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  • Sobre amamentar e se doutorar

    Por Tatiana Pinheiro Dadalto Ilustração por Caia Colla Era junho de 2016 quando descobri que em breve iria realizar o meu sonho mais lindo: ser mãe. A gravidez aconteceu em uma fase muito produtiva, a 4 meses do prazo final de conclusão do meu doutorado em Geologia e Geofísica Marinha na Universidade Federal Fluminense (UFF). Nessa época, além do doutorado, eu trabalhava diariamente na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), casa dos meus dois orientadores. Para mim era certo o fim da “fase Rio de Janeiro” na minha vida: meu marido e eu sempre desejamos ter filhos em uma cidade mais calma e mais perto de nossa família, que residia entre o Espírito Santo e a Bahia. Iríamos nos mudar para Vitória - ES e em 8 meses nossa vida tinha que estar organizada para o nascimento da nossa pequena. Para terminar o doutorado, precisei de mais tempo do que imaginei e pedi uma prorrogação de 6 meses além do prazo final, que foi concedida. Combinei com meus orientadores que em dezembro iria defender minha tese e só então me mudaria para Vitória, onde meu marido já ia semanalmente trabalhar. Trabalhei com afinco: todo o amor que já sentia por minha filha me dava muita energia, bom humor e determinação. O sono e o cansaço típicos do primeiro trimestre de gravidez me faziam dormir cedo, muito cedo mesmo. E no dia seguinte, energia, criatividade, entusiasmo e muito amor me faziam levantar animada e sem café ir trabalhar para finalizar o sonho do doutorado. Novembro chegou e meu orientador propôs que deixássemos a defesa para depois do nascimento de Liz, para que eles (ele e minha orientadora) tivessem tempo suficiente para ler os capítulos que eu já havia entregado e mais tempo para se aprofundar na discussão sobre a ‘arquitetura estratigráfica e evolução geológica da magnífica e apaixonante Restinga da Marambaia’. Meu orientador propôs que usássemos todo o prazo de 6 meses já concedido e os 4 meses da licença maternidade para que eu defendesse o mais tarde possível, já que eu estaria cuidando de minha recém-nascida. Eu aceitei e julho de 2017 passou a ser meu novo prazo. Apesar de tudo isso, mantive meu planejamento de mudança. Mudamos para Vitória em janeiro de 2017, eu com um barrigão de 8 meses de gestação. Meu marido foi quem procurou nosso novo apartamento, organizou toda a mudança e entregou o apartamento do Rio. Eu organizei a casa nova, arrumei o quarto da minha florzinha, terminei e enviei a tese para os meus orientadores e não mexi mais com o doutorado - era o tempo dos meus orientadores darem suas sugestões, correções e orientações finais. Liz nasceu em 17/02/2017, o dia mais emocionante da minha vida. Nasceu e veio direto pra mim, pro meu peito, pro meu cheiro. No meu peito, fez os primeiros movimentos de sugar. Mamou em livre demanda do dia em que nasceu até fevereiro de 2018, quando já tinha um aninho de idade. Praticamos amamentação exclusiva durante os seis primeiros meses de sua vida, quando iniciamos a introdução alimentar de sólidos. Diariamente experimentamos o amor, o dengo, o calor, a paciência, o chamego, a criação de vínculo da amamentação. Um desses dias foi o dia da minha defesa do doutorado. Viajamos de carro para o Rio – meu marido, Liz, minha sogra e eu. Nos momentos antes da defesa, eu e minha orientadora já havíamos informado a todos os componentes da banca examinadora da minha situação, que eu estava com minha bebê do lado de fora e que faríamos pausas para que eu pudesse amamentar. Combinei com meu marido e minha sogra que eles ficassem distantes, pois eu não iria conseguir me concentrar se ouvisse o choro dela. Seria impossível pra mim! Liz tinha cinco meses e meio e ainda se alimentava exclusivamente através do aleitamento materno. Apresentei a tese em 1 hora e fizemos uma pausa. Fui até minha filha, nas sombras do estacionamento da UFF. Dei “mamá” e avisei que se houvesse necessidade que a levassem para mim, pois eu já tinha terminado a parte mais difícil. E voltei para a arguição. Depois de cerca de 2 horas, enquanto um dos professores falava, comecei a ouvir o chorinho da minha menina aumentando de intensidade gradativamente e avisei a todos que minha filha estava chegando pra mim. Peguei ela chorando no meu colo, a acalmei e a coloquei no meu peito para mamar. O professor cuja fala havia sido interrompida, me olhava com cara de interrogação pensando ‘o que será que eu faço agora?’ e eu disse a ele ‘pode continuar’. Continuamos a arguição, Liz mamou, largou o peito, eu ainda a mantive no meu colo um tempo, dormindo calmamente, enquanto literalmente defendia minha tese. Depois passei ela pro colo do papai, que só voltou com ela no fim da arguição para a foto oficial com a banca! Senti que a reação das pessoas foi de estranhamento e também foi de apoio e incentivo. Um estranhamento natural por estarem vivendo uma situação de amamentação pública durante uma defesa de doutorado, o que, infelizmente, ainda é incomum; e apoio, especialmente do público feminino, porque todos ali, me parece, sabiam reconhecer a importância da amamentação, do acolhimento materno e dos direitos envolvidos (da mãe e da criança). Acredito que o diálogo prévio preparou todos para viverem esta situação (talvez por isso não tenha havido um estranhamento maior e comentários). Estou certa também de que a minha postura de ter CERTEZA de que é meu direito acolher minha filha e de que é direito da minha filha ser alimentada foram decisivas para que tudo acontecesse da forma que foi. Espero que contando minha história, outras mães - especialmente as doutorandas! - se inspirem e se renovem em ânimo para buscarem uma rede de apoio e seguirem em frente em seus estudos e/ou suas atividades profissionais sem deixarem de ser mães acolhedoras e confiantes sobre seu direito de amamentar. Foi assim que meus dois maiores sonhos se realizaram. Que felicidade! Não foi fácil. Mas foi incrível. Foi muito difícil ter que escrever com uma bebê que mamava a cada 2 horas. Foi muito difícil ter que deixar minha bebê tanto tempo sem meu colo na fase em que ela descobria que ela e a mamãe não eram uma só pessoa (por volta dos três meses de idade, quando eu tinha que rever o texto, editar, formatar). Foi muito difícil pro meu marido, e para todos que me ajudaram com Liz, mantê-la entretida, longe da mamãe por algumas horas do dia. Foi muitíssimo difícil escrever com o esquecimento típico da fase de puerpério e amamentação (baby brain). Por outro lado, foi muito fácil trabalhar naquilo que é minha paixão. Foi muito positivo contar com a compreensão dos meus orientadores. Foi decisivo ter recebido o apoio, a presença e o estímulo de um marido incrível. Foi muito importante ter uma rede de apoio para os cuidados de Liz. Foi muito reconfortante ter recebido a atenção e os cuidados da minha mãe durante o puerpério, quando fiz as primeiras movimentações para retomar a escrita. Foi muito bom ter feito tudo isso com amor e com a certeza de que todo esforço valeria a pena e me permitiria o preparo necessário para o trabalho que eu desejo, meu outro sonho: a vida acadêmica. Sigamos em frente! Sobre Tatiana: Tatiana Pinheiro Dadalto é oceanógrafa, doutora em Geologia e Geofísica Marinha pela Universidade Federal Fluminense (UFF, 2017). Atualmente, é professora substituta na Universidade Federal do Sul da Bahia. Gosta de passar seu tempo livre em família e também de cozinhar, fotografar e estar ao ar livre em contato com a Natureza. #mulheresnaciência #doutorado #maternidade #convidados #aleitamentoexclusivo #amamentação Todas as imagens foram cedidas pela autora.

  • Ressurgência Costeira

    Por Gabrielle Souza Você já ouviu falar no fenômeno chamado “Ressurgência”? Sabe do que ele é capaz? Hoje no Descomplicando Netuno nós vamos explicar para você! Ressurgência também conhecida como “upwelling” (em inglês) consiste no afloramento da água fria de uma camada inferior para a superfície. Próximo da costa, este fenômeno ocorre, principalmente, por causa da ação dos ventos, que ao soprar paralelamente a costa, empurram a água da superfície fazendo com que ocorra a substituição da mesma pela água da camada inferior. A figura abaixo ilustra como este processo ocorre. Mas não é qualquer vento que pode gerar a ressurgência! Ele precisa ter a direção certa, e estar no lugar certo! Fonte: NOAA. What is upwelling? National Ocean Service website Mas você já se perguntou qual a importância da ressurgência?! A água da camda mais profunda ajuda na “fertilização” das águas superficiais, pois é rica em nutrientes. Assim sendo, o processo de ressurgência auxilia na manutenção da malha alimentar. E como isso funciona?! Na malha trófica marinha os organismos estão localizados em níveis, ou seja, o fitoplâncton como produtor primário, serve de alimento para o zooplâncton, que serve de alimento para diversos peixes, que servem de alimentos para predadores de topo de cadeia, como, por exemplo, os tubarões. Deste modo, a ressurgência reflete na produção de peixes, pois quanto mais nutrientes disponíveis, maior a quantidade de fitoplâncton e consequentemente maior a quantidade de zooplâncton, aumentando a quantidade de alimento para os peixes. Na costa brasileira, o principal ponto de ressurgência é a região de Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro. Durante o verão com o aumento da frequência e intensidade dos ventos de nordeste as águas de camadas inferiores afloram e ficam mais frias nesta região. Por isso, por mais calor que esteja, dar um mergulho é tão sofrido em diversas praias fluminenses. Para saber mais: https://www.youtube.com/watch?v=9OxietVkp9w https://www.youtube.com/watch?v=D3F320CFF_I Referências: GEOGRAPHIC, National. Upwelling: Upwelling usually results in rich fisheries.. Disponível em: . Acesso em: 15 jul. 2017. SCHOOLS, Science Education Through Earth Observation For High. Quando a água retorna do fundo do oceano.Disponível em: . Acesso em: 15 jul. 2017. COMMERCE, National Oceanic And Atmospheric Administration U.s. Department Of. What is upwelling?: Upwelling is a process in which deep, cold water rises toward the surface.. Disponível em: . Acesso em: 15 jul. 2017. LALLI, Carol M.; PARSONS, Timothy R.. Biological Oceanography An Introdution. 2. ed. Vancouver, Canadá: The Open University- Set Book, 1998. 337 p. Elsevier Butterworth-Heinemann. SILVA, Gustavo Leite da et al. ESTUDO PRELIMINAR DA CLIMATOLOGIA DA RESSURGÊNCIA NA REGIÃO DE ARRAIAL DO CABO, RJ. -, Rio de Janeiro, p.1-11. Disponível em: . Acesso em: 24 jul. 2017. #cabofrio #descomplicando #ressurgência #fertilização #fitoplâncton #gabriellesouza #riodejaneiro #upwelling #zooplâncton

  • Tiradas do Netuno #10

    Ser um peixe vermelho num oceano azul traz uma vantagem incrível! Dependendo da sua profundidade, você se torna quase invisível para seus predadores e para suas presas. Sem contar que fica imbatível no esconde-esconde! Entenda mais sobre como funcionam as cores no oceano em nosso post “Um peixe vermelho em um oceano azul engana muita gente!” --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com palpites das editoras do Bate-Papo com Netuno. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- #tiradasdonetuno #gilbertojunior #luz #cor #oceanografiafísica #adaptação #oceanoprofundo

  • Tiradas do Netuno #1

    Essa tirinha foi inspirada no post “Pequenas águas-vivas e o segredo para a vida eterna”. Criação: Oceanógrafo Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #águasvivas #vidaeterna #gilbertojunior

  • Tiradas do Netuno #2

    O tubarão-baleia é um tubarão filtrador que se alimenta, principalmente, de plâncton. Ele é o maior peixe do mundo, chegando a medir até 12 m de comprimento. As fêmeas carregam ovos dentro delas e seus bebês já nascem com quase 60 cm. Na tirinha, Jack é um peixe cartilaginoso e sua amiga Dory um peixe ósseo. Mas você sabe mesmo o que é um peixe? E qual a diferença entre peixes ósseos e cartilaginosos? Clique aqui e compreenda essa “família” complicada do Jack. Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #tubaraobaleia #peixes #tubarão

  • Tiradas do Netuno #3

    Muitas pessoas não sabem, mas a maioria dos peixes que habita o oceano libera suas células reprodutoras (ovócitos e espermatozoides) na água onde ocorre a fertilização, formando os ovos. Peixes como sardinhas, garoupas, bijupirás e atuns apresentam essa estratégia e são capazes de produzir milhões de ovos. Ao fim do desenvolvimento do embrião, após 24 horas (mais ou menos, dependendo da espécie), acontece o nascimento (eclosão) de uma pequena larva. Mesmo com a capacidade natatória ainda em desenvolvimento, essa pequenina larva enfrentará diversos desafios, como se manter em um ambiente agradável, encontrar alimento e não ser predada. Apenas 1% delas atingirão a vida adulta. Clique aqui e saiba mais sobre a vida “dura” de um peixe marinho bebê. Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #mundosoceanicos #ictioplâncton #peixes #larvas #gilbertojunior

  • Tiradas do Netuno #4

    Enquanto em terra nós comemoramos o Natal, nos oceanos temos a chegada do fenômeno El Niño. O nome desse fenômeno climático vem justamente em homenagem ao menino Jesus, já que as datas coincidem. Quer saber mais sobre este fenômeno que tem tanto impacto sobre a pesca e o clima em nosso planeta? É só ver nosso Descomplicando sobre El Niño, clicando aqui. Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #elnino #elniño

  • Tiradas do Netuno #5

    O desejo dessa tartaruguinha é o mesmo de toda a equipe do Bate-papo com Netuno. Como não temos um gênio da lâmpada para realizar nosso desejo, tentamos fazer nossa parte divulgando dados e informações sobre esse vilão do oceano. Assim sendo, foi impossível escolher um único post para compartilhar junto com essa tirinha e, portanto, fizemos uma pequena coletânea sobre o assunto. Se informe, não seja enganado por frases do tipo: “mas plástico é reciclável” ou “esse pode usar, é biodegradável”! Vamos reduzir o consumo e evitar o uso único do plástico sempre que possível! Aqui no Bate Papo com Netuno nós já compartilhamos diversos conteúdos sobre o tema plásticos no meio ambiente. Quer saber um pouco mais sobre o tema? Clique aqui. Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #plasticos #lixomarinho #poluiçãomarinha

  • Tiradas do Netuno #6

    A ficção científica às vezes é menos impressionante que a realidade, especialmente quando pensamos na vida marinha! Para sobreviver em um ambiente tão diferente da nossa terra firme, diversos organismos marinhos desenvolveram estratégias incríveis. Apesar disso resultar em sobreviventes muito eficientes, muitos deles são mais reconhecidos como verdadeiros “monstros marinhos”. Perfeitos exemplos para inspirar a sétima arte... Nós já escrevemos dois posts sobre essas inspirações marinhas. Divirta-se: Festa das Bruxas no Oceano 10 animais marinhos que inspiraram os Pokémons Criação: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #inspiração #monstros #ficçãocientífica

  • Tiradas do Netuno #8

    De modo geral, os vírus são comumente associados a situações ruins nas nossas vidas, a mal estar e doenças (perigosas ou não). Mas nos oceanos, os vírus têm um papel muito importante. Você sabia que nem sempre o vírus é um vilão? Leia nosso post sobre o assunto aqui. Criação da tirinha: Gilberto Junior do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #tiradasdonetuno #gilbertojunior #vírus #vírusnooceano #alçamicrobiana #bactérias #biologiamarinha #ciênciasdomar #catarinarmarcolin

  • Tiradas do Netuno #7

    Mar & Covid-19 Hora de inspirar, expirar e não pirar. Logo logo isso vai passar... Criação: Gilberto do Mundos Oceânicos (@oceanicworlds.arte), com uma pitada de palpites e ideias das editoras do Bate-papo com Netuno. #fiqueemcasa #quarentena #covid19 #coronavirus #tiradasdonetuno #gilbertojunior

  • Análise dos programas de governo dos presidenciáveis Bolsonaro e Haddad: MEIO AMBIENTE

    Por Rafael Van Erven Ludolf e Renata Maciel Ribeiro Análise do programa de governo do candidato Jair Bolsonaro: 1) Não consta as palavras-chaves: ecologia, ecológico, sustentabilidade, conservação, preservação, sustentabilidade ambiental, desenvolvimento sustentável, direito dos animais, animais. Consta a palavra-chave: sustentável, uma única vez, na página 68; 2) Nada consta sobre o maior desafio do planeta: o desenvolvimento sustentável; 3) Nada consta sobre sustentabilidade ambiental, proteção e preservação da flora, fauna, água, ar, terra; 4) Nada consta sobre direitos dos animais; 5) Consta proposta de enfraquecer o licenciamento ambiental para que as hidrelétricas sejam instaladas, na página 71; 6) Consta proposta sobre uma "Nova Estrutura Federal Agropecuária" e é citado o termo Desenvolvimento Rural Sustentável, mas sem contextualizar ou detalhar. 7) Consta superficialmente sobre a segurança no campo e a reforma agrária (que são as questões mais emergentes na Amazônia em relação ao desmatamento e conflitos no campo). Aponta estas questões como “grandes demandas” mas não discute potenciais soluções (página 69); 8 ) Consta superficialmente sobre a geração de energias limpas (eólica e solar), na página 49; 9) Nada consta sobre as mudanças climáticas, emissão de gases de efeito estufa, intensificação da produção agropecuária, resgate de carbono, incentivo a agricultura familiar; 10) Nada consta sobre a regularização fundiária. E, visto que a expansão do arco do desmatamento se dá, majoritariamente, pela posse de terras ilegais, e ainda, que vale 200 vezes mais derrubar a floresta em uma área ilegal do que mantê-la em pé para incentivo à atividades extrativistas, esta é também uma questão de significativa importância para o desenvolvimento sustentável. Conclusões: - A proposta do candidato Bolsonaro vai na contramão do desenvolvimento sustentável e da conservação do meio ambiente, representando um retrocesso às conquistas ambientais; - A proposta do candidato Bolsonaro enfatiza o desenvolvimento econômico sem harmonização com o ambiental, não podendo garantir a preservação do meio ambiente para a geração presente e futura; - A proposta do candidato Bolsonaro ignora emergentes questões ambientais, apesar de tocar superficialmente em algumas delas - conflito no campo, reforma agrária e produção de energia limpa; - Apesar de ausente no plano de governo, o discurso do candidato Bolsonaro corrobora com tais conclusões, pois defende a redução de terras indígenas, que são áreas protegidas por lei e contêm os maiores e mais preservados remanescentes florestais, abrindo espaço para a grilagem (posse de terras ilegalmente) e mais desmatamento. Análise do programa de governo do candidato Fernando Haddad: 1) Consta as palavras-chaves: agroecologia, ecológica, sustentabilidade, preservação, desenvolvimento sustentável, direitos dos animais, proteção e defesa dos animais; 2) Apesar de tratar a questão ecológica como uma questão transversal (página 47), esta precisa ser discutida em suas particularidades. Voltado à valorização do capital natural como bandeira socioeconômica e ambiental do Brasil, no entanto, sem o caráter exploratório e degradante visto até hoje. A proposta é garantir o desenvolvimento econômico sustentável, valorizando nossas potencialidades (recursos naturais) de forma economicamente justa e ambientalmente responsável; 3) Consta uma mudança de estrutura produtiva (sustentabilidade) com uma economia de baixo impacto e alto valor agregado (página 48) - conforme discutido pela pesquisadora Bertha Becker desde a década de 70; 4) Consta produção de energias limpas como uma potencialidade econômica e propõe o incentivo à produção de novas capacidades produtivas para que a energia limpa seja economicamente competitiva (página 49); 5) Consta mobilização de recursos para políticas de financiamento a projetos ambientais de empresas em parceria com universidades e institutos de pesquisa (fomento à conservação ambiental e pesquisa) (página 48); 6) Consta projetos de transporte limpo - diversificação de modais de transporte de cargas e passageiros (construção de ferrovias e hidrovias) (página 49); 7) Consta sobre a água - revitalização de bacias, despoluição de rios retomada à Política de Saneamento Ambiental Integrado (página 50); 8 ) Quando trata de política ecológica no campo realça a diluição da dicotomia campo-cidade e a importância de estender ao campo as políticas de saneamento, saúde, educação, cultura (página 55); 9) Consta política de segurança alimentar - propõe a instituição de programa de redução de agrotóxicos redigido de acordo com as recomendações da FAO. Incentivo de produção integrada e minimização do uso de agrotóxicos e pesticidas (página 55); 10) Consta atualização e ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) com o objetivo de de fortalecer a agricultura familiar pela compra de alimentos de pequenos produtores para abastecimento de hospitais e escolas (página 56); 11) Consta sobre o agronegócio - reconhece sua importante participação na economia nacional e propõe a regulação da atividade para mitigar danos socioambientais e impedir o avanço do desmatamento a partir de correções de permissividades legais (página 56); 12) Consta sobre reforma agrária - propõe o fortalecimento da agricultura familiar visando estimular a ruralização voluntária, em contraposição à urbanização forçada que, por consequência, gera o aumento da violência nos centros urbanos. E ainda, a criação de novo imposto territorial rural com o objetivo de desestimular a acumulação de terras improdutivas para a especulação imobiliária (principal causa de desmatamento na Amazônia). Além disso, propõe a regularização fundiária dos territórios tradicionais e o reconhecimento e demarcação das terras indígenas como meio de preservação da biodiversidade cultural e ecológica (página 56); 13) Consta a proteção dos animais - discute que os aparatos legais não têm sido suficientes para garantir a proteção dos animais, com isso, propõe a construção de políticas públicas nacionais de proteção e defesa dos animais voltada principalmente a área da educação (página 58); 14) Consta a retomada da implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, incorporando princípios da economia circular, para promover o manejo adequado e a redução de resíduos. Conclusões: - A proposta do candidato Haddad discute importantes pontos de debates ambientais, apesar de não se aprofundar muito em vários destes pontos. Admite a educação ambiental como uma temática transversal (página 59) e, de modo geral, defende o fortalecimento dos órgãos de fiscalização e gestão de recursos, parcerias internacionais para redução de emissões, alianças para apoio em desastres naturais e aplicação mais rígida das legislações ambientais e políticas de comando e controle do desmatamento (página 58 e 59). - Ciente da emergência das questões agrárias no Brasil, propõe o fortalecimento da agricultura familiar, regularização fundiária (página 56) e fortalecimento dos dispositivos legais e órgãos de fiscalização (página 58) para o combate do desmatamento na região do arco de desmatamento. Fontes: Plano de Governo do candidato Jair Bolsonaro: http://divulgacandcontas.tse.jus.br/…/proposta_153428463223… Plano de Governo do candidato Fernando Haddad: http://www.pt.org.br/…/plano-de-governo_haddad-13_capas-1.p… Sobre os autores: Rafael Van Erven Ludolf é advogado, pós-graduado em direito do consumidor e responsabilidade civil e mestrando em sistemas de gestão com foco na sustentabilidade ativista pelos direitos dos animais. Renata Maciel Ribeiro é cientista ambiental e mestre em sensoriamento remoto com foco em estudos de desmatamento e ocupações humanas na Amazônia brasileira. #querodebate #ciênciasambientais #desenvolvimentosustentável #meioambiente #planodegoverno #políticaambientl #presidenciáveis #RafaelVanErvenLudolf #RenataMacielRibeiro #convidados #ciênciasdomar

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