só tem aquela parte de exposição onde os visitantes circulam livremente, engana-se! Muito maior, e na minha opinião mais importante, são as coleções científicas. Ah, e se esse museu arquivar o holótipo então, a coleção torna-se ainda mais preciosa. Holótipo ou espécime-tipo é o indivíduo que o pesquisador designou como base no momento da descrição de uma nova espécie. E sim, estamos constantemente descobrindo novas espécies e designando novos holótipos, principalmente no oceano, ainda tão pouco explorado! Explorando o banco de dados do Museu de História Natural de Londres, achei diversos holótipos do Brasil, dentre os quais  citarei um que me chamou a atenção:  uma espécie de esponja (leia mais sobre esponjas aqui) coletada em 1996 na região de São Sebastião, SP. Aos curiosos de plantão aqui está o link da coleção científica do Museu de História Natural de Londres. Eu particularmente achei demais ficar pesquisando espécimes coletados por Darwin, Linnaeus, de exemplares coletados no Brasil, que hoje estão guardados em outro continente! É importante esclarecer que o holótipo nem sempre precisa ser o indivíduo inteiro, principalmente no caso de espécies extintas, cuja descrição é muitas vezes baseada em fósseis (por exemplo, um holótipo de um dinossauro descrito pode ser o fêmur do mesmo). Em alguns casos o holótipo pode até ser uma ilustração! E por falar em ilustração, a Silvia Gonsales fala rapidamente em seu perfil aqui do blog sobre a importância das ilustrações científicas: “o desenho ajuda os pesquisadores a representarem e/ou explicarem suas ideias com algo além de palavras. Por exemplo, quando uma espécie nova é descoberta, alguém precisa descrevê-la, ou seja, fazer um registro exato de como ela é. O desenho científico complementa e sintetiza esse registro, mostrando todas as suas características importantes que, muitas vezes, não aparecem claramente em fotografias”. Assim, o desenho da espécie descrita auxilia, e muito, os pesquisadores na identificação de uma espécie ou até mesmo do estágio de desenvolvimento no qual  ela se encontra. No seu Trabalho de Conclusão de Curso, Silvia Gonsales utilizou desenhos científicos para descrever e caracterizar as fases larvais de uma espécie de peixe (vejam o desenho abaixo como exemplo de 3 estágios). E no post da Claudia Namiki ela mostra como o desenho científico foi utilizado para descrever otólitos (veja aqui). Os originais dos desenhos científicos também ficam depositados em coleções científicas, disponibilizados para consulta de pesquisadores. O desenho é fácil de ser arquivado e guardado por muito tempo, mas como são guardados os outros materiais? Bem, tudo depende do que está sendo depositado. Os otólitos e ossos apenas precisam estar limpos e etiquetados para serem depositados, as amostras de plâncton normalmente encontram-se em  frascos de vidro preservadas em formaldeído 4% e peixes em álcool 70%. Plantas são prensadas, secas em estufas e fixadas em cartolina, chamadas exsicatas, como as da coleção que há no Jardim Botânico de São Paulo e no do Rio de Janeiro. Há também a taxidermia, conhecida popularmente como a atividade de “empalhar”, pois antigamente se utilizava palha para preencher a pele do animal que estava sendo montado. Hoje em dia, usa-se um material semelhante às fraldas, como os animais taxidermizados do  Museu de Pesca de Santos. Aposto que muitos aqui nunca pensaram que o animal “empalhado” poderia também ser usado a favor da ciência, não somente utilizado por caçadores para ficar expondo animais em sua sala de estar (credo!). Fig. 4: Exemplo de peixes fixados em álcool 70%, de aves marinhas taxidermizadas, do esqueleto de uma ave montado (Fotos: Jana M. del Favero) e de uma exsicata (Foto: Richieri Sartori). Uma das coleções que conheci que mais me fez brilhar os olhos foi a coleção de vidro de flores e de invertebrados marinhos da Universidade de Harvard, parte exposta no Museu de História Natural e no Museu de Zoologia Comparada, da própria universidade. Ambas as coleções foram inicialmente criadas para serem utilizadas em salas de aula, uma vez que nem a planta prensada e nem o animal fixado mostram como o organismo realmente é (na fixação, principalmente de invertebrados, o animal perde a cor e pode deformar). No caso do organismo de vidro, mesmo estando muito perto, eu juraria que era de verdade, e olha que os modelos foram feitos entre 1887 e 1936. Uma obra de arte a favor da academia! Mais informações sobre a coleção de flores de vidro podem ser obtidas aqui e sobre os invertebrados marinhos aqui. No final de ambas as páginas há um filminho com imagens belíssimas, contando a história e como foram feitos esses organismos de vidro. Fig. 5. Organismos de vidro da coleção do Museu de História Natural da Universidade de Harvard. Foto: Jana M. del Favero. Os museus podem guardar ainda preciosidades bibliográficas em suas coleções, como por exemplo, livros com as descrições de Carolus Linnaeus, um dos pesquisadores pioneiros na identificação de animais, considerado o “pai da taxonomia”, mantidas pelo Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.. Este material é tão raro e de grande relevância que  é preciso ser  manuseado com luvas. Uma pesquisa recente relatou que apenas 12% dos entrevistados visitaram um museu de ciência e tecnologia nos últimos 12 meses. Apesar de baixo, essa porcentagem aumentou se comparado com a mesma pesquisa em 2006, na qual apenas 4% afirmaram terem visitado um museu no último ano, e 8% em 2010. Entre os que não foram à nenhum museu, apenas 14,2% justificaram com a falta de interesse, sendo que 32,2% não tiveram tempo e 31,1% afirmaram que só não foram pois não existe nenhum em sua região.  Segundo o site que divulgou a pesquisa, o fato demostra muito mais a falta de acesso ao museu, ou de conhecimento sobre o mesmo, do que a falta de interesse, mostrando que a oferta é restrita e a informação é esparsa (Fonte). Então, após as curiosidades apresentadas aqui, que tal planejar uma ida ao museu e tentar enxergá-lo de um modo diferente?! #ciênciasdomar #janamdelfavero #conservação #interdisciplinaridade #silviagonsales

  • A story about sponges

    By Lilian Pavani English edit by Lidia Paes Leme and Katyanne Shoemaker *post originally published in Portuguese on July 14, 2015 Illustration by Catarina Mello Falling in love is unexpected, inexplicable, and incomprehensible. All of a sudden, it’s BANG! You’re in love! Well, this crazy thing happened to me, but with something quite different than another human -- it happened with a sponge (and I’m not talking about our friend Sponge Bob Square Pants). When I decided to study biology, I knew that I enjoyed marine biology and cellular biology and that I wanted to do research. I left cellular biology behind after my first semester of college, but marine biology was still waiting for me to discover it. As I soon learned, my ideas about what marine biology was were fairly limited and would soon change. What I knew at that point came mostly from what I saw in Porto de Galinhas: beaches and coral reefs filled with tiny fish. I really had no idea about what I was going to study. As I started to study invertebrate zoology, I was surprised to find out that there are more than thirty phyla of animals, not just the nine that I’d studied in school. This was the first time that I looked at sponges with a new set of eyes. Can any organism be more obscure than a sponge? Sponges have no true tissue (they don’t have basal lamina), therefore there are no germ layers, coelom or organs. They are practically a cluster of specialized cells with different functions that can organize themselves to create a single asymmetric organism that eats, grows and reproduces. They do all of this without moving, because they’re sessile, and what's more, they decorate the environment with their beautiful colors!! That’s it, I was hooked! The Tedania ignis sponge, the object of my study (Photo by Renata Goodridge with a CC00 license) During my invertebrate zoology course, each student picked a phylum to present on. Of course I volunteered to speak about sponges, so I could learn more about these fascinating animals. For instance, because they are filter feeders, they are good bioindicators of environmental quality. Also, since they are sessile, they need a way to compete with other organisms for space, so they can produce secondary metabolites. These metabolites are of pharmaceutical interest! Around the same time, I read in the college newspaper that someone from the Economics Department had developed a study about the economic effects of the drop in tourism and fisheries in the region of Ilhabela and São Sebastião due to a recent oil spill. Aha! A lightbulb went on: I could use sponges to study beach pollution! Tedania ignis on a rock (Photo by Eduardo Hajdu) No one specialized in sponges at my university, but sponges live along rocky shorelines, and practically everybody worked in those regions. Even though the rest of the lab was involved in the Biota Project, my advisor gave me a vote of confidence and allowed me to write a proposal of my own while I was an intern in the laboratory. My only requirements were that I would have to include amphipods (a tiny crustacean that would later provide me with a Masters’ degree) and set the pollution aspect aside for a bit. At first that bothered me, but only until I realized the world that could fit within a sponge, or even on top of it. Sponges are secondary substrates to marine life, meaning that they expand the area of occupation within rocky shores, allowing many more organisms to live there. The structure of the sponge provides a variety of microhabitats, specifically good for juvenile organisms, therefore contributing to the local biodiversity. For my study I chose the sponge Tedania ignis, commonly known as the fire sponge, given that it can cause dermatitis that looks like burns on the skin. These sponges live in easily accessible places, so I could collect them without using diving equipment during spring tides (tides of maximal range near the time of full moon and new moon). During these periods of really low tide, the sponge can easily be spotted along the rocky shore. Back in the lab, while screening my samples, I discovered several marine organisms that I had never seen before, like small hydrozoa and pycnogonida (sea spiders). I also saw “miniature” versions of animals I recognized, including bivalves. It was a great surprise to open a chamber and find a “nest” of nematodes! It was a really fun activity. My study lasted a year, with monthly sampling. In this time, I was able to analyze the temporal variation of the associated fauna. I also looked at relationships between the fauna present and environmental factors, such as the amount of organic matter at the collection site and within the sponge itself, using the dry weight as a parameter. Example of bivalve molluscs found inside and on top of the sponge Tedania ignis: a) Modiolos carvalho; b) Sphenia antillensis; c) Isognomon bicolor; d) Lithophaga bisculata (no scale). (Photos by Lilian Pavani). An interesting thing I found out about this sponge is that most of the organisms live on its surface. These external organisms (epibiont fauna) were more affected by the amount of organic matter present in the environment than the animals inside of the sponge. The epibiont fauna also changed more temporally, showing that environmental factors (specifically food availability) were most important for these external animals. A curious thing I noticed in this study is that, contrary to what I initially thought, large sponges (heavier dry weight) do not host more organisms inside. While I didn’t study the size of my sponge’s chambers, I found out from other studies that the fauna that live inside of sponges are more influenced by the size and shape of their chambers than by the sponge’s total size, and apparently there’s a preference for small chambers. Probably, when a small sponge grows, its chambers grow as well, which makes its interior less appealing to the endobiotic animals. Big canals may offer smaller niche diversity and less protection than smaller canals. Longitudinal cut of the sponge T. ignis, detail of the canals. In grey: marine sediments, the main source of filtered food by sponges. (Photograph by Mariana Fernandes and Izadora Mattiello) And that’s how sponges taught me to write a scientific proposal and initiated me to marine science. I have eternal admiration, gratitude, and love for them! About the author: Lilian is a biologist, she holds a Masters in Ecology with a specialty in Environmental Engineering from the University Estadual of Campinas. She is a lover of sponges and other marine invertebrates, especially the colorful ones. After sailing through the world of sponges, algae, amphipods, and petroleum, the winds eventually took her down other literal roads, where she worked studying roadkill and doing environmental management and supervision of highway construction. She has diverse interests including education, innovation, and cooking. Lilian plays the flute with an amateur group of musicians, writes creatively, and enjoys bird watching. She lives with her feet in the sand and sort of between tides. #MarineBiology #Corals #Sponges #MarineScience #Guests

  • Uma história sobre esponjas

    Por Lilian Pavani Apaixonar-se é meio assim, inesperado, inexplicável, incompreensível. De repente, pronto: é amor! Mais curioso é quando isso ocorre em relação a algo tão diferente de você, como uma esponja – e não estou falando do nosso amigo Bob, aquele da calça quadrada. Pois bem, aconteceu comigo. Quando decidi estudar biologia, gostava de biologia marinha, biologia celular e queria fazer pesquisa. A biologia celular foi deixada de lado ainda no primeiro semestre da faculdade. Mas a biologia marinha continuava lá, esperando uma oportunidade para ser testada. Mas o que era a biologia marinha para mim até então? Praia e recifes de coral cheios de peixinhos, como eu tinha visto em Porto de Galinhas. O que eu ia estudar eu realmente não fazia a menor ideia. Quando comecei a estudar zoologia dos invertebrados, além do susto de descobrir que havia mais de trinta filos de animais, e não apenas os nove que eu havia estudado na escola, eu olhei pela primeira vez para as esponjas com outros olhos. Pode algum organismo ser mais aleatório do que uma esponja? As esponjas não tem tecidos verdadeiros (não possuem lâmina basal), portanto, não podemos falar em folhetos embrionários, celoma ou órgãos. São praticamente um aglomerado de células com funções diferentes e especializadas, que conseguem se organizar e constituir um organismo único, assimétrico, que come, cresce e se reproduz. E fazem tudo isso sem sair do lugar, pois são sésseis, e ainda enfeitam o ambiente com suas lindas cores!! Pronto, gamei! Esponja Tedania ignis, meu objeto de estudo (Foto de Renata Goodridge com licença CC00). Naquela disciplina, a cada aula um aluno poderia escolher um filo para fazer uma pequena apresentação de curiosidades. Claro que me voluntariei para falar das esponjas. E descobri mais: uma vez que são filtradoras, as esponjas são bioindicadoras da qualidade ambiental e, por serem sésseis, produzem metabólitos secundários usados para competir por espaço com outros organismos. E esses metabólitos possuem  interesse farmacêutico! Mais ou menos na mesma época li no jornal da faculdade que um rapaz da economia havia desenvolvido um estudo sobre os efeitos econômicos da queda do turismo e pesca na região de Ilhabela e São Sebastião, decorrentes de um vazamento de óleo que havia ocorrido algum tempo antes. Ahá! A luzes se acenderam: eu poderia estudar esponjas para descobrir mais sobre poluição nas praias! Tedania ignis incrustada em uma rocha (Fonte: Eduardo Hajdu). Na minha universidade não tinha ninguém especializado em esponjas, mas  as esponjas vivem em costão rochoso e praticamente todo mundo trabalhava com isso. Apesar de todos estarem envolvidos com a finalização do Projeto Biota, a minha orientadora me deu um voto de confiança e permitiu que eu fosse escrevendo um projeto enquanto fazia um estágio no laboratório. Mas eu teria que incluir anfípodes (pequenos crustáceos que me renderiam  um mestrado mais tarde) e deixar um pouco de lado a poluição. No começo aquilo me chateou, mas somente até eu perceber o mundo que poderia caber dentro de uma esponja, ou mesmo sobre ela. Elas funcionam como substrato secundário para a vida marinha, ou seja, ampliam a área de ocupação dos costões rochosos permitindo que muito mais organismos morem ali, pois oferecem uma série de microhabitats especialmente para organismos juvenis, contribuindo assim para a biodiversidade local. Para o meu estudo escolhi a esponja Tedania ignis, popularmente chamada de esponja de fogo, uma vez que pode provocar dermatites parecidas com queimaduras em contato com a pele. Essa esponja vive em locais de fácil acesso e pude coletá-la sem o auxílio de equipamento de mergulho, sempre em maré de sizígia (maré de grande amplitude que ocorre durante a lua cheia e a lua nova). Nesse período de maré bem baixa essas esponjas são facilmente avistadas no costão rochoso. No laboratório, a cada triagem eu fui descobrindo vários organismos marinhos que nunca tinha visto, como pequenos hidrozoários e picnogonidas (aranhas-do-mar), ou então encontrava “miniaturas” de outros mais conhecidos, como bivalves. E que surpresa era abrir uma câmara e descobrir lá dentro um “ninho” de nematodas! Foi uma atividade realmente muito prazerosa. Meu estudo durou um ano, com amostragens mensais. Assim pude analisar a variação temporal da fauna acompanhante, buscando alguma relação com fatores ambientais, como a quantidade de matéria orgânica do local de coleta, e também com a própria esponja, utilizando seu peso seco como parâmetro. Exemplo de moluscos bivalves encontrados tanto dentro como sobre a esponja Tedania ignis: a. Modiolos carvalhoi; b. Sphenia antillensis; c. Isognomon bicolor; d. Lithophaga bisculata (foto sem escala). Fonte: Lilian Pavani. O que descobri é que nessa esponja a maioria  dos organismos vive sobre sua superfície. Esses organismos que habitam o lado externo foram mais afetados pela quantidade de matéria orgânica presente no ambiente e pela variação do tempo do que aqueles do interior da esponja, indicando que para a fauna epibionte os fatores ambientais, principalmente recursos alimentares (matéria orgânica em suspensão), são mais importantes. O curioso desse estudo foi que pensei que quanto maior a esponja (maior peso seco), maior seria a quantidade de organismos em seu interior. Mas o resultado foi exatamente o contrário! Embora eu não tenha estudado o tamanho das câmaras dessa esponja, descobri em outros trabalhos que a fauna que vive dentro das esponjas é influenciada pelo tamanho e formato de suas câmaras mais que pelo tamanho total da esponja, e que parece haver uma preferência por câmaras pequenas. Provavelmente, quando a esponja estudada cresce, suas câmaras crescem também, o que torna seu interior menos interessante para os animais endobiontes, pois canais grandes podem oferecer menor diversidade de nichos do que canais pequenos. Corte longitudinal da esponja T. ignis, com detalhe para os canais. Em cinza, o sedimento marinho, principal fonte de alimento filtrado pelas esponjas. Fonte: Mariana Fernandes e Izadora Mttiello. E assim as esponjas me ensinaram a escrever um projeto de iniciação científica e permitiram o meu primeiro contato com as ciências do mar. Tenho por elas admiração, gratidão e amor eternos <3 ! Sobre Lilian Pavani: Bióloga, mestre em ecologia e especialista em engenharia ambiental pela Universidade Estadual de Campinas, amante de esponjas e outros invertebrados marinhos, principalmente os coloridos. Após navegar entre esponjas, algas, anfípodes e petróleo, as correntes e ventos a levaram literalmente a outras estradas, onde atuou no estudo de fauna atropelada, supervisão e gerenciamento ambiental de obras de rodovias. Nutre interesses muito diversos como educação, inovação e cozinha, toca flauta doce em um grupo amador de música antiga, escreve pensamentos e observa pássaros. Enfim, vive com os pés na areia e meio que assim, entre marés. #biologiamarinha #convidados #corais #esponjas #iniciaçãocientífica #ciênciasdomar #lilianpavani

  • Até os peixes amam praia

    Por Jana M. del Favero As praias podem parecer um ambiente sem vida, pois o que enxergamos facilmente é apenas a areia e o mar. Então, se prestarmos um pouco mais de atenção, lembramos dos caranguejos, dos tatuís, das bolachas da praia e nossa opinião começa a mudar. Daí vamos para um mergulho e, às vezes, mesmo estando bem no raso é possível avistar alguns peixes. A quantidade de peixe avistada é mínima se compararmos com o que é visto ao nadar perto de um recife de coral ou perto de um costão rochoso. Mesmo sem ter uma fenda na rocha, um buraco no coral ou uma raiz do manguezal para protegê-los, é possível notar alguns peixinhos “brigando” com aquele vai e vem das ondas. E foi exatamente esse grupo de peixes que resolvi estudar durante o meu mestrado, os peixes da zona rasa de ambientes de praias. O principal objetivo do trabalho foi analisar a influência das  variáveis ambientais (diferentes praias, marés, estações do ano, salinidade e temperatura) na composição e estruturação da ictiofauna (= fauna de peixes) de ambientes praiais. Para obter os dados do meu projeto, coletei, com a ajuda dos técnicos da base de pesquisa do IO-USP localizada em Cananéia (SP), os peixes de três praias situadas na Ilha Comprida e três na Ilha do Cardoso, sul do estado de São Paulo (ou seja, tive a oportunidade de viajar durante um ano para um cantinho especial, como dito no post “Internacionalizar é preciso”). Essas praias tinham diferentes graus de exposição em relação às águas do estuário (para definição de estuário clique aqui): duas mais voltadas para o interior do estuário, onde quase não se observavam ondas e havia influência das águas estuarinas, duas intermediárias e duas expostas, com ondas maiores e mais fortes e sem influência das águas estuarinas. Para essa coleta utilizamos uma rede chamada de “picaré”, que é arrastada manualmente por duas pessoas, uma em cada ponta. Foto 1: Coletando com a rede “picaré” em uma praia “exposta” e em uma “abrigada” da Ilha Comprida (SP) (Fotos por Jana del Favero com licença CC BY SA 4.0.). No total foram amostradas 57 espécies de peixes, a maioria em sua fase juvenil, com principal variação de tamanho de 0.4 a 6 cm. Foram também amostradas algumas larvas (ver post A vida "dura" de um peixe marinho bebê). Quanto mais protegida a praia, maior a quantidade de indivíduos amostrados e maior o número de espécies. Por outro lado, as praias mais expostas apresentaram alta dominância de poucas espécies, principalmente de pampos (gênero Trachinotus) e de tainhas e paratis (gênero Mugil). Foto 2: Trachinotus carolinus (Pampo), esquerda (A e B); e Mugil curema (Parati), direita (C e D). As fotos superiores mostram indivíduos jovens, enquanto as inferiores mostram adultos. (Fotos A e D por Jana M. del Favero, licença CC BY SA 4.0 / Foto B por Trevor Meyer, licença CC BY NC / Foto D por Carla Elliff, licença CC BY). Os peixes utilizam a área estudada por diferentes motivos: alguns utilizam como área para o crescimento, (apesar da falta de “esconderijos” como citado no começo do texto, o simples fato da área ser  rasa já impede que predadores de maior tamanho venham se alimentar, oferecendo proteção aos pequenos), outros como uma rota de migração entre o oceano e o estuário, e apenas uma espécie, o Peixe- rei (Atherinella brasiliensis) pode ser classificada como residente, ou seja, o peixe passa todas as fases de seu desenvolvimento (larvas, jovens e adultos) naquela mesma região ao longo do ano. Foto 3: Menticirrhus littoralis, exemplo de uma espécie que utilizou a área estudada para o crescimento (até mesmo o maior indivíduo da foto ainda era jovem) (Foto por Jana del Favero com licença CC BY SA 4.0.). Um peixe da Califórnia, EUA, que pertence à mesma família do nosso Peixe -rei (família Atherinopsidae), utiliza a praia de uma maneira bastante diferente: eles saem completamente da água para desovar na areia. O mais interessante é que eles saem aos milhares, então a praia fica cheia de peixes “dançando”. Vale a pena ver o vídeo: Outro fato interessante é que a maior quantidade de peixe e a maior diversidade é obtida durante o verão, estação na qual também ocorrem os maiores impactos nas praias por causa do turismo, como o aumento de lixo! Se interessou pelo assunto? Minha dissertação pode ser obtida no seguinte clicando aqui. Boa praia a todos! #ciênciasdomar #janamdelfavero #peixes #praia

  • Mudanças Climáticas ou Aquecimento Global?

    Por Carolina Barnez Gramcianinov Texto original: Tempo.com Encontramos na internet ou na TV um monte de notícias sobre o aquecimento global. As vezes ouvimos a expressão "mudanças climáticas". Será que esses termos querem dizer a mesma coisa? De forma simples, o aquecimento global é um dos maiores sintomas das mudanças climáticas causadas pelo homem. Imagem de Gerd Altmann por Pixabay. Muitas vezes para dar um tom apelativo às reportagens e artigos usa-se aquecimento global como sinônimo de mudanças climáticas, gerando certos equívocos na transmissão de informações científicas. De forma simples podemos encarar o aquecimento global como um dos maiores sintomas das mudanças climáticas causadas pelo homem. Aquecimento global se refere apenas ao aumento da temperatura média da superfície da Terra, enquanto mudanças climáticas é um termo mais genérico que abrange este aquecimento e seus efeitos secundários, como derretimento do gelo, aumento de chuvas ou períodos de seca em algumas regiões, aumento do nível do mar e etc. Além disso, normalmente o termo aquecimento global é empregado para falar do aquecimento causado pelas atividades humanas. Já mudanças climáticas engloba tanto mudanças causadas pelo homem quanto variações naturais do clima. A elevação da temperatura média na superfície do planeta ocorre devido ao rápido aumento do dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa na atmosfera provenientes principalmente da queima de carbono, petróleo e gás. O homem também pode influenciar o clima através da emissão de partículas chamadas aerossóis e transformação de paisagens, como desmatamento, por exemplo. Por que falamos "Aquecimento Global"? O termo aquecimento global foi usado a primeira vez pelo geoquímico Wallace Broecker em 1975 (Science). Naquela época os cientistas já percebiam que as atividades humanas podiam impactar o clima, porém, ainda não se sabia quais seriam as consequências. Qual efeito dominaria o clima? Resfriamento pela emissão de aerossóis ou aquecimento pela emissão dos gases de efeito estufa? A tendência da temperatura global na superfície da Terra é positiva na maior parte do planeta. Áreas em cinza não possuem dados suficientes para o cálculo da tendência. Fonte: NOAA Climate Em 1979, um grupo de cientistas estudou o impacto do dióxido de carbono (CO2) no clima. Nesse trabalho o termo de Broecker "aquecimento global" foi retomado para falar do aumento da temperatura média da superfície da Terra devido ao aumento do CO2 na atmosfera. No entanto, a expressão mudanças climáticas foi usado para discutir as outras consequências induzidas pelo aumento de CO2. O uso do termo aquecimento global gera confusão quando mal explicado ou mal usado. Muitos questionam "como pode estar ocorrendo aquecimento global se tal região está ficando mais fria?" Apesar da temperatura em algumas regiões do globo estarem diminuindo, em outras a temperatura está aumentando ainda mais. Desta forma, quando se faz a média das temperaturas na superfície em várias regiões do planeta, observa-se um aumento. Variabilidade Natural vs. Atividades Humanas Muitos cientistas preferem usar o termo mudanças climáticas em seus estudos. Separar os efeitos da variabilidade natural dos efeitos causados pelo homem não é uma tarefa fácil e esse trabalho é feito através de simulações do clima em situações distintas - por exemplo, sem o aumento dos gases do efeito estufa por atividades humanas e com o aumento de emissões como temos hoje. Sabemos que o planeta já passou por mudanças climáticas, mas a temperatura média global está aumentando mais rápido se comparado com registros prévios. Fonte: NOAA Climate O planeta já experimentou mudanças climáticas ao longo de seus 4,54 bilhões de anos, com eras do gelo e períodos mais quentes. Porém o aumento atual da temperatura média global parece estar ocorrendo muito mais rápido que em qualquer outro ponto do nosso registro de temperatura. Por isso acreditamos que o aquecimento global é um tipo de mudança climática sem precedentes, e está gerando um série de efeitos secundários em nosso sistema climático. Sobre Carolina B. Gramcianinov: Sou oceanógrafa pelo IO-USP, onde também fiz mestrado em Oceanografia Física. Sempre quis saber mais sobre o impacto do oceanos no tempo e clima da Terra, o que me motivou a entrar no doutorado em Meteorologia no IAG-USP. Meus maiores interesses estão relacionados à física dos oceanos e atmosfera e seus impactos em outros processos ambientais e nas atividades humanas. Acredito que um entendimento integrado dos fenômenos meteológicos e oceanográficos é fundamental para a compreensão do sistema climático e previsão do tempo e estado do mar.  A autora já publicou outro post aqui no blog, relembre: Os furacões e seus nomes. #CarolinaBarnezGramcianinov #aquecimentoglobal #mudançasclimáticas #descomplicando #convidados

  • Por que achamos que os tubarões são maus?

    Por Raquel Lubambo Ostrovski Você tem medo de tubarões? A maioria das pessoas responde “Sim”. Mas então eu pergunto: “Você já viu um tubarão de perto?” A maioria das pessoas responde “Não”. Mas como ter medo de algo que você nunca presenciou? Continue lendo que eu vou te explicar. Atualmente, temos passado muitas horas do nosso dia em contato com as mídias, sejam elas os tradicionais programas de televisão ou também o Facebook, o Instagram, e até mesmo lendo esse texto on-line. A informação chega até nós rapidamente e o tempo todo. Mas será que tudo o que é compartilhado pela mídia pode ser considerado representativo da realidade? Ou será que algumas das coisas que lemos e vemos são romantizadas e dramatizadas, constituindo um tipo de “marketing” voltado apenas para o entretenimento? É isso que acontece com muita informação envolvendo animais selvagens, principalmente aqueles que têm “cara de mau”. Como a natureza não “fala por si”, cabe a nós cientistas mostrarmos como ela realmente é, porque o papel de cada ser vivo é muitas vezes é distorcido pela falta de informação. Tubarão Branco (Carcharodon carcharias) nadando tranquilamente em seu habitat natural. (Fonte: foto por Flickr, link) Desde criança sou apaixonada por tubarões, e consequentemente ouvia muito: “nossa, não poderia escolher um animal com menos dentes?”. Ouvia também “você ainda vai perder uma perna”, entre outros comentários negativos. Sempre assisti filmes, documentários e notícias sobre esses animais, e notava que a maioria passava uma imagem bem negativa desses peixes cartilaginosos, como se eles fossem algum tipo de “máquina mortífera”. Nunca liguei muito para isso, pois sempre reconheci a importância dos tubarões para os ecossistemas marinhos. Como predadores no topo da cadeia alimentar, os tubarões acabam sendo responsáveis por manter os ecossistemas saudáveis. Por exemplo, entre caçar um peixe saudável e forte ou caçar um que esteja doente e fraco, adivinha qual é a presa preferida? Acertou quem disse o doente e fraco! Dessa forma, os tubarões economizam energia na caçada e ao mesmo tempo evitam a proliferação de doenças entre os organismos. Além disso, os tubarões também fazem um controle populacional dos peixes; imagine o que aconteceria se eles sumissem! E foi isso que me instigou a pesquisar mais sobre como a mídia pode influenciar a percepção das pessoas, neste caso, os tubarões. Há décadas muitos pesquisadores vêm estudando a influência da mídia sobre nossa mente, e já é sabido como ela pode nos manipular. Os documentários de tubarões, narrativas com foco nos ataques a outros animais, com músicas de filmes de terror ao fundo, ou notícias de ataques a humanos, dando detalhes do “estrago” feito pelo tubarão, gera muita repercussão e contribuem para criar um imaginário popular do animal como uma máquina mortífera, extremamente violenta e que caça seres humanos. Você provavelmente já viu o filme “Tubarão” de Steven Spielberg e treme só de pensar na música-tema. Uma pesquisa recente mostrou que antes do filme, ninguém nem imaginava que esse animal atacava humanos; entretanto, depois do filme, o medo foi tão concretizado na mente das pessoas, que elas começaram a sair para caçar todos os tubarões que pudessem. Isso acabou causando uma diminuição nas populações desses animais em grande parte dos ambientes marinhos, deixando muitas espécies em algum grau de ameaça de extinção. Por outro lado, comunidades tradicionais litorâneas, que mantinham um convívio diário e saudável com os mesmos, não tinham nenhum medo. Capa do famoso filme “Tubarão” de Steven Spielberg, em 1975. (Fonte: foto por Flickr, link) Assim, meu trabalho teve o objetivo de mostrar como as mídias podem influenciar a percepção das pessoas sobre os tubarões, e se isso pode ter impactos na sua conservação. Utilizando um questionário on-line, entrevistei cerca de 350 pessoas de diversas idades, níveis de escolaridade, localizações na cidade do Rio de Janeiro e, principalmente, com as mais diversas opiniões. No questionário, perguntei quais filmes/documentários/outras mídias o entrevistado já tinha visto e, com as respostas, comparei para determinar se havia uma relação entre os fatores analisados. A maioria das pessoas nunca viu um tubarão pessoalmente, mas gostaria de ver. E quase todos, apesar de terem medo do animal, também têm uma boa noção de como é necessário preservá-los. Além disso, depois de algumas análises estatísticas, foi constatado que quanto mais as pessoas assistem mídias com conteúdo mais positivo, ou seja, que passam imagens do animal em seu ambiente natural, e não apenas como máquina mortífera, menos medo elas sentem. Do mesmo modo, quanto mais mídias com conteúdo negativo as pessoas vêem também há menos medo. Apesar de ser um resultado confuso, ele pode ser explicado pelo fato da pessoa, que tem pouco ou não tem medo de tubarões, procurar mais mídias em que esse animal aparece pela simples diversão, curiosidade, instrução ou prazer de assistir, como eu mesma faço. Pessoas que tem muito medo costumam evitar esses tipos de mídias. Por fim, foi pedido às pessoas para explicarem o porquê de seu medo de tubarões, e a partir das respostas foram construídas as duas imagens abaixo. As figuras mostram as palavras mais citadas nas respostas, em tamanho proporcional à sua ocorrência: a figura em vermelho foi construída reunindo as frases das pessoas com mais medo (6 a 10) e a figura em azul com as respostas das pessoas menos medo (0-5). O resultado foi surpreendente! É facilmente perceptível que no vermelho (medo maior: 6-10) as pessoas têm uma visão desse animal relacionada a um monstro matador, com a prevalência de palavras como “medo”, “predador”, “ataque” e “filme”, confirmando nossa hipótese sobre a influência da mídia na percepção sobre o animal. Já na figura azul (medo menor: 0-5) as palavras têm significado mais ameno, mostrando que as pessoas que têm menos medo não são tão influenciadas pela mídia (palavras como "ataques raros" e a ausência de palavras relacionando as mídias, como “filme”) e até reconhecem sua importância ecológica (palavras como "respeito") e sua possibilidade de extinção global (palavras como "ameaçado"). Word Cloud da escala de medo 6-10, muito medo. Word Cloud da escala de medo 0-5, pouco medo. Apesar dos resultados dessa pesquisa, não devemos desconsiderar o poder de ataque dos tubarões. Não significa que devemos ignorar as placas de aviso de ataques e correr para o mar, nos expondo a um risco desnecessário. Em alguns locais, devido aos desequilíbrios ecológicos e outros fatores ambientais, há sim sérios riscos de ataques de tubarões a banhistas e surfistas, como na Praia de Boa Viagem, em Recife (Pernambuco). Os resultados aqui expostos servem de alerta para olharmos as informações da mídia com cautela e visão crítica, para não acreditarmos em todas as informações que chegam a nós, porque elas podem ser exageradas ou tendenciosas. Estudar esses animais e protegê-los de alguma forma é a minha missão neste mundo. Não devemos temer a eles, e sim compreender a sua importância para o ambiente marinho. Espero que, daqui pra frente, veja com olhar mais crítico toda a informação sobre tubarões que chegar até você, a fim de saber distinguir o que é importante sobre a realidade do animal e o que é apenas marketing negativo e entretenimento. E que você passe essa ideia adiante, para que o mundo conheça e valorize esses gigantes donos do mar. Tubarões são de extrema importância ecológica, como já mencionei no início do texto, para controle de populações e de disseminação de doenças no ambiente marinho. São passivos no geral e ativos para caça e defesa; se alimentam principalmente de peixes, lulas, raias e crustáceos. Os ataques de tubarões são eventos extremamente raros em escala mundial, calculado em aproximadamente 15 casos por ano, e todos decorrentes de regiões com alguma modificação antrópica que prejudicou a cadeia alimentar local. Já estive na presença de tubarões e inclusive já mergulhei com eles na África do Sul. Eles eram o animais tranquilos que não me fizeram mal algum. Entretanto, não é recomendável que você se aproxime, pois como são animais selvagens, são muito imprevisíveis. Isso significa que você não tem como saber se representa uma ameaça ou não, então é melhor deixá-los em paz. Sempre que estiver em um local com alertas de ataques, como em algumas praias sinalizadas com placas, apenas evite entrar na água. Você não se machuca e eles não se estressam. ... Os resultados que encontrei neste trabalho foram publicados em: https://ethnobioconservation.com/index.php/ebc/article/view/426 ... --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Sobre a autora: Raquel é estudante de Ciências Biológicas da PUC-Rio, que trabalha em um laboratório sobre ecologia marinha e biotecnologia pesqueira da UFRJ e atualmente estuda populações de tubarões no estado do Rio de Janeiro e os impactos da pesca sobre a teia trófica do mesmo. É apaixonada por trabalhos envolvendo Etnobiologia, porque adora interagir com as pessoas e compartilhar de seus conhecimentos, além de estar em campo e perto do mar, o melhor lugar para ela. Instagram: @raquelubambo E-mail para contato: raquelubambo@gmail.com #tubarão #conservação #divulgaçãocientífica #mídia #ciênciasdomar #entretenimento #convidados

  • Primary producer dynamics and deep convective overturn in the Mediterranean Sea

    A 3D high resolution approach By Fayçal Kessouri Edited by Katyanne M. Shoemaker My work focuses on modeling plankton ecosystems using a physical-biogeochemical coupled model. This kind of modeling is a 3D virtual representation of the main constituents of the lowest trophic level of a marine ecosystem. It includes plankton, bacteria, and the nutrients that support them under realistic hydrological conditions and atmospheric forcing. The biogeochemical model I use shows the impact of current dynamics on the nutrients that support the marine plankton including nitrate, phosphate, and silicate. How are they distributed in the ocean? How are they consumed? Who consumes them? The biogeochemical model shows only a part of the complex feedbacks between different components of the ecosystem. Some examples are as follows and are shown in figure 1 below: inorganic matter feeds the phytoplankton when certain abiotic conditions are available (enough light, stratified ocean layer), phytoplankton feed zooplankton, both of them produce organic matter. Organic matter is mineralized to inorganic matter, which then feed bacteria, which release dissolved inorganic and organic matter, and the cycle continues. Marine plankton are the foundation of all marine life. They influence fisheries, the world economy, and world health, and they have an important role of maintaining biodiversity. Plankton are composed of: 1- The phytoplankton: which contain the largest mass of marine plants in the world. Some estimates show that marine vegetation produces more than half of the oxygen we breathe on Earth. 2- The zooplankton: which feed on phytoplankton (see also Catarina’s post). They represent the largest diurnal animal migration in the world. 3- The bacterioplankton and virioplankton: making up the largest biomass on the planet, prokaryotes and viruses are often a forgotten aspect of classic marine food webs. The Mediterranean Sea lies between three continents (Europe, Africa and Asia) and therefore undergoes physical pressures from river discharge and atmospheric deposits of inorganic and organic matter, which has two levels of impacts: (1) overall balance of organic and inorganic matter in the whole sea, (2) eutrophication of coastal waters. One of our most important findings using this modeling is the quantification of all imports and exports of matter during the last ten years between the Mediterranean and the surrounding environments (continents and Atlantic Ocean). We have estimated that the Mediterranean enriches the Atlantic by more than 140 X 109 moles of nitrogen every year through the Strait of Gibraltar. The Mediterranean Sea has a common feature with the North Atlantic Ocean and the Antarctic Ocean: deep convection zones. In the Mediterranean, intense mixing is observed almost every winter for two months. Imagine a drop of water moving from the bottom of the Mediterranean at a depth of 2300 m and rising to the surface in a single day. This convective overturn from the gradients created by exchanges in surface heat and freshwater fluxes is the engine of global oceanic thermohaline circulation. This density-gradient driven circulation is estimated to be on the timescale of 70 years in the Mediterranean and 1000 years in the world ocean. The deep-water masses contain high concentrations of nutrients, which are propagated to the surface during the deep mixing events. When the mixing stops at the end of winter, some of these nutrients are trapped in the surface waters, and a huge plankton bloom occurs over an area of 5 000 to 20 000 km2 (figure 2). Phytoplankton blooms can be so large, many can be observed and estimated from space by Satellites, and are thus well modeled. The phytoplankton bloom takes directly above the site of deep convection, which is referred to as the northern gyre of the NW Mediterranean Sea. They gyre is surrounded by strong cyclonic currents (counterclockwise in the Northern hemisphere). About Fayçal Kessouri: I am currently a postdoc in the Ocean and Atmospheric department at the University of California in Los Angeles, CA, USA, and my Ph.D. was developed at Toulouse University in France (Laboratoire d’Aerologie). My field of work is oceanic biogeochemistry and 3D modeling of plankton ecosystems, especially oceanic physical forcing. I worked on the deep convection of the Mediterranean Sea impact on the plankton ecosystem, and currently I am working on the upwelling of the California Current System and its impact on acidification and hypoxia of the western US coast. My desire to get training in numerical modeling motivated me to work with a team of physicists to acquire a more integrated vision of ecosystem functioning and impacts. It has helped me to study dynamic processes such as the deep convection that has always fascinated me. I am convinced that modeling is the perfect tool to complement the networks of observations currently being made, especially if one wants to study different time and space scales. #fayçalkessouri #marinescience #modeling #plankton #invited #chat

  • For plankton, size matters

    By Catarina R. Marcolin Edited by Katyanne M. Shoemaker Today, I want to discuss a subject that has fascinated me since I started my PhD. We are often asked “What is you PhD about?” and the general reaction of grad students is simply to avoid the subject or to just reproduce the title (some long and complicated name that nearly nobody, let alone ourselves sometimes, is able to understand). Or we simply say that it is too hard to explain with simple words. Notice how this sounds like we think too much of ourselves: we are very smart and outsiders will never be able to understand what took us so long to embrace. Well, that is exactly the kind of attitude that the grad student should avoid. This blog is designed to be a place where academia may connect with society. I had a beloved professor that used to say that every grad student should be able to explain his/her project to his/her grandmother, and only once we accomplish that, would we finally be confortable with the theory behind our research. So, I’ll try to do exactly that, a little late I confess since I have already finished my PhD. I’ll explain in a simple – but not simplistic – way the work I developed during my PhD. I am interested in plankton, more specifically, the zooplankton! No, I’m not referring to SpongeBob’s villain, but they are nonetheless, interesting creatures worth knowing a bit more about. Zooplankton are tiny aquatic critters, usually invisible to the naked eye. They are traditionally described as organisms that travel with the currents because they don’t have enough “strength” to swim against it, due to their small size. But that does not mean they are lazy guys. On the contrary, many of them are able to vertically migrate large distances through the water column, sometimes hundreds of meters, on a daily basis. Zooplankton are very important in marine food webs, and they are also fundamental to other important processes in the oceans (we can discuss that in another post). These organisms feed on phytoplankton (the photosynthetic plankton that are to the oceans, what the trees are to the Amazon Forest) and are eaten by fish, which are ultimately eaten by larger fish, marine mammals including whales, and even us humans. So you can imagine that if there are few plankton in the area, there will also be less fish and other organisms in higher trophic levels. This includes a limited supply of fish for us, which means less sushi, and I love Japanese food! If zooplankton are so important in mediating the transfer of biomass and energy from primary producers (phytoplankton) to higher trophic levels (fish, birds, whales, man) then we must understand these feeding relationships very deeply, don’t you agree? Well, one of the golden rules in the ocean is that organisms always (or almost always) feed on organisms that are smaller than themselves. That is why size matters when zooplankton choose the dinner menu. Many researchers have studied the flow of biomass and energy through the trophic levels. For example, it has been calculated how much of a “dinner” is actually absorbed by a zooplankton and how much is left to the fish, birds and whales that feed on the same guy. This information can potentially explain a lot of things about the oceans. peixes, aves e baleias que se alimentam desse mesmo plâncton. E essa informação aparentemente tão simples tem potencial explicar um monte de coisas sobre nossos oceanos. But how? Well, if you measure the size of organisms, calculate their weights, and plot this information in a graph, such as the one in this page, you will notice that there is always more biomass accumulated in the small organisms than in the bigger ones. By accumulated biomass I mean the biomass of all organisms in that particular size range. What does that mean? It means that to satisfy the hunger of one big guy, it is necessary to have a whole bunch of small guys. You must remember there is energy loss in every “meal” because total nutrition is never absorbed with everything that we, or any other organisms, eat. Based on these facts, the biomass size spectra theory was developed. This theory relates the shape of the biomass distribution through size classes (and also the mathematical indices associated with it) with properties of the ecosystems. Personally, I think it is absolutely amazing how a simple mathematical index can be used to determine the energy transfer efficiency in an ecosystem, taking into account productivity, predator-prey interactions, and the number of trophic links in the oceans. My PhD was based on this theory with a scary name (spectra tends to conjure images of ghosts, no?), but the theory is not as complex as it seems. To get my data, I collected zooplankton samples with a simple net (as seen in the photo) aboard several cruises. When back in the lab, all I had to do was to scan my samples with a waterproof scanner (the ZooScan), and very useful software automatically classified, counted, and measured the size of each organism. I also learned how to program in R and Matlab to analyze the enormous amount of data for me, because life is short and I have other hobbies in addition to science to dedicate myself to, such as this blog! The results I found for the coast of Ubatuba, Sao Paulo and Abrolhos Bank revealed that the mathematical indices associated with the biomass size spectra theory can be used to detect differences in the zooplankton community caused by seasons and local features (water column stratification, depth, proximity of the coast). That means these indices are useful for monitoring oceanic ecosystems because they are easily calculated – granted you have technology to help – and there is no need to identify species, which is usually a time-consuming task when we are talking about plankton. If you are interested in the subject, my PhD dissertation is available at this link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/21/21134/tde-12052014-173357/pt-br.php. #chatcatarinarmarcolin #marinescience #plankton #chat

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