top of page

Resultados da Busca

534 resultados encontrados com uma busca vazia

  • Massas de água

    Por Juliana Leonel Os dados de salinidade e temperatura do mar servem, entre outras coisas, para identificar as massas de água, como já falamos no texto sobre CTD. Mas o que são massas de água? O conceito de massas de água veio da meteorologia, onde surgiu o conceito de massas de ar. No oceano, elas são parcelas de água do mar com origem conhecida e com parâmetros físico-químicos (valores de salinidade, temperatura, nível de oxigênio, etc) característicos, como se fosse uma assinatura. As massas de água têm densidades distintas e, por isso, não se misturam (facilmente). Isso faz com que a coluna de água dos oceanos não seja homogênea, mas sim estratificada em camadas: superficiais (0 - 500 m), intermediárias (500 - 1500 m), profundas/de fundo (> 1500 m). É como se as massas de água fossem os blocos a partir dos quais a estratificação oceânica é construída. A temperatura de uma determinada massa de água é em função da temperatura do ar no momento de sua formação. Isso se aplica até mesmo para as camadas de águas abaixo das superficiais e até já distantes de sua região de formação, suas características foram adquiridas quando estiveram em contato com a atmosfera. Por exemplo, quando formada em regiões polares, uma massa de água terá temperaturas muito baixas devido à perda de calor para a atmosfera. Essa perda de calor, também resulta em águas com maior capacidade de absorver oxigênio (lembre-se: a dissolução dos gases aumenta com a diminuição da temperatura e vice-versa). Essas e outras características das massas de água se preservam mesmo depois que elas afundam, se distanciam das suas regiões de origem e ficam até centenas de anos sem ter contato novamente com a atmosfera. É importante enfatizar que massa de água não é a mesma coisa que corrente oceânica. Na verdade, as correntes são as responsáveis pelo transporte das massas de água. Distribuição das principais massas de água ao longo da América do Sul (norte das Malvinas até a Guiana Francesa) com base nos dados de oxigênio dissolvido coletados pelo World Ocean Circulation Experiment (WOCE - A017) via Juliana L. com CC SA-BY 4.0. Siglas: ACAS - Água Central do Atlântico Sul, APAN - Água Profunda do Atlântico Norte, AFA - Água de Fundo Antártica, AIA - Água Intermediaria Antártica, UCDW - Água Profunda Circumpolar Superior, LCDW - Água Profunda Circumpolar Inferior. Como se originam as massas de água? As massas de água se formam em regiões distintas dos oceanos (nos pólos ou nos subtrópicos, por exemplo) e mantém as características dessas regiões. Tanto a formação como a circulação dessas massas de águas são guiadas por diferenças na densidade devido a mudanças na temperatura e salinidade. Entre todas as massas de água há duas que têm uma importância especial por serem responsáveis pela oxigenação das águas profundas dos oceanos: a água profunda do Atlântico Norte (APAN) e a água de fundo Antártica (AFA). Sem elas, a existência de organismos aeróbicos em zonas profundas dos oceanos, não seria possível. Além disso, são massas de água chaves na manutenção do clima do nosso planeta. A APAN e a AFA são formadas pelo processo de convecção (afundamento da água da camada de mistura devido ao aumento da densidade) em regiões polares onde a coluna de água é pouco estratificada (ou seja, as águas aqui são bem homogêneas). Enquanto que a formação de águas centrais, tais como a Água Central do Atlântico Sul (ACAS), ocorrem por subducção em regiões subtropicais; a subducção consiste no bombeamento para baixo da água do fundo da camada de mistura, através da convergência formada pelo transporte de Ekman. Isso faz com que a água afunde ao longo das linhas de densidade. Curiosidade: Já tomou banho de mar em Cabo Frio? Achou a água congelante apesar de estar nos trópicos? A ressurgência da ACAS é a responsável pelas baixas temperaturas da água nesta região. Processo de afundamento da água da camada de mistura via Bate-Papo com Netuno com com CC SA-BY 4.0. Como são formadas a APAN e a AFA? A formação APAN ocorre na região do oceano que lhe dá o nome, mais precisamente no Mar de Labrador. Quando as águas superficiais fluem para o norte, devido à evaporação, elas se tornam mais salgadas e quando chegam no norte do Atlântico Norte ficam mais frias. O aumento da salinidade e a diminuição da temperatura resulta no aumento da densidade dessa água, que afunda. A baixa temperatura dessas águas também favorece a solubilização de gases que, antes de afundarem e quando ainda estão em contato com atmosfera, acabam com uma maior quantidade de oxigênio dissolvido. Assim, a APAN é uma massa de água rica em oxigênio. A AFA é a massa de água mais densa e fria do oceano, com temperaturas até mesmo negativas. Ela é formada no Mar de Weddell e no Mar de Ross, localizadas na Antártica. Quando o vento oriundo do continente Antártico sopra na superfície do oceano, ele afasta parte do gelo superficial da costa, formando estruturas chamadas de polínias. A água superficial nas polínias é bem salgada, porque quando a água congela ela expele o sal, além de muito fria (no limite do congelamento). Consequentemente, ela é também bem densa e acaba afundando na plataforma continental e escoando pelo talude até alcançar o assoalho oceânico. Curiosidade: O termo polínia é emprestado da palavra russa полынья que se refere a buraco natural no gelo; ela foi adotada por explorados polares no século XIX para descrever partes navegáveis do mar. O primeiro registro de uso da palavra é de 1852. Polínias no Mar de Ross via Wikimedia com CC BY 2.0 Como é feita a identificação das massas de água? A técnica tradicional de identificação de massas de água usa parâmetros conservativos, ou seja, aqueles que não têm seus valores alterados por atividades biológicas, como temperatura potencial¹ e salinidade. Eles são representados em um diagrama T-S (Temperatura-Salinidade), método apresentado em 1916 por Helland-Hansen. O diagrama T-S é uma representação gráfica dos valores de temperatura potencial e salinidade, onde a temperatura é representada no eixo y e a salinidade no eixo x. Os valores são comparados com aqueles pré-estabelecidos e consolidados em estudos anteriores para cada massa de água. Cada ponto no gráfico corresponde a uma determinada densidade da água. Como uma mesma densidade pode ser obtida a partir de distintas combinações de temperatura e salinidade também é possível desenhar isolinhas (ou seja, linhas de mesmo valor) de densidade potencial² no diagrama T-S. Um método mais acurado para identificar massas de água é a análise multiparamétrica (ou seja, com o uso de medições de vários parâmetros) que, além dos parâmetros conservativos, usa alguns não-conservativos (oxigênio dissolvido e nutrientes inorgânicos - silicato, fosfato e nitrato). Nesse método, além do diagrama T-S, é possível plotar outros diagramas, como o T-O (temperatura-oxigênio) e S-O (salinidade-oxigênio), por exemplo. Representação de um diagrama T-S com linhas de densidade ao fundo; as cores representam valores de oxigênio dissolvido via via Juliana L. com CC SA-BY 4.0. Siglas: ACAS - Água Central do Atlântico Sul, APAN - Água Profunda do Atlântico Norte, AFA - Água de Fundo Antártica, AIA - Água Intermediaria Antártica, UCDW - Água Profunda Circumpolar Superior, LCDW - Água Profunda Circumpolar Inferior. As massas de água são responsáveis por distribuírem calor, sal, nutrientes e oxigênio pelas bacias oceânicas. No entanto, elas também transportam contaminantes e por isso, alguns podem ser encontrados em regiões bem afastadas de suas áreas de produção e uso. Nosso oceano é formado por muitas águas, mas todas estão conectadas. ¹A temperatura potencial é a temperatura de uma parcela de água sem o efeito da pressão da coluna d’água sobre ela, ou seja, aquela que qualquer parcela de água teria se fosse levada até a superfície dos oceanos de forma adiabática (sem troca de calor). ²Densidade potencial é a densidade de uma parcela de água calculada a partir da salinidade, da temperatura potencial e da pressão em um determinado nível de referência na coluna de água. #julianaleonel #descomplicando #massasdeágua #oceanografia #oceano #oceanografiafísica

  • Plásticos biodegradáveis: cuidado! Você pode estar sendo enganado

    Por Juliana Leonel Ilustração: Joana Dias Ho Plástico é um material orgânico sintético formado por um único tipo de polímero ou mistura destes (polímeros = macromoléculas formadas a partir da repetição de unidades estruturais menores). Dependendo da matriz polimérica usada, diferentes tipos de plásticos, com distintas características e propriedades, serão produzidos. Além do polímero formador do plástico, diversos aditivos podem ser inseridos na sua composição, tais como plastificantes, estabilizantes, corantes, retardantes de chama, entre outros. A principal matéria prima usada para a fabricação de plásticos é o petróleo. Entretanto, podem ser produzidos polímeros a partir de matrizes biológicas, como óleos e gorduras vegetais, amido de milho, feno etc. Esses polímeros recebem o nome de bioplásticos (do inglês bio based plastic). Além disso, alguns plásticos são produzidos pela mistura de polímeros oriundos dessas duas fontes (petróleo e biológica) [1]. Uma das características que fazem do plástico um material tão atrativo, a durabilidade, também faz com que sejam um problema ambiental e que seus detritos estejam presentes nos ecossistemas de todo o mundo, inclusive em fundos oceânicos a 6000 m de profundidade [2]. Uma vez no ambiente, fragmentos plásticos são responsáveis pela morte de diversas espécies, seja pelo sufocamento, por impedir a natação ou por causarem falsa sensação de saciedade quando ingeridos [3]. Um grupo específico, os microplásticos (plásticos com raio < 5 mm), além de causarem problema físicos à biota [4], podem servir como vetores para a distribuição de contaminantes (tais como praguicidas e elementos traços) que ficam aderidos na sua superfície e podem aumentar a taxa de sedimentação da matéria orgânica alterando a bomba biológica (responsável por remover CO2 atmosférico para o sedimento marinho) [5]. Além disso, a degradação dos plásticos, ainda que lenta, libera metano, um gás estufa com capacidade de aquecimento significativamente maior que o CO2 [6]. Com o objetivo de diminuir o tempo de permanência do plástico no ambiente e minimizar os problemas ambientais associados, novas tecnologias e matérias primas começaram a ser empregadas para produção dos polímeros. Você já pode ter ouvido falar neles, são os tais oxi-biodegradáveis, biodegradáveis, bioplásticos e compostáveis. Embora alguns textos apresentem alguns destes termos como sinônimos, eles podem ser bem diferentes! O termo biodegradável, por exemplo, pode ser bastante controverso. Todo material orgânico, inclusive o plástico, eventualmente irá biodegradar, seja depois de alguns dias ou de milhares de anos. Isso pode levar a ideia de que o termo biodegradável pode ser usado para qualquer tipo de plástico, indiferentemente do seu tempo de permanência no ambiente. Para evitar isso, existem alguns protocolos internacionais que definem de forma mais específica o termo. Um exemplo é a definição dada pela Sociedade Americana para Testes e Materiais (ASTM, American Society for Testing and Materials): Plástico Biodegradável é aquele em que "todo o carbono orgânico deverá ser convertido para biomassa, água, dióxido de carbono, e/ou metano via a ação natural de microrganismos de ocorrência natural, como bactérias e fungos, em um período de tempo consistente com as condições ambientais do método de disposição" (ASTM D883-18 [7]). Uma outra definição, dada pela Federal Trade Commission [8], considera biodegradável o produto que "se fragmentar completamente e retornar a natureza, isto é, que se decompor em elementos achados na natureza com um período de tempo razoavelmente curto (um ano) após a sua disposição" Em busca de aumentar a degradabilidade dos plásticos, a partir dos anos 2000, os oxi-biodegradáveis (do inglês oxo-degradable) ficaram muito conhecidos com a proposta de aumentar a velocidade de degradação do material. Para isso, introduziram aditivos aos plásticos convencionais para acelerar o processo de oxidação. Dessa forma, quando expostos a luz UV, oxigênio e calor, o material rapidamente se fragmentava em pedaços menores, os microplásticos, e o problema aparentemente "desapareceria". No entanto, hoje sabe-se que os microplásticos também são um grande problema ambiental, conforme descrito anteriormente. Por isso, o uso de plásticos oxi-biodegradáveis não é mais aceito como uma alternativa ecologicamente correta [9]. Ademais, existe um questionamento sobre quais seriam as consequências ambientais dos aditivos inseridos no polímero para acelerar a fragmentação. No Brasil, existe a norma ABNT PE-308.01 que trata dos critérios dos plásticos oxi-biodegradáveis; vale ressaltar que a norma é de 2004 e muito do nosso conhecimento sobre o assunto já evoluiu desde lá. Além disso, algumas empresas citam os métodos descritos pela ASTM D6954-4 [10] para atestar que seus produtos oxi-biodegradáveis passaram nos testes de oxidação e biodegradação. No entanto, a ASTM D6954-4, tambem de 2004, já foi inclusive suspensa e substituída por outra mais nova (ASTM D6954-18) que incorpora os conhecimentos mais recentes sobre o assunto. Por fim, o próprio Ministério do Meio Ambiente não endossa o uso de plásticos oxi-biodegradáveis em função dos riscos que representam ao ambiente [11]. Preste atenção na embalagem de algumas marcas de canudos e/ou sacolas plásticas e você poderá identificar algumas dessas características: Contém aditivo oxi-biodegradável que atende a norma AST D6954-4, ou seja, aquela de 2004 que já foi suspensa; 36 meses (=2,5 anos) para ser biodegradado totalmente, sendo que até mesmo a AST D6954-4 já exigia biodegradação em no máximo 2 anos. Nos últimos anos, a produção de bioplásticos cresceu bastante e cada vez mais a indústria tem explorado essa matriz vegetal como uma solução para o problema ambiental do plástico. Mas o que é o bioplástico? Conforme explicado anteriormente, é o plástico que tem o seu polímero sintetizado a partir de uma matriz biológica, como cana-de-açúcar, mandioca, etc. É muito importante ficar atento para o fato que bioplástico não é necessariamente sinônimo para plástico biodegradável. Duas vantagens do bioplástico: a) não ser oriundo de uma matriz ligada a diversos problemas sócio-político-econômicos e ambientais (o petróleo, lembram?) e b) a sua produção pode liberar menos carbono que a quantidade que foi assimilada pelas plantas usadas para manufaturar o polímero, um passo importante em favor da diminuição da geração de gases estufas. No entanto, não podemos deixar de levantar pelo menos duas questões: 1. O bioplástico pode ser classificado como biodegradável? 2. Qual o impacto do aumento do uso de matrizes vegetais em questões como desmatamento, segurança alimentar e uso do solo? Para discutir esses tópicos, vamos falar do caso do bioplástico I'm green, produzido pela Braskem a partir da cana-de-açúcar. Recentemente, a Carbon Trust (companhia que ajuda governos, organizações e empresas a reduzirem suas emissões de carbono) reconheceu que o mecanismo de produção do I'm green consome mais carbono do que libera [12], o que é uma coisa boa! No entanto, o I'm green é um polietileno como qualquer outro e tem as mesmas características daquele produzido usando petróleo. Ou seja, se ele não for corretamente destinado depois do uso para uma planta de reciclagem, ele irá parar no ambiente onde permanecerá por centenas de anos. Embora existam bioplásticos que são biodegradáveis, o uso do termo como sinônimos não é correto e leva a interpretações equivocadas dos benefícios ambientais de cada um deles. Um exemplo de bioplástico que é também biodegradável é o ácido poliláctico produzido a partir de amido de milho ou cana-de-açúcar ou mandioca [13]. Com relação ao segundo ponto, a Braskem tem o compromisso de só usar cana-de açúcar de áreas que se expandiram sobre terrenos de pastagens esgotados. No entanto, é preciso considerar que isso pode estimular o desmatamento, uma vez que o agropecuarista irá procurar outras áreas para pastagens. Além de intensificar o efeito estufa, o desflorestamento também pode alterar o regime de chuvas. Esse é um ponto especialmente importante de ser considerado principalmente quando há um Projeto de Lei (PLS 626/2011) que objetiva liberar o cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia Legal [14]. Por fim, temos os plásticos compostáveis que, segundo a ASTM 6400 [15], são materiais que, quando em uma planta de compostagem, devem "degradar por processos biológicos e durante a compostagem produzir CO2, água, compostos inorgânicos, e biomassa em uma taxa consistente com o de outros materiais conhecidamente compostáveis, e não deve deixar nenhum resíduo visível, distinguível ou tóxico" em um máximo de 180 dias. Segundo essa definição nem todos os plásticos biodegradáveis são compostáveis. E para evitar confusões, a Califórnia, por exemplo, proibiu o uso do termo biodegradável em sacolas, copos e containers de alimento e só permite o uso do termo compostável, para os materiais que realmente o são [16]. Além da composição do polímero, na hora de avaliar a melhor opção, deve-se levar em conta os aditivos que são incorporados no produto final bem como as condições ambientais na qual o material se encontra no momento da decomposição [17]. Por exemplo, alguns plásticos só irão se decompor em condições específicas de temperatura e oxigênio e às vezes estas só são encontradas em plantas de compostagem específicas; isso significa que se esse material for parar no aterro sanitário a sua decomposição poderá demorar muito mais tempo do que esperado. Nesse contexto, um outro problema associado a permanência dos plásticos no ambiente é a forma como estes são descartados após o uso. No caso de plásticos compostáveis, estes devem ser separados do material reciclável para evitar o comprometimento deste. Da mesma forma, não devem ser misturados com os resíduos que serão enviados para o aterro sanitário. A essa altura, você consumidor já deve estar confuso com tantas opções e tanta falta de padronização. Como saber qual a melhor alternativa do ponto de vista ambiental? Antes de mais nada, é necessário nos mantermos atentos e questionar, pois algumas marcas usam técnica de greenwashing (tradução direta: lavagem verde), ou seja, anunciam um produto com mais benefícios ambientais do que ele realmente tem. Nesse contexto, é comum encontrarmos embalagens com partes verdes, desenhos de folhas, com palavras como "green", "eco", "bio", sem explicar a que se referem exatamente, mas passando a ideia de um produto menos danoso ao ambiente. Assim como há duas décadas acreditava-se que o plástico oxi-biodegradável era a melhor alternativa, hoje há uma tendência em direção aos bioplásticos devido ao seu potencial de diminuir os impactos de produção. Mas se você quer garantir um menor impacto no mundo, a saída é evitar o consumo de plásticos sempre que possível! Mas como faço isso? Com pequenas mudanças de hábito: 1. Usando reutilizáveis (copo, caneca, canudo, talheres, por exemplo) e, é lógico, lembrando de carregá-lo sempre; 2. Usando sacolas reutilizáveis para as compras; 3. Fazendo compras a granel, pois aí você pode usar vidros ou sacos de plástico/tecido reutilizáveis; 4. Optando por comprar frutas, legumes e demais vegetais que não venham embalado em plástico filme; 5. Substituindo a sacolinha no pote de lixo por um saquinho de papel (pode ser um feito de jornal ou aquele em que vem o pão); 6. Substituindo o absorvente de uso único por calcinhas absorventes, copinhos ou qualquer outra opção disponível no mercado que melhor lhe agrade; 7. Repensando seus hábitos de consumo de uma forma em geral, antes de comprar pare e pense “eu realmente preciso disso?”; 8. Disseminando essas ideias. E, se não for possível evitar, a melhor opção é separar o plástico e destiná-lo para a reciclagem depois do uso. E você, qual dicas têm para adicionar nessa lista? Compartilha com a gente. Referências: 1. Álvarez-Chávez, C. R.; Edwards, S.; Moure-Eraso, R.; Geiser, K. (2012) .Sustainability of bio-based plastics: general comparative analysis and recommendations for improvement. Journal of Cleaner Production 23:47-56. 2. Chiba, S.; Saito, H.; Fletcher, R.; Yogi, T.; Kayo, M., Miyagi, S.; Ogido, M.; Fujikura, K. (2018). Human footprint in the abyss: 30 year records of deep-sea plastic debris. Marine Policy, 96:204-212. 3. Law. K.L. (2017). Plastics in Marine Environment. Annual Review of Marine Science, 9:205-229. 4. Cole, M.; Lindeque, P.; Halsband, C.; Galloway, T.S.(2011). Microplastics as contaminants in the marine environment: a review. Marine Pollution Bulletin, 62:2588-2597. 5. Cole, M.; Lindeque, P. K.; Fileman, E.; Clark, J.; Lewist, C.; Halsband, C.; Galloway, T. S. (2016). Microplastics Alter the Properties and Sinking Rates of Zooplankton Faecal Pellets. Environmental Science and Technology, 50:3239–3246. 6. Royer, S-J.; Ferrón, S.; Wilson, S. T.; Karl, D. M. (2018). Production of methane and ethylene from plastic in the environment. PLoS ONE 13(8):e0200574. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0200574 7. ASTM Standard D883, 2018. Standard Terminology Relating to Plastics, ASTM International, West Conshohocken, PA, DOI: 10.1520/D0883-18, www.astm.org 8. Federal Trade Commission, “Proposed Revisions to Green Guides: Summary of Proposal,” Washington, DC: October 10, 2010, (http://www.ftc.gov/os/2010/10/101006greenguidesproposal.pdf) - acessado em 02/11/2018) 9. Report to the European Parliament and the Council on the impact of the use of oxo-degradable plastic, including oxo-degradable plastic carrier bags on the environment. European Commission. January, 2018. (http://ec.europa.eu/environment/circular-economy/pdf/oxo-plastics.pdf) - acessado em 02/11/2018. 10. ASTM Standard D6954-4, 2004, Standard Guide for Exposing and Testing Plastics that Degrade in the Environment by a Combination of Oxidation and Biodegradation, ASTM International, West Conshohocken, PA, DOI: 10.1520/D6954-04, www.astm.org 11. http://www.mma.gov.br/component/k2/item/7660-saiba-mais - acessado em 10 de março de 2019. 12. https://www.biobasedworldnews.com/carbon-trust-endorses-braskems-carbon-negative-claims-for-its-bio-based-plastic - acessado em 02/11/2018 13. Hammad, K.; Kaseemb, M.; Ayyoob, M.; Joo, J.; Deri, F. (2018). Polylactic acid blends: The future of green, light and tough. Progress in Polymer Science, 85:83-127 14. Ferrante, L.; Fearnside, P. M. (2018). Amazon sugarcane: a threat to the forest. Science. DOI: 10.1126/science.aat4208 15. ASTM Standard D6400, 2004, Standard Specification for Compostable Plastics, ASTM International, West Conshohocken, PA, 2004, DOI: 10.1520/D6400-04, www.astm.org 16. Compostable Plastics 101: An overview of compostable plastic sponsored by the California organics recycling council. https://compostingcouncil.org/wp-content/plugins/wp-pdfupload/pdf/8095/Compostable%20Plastics%20101%20Paper.pdf - acessado em 02/11/2018. 17. Kubowicz, S.; Booth, A. M. (2017). Biodegradability of Plastic: Challenges and Misconceptions. Environmental Science and Technology, 51:12058-12060. #descomplicando #julianaleonel #bioplástico #biodegradável #joanaho #plástico

  • Indecisões da vida na pesquisa

    Por Iara M. Scricco Ilustração por Joana Ho Ninguém tem a resposta para tudo, mas precisamos tomar decisões a todo instante. Algumas decisões são rápidas e fáceis, outras demoradas e difíceis. Como navegar no meio dessas dúvidas? No final do ensino médio, a indecisão já tomava conta de mim e do resto da sala. Não sabia como, aos 17 anos, tomar uma decisão que ia me seguir pelo resto da vida, ou mesmo por ter que decidir tão cedo minha profissão e também me perguntava se não deveria adiar a entrada na faculdade. Eu sempre tive o curso de Engenharia Naval em mente, não me pergunte o motivo, nem eu sei. Até que uma vez, em uma feira de profissões, eu assisti uma palestra sobre o curso e desisti na hora. Ao mesmo tempo em que eu queria entrar na área de exatas, não queria efetivamente estudar noções de mecânica, que era a mesma dada a todas as outras engenharias. Plano abortado. Foi aí que minha mãe me sugeriu o curso de Oceanografia. Comecei a pesquisar e meus ‘olhinhos’ brilharam. Era isso, estava decidido. Mas como sempre, tudo tem seu ônus e bônus, eu teria que mudar de cidade e lidar com várias novas indecisões. Morar sozinha ou dividir apartamento, visitar os pais ou estudar no final de semana, participar de um projeto de iniciação científica com vaga aberta ou escrever um do meu jeito, escolher o tema do TCC (que tecnicamente seria a linha de pesquisa da minha carreira científica)... Felizmente, tive total apoio da minha família e tudo correu bem ao longo de todos os 4 anos de faculdade, em Santos, no litoral de São Paulo. Mas e aí, depois de formada? O que fazer? Para onde ir? Eu e minha amiga Carla Elliff em um dos embarques que realizamos na graduação em Oceanografia. Nessa foto, realizamos a coleta e armazenamento de sedimento para análise de foraminíferos – para se formar em oceanografia, são obrigatórias 100 horas em atividades embarcadas (Fonte Iara Scricco com licença CC BY-SA-4.0). O campo da oceanografia é relativamente restrito, no quesito de oportunidades e onde atuar. Fiz um MBA logo que me formei, seguindo mais uma área que faz meu coração bater mais forte, a Gestão Portuária. Durante a graduação, eu fiz estágio voluntário e posteriormente, fui contratada para atuar em uma Unidade de Conservação Marinha. Fui muito feliz lá, aprendi muita coisa, conheci muita gente... mas eu queria mais. Mestrado? Era um caminho. Mas onde? Em que curso? Foi aí que eu participei de dois processos seletivos, Sensoriamento Remoto e Meteorologia. Um envolvia “apenas” uma mudança de cidade, já o outro uma mudança de São Paulo para o Rio Grande do Sul. Os dois cursos abordavam assuntos totalmente novos para mim, já que eu nunca tinha atuado diretamente nessas áreas. Depois de muitas listas, conversas, elencar prós e contras, eu finalmente optei pelo que mais me agradava, mas para isso precisei sair da minha zona de conforto e fui morar em Santa Maria, um cidade no interior do Rio Grande do Sul. Em um primeiro momento, decidi aprender algo mais amplo e que viria a complementar minha graduação, escolhi a Meteorologia. Tive que me reinventar. Afinal, a dúvida que tinha não era voltar ou não para casa a cada 15 dias (essa frequência aumentou para meses) e sim como cuidar de uma vida, de uma casa e de um mestrado absolutamente sozinha. Conheci bastante gente nessa época, mas sem sombra de dúvidas, foi uma das fases em que me senti mais sozinha. E convém sempre destacarmos que essa fase da pós-graduação é um período de grandes emoções, tanto positivas quanto negativas. A experiência como um todo foi muito válida. Morei em outro estado, dentro do mesmo país, mas com uma cultura muito diferente e interessante. A começar pelas palavras que eram as mesmas, mas significavam coisas diferentes! E sem contar que foi minha única experiência (até hoje) de encarar um frio diariamente, por todo inverno, e não somente alguns dias de férias. Até usei uma bota de neve, pois nunca tinha sentido aquelas ‘agulhas geladas’ entrando no meu pé daquele jeito. Precisei usar 4 cobertores, pijama flanelado e aquecedor ligado para conseguir dormir. Esse era um dos meus passatempos durante o mestrado, tirar fotos de nuvens, chuvas… e o que mais me chamasse atenção na janela. (Fonte Iara Scricco com licença CC BY-SA-4.0). Nesse momento, nem tudo era dúvida. Defendido o mestrado em Meteorologia, eu tinha uma certeza: não queria engatar o doutorado logo de cara. Voltei para a casa dos meus pais e decidi abrir meu leque de opções, enviando meu currículo para absolutamente todo mundo e todas as vagas de interesse. Depois de uns 4 meses buscando, fui selecionada para atuar em um projeto de pesquisa, no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Fiquei nessa vaga por 3 anos e meio. Depois, voltou o pensamento de “eu quero mais”. Não tinha absoluta certeza que era o momento ‘ideal’ para entrar no doutorado, mas o leque de opções não estava muito atrativo no momento. Decidi tentar e dar o meu melhor. Hoje estou no meu segundo trimestre letivo no Doutorado em Ciência do Sistema Terrestre do INPE, em São José dos Campos, e acredito que daqui a 4 anos, vou conseguir conciliar todas as minhas áreas de formação. Com isso terei novas possibilidades de caminhos para decidir percorrer. Ao longo desses 12 anos desde minha entrada na graduação até hoje no doutorado, eu tive que decidir muitas coisas e, inclusive, muitos rumos para minha vida. Mas nunca tive algo que eu enxergasse claramente como meu destino final. Acho que até mais importante do que tomar decisões, é estar disposta a se jogar em algo que gosta mesmo sem saber com certeza no que vai dar, mas sabendo que fará o seu melhor. Depois da decisão tomada, a gente precisa encarar aquilo com leveza e seguir em frente. Claro que para tudo existe um plano B, mas nem sempre ele é necessário, se a gente encarar aquela situação com um outro olhar ou de uma outra maneira. Por isso que eu sempre falo, às vezes depois de navegar, derivar também é preciso. Sobre a autora: Nascida em Jundiaí, no interior de São Paulo, mas já morou em vários lugares desse “Brasilzão”. Oceanógrafa, Mestre em Meteorologia e atualmente, doutoranda em Ciência do Sistema Terrestre. Tem experiência com interação oceano-atmosfera, climatologia e está aprendendo algumas linguagens de programação. É apaixonada pelo mar e por ciência. Gosta de filmes, séries, adora investigar e se envolver com grupos e projetos novos. Acredita que ciência tem que ser transmitida, entendida e discutida por todos, independente de qualquer coisa. E que somente dessa forma conseguimos avançar cada vez mais. #decisões #incerteza #meteorologia #oceanografia #vidadecientista #convidados

  • Tiradas do Netuno #11

    Durante o mestrado, nossa editora Jana del Favero pesquisou a ecologia dos peixes da zona rasa de ambientes praiais, mostrando como esse local pode ser utilizado de formas diferentes pelas espécies. Infelizmente os humanos são os únicos que usam o paraíso como lixão! Para saber mais, acesse o post: “Até os peixes amam praia”. Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com palpites das editoras do Bate-Papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #poluição #plásticos #peixes #ecologia #praias #ictiologia #oceanografia

  • A ode à ignorância vai nos custar o planeta

    Por Luciana Leite No dia 03 de agosto acordei com mensagens compartilhadas no WhatsApp sobre o aparecimento destes pequenos animais na costa baiana. A espécie em questão, Glaucus atlanticus é um diminuto molusco, com ampla distribuição e ocorrência também na costa brasileira. Conhecido popularmente como Dragão do Mar, trata-se de um nudibrânquio pelágico. Por ser pelágico, ou seja, por viver em alto mar, não é comumente observado nas praias. Não é uma especie invasora e não apresenta maiores riscos para o homem. Sua ocorrência pode estar relacionada com fortes correntes marítimas e ventos que trouxeram espécimes para a areia. Eu, enquanto bióloga, mergulhadora e apaixonada por animais marinhos, recebi com muita tristeza imagens do animal com mensagens alarmistas sobre as supostas altas concentrações de veneno que o animal carrega, sobre o risco de morte que apresentam, sobre causarem choques e sabe Deus mais o quê. Nunca tive a sorte de vê-los e fico triste que as pessoas, por falta de conhecimento e de interesse, deixem de viver a experiência do encontr o com um animal tão raro. Ao invés disso, criam e reproduzem uma corrente de fake news dos nudibrânquios, que reforça (com afirmações errôneas) essa percepção da natureza como algo hostil e perigoso, ameaçador e quase vil. Quem se propõe a criar, por ignorância, medo ou maldade, fake news sobre uma espécie tão inofensiva? Onde foi parar a nossa curiosidade? A nossa vontade de aprender? Quando passamos a entender a história natural das espécies, passamos a valorizá-las. O conhecimento leva à admiração que leva ao reconhecimento do valor intrínseco de todas as formas de vida. Não há conservação ambiental sem conhecimento. A ode à ignorância vai nos custar o planeta. Nudibrânquio encontrado em praia de Salvador (BA) (Fonte: Bate-papo com Netuno com licença CC SA-BY 4.0.) Sobre os nudibrânquios Nudibrânquios são moluscos marinhos que, devido ao diminuto tamanho e corpo mole, desenvolveram estratégias químicas de defesa. E o que isso significa? Significa que estes animais conseguem incorporar substâncias químicas de suas presas - que incluem esponjas, cnidários, algas, dentre outros e que as armazenam para se tornarem impalatáveis (com gosto ruim) e tóxicos. Os nudibrânquios são tão gente boa que avisam a outros animais que eles podem ser perigosos. Espécies de nudibrânquios são frequentemente aposemáticas, ou seja, apresentam coloração vibrante e contrastante que servem como um alerta para potenciais predadores. O dragão azul é uma espécie que incorpora cnidócitos - que são as células urticantes das águas vivas. Isso quer dizer que são terríveis assassinos? Não. Isso quer dizer que você pode pegar e levar pra casa? Também não. Eles não são animais de importância médica e não apresentam maiores riscos aos seres humanos. Ou seja, não existirem relatos sobre hospitalizações, complicações médicas ou mortes envolvendo o dragão azul. Mas, se molestado, ele pode se defender, provocando queimaduras, assim como as águas-vivas. Diferente dos cnidários dos quais se alimenta, o dragão azul não é urticante mas ele pode se tornar urticante, “lançando” os cnidócitos que acumulou no seu corpo para se defender. . Evite molestar não apenas o dragão azul, mas qualquer animal. Sempre que se deparar com espécies selvagens, aprecie o encontro, fotografe e aproveite para aprender mais sobre outras formas de vida! Mas não alimente uma cultura do medo com relação à espécies selvagens, principalmente entre as crianças. Ensine-as a protegê-las e respeitá-las. Incentive seus filhos, amigos e familiares a pesquisarem, estudarem e conhecerem mais sobre a natureza. Ela é incrível! Sobre Luciana Leite: Luciana Leite é bacharel em ciências biológicas pela UFBA, mestra em Lideranças para a Conservação pela Cambridge University e doutora em Ecossistemas Florestais e Sociedade pela Oregon State University. Atualmente, é bolsista CAPES de pós-doutorado no PPG de Ecologia do Instituto de Biologia da UFBA. Pesquisa a relação do ser humano com a natureza na modernidade, especificamente as raízes da biofilia e as determinantes do comportamento pró-ambiental. Recém-descoberta feminista, é membra da Rede Kunhã Asé de Mulheres na Ciência. Aproveita seu tempo livre com sua família e amigos, normalmente em casa ou junto à natureza, onde recarrega as energias e aprende sobre o mundo natural. Rede Social: @lu.biophilica @kunhaase #dragãodomar #glaucusatlanticus #nudibranch #nudibrânquio #ciênciasdomar #convidados

  • Quando sua hipótese é rejeitada, inspire e expire: você ainda tem um resultado!

    Minha experiência com fisiologia de tartarugas Por Tábata Cordeiro Minha paixão pelas tartarugas marinhas começou em 2003, quando minha família se mudou do Rio de Janeiro para Salvador e conheci o Projeto Tamar. Anos depois, comecei a graduação, em biologia, claro! Agora tinha que dar um jeito de estudar esses animais tão encantadores e intrigantes. Iniciei um estágio no Laboratório de Fisiologia Animal (LAFISA/UFBA) em 2008. No dia em que fui conversar com o meu futuro orientador, o Prof. Dr. Wilfried Klein, disse a ele que tinha interesse em trabalhar com tartarugas. Foi assim que comecei a trabalhar com a morfologia e a fisiologia da respiração desses animais. Essa temática é a linha de pesquisa do meu orientador, a qual me interessou muito. Lembro que, em uma conversa com outro professor da faculdade, quando eu comentei que tinha começado esse estágio, ele brincou dizendo que não tinha mais o que saber de novidade sobre quelônios. Senti-me desafiada. E como eu gosto de ser desafiada, resolvi persistir! Durante a faculdade aprendi que as tartarugas marinhas fazem parte de um grupo de animais conhecido como Testudines, Testudinata ou Chelonia, que incluem também os jabutis (animais terrestres) e os cágados (animais que habitam ambientes de água doce). Por isso, muitas vezes vemos o uso do nome quelônios para denominá-los. Os quelônios, animais que pertencem à classe dos répteis, são fáceis de serem reconhecidos, devido à anatomia pouco diversa do grupo. Testudines apresentam um corpo envolto por um casco, dorsalmente chamado de carapaça (fundida às costelas e à coluna vertebral) e ventralmente chamado de plastrão (fundido às clavículas e interclavícula). No entanto, tive que adiar o sonho de trabalhar com tartarugas marinhas. As espécies que ocorrem no Brasil são consideradas vulneráveis ou ameaçadas de extinção e, por esse motivo, não são permitidas manipulações em laboratório e este seria meu ambiente de trabalho. Iniciei os meus estudos sobre a respiração dos quelônios no meu mestrado, investigando aspectos gerais da ventilação e taxa metabólica em duas espécies de água doce. Respiração bimodal Vamos abrir um parênteses agora para uma breve explicação sobre o assunto do meu trabalho! A ventilação pode ser descrita como a movimentação de ar ou água para dentro e para fora de estruturas especializadas no transporte e trocas de oxigênio e dióxido de carbono entre o animal e o meio externo, como os pulmões. A quantidade de oxigênio absorvida por cada organismo vai determinar a sua taxa metabólica, ou seja, a quantidade de energia consumida. Os quelônios são animais que realizam ventilação intermitente, ou seja, eles intercalam momentos ventilatórios, uma expiração seguida da inspiração, com momentos não ventilatórios, a apneia. Essa característica tem implicações na taxa metabólica desse grupo de animais, sendo observado que os quelônios têm uma taxa metabólica que pode ser bem menor quando se comparado aos mamíferos de tamanho correspondente. Fecha parênteses! Voltando ao meu trabalho, observei que uma das espécies que investiguei, Phrynops geoffroanus, apresentou a taxa metabólica muito baixa, quando comparada a outros répteis, devido ao baixo nível de oxigênio que consomem. A partir desse resultado, propus um projeto de doutorado para investigar questões comportamentais, morfológicas e fisiológicas associadas com a respiração bimodal em P. geoffroanus. A respiração bimodal pode ser definida como a capacidade de um animal realizar trocas gasosas através dos meios aéreo e aquático. O simpático P. geoffroanus (Fonte: Tábata Cordeiro com licença CC SA-BY 4.0). Partindo do pressuposto que P. geoffroanus tem uma das menores taxas metabólicas entre os quelônios, quais seriam as implicações comportamentais e morfológicas e fisiológicas desse parâmetro observado? Dessa forma, a pergunta central do trabalho foi “P. geoffroanus realiza as trocas gasosas por outras estruturas além dos pulmões? Ou seja, realiza respiração bimodal? Se sim, quais seriam as estruturas responsáveis por essas trocas?” Spoiler: o interessante, ao final desse processo, é que a minha hipótese de trabalho foi rejeitada. Os resultados do meu doutorado não indicam que a espécie realiza respiração bimodal! Ou então, essas trocas não são proporcionalmente adequadas para a manutenção das necessidades metabólicas básicas da espécie. Dessa forma, P. geoffroanus obtém oxigênio primariamente pelos pulmões. Mas vamos ver como cheguei até lá. Mudanças Trabalhar com quelônios envolveu superar MUITOS desafios. O primeiro deles era como ter acesso a esses animais: fazer coletas de campo e organizar toda a estrutura em torno desse trabalho, ou então ter acesso a esses animais por meio de parcerias com algum zoológico e correr atrás de toda a documentação possível e impossível? Escolhi a segunda opção e posso dizer que aprendi bastante em termos de relações interpessoais e a lidar com questões burocráticas. O segundo desafio diz respeito à manutenção dos animais em um ambiente artificial. Quando os animais estão sob os nossos cuidados precisamos saber como mantê-los saudáveis: alojamento, alimentação, temperatura do ar e da água, ficar atento a qualquer mudança de comportamento. É essencial ter o contato de um veterinário de animais silvestres para tirar qualquer dúvida. Além dos desafios de se trabalhar com os quelônios, estão as dificuldades de trabalhar como pesquisadora (e no Brasil). Tive que abrir mão de ficar perto de pessoas que eu amo porque mudei de cidade para realizar o meu mestrado e doutorado, e a fase de adaptação dessas mudanças envolve questões que vão além de estudar e fazer experimentos. É muito difícil conciliar a vida profissional com a particular quando se está imerso em um projeto em que se deposita tanta energia. Quase tudo mudou entre a escrita do projeto e a execução do trabalho! Fiz e desfiz parcerias, acrescentei e tirei propostas do projeto, tive que aprender novas técnicas, como manipulação de diferentes drogas para alcançar analgesia e anestesia de quelônios, práticas cirúrgicas para canulação de vasos sanguíneos para coleta de material para análises sanguíneas, técnicas de análises bioquímicas, morfológicas, entre outras. Fiz algumas adaptações por falta de equipamentos ou de tempo. Para chegar à conclusão de que P. geoffroanus não apresenta respiração bimodal, fiz análises comportamentais, morfológicas e fisiológicas, testando a hipótese de que estruturas como a pele, a cavidade bucofaringeal (popularmente conhecida como boca) e/ou as bolsas cloacais (estruturas anexas à cloaca, presente somente em algumas espécies aquáticas de quelônios) seriam responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente aquático e os animais. Ao final, ao contrário do que era esperado, observei que não houve mudanças comportamentais quando diferentes áreas do corpo dos animais eram isoladas do meio aquático; as análises morfológicas foram pouco indicativas em relação à presença de características que pudessem classificar essas estruturas como locais de trocas gasosas (como a pequena distância de difusão) e os resultados bioquímicos dos experimentos fisiológicos não apresentaram diferenças quando os animais foram expostos a ambientes aquáticos com maior ou menor concentração de oxigênio. A partir desses resultados, algumas hipóteses foram levantadas: 1) P. geoffroanus pode apresentar tolerância à hipóxia e anóxia. Essa hipótese foi levantada por Hsia e colaboradores (2013), que argumentam que a tolerância à hipóxia e anóxia seria uma característica provinda desde o Triássico e Jurássico, quando linhagens de quelônios aquáticos daquela época estavam expostas a ambientes aquáticos hipóxicos e anóxicos, devido à alta densidade da vegetação e alta demanda oxidativa biológica, e do baixo teor de oxigênio atmosférico, que supostamente estava em torno de 15%; 2) P. geoffroanus seria capaz de diminuir o consumo de energia, o hipometabolismo. Os pesquisadores Hochachka e Lutz (2001) apontaram que essa característica pode ser um importante mecanismo para a manutenção da vida desses animais, sem que haja necessidade de deslocamento até a superfície para realizarem trocas gasosas aéreas com tanta frequência. Toda essa experiência e aprendizado me fizeram perceber quais locais eu quero ocupar na minha carreira profissional. Eu quero continuar trabalhando com pesquisa e ensino, promovendo a aproximação da ciência com a sociedade. Eu quero compartilhar conhecimentos e valores, e dizer para crianças e jovens, independentemente de gênero, raça ou classe, que elas podem sim estudar, escolher o que elas querem ser, produzir e compartilhar conhecimento. Tábata discute os resultados do seu trabalho em um evento científico (Fonte: Tábata Cordeiro com licença CC SA-BY 4.0). Referências: Hsia C. C.; Schmitz, A.; Lambertz, M.; Perry, S. F.; Maina, J. N. (2013). Evolution of air breathing: Oxygen homeostasis and the transitions from water to land and sky. Comprehensive Physiology, 3, 849–915. DOI: 10.1002/cphy.c120003 Hochachka, P. W.; Lutz, P. L. (2001). Mechanism, origin, and evolution of anoxia tolerance in animals. Comparative Biochemistry and Physiology Part B: Biochemistry and Molecular Biology, 130, 435–459. DOI: https://doi.org/10.1016/S1096-4959(01)00408-0 #quelonios #tartarugas #respiração #taxametabólica #fisiologia #ciênciasdomar #tábatacordeiro

  • Beware of biodegradable plastics: you may be fooled!

    By Juliana Leonel English edit by Marina Botana and Carla Elliff Illustration by Joana Dias Ho Plastic is an organic synthetic material made of either a single type or a mixture of polymers (macromolecules made of repeated units of single smaller molecules). The type of plastic, its characteristics and chemical properties are defined by the polymers used in each case. In addition to the polymer structure, lots of different additives can be included to the final composition, such as plasticizers, chemical stabilizers, and dyes. The main raw material used for building plastic is petroleum. However, polymers can also be made from plant-based sources, such as plant oils and fats, corn starch, hay, etc. These kinds of polymers are called bioplastics. Another way to produce plastic is by combining polymers from these two sources [1]. Great durability is one of the characteristic that makes plastic such an attractive material. However, it also turns the use of plastic into an environmental problem. Plastic debris are found in ecosystems all around the world, including at the bottom of the oceans, over 6,000 m below the surface [2]. When plastic debris reach the ocean environment, they can cause the death of many species by smothering them, making it difficult to swim and causing a false feeling of fullness once they are ingested [3]. A specific group called microplastics (debris smaller than 5 mm) are not only a physical threat to the marine biota [4], they might also work as vectors for spreading out other contaminants that can adhere to their surface (e.g. pesticides and trace metals) and even lead to higher organic matter sedimentation, which impacts the oceanic biological pump (responsible for uptaking CO2 from the atmosphere to marine sediments) [5]. Moreover, the degradation of plastic debris is slow and releases methane, a greenhouse gas capable of warming the Earth’s atmosphere even more than CO2 [6]. Aiming to reduce the length of time that plastic remains in the environment and mitigate the associated environmental problems, new technologies and raw materials started to be explored for polymer production. You might have heard about them – the oxo-degradable, biodegradable, bioplastics and compostable plastics. However, while sometimes they are used as synonyms, they can be quite different from each other! The word biodegradable, for instance, might be misleading. All organic material, including plastic will eventually biodegrade, but the required amount of time for that can vary from a few days to thousands of years. This can lead to the idea that the term biodegradable could be used for any type of plastic, regardless of the amount of time it lasts in the environment. To avoid that, there are some international protocols that define the specific uses of this term, such as the definition given by the American Society for Testing and Materials (ASTM): A biodegradable plastic must have all its organic carbon converted into biomass, water, carbon dioxide and/or methane through the natural action of microorganisms naturally present in the environment (i.e. fungi and bacteria) over a period of time that is consistent with the given environmental conditions (ASTM D883-18 [7]). Another definition, given by the Federal Trade Commission [8], considers a product as biodegradable if it can be completely fragmented and return to nature by decomposing itself entirely into elements naturally found in nature, over a reasonably short period of time (1 year) after disposal. In the pursuit of increasing the degradability of plastics, oxo-degradable options started to become very popular in the 2000s as an alternative for faster plastic degradation in the environment. This was achieved by adding chemical additives to conventional plastic to increase oxidation processes. Thus, when exposed to UV light, oxygen, and heat, the material fragments into smaller pieces (microplastics) more quickly and the problem “vanishes” from sight. However, today it is known that microplastics are a huge environmental concern, as discussed here before. Therefore, the use of oxo-degradable plastic is no longer accepted as a sustainable alternative [9]. There are also concerns about other environment consequences from the use of these additives in the polymer to accelerate fragmentation. In Brazil there is a policy (ABNT PE-309.01) created in 2004 regarding the use of oxo-degradable plastic. However, nowadays we have a lot more information about this issue and some updates are necessary. And even with this policy, some companies operate according to the methods described in another norm, ASTM D6954-4 [10], to test if their plastic products are indeed oxo-degradable. However, this norm, which is also from 2004, has since been replaced by a newer one - ASTM D6954-18 – which considers more recent scientific discoveries. Finally, even the Ministry of the Environment in Brazil does not recommend the use of oxo-degradable plastic because of risks to the environment [11]. If you look carefully at the packages of some brands of straws and plastic bags, you might find some of the characteristics below: Contains oxo-degradable additives according to the AST-D6954-4 norm, which is the one we mentioned above from 2004 that has been suspended; 36 months (=2.5 years) to be totally biodegraded, though even the AST-D6954-4 norm required the product to be biodegraded in 2 years maximum. Plastic straws are a common item found during beach cleanups (Source: Bate-Papo com Netuno/Chat with Neptune, CC BY-SA 4.0 licence). The production of bioplastics has increased recently. The plastic industry is exploring more and more the use of plant-based sources as a solution to the environmental problem created by the use of plastic. So, what is a bioplastic? As explained before, it is a plastic made of polymers synthesized from a biological matrix, such as sugar cane, cassava, etc. It is extremely important to highlight that bioplastic is not necessarily a synonym for biodegradable plastic. However, bioplastics present two advantages: a) they are not generated from a matrix connected to several socio-political-economic and environmental problemas (petroleum, remember?) and b) their production may release less carbon than what was assimilated by the plants used to create the polymer, an important step towards decreasing greenhouse gas emissions. However, two important questions remain: 1) Can bioplastic be considered biodegradable? and 2) What are the other possible associated impacts related to the use of plant-based sources, such as deforestation, food security and the use of land? To cover these points, let’s talk about the case of the I’m Green bioplastic produced by Braskem from sugar cane. Recently, the Carbon Trust (a company that helps governments, organizations and other companies to reduce carbon emissions) recognized that the production of I’m Green plastic consumes more carbon than it releases [12], which is a good thing! However, it is polyethylene just like any other plastic of this category, with the same characteristics of regular plastic made from petroleum. This means that if it is not discarded properly for recycling, it can end up in the environment where it will last for hundreds of years. Although there are some bioplastics which are indeed biodegradable, we cannot use these words as synonyms because this leads to wrong assumptions about the environmental benefits of each one. An example of biodegradable bioplastic is the polylactic acid made from corn starch, sugar cane or cassava [13]. Regarding the second important question, Braskem has pledged to only use sugar cane grown in areas that expanded over exhausted pasture lands. However, this can still contribute to deforestation because farmers will then have to look for other areas for pasture. Deforestation not only contributes to global warming, but it can also change the rain seasonality of a specific region. This is a particularly important aspect to consider, especially in view of the creation of environmental laws (PLS 626/2011) aiming to regulate the production of sugar cane in the Amazon [14]. Finally, there are also the compostable plastics. According to ASTM 6400 [15], these are materials that when sent to a composting plant should degrade through biological processes and during composting should produce CO2, water, inorganic compounds and biomass at a consistent rate with other known compostable materials, without leaving any visible, distinguishable or toxic residues, over the course of up to 180 days. According to this definition, not all biodegradable plastics are compostable. To avoid confusions, in California, for instance, the use of the term biodegradable in plastic bags, cups and food containers was prohibited and only products that are indeed compostable can be indicated as such [16]. When evaluating the best option, you should not only consider the composition of polymers, but also which chemical additives are present in the final product and the environmental conditions required for the decomposition of the material [17]. For instance, some plastics will only decompose in specific conditions of temperature and oxygen, which might only be found inside composting plants. Therefore, if this material does not reach its proper destination and ends up in a landfill, it might take much longer to decompose. The way plastic is discarded is another problem associated with the amount of time that plastic debris last in the environment. For example, compostable plastics should be separated from conventional recycling materials and from the waste that goes into a landfill. After all these considerations you might be a little confused with so many options and lack of standardization. How can we then figure out what is the best option in environmental terms? First, we must pay a lot of attention to the greenwashing practices used by some companies. Greenwashing consists on announcing a product as having more advantages towards the environment than they actually have. It is common to find packages using the color green or with drawings of leaves followed by the words “green”, “eco” and “bio”, with no proper explanation as to what they refer, but sending the message that this product is less harmful to the environment. Similar to the belief of two decades ago that oxo-biodegradable plastics were the best alternative, today there is a trend towards bioplastics because of their potential for lowering impacts during production. However, if you want to guarantee a lower impact to the planet, the best option is to avoid the consumption of plastic whenever possible! But how? With small changes to your daily habits: 1. Choosing reusable options (cups, mugs, straws and cutlery, for example) and, of course, remembering to always carry these items with you; 2. Using reusable bags when you go shopping; 3. Bulk buying, to decrease packages; 4. Choosing fruits and vegetables that are not wrapped in clingfilm and other plastics; 5. Replacing plastic trash bags for paper bags (you can even reuse newspaper or paper grocery bags for that); 6. Replacing your single-use tampons by menstrual cups or any other option available in the market that you might like; 7. Rethinking your overall habits: before buying something, stop and ask yourself “do I really need this?”; 8. Sharing these ideas. And, if you cannot avoid plastic, your best option is to separate it and send it off to recycling accordingly after its use. Do you have any other ideas to add to our list? Let us know! Suggested literature: 1. Álvarez-Chávez, C. R.; Edwards, S.; Moure-Eraso, R.; Geiser, K. (2012) .Sustainability of bio-based plastics: general comparative analysis and recommendations for improvement. Journal of Cleaner Production 23:47-56. 2. Chiba, S.; Saito, H.; Fletcher, R.; Yogi, T.; Kayo, M., Miyagi, S.; Ogido, M.; Fujikura, K. (2018). Human footprint in the abyss: 30 year records of deep-sea plastic debris. Marine Policy, 96:204-212. 3. Law. K.L. (2017). Plastics in Marine Environment. Annual Review of Marine Science, 9:205-229. 4. Cole, M.; Lindeque, P.; Halsband, C.; Galloway, T.S.(2011). Microplastics as contaminants in the marine environment: a review. Marine Pollution Bulletin, 62:2588-2597. 5. Cole, M.; Lindeque, P. K.; Fileman, E.; Clark, J.; Lewist, C.; Halsband, C.; Galloway, T. S. (2016). Microplastics Alter the Properties and Sinking Rates of Zooplankton Faecal Pellets. Environmental Science and Technology, 50:3239–3246. 6. Royer, S-J.; Ferrón, S.; Wilson, S. T.; Karl, D. M. (2018). Production of methane and ethylene from plastic in the environment. PLoS ONE 13(8):e0200574. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0200574 7. ASTM Standard D883, 2018. Standard Terminology Relating to Plastics, ASTM International, West Conshohocken, PA, DOI: 10.1520/D0883-18, www.astm.org 8. Federal Trade Commission, “Proposed Revisions to Green Guides: Summary of Proposal,” Washington, DC: October 10, 2010, (http://www.ftc.gov/os/2010/10/101006greenguidesproposal.pdf) - acessado em 02/11/2018. 9. Report to the European Parliament and the Council on the impact of the use of oxo-degradable plastic, including oxo-degradable plastic carrier bags on the environment. European Commission. January, 2018. (http://ec.europa.eu/environment/circular-economy/pdf/oxo-plastics.pdf) - acessado em 02/11/2018. 10. ASTM Standard D6954-4, 2004, Standard Guide for Exposing and Testing Plastics that Degrade in the Environment by a Combination of Oxidation and Biodegradation, ASTM International, West Conshohocken, PA, DOI: 10.1520/D6954-04, www.astm.org 11. http://www.mma.gov.br/component/k2/item/7660-saiba-mais - acessado em 10 de março de 2019. 12. https://www.biobasedworldnews.com/carbon-trust-endorses-braskems-carbon-negative-claims-for-its-bio-based-plastic - acessado em 02/11/2018 13. Hammad, K.; Kaseemb, M.; Ayyoob, M.; Joo, J.; Deri, F. (2018). Polylactic acid blends: The future of green, light and tough. Progress in Polymer Science, 85:83-127 14. Ferrante, L.; Fearnside, P. M. (2018). Amazon sugarcane: a threat to the forest. Science. DOI: 10.1126/science.aat4208 15. ASTM Standard D6400, 2004, Standard Specification for Compostable Plastics, ASTM International, West Conshohocken, PA, 2004, DOI: 10.1520/D6400-04, www.astm.org 16. Compostable Plastics 101: An overview of compostable plastic sponsored by the California organics recycling council. https://compostingcouncil.org/wp-content/plugins/wp-pdfupload/pdf/8095/Compostable%20Plastics%20101%20Paper.pdf – accessed on 11/02/2018. 17. Kubowicz, S.; Booth, A. M. (2017). Biodegradability of Plastic: Challenges and Misconceptions. Environmental Science and Technology, 51:12058-12060. #marinescience #chatjulianaleonel #bioplastic #biodegradable #chatjoanaho #plastic #plasticfreejuly #chatcarlaelliff #chatmarinatbotana

  • Correntes oceânicas de superfície (Parte III)

    Por Jana M. Del Favero Balanço Geostrófico e Correntes de Contorno Oeste Iniciaremos esse post juntando os conceitos apresentados nos dois tópicos anteriores. Então, caso você não se lembre, releia as partes I e II. Começamos com um vento exercendo um arrasto sobre a superfície do mar no Hemisfério Sul e colocando a água em movimento (Figura 1). Com o movimento, a água da superfície desviará para a esquerda em resposta ao Efeito de Coriolis. Como estamos falando do Hemisfério Sul, o transporte de Ekman será para o sul da direção dos ventos de alísios (que sopram de leste para oeste) e para o norte da direção dos ventos de oeste (que sopram de oeste para leste). O resultado desses transportes é o empilhamento de água no centro dos giros oceânicos, por causa da convergência da água. Esse “morro” d'água no centro do giro pode chegar a ser até 2,0 m mais elevado do que a borda do giro. No entanto, ao mesmo tempo que o transporte de Ekman empurra a água "morro acima" o gradiente de pressão age para empurrar a água "morro abaixo". Novamente, devido ao efeito de Coriolis, a água escorrendo pelo “morro” é desviada para a esquerda, até que gire o suficiente e comece a "subir o morro" novamente até ser puxada morro abaixo pelo gradiente de pressão. Isso se repete até que o equilíbrio entre Coriolis e gradiente de pressão seja atingido. Quando ocorre esse equilíbrio dinâmico, a corrente de água fica constante e estável, circulando o “morro”, e não mais “subindo e descendo”. Essas correntes estacionárias (ou seja, velocidade e pressão constantes em determinado ponto) são chamadas de correntes geostróficas (Figura 2). É importante compreender que as correntes em um giro oceânico, que fluem paralelamente aos ventos dominantes, não fluem por causa direta do arrasto do vento, mas sim devido a um escoamento geostrófico, ou seja, devido a um equilíbrio dinâmico entre a deflexão de Coriolis e o gradiente de pressão. Os continentes são enormes barreiras que interrompem o escoamento das correntes geostróficas. Nas latitudes médias (entre 30 e 60 graus de latitude) , o escoamento da corrente leste é desviada em direção ao equador pelos continentes (isso ocorre lá na quebra da plataforma), enquanto no equador o escoamento das correntes de oeste é desviado em direção aos polos pelos continentes (veja novamente a figura na parte I que ilustra os giros de circulação oceânicos). A força do efeito de Coriolis depende da velocidade do objeto em movimento e de sua localização na Terra: quanto maior a velocidade do objeto em movimento (ou do escoamento), e quanto maior for a distância do equador, maior será a deflexão de Coriolis. Assim, nas latitudes médias o escoamento da corrente leste é desviado em direção ao equador com mais força e velocidade do que as correntes equatoriais que fluem para o oeste e são desviados em direção aos polos. Isso resulta em um volume muito maior de água desviada para o equador e, consequentemente, um volume muito grande de água no equador derivando para oeste e se acumulando nas bordas oeste das bacias oceânicas. Esse acúmulo de água exige um escoamento geostrófico mais intenso ao longo do lado oeste dos giros oceânicos para atingir o equilíbrio dinâmico, a chamada intensificação das correntes de contorno oeste. As correntes de contorno oeste são mais estreitas, rápidas e profundas (Figura 3). Um exemplo é a Corrente do Golfo que se move a uma velocidade média de 7,2 km por hora, tem largura média de 70 km e transporta um volume de 55 Sv (Sv é uma medida de volume denominada sverdrup e 1 Sv = 1 milhão de metros cúbicos por segundo). Já as correntes de contorno leste são mais largas, lentas e rasas. Um exemplo é a Corrente das Canárias que se move a uma velocidade média de 2,0 km por hora e transporta 16 Sv. A Corrente do Brasil, aqui no hemisfério sul, também é um exemplo de corrente de contorno oeste. No entanto, ela é uma corrente oeste atípica, pois sua velocidade e transporte são baixos quando comparadas com outras do mesmo tipo. Isso se deve à presença de uma corrente de subsuperfície fluindo em sentido contrário na maior parte de sua extensão. #descomplicando #janamdelfavero #correntesoceânicas #correntes #correntedesuperfície

  • One hundred days between the sky, litter and the sea

    Post by Marina Tonetti Botana English edit by Carla Elliff Illustration by Caia Colla I was searching for long distance swimmers when I found out about Ben Lecomte. Ben is an endurance athlete, which means he practices aerobic sports of either moderate or low intensity over a long period of time, such as marathons. In 1998, he crossed the North Atlantic in a campaign supporting the fight against cancer. To my surprise, after a lot of planning, Ben was now crossing the Pacific Ocean. However, this time, he was campaigning to raise awareness on the issue of plastic pollution in our oceans and highlighting the importance of marine conservation. The project already relied on partnerships with research groups from important universities in the field of oceanography, such as the Scripps Institution of Oceanography and the University of Hawaii (UH). Also, the initiative was being filmed and already has 14 episodes ready. More content is being produced so that, in the end, this whole venture can become a documentary. The organizers also negotiated support from brands that sell sustainable products, such as icebreaker, which produces clothing with plant-based fibers. At the time I came to know of this project, the team was in Hawaii due to some problems in their vessel and they would move on to California in a few weeks. The new route through the North Pacific was plotted out so that they would cross the largest garbage patch in the world, with an estimated 1.6 million km². Ben would cross this stretch swimming in the company of a team of scientists and activists responsible for surveying and sampling. Surprisingly, there were two spots open for scientists on board this new stage. The crew would consist of just 10 people, of which four were in Ben’s personal team. The other six spots rotated among professionals working with science, education, and media production. At the time I was just about to finish my master’s degree and I saw this vacancy for a scientist as a unique opportunity for an experience outside academia representing a cause with environmental and social purposes. I believe that the only way to effectively change the mentality and behaviors of mankind is through education. There is no point in “prohibiting” littering or “forcing” people to recycle and use sustainable products. People must understand why these issues are relevant so that they contribute towards a positive change. I submitted my intention letter and my CV for this opportunity. Although I have only been in academia for a relatively short length of time, I believed that my principles and my experiences at the University of São Paulo (USP) and abroad in other projects would be well received. Moreover, I am a triathlete myself, with experience in ironman events (3.8 km swimming, 180 km cycling and 42 km running) and supporting other ultra-distance athletes. I believed these extracurricular activities could be a way to stand out among other applications. In the world of sports and science we are constantly subjected to failures, maybe more so than in other professions. Living both realities has made me develop my focus and determination to reach my objectives and to see each one as part of my purpose in life. I raised all these points in my intention letter, and I wrote each phrase with my mind, body and soul. I believed that Ben’s cause could be my own as well. The days passed by and, when I least expected it, I was in the final phase of selection for an interview. I was tested and assessed from different perspectives in the conversations I had with Ben and the crew. In addition to questions about my academic background, they tested me psychologically through a series of questions. We would be at sea for about 100 days, confined in the space of a sailboat, with no freshwater for bathing and with almost no communication with the outside world. I was warned that it was very likely that I would be the only woman aboard in a crew of nine men. Fortunately, none of these issues intimidated me and I was selected. The expedition route was planned by Professor Nikolai Maximenko, a physical oceanographer at UH, for his project on litter/plastic monitoring using satellites. We will cross as many garbage patches as possible during the expedition. We will make visual observations and collect different sizes of plastic particles using a neuston net. In addition to the particles, we will collect the organisms that grow and thrive on different types of plastic, contributing to the dissemination of species in the subtropical gyre of the North Pacific. Microplastics and neuston net. Credits: Hannah Altschwager, The Vortex Swim (C). The partner projects seek to better understand the connectivity of bioinvasion of species that inhabit garbage patches. I will be responsible for coordinating and recording sampling onboard. Moreover, I will swim beside Ben whenever possible. He will swim for about 8 hours/day, distributed over 2 periods of 4 hours each. During the interviews he told me I was the only applicant he interviewed who offered to accompany him in the water… I will arrive in Hawaii over the next few days and we will set sail by the end of May. I can hardly wait to meet the whole crew in person! I was also happy to find out that the other scientist selected was a woman as well, Juliette (an American marine biologist). I am extremely happy and grateful for representing, firstly, women in science and also Brazil in a project with such a noble and current cause. We are living difficult times in Brazilian science, which are in some ways even more challenging for women. However, I believe that it is during times of trouble that we should dare to create our own opportunities. In this expedition, science and sports were somehow combined in the search for my own purpose, directly reflecting my lifestyle. I hope other girls and scientists can be adventurous and risk more in search of their dreams in a vast ocean, filled with mystery and opportunities Glossary Garbage patch: regions in the ocean that favor the concentration of litter at the sea surface due to ocean gyres, which are large oceanic current systems. Neuston: aquatic organisms that live at the sea surface, occupying the first 10 cm of the water column. Neuston nets are used to capture these organisms. To know more access: https://www.seeker.com/the-swim - official website https://www.youtube.com/playlist?list=PL6uC-XGZC7X7iQ31AN0hszm5a3RCosk00 - YouTube channel with episodes produced #scientistlife #marinelitter #marineconservation #endurance #ironman #caiacolla #chatcarlaelliff #chat #chatmarinatbotana

  • Viruses aren’t always villains!

    By Catarina R. Marcolin English edit by Carla Elliff Who here has never been sick because of a virus? Generally, viruses are always associated with bad situations in our lives, feeling ill and diseases (dangerous or not). But in the oceans, viruses have a very important role. First you must know that a virus can infect practically every life form, including bacteria, archaea and microeukaryotes, which are the basis of the food webs in the oceans. And did you know that a certain group of marine bacteria (SAR11) is considered the most abundant group of organisms on our planet? SAR11 can inhabit places where most organisms could not survive. These marine bacteria have such a fantastic distribution that they used to be thought of as invulnerable. However, a few years ago, a group of marine viruses (pelagiphages) were discovered infecting and killing millions of these SAR11 bacteria per second. You’ll soon find out why this is so important. Studies from the 1990s and 2000s showed that once a viral infection killed its host, cell matter (meaning nutrients and carbon) was released back into the microbial loop of the oceans. But hang on, what is a microbial loop? Before we talk about the microbial loop, we need to talk about the food web, which represents the feeding relationships among organisms. It is through the food web that the energy from the sun can reach all living things, including us, mere human beings. Energy from the sun is absorbed and converted into carbon in the ocean by primary producers (phytoplankton), which are eaten by zooplankton, which are then eaten by fish, which are then eaten by bigger fish, birds and/or whales. But this classic description of a food web (phytoplankton-zooplankton-fish) is just one component in a much more complex cycle. And although the microbial loop is less known, it is not less important. Back to what in fact is this microbial loop. Put simply, it is the process through which the microbial community (especially bacteria) degrades organic matter. This organic matter can be derived from the excretes of organisms, from zooplankton’s sloppy feeding (when zoo doesn’t consume their food whole, releasing unconsumed bits to the waters around them), and from the breaking down and dissolution of matter from plants and others. This organic matter is not initially available for direct absorption by most organisms. The paramount role of bacteria is to reintroduce this carbon into the cycle, meaning, back into the food web. And this represents a very important additional source of energy to the system. The term microbial loop was invented by a very famous Pakistani scientist called Farooq Azam and his collaborators. I had the opportunity to watch an amazing talk by Dr. Azam at an ASLO meeting (ASLO stands for Association for the Sciences of Limnology and Oceanography) in 2013, held in New Orleans. He had only one slide and still managed to time out, but no one had the guts to interrupt because it was like listening to a fairytale, where microbes were the main character and the story was being told by the writer himself. Unmissable! If you’d like to know more about the work done by this researcher, access his webpage. Back to the main character of this story, viruses! As I said at the beginning of the post, viruses have an important role in the microbial loop. Laboratory experiments have indicated that this release of cell matter by viruses can stimulate the growth of the microbial community. There is also evidence that viruses are responsible for the turnover of 20-50% of bacterial communities per day. If these estimates are accurate, then viruses can increase the flow in organic matter (carbon) to the bottom of the oceans, when compared with ecosystems with no viruses. And this is important because the climate of our planet is largely regulated by this flow of carbon to the bottom of the oceans, which is mediated by living organisms (the famous biological pump, as described in the image above). This means that the fact that this year was scorching hot in your hometown is in some way associated with the balance of carbon flow in different parts of the oceans worldwide. We still know little about marine viruses. The viruses in the picture here were isolated during the TARA Oceans expedition. They are so small you would have to put 250 of them side by side to reach the width of a strand of hair. More recent studies indicate that these pelagiphages are nearly as abundant as SAR11 bacteria, the “invulnerables”, described above. Therefore, knowing more about marine viruses will help us understand better about how carbon is stocked and released in the ocean. While my cold last week had nothing to do with these fantastic organisms, they have everything to do with the balance of our planet. Viruses come in all shapes and sizes! If you liked today’s post, leave a comment! This way we can seek guests to further explore themes that you guys think are interesting. See you next time! References and interesting news: Shelford EJ, Middelboe MM, Møller EF, Suttle CAS. (2012). Virus-driven nitrogen cycling enhances phytoplankton growth. Aquat Microbial Ecol, 66: 41–46. Weitz J. S. et al., 2014. A multitrophic model to quantify the effects of marine viruses on microbial food webs and ecosystem processes. The ISME Journal, 1–13. Buchan, A.; LeCleir, G. R.; Gulvik, C. A.; Gonzalez, J. M. (2014). Master recyclers: features and functions of bacteria associated with phytoplankton blooms. Nature Reviews Microbiology, 12, 686 - 698. http://uanews.org/story/ua-scientists-help-discover-most-abundant-ocean-virus #microbialloop #bacteria #marinebiology #marinescience #plankton #virus #chatcatarinarmarcolin #chatcarlaelliff

  • Projeto UFSC sem Plástico: pequenas mudanças de hábito, grandes impactos no meio ambiente

    Conheça o projeto premiado nos EUA que está mudando a UFSC e surgiu do desejo de estudantes por um mundo melhor. Por Lisiane de Liz Todos os anos toneladas de resíduos produzidos no continente, tanto de origem doméstica como industrial, chegam aos oceanos. Uma vez no ambiente marinho, dependendo do tipo e densidade desses resíduos, eles irão se acumular nas praias, na coluna d'água ou sobre o fundo. Dessa forma, a biota desses compartimentos pode ser afetada pela presença desse material. Exemplos disso são sufocamento ou sensação de falsa saciedade causada pela ingestão de resíduos, tais como plásticos. Além disso, resíduos como restos de redes de pesca podem ser responsáveis pelo aprisionamento de espécies, dificultando a movimentação e/ou captura de presas. A maior parte dos resíduos encontrados no ambiente marinho é composta por plásticos, que podem representar mais de 90% do material descartado de forma inapropriada que chega no mar. O desconhecimento dos danos causados pelos plásticos, aliado à ausência de responsabilidade pela quantidade de plásticos que consumimos (principalmente os descartáveis) e à má gestão do descarte desses resíduos são os maiores responsáveis pela entrada exacerbada de plásticos nas praias e oceanos. Preocupados com os problemas ambientais gerados pelo uso inconsequente de plásticos, foi criado o projeto de extensão “UFSC sem Plástico”, composto por um grupo multidisciplinar de estudantes de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Economia, Engenharia Ambiental e Sanitária, Nutrição, e Oceanografia. O projeto conta com o apoio da professora Dr. Juliana Leonel, responsável pelo projeto, e da Coordenadoria de Gestão Ambiental da UFSC. O projeto questiona o padrão de consumo e descarte de resíduos impostos na nossa sociedade, bem como dentro da Universidade. O campus de Florianópolis localizado no bairro Trindade congrega cerca de 70 mil pessoas e 15 lanchonetes que geram diariamente uma porção excessiva de resíduos plásticos. Além disso, a UFSC tem gastos elevados com materiais descartáveis e o direcionamento de resíduos para o aterro sanitário; gastos estes que poderiam ser destinados para outras atividades, como bolsas e auxílios aos alunos. Tendo em vista esse panorama, o Projeto UFSC sem Plástico tem como objetivo contribuir com a redução do consumo de plásticos e descartáveis dentro da Universidade e, consequentemente, minimizar o nosso impacto ambiental. Esperamos erradicar os canudos e substituir os itens de plástico por itens reutilizáveis com a conscientização das pessoas através das redes sociais do projeto e de parcerias com as cantinas, que devem apoiar a ação e incentivar seus clientes a levarem seus próprios copos. Todo material produzido pelo UFSC Sem Plástico tem licença de uso do tipo Creative Commons (Attribution-NonCommercial 4.0 International) que significa que pode ser usado por outras pessoas e/ou instituições desde que não seja para fins comerciais. Dessa forma, você pode ficar a vontade para usar nosso material desde que cite a fonte. No final de 2018, o UFSC Sem Plástico participou do evento Students for a Zero Waste Conference nos EUA, onde recebemos o prêmio “The Innovation Award for a Promising New Initiative”. Imagem: Membros do UFSC Sem Plástico (fornecido pelo projeto sob licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International). O que já foi feito? 1. Durante o segundo semestre de 2018 foram realizadas campanhas na Feira de Produtos Orgânicos, que ocorre toda quarta-feira na praça central da UFSC, com o objetivo de conscientizar as pessoas a trazerem um copo/caneca reutilizável para tomar caldo de cana, café, açaí etc. Durante o horário de funcionamento da feira os estudantes que participam do projeto conversavam com os feirantes e com os clientes sobre a necessidade de reduzir o consumo de plásticos descartáveis. Além disso, copos reutilizáveis eram emprestados para o consumo do caldo de cana. A atividade na feira era acompanhada de postagens nas redes sociais para incentivar as pessoas a adotarem um copo/caneca reutilizável. 2. Campanha de conscientização em um dos RUs da UFSC, que ainda fornecia copos descartáveis para os usuários, que resultou na eliminação dos copos descartáveis (vale ressaltar que na UFSC cada estudante/funcionário ao fazer sua carteirinha de identificação ganha uma caneca plástica reutilizável). 3. Implementação de um banco de copos em uma das cantinas da UFSC (as pessoas podem usar esses copos para tomar café/chá/suco nos dias que esqueceram de trazer seus reutilizáveis). Alguns eventos também usam nosso banco de copos para evitar o uso de descartáveis. 4. Criação do Selo Cantina Consciente dividida em 3 níveis. Para adquirir os selos as cantinas devem assumir compromissos sustentáveis, tais como, esconder (ou eliminar) os canudos descartáveis, ofertar pratos/talheres/copos/canecas reutilizáveis e estimular que os clientes tragam suas próprias canecas para consumo de bebidas. No momento duas cantinas estão se adaptando para receber o primeiro nível do selo. Imagem: Selos Cantina Consciente (fornecido pelo projeto sob licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International) 5. Divulgação do "Guia UFSC Sem Plástico: onde descrevermos como criamos o projeto para estimular a criação de projetos similares em outras universidades. Quem quiser receber o guia basta nos contactar através do e-mail ufscsemplastico@gmail.com 6. Criação do "Manual CA Consciente”, no qual são estabelecidas parcerias com centros acadêmicos auxiliando-os a serem veículos de conscientização ambiental. A ação tem como objetivo a sensibilização e transformação gradual dos centros acadêmicos e dos graduandos, tornando-os responsáveis pelo seu consumo e ações dentro da universidade, despertando consciência ambiental. Os CAs participantes concordam em reduzir (ou eliminar) o uso de descartáveis em seus eventos, a manter um banco de copos em suas instalações e disseminar os objetivos do UFSC Sem Plástico. P.S.: quem quiser receber o Guia UFSC Sem Plástico ou Manual CA Consciente pode escrever para ufscsemplastico@gmail.com. P.S.1: quer saber mais sobre o UFSC Sem Plástico? Siga-nos no Instagram e no Facebook. Sobre Lisiane de Liz: Curiosa para compreender os oceanos, sua influência na manutenção da Terra e toda sua complexidade, optei por cursar Oceanografia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Apesar de não morar em uma cidade costeira e nem sempre passar o verão em contato com os oceanos, quando ocorria esse encontro sempre observava e escutava o som do mar procurando entendê-lo e pensando em como poder ajudar na sua preservação. Meu trabalho de conclusão de curso, bem como meu projeto de dissertação do mestrado é na área de Geoquímica Orgânica. A preocupação com a poluição marinha consequente dos nossos hábitos e do descarte incorreto de produtos, principalmente descartáveis, me despertou a sensibilizar pessoas próximas sobre conscientização e mudança. Durante o primeiro ano do mestrado, encontrei pessoas que assim como eu, também estavam incomodadas com essa problemática tanto no meio ambiente quanto na nossa universidade, foi quando criamos o projeto UFSC Sem Plástico. Atualmente sou mestranda na UFSC. #ciênciasdomar #plástico #conscientizaçãoambiental #extensãouniversitária #convidados

  • The effects of the lack of communication between science and society

    By Jana del Favero Translated by Lídia Paes Leme English edited Katyanne M. Shoemaker Original With the investment cut by CAPES (a Brazilian science funding agency) on the 3rd of August 2018, many Brazilian researchers started using social media to tell society about what they’ve been researching, using the hashtags #MinhaPesquisaCapes and #ExistePesquisaNoBr. (#MyresearchinBrazil, #thereisscienceinBrazil). In this blog we surveyed editors and guests to see who had received CAPES funding at some point in their career. In less than 2 hours, we had over 20 researchers. What fault do we have, as scientists, in this government cut? Why did we wait for the announcement of such a drastic measure to start communicating the importance of our research to society? Why did we wait for absurd ideas, such as the anti-vaccine movement, the flat Earth conspiracy, and others to spread before bringing science to the public? Shouldn’t it be routine for scientists to speak directly to society? Why don’t we? The first reason that comes to mind is the constant lack of time, and this walks side by side with the lack of incentive (and/or lack of recognition). We, Brazilian scientists, other than developing our research, juggle: 1) Teaching (undergrad and grad); 2) Advising (undergrad, masters, doctorate research); 3) Proposing and managing research, teaching, and extension projects; 4) Finding funding and supplying equipment and other materials for research and teaching; 5) Organizing others schedules for lab and field work; 6) Attending meetings and serving on committees (department, courses, post-grad, etc); and 7) Participating in evaluation panels (exams, undergrad/grad titles). The lack of incentive is in the fact that funding agencies, career evaluations, and teaching exams in public universities undervalue public outreach efforts. Currently, the best way to score points in academia is to publish many articles in scientific magazines, and those rarely reach the general public. I’m not saying that peer-reviewed papers are not important, but that they shouldn’t be the only metric. This lack of incentive quiets the scientists, and in turn, society doesn’t value the science being done because they don’t know how it can affect their lives. Add to this a government that doesn’t encourage scientific dissemination because scientists don’t speak up and the public doesn’t ask for it, and we enter a vicious cycle that is hard to break. It’s worth remembering that the majority of research done in Brazil comes from within the University setting. The research is done by scientists, mainly in masters, doctoral, or post-doctoral programs, that are funded by research grant agencies, like CAPES. Without funding for communication, society will never be able to see the importance of the research that brings them medicine, fish in the market, and transportation! One example of this disconnect between science and society was a paper’s headline announcing that CAPES would not have money to assist in paying researchers after August 2019; but I’d like to make it clear that CAPES does not pay partial assistantships, but rather exclusive scholarships that are the only means of income for most researchers. This payment is called a research assistantship because it is not taxed, but it also does not come with benefits like vacation days, 13rd salary, guaranteed funding, or unemployment insurance. In many cases, the one with a scholarship is legally restricted from performing any other money-making activity while receiving this funding. Therefore, these scholarships are actually “salaries,” and the only source of income the researchers have. Who doesn’t work best when they have a good, stable income? When they don’t have to worry if their scholarship will be cut off or not? When they don’t frequently have to ask for extensions or to submit new project proposals? So I leave here a challenge for all of my colleagues in academia: Speak up! Don’t let the hashtags #MinhaPesquisaCapes #ExistePesquisaNoBrasil be short-lived. And also, I challenge all non-scientists: find something in your life that wasn’t created, dependent upon, or made better by science. Value all you have around you, because then you’ll be valuing science! #chatjanamdelfavero #scienceoutreach #scientistlife

bottom of page