Impactos ambientais nos ecossistemas marinhos

Atualizado: Jul 9

Por Jana M. del Favero


Construção de barragem, explosão em indústria química, lavar e passar roupa, proliferação de plantas aquáticas em um rio, derramamento de óleo no mar… todas essas atividades e acontecimentos causam impacto ambiental! Mas nem todos têm a mesma duração, dimensão e consequências. Um impacto ambiental pode ser temporário ou permanente, positivo ou negativo, imediato ou de médio ou longo prazo, reversível ou irreversível, local ou regional ou até mesmo global.


Exemplos de impactos ambientais. Imagens: Barragem e roupas no varal em domínio público. Óleo em praia do Nordeste, Brasil - Joyca Farias com licença CC BY 2.0 . Plantas aquáticas no Rio Capibaribe - J.Filgueiras com licença em CC-BY-SA-4.0


Segundo a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que afetam direta ou indiretamente: a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais.


Algumas vezes, por falta de dados de base adequados, é muito difícil distinguir entre um impacto com causas artificiais ou com causas naturais. Às vezes, ambas as causas atuam juntas.


Avaliar o impacto ambiental total depende ainda do ambiente em que ele ocorreu, pois alguns ambientes marinhos são mais resistentes ou mais resilientes a certos danos do que outros. Um grande derramamento de petróleo em um ecossistema costeiro possivelmente matará a biota da região em uma grande escala, tanto por envenenamento quanto por asfixia. Além disso, como a profundidade não é grande, os organismos bentônicos (do fundo) também poderão ser afetados. Já os derrames em mar aberto parecem ser menos danosos do que os próximos da costa, pois as manchas de óleo se espalham horizontalmente e verticalmente sobre a influência das correntes, marés, ventos e ondas. Assim a mancha se dispersa com o tempo e é diluída, ficando menos tóxica. Adicionalmente, o fundo do mar é mais profundo e pode não ser afetado por uma mancha da superfície.


Derramamento de óleo que ocorreu na Nova Zelândia, em outubro de 2011.

Imagens de Jean Francois Fournier com licença CC BY 2.0


O efeito de um impacto ambiental ainda dependerá da escala, ou seja, se avaliamos as células, os organismos, as populações ou as comunidades. Contaminantes químicos, por exemplo, podem causar intoxicação, insuficiência metabólica e danos celulares. Nos organismos, podem causar mudanças fisiológicas e comportamentais, suscetibilidade a doenças, alteração no esforço reprodutivo, etc. Já ao olharmos para a população, pode-se notar mudanças na idade, no tamanho, mortalidade, redução da biomassa, entre outras. Por fim, se analisarmos uma comunidade, poderemos notar alterações na abundância, composição e na distribuição das espécies, entre outros efeitos. Como exemplo podemos citar o aumento da temperatura nos oceanos que causa o branqueamento dos corais, que não apenas pode resultar na morte dos pólipos dos corais em longo prazo, mas também afugentamento ou morte de outros animais que utilizam o recife para a proteção e alimentação.

Branqueamento de corais. Imagem em domínio público


Muitas vezes, o ser humano quer interferir no ambiente natural buscando um resultado positivo (veja um exemplo relendo o post de fertilização dos oceanos). Entretanto, interferir em ecossistemas naturais é um assunto extremamente delicado e controverso. Principalmente porque um impacto considerado local e de curta duração pode mostrar, com o tempo, não ser assim. Alguns praguicidas nos provam isso. Um exemplo são os clorados, como o DDT (que deu origem ao nome dedetização), que por serem compostos com alta estabilidade química persistem no ambiente por muito tempo, podendo ser transportados por longas distâncias e ocorrer até mesmo em regiões onde nunca foram produzidos nem utilizados, como na Antártica.


Um estudo publicado na revista Science em 2008 por Halpern e colaboradores, constatou que não existe nenhuma área nos oceanos que não sofra influência humana e que 40% dos oceanos são fortemente impactados por essa influência, como a pesca excessiva e a poluição. Apesar de ainda existirem grandes áreas que têm relativamente pouco impacto humano, elas estão localizadas perto dos pólos, ou seja, bem longe das concentrações humanas.


Esse estudo também analisou 20 ecossistemas marinhos para determinar o impacto das influências humanas, e concluiu que os ecossistemas mais ameaçados são os recifes de coral, os bancos de algas marinhas e os manguezais. O impacto, além de ambiental, pode ser social e econômico: a Grande Barreira de Corais, na Austrália, cria cerca de 70.000 empregos e gera bilhões de dólares anuais em receitas turísticas; assim, a sua destruição causaria efeitos negativos na sociedade e na economia, além dos danos no ambiente.


Conhecer bem o impacto ambiental é o primeiro passo para criar estratégias de remediação, mitigação e de preservação. Dados alarmantes divulgados no Fórum Econômico Mundial de Davos em 2016 mostraram que, se não fizermos nada a respeito, teremos mais plásticos do que peixes em nossos oceanos em 2050. E então, queremos nos alimentar de peixes ou de plásticos?

Para saber mais:

Halpern et al., 2008. A Global Map of Human Impact on Marine Ecosystems. Science 15 Feb 2008: Vol. 319, Issue 5865, pp. 948-952 DOI: 10.1126/science.1149345


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