Se sentindo feita de trouxa
- há 11 minutos
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Por Anônima
Esse texto é meu, mas também é seu quando:
Você cumpre todos os prazos e regulamentos, mas na hora de pedir algo que você precisa, a instituição ignora seus e-mails, passa a responsabilidade para o fulano, para o ciclano, de volta para o fulano..., te responde que “demora bastante”, sem especificar nenhuma previsão de data.
Você topa começar a trabalhar em um projeto imediatamente, sem assinar contrato nenhum, porque entende que alguns assuntos são sensíveis ao tempo, mas na hora de ser remunerada percebe que toda aquela “sensibilidade ao tempo” não se aplica a você.
Você se dedica a fazer o melhor trabalho possível, mesmo em situações de poucos recursos e/ou com estrutura que dá pouco suporte, mas na hora de colher os louros seu nome não é destacado porque você ainda não é sênior o suficiente ou simplesmente “esquecem” de creditar sua autoria.
Você veste a camisa, vai além das suas obrigações para fortalecer o grupo, mas quando chega uma oportunidade de avançar na sua carreira, ela é oferecida para outra pessoa que chegou ontem.

Quem mais aí gritou “bingo!”?
Tá todo mundo cansado, afobado, sobrecarregado? Sim.
Isso significa que pode desrespeitar e abusar da boa vontade do próximo? De forma alguma.
A minha paciência, minha tolerância, minha compreensão com os problemas, as dificuldades e as limitações do mundo inteiro, precisam ser absolutamente esgotadas toda vez? Preciso esperar me sentir feita de trouxa nesse nível para me posicionar?
Boa vontade não pode ser confundida com disponibilidade infinita. Aprender a garantir o seu demanda um exercício de criar e manter limites, identificar seus valores e prioridades, dizer “não” e fazer sua voz ser ouvida. Você não está necessariamente sozinha nessa batalha, mas ninguém vai correr atrás disso por você. Hora de virar esse jogo.




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