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- Comemorando o novo emprego
Não foram poucos os desafios... muitas novidades, novas tecnologias, desafios diários na grande São Paulo e muitos quilômetros para estar em casa, mas ela sempre enfrentou tudo com um sorriso no rosto, persistência e dedicação. E hoje a equipe editorial do Bate-Papo com Netuno comemora o novo emprego da nossa idealizadora, Catarina Marcolin, como professora na Universidade Federal do Sul da Bahia (http://www.ufsb.edu.br/). Não temos dúvidas de que ela presenteará muitos alunos de Porto Seguro - BA com as experiências adquiridas em todas as águas por onde navegou, inclusive em outros países (lembra do post "Internacionalizar é preciso!"? Clique aqui para relembrar). Desejamos boa sorte nesta nova expedição e esperamos que muitos dos nossos queridos leitores que almejam a carreira acadêmica possam se inspirar em sua história de determinação! Parabéns Catarina! #vidadecientista #biólogo #carreira #profissão #catarinarmarcolin
- Pesquisando nas ilhas remotas do Brasil
Por Fernanda Imperatrice Colabuono As ilhas oceânicas brasileiras são geralmente pouco conhecidas pela maioria da população, porém possuem uma grande importância estratégica, econômica, e claro, científica. São locais que abrigam uma vida riquíssima, incluindo algumas espécies endêmicas, ou seja, que só existem naquele determinado local. Duas destas ilhas, Fernando de Noronha e Abrolhos, são habitadas e/ou utilizadas para o turismo, ainda que com restrições. Outras três ilhas, o Arquipélago de São Pedro e São Paulo, o Atol da Rocas e a Ilha da Trindade, ainda são lugares remotos, pouco conhecidos e com acesso mais restrito ainda. Durante o meu doutorado no Instituto Oceanográfico, eu tive a oportunidade de participar de expedições científicas a estes três locais, através de um projeto de pesquisa que tinha como objetivo estudar a ocorrência de poluentes orgânicos persistentes em locais remotos. Foto: Fernanda Colabuono. O Arquipélago de São Pedro e São Paulo fica a aproximadamente 1.100 km da costa do Rio Grande do Norte, ou seja, quase na metade do caminho entre o Brasil e a África. São as únicas ilhas oceânicas brasileiras localizadas no hemisfério norte. O trajeto saindo da cidade de Natal até o Arquipélago de São Pedro e São Paulo é feito em um barco de pesca e leva cerca de três dias para chegar. Minha ida para lá foi em março de 2009 e me lembro que ao chegar no Porto de Natal e conhecer a embarcação que transportaria eu e mais três pesquisadores, além da tripulação, foi difícil acreditar à primeira vista que iríamos cruzar quase metade do Oceano Atlântico daquela maneira. É claro que deu tudo certo, pois muitos outros pesquisadores já haviam feito e ainda fazem esta viagem. Os pescadores eram experientes e a condição do mar ajudou muito. Chegando nas proximidades do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, pudemos avistar apenas um conjunto de pequenas ilhas rochosas. Estas ilhotas são, na verdade, os picos emersos da cordilheira submarina dorsal meso-atlântica, que se estende por todo o Oceano Atlântico, desde a região Antártica até o Ártico. Ao desembarcar na Ilha Belmonte, que é a principal ilha do arquipélago e é onde se encontra a estação científica, logo se percebe que as aves ocupam todos os espaços disponíveis possíveis da ilha, seja com seus ninhos ou apenas como local de repouso. Os atobás, os principais “anfitriões” do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, dominam o espaço da ilha e recebem todos os seus visitantes com fortes bicadas. Espaço é um fator limitante para estas aves, que estão sempre tentando defender seus territórios, da mesma maneira que fazem com os indivíduos de sua própria espécie. Foto: Fernanda Colabuono. O Atol da Rocas, também localizado próximo a linha do Equador é, na minha opinião, um dos lugares mais bonitos e bem preservados que existem, graças a coragem e perseverança das pessoas que trabalham e cuidam tão bem daquele local. Aliás, estas são as duas principais qualidades que é preciso ter para trabalhar com conservação ambiental. No início de 2010, eu passei cerca de 20 dias realizando coletas no Atol da Rocas, que incluíam a amostragem de plásticos ao redor da ilha. Estes plásticos chegam diariamente de fontes distantes, provavelmente vindos de outras ilhas, do continente e de embarcações, e acabam se acumulando nas praias do Atol. É impressionante como algumas ações humanas conseguem impactar locais tão distantes e que às vezes nem sabemos que existem. A minha última expedição foi para a Ilha da Trindade, em janeiro de 2012. A Ilha da Trindade é a maior de todas as três ilhas e está localizada a cerca de 1.200 km, fazendo parte da cadeia de montanhas submarinas Vitória-Trindade. A ilha abriga diversas espécies de aves, invertebrados e peixes, é um importante local de reprodução para as tartarugas marinhas e possui uma flora rica em diversidade. Desde seu descobrimento, há centenas de anos, a Ilha da Trindade vem recebendo visitas de navegadores e pessoas ilustres como o astrônomo Edmund Halley e o naturalista James Cook . Consequentemente, também vem sofrendo o impacto de ações humanas, como a introdução de animais exóticos, que resultaram na modificação do ambiente, causando efeitos negativos que podem ser vistos até hoje. Atualmente, estão instalados na ilha o Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade, comandado pela Marinha do Brasil e uma Estação Científica, que é utilizada por pesquisadores de diferentes partes do país. Foto: Fernanda Colabuono. Participar destas expedições, me proporcionou a incrível oportunidade de conhecer ecossistemas tão diferentes, viver o dia a dia destes locais, observando o comportamento dos animais e adquirindo conhecimento através da experiência, como faziam os naturalistas a décadas e décadas atrás. Passar algum tempo (mesmo que curto) em locais onde você tem que se adaptar a ambientes tão distintos do que estamos acostumados, foram experiências de auto-conhecimento, desapego e superação. Muitas vezes a comunicação com o mundo exterior é limitada, ou não é possível, e você tem que lidar com o fato de que não terá notícias de seus familiares e amigos por um tempo, e nem eles de você. Passar um mês tomando banho apenas com água do mar, ou não ter um banheiro de verdade para usar, pode parecer um pouco estranho, mas acabamos nos adaptando. No fim, algumas destas experiências que até assustam um pouco no começo, acabam se tornando agradáveis e depois até sentimos falta. A sensação que tive ao conhecer locais como estes, onde a natureza é predominante, é de que você é apenas um visitante, que não faz parte daquele lugar e nem sequer foi convidado para estar ali. Apesar deste comentário soar um pouco negativo, a intenção é mostrar o quão forte é a presença da natureza em locais onde o ser humano ainda não conseguiu modificar e se impor. São locais que pertencem à fauna e flora que ali habitam, aves, peixes e diversos outros seres que se adaptaram por milhares de anos a estes ambientes. E seria ótimo se conseguíssemos mantê-los sempre assim. Sobre Fernanda Colabuono: Fernanda Imperatrice Colabuono é biológa e trabalha com aves marinhas desde 2001. Atualmente é pós-doutoranda do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, onde realiza pesquisas voltadas para a ecologia e conservação de aves antárticas, utilizando os poluentes e os isótopos estáveis como indicadores ecológicos e ambientais. #vidadecientista #convidados #fernandaimperatricecolabuono #atobás #atoldasrocas #ilhasoceânicas #trindade
- Uma história de pai para filhos... e para as lulas!
Por Felippe Postuma Minha paixão pela biologia marinha, cefalópodes (que são as lulas, polvos e sépias) e pelo mar começou bem cedo no verão de 1992, na minha segunda viagem à paradisíaca e isolada comunidade da praia do Bonete, localizada no sul da Ilhabela. Lá conheci e aprendi a amar e viver com a natureza mais límpida e lúdica que se possa imaginar. Foi nesse período que conheci a tradicional pesca da lula apresentada pelo meu eterno amigo “Maurão”. Nessa época, lulas e mariscos eram abundantes, passamos praticamente um mês comendo lulas, peixes e farinha de mandioca. No ano de 1999 surgiu a vontade e a oportunidade de fazer uma faculdade, não pensei duas vezes em estudar a “Biologia Marinha”. Em 2000 passei no vestibular na Universidade Santa-Cecília na cidade de Santos. Já no ano de 2001 iniciei o estágio científico no Instituto de Pesca. Em meio a muitas provas, trabalhos, “forrós”, shows de reggae e “trips-de-surf” pelo litoral de São Paulo, eu conheci a princesa da minha vida, a mulher que iria mudar todo o rumo da minha história de vida, “gerando” uma linda família e me dando força. Quando conheci era apenas a “Keka”, linda como é até hoje, também se formou em biologia pela Unisanta e hoje é conhecida como a “super-mamãe e esposa Keka”. Já adianto, o nosso sucesso se deve totalmente a ela. Inicialmente tudo foi muito difícil, apenas dois universitários sem nenhuma perspectiva, porém com muita garra, vontade e amor. No terceiro ano de faculdade já morávamos juntos em uma república de estudantes. Foi nessa época então que, “com um piscar de olhos”, nos tornamos pais. Maíra nasceu esperta, linda e sapeca do jeito que é até hoje. Com muitos esforços conseguimos terminar a faculdade. Foi então que aprendi a cuidar da casa, fazer papinha, dar banho, trocar fralda e colocá-la para dormir, enquanto isso, mamãe Keka terminava a faculdade. No começo da faculdade nunca deixei de sonhar com a possibilidade de um dia estudar e pesquisar a pesca artesanal de lulas. Ao final da faculdade defendi minha monografia para obter o título de bacharel em Biologia Marinha com o tema ligado a caracterização preliminar da pesca artesanal de lulas no entorno da Ilhabela. Durante o estágio no Instituto de Pesca surgiu a possibilidade de contribuir como co-autor em um artigo científico. Isso foi um grande incentivo para continuar com a pesquisa. Porém, eu precisava de um trabalho remunerado. Comecei como observador de bordo da frota arrendada na costa brasileira. Embarques a bordo em navios pesqueiros estrangeiros com duração de 56 a 93 dias de mar, lá se foram dois anos de minha vida. Tive a oportunidade de viver com senegaleses, chineses, japoneses, peruanos e vietnamitas. Participei da pesca do long-line , espinhel japonês, gaiolas para captura de caranguejo, pesca de arrasto de profundidade (800 m) e a pesca do polvo. Passei por grandes tempestades em alto mar, cataloguei e coletei animais marinhos que jamais pudesse imaginar, observei e fotografei albatrozes gigantescos. Era tudo incrível, mas a saudade da família era muito grande. Nesta época passava pouco tempo com a família, “Mairinha” acabava vendo pouco seu pai, mas os momentos que passávamos juntos eram muito proveitosos e valiosos. Toda vez que chegava dos embarques, ela me estranhava, porque sempre voltava barbudo e cabeludo. No meu quarto, qualquer que fosse o barco, havia um mural de fotos da Keka e Maíra, isso me dava força para aguentar ficar por tanto tempo longe de casa. Depois de dois anos vivendo idas e vindas do mar, decidimos mudar para Ilhabela, litoral norte de São Paulo. Fomos morar na comunidade da Água Branca, próximo à estrada que leva até a praia dos Castelhanos. Vivíamos com muita simplicidade com um salário de professor eventual da rede de ensino estadual. Maíra cresceu nadando entre as praias de Santos e as cachoeiras de Ilhabela, sempre pedindo para surfar e deslizar sobre as ondas. Nesse momento surgia mais um sonho, realizar uma pós-graduação. Depois de três tentativas consegui entrar para o mestrado no Instituto de Pesca de São Paulo. Maíra estava com 5 anos, e quando menos esperávamos, eu estava “grávido” de novo. Em 4 de julho de 2008 nasceu Rafael, “O Anjo”. Mudamos radicalmente de estilo de vida, fomos morar na cidade de Bragança Paulista, interior de São Paulo e cidade-natal da Keka. Entrei em uma rotina de viagens diárias entre São Paulo – Bragança Paulista, com viagens que demoravam entre 2 e 3 horas. Foram dois anos de mestrado com disciplinas, apresentações em congressos nacionais e internacionais e duas publicações em revistas internacionais. No mestrado elucidei alguns mistérios sobre a pesca de lula, aquele sonho antigo. Ao final do mestrado (2010) Rafael com 2 anos e Maíra com 7, tudo começou a ficar difícil, e a falta de dinheiro me fez voltar ao mar. A investigação da lula ainda não havia terminado, mas a pressão para trabalhar era grande, e me vi obrigado a fazer mais dois embarques durante o segundo semestre de 2010 pelo Instituto de Pesca. Durante os embarques estudei para a prova de seleção para o doutorado do Instituto Oceanográfico da USP. No final a maresia me fez bem, estudei nos intervalos dos trabalhos a bordo e passei por um fio na seleção. Foi então, em 2011, que dei início às atividades do doutorado, reiniciando aquela rotina de viagens Bragança-São Paulo, mas continuando com a pesquisa sobre as lulas. Durante esse período chegava em casa e a super-mamãe já havia feito tudo, café da manhã, almoço, levar e buscar na escola, banho e jantar. Rafael sempre esperando ansioso pela minha chegada. Hoje ele tem 7 e ela 12 anos, eles sempre me viram estudando, penso que é um bom exemplo. Todos sabem que não se vive com bolsa de estudos no Brasil, mas sobrevivemos a uma faculdade, um mestrado e um doutorado. Afinal, esse post será publicado horas antes de minha defesa de doutorado (10 de agosto de 2015 às 9:00), onde inúmeros achados sobre lulas da espécie Doryteuthis plei serão desvendados ao público. Escrever este post me fez refletir que talvez um dos fatores que auxiliam no sucesso da estratégia de vida desse incrível e magnífico cefalópode está baseado na vida em conjunto (em família) e na boa comunicação entre os membros do grupo. Talvez isso também seja o segredo do nosso sucesso. Resumindo, tudo isso só foi possível por causa do respeito, força e apoio da família, em especial da Keka, pois enquanto eu desenvolvia minha pesquisa e fazia coletas, a “mamãe Keka” desenvolvia seu papel de mãe-leoa com muita perspicácia e garra. Ela abriu mão de sua carreira em prol da minha, e a isso sou eternamente grato! Sobre Felippe Postuma: Biólogo marinho, mestre em biologia pesqueira e doutorando no Laboratório de Ecossistemas Pesqueiros do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (Labpesq-IOUSP). Nascido em São Paulo, radicado desde 10 anos de idade na praia do Pontal da Cruz, São Sebastião litoral Norte do Estado de São Paulo. Viveu no mar entre os pescadores artesanais e caiçaras de São Sebastião e Ilhabela pescando lula, como também entre os pescadores do mundo na frota industrial estrangeira. Navegou desde Natal(RN) até a elevação do Rio Grande(RS), passando quase 100 dias no mar. Dedicou 10 anos da sua vida à pesquisa da lula Doryteuthis plei . Possui também diploma de técnico em mecânica e carteira de marinheiro auxiliar de máquinas pela Capitania dos Portos de São Sebastião. E ama muito sua família. Acesse aqui o currículo lattes de Felippe. #vidadecientista #felippepostuma #convidados #diadospais #lulas
- Pós-graduação e gravidez: Parte II
Por Marília Bueno Comecei a namorar o Thiago bem cedo, três anos antes de entrar na faculdade... Fui estudar na Unesp de São Vicente e todo mundo me falava que nenhum namoro resiste à uma faculdade à distância... O nosso resistiu e muito bem, obrigada! Logo engatilhei no mestrado, na USP de Ribeirão Preto. Foram mais dois anos de muitas viagens e que passamos tranquilamente. No fim do mestrado, entrei na tão conhecida crise: o que fazer agora? Um amigo me disse uma frase que nunca vai sair da minha cabeça: você prefere ser uma pesquisadora excepcional sozinha ou uma boa pesquisadora com uma família formada? Nunca tive dúvida que escolheria a segunda opção. E pensando nisso, escolhi fazer o doutorado na Unicamp, em nossa cidade natal, e assim conciliar melhor a vida profissional e pessoal. Eis que não passo na prova de Ecologia... E agora? Decidimos nos casar! Já tinham se passado 9 anos de namoro... O ano de 2009 foi super corrido, dei muitas aulas e planejei nosso casamento para outubro. Voltamos da lua-de-mel, prestei a prova de Ecologia novamente e passei! E comecei meu doutorado em 2010. Estava tudo caminhando muito bem, tanto no doutorado quanto no casamento. Muitas disciplinas teóricas, muito trabalho de campo e uma disciplina cursada nos Estados Unidos. Fiquei muito impressionada com uma das professoras do curso. Uma mulher muito nova, casada com um docente da mesma universidade, com dois filhos pequenos e um currículo fenomenal! Claro que conversei muito sobre esse dilema que nós mulheres cientistas vivemos... Quando ter um filho? E comecei a conversar com muitas pessoas sobre o assunto... Vi casos de mulheres que esperaram a vida profissional se estabilizar para engravidar e não conseguiram, porque o tempo, além de tudo, é nosso inimigo. Ouvi opiniões de que a melhor época para engravidar é durante o doutorado, já que a pressão não é tão grande como num pós-doc e você tem mais tempo pra fazer as coisas. Enfim, o assunto ficou permeando minha mente por um tempo... Mas sabem aquele momento que a gente sente que está faltando alguma coisa na nossa vida? Sempre ouvi dizer que o casal sentia a hora de ter um filho e nunca acreditei. Mas esse momento realmente chegou! Foi quando decidimos tentar engravidar no segundo semestre de 2013. Corri com os experimentos de campo e de laboratório, porque queria terminar toda a parte prática e deixar somente a escrita para depois do nascimento do bebê. E após apenas um mês de tentativas, lá estava eu com meu exame de sangue positivo! Fui pra campo até o 7º mês de gravidez e, obviamente, não consegui terminar tudo o que eu queria... Faltaram alguns experimentos de laboratório. O Murilo nasceu super saudável e virou nossa vida de ponta cabeça! Tudo muda, em especial nossas prioridades. E claro que ele passou a ser a coisa mais importante da minha vida. Mesmo assim, a vontade de voltar à vida acadêmica já batia na porta no final da licença maternidade. E voltamos com tudo. Ele entrou no berçário da Unicamp com 6 meses e dei seguimento ao doutorado... Consegui terminar meus experimentos e deu tudo certo. Hoje já sou doutora! Mas não foi fácil... Tenho pra mim que se eu tivesse conseguido terminar toda a prática antes do Murilo nascer, teria sido muito mais fácil. A vida fica mais complicada, embora muito mais gostosa, quando estamos com o filho no colo. Tarefas que demandam muito tempo (como meus experimentos, por exemplo) acabam demorando muito mais que o previsto. E quando estamos em casa, aproveitamos os horários da soneca do bebê para escrever os artigos e relatórios, mas claro que depois de fazer comida, lavar louça, passar roupa... Eu acredito sim que o final do doutorado é um bom momento para se ter um filho. Mas pela minha experiência, não aconselho deixar atividades práticas pendentes. Hoje o Murilo tem 1 ano e 9 meses e uma doutora mamãe, como ele mesmo diz, que tem muito trabalho pela frente! Sobre Marília: Bióloga e Doutora em Ecologia pela Unicamp, que praticamente nasceu num costão rochoso, já que trabalha neste ambiente desde o segundo ano de graduação! Seus interesses são pela atuação de processos físicos nas populações de invertebrados marinhos do entre-marés. Tem conhecimento sobre caranguejos, cracas, litorinídeos, mexilhões e anfípodes. E, claro, além de tudo, é casada e mãe de um filho lindo com quase 2 anos! Você pode acessar o curículo dela aqui . #mulheresnaciência #maríliabueno #convidados #filhos
- Pós-graduação e gravidez: Parte I
Por Andréa Green Koetker Duas coisas que parecem não combinar muito, ou nada na verdade, doutorado e gravidez. Engana-se redondamente quem pensa assim… Defendi meu doutorado com uma barrigona de 34 semanas e foi simplesmente maravilhoso!!! Não porque a banca pegou leve na arguição, até mesmo porque de leve não teve nada! Foram cinco horas de ‘sabatina’ e discussões, por vezes até acaloradas. Mas sim, porque a gravidez me trouxe a serenidade necessária para concluir o doutorado com êxito, mas sem arrancar os cabelos e com as unhas intactas. Mas deixa eu voltar um pouquinho... Fazia um tempo que eu e meu marido queríamos ter um filho. Já estávamos casados há alguns anos, mas sempre adiávamos por causa do trabalho e pós-graduação. Estava no último ano do doutorado na USP, em Oceanografia Biológica, quando decidimos não esperar mais. Adiantei toda a parte de laboratório, pra ficar o mais longe o possível de formol e outros produtos químicos e, com os dados em mãos, começamos as tentativas, achando que demoraria pelo menos uns seis meses. Que nada... um mês depois, em setembro de 2012, estava gravidíssima e o primeiro sintoma já veio com tudo, sono, MUITO sono. Mas era um sono assim INCONTROLÁVEL, que vinha a qualquer hora do dia e eu era OBRIGADA a desmaiar na cama. Aí me desesperei... pensei em trancar o doutorado para terminá-lo depois que o Bernardo (até então sem nome e sem sexo) nascesse. Pedi conselho para vários professores e todos me disseram: ‘termina antes, depois é muito mais complicado’. Ainda bem que dei ouvido a esses sábios cientistas. Depois dos três primeiros meses tudo mudou, o sono passou e conseguia trabalhar horas a fio em casa, no meu computador, trocando mensagens com meu orientador por e-mail e Skype, visto que já não morávamos mais em São Paulo, tínhamos voltado pra nossa terra, Florianópolis. Em fevereiro de 2013 a tese estava pronta, fui para São Paulo para imprimí-la e depositar as cópias e enquanto meus amigos comemoravam com muita cerveja eu brindava com meu singelo e adocicado suco de fruta. Depois disso fiquei um mês e meio curtindo muito a gravidez, indo pra praia, preparando o quarto do Bernardo, todo o enxoval, fazendo yoga, caminhadas e, quando faltavam duas semanas para a defesa comecei a preparar a apresentação. Terminei no quarto do hotel em SP, na caixinha, como eu e meu marido chamávamos o Ibis Budget. Cinco minutos antes da defesa estava tomando café na cantina do IO (Instituto Oceanográfico). Detalhe: quanto mais no final da gravidez, mais desligada você fica... Até que alguém me falou: vamos lá Déa, tá na hora. Eu costumo ficar nervosérrima ao apresentar trabalhos, mas logo nesse, minha tão temida defesa de DOUTORADO, foi tudo muito tranquilo. O Bernardo ficou lá quietinho, feito um anjo, que ainda é, e eu consegui focar muito bem no que estava acontecendo. Depois de quase uma hora de apresentação, quatro de arguição, três pausas para banheiro e uma para lanche da esfomeada grávida eu me tornei doutora em Ciências. A famosa comemoração pós-defesa, com muitos comes e mais ainda bebes foi, na verdade, um chá de bebê que minhas amigas prepararam carinhosamente. Voltei para Floripa com o dever cumprido. Um mês e meio depois o Bernardo nasceu, de parto normal, em casa, à luz de velas, com sonzinho rolando, dentro de uma piscina plástica com meu marido ao nosso lado e minha irmã como enfermeira obstetra chefe da equipe de parto domiciliar ( Hanami ). Já nas primeiras semanas tive a constatação de que teria sido loucura ou, no mínimo, muito mais complicado, deixar para terminar o doutorado com o Bernardo demandando todo o meu tempo. Era um ciclo contínuo de aproximadamente duas horas que incluía dar de mamar, colocar para arrotar, trocar a fralda, interagir e dormir; dar de mamar, colocar para arrotar, trocar a fralda, interagir e dormir e assim sucessivamente. Mas a veia científica e as horas que passei com meu grande amigo computador não me deixavam abandoná-lo assim, tão subitamente. Me dediquei a uma última apresentação no power point, contendo 25 slides e 70 fotos, tudo bem formatado e explicado, na qual relatei aos meus grandes amigos de São Paulo tudo o que vivenciei durante a gravidez, trabalho de parto e duas primeiras semanas de existência do Bernardo. Merecia um prêmio de melhor apresentação rsrs. Meu conselho às futuras mães cientistas: não adiem a gravidez, se o corpo e a mente pedem é porque está na hora e, se está na hora, a gente dá um jeito. Sobre Andréa: Fez graduação em Ciências Biológicas pela UFSC, mestrado e doutorado em Oceanografia Biológica pela USP, sempre trabalhando com ecologia de larvas de crustáceos decápodes. Se você quer saber mais sobre sua vida profissional acesse seu currículo lattes . #mulheresnaciência #andréagreenkoetker #convidados #filhos
- Pequenas águas-vivas e o segredo para a vida eterna
Pelo convidado Renato Nagata No verão de 1988, Christian Sommer, um estudante alemão de biologia marinha com pouco mais de vinte anos de idade, e sua namorada passavam o verão na pequena cidade de Rapallo, na Riviera Italiana. Christian também conduzia alguns estudos sobre pequenas águas-vivas (ou medusas). Ele mergulhava no oceano azul turquesa, entre os desfiladeiros de Portofino à procura desses animais, revirando o fundo do mar e também passando redes com malhas muito finas, para coletar medusas que são quase imperceptíveis durante o mergulho. Entre as diferentes espécies, Christian encontrou uma diminuta água-viva da espécie Turritopsis dohrnii , de cor púrpura, que possui de 15 a 30 tentáculos e alguns poucos milímetros de tamanho. Após alguns dias de observações, Christian esqueceu de suas pequenas medusas e ao invés delas morrerem elas definharam e se transformaram em um estágio mais jovem. Ao melhor investigar esse fenômeno, Christian e outros cientistas italianos de Gênova perceberam que, ao contrário de outras águas-vivas que normalmente cresciam e se desenvolviam em adultos, Turritopsis parecia se desenvolver semelhante ao “Curioso Caso de Benjamin Button”, do filme de 2008, baseado no livro de F. Scott Fitzgerald (1921), em que o personagem vai ficando mais novo ao longo dos anos. Alguns anos mais tarde, Christian juntamente com esses cientistas, publicaram um estudo demostrando a capacidade da espécie para se desenvolver em duas direções, tanto normalmente crescendo e envelhecendo, como também regredindo para estágios mais jovens, contrário ao que seria o sentido usual de desenvolvimento (Bavestrello et al. 1992). Essa regressão para estágios mais jovens pode ser seguida por uma retomada ao crescimento normal e tal capacidade tornaria Turritopsis dohrnii uma espécie potencialmente imortal (Piraino et al. 1996). Como qualquer outro animal, a maioria das cerca de 1000 espécies conhecidas de águas-vivas cruzam um caminho natural da vida. Elas crescem nadando livremente ao sabor das correntes do mar, se alimentam de outros animais do plâncton (Leia mais aqui ), se desenvolvem ao longo de uma série de estágios, até se tornarem adultos sexualmente maduros. Então elas se reproduzem (por sinal, possuem óvulos e espermatozóides muito semelhantes aos nossos!) e após isso, morrem e se desintegram. Essa reprodução gera uma pequena larva chamada plânula, que desce até o fundo do oceano e se transforma em uma criatura com formato de tubo e tentáculos ao redor da boca, chamada de pólipo (Figura 1). Os pólipos crescem presos ao fundo do mar e podem se dividir formando grandes colônias com muitos pólipos clones, assim sendo de DNA idêntico. Depois de um tempo, os pólipos individuais (ou colônias de pólipos, dependendo da espécie) produzem novas medusas que crescerão, fechando assim o “ciclo de vida” dessas espécies. O problema é que entre as águas-vivas, a exceção parece ser a regra e a diversidade de padrões de ciclo de vida é a maior em todo o reino animal. Um desses caminhos alternativos é a capacidade de desenvolvimento ao contrário, chamada de “desenvolvimento reverso” ou “ontogenia reversa”, que ocorre em algumas poucas espécies de águas-vivas (mas é possível que ocorra em muitas outras). A medusa, geralmente ainda jovem, para de comer, seus tentáculos se retraem e ela vai para o fundo do oceano e dentro de algumas horas se transforma em uma pequena massa de tecido. Essa massa de tecido pode ficar por muito tempo “descansando” e mais tarde pode se transformar novamente em um pólipo, que retoma o ciclo usual de desenvolvimento. O grande diferencial de Turritopsis dorhnii , no entanto, é sua capacidade de realizar essa reversão, mesmo depois de adulta e em qualquer fase de sua vida (Piraino et al. 1996; 2004). A reversão depois do desenvolvimento adulto e pleno seria como se uma borboleta adulta ao invés de morrer, pudesse voltar e se transformar em seu estágio de lagarta. Mas onde estaria o segredo dessa espécie que permite essa potencial imortalidade? No caso de Turritopsis , cientistas observaram que várias condições estressantes, como a falta de alimento, temperaturas muito baixas, ou a destruição mecânica da medusa, podem desencadear o desenvolvimento reverso. Essas alterações ativam certos grupos de genes, que provocam mudanças na organização das células. Todos os animais possuem as famosas “células tronco” (ou células pluripotentes), que se diferenciam em diversas outras células especializadas, por exemplo células musculares, neurônios e outros tecidos. No entanto, Turritopsis dohrnii possui células que podem realizar o caminho inverso, ou seja, células já especializadas podem voltar ao estágio não-diferenciado (de célula-tronco), ou ainda transformar-se diretamente em outros tipos de célula. E esse é o segredo de Turritopsis ! Tal capacidade de transformação das células é chamado de “trans-diferenciação celular” e permite que essa medusa reorganize as células especializadas de seu corpo, perdendo as células “desnecessárias” e revertendo seu crescimento. Se uma única medusa conseguir realizar essa reversão indefinidamente, isso a tornaria potencialmente imortal. No entanto, nenhuma medusa foi seguida por muito tempo e também ainda não possuímos meios de medir a idade das águas-vivas da natureza e saber quantas vezes é possível realizar essa reversão. Apenas o cientista japonês Shin Kubota, da Universidade de Kyoto conseguiu acompanhar Turritopsis dorhnii por 2 anos, quando observou esse ciclo de crescimento e reversão ocorrendo 10 vezes seguidas (Kubota 2011). A imortalidade pode ser na verdade indesejável, como na mitologia grega em que alguns deuses amaldiçoam mortais que os enganaram, com a eternidade. Ou no livro “Intermitências da morte” de J. Saramago de (2005), onde a Morte suspende seus trabalhos, condenando humanos a viverem para sempre. Se a imortalidade dessa água-viva ocorresse de fato na natureza, em pouco tempo o oceano estaria cheio dessa espécie, o que causaria uma grande calamidade. Porém, felizmente, a ontogenia reversa não impede que o destino dessas medusas seja o de se tornar comida de peixes, tartarugas, ou de qualquer outro animal marinho. Além disso, como qualquer outro ser vivo, Turritopsis não é imune a doenças, de forma que existem meios de interromper a vida da espécie. O desenvolvimento reverso é uma estratégia de sobrevivência: se a espécie encontra um ambiente pouco favorável, mecanismos internos a fazem voltar para um estágio anterior. Ou seja, se “o mar não está pra peixe”, a medusa interrompe seu crescimento, volta para o fundo do mar e começa tudo novamente. Outras espécies de medusa e mesmos os pólipos também podem se transformar em massas de tecido protegidas por uma cápsula e assim ficar por até alguns anos, esperando condições melhores para seu desenvolvimento. Mesmo assim, a capacidade de trans-diferenciação celular em Turritopsis dorhnii pode representar um grande passo para a compreensão de muitos outros mecanismos celulares de envelhecimento, de regeneração de tecidos e até de rejuvenescimento no reino animal. E quem sabe um dia, revelar alguns segredos sobre a imortalidade (veja o link do Youtube – Google Zeitgeist: Dr. Shin Kubota e a água-viva imortal. Leitura sugerida: Bavestrello, G., Sommer, C., and Sarà, M. (1992) Bi-directional conversion in Turritopsis nutricula (Hydrozoa). In Aspects of hydrozoan biology. Edited by J. Bouillon, F. Boero, F. Cicogna, J.M. Gili, and R.G. Hughes. Scientia Marina 56: 137–140. Kubota S. (2011). Repeating rejuvenation in Turritopsis , an immortal hydrozoan (Cnidaria, Hydrozoa). Biogeography 13: 101–103. Piraino, S., Boero, F., Aeschbach, B., and Schmid, V. (1996) Reversing the life cycle: medusae trasforming into polyps and cell transdifferentiation in Turritopsis nutricula (Cnidaria, Hydrozoa). Biological Bulletin 190: 302–312. Piraino S, De Vito D, Schmich J, Bouillon J, Boero F (2004) Reverse development in Cnidaria. Canadian Journal of Zoology 82:1748–1754 Rich, N. Can a Jellyfish Unlock the Secret of Immortality? The Ney York Times, 28 de novembro de 2012. http://www.nytimes.com/2012/12/02/magazine/can-a-jellyfish-unlock-the-secret-of-immortality.html?_r=0 acessado em 30/05/2015. Sobre Renato Nagata: Assim como muitas outras pessoas, sempre tive uma atração pelo mar, um ambiente estranho e pouco familiar para alguém nascido e criado no interior do Paraná. Quando cursava ciências biológicas na UFPR, surgiu a oportunidade de um estágio para estudar águas-vivas. Não podia imaginar que estava mergulhando em um vasto universo com diversas possibilidades. Além de bonitas (notem as imagens que decoram este blog!), percebi que as águas-vivas (ou medusas) eram muito abundantes nas águas escuras do litoral do Paraná. Com isso, começaram a surgir inúmeras perguntas: quando elas ocorrem? Onde ocorrem? O que elas causam ao homem e aos demais componentes do ecossistema? Fiz mestrado em zoologia na UFPR e depois me mudei para São Paulo, onde conclui recentemente o doutorado na USP, também em zoologia. Atualmente tenho interesse por questões sobre as águas-vivas que só podem ser investigadas quando olhamos medusas vivas e pulsantes: Como é o crescimento e o desenvolvimento desses animais? Como as espécies realizam funções básicas como nadar e obter alimento? Além da pesquisa, também sinto a necessidade de compartilhar um pouco do que faço. Por isso, aceitei imediatamente o chamado de Netuno, para contar alguns “causos” e trazer à tona curiosidades sobre esses fascinantes habitantes dos mares! #águaviva #ciênciasdomar #cnidários #convidados #medusas #plâncton #renatonagata
- O filho que concorreu com a ciência e empatou
Por Rafael Flaquer Soares O meu primeiro aniversário foi, por assim dizer, um estouro; nesse pouco tempo de vida eu já podia orgulhar-me de ter ido a uma grande aventura, que foi morar nos Estados Unidos e voltar para contar a história. Por causa do meu pai eu passaria os meus próximos anos lá, por isso essa festa servia como uma forma de despedida temporária de parentes e amigos. Mas apesar de ter me divertido muito na festa, era possível perceber certo nervosismo exagerado em minha mãe, um tipo de estresse típico de quem tenta acumular mais tarefas do que parece humanamente possível e então fica sobrecarregada pelas consequências. Naquela época eu não tinha como saber, mas ela estava se preparando para defender a sua dissertação de mestrado. A preocupação e o esforço pagaram bem, já que ela conseguiu um dez com distinção. Mas para entender de fato o tamanho desse esforço e o que foi exigido dela enquanto mãe, eu preciso voltar ainda mais, para uma época em que eu nem havia nascido. Minha mãe conheceu o meu pai em 1991, pouco antes de começar o mestrado. Até então, o seu único objetivo era o acadêmico, e o doutorado parecia um sonho possível. De início, o relacionamento dos dois parecia não interferir muito na situação, os dois sendo alunos e morando juntos em São Paulo. Foi só em 1993 que surgiu o primeiro problema: meu pai, que estava um ano já há frente, terminou o mestrado e passou no concurso para professor na FURG. Sendo uma oportunidade sem igual na sua área, ele imediatamente seguiu para lá. O problema era que a minha mãe não havia terminado o mestrado dela ainda e agora se encontrava dividida entre seguir o seu futuro marido ou a sua sonhada carreira. Ela até tentou trabalhar e estudar por dois meses em São Paulo, mas acabou cedendo à pressão e seguindo para Rio Grande com o mestrado ainda incompleto. Desse reencontro eu fui concebido, e em dezembro de 1995 eu nasci. Um ano de trancamento foi concedido em resposta à gravidez, uma pausa bem-vinda mas demasiadamente curta para garantir um bom crescimento a qualquer filho. A situação complicou-se ainda mais no ano seguinte, quando meu pai conseguiu a oportunidade de fazer um PhD nos Estados Unidos com uma bolsa de estudo. Seria uma viagem de muitos sacrifícios, mas também de grandes recompensas, e por isso meu pai decidiu aceitá-la. O problema era que estes sacrifícios não seriam apenas dele... Eu tinha ainda pouquíssimos meses quando meus pais se casaram. Foi um casamento engraçado e desastrado, feito em cartório e com marido e mulher separados por todo um oceano de distância. Ter um pai que ganharia um título tão importante como o de PhD era o máximo e a minha mãe concordou com a ideia, mas aquilo tudo também significava que ela, além de mãe e bióloga, agora teria que ser também esposa. Quantas coisas, eu perguntava-me, ela poderia ser até acabar não sendo uma coisa nem outra? A resposta, para minha surpresa, era um número maior do que eu imaginava. Passei dois meses em Miami, após os quais retornei para o meu aniversário e para a defesa da minha mãe. E por mais ilustre que a defesa do mestrado tenha sido, ela marcou o começo do grande hiato acadêmico para minha mãe, um hiato que lhe custaria projetos e publicações, pois tivemos que voltar a Miami logo em seguida. Uma diferença como essa, de aproximadamente 10 anos, não era do tipo que fosse possível superar depois. Mas era preciso. Como minha mãe poderia deixar que o seu filho crescesse sem mãe nem pai? Alguém tinha de me criar, ensinar-me os valores e a ética que pais inexperientes esperam que os seus filhos aprendam nas escolas. Mas um bom pai sabe que essa educação só se aprende em casa, com os entes queridos. Eu também não ajudava muito, claro; em meus primeiros anos era extremamente próximo de minha mãe e um dia longe dela deixava-me aos prantos. O resultado de tudo foi que, de 1997 até 1999 eu e a minha mãe cuidamos da casa enquanto meu pai buscava levar a sua carreira o mais longe possível para sustentar a todos nós no futuro. Foi só no ano de véspera do milênio que eu estava pronto para enfrentar o mundo sozinho nos dias da semana; a escola foi escolhida a dedo, para certificar-se de que eu teria apenas a ganhar saindo de casa. Minha mãe aproveitou a oportunidade para tentar retornar um pouco à sua carreira, conseguindo um estágio na Experimental Hatchery (na University of Miami) pelo ano seguinte. Nessa época, ela cumpria o papel de assistente de pesquisa até às 14 horas, então, de mãe e dona de casa o resto do dia e esposa em tempo integral. O estágio acabou-se, bem como a bolsa de PhD, nos anos 2001. Eu retornei com a minha mãe um pouco antes, onde passei o meu aniversário de cinco anos e por onde ficamos alguns meses enquanto meu pai terminava a sua pós-graduação. Ele chegou ao final do ano e, então, retornamos todos à cidade de Rio Grande, onde tudo poderia retornar ao normal. Mas as coisas não voltaram ao normal. Depois de um ano meus pais se separaram e eu parti com a minha mãe de volta a São Paulo. Chegou-se, então, ao ponto crítico da história. Por um momento parecia que éramos apenas eu e a minha mãe contra o mundo, sem casa, sem dinheiro e sem perspectiva de emprego algum na maior cidade do Brasil. A situação parecia desesperadora, mas são nas noites mais escuras em que as estrelas brilham mais fortes; meus avós ofereceram a sua casa para a nossa estadia e, de lá, a minha mãe começou o longo processo de reconstruir a sua carreira. Custou-lhe vários anos, mas tudo valeu a pena e, em 2009, se formou doutora e logo em seguida fez seu pós-doc. Hoje em dia, a minha mãe é bolsista no Instituto Oceanográfico e tem o que é preciso para viver com dignidade. Eu vivo muito feliz com o meu pai em Curitiba agora, mas nunca vou esquecer e devo muito à educação excepcional para a minha geração que me foi concedida nos meus anos mais novos. Tudo isso porque, apesar de tudo, eu garanto que a minha mãe encarou os desafios da sua vida com distinção e foi uma dezena de coisas ao mesmo tempo sem nunca esquecer quem ela era. Se isso não é o verdadeiro significado de ser doutora e mãe, eu não sei qual é. Sobre o autor: Meu nome é Rafael Flaquer Soares e tenho 19 anos. Nasci em São Paulo, cresci nesta cidade, nos Estados Unidos e em Rio Grande (RS). Moro agora em Curitiba e faço o curso de Engenharia Mecânica na UFPR, mas também sou escritor amador. #carreira #convidados #filhos #RafaelFlaquerSoares #mulheresnaciência #marialuizaflaquerdarocha
- Uma gringa fazendo pesquisa no Brasil
Por Sabine Schultes , convidada da semana. Ao escrever este post, estou na minha mesa de trabalho na faculdade de biologia de Munique. Da janela vejo campos verdes, e a única água salgada num raio de 600 km são 20 litros de água do mar artificial no laboratório, num balde com copépodes da espécie Acartia tonsa . Só isso me conecta com minha grande paixão, os estudos da oceanografia biológica. Copépodes são minúsculos crustáceos, de 1 milímetro mais ou menos. A olho nu, parecem uma poeirinha pulando na água. Vivem em todos os ecossistemas aquáticos: lagos, rios, águas subterrâneas e oceanos. São numerosos “como as estrelas no universo” e tem um papel importante na ecologia do mar. São eles que consomem a biomassa que as micro-algas criam da energia solar – num processo chamado produção primária – e o transferem para os peixes porque peixe gosta de comer copépodes ( Sai ba mais aqui ). Já trabalhei com copépodes das águas temperadas do Atlântico Norte, das águas frias do Oceano Antárctico, e em 2007 eu vim trabalhar como pesquisadora pós-doc no Instituto Oceanográfico da USP para conhecer os copépodes tropicais. Que alegria! ...e ao mesmo tempo que aventura de viver num país a 12 000 km da Alemanha, na cidade de São Paulo. Pulei na agua fria sem pensar duas vezes e, num taxi na “Marginal Tietê” entre Guarulhos e a Cidade Universitária, senti de repente que estava realmente longe de casa. São momentos de transição entre um mundo e um outro, quando cada detalhe fica gravado na memoria. Fui muito bem recebida pelos Paulistanos e, contrariamente à noção que no Brasil tudo é praia, samba e caipirinha, tive a oportunidade de trabalhar com tecnologia de ponta da minha área científica. Foram colocados nas minhas mãos dois instrumentos sofisticados para análise de copépodes. Minha tarefa era de estabelecer protocolos de medida e de calibração. Nada de machismo, de “mulher não sabe nada de tecnologia”... Cada dia o aprendizado era enorme: vida na grande cidade e em um país tropical, língua portuguesa, técnicas de análise de imagem e de transmissão de dados eletrônicos. Enorme também era a ajuda que recebi dos meus colegas cientistas Brasileiros, Canadenses e Franceses. Em pouco tempo foi possível fazer o batismo de fogo (de água!...quis dizer) do equipamento na base oceanográfica de Ubatuba. Isso sim, era um sonho de pesquisadora nas ciências marinhas se realizando. Mais um sonho se realizava com a expedição do projeto PROABROLHOS para estudar com o tal equipamento a distribuição do zooplâncton (copépodes e outros bichinhos do mesmo tamanho) no Banco de Abrolhos. Lá tem bastante peixe, e lembra-se que peixe gosta de comer copépodes?! Neste projeto, pesquisadores de várias universidades do Brasil e do mundo juntaram as forças para melhorar o entendimento sobre como este ecossistema marinho funciona, para poder proteger a grande biodiversidade de Abrolhos e seu valor para a sociedade. Passar um mês embarcada no antigo navio oceanográfico Prof. Besnard foi um pouco de aventura – ele finalmente se aposentou ☺ e agora o IO tem um navio novo – mas tudo deu certo. Nossos resultados foram publicados nos anos seguintes ao projeto (entre 2009 e 2013), mas já bem antes resolvi voltar para Europa. - Como assim?! Não era um sonho se realizando??? Pois é, olhando para trás sinto que me faltava um pouco de fé. Mas talvez eu também precisasse do meu próprio povo, da minha própria cultura e da minha família para ter fé e continuar pesquisando os mares do mundo. Infelizmente, a realidade de vida nas ciências está cheia de incertezas, de contratos de trabalho curtos (1 ano). Ao mesmo tempo as realizações científicas levam anos. Escrever um projeto, conseguir verba, executar um projeto, analisar os resultados e comunicar os novos conhecimentos acontece em prazos de 5 a 10 anos. Voltando do Brasil eu demorei mais 4 anos de idas e vindas entre França, Brasil (me apaixonei...) e Alemanha para finalmente conseguir uma vaga de docente na Faculdade de Biologia de Munique em 2012, com 40 anos de idade. Vivo perto da casa dos pais, e estou dando aula de zoologia, ecologia e iniciação científica para alunos do bacharelado e mestrado. Pela primeira vez, eu sei onde eu posso ganhar a minha vida, viver e realizar estudos científicos sobre o mar, até pelo menos 2020, quando então o caminho talvez me levará para mais um lugar no futuro. Não tinha muita ideia pré-concebida antes de vir para Brasil. Gosto muito de viver em outros países. Geralmente passo um primeiro tempo observando e ouvindo e tento seguir na onda. Descobri o jeitinho Brasileiro, o frio de São Paulo e aprendi a dançar forró. Achava – ainda acho – que as todas pessoas à minha volta eram dedicadas ao trabalho, aos amigos e a família. A maior aprendizagem que levei de volta do Brasil? Que às vezes as coisas demoram, mas no final tudo dá certo! Sobre a autora: Sabine Schultes gosta de se ver como bióloga e oceanógrafa. Ela estudou biologia e hidrobiologia na faculdade de Hamburgo, fez mestrado em oceanografia na Université du Québec Rimouski, no Canadá e doutorado em oceanografia biológica no Alfred-Wegener-Institut em Bremerhaven. Depois de vários contratos de pós-doc na França e no Brasil, ela é agora docente na faculdade de Munique (LMU) para dar aula de zoologia e ecologia. Ela conta que seus pais lhe ensinaram a procurar caminhos novos e a se relacionar com as pessoas e culturas do mundo. Ela está convencida de que hoje, mais do que nunca, precisamos cuidar de nossos oceanos. #biologiamarinha #carreira #convidados #internacionalização #sabineschultes #mulheresnaciência
- A pós-graduação como um espaço agradável
Por Daniela Coelho Boa parte das pessoas com quem eu já conversei sobre pós-graduação tem referências ruins sobre o ambiente acadêmico. Essas referências vão desde as más orientações que recebem dos seus orientadores (usarei o termo orientadores para me referir tanto a homens quanto a mulheres), até um ambiente pesado, de intensa cobrança e competição, que o próprio programa de pós graduação pode cultivar. Isso sempre me chamou atenção, pois desde o meu terceiro semestre do curso de Biologia eu já tinha interesse na vida acadêmica. Fiz iniciação científica e mestrado (zoologia) na UFBA e agora estou no doutorado (ecologia) na USP. No início eu realmente achei que meu processo de adaptação seria muito pesado, por estar trocando de área de atuação e de cidade. Porém, andei um passo de cada vez e isso foi essencial para que soubesse que estava escolhendo a pessoa certa, no lugar certo. Primeiro, conheci meu orientador alguns anos antes de fazer a seleção. Fiz o esforço de ir até a universidade onde ele leciona justamente para conhecê-lo e termos nossa primeira conversa sobre a “possibilidade” de orientação - essa galera normalmente é muito ocupada e fazer o contato previamente é essencial. Ele me propôs que tivéssemos uma vivência antes (uma espécie de estágio), justamente para saber se eu me adequaria ao seu estilo de orientação e se ele acharia interessante me orientar. Nada mais justo! Ele me sugeriu também conversar com seus orientandos para saber sobre o seu perfil de orientação e sobre o ambiente do laboratório. Acho que pouquíssimos orientadores fariam tal sugestão, assim como poucos alunos têm esse feeling de buscar saber onde estarão pisando! Conversar com os alunos que já foram orientados pelo pesquisador e aqueles que estão em via de orientação pode pesar muito na sua escolha. Após estar certa de que seria uma boa decisão fazer o doutorado com ele, iniciamos a etapa de discutir o meu projeto, de forma que a linha de pesquisa que seguiríamos se adequasse tanto aos interesses dele, quanto aos meus, afinal, eu passaria 4 anos da minha vida estudando aquele tema, naquele ambiente e sob aquela orientação. Quando fui prestar a seleção, tive outra grata surpresa: meu orientador se propôs a discutir comigo cada um dos artigos que cairiam na prova, justamente para garantir que eu me sentisse mais segura para o processo seletivo. Embora essa atitude dele seja um ponto fora da curva, ele provavelmente também estava garantindo que o seu investimento de tempo em mim seria garantido se eu fosse aprovada na seleção! Após ingressar no programa e discutirmos nosso projeto, ele fez uma sugestão que achei brilhante! Eu seria preparada a ponto de, no último capítulo da minha tese, ser a única autora, pois ao final do meu doutorado eu deveria “ser capaz de pensar sozinha numa pergunta, delinear e executar uma pesquisa”, e a participação dele seria apenas para aparar as arestas. Nesse momento eu realmente entendi que sua preocupação não era apenas com o número de artigos que eu iria produzir ao final do meu doutorado, e sim com a qualidade da minha formação. Ele também incentiva os alunos que integram o laboratório a trabalharem conjuntamente na elaboração de uma pesquisa, sem a participação dele e isso tem sido muito produtivo para o crescimento, união e amadurecimento do grupo. Estamos aprendendo a nos ajudar mais. Além disso, nosso orientador disponibiliza uma hora de reunião semanal para cada aluno discutir com ele o projeto ou qualquer outro assunto que quiser. Ele estuda junto com a gente! A maioria das pessoas diz que eu vivo num laboratório de conto de fadas, e que orientadores como o meu são raríssimos! Pode até ser, quando pensarmos no grande universo das pós graduações. Porém, assim como o meu, eu tenho convivido com diversos outros orientadores que também se preocupam, e muito, com a sua “prole”. Eu faço parte de uma espécie de laboratório integrado, onde, além do meu orientador, existem três outros professores que agem praticamente da mesma forma. Eles não se importam exclusivamente com a nossa produtividade acadêmica, mas também com a qualidade do profissional que eles estão formando para o mercado. Ok, agora vamos ampliar a escala. E o ambiente da sua pós graduação? Bom, eu estou muito satisfeita com o programa de pós graduação em ecologia da USP. Pelo tempo que estou aqui, pouco mais de 1 ano de pós e dois anos anteriores de vivência no laboratório, pude perceber que os coordenadores são muito humanos e preocupados com o bem estar dos alunos. Juntamente com os representantes discentes, eles conseguem manter um ambiente onde os alunos têm voz ativa. Há eventos sobre saúde mental, com ciclo de palestras e bate-papo entre os alunos, ou com os professores, sobre depressão, síndrome do impostor, ansiedade, organização de tempo e muitos outros temas que tanto afligem os estudantes. Além disso, temos um espaço destinados aos alunos para apresentação dos nossos projetos, ideias ou para o convite de palestrantes do nosso interesse. Venhamos e convenhamos, existe algum trabalho sem prazos e cobranças? Não, né? A questão é o que os organizadores do ambiente em que você está inserido estão fazendo para melhorar a sua paz de espírito.O programa cobra prazo e produtividade dos alunos, como qualquer outro programa. O que muda é o que eles fazem para amenizar o estresse ao qual estamos submetidos. Será que tudo que estou vivendo é um mar de rosas e eu estou iludida com a realidade do ambiente da pós graduação? Claro que não, não me considero uma pessoa tão ingênua assim! O grande xis da questão é saber previamente para onde você quer ir. Como disse o gato do filme Alice no País das Maravilhas, “se você não sabe pra onde ir, qualquer caminho serve”. E quais conselhos eu gostaria de deixar aqui? O primeiro é: busque se informar fortemente sobre o suporte dado por sua pós graduação de interesse à saúde mental dos alunos. Da mesma forma, busque saber quem é o seu orientador de interesse e o que os alunos antigos e atuais pensam sobre ele, tanto como pessoa quanto como profissional. Não esqueça: quem vê lattes não vê coração! A segunda é: não escolha o orientador “apenas” pelo quão produtivo ou expert ele é na sua área de interesse. Escolha também pelo quanto ele vai te respeitar como pessoa e respeitar seus interesses profissionais. Não escolha ”o melhor”, escolha aquele que é capaz de extrair o que há de melhor em você. Eu sei que não há espaço para todos nesses ambientes ideais, mas quando estamos falando da nossa saúde mental, talvez seja mais prudente refletir se vale a pena estar em lugares que degradem a sua paz de espírito na construção do seu caminho acadêmico ao invés de buscar outras alternativas. Sobre a autora: Daniela Pinto Coelho: É bióloga formada pela UFBA, mestre pelo programa de pós-graduação em Diversidade Animal (UFBA) e doutoranda pelo programa de pós-graduação em Ecologia da USP. A autora desenvolve pesquisa com redes de interações tróficas usando serpentes como modelo de estudo. É apaixonada por gatos e por esportes de aventura. Currículo Lattes #convidados #vidadecientista #pósgraduação #orientação #orientadores #DanielaCoelho
- Festival WOW - Mulheres do mundo
Em novembro de 2018, nossa editora Catarina Marcolin foi selecionada para participar do curso de capacitação em divulgação científica oferecido pelo British Council para mulheres cientistas. Ela passou 5 dias, acompanhada por jornalistas e cientistas, aprendendo na prática técnicas de divulgação de ciência e discutindo questões de gênero sob os mais diferentes aspectos, além de fazer a cobertura do Festival WOW - Mulheres do mundo . Além da experiência incrível de viver este festival, ela e as outras 14 mulheres selecionadas para o curso compuseram o corpo editorial da primeira edição da revista Mulheres na Ciência . Confira os posts derivados dessa aventura: Mulheres cientistas, ousem andar unidas! e Um caso de poliamor entre uma cientista, a fotografia e a ciência . #catarinarmarcolin #mulheresnaciência #wow #netuniandoporai
- 10 professional abilities you develop by doing science
By Lilian Pavani Edited by Lídia Paes Leme and Katyanne M. Shoemaker Original here Those who have done scientific research know how hard it is to explain what you do. Since your work is not an internship or a job, research is typically first done in the position of a student, as either an undergrad, masters, or doctoral student. Is there a researcher among us who has not heard the phrase “do you work too, or only study?” Contrary to common belief, yes, you work and work hard! Mislead are those who think that work within science is a cinch. Research goes beyond reading articles and books, it involves the construction of new knowledge. On this ardent path, scientists are forced to learn many things that are valued in the “real world.” When I was doing research I didn’t have any idea of the skills I had learned along the way, but when I started to work in the business world, I realized how many abilities I had due to my undergrad and masters studies in marine ecology. Regardless of the subject you research, you’ll likely find the following to be true for yourself: 1- You know how to use Word and Excel You may need a bundle of complicated software to analyze specific aspects of your work, but there will never be a time you’ll forego the simplicity of making a datasheet and quick graph in Excel. One of the first skills we teach ourselves in data analysis is how to transform a pie chart to a bar graph and change the colors of data series’ until we find what best represents our results. And if you’re applying to a scholarship, presenting results, or formatting a thesis, you’ll – pardon me the pun – learn Word “write.” You insert tables, images and references without losing sight of the format of paragraphs, margins, or footers. 2- You know how to make nice presentations in PowerPoint Who hasn’t made a poster to present in a conference? Or a presentation for a class in your undergrad or to defend your thesis? Research has helped you almost certainly develop a good aesthetic sense: knowing how to pick the best background color and font, and how to symmetrically distribute the elements of your slide. By now, we all know a picture is worth a thousand words, and wordy slides are the downfall of an otherwise good presentation. Powerpoint helps us master the art of presenting the important information in the available time, be it five, 20 or 50 minutes. 3- Project management is something natural Your desire to do research likely started with a question you wanted to answer, a need you identify – the initiation step. To answer the question, you needed to write a research proposal, so you to gathered information, defined the necessary activities to your study, and estimated the necessary resources and deadlines – the planning step. With a research project approved, you developed the defined activities – the execution step. And while your project was being developed, from time to time some activities and processes were reviewed, adjusted and made better – the control and monitoring step. By project completion, you presented the final results in a report or article that went through a rigorous evaluation by your adviser and others – the finalization step. There you go, you may have never heard of a PMBOK or MS project, but you know all about project management! 4- Quality is mandatory The level and rigor and requirements in the academic field can be stratospheric. I’ve seen people kicked out of graduate programs because their scores didn’t meet the level desired by the program. Even if your work is a good contribution to the field, an unsatisfactory abstract alone may prevent you from presenting your work at a conference. If your article is not well structured, it likely won’t be published in any journal. Peers evaluate everything and screen your work for any minor slip; therefore, it is imperative to always make sure the work is well done. 5 – You become judicious Because of the obligation to quality, the more thoughtful you are in the development of your work, the greater the chance that it will be well done. This habit is acquired without notice. 6 – Knowing how to argue is a necessity In order to discuss your results, apply for funding, or convince your advisor, you need to know how to defend, support, and prove your point of view. 7 - You learn how to deal with people During your research, you need to deal with several different people in varying positions of power. At the very least, you have an advisor and maybe a co-advisor. If you are at masters or doctorate level, you will have collaborators alongside you and new students below you to train. There will also likely be the need to connect to other members of the your home department, especially professors. Those who even only minimally understand academia know that the academic field is an ego war, and you are caught in the crossfire. You must learn to do whatever is possible to keep things going without damaging the pace of your research. 8 – You understand deadlines are important and you abide by them If you’re on a scholarship you’re always aware of the deadlines for filing reports and funding forms. If you don’t have a scholarship, you’ll be following program deadlines and keeping track of when to submit a new proposal. If you want to present your work at a conference, you have deadlines for abstract submission (sometimes organizers can extend the deadline date, but in general, people use that just to review the abstract sent). 9 – Financial management is part of it In general, most scientific grants and scholarships have a technical reserve -- money that does not go to the researcher but towards the acquisition of equipment, books, field research, and other items needed to the development of the research project. This pool of money is often small, so you learn to manage the financial resources by looking for the best value. In some cases, you may learn to manage many different project funds, to buy common materials that will benefit multiple projects and other in the lab. 10 – You realize that your success is totally up to you The academic field can be a hostile environment, demanding a lot of dedication. Because of that, people tend to qualify themselves as much as possible and are always in search of improvement. So, if you intend to leave the academic career and follow an alternate path, remember your own self value! You have a lot to offer! ;) About Lilian Pavani: Lilian is a biologist, with a masters in ecology and specialization in environmental engineering from the State University of Campinas. She is a lover of sponges and other marine invertebrates, especially the colorful ones. After sailing through sponges, amphipods and petroleum, the current and winds took her literally down other roads, where she worked studying run-over fauna, doing environmental management and supervision of railroad construction. She has many diverse interests, including education, writing, innovation, cooking, playing the flute in an amateur group of antique musicians, and bird watching. Anyway, she lives with her feet in the sand and kind of in the tides. #scientistlife #lilianpavani #interdisciplinarity #invited #profession #chat
- Mulheres cientistas, ousem andar unidas!
Por Catarina R. Marcolin Sou cientista, professora, mãe, mulher parda (meu pai era italiano, minha mãe uma mistura de portugueses, índios e negros), minha pele é clara; não sou de família rica nem pobre e educação foi um dos nossos privilégios. Quando li o e-mail que me dizia que fui selecionada para o curso do British Council e do festival WOW - Women of the World (Mulheres do Mundo), tinha acabado de chegar em casa para substituir minha babá nos cuidados da minha filha, dei pulinhos e gritinhos de alegria. Minha menina riu comigo. Mesmo sem entender palavras, ela captou perfeitamente minha emoção. Chegar no Rio de Janeiro e conhecer tantas mulheres incríveis nos primeiros dias de nossa capacitação em divulgação científica tem sido muito energizante. É tanta energia que tenho despertado bem mais cedo que meu alarme todas as manhãs, algo que nunca me havia acontecido antes, mas é o despertar da ignorância que mais me impressiona. Sempre me achei empoderada e autoconfiante, especialmente com minhas habilidades intelectuais. Mas quando nos contaram que as 15 cientistas/divulgadoras que vieram para o curso foram selecionadas entre 236 aplicações, tive mixed feelings. Ao mesmo tempo em que estava orgulhosa, buscava mentalmente por justificativas sobre o resultado: “Deve ter sido porque sou baiana, nessa busca por um recorte geográfico, minha concorrência deve ter sido menor...”. WOW ! Notem que este não é um wow de surpresa, é um “p* que pariu”, pois outros exemplos continuaram pipocando em meus pensamentos sobre momentos da vida em que encontrei outras razões, que não o meu próprio mérito, para justificar minhas conquistas. A realidade sobre como a construção social molda nossas aspirações, nossas expectativas sobre a vida, bateu na minha cara. E era só o primeiro dia. E mais e mais “fichas” vão caindo. A força e a luta das mulheres negras, representadas desde o “corpo tela” da Zaika Santos até a língua afiadíssima e os projetos de empoderamento de meninas da Zélia Ludwig , me inspirou admirações e reflexões profundas. Me dei conta de como em três anos trabalhando com divulgação científica e discutindo questões de gênero na oceanografia, o blog do qual faço parte nunca teve a contribuição de uma mulher preta. Em quatro anos de doutorado na área de oceanografia, me lembro de ter conhecido uma única mulher preta. Estou decidida a reencontrá-la, a encontrar essas mulheres, porque tenho certeza que elas existem. O aumento da representatividade da mulher, seja ela mulher preta, indígena e/ou deficiente (sim, eu também aprendi o que é interseccionalidade ) é uma pauta urgente, pela qual me sinto agora compelida a contribuir. Inspirada pelas palavras da renomada Reni Eddo-Lodge , vou me educar. Tomo cada vez mais consciência sobre minha própria identidade, sobre o privilégio de não ser preta (afinal de contas, não sou discriminada pela cor da minha pele), e não consigo parar de pensar sobre o próximo passo. Sobre minha responsabilidade em combater não apenas o machismo, como a propagação do racismo. Afinal de contas, Jude Kelly nos lembra que a luta por igualdade de gênero e de raça não é uma luta por direitos iguais. É uma luta entre a estupidez e a sabedoria. E esse festival está me deixando menos estúpida. Reconhecer que precisamos discutir as relações de poder em nossa sociedade, não apenas nos educa como valida nossos sentimentos, não é mimimi. Muito sabiamente a incrível Samia, cordelista de apenas oito anos nos alertou já na cerimônia de abertura: “com autoestima baixa, toda a vida perde a lógica”. Além de encher nossos corações de esperança, ela nos mostrou que essa nova geração é poderosa. Mas não podemos deixar para as novas gerações o que podemos fazer agora. Afinal de contas, são “as ações de hoje que produzem nosso amanhã”, como nos lembra a todo momento esse lindo Museu que nos acolheu todos esses dias. Um dos nossos grandes desafios será deixar de falar apenas para os “convertidos”, quebrando os filtros bolha Facebookianos e partir para ação. Pois aprendi que o ativismo online não será suficiente para mudar nossa realidade. Seguindo a técnica da nossa querida Timandra , espero conseguir “roubar” a habilidade de escuta da nossa colega jornalista, a Renata Fontanetto (@renata_fontanetto). Pois é apenas pela escuta, com um olhar empático que conseguiremos dialogar. Se isso fizer ferver nossas entranhas ou pulsar nossa jugular, não se preocupe querida @moleculoide , Jude e Reni nos dão dicas sobre como dialogar sem perder o controle, sem que isso nos cause úlceras ou nos deixe exaustas. Eu já sabia admirar mulheres incríveis, mas minha curiosidade agora permeia outras nuances. Nunca mais deixarei de me perguntar como uma mulher conseguiu mudar também a realidade de outras mulheres. Nunca mais deixarei de me perguntar sobre como eu posso mudar a realidade de outras mulheres. Mariéme Jamme e Joana D'Arc Souza , só inspiração! Foto: Catarina Marcolin. Não tenho dúvidas de que a maior conquista deste festival foi permitir que capturássemos umas as outras e espero profundamente que essa rede tenha nós bem unidos e que não nos deixemos escapar. Que sigamos trabalhando juntas para que outras mulheres sintam que podem ser mais do que apenas esforçadas, nós somos geniais, nós somos brilhantes, a gente é f*! Para saber mais sobre mulheres incríveis, continue acompanhando nosso blog. #catarinarmarcolin #mulheresnaciência #britishcouncil #festivalwowrio #museudoamanhã #ciêncianowow #mulheres












