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- O medo que te cerca vem de onde?
Por: Anônima* Ilustração: Caia Colla Escrevo esse texto em 15 de outubro, no Dia Internacional de Sensibilização à Perda Gestacional, Neonatal e Infantil. Eu nem sabia que essa data existe. Esse ano, ao saber, chorei. Muitas pessoas próximas à mim nem sabem que sou mãe de um anjo. Escondi por três meses a gestação por medo. E não era medo de perder o bebê como muitas mães relatam, era medo de perder a bolsa de pesquisa que recebia na época. E olha que eu nem sei dizer como meu supervisor iria reagir, já que eu nunca sequer contei a ele sobre a gravidez. Não sei se ele seria compassivo com a minha situação ou um babaca. Eu tive medo. Medo baseado em relatos de amigas que foram “demitidas” ao contar para o(a) professor(a) responsável que estavam grávidas**. Medo baseado em relatos de amigas que foram coagidas a assinar termo de compromisso prometendo não engravidar durante o doutorado. Medo baseado em relatos de amigas que não conseguiram seguir a carreira acadêmica depois da gravidez. Medo baseado em relatos de amigas que não engravidam temendo não dar conta de cumprir prazos e cuidar do filho. E por causa de tantos medos, eu não curti os únicos três meses que tive meu filho em minha barriga. Por ironia, quando estava começando a aceitar o meu destino, quando estava começando a aceitar que daria uma pausa na carreira para cuidar de mim e do meu filho - mesmo ciente que essa pausa poderia ser um parada permanente*** - fui surpreendida com um aborto espontâneo durante uma viagem para um congresso internacional. Me mantive aparentemente forte e apresentei dois trabalhos oralmente, conversei com pesquisadores de renome, socializei e fiz o meu papel de pesquisadora. Fingi estar bem, mesmo estando dilacerada por dentro. Voltei para o Brasil acreditando ter deixado todos os medos e tristezas para trás. Mas o fantasma do medo continuou me assombrando. O prazo da minha bolsa estava expirando e eu temia não conseguir outra posição se o professor responsável pensasse que eu engravidaria de novo se soubesse que eu tinha engravidado antes. E assim, com medo de desabafar e ter meu segredo descoberto, guardei toda a dor comigo. Não deixei de ir um só dia ao instituto de pesquisa que estava vinculada e cumprir meus prazos. E hoje, meses depois do ocorrido, já vinculada a um novo projeto, em um novo instituto, continuo com o mesmo medo me acompanhando. Durante a entrevista, tive medo de que de alguma maneira meu novo supervisor descobrisse toda essa história e não me selecionasse. Novamente, não estou dando a chance de saber se meu supervisor seria compassivo ou babaca, e guardo meus medos comigo. Então, se você também está com medo, só queria te falar que você não está sozinha, por mais que continuamos escondidas atrás dos nossos próprios fantasmas. *Por medo, envio esse post como anônima para as editoras do Bate-papo com Netuno. **Aqui cabe um parênteses, hoje muitas bolsas de pesquisa de agências de fomento possuem licença maternidade, mas muitas bolsas de pesquisa são vinculadas a grandes projetos ou empresas e, nesse caso, quem decide quem fica ou não com o salário é o professor responsável pela atividade. ***Vou precisar fazer um terceiro parênteses para as jovens pesquisadoras: ficar um ou até mesmo dois anos afastados da academia gera lacunas no currículo lattes difíceis de serem sanadas que nos colocam em posições desfavoráveis em processos seletivos. Porém, alguns editais já consideram essa uma questões e tratam diferentemente as interrupções na carreira devido a maternidade. #mulheresnaciência #maternidade #caiacolla
- I Workshop do Plano Estadual de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar - SP
Em dezembro de 2019, nossa editora Carla Elliff participou da organização do I Workshop do Plano Estadual de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar (PEMALM) - SP. O projeto PEMALM ocorre em parceria mútua entre o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), a Cátedra da UNESCO para a Sustentabilidade dos Oceanos, o Instituto de Estudos Avançados (IEA) e Instituto Oceanográfico (IOUSP) da Universidade de São Paulo, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SIMA) e a Embaixada da Noruega. Uma das premissas do PEMALM é que tomadores de decisão e atores interessados possam contribuir com o diagnóstico do problema e com o desenvolvimento de soluções para o lixo no mar. Portanto, como estratégia para reunir informações, formalizar uma rede de colaboradores e planejar diretrizes futuras, realizou-se o I Workshop do Plano Estadual de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar. O evento ocorreu nos dias 12 e 13 de dezembro de 2019, no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, na cidade de São Paulo. O workshop contou com a participação de atores que produzem e têm o potencial de produzir informações sobre lixo no mar no estado de São Paulo, totalizando cerca de 80 pessoas. Para chegar nesse número, foi feito um esforço de muitas semanas seguindo uma metodologia padronizada. O resultado foi um público muito diversificado, reunindo pesquisadores, representantes do poder público, setor privado e ONGs, para conversar sobre um mesmo tema, encontrando uma linguagem em comum para pensar em soluções. Para saber mais sobre o projeto e como foi esse primeiro workshop, acesse o canal PEMALM SP no YouTube! Apresentação - Plano Estadual de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar (PEMALM) I Workshop - Plano Estadual de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar (PEMALM) #lixonomar #lixomarinho #poluição #plástico #sãopaulo #políticaspúblicas #participativo #carlaelliff #netuniandoporai
- Palestra “Marine Debris: the ocean’s biggest tiny problem”
No dia 04 de novembro de 2019, transmitimos online em nosso Facebook a palestra “Marine Debris: the ocean’s biggest tiny problem” da Dra Jennifer Brandon. Durante sua pesquisa de doutorado, a Dra Brandon desenvolveu novos métodos para quantificar a distribuição e abundância dos menores microplásticos no mar aberto. Ela ainda examinou como estes plásticos minúsculos entram na cadeia alimentar planctônica e no registro sedimentar. A palestra foi organizada pelo Consulado Americano em parceria com o SAGE/COPPE/UFRJ e pode ser assistida online em: https://youtu.be/0tI23oW8_TI #netuniandoporai #microplasticos #marinedebris #plasticos #poluicaomarinha #palestra
- SBPC Jovem 2016
Em julho de 2016, nossa editora Catarina Marcolin coordenou a atividade “Desvendando os mistérios do oceano: venha conhecer o plâncton microscópico” durante a 68a Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Porto Seguro, BA. O evento aconteceu no Campus Sosígenes Costa da UFSB e recebeu milhares de crianças, jovens e adultos. Houve exposição de animais microscópicos vivos, equipamentos de coleta e vídeos sobre trabalhos de campo em oceanografia. #netuniandoporai #catarinarmarcolin #sbpcjovem #ufsb
- Por que precisamos falar sobre divulgação científica?
No dia 02 de agosto de 2019, em meio à tantos ataques ao INPE e à ciência, a Jana del Favero, nossa editora, falou sobre a importância de uma comunicação científica honesta e de qualidade entre os cientistas e a sociedade. Abordou as razões pelas quais muitos cientistas não realizam nenhuma atividade de popularização das ciências. Por fim, deu dicas para quem pretende começar a divulgar o seu trabalho. O assunto está tão em alta, que mesmo após 50 minutos de palestras, ainda rolou mais de uma hora de discussão e de trocas sobre o tema. #janamdelfavero #netuniandoporai #INPE
- Popularização das ciências na UFRJ
No dia 04 de julho de 2019, nossa editora Jana del Favero falou sobre “Popularização das ciências por que precisamos falar sobre isso?" para alunos, técnicos e professores no Programa de Pós Graduação em Ecologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A apresentação foi seguida por diversas perguntas e comentários da platéia. Anfiteatro lotado para assistir a palestra sobre popularização das ciências na UFRJ. Tópicos abordados na palestra. #janamdelfavero #netuniandoporai #UFRJ
- Larval Fish Conference 2019
Durante o “Larval Fish Conference”, realizado em Mallorca - Espanha, houve uma seção para apresentações de iniciativas de divulgação científica. Nossa editora Jana del Favero falou sobre o Bate-papo com Netuno, que foi amplamente elogiado como ação de popularização de ciência. #netuniandoporaí #janamdelfavero #outreachscience #popularizacaodasciencias
- Oficina de Saberes
Entre março e maio de 2019, o Bate-papo com Netuno e a Universidade Federal do Sul da Bahia promoveram uma oficina no Centro Integrado de Educação de Porto Seguro (CIEPS). Três cientistas do mar (Silvio Sasaki, Juliana Quadros e Andresa Oliva) foram conversar com estudantes do ensino médio sobre suas histórias de vida, sobre como descobriram que queriam ser cientistas e as aventuras e percalços ao longo de suas carreiras. Além das conversas, os convidados ainda realizaram algumas atividades científicas com os alunos. Maiores informações, clique aqui! #netuniandoporai #catarinarmarcolin #ufsb #ciêncianaescola
- Dia Internacional da Mulher 2019
Oito de Março, o Dia Internacional da Mulher, está chegando! E junto com ele, uma série de eventos imperdíveis. Nós do Bate-papo com Netuno separamos alguns eventos em diversas partes do Brasil. E na sua cidade? Haverá algum evento? Compartilhe com a gente! Angra dos Reis – RJ Na Vila Histórica de Mambucaba será realizada o evento “Mar de rosas: as mulheres e os oceanos”, onde ocorrerá uma homenagem às mulheres que têm suas vidas ligadas ao mar (Dia: 09/03 às 13 horas – gratuito; informações (24) 988331608). Florianópolis - SC Pré 8M Na UFSC - roda de conversa: Mulheres na Pós - graduação: diversidade, resistência e luta (Informações: https://www.facebook.com/events/562590827563911/). Rio de Janeiro – RJ Mulheres do Amanhã: Uma semana de atividades no Museu do Amanhã, incluindo um dia só sobre Mulheres na Ciência. (Informações: https://museudoamanha.org.br/pt-br/semana-das-mulheres-do-museu-do-amanha-mulheres-do-amanha). São Paulo - SP Entre os dias 11 e 15 de março, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas realiza a Semana da Mulher IPT 2019: Construindo a Igualdade de Gênero. Além de apresentações de documentários e atrações artísticas e culturais, a programação reúne convidadas de diferentes campos do conhecimento, promovendo uma reflexão sobre a condição da mulher no mundo contemporâneo. O evento é gratuito e aberto ao público. Informações: http://uspmulheres.usp.br/semana-da-mulher-ipt-2019-construindo-igualdade-de-genero/ Greve Internacional de Mulheres Mulheres do Brasil e do mundo participarão da Greve Internacional de Mulheres. A greve ocorrerá em 8 de Março. Nas ruas, as mulheres lutarão contra o machismo, a desigualdade de gênero, os feminicídios e os projetos que atacam seus direitos. Aracaju (SE): https://bit.ly/2TnMevN Belém (PA): https://bit.ly/2VIWXxE Belo Horizonte (MG): https://bit.ly/2Inq1sB Campinas (SP): https://bit.ly/2CpidAt Caxias do Sul (RS): https://bit.ly/2HgNaL3 Curitiba (PR): https://bit.ly/2BNne63 Distrito Federal: https://bit.ly/2HkMUdR Florianópolis (SC): https://bit.ly/2NNmliP Itajaí (SC): https://bit.ly/2EG2E8B Itapetininga (SP): https://bit.ly/2TkUPzm Juiz de Fora (MG): https://bit.ly/2EC2Zci Londrina (PR): https://bit.ly/2HdZUCi Macapá (AP): https://bit.ly/2NxhO46 Manaus (AM): https://bit.ly/2XQ3dFE Marabá (PA): https://bit.ly/2Tzhjf8 Natal (RN): https://bit.ly/2EJXska Passo Fundo (RS): https://bit.ly/2TxjS1d Petrópolis (RJ): https://bit.ly/2VLgCgn Porto Alegre (RS): https://bit.ly/2tShL9I Recife (PE): https://bit.ly/2SJP5d7 Ribeirão Preto (SP): https://bit.ly/2HhdcxP Rio de Janeiro (RJ): https://bit.ly/2HiDLmf Rio Grande (RS): https://bit.ly/2TyC4rb Roraima (RO): https://bit.ly/2UnHtyL Salvador (BA): https://bit.ly/2ERAGbh Santa Maria (RS): https://bit.ly/2H61BlZ São José dos Campos (SP): https://bit.ly/2ERGz8i São Leopoldo (RS): https://bit.ly/2XJa3wk São Paulo (SP): https://bit.ly/2C6UVjt Uberlândia (MG): https://bit.ly/2H5gG7s Vitória (ES): https://bit.ly/2EUq7nX #mulheresnaciência
- Da praia ao laboratório: como me tornei uma cientista
Por Mônica Lopes-Ferreira Desde pequena sempre gostei do mar. Nos finais de semana, nas férias, nos feriados, lá estava eu curtindo uma praia. Tudo no litoral me encantava: a natureza, as paisagens, os animais. Enquanto eu desfrutava das verdes águas mornas da cidade de Maceió, minha terra natal, simultaneamente prestava atenção em todo o ecossistema ao meu redor. No início da juventude chegou o momento de escolher qual carreira seguir. Não tive dificuldade em entender que o estudo dos seres vivos fazia com que a minha mente e meu coração vibrassem. Decidi fazer Biologia, estudei bastante e ingressei na Universidade Federal de Alagoas. Sou muito curiosa e sempre gostei de aprender. Além da rotina das aulas na Universidade, eu participei de muitos cursos, seminários e palestras na área. Até que no ano de 1989, um encontro especial mudou o rumo da minha história. Ivan Mota - pesquisador do Instituto Butantan – ministraria em Alagoas um curso sobre Imunologia. Como estudante, me senti estimulada a saber mais sobre aquele centro de pesquisa que eu conhecia somente pelos livros de Ciências. Eu já sabia que os cientistas de lá estudavam animais peçonhentos e produziam soros para tratar os acidentes que os venenos provocavam. E a Imunologia? Ela eu ainda não conhecia. O curso era complexo, oferecia aulas o dia inteiro e tinha muitos alunos. Ali tive contato com muitas novidades e fiz grandes descobertas. O professor era um pesquisador competente, entusiasmado e apaixonado. Fiquei completamente atenta e deslumbrada com a Imunologia. Para a minha surpresa, ao final do curso ele anunciou que faria a seleção de cinco alunos para um estágio no Instituto Butantan. Passei na entrevista, fui escolhida e descobri que o professor – assim como eu - também gostava do mar. Tive total apoio dos meus pais para realizar o estágio. Sentamos, conversamos e decidimos que eu iria para São Paulo. Eles tinham consciência de que seria uma grande oportunidade e que eu viveria momentos únicos. Quando cheguei na capital paulista, me surpreendi com o tamanho da cidade. Como ela era diferente de Maceió! Nunca vou esquecer do primeiro dia, do primeiro olhar, das fortes batidas no coração, ou seja, minha descoberta da cidade. Em contrapartida, o Butantan era um refúgio no meio de São Paulo. Muitas árvores, prédios antigos, museus, laboratórios, cobras, aranhas, escorpiões, entre outras espécies de animais peçonhentos. Os pesquisadores me ensinaram muito. As hipóteses, as perguntas, os experimentos, a vida dinâmica do laboratório e a Imunologia foram conduzindo a trajetória para que eu me tornasse uma cientista. Acabei ficando em São Paulo e terminei o curso de Biologia por aqui. Estudei muito e ingressei em uma pós-graduação na área de Imunologia. Meu objeto de estudo foi um animal peçonhento. Não era cobra, aranha, muito menos escorpião. Minhas origens litorâneas falaram mais alto e decidi estudar um peixe. O animal escolhido para a minha pesquisa foi o Niquim, de nome científico Thalassophryne nattereri; peixe da região Nordeste que despertou a minha atenção durante um período de férias em Maceió. Um médico dermatologista me contou na ocasião relatos sobre os acidentes que o bicho causava em pescadores e banhistas. Não havia tratamento e existiam poucos estudos sobre o veneno. Fiquei convencida da importância de estudar a espécie em questão, quando comecei a conversar com os pescadores locais. Eles me disseram: “Ele é um peixe pequeno, de movimentos discretos, não ataca ninguém, mas quando tem seu espaço invadido, solta um veneno capaz de aleijar ". O aquário no laboratório cresceu e outros peixes peçonhentos chegaram: bagres, arraias, peixe-escorpião e espécies que habitam as nossas águas e causam acidentes. Até que um peixe mais dócil apareceu no meio do caminho e os estudos foram ampliados. Zebrafish O Zebrafish - de nome científico Danio rerio - é conhecido popularmente como Paulistinha. Ele é utilizado como modelo experimental em muitos países para estudos comportamentais, genéticos, testes de toxicidade, entre outras áreas. Aprofundei meus conhecimentos sobre a espécie e iniciei os estudos com o peixe no Instituto Butantan. As pesquisas avançaram e em 2015 foi inaugurada a Plataforma Zebrafish. Um local de criação e manejo do animal, que tem como objetivo fazer ciência e compartilhar informações. A partir da Plataforma surgiu a Rede Zebrafish. Um projeto que liga 80 pesquisadores de 40 instituições espalhadas pelo Brasil. O Paulistinha também é comunicação; um divulgador de ciência e contador de histórias. Com ele eu tenho ido além, chegado em diferentes lugares, conversado com crianças, jovens, adultos e idosos. Mulher e cientista Durante uma palestra que ministrei em um Colégio Estadual de Osasco, sobre o Zebrafish, os alunos não sabiam qual era o gênero do pesquisador que falaria para eles naquele dia. A maior parte dos estudantes esperava um homem velho, de jaleco e com cabelos brancos. Fiz questão de levar comigo somente pesquisadoras mulheres; elas são maioria em nosso laboratório e devem servir de exemplo para as crianças. É preciso romper paradigmas para que as coisas mudem. Me sinto realizada pela oportunidade de trabalhar em prol do avanço da ciência. Esta é a minha história como mulher e cientista. Estudei, ingressei na pós-graduação e, no ano de 2000, concluí o doutorado pelo Departamento de Imunologia da Universidade de São Paulo. Sou doutora, pós-doutora, pesquisadora do Instituto Butantan e atualmente diretora do Laboratório Especial de Toxicologia. E por tudo isso posso dizer, Sou Feliz, Sou Cientista. Mônica é pesquisadora do Instituto Butantan e coordenadora da Plataforma Zebrafish. As ilustrações deste post são de Veridiana Scarpelli. #convidados #carreira #cientista #mulheresnaciência #MônicaLopesFerreira
- Aquele “mato” chamado marisma
Por Alice Reis Marismas são vegetações herbáceas, um tipo de gramínea. Esse tipo de vegetação ocorre na região entre marés de estuários (região de encontro entre o rio e o mar). As marismas ocorrem entre os limites de maré baixa e alta de sizígia (maré grande). Isso quer dizer que, quando a maré sobe, as marismas ficam submersas durante um tempo. Por ser uma vegetação terrestre, e não aquática, ela possui adaptações fisiológicas para suportar a submersão. No entanto, não sobrevive se ficar mais que algumas horas submersa, e diferentes espécies possuem diferentes limites à submersão. Por ocorrer em regiões estuarinas, onde a água é salobra, as espécies de marisma também possuem adaptações para lidar com a grande quantidade de sal presente. Algumas espécies possuem células responsáveis por excretar o sal e, em alguns casos, é possível ver pequenos cristais em suas folhas. Esse tipo de vegetação possui diversas funções. Por ser uma vegetação costeira, ela protege a linha de costa da erosão, como ocorre quando o nível do mar sobe ou quando uma tempestade mais forte atinge a costa. As marismas também têm função de refúgio para pequenos organismos, como juvenis de peixes (quando a maré sobe) e crustáceos. Por exemplo, pequenos caranguejos utilizam a vegetação para se esconder de aves e se proteger do Sol durante a maré baixa. Um papel importante das marismas diz respeito à sua relação com os manguezais. Os manguezais ocorrem na região tropical e as marismas ocorrem na região temperada. Um lugar famoso pelas grandes marismas é a Lagoa dos Patos (que na verdade é uma laguna, já que possui conexão direta com o mar e água salobra) no Rio grande do Sul. Apesar de predominar em regiões diferentes do globo, as marismas também ocorrem na região tropical, somente onde o mangue não consegue colonizar. No entanto, estudos recentes vêm mostrando que as marismas estabilizam o sedimento e permitem que o mangue passe a colonizar essas regiões que antes não seria capaz, a isso se dá o nome de sucessão ecológica. Esse conhecimento mostra que as marismas podem ter um papel importante no processo de colonização dos mangues. Por isso diversos pesquisadores começaram a fazer experimentos para testar se esse tipo de vegetação pode ser um facilitador para colonização de mangue, e assim, poder ser utilizado para auxiliar no reflorestamento de manguezais que foram desmatados. Estudos recentes do Laboratório de Ecologia Bentônica da Universidade Federal da Bahia vêm coletando informações preliminares sobre as marismas da região tropical, mais especificamente no estuário do rio Jaguaripe na Bahia. Quem sabe num futuro próximo não estaremos reflorestando florestas de mangue com a ajuda dessa gramínea? Para entender mais sobre o assunto: 1. Schaeffer-novelli, Y. 1999 Grupo de ecossistemas: manguezal, marisma e apicum. 119. 2. Silvestri, S., Defina, A. & Marani, M. 2005 Tidal regime, salinity and salt marsh plant zonation. Estuar. Coast. Shelf Sci. 62, 119–130. (doi:10.1016/j.ecss.2004.08.010) 3. McKee, K. L., Rooth, J. E. & Feller, I. C. 2007 Mangrove Recruitment After Forest Disturbance Is Facilitated By Herbaceous Species in the Caribbean. Ecol. Appl. 17, 1678–1693. (doi:10.1890/06-1614.1) Sobre Alice Reis: Alice ama a Oceanografia por ser uma profissão multidisciplinar, que integra diferentes áreas de estudo dos oceanos, e por isso possibilita enxergar os oceanos de forma abrangente. Durante a graduação, estudou Biologia Marinha na Università di Pisa, Itália. Foi bolsista PIBIC no período de 2012-2013, no Laboratório de Ecologia Bentônica (LEB), com ênfase em Interação entre os Organismos Marinhos e Ecologia de Ecossistemas. Formou-se em oceanografia pela UFBA em 2016. Atualmente, Alice está se preparando para o mestrado em Ecologia para continuar estudando o papel das marismas tropicais como refúgio. #convidados #ciênciasdomar #marismas #manguezais #regiãoestuarina #AliceReis
- Tartarugas marinhas e a pesca nos oceanos
Por Melissa Marcon As tartarugas marinhas apresentam-se distribuídas globalmente e podem ser encontradas em mares tropicais e subtropicais de todos os oceanos (MÁRQUEZ, 1990). Das sete espécies de tartarugas marinhas existentes no planeta, cinco utilizam a costa brasileira para alimentação e reprodução (MARCOVALDI & MARCOVALDI 1999). Figura 1. Cinco espécies de tartarugas marinhas que podem ser encontradas na costa brasileira. A) Tartaruga cabeçuda; B) Tartaruga verde; C) Tartaruga de couro; D) Tartaruga de pente e Tartaruga oliva. Fonte As causas da redução na população das tartarugas marinhas estão ligadas direta ou indiretamente à destruição do ambiente pela ação antrópica nas praias de desova (como iluminação, circulação de carros, entre outros), predação dos ninhos, interação com a pesca, e poluição (SPOTILA et al., 2000; BUGONI et. al., 2001; TOMÁS et al., 2001; BARROS et al., 2010). Além disso, a interação das tartarugas marinhas com as artes de pesca é um dos fatores de mortalidade e injúria de indivíduos jovens e adultos em todo o mundo (LUTICAVAGE et al., 1997; PINEDO & POLACHECK, 2004; KOTAS et al., 2004; DOMINGO et al., 2006; GARDNER et al., 2008). Em minha dissertação de mestrado eu avaliei a interação de tartarugas marinhas de couro (Dermochelys coriacea) e cabeçuda (Caretta caretta) com a pesca de espinhel pelágico na região Sudeste/Sul do Brasil. Meu objetivo principal com esse estudo foi quantificar os padrões de distribuição das capturas acidentais dessas espécies de tartarugas marinhas e correlacioná-los com variáveis ambientais (oceanográficas), biológicas e operacionais, esperando contribuir com a formulação de estratégias de conservação e manejo de pesca que beneficiem a manutenção do ecossistema pesqueiro. Estimativas da captura incidental dessas tartarugas pelo espinhel pelágico têm gerado preocupação em relação às taxas de mortalidade por pesca, e ao baixo potencial de recuperação dessas populações no Oceano Atlântico. Para entender de forma simples um pouco mais sobre esta arte de pesca clique aqui. Figura 2. Pesca com espinhel pelágico de superfície. Distribuição dos petrechos de pesca. Fonte O monitoramento das capturas acidentais, juntamente com o registro dos respectivos dados abióticos e operacionais da pesca, muitas vezes obtidos por observadores de bordo em frotas comerciais, deve ser considerado como uma rica fonte de informação, pois permite melhorar a compreensão do comportamento das populações de tartarugas marinhas, bem como apreciar a importância das variações ambientais sobre a dinâmica das populações. Em meu estudo pude identificar que a tartaruga cabeçuda foi capturada acidentalmente em maior número que a tartaruga de couro, assim como observado por outros autores. O fato de a maior parte dos indivíduos de tartaruga cabeçuda haver sido fisgado pela boca, é congruente com o fato da espécie se alimentar de peixes, logo esta espécie alimenta-se da isca do espinhel. Já a tartaruga de couro, em sua maioria, foi encontrada com o anzol externamente ao corpo, o que está relacionado com sua alimentação, já que a espécie se alimenta de plâncton gelatinoso. Observei também que em relação a sazonalidade, ou seja, estação do ano, as tartarugas foram capturadas em maior número no outono. É possível que nessa estação ocorra algum fenômeno oceanográfico que favoreça a maior abundância relativa de tartarugas. Desse modo, o pico de capturas acidentais encontrado duranto o outono, pode estar relacionado à migração das mesmas para essa região mais costeira, possivelmente para alimentação, onde, consequentemente, uma maior vulnerabilidade ao espinhel possa ocorrer durante essa estação. As capturas acidentais da tartaruga cabeçuda analisadas no meu mestrado foi significativamente maior quando lulas foram usadas como isca em operações de pesca, demostrando assim, a preferencia por este tipo de isca por esta espécie. Cabe destacar que observações feitas anteriormente por outros autores havendo encontrado reduções na captura da tartaruga cabeçuda usando, inclusive, a cavalinha (Scomber scombrus) como isca, assim como autilização do anzol circular para dimunuir os danos da captura acidental. A alimentação oportunista da tartaruga cabeçuda em sua fase juvenil oceânica torna a espécie muito suscetível à captura incidental em espinhel pelágico. Leia mais sobre métodos para se reduzir a captura acidental de tartarugas marinhas em operações de pesca neste link. De modo geral, pude identificar padrões de comportamento, como preferência de localidade e tipo de isca, assim como o tipo de anzol e a época do ano em que as tartarugas marinhas destas espécies são capturadas em maior número. É importante salientar que os dados dependentes da pesca se mostraram muito úteis, podendo ser, às vezes, a única fonte de informação para a análise dos padrões de comportamento migratório, localização e habitat preferido das tartarugas marinhas em diversas partes do mundo. Pode parecer paradoxal que a própria atividade impactante seja a que nos permite conhecer, com mais detalhes, as populações impactadas. Mas esses dados de capturas acessórias ou acidentais, são de fato cada vez mais completos e permitem uma melhor identificação dos potenciais impactos que essas populações sofrem. Nesse sentido, com base nos resultados do meu mestrado, podem ser propostas diversas iniciativas e medidas visando contribuir com a conservação das espécies de tartaruga marinha estudadas e com o manejo da atividade pesqueira. A vida nos oceanos não é nada fácil para as nossas belas gigantes marinhas, sendo assim, todos os esforços para conhecê-las e protegê-las, assim como o ambiente que frequentam, é extremamente válido e gratificante. Sobre Melissa Marcon: Médica veterinária formada pela Faculdade de Jaguariúna (2009). Apaixonada pelo mar e seus habitantes finalizei meu mestrado em Oceanografia Biológica pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo em 2013. Atuo na área clínica médica e cirúrgica de pequenos animais e animais silvestres. Possuo experiência na área de coleta de material biológico, monitoramento de praia, necropsia, resgate e reabilitação de animais marinhos, em especial, quelônios marinhos. Melissa já publicou outro post com a gente, acesse "Uma veterinária, a tartarugas marinhas, e a oceanografia" #ciênciasdomar #melissamarcon #convidados #oceano #pesca #tartarugasmarinhas












