5 é bom, mas 1 é melhor

Atualizado: Ago 25

Por Jana M. del Favero


Vou começar esse texto contando uma história que envolve patinhos de plástico, daqueles amarelinhos que crianças brincam em banheiras. Ela começa em janeiro de 1992, quando um navio saiu da China com destino aos EUA, com contêineres carregados desses patinhos. Após uma terrível tempestade no meio do Pacífico, um dos contêineres caiu no mar e despejou sua carga de aproximadamente 29.000 patinhos amarelinhos que começaram uma super jornada.


Os primeiros 19.000 patinhos foram em direção ao sul e depois de 3 meses chegaram em praias da Austrália, Indonésia e Chile. Os outros 10.000 se aventuraram para o norte e após percorrerem 32.000 km, alguns foram encontrados no Alasca - EUA. Outros, depois de 3 meses regressaram ao ponto de partida depois de fazer um grande círculo no Pacífico. Até aí, essa jornada já tinha sido de grande interesse para os oceanógrafos, que aprenderam muito sobre as correntes e os giros oceânicos.


Mas ela não tinha acabado ainda. Alguns patinhos foram coletados no Hawaii - EUA (quem será capaz de julgá-los por essa escolha?), e outros, mais aventureiros, atravessaram o Estreito de Bering. No Ártico, alguns foram para leste e congelaram em um bloco de gelo que atravessou lentamente o polo viajando a aproximadamente 2 km/ dia.


Depois de 5 anos, o pacote de gelo com os patinhos chegou no Atlântico, e, ao derreter, os aventureiros continuaram sua viagem em direção ao sul. Alguns pararam nas praias da margem oeste do Atlântico nos EUA, mas um pequeno grupo seguiu para o leste e, em julho de 2007, depois de 15 anos e mais de 27.000 km, a jornada dos patinhos se encerrou na Escócia, do outro lado do Atlântico. Mais detalhes dessa epopéia podem ser vistas aqui ou no livro Moby Duck, de Donovan Hohn).

A jornada dos patinhos de plástico (via Bate-Papo com Netuno com CC SA-BY 4.0)


Não é impressionante que patinhos liberados no Pacífico consigam chegar no Atlântico? É por isso que comecei esse texto com essa história, para mostrar que, nesse mundo de água salgada, tudo está conectado.


Isso fica bem visível quando olhamos um mapa com a Antártica no centro do mundo (como os desse link aqui), onde se vê um único oceano global, cobrindo 71% da nossa Terra. As fronteiras que conhecemos e chamamos de Oceano Atlântico, Índico, Pacífico e Ártico surgiram ao longo do tempo por uma variedade de razões históricas, culturais, geográficas, científicas e políticas. Essas “áreas delimitadas por humanos” são também chamadas de bacias oceanográficas e recentemente, além dessas quatro, uma quinta está sendo reconhecida por diversos países, a Austral (Antártica – saiba mais no site da NOAA).


As cinco bacias oceanográficas (via Wikimedia em CC BY-SA 4.0)


Mas, por que se preocupar tanto se estamos falando de um ou de cinco oceanos? Porque reconhecer um só oceano é uma importante mudança na maneira como olhamos essa porção do nosso planeta. Isso é especialmente relevante quando trabalhamos para protegê-lo, pois significa que nós todos estamos unidos. Significa entender que, quando fazemos algo em um lugar, os impactos serão sentidos em todos as outras partes desse oceano. Isso impacta muito como nos sentimos em relação à nossa responsabilidade em proteger o oceano, disse Francesca Santoro, coordenadora do programa de cultura oceânica da Comissão Oceanográfica Internacional (COI) - UNESCO em um vídeo gravado à Liga das Mulheres pelo Oceano.


E então, vamos juntos derrubar o S e nos conectar através deste único oceano?

Para se divertir


Nesse site, você consegue colocar patinhos em diversos lugares do oceano e observar para onde eles migrariam ao longo dos anos.

http://plasticadrift.org/?lat=39.1&lng=-130.5&center=-5&startmon=jan&direction=fwd

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