Costão Rochoso

Atualizado: Mar 18

Por Jana del Favero e Carla Elliff


O costão rochoso é um ambiente costeiro formado por rochas (substrato consolidado) situado na transição entre os meios terrestre e marinho. Pode ser formado por paredões verticais bastante uniformes, que se estendem muitos metros acima e abaixo da superfície da água (ex. a Ilha de Trindade) ou por matacões de rocha fragmentada de pequena inclinação (ex. na costa de Ubatuba/SP).

Figura 1: Exemplos de costões rochosos na Ilha de Trindade-ES (à esquerda - Fonte. Com licença CC BY-SA 3.0) e em Ubatuba-SP (à direita - Fonte. Com licença CC BY-SA 4.0)


Na maioria das vezes, os costões são extensões das serras rochosas que atingem o fundo do mar. No estado de São Paulo, por exemplo, observa-se que em locais onde a Serra do Mar está próxima ao oceano, ocorre um predomínio de costões rochosos na interface da terra com o mar (ex. Ubatuba), já em locais onde a Serra do Mar está muito distante da costa, ocorre o predomínio de manguezal ou restinga (ex. Cananéia). Já no Rio Grande do Sul, só existem costões rochosos no município de Torres, que representa o único ponto onde a Serra Geral encontra o mar!

Figura 2: Praia da Guarita em Torres-RS (Fonte: Carla Elliff, licença CC BY-SA 4.0).


O costão rochoso é um importante substrato de fixação para larvas de diversas espécies e locomoção para muitos organismos. A sua ocupação não ocorre aleatoriamente, ou seja, os organismos se estabelecem ou se locomovem em faixas bastante distintas normalmente perpendiculares à superfície do mar. Estas regiões (ou zonas) são formadas a partir das habilidades adaptativas dos organismos relacionadas a fatores abióticos (ambientais, como o nível da maré), e fatores bióticos (diversos níveis de interações biológicas, como predação e competição por espaço). A esta distribuição organizada dá-se o nome de zonação e, de maneira geral, três zonas foram definidas:


1) Supralitoral: região superior do costão rochoso que é permanentemente exposta ao ar, onde chegam somente borrifos de água do mar. Ela está compreendida entre o limite inferior de distribuição da vegetação terrestre, e o limite superior de ocorrência de cirripédios (cracas) ou, por vezes, de gastrópodos do gênero Littorina. Nessa zona os fatores abióticos como temperatura e radiação solar possuem grande importância na distribuição dos organismos, os quais são adaptados à perda de água e à variação da temperatura.


2) Mediolitoral: é a zona que fica submersa durante a maré alta e exposta durante a maré baixa. Comumente é marcada pela ocorrência de cracas e por algas verdes. Os organismos sésseis (aqueles que não se movem, são fixos) dessa zona estão adaptados à variação de maré e a todas as mudanças ambientais impostas por essa oscilação, o que inclui um período reduzido para alimentação e liberação de larvas. Os organismos móveis podem migrar para regiões inferiores na maré baixa e permanecem sempre submersos. Nessa zona ocorrem as poças de maré, depressões onde a água do mar forma piscinas sujeitas às condições atmosféricas e alta variabilidade de temperatura e salinidade durante a maré baixa (já falamos sobre os peixes encontrados nas poças de marés aqui).

3) Infralitoral: é a zona que fica sempre submersa, pois está situada abaixo do nível mínimo da maré baixa. Nessa zona, os fatores abióticos são mais estáveis e as relações biológicas (como predação, herbivoria, competição) determinam a distribuição dos organismos. Ela é caracterizada principalmente pela ocorrência de algas do gênero Sargassum e outros organismos da fauna como os equinodermas (ouriços-do-mar e estrelas-do-mar), cnidários (anêmonas), crustáceos (camarão, ermitão, caranguejo etc.), além de várias espécies de peixes.







Figura 3: Esquema de um costão rochoso com indicação de suas zonações, exposto no Museu de Ciências Naturais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (MUCIN/UFRGS) (Fonte: Carla Elliff, licença CC BY-SA 4.0).


Além de sua importância ecológica como substrato consolidado para o crescimento de tantos organismos, os costões rochosos são também importante área para exploração de recursos. Mexilhões e outros tantos moluscos bivalves são coletados durante as marés baixas em muitos desses locais, caracterizando a atividade de mariscagem. Além disso, a coleta de algas marinhas para consumo humano é também uma prática muito antiga realizada principalmente em países asiáticos, como o Japão.


Outro aspecto importante dos costões rochosos é sua característica como um laboratório natural a céu aberto. Toda essa diversidade de vida marinha está lá fixa em sua zonação, prontinha para ser estudada! Cada mudança de maré gera grandes alterações ambientais, permitindo o estudo de diversas respostas biológicas que podem servir de base para outras pesquisas. Além disso, por se tratar de um ecossistema de fácil acesso (basta ficar de olho na tábua de maré para ver toda a zonação disponível), é também um ótimo local para crianças e adultos curiosos aprenderem sobre as ciências do mar.


Figura 4: Famílias aproveitam a maré baixa em San Diego (EUA) para explorar a porção exposta de um costão rochoso e suas poças de maré (Fonte: Carla Elliff, licença CC BY-SA 4.0).


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