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Bate-Papo com Netuno no Ocean Sciences Meeting 2026: Navegando em águas escocesas

  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

Entre os dias 22 e 27 de fevereiro de 2026, Glasgow, uma das mais importantes cidades da Escócia, recebeu o maior evento de Oceanografia do planeta: o Ocean Sciences Meeting (OSM)! Quando eu digo que é o maior, eu não estou exagerando: foram mais de 6.000 trabalhos apresentados, o espaço era enorme e usufruíram de toda tecnologia para fazer o evento acontecer!


Depois de mais de dez anos, esta foi a minha segunda participação neste evento, que, infelizmente, é inacessível para a maior parte dos estudantes de graduação, pós-graduação e, até mesmo, pós-doutorandos brasileiros por ter custos elevadíssimos, entre inscrição, taxa de submissão de resumo (sim, para cada resumo, havia um custo em libras esterlinas). Assim, normalmente, só participa deste evento aquela/e brasileira/o que recebe a chamada “taxa de bancada” ou “reserva técnica” (aquele valor equivalente a 10% das bolsas de estudo e pesquisa destinado a compra de insumos necessários ao desenvolvimento da sua pesquisa, participação em eventos, diárias de campo, etc.).



Algo muito interessante sobre o OSM é que os organizadores buscam tornar o evento cada vez mais inclusivo: existe um espaço de calma destinado a autistas (ou a quem mais precisar!); reuniões destinadas a neurodivergentes, LGBTQIAPN+; e um workshop sobre mulheres nas ciências do mar. Tivemos, ainda, algumas discussões sobre saúde mental também. Todos os dias, havia um café da manhã com quem buscava oportunidades na carreira, além de workshops sobre inserção no mercado de trabalho, mudanças de carreira e como preparar seu currículo. É muito bacana e importante nos dias de hoje vermos espaços assim. Que sejam cada vez mais frequentes!


Mas e o Bate-Papo com Netuno, onde entrou no OSM? Para este ano, foi criada uma nova seção denominada Sea of Learning: Sharing Stories of Ocean Engagement (em uma tradução livre, “Um Mar de Aprendizado: Compartilhando Histórias de Engajamento com o Oceano”). Foi nessa seção em que se encaixou a apresentação Bate-Papo com Netuno (Chat with Neptune): A decade of science communication on marine research, women in science, and academic life  (traduzindo, Bate-Papo com Netuno: Uma década de divulgação científica em pesquisa marinha, mulheres na ciência e vida acadêmica). Todos foram super receptivos e incentivadores quando disse que seria a minha primeira vez. Ouvi até um comentário de uma moça dizendo que ela admirava muito quem se propunha a falar sobre seus trabalhos em outro idioma não-nativo. De fato, se pensarmos bem, haja coragem! Nós, brasileiros, latinos, além de passarmos pelos inúmeros perrengues para conseguirmos finalizar nossas atividades de pesquisa e extensão, ainda temos que nos arriscar em outros idiomas para conquistarmos novos mares! 


Confesso que foi um privilégio para mim, Natasha, estrear em minha primeira apresentação oral em inglês em uma seção tão bacana e diferente… Foram apresentadas muitas atividades de extensão realizadas mundo afora, cada uma mais interessante que a outra! E ainda havia uma segunda parte nas apresentações de pôsteres. Foi incrível: projetos para pessoas com deficiência visual para experienciar coletas embarcadas, jogos tipo “super trunfo” de equipamentos oceanográficos, transformação de dados em ondas sonoras e música, atividades em realidade virtual, entre tantas outras!



Sei que usei muitos pontos de exclamação, mas foram tantas vivências positivas que cada um desses pontos valeu a pena. Que essas trocas de experiência e ações inclusivas sejam cada vez mais frequentes em eventos científicos - e que a ida a esses eventos seja cada vez mais acessível também!

Sobre a autora:

Oceanógrafa, mestre e doutora em Oceanografia, na área de concentração Oceanografia Biológica, pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), com período sanduíche em Portugal, no CIIMAR (Universidade do Porto). Atualmente, é pesquisadora de Pós-Doutorado no IOUSP e editora voluntária do Bate-Papo com Netuno.

A Oceanografia entrou em sua vida muito cedo, quando tinha apenas 12 anos. Desde então, sua curiosidade a leva para novos e diferentes caminhos a cada nova empreitada. Acredita que o diferencial da Oceanografia é justamente a multidisciplinaridade. Assim, tem experiência com análises climatológicas, química inorgânica de sedimentos, unidades de conservação, integridade biótica da ictiofauna, estoques pesqueiros, análises morfométricas, otólitos e, desde 2021, entrou no mundo da paleoecologia!



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