top of page

Resultados da Busca

Search this site

549 resultados encontrados com uma busca vazia

  • Como são medidos os parâmetros básicos dos oceanos?

    Por Juliana Leonel Existem alguns instrumentos que estão constantemente presentes na vida daqueles que estudam os oceanos, seja porque o utilizam frequentemente ou porque usam os dados obtidos a partir desses equipamentos. O CTD é um bom exemplo. Mas o que significa essa sigla tão falada pelos cientistas marinhos? As letras C-T-D significam conductivity , temperature e depth (condutividade, temperatura e profundidade). Esse instrumento, ou equipamento, possui três sensores: condutivímetro, mede a quantidade de sais presentes na água; essa quantidade é proporcional à quantidade de corrente elétrica que ela é capaz de conduzir; dessa forma, a partir do valor de condutividade da água do mar, é possível calcular a salinidade . termômetro, usado para medir a temperatura da água do mar. sensor de pressão, a partir desse dado em conjunto com a densidade da água e a força do campo gravitacional da Terra é possível calcular a profundidade de um determinado ponto da coluna d’água. Esses sensores registram de forma contínua e precisa a temperatura e a salinidade em diferentes profundidades. A partir desses dados é possível entender a estrutura física da coluna d’água de uma determinada região, já que a partir dos dados de salinidade e temperatura é possível calcular a densidade da água do mar; e é variação nesse parâmetro a forçante (= causa) da circulação termoalina . Além disso, em conjunto com outros dados é possível identificar massas d’águas, estimar misturas e entender a distribuição e abundância de comunidades biológicas. O CTD foi desenvolvido pelo oceanógrafo neozelandês e professor emérito do Instituto Oceanográfico Woods Hole, Neil Brown em 1969. Atualmente existem diversas empresas que fabricam esses equipamentos com diferentes especificações. Alguns só podem operar em águas mais rasas, com até ~ 500 m, e outros podem ser usados em colunas d'água mais profundas, com mais de 10 000 m. Isso é possível porque eles possuem uma carapaça de recobrimento, geralmente feita de titânio, para proteger os sensores da alta pressão. Em uma expedição oceanográfica, o CTD, preso a um cabo, desce na coluna d’água a uma velocidade constante e aquisita os dados. O cabo ao qual o CTD está preso pode ser um cabo simples ou eletromeĉanico. Este segundo tipo permite a transferência de dados concomitantemente com a sua aquisição, assim é possível visualizar os dados em um computador enquanto o CTD ainda está na água, em tempo real. No caso de um cabo simples, os dados são armazenados na memória do equipamento e, quando ele é trazido a bordo, os dados são transferidos para um computador. Na maioria das vezes, o CTD não é lançado na água sozinho. Em geral ele vai preso a uma estrutura similar a um carrossel chamada de rosette. A esta estrutura também são presas diversas garrafas, que podem ser do tipo Ninskin ou Go-Flo, usadas para coletar água em diferentes profundidades. Além disso, outros sensores podem ser lançados juntos com o CTD. Por exemplo, sensores para medir a quantidade de oxigênio dissolvido, pH e fluorescência - esse nos dá informações sobre a quantidade de organismos que contém pigmentos fotossintetizantes, ou seja, que produzem seu próprio alimento. Dessa forma, O CTD é um instrumento imprescindível para estudos oceanográficos, que permite conhecer e entender as características ambientais de um determinado local para entender como o ambiente influencia na biodiversidade, possíveis impactos, flutuações na pesca, etc. #CTD #julianaleonel #descomplicando #oceanografia

  • Halloween Under the Sea

    By Yonara Garcia English Edit Carla Elliff How about some ocean “monsters” to get into the mood for Halloween?! The undersea world is composed of an immense diversity of organisms. From the tiniest planktonic critter to the huge blue whale, from the cutest animals like the Dumbo octopus to the ugliest ones like the blobfish (just don’t forget “ Ugly animals need love too! ”). And, on the month of October, when we celebrate Halloween, we decided to put together a list of the scariest animals found under the sea. We hope you enjoy this piece and that it may inspire you to create some very original costumes in the future! Dumbo octopus (left) and Blobfish (right) Humpback Black Devil In 1995, the cover of Time’s magazine featured the humpback black devil, a species of anglerfish that later would become a symbol for the deep sea. This fish is an abyssal species, known also by its scientific name Melanocetus johnsonii and belonging to the Lophiiformes order. The humpback black devil is found at mesopelagic depths in tropical and temperate waters all over the world. It has a sort of “fishing rod” with a bubble on the end that emits light, acting as bait and luring prey towards is terribly sharp teeth. The species’ glowing light is possible thanks to a symbiotic relationship between the fish and bioluminescent bacteria. Male and female anglerfish are very different from each other. Females can measure up to 20 cm in length and have very big heads and mouths. Males on the other hand, have a much simpler body and are much smaller than females (measuring only up to 2.9 cm). Since they are incapable of surviving alone, they live as parasites on the females. Once a male finds a female, he bites on her belly and fuses into her body, receiving nutrients and blood supplied from her in exchange for a permanent supply of spermatozoids. Researchers from the Monterey Bay Aquarium Research Institute, in California, have recently been able to film a 9-cm long female. The footage was taken at 600 m in depth in the Monterrey submarine canyon off the coast of California. This was the first record of the species in its natural habitat. This mysterious predator has also starred as a movie villain. If you’ve watched Finding Nemo (Pixar Animation, 2003) you probably remember Dory and Marlin encountering this monstrous fish. In the film, while lost in darkness, they are lured by the humpback black devil’s light-bait. As soon as they realize this monster was behind them, they quickly escape this ferocious predator and continue on with their search for Nemo. Vampire Squid The vampire squid ( Vampyroteuthis infernalis ) is a cephalopod and the only living representative of the Vampyromorphida order. It is a small animal, reaching up to only 28 cm. The vampire squid inhabits deep waters (normally between 600 and 1200 m) in temperate and tropical regions of the Pacific, Atlantic and Indian oceans. At these depths, sunlight is either weak or completely absent, oxygen levels are low and temperatures vary between 2 °C and 6 °C. Although the vampire squid has a very low metabolic rate and is able to live under extremely low oxygen conditions, this animal is able to move surprisingly fast. They use their fins to move around instead of jet propulsion as other squids. Though scarce, research on this species has shown that they feed on copepods, shrimp and cnidarians, but most of their energy is obtained from detritus (non-living particles that originate from the upper layers of the ocean and precipitate to the deep). Vampire squid are prey mainly for pinnipeds (seals, fur seals, sea lions and walruses), whales and benthopelagic fish, given that beaks of this species have been found in the stomach of these groups. The species name means “vampire squid from hell” and it was chosen because of some of the morphological characteristics of this animal, such as its dark skin, the membrane it has between each tentacle that looks like a cape, and its red eyes (depending on the light). For the naturalist and explorer William Beebe (1926), the vampire squid is "a very small but terrible octopus, black as night, with ivory white jaws and blood red eyes". Scary! But according to some behavioral studies, this species is a docile animal. A very interesting reading suggestion is a book called Vampyrotheuthis infernalis . It was written by philosopher Vilém Flusser and biologist/artist Louis Bec, and mixes philosophy/science/fable to discuss how distant we humans are from animals. Hagfish The hagfish is part of the Myxini class and although it can be classified as a vertebrate, it does not possess any vertebrae or bones, as described by researchers Alysha Heimberg back in 2010 and Joseph Nelson in 2016. Theodore Uyeno, from the Valdosta State University (Georgia, USA), analyzed the DNA of these organisms and concluded that the hagfish is a vertebrate that lost the characteristic of using a spine. Instead of a spine, the hagfish has a cartilage-like rod (notochord) that in us humans is only present during our embryonic phase. These animals are found in cold waters in both hemispheres. They are primitive creatures, similar to eels, with a cylindric and elongated body but without scales, and move like snakes. These animals do not have jaws or stomachs. However, they have several hearts and at least twice the amount of blood in their body than other fishes. Hagfish also have four pairs of detection tentacles located around their mouth. By the way, their mouth holds two parallel lines of strong sharp teeth that are attached to rough dental plates. Although they only have an upper dental arch, these animals have a powerful bite! Researchers have suggested that this fish is indeed able to bite, since it coils up into knots, especially near its head, and with this movement crushes its food in its upper dental arch. Hagfish are almost blind. They rudimentary eyes can only detect light. However, they have highly developed senses of touch and smell. Nicknamed “marine vultures”, hagfish spend most of their life on the seafloor feeding off dead and dying fish. They also attack small invertebrates, but their favorite dish is whale carcass. Another intriguing characteristic of this animal is that they have been shown to absorb nutrients through their skin. Moreover, hagfish secrete a thick layer of mucous over their skin that acts as both a defense mechanism and also a hunting weapon. The video below shows the moment when these fish find a carcass on the seafloor. It looks like some sort of voracious zombie attack! No doubt they deserve to be in our ocean monster list. Goblin Shark If you’ve ever watched MIB: Men in Black (Sony Pictures, 1997), you will probably notice lots of similarities between this animal and the aliens shown in the movie. This is Mitsukurina owstoni , also known as the goblin shark. This deep-water fish is broadly distributed and has been reported in the Pacific, Atlantic and Indian oceans. Its unusual appearance is very striking. A long and flat snout projects from the shark’s head like a spade and its protuberant mouth, with long and thin teeth, can either extend forward below the snout or retract to the same position as its eye. It is believed that this flat snout is able to detect weak electrical signals emitted by prey. Goblin sharks can grow up to 3.9 m in length and, according to stomach content analyses, researchers have found that this animal eats mainly fish, squid and crustaceans. While this shark is not a gifted swimmer, it does have an interesting strategy to catch its food. Once it detects its prey, the goblin shark moves slowly towards it and attacks by projecting its jaw forward, suddenly and quickly, sucking the prey into its mouth. Although this species is rarely captured, it is not considered a threatened species (considered to be of “least concern” status in the IUCN red list), since most times it is fished it is by mistake (bycatch) when using bottom trawls in deep waters, especially off the coast of Japan. In 2011, a goblin shark was accidently captured by a fishing boat off the coast of the state of Rio Grande do Sul. The specimen was donated to the Oceanographic Museum of FURG (Federal University of Rio Grande), making it the second of its kind in a scientific collection in Brazil. Although some of these creatures of the depths are pretty gruesome, they are all important for the marine ecosystem. Can you imagine if they got together to through an under the sea Halloween party?! I bet the scariest costume for them would be of people and plastics, since these are two of the biggest threats to their existence. So, enjoy yourself today, but remember to always do your bit so that we do not become real monsters to marine life. Happy Halloween! References: HEIMBERG, Alysha M. et al. microRNAs reveal the interrelationships of hagfish, lampreys, and gnathostomes and the nature of the ancestral vertebrate. Proceedings of the National Academy of Sciences , v. 107, n. 45, p. 19379-19383, 2010. NELSON, Joseph S.; GRANDE, Terry C.; WILSON, Mark VH. Fishes of the World . John Wiley & Sons, 2016. Robison, B. H., Reisenbichler, K. R., Hunt, J. C., & Haddock, S. H. D. (2003). Light Production by the Arm Tips of the Deep-Sea Cephalopod Vampyroteuthis infernalis. The Biological Bulletin, 205(2), 102–109. doi:10.2307/1543231 ZINTZEN, Vincent et al. Hagfish feeding habits along a depth gradient inferred from stable isotopes. Marine Ecology Progress Series , v. 485, p. 223-234, 2013. https://www.iucnredlist.org/species/44565/10907385 https://www.floridamuseum.ufl.edu/discover-fish/species-profiles/mitsukurina-owstoni/ https://australianmuseum.net.au/goblin-shark-mitsukurina-owstoni https://australianmuseum.net.au/humpback-blackdevil-melanocetus-johnsonii-gunther-1864 http://marinebio.org/species.asp?id=179 http://www.bbc.com/earth/story/20160905-the-strangest-fish-in-the-sea #marinescience #halloween #vampiresquid #anglerfish #hagfish #goblinshark #chatcarlaelliff #chatyonaragarcia

  • Encontros sobre o Oceano #007

    No dia 31 de outubro de 2019, nossa editora Jana del Favero participou do “Encontros sobre o Oceano”, organizado pela Plataforma Oceano na Estrada. Esse encontro ocorre online todas as quintas-feiras, às 20h e tem o objetivo de promover conversas semanais sobre temáticas relacionadas ao oceano e aos estudantes e profissionais dessa área. No episódio #007, nossa editora falou sobre mulheres nas ciências do mar em um bate-papo bem descontraído com a Luíza Fernandes, oceanógrafa, idealizadora e co-fundadora da plataforma. Se você perdeu esse bate-papo online, ele pode ser ouvido no Podcast Encontros sobre o Oceano , que está disponível em: Anchor Spotify Breaker Google Podcasts RadioPublic #netuniandoporai #mulheresnaciência #ciênciasdomar #oceanografia #podcast #janamdelfavero

  • A impressão digital do petróleo

    Por Juliana Leonel Ilustração: Joana Ho Todo mundo já viu um filme/seriado/novela em que as impressões digitais deixadas em um objeto são usadas para identificar o autor de um crime. Mas você sabia que o óleo gerado em diferentes bacias petrolíferas também possuem “impressões digitais” únicas? Pois é… nem todos os petróleos são iguais. Antes de entender a ciência por trás disso, é preciso saber que o petróleo é formado a partir de processos de diagênese (reações que ocorrem nos primeiros centímetros da coluna sedimentar com presença de microorganismos e em temperaturas de até 50 °C) e catagênese (transformações que ocorrem sem presença de microorganismos, em temperaturas entre 100-150 °C e resultam na formação do petróleo) da matéria orgânica. Esses dois termos são usados para explicar a formação de rochas, fósseis e, claro, petróleo. Quando restos de plantas, animais, fitoplâncton, bactérias etc. são enterrados no sedimento, eles passam por diversas transformações químicas e físicas. O soterramento dos resíduos orgânicos acumulados no sedimento aumenta a pressão local e, com pressão suficiente, há aumento também da temperatura. Nesse processo, a matéria orgânica sofrerá uma série de transformações até, em alguns casos, formar o petróleo. O acúmulo de matéria orgânica que deu origem às bacias petrolíferas que temos hoje aconteceu há milhões de anos em períodos geológicos distintos. Assim, a composição do petróleo dessas bacias não é igual, pois ela depende do tipo de matéria orgânica inicial (por exemplo, óleos gerados a partir de fitoplâncton têm características diferentes de óleos que surgem a partir de bactérias ou plantas superiores), da evolução térmica, das características da bacia sedimentar onde ocorreu o acumulação e de outros processos primários e/ou secundários ocorridos antes e após a sua acumulação, tais como migrações do óleo e contaminação por microrganismos. Ao longo da diagênese e catagênese, muitas moléculas são destruídas e/ou transformadas, mas algumas resistem a essas condições ou sofrem modificações mínimas, perdendo apenas alguns grupos funcionais. Essas moléculas são, em sua maioria, compostos lipídicos que preservam em sua estrutura informações sobre a origem e condições de formação daquele petróleo. Por essa razão, elas são chamadas de biomarcadores, ou fósseis geoquímicos, e muitas podem ser usadas como a tal “impressão digital” ( fingerprint ) do petróleo. Por exemplo: um petróleo originado de matéria orgânica de plantas superiores tem n -alcanos (hidrocarbonetos lineares formados por carbono e hidrogênio) com cadeias carbônicas maiores do que aquele derivado de matéria orgânica derivada de fitoplâncton. Da mesma forma, uma série de outros compostos, como terpanos, estereranos, hopanos, etc., podem ser usados para caracterizar cada petróleo. Mapear esses compostos também permite identificar se o óleo em questão é recente ou se ele já esteve em contato com o ambiente por mais tempo e sofreu intemperismo (conjunto de processos que leva à desintegração de materiais). Uma vez que o óleo chega ao ambiente marinho ele pode sofrer uma série de processos: a) espalhamento causado pelo ventos, correntes e ondas; b) evaporação dos compostos mais leves; c) dissolução dos compostos mais solúveis; d) disersão: incorporação de partículas de óleo com a água; d) emulsificação: mistura do óleo com a água formando um material semelhante a uma maionese; e) adsorção de parte do material aos organismos vivos e as partículas em suspensão; f) remoção: sedimentação dos componentes mais densos; g) biodegradação: microorganismos usam o óleo como fonte de carbono quebrando as moléculas em moléculas menores; h) fotoxidação: quebra de moléculas pela ação de raios solares. Para identificar a impressão digital de uma amostra de petróleo é usada a técnica de cromatografia de fase gasosa, na qual os componentes da amostra, após um pré-processamento, serão separados em função das suas propriedades físico-químicas. Assim, seus constituintes poderão ser identificados e quantificados. Essa análise dá origem a um cromatograma , que é a representação gráfica do sinal do equipamento (eixo x: tempo que o composto demora para passar pelo equipamento, eixo y: intensidade do sinal que é relacionada a concentração do composto). E já pela observação do cromatograma de diferentes óleos é possível ver que eles têm características bem distintas. No exemplo da imagem, as amostras A e B apresentam diferenças tanto na composição quanto na abundância dos seus compostos. Assim sendo, o estudo da “impressão digital” do petróleo é uma ferramenta muito valiosa para a geoquímica forense. Quando ocorre um derrame e nenhuma empresa se responsabiliza pelo ocorrido, a geoquímica forense pode auxiliar na investigação de qual bacia originou esse óleo e/ou comparar o material com óleos de diferentes refinarias. No caso do petróleo que está aparecendo há mais de um mês nas praias do nordeste do Brasil, é esse tipo de análise que as universidades estão fazendo para identificar se o óleo é originário de bacias brasileiras e para tentar avaliar há quanto tempo ele está no ambiente. #petroleo #fingerprints #forense #derramamento #materiaorganica #julianaleonel #joanaHo #ciênciasdomar

  • Mesa Redonda sobre Mulheres e Mercado de Trabalho: Empreendedorismo no Ambiente Marinho

    No dia 23 de outubro de 2019, promovemos a mesa redonda “Mulheres e Mercado de Trabalho: Empreendedorismo no Ambiente Marinho”. A mesa foi coordenada por nossa editora Catarina Marcolin e pela querida Tatiana Dadalto que já escreveu pro nosso blog ( confira aqui ). Convidamos três mulheres incríveis para falar sobre como é ser mulher e líder no mercado de trabalho relacionado aos oceanos. Primeiro conversamos com Naira Silva por webconf, Co-fundadora da empresa de Nauplii Aquaculture . Naira já foi editora do Bate-papo com Netuno e hoje ela tem seu próprio negócio. Ela nos contou sobre como fundou uma startup no ramo da aquicultura. A segunda convidada foi a Thaís Melo, que atualmente é Coordenadora de Sensibilização Ambiental do Coral Vivo . A Thaís também dividiu suas experiências como empreendedora no ramo do turismo ecológico, quando criou o passeio turístico para avistamento de baleias na Costa do Descobrimento. Ao final, Luena Santos, a Gerente da Associação de Pescadores Indígenas Pataxó compartilhou suas experiências conosco. Luena ganhou o prêmio Mulher de Negócios do Sebrae em 2014 e nos contou sobre como ela e as mulheres de sua comunidade se tornaram as protagonistas de uma atividade tradicionalmente dominada por homens. #netuniandoporai #catarinarmarcolin #mulheresemercadodetrabalho #empreendedorismo #lugardemulheréondeelaquiser

  • As tartarugas marinhas do Rio Grande do Norte precisam de você

    Por Janine Braz Ilustração: Joana Ho A ONG Associação de Proteção e Conservação Ambiental Cabo de São Roque (APC Cabo de São Roque) trabalha desde 2016 junto com a comunidade costeira para a proteção das tartarugas marinhas. Você sabia que apesar de todos os esforços do projeto TAMAR e outras ações de conservação no Brasil ainda existem cinco espécies de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção? No estado do Rio Grande do Norte, em 2016, os biólogos Lucas Silva (que atualmente é o presidente da organização e pesquisador titular do Projeto Tartarugas ao Mar/RN) e Isadora Barreto (pesquisadora do Projeto Tartarugas Marinhas do Cabo de São Roque-Maxaranguape/RN e do Projeto Tartarugas ao Mar) criaram a Associação de Proteção e Conservação Ambiental (APC) Cabo de São Roque no município de Maxaranguape - RN em prol da conservação das tartarugas marinhas. Por se tratar de uma organização não governamental (ONG), não possui fins lucrativos e desenvolve junto com a comunidade ações para a defesa e proteção das tartarugas marinhas e do ambiente costeiro da região. Os benefícios desse projeto vão muito além da conservação desses animais lindos. No município de Maxaranguape, antes da APC Cabo de São Roque, a caça das tartarugas marinhas e a coleta dos ovos eram atividades que faziam parte do dia a dia da comunidade local. Além do consumo da carne, eles também comercializavam acessórios confeccionados a partir do casco das tartarugas marinhas como pentes e objetos para decoração. Por esse motivo, a APC Cabo de São Roque começou a desenvolver projetos para estimular a comunidade a participar ativamente do processo de conservação local, por meio de ações do projeto “Sensibilização e Educação Ambiental”, como Cinema itinerante, Museu itinerante, palestras nas escolas, limpeza de praias e oficinas de capacitação para identificação e manejo de tartarugas presas em rede com os pescadores que participam do “Projeto Pescador Amigo da Conservação”. Essas atividades formam novos multiplicadores de conhecimento e agentes ambientais na comunidade, além de sensibilizar turistas que visitam diariamente a região. Os resultados desse trabalho estimulam a pesca sustentável, o turismo ecológico e a valorização da cultura e economia local. O projeto ConecTar da APC surgiu para resgatar a cultura artesanal local desenvolvido por mulheres independentes da comunidade pesqueira estimulando uma economia mais sustentável. O ConecTar não apenas promoveu a substituição da matéria-prima artesanal (anteriormente casco de tartarugas) para o uso de crochê, como também proporcionou o empoderamento feminino já que essas mulheres possuem uma nova fonte de renda e participam ativamente da construção de novos valores socioambientais na comunidade. Pescadores, crianças, jovens e mulheres auxiliam na realização de campanhas para a não poluição das praias, bem como no monitoramento de veículos nas áreas dos ninhos e notificação de encalhe de tartarugas. Essas atividades não apenas reduzem os impactos ambientais nas praias de Maxaranguape como também ajudam na proteção das tartarugas. Assim como os moradores locais, nós também precisamos reconhecer que somos responsáveis pelas tartarugas marinhas e por nossas praias. Por isso, a APC Cabo de São Roque construirá um centro de visitação que contará com o Museu das Tartarugas Marinhas, loja e auditório para receber visitantes. O centro também realizará conferências, palestras e oficinas para os voluntários e pesquisadores. Esses poderão usufruir de alojamentos enquanto participam dos treinamentos e da realização de pesquisas científicas. Ainda não há data para início da construção e previsão de abertura ao público, já que a APC necessita de doações e voluntários para se manter em funcionamento. Minha atuação na APC Cabo de São Roque é como membro voluntário e direcionada para a realização do intercâmbio científico com as universidades, bem como na comunicação e divulgação científica das atividades realizadas pela ONG. Atualmente estamos em parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido para desenvolver um projeto de pós-graduação na área, sob coordenação do Prof. Dr. Carlos Eduardo Bezerra de Moura. Faça parte dessa história! Ajude a APC Cabo de São Roque a salvar as tartarugas marinhas. Você pode participar adotando um ninho , ou doando seu tempo através do Projeto Seja +1 , ou ainda, doando qualquer valor para a construção do Centro de Visitantes. Siga nossas redes sociais e compartilhe que você está ajudando a salvar as tartarugas marinhas da extinção #issoéconservacao. Mais informações APC Cabo de São Roque Endereço: Rua da Cumoa S/N, Praia de Caraúbas, Maxaranguape-RN (Brasil) Telefone: +55(84) 9683-7125 E-mail: contato@cabodesaoroque.org Site: http://cabodesaoroque.org/ Instagram: @apccabodesaoroque Sobre Janine: Janine Karla França da Silva Braz é graduada em ciências biológicas (UFRN), Especialista em Ciências Morfológicas (UFRN), Mestre em Biologia Estrutural e Funcional (UFRN) e Doutora em Ciência Animal (UFERSA). Considera-se uma pesquisadora híbrida por trabalhar com morfofisiologia cardiovascular de tartarugas marinhas, bem como biomateriais adaptados aos sistemas orgânicos. Atualmente é professora adjunta da Escola Multcampi de Ciências Médicas (UFRN). Nas horas vagas curte a praia de Santa Rita (RN), corre, bate perna mundo a fora e escreve sobre suas aventuras e hobbies no Portal Nominuto | Blog Bióloga de Salto. E deseja um dia ter uma linha de pesquisa em comunicação científica, será esse o primeiro passo? #issoeconservacaoAPC #BSciencia #tartarugamarinha #ONG #convidados #ciênciasdomar #joanaho

  • Matéria orgânica sedimentar: uma fonte infindável de informações - Parte 1

    Por Juliana Leonel Se o termômetro só foi inventado no início do século XVIII, como é possível haver estudos que falam da temperatura superficial da água do mar há milhares de anos atrás? Para uma oceanógrafa, que trabalha de geoquímica marinha, o sedimento é muito mais que simples partículas de matéria orgânica e inorgânica. Quando olho para o sedimento marinho , vejo uma infinidade de informações preservadas que são a chave (ou uma das chaves) para estudar a história passada não só dos oceanos, mas do nosso planeta. Por exemplo, a partir das informações armazenadas nos sedimentos marinhos sabemos que durante o Cretáceo (aproximadamente 90 milhões de anos atrás) a temperatura dos oceanos (e da atmosfera) era muito mais quente do que a atual. Além disso, quantidade de oxigênio dissolvido era baixíssima e uma grande quantidade de matéria orgânica produzida foi preservada nos sedimentos e, posteriormente, deu origem a importantes bacias petrolíferas. Também foi através de estudos do sedimento marinho que sabemos que a Terra passou por ciclos de glaciação e interglaciação nos últimos 2 milhões de anos. Sabemos quando ocorreu o fechamento do Istmo do Panamá e quando houve a formação das calotas polares na Antártica. "Mas como isso é possível?", você deve estar se perguntando. Esses estudos são possíveis graças ao uso de diferentes ferramentas, que vão desde o estudo da composição da matéria orgânica preservada nos sedimentos marinhos até estudos da ocorrência/composição de microfósseis (como foraminíferos, diatomáceas etc) preservados no sedimento. Com relação à matéria orgânica sedimentar, vamos antes entender de onde ela vem, para onde ela vai e como ela sobrevive a essa "viagem"... A matéria orgânica (MO) presente nos sedimentos marinhos é oriunda principalmente de duas fontes: a) plantas terrestres (principalmente plantas superiores); e b) organismos fitoplanctônicos. No primeiro caso trata-se da matéria orgânica alóctone (produzida em um ambiente externo) e o segundo caso da MO autóctone (produzida no próprio ambiente). A MO vai além de restos de folhas e algas, ela é constituída por diversos grupos de compostos, tais como proteínas, carboidratos, lipídios, lignina, entre outros. Não só a quantidade de cada um desses componentes, mas também as moléculas que os constituem, vão depender de fatores como: fonte da MO (plantas superiores de metabolismo C3, plantas superiores de metabolismo C4, fitoplâncton , bactérias etc) e das características do ambiente durante a sua formação (temperatura, salinidade, disponibilidade de oxigênio, etc.). Diferenças na composição da matéria orgânica terrestre e marinha. Uma vez na coluna de água, a matéria orgânica particulada irá sedimentar e durante esse processo poderá ser remineralizada, ou seja, será degradada até retornar aos seus constituintes inorgânicos (tais como carbono, nitrogênio e fósforo inorgânicos). No entanto, uma pequena porção vai chegar até o sedimento intacta ou sofrendo apenas pequenas alterações. É importante ressaltar que mesmo no sedimento a matéria orgânica pode ser remineralizada. Nas condições ambientais atuais estima-se que, em média, do total de MO produzida na zona fótica apenas 1 % chegará ao sedimento marinho e apenas 0,1% será preservada. Ainda que representando uma parcela pequena de toda as partículas orgânicas do ambiente marinho, a matéria orgânica sedimentar guarda na sua composição informações importantes sobre a sua fonte e condições em que foi produzida e preservada. Para recuperar essas informações, pesquisadores coletam amostras de sedimentos superficiais ou testemunhos sedimentares que são fatiados (geralmente a cada 1 ou 2 cm) e datados (usando radioisótopos¹). Uma vez que se sabe a idade de cada uma dessas camadas, a matéria orgânica é analisada e seus componentes identificados e quantificados. Fotos de testemunhos por Juliana Leonel com Licença CC BY-SA 4.0. Ok. Mas, como uso a MO sedimentar para saber a temperatura superficial da água do mar de milhares de anos atrás? Entre os diversos componentes da MO sedimentar, há um grupo de compostos chamado alquenonas, que são cetonas de cadeia longa (de 37 a 39 carbonos) contendo de 2 a 4 insaturações (= ligações duplas). Produzidas por duas espécies de cocolitoforídeos, Emiliana huxleyi e Gephyrocapsa oceanica , sendo que a primeira tem ampla distribuição nos oceanos. Esses compostos são lipídios que resistem aos processos de degradação ao longo da sua sedimentação na coluna de água e fazem parte da MO sedimentar. Emiliana huxleyi. Fonte: (2011) PLoS Biology Issue Image | Vol. 9(6) June 2011. PLoS Biol 9(6): ev09.i06 com licença CC As alquenonas de 37 carbonos e com 2 e 3 insaturações são utilizadas como biomarcadores para avaliar a temperatura superficial da água do mar (TSM), pois são produzidas em diferentes proporções em função da temperatura da água em que o organismo se encontra. Para manter a estabilidade das membranas celulares, conforme a temperatura aumenta, esses organismos produzem mais alquenonas com um número maior de insaturações. Sabendo disso, pesquisadores criaram um índice, o Uk'37 que é uma relação entre as alquenonas de 2 e 3 insaturações e o qual permite calcular a temperatura da água onde as alquenonas foram formadas. Além das alquenonas, existem outras ferramentas geoquímicas que podem ser usadas para estudar a temperatura dos oceanos em tempos passados, tais como os Glicerol dialquil glicerol tetraether (produzidos por arqueobactérias e carinhosamente chamados pela sigla GDGTs) e relação entre os isótopos estáveis de oxigênio (δ18O) ou da relação entre magnésio e cálcio (Mg/Ca) nas carapaças calcárias de foraminíferos. A matéria orgânica é uma ferramenta incrível e nos ajuda a entender muito sobre o passado e presente da Terra, por isso falarei mais sobre o tópico em um próximo post! Vocabulário: ¹Radioisótopos: isótopos instáveis que, em busca de estabilidade, decaem produzindo outros eles e liberando energia na forma de radiação. #JulianaLeonel #CiênciasDoMar #MatériaOrgânica #Paleoceanografia #Paleotermometro #Alquenonas #GeoquímicaMarinha

  • Nature, o direito das mulheres e uma volta ao passado

    Por Cláudia Namiki Um artigo publicado na semana passada na revista Nature causou grande indignação na academia, principalmente entre as mulheres, já que concluía que mulheres orientadas por outras mulheres tinham menos sucesso acadêmico do que aquelas orientadas por homens. No post Como validar o machismo estrutural com uma publicação mal feita mostramos que as conclusões foram baseadas em dados não confiáveis, pouco representativos, que as análises eram limitadas, e que portanto o artigo jamais poderia ter sido publicado. Além disso, parece mesmo uma afronta que nesse momento, quando mulheres levantam a sua voz, no meio acadêmico e em todas as esferas da sociedade, para expor os problemas causados pela desigualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, um artigo seja publicado em uma revista tão conceituada. No entanto, isso não deveria nos surpreender. Basta olhar para a história e veremos que sempre existe um grupo deslegitimando as reivindicações ou até mesmo questionando a capacidade das mulheres. "Origem e desenvolvimento de uma sufragista. Aos 15 uma princesinha, aos 20 uma coquete, aos 40 ainda não se casou, aos 50 uma sufragista.” Fonte: Hypeness sob licença CC by NC-SA 2.5.BR. Assim que a indignação por causa do artigo começou a pipocar nas redes sociais, imediatamente me lembrei de uma carta escrita em 1920 por Virgínia Woolf , endereçada a um crítico literário inglês, sobre suas afirmações de que as mulheres eram intelectualmente inferiores. O crítico baseou sua afirmação no fato de que pouquíssimas mulheres, ou nenhuma, se destacava no campo da arte. Na carta Virgínia afirmava que não faltava talento às mulheres, mas sim oportunidade. As mulheres ficavam aprisionadas em casa, lidando com os afazeres domésticos, como propriedade de seus pais, irmãos e maridos. As mulheres não podiam decidir o seu destino e eram proibidas de estudar. Apenas mulheres pobres tinham o “direito” de trabalhar para garantir o seu sustento, em péssimas condições e com salários bem inferiores aos dos homens. Ela explicou que para cada homem bem sucedido existiam muitos outros que não o foram, e que, portanto, era preciso que muitas mulheres exercessem determinado ofício para que algumas delas se destacassem. Além disso ela escreveu: “ Mas não é preciso apenas educação. É preciso que mulheres tenham liberdade de experiência; que elas difiram, sem medo dos homens, e que expressem sua diferença abertamente…” “...que toda atividade da mente seja estimulada de modo que sempre exista um núcleo de mulheres que pensem, inventem, imaginem e criem tão livremente quanto os homens, sem nenhum medo do ridículo e da condescendência. ” Movimento anti sufragista nos Estados Unidos. Muitos tentaram impedir que as mulheres tivessem direito de votar e escolher seus representantes políticos. Fonte: Wikimedia Commons . Imagem de domínio público. Parece que muito tempo se passou e que hoje nós mulheres temos direito a tudo e que logo alcançaremos a tão sonhada igualdade/equidade. Não precisamos reclamar, porque as coisas vão melhorar, basta deixar o tempo agir. Só que não é bem assim. Todos os direitos que possuímos hoje não nos foram dados de bom grado, não foi um processo evolutivo natural, e não foi rápido. A entrada das mulheres na universidade aconteceu primeiro nos Estados Unidos em 1837, com a criação de universidades exclusivas para as mulheres, enquanto no Brasil, o início do acesso ao ensino superior para mulheres ocorreu de forma extremamente restrita nos anos de 1880. Excursão de integrantes da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino – FBPF ao Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro em 1930. Fonte: Acervo Arquivo Nacional. Imagem de domínio público. No cenário político, o direito ao voto foi conquistado pelas neozelandesas em 1893, mas foi instituído para todas as mulheres na África do Sul somente em 1994 e na Arábia Saudita, só para as eleições municipais, em 2015. No Brasil, as mulheres conquistaram o direito de votar em 1932, após um longo processo de quase 100 anos de luta e da participação decisiva da zoóloga Bertha Lutz. Mesmo assim, era preciso ter autorização do marido, ou uma comprovação de renda, no caso de viúvas ou solteiras. Mas foi em 1965 (ou seja somente há 55 anos!) que essas restrições foram extintas. E só a partir da constituição de 1988 que passamos a ser reconhecidas como iguais aos homens em direitos e deveres. Vale ressaltar que todas essas conquistas foram alcançadas graças à articulação e cooperação feminina. A educadora e sufragista americana Nannie Helen Burroughs. Fonte: Wikimidia Commons. Imagem de domínio público. A bióloga, política e sufragista brasileira Bertha Lutz. Fonte: Ministério das Relações Exteriores sob licença CC BY-ND 3.0. E isso nos leva a outro ponto sobre o artigo publicado na Nature: ao afirmar que uma mulher mentorada por outra tem menos chances de prosperar, ele parece querer enfraquecer o movimento de união entre as mulheres, ou sororidade, que tem crescido nos últimos anos (como por exemplo, os coletivos Liga das Mulheres pelo Oceano e o Ictiomulheres ). Embora não seja dito no artigo, essa ideia de que mulheres não deveriam trabalhar juntas traz à tona aquela velha falácia de que mulheres são inimigas naturais. Um truque bem conhecido do machismo estrutural. Na verdade os autores não explicam porque as mulheres não obtém sucesso acadêmico quando trabalham juntas. Dizem apenas que talvez elas tenham tarefas demais e que um homem resolveria tudo. É até sútil, mas você pode chegar à conclusão de que, na verdade, as mulheres nem precisam fazer ciência, já que, como mentor ou mentorado, a performance masculina é sempre superior, sendo a dupla homem-homem a que rende um maior número de publicações. Aqui está claro o discurso do homem salvador, aquele que sempre salva a mocinha no final, e que é sempre relatado em filmes, novelas, desenhos animados e, agora, até em um artigo científico... O nascimento do coletivo Ictiomulheres durante a mesa redonda "Participação e representatividade de mulheres na Ictiologia", realizada em Belém, no XXIII Encontro Brasileiro de Ictiologia em 2019. Fonte: Ictiomulheres . Todos os direitos reservados. Coincidentemente, este artigo foi publicado exatamente cem anos depois da resposta de Virgínia Woolf ao crítico literário. Agora, em 2020, ainda estamos nós aqui, indicando as contradições de uma publicação que novamente parece querer diminuir a capacidade das mulheres, desconsiderando todo o contexto histórico, social e local no qual estamos inseridas. Isso nos mostra que para a igualdade de direitos, a máquina do tempo existe, e que se não estivermos atentas, ela só nos levará para o passado e nunca para o futuro que queremos. Referências 5 Black Suffragists Who Fought for the 19th Amendment—And Much More. Agência Câmara de Notícias. 88 anos após conquistarem direito ao voto, mulheres buscam ampliar representatividade. Publicado em 03 de novembro de 2020. Agência Câmara de Notícias. Voto feminino foi conquistado depois de uma luta de 100 anos. Publicado em 03 de novembro de 2020. Ana Cristina Furtado Pereira e Neide de Almeida Lança Galvão Favaro. XIII Congresso Nacional de Educação. Fernanda Fernandes. A história da educação feminina. MultiRio. Publicado em 07 de março de 2019. Fernando Limongi, Juliana de Souza Oliveira e Stefanie Tomé Schmitt. 2019. Sufrágio universal, mas... só para homens. O voto feminino no Brasil. Revista Sociologia e Política, v. 27, n. 70, e003. Ivana Carolina Santos da Silva. 2016. Sororidade e rivalidade feminina nos filmes de princesa da Disney . Projeto final apresentado no Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade de Brasília, como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Comunicação Social. Marcia Tiburi. Vamos juntas? – O guia da sororidade para todas. Rio de Janeiro: Galeria Record. 2016. Tata Pinheiro. As principais conquistas das mulheres na História. Nova escola. Publicado em 01 de março de 2019. Virginia Woolf. As mulheres devem chorar... Ou se unir contra a guerra: Patriarcado e militarismo. 2019. Organização e Tradução: Tomaz Tadeu. Prefácio: Guacira Lopes Louro. Autêntica Editora. Teresa Cristina de Novaes Marques. O voto feminino no Brasil. 2. ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2019. #MulheresNaCiência #Sororidade #Orientação #Pesquisa #Feminismo #DireitoDasMulheres #VirginiaWoolf #Sufragistas #CláudiaNamiki

  • Refúgios em ambientes marinhos

    Por Alice Reis Refúgios são lugares que oferecem proteção. Esses lugares podem ser um habitat, vegetação, recife, buraco, toca... A proteção pode ser contra contra predação, competição, perturbações ambientais de temperatura, salinidade, umidade, oxigênio ou pH, por exemplo. E quem se beneficia pode ser um indivíduo, uma população, uma comunidade ou até mesmo um ecossistema inteiro! Vamos abordar neste texto alguns exemplos de refúgio em ambientes marinhos e costeiros. Refúgios para indivíduos 1. Refúgio criado pelo próprio organismo Alguns organismos constroem os seus próprios refúgios. Esse é o caso de poliquetas que constroem tubos e galerias no sedimento, de caranguejos chama-maré que constroem tocas e de moluscos que produzem uma estrutura protetora, a concha. Essas estruturas protegem os indivíduos da predação, das altas e baixas temperaturas que ocorrem fora (por exemplo, dentro da toca dos caranguejos chama maré e do caramujo Littoraria , a temperatura oscila menos do que em volta) e também da maré (no caso dos caranguejos chama-maré, que são terrestres, algumas espécies fecham a entrada da toca quando a maré sobe, deixando uma bolha de ar presa dentro da toca). Da esquerda para a direita (1) poliqueta tubícola. Foto : John Solaro (CC 2.0); (2) toca de caranguejo chama-maré. Foto: https://doi.org/10.1371/journal.pone/0000422g001; (3) gastropode Littoraria angulifera . Foto: Alice Reis. 2. Refúgio adquirido pelo organismo Outros organismos usam estruturas encontradas no ambiente. O paguro ou caranguejo ermitão não constrói seu próprio refúgio. Esse organismo usa conchas de moluscos que já morreram, que ficam então disponíveis nos ambientes costeiros e marinhos. Buscando um refúgio rápido e disponível, os paguros também já foram vistos usando objetos deixados pelo ser humano no ambiente, como potinhos e tampinhas de garrafa de plástico. Outro exemplo interessante de organismo que adquire um refúgio é é o polvo do coco (Coconut octopus, Amphioctopus marginatus ). Como o nome sugere, ele usa as partes do coco como esconderijo. (1) Caranguejo eremita ou paguro em sua concha acima. Foto : Judy Gallagher (CC 2.0). (2) caranguejo eremita em frasco deixado na praia. Foto : Jenny Downing (CC 2.0). (3) Polvo utilizando coco como refúgio. Foto : Daniel Kwok (CC 2.0). 3. Refúgio no ambiente, usado pelo indivíduo Às vezes o refúgio não pode ser criado nem carregado, apenas utilizado quando disponível. É o caso das fissuras nas rochas usadas por peixes goby que ficam dentro ou próximos para ficarem inacessíveis pra predadores. Esse é o caso das anêmonas, usadas como refúgio pelos peixes-palhaço. Ali, eles ficam protegidos da predação, pois a maioria dos animais “se queima” ao encostar na anêmona, mas ele não (o peixe palhaço tem um mucus microbiano que reveste todo o seu corpo que o protege da ação da anêmona). À esquerda peixe goby utilizando fissura em rocha com corais como refúgio. Foto : Klaus Stiefel (CC. 2.0). À direita peixe palhaço se refugiando na anêmona. Foto : Arctic Wolf (CC 2.0). Refúgio para populações Na maioria das vezes entendemos refúgio como um local que fornece proteção contra um predador em um momento específico, mas os refúgios também podem ser lugares que tornam o ambiente mais tolerável ao longo do tempo e que permitem que a população prospere. Esse é o caso de cardumes de peixes que utilizam corais para se protegerem da radiação solar em determinados momentos do dia e de lontras marinhas que descansam aglomeradas em terras que ficam próximas a fontes de alimento, mas inacessível aos predadores como orcas e tubarões. Acima Cardume de peixes em coral tabular, retirado de Kery & Bellwood (2015), Coral Reefs Journal. Abaixo Lontras marinhas se refugiando na costa. Foto : USFWS (CC 2.0). Andar em grupo também é uma forma de se refugiar. Na presença de perigo, um dos indivíduos do grupo sinaliza o risco e todos os outros respondem como uma unidade, tornando mais difícil para um predador escolher e acertar uma presa. Estratégia de defesa de sardinhas usando agrupamento. Foto : Flickr Wanderlasss (CC 2.0). Refúgio para a biodiversidade Para além de indivíduos e populações, numa escala global, podemos ainda pensar em regiões que ao longo do tempo foram e são refúgios da biodiversidade. Esse é o caso das regiões tropicais durante períodos glaciais (quando grande parte do globo congela), das zonas abissais (regiões oceânicas profundas, dificilmente atingidas por impactos na superfície, como poluição e exploração humana) e também das áreas de proteção ambiental (refúgios de biodiversidade delimitados pelo ser humano com o intuito de preservação, como as áreas de manguezais, que entre outras funções, são berçários naturais de muitas espécies marinhas). Anêmonas e corais encontrados em oceano profundo. Foto retirada de Long e colaboradores (2020), Frontiers in Marine Science Journal. https://doi.org/10.3389/fmars.2020.00460 Como foi mostrado, um refúgio marinho pode ser uma estrutura criada, adquirida ou apenas usada pelo indivíduo que protege de predadores ou variáveis ambientais, como a temperatura. Pode ser um lugar (como a terra para lontras) ou um comportamento (como o agrupamento de cardumes) que pode definir o quão protegida uma população está. Mas, pode ser também muito mais complexo e permitir que todo um ecossistema continue existindo ou consiga se recuperar diante de grandes ameaças, como os impactos causados pelo homem. Sobre a autora: Alice é doutoranda no programa de Ecologia: Teoria, Aplicação e Valores da Universidade Federal da Bahia e formou-se mestre em Ecologia e Biomonitoramento pela mesma instituição, quando estudou o papel de marismas tropicais como refúgio para caranguejos chama-maré. Desde a graduação, Alice é apaixonada por oceanografia, e logo se vinculou ao Laboratório de Ecologia Bentônica (LEB) onde vem exercendo atividades de pesquisa relacionadas à interação entre organismos bentônicos e ecologia de ambientes estuarinos. #Convidados #RefúgiosMarinhos #Descomplicando #EcologiaMarinha #Oceanografia #Ecologia

  • Even fish love the beach

    By Jana M. del Favero English edit by Lidia Paes Leme and Katyanne Shoemaker *post originally published in Portuguese on June 30, 2015 The beach may seem like a lifeless environment, as we look out at the endless sand and sea. But if we pay a little attention, we start to notice the crabs, mole crabs, and sand dollars, and our opinion starts to change. Then we go for a swim, and, sometimes, even when in shallow waters, it is possible to spot some fish. The number of fish sighted may seem minimal when compared to what can be seen when swimming close to a coral reef or a rocky shore. However, even without any craggy rocks, holes in corals, or mangrove roots to protect them, it is possible to spot some fish “fighting” with the ebb and flow of the waves. And it was exactly this group of fish that I decided to study during my master’s degree, the fish of the shallow zone of beaches. The main objective of the study was to analyze the influence of several environmental variables (different beaches, tides, seasons, salinity and temperature) on the composition and structure of the ichthyofauna (meaning fish fauna) from beach environments. To obtain the data for my project, I collected with the help of technicians from the IOUSP Research Base in Cananeia (SP) fish from three beaches situated in Ilha Comprida and three in Ilha do Cardoso, southern São Paulo State (that is, I had the opportunity to travel during one year to a special place, as said in the post “ Internacionalizar é preciso ”). These beaches had different levels of exposure to the estuary waters: two facing the interior of it, where almost no waves were observed, two intermediate, and two exposed, with bigger waves and no influence of estuarine waters. Samples were taken using a net called a seine, which is manually dragged by two people, one on each side. Sampling with the seine net in an “exposed” beach and in a “sheltered” one in Ilha Comprida (SP). (Photographs by Jana M. del Favero, licenca CC BY SA 4.0). A total of 57 species were sampled, mostly in their juvenile phases, varying from 0.4 to 6 cm in length. Some larvae were sampled too (see post “ A vida “dura” de um peixe marinho bebê ”). The more protected the beach, the greater the quantity of sampled individuals and greater the number of species. On the other hand, the more exposed beaches showed high dominance of a few species, mostly Pompanos (genus Trachinotus ) and Mullets (genus Mugil ). Trachinotus carolinus (Pompano), left (A and B); and Mugil curema (Mullet), right (D and C). The photos on the top show them young, while the bottom ones show them as adults. (Photos A and D are by Jana M. del Favero, licence CC BY SA 4.0 / Photo B is by Trevor Meyer , licence CC BY NC / Photo D is by Carla Elliff , licence CC BY). Fish use these beaches for many reasons: as growth areas (despite the lack of hiding spots, the simple fact that this area is shallow prevents larger predators from feeding there, offering protection to the small fish); as a migration route between the ocean and the estuary; and only one species, Silverside “The Kingfish” ( Atherinella brasiliensis ) can be classified as a lifelong resident, meaning that it lives there throughout all phases of its development (larvae, young and adults) in the same region throughout the year. Menticirrhus littoralis , an example of species that uses the area of study for growth (even the biggest individual in the picture was still a juvenile). (Photo by Jana M. del Favero, licence CC BY SA 4.0). A fish from California, USA, which belongs in the same Family as our “Kingfish” (Atherinopsidae), uses beaches in a quite different way: they go completely out of water to spawn in the sand. The most interesting is that they leave the water by the thousands, so the beach is filled with “dancing” fish. It is worth watching the video: Another interesting fact is that the largest number of fish and the greatest diversity is obtained during the summer, the season in which the beaches are impacted most by tourism, and also the time that the beach sees the most trash! Are you interested? Click here to access my dissertation! Have a great time at the beach, everybody! #ChatWithNeptune #BatePapoComNetuno #MarineScience #Fish #MarineBiology #Beach

  • Como validar o machismo estrutural com uma publicação mal feita

    Por Juliana Leonel e toda a equipe do Bate-Papo com Netuno Qual o nível de comprometimento do corpo editorial de uma revista científica em relação à qualidade dos artigos por ela publicados? Não estou falando sobre concordar ou discordar dos resultados e conclusões. Me refiro à escolha e aplicação correta dos métodos para responder às perguntas da pesquisa em questão. Estamos em um momento que muito tem se falado sobre a equidade no ambiente acadêmico, sobre a importância da diversidade, sobre não fazer as mulheres escolherem entre carreira ou serem mães. Somado a isso, os dados mostram o viés da academia em aprovar mais projetos/artigos de homens, que eles têm mais chances de serem selecionados nos processos seletivos, que eles são promovidos quando se tornam pais enquanto mulheres são preteridas quando se tornam mães. Mas, na prática, o que tem sido feito para mudar isso? Tem se feito muito pouco! E se não bastasse a pandemia para aumentar ainda mais o abismo entre homens e mulheres, uma revista científica bem conceituada publicou essa semana um artigo que conclui que mulheres mentoradas por mulheres têm menos chances de serem bem sucedidas e que tanto mentoras quanto mentoradas são lesadas ao estabelecer relações de colaboração com outras mulheres O artigo até mesmo sugere que isso seja levado em conta nas políticas de diversidade. Todavia, o método utilizado no estudo é questionável, e aqui cito apenas alguns motivos: - Define como sucesso apenas a publicação de artigos científicos (e sabemos que ciência e academia são muito mais que isso); - Estabelece como relação de mentoria apenas o fato de um pesquisador sênior ter publicado com um pesquisador júnior, mas uma co-autoria pode ser em função de diversos motivos que não apenas a mentoria (há denúncias inclusive de revisores que já sugeriram a pesquisadoras que colocassem um homem entre os co-autores para o trabalho ser aceito); - A separação entre pesquisador sênior e júnior foi feita com base na idade acadêmica, que foi determinada como o tempo que decorreu desde a primeira publicação de um artigo científico por aquela pessoa (desconsidera licenças de saúde, maternidade ou qualquer outra pausa na carreira); - Os autores não deixam claro como trabalharam com as limitações dos métodos que estimam o gênero em função do nome; - Eles também não justificam porque usaram o banco de dados Microsoft Academic Graph (MAG) e quais as vantagens e desvantagens em relação a outros agregadores (como Google Scholar ); um dos revisores deste artigo inclusive apontou que o MAG possibilita que um mesmo pesquisador tenha múltiplos IDs e que isso poderia refletir em inconsistências no trabalho; - Os autores escolheram ao acaso 2000 pessoas para enviar um questionário sobre a relação de mentoria, mas apenas 167 responderam; isso representa apenas 0,006% de um total de 3 milhões de mentorias analisadas no trabalho; - Em momento algum é levado em conta que as mulheres sempre tiveram menos espaços na academia e aos homens, historicamente, foram dados mais privilégios. Dito isso, volto ao questionamento inicial: qual a responsabilidade do corpo editorial? Uma revista científica precisa ser comprometida com a qualidade e robustez das informações que vai publicar, ainda mais quando os próprios revisores já chamaram a atenção sobre os problemas metodológicos (​ Acesse o comentário dos revisores aqui ). Mas, será que para aumentar os números e a visibilidade (o artigo já está entre um dos 20 mais visualizados no site da revista) vale a máxima do "falem mal, mas falem de mim"? Não, a ciência séria e comprometida não pode ficar em segundo plano e não pode buscar apenas número de visualizações. Métricas do artigo. Fonte: Nature Communications . Acesso em 21 de novembro de 2020. A revista em questão se pronunciou dizendo que vai analisar os questionamentos levantados pela comunidade e, se for o caso, pode retirar a publicação. Será o suficiente? Ou o dano já foi causado? Vale lembrar que não é a primeira vez que artigos que trazem metodologias questionáveis foram publicados (e não removidos) por essa mesma revista. Por exemplo, esse artigo ( acesse aqui ) que reforça a eugenia foi publicado no ano passado e até agora não foi removido. Soluções? Poderiam começar retirando o artigo, pedindo desculpas, revendo suas políticas de inclusão e diversidade (o artigo diz muito sobre as políticas internas da revista) e adotando medidas de assegurar qualidade ao invés de apenas números. Para quem tem interesse no tema, seguem alguns artigos que mostram a importância de mentorias entre mulheres: PNAS: Female peer mentors early in college increase women’s positive academic experiences and retention in engineering Nature: Inspiration, inoculation, and introductions are all critical to successful mentorship for undergraduate women pursuing geoscience careers E para quem, assim como a equipe do Bate-Papo com Netuno, quer fazer algo para sacudir sua indignação, segue uma lista de abaixo-assinados e cartas sendo elaboradas: Formulário da Rede Kunhã asé Relate sobre mentorias que você teve com mulheres #MulheresnaCiência #MachismoEstrutural #JulianaLeonel #Nature

  • Oceanografia

    Por Mariana Thévinin Originalmente publicado em: https://www.oceanoparaleigos.com/oceanografia A oceanografia, também conhecida como oceanologia ou ciências marinhas, é o ramo das geociências que estuda os oceanos, desde os estuários – onde a água do rio se mistura com a água do mar – até o oceano profundo. É uma ciência interdisciplinar que investiga os processos físicos, químicos, geológicos e biológicos dos oceanos e das zonas costeiras, seus limites e suas interações com a atmosfera, com os continentes e com a sociedade. Os oceanos cobrem 70% da superfície terrestre e menos de 5% das suas águas são conhecidas, sendo um grande vasto campo para pesquisas e investigações. Os oceanógrafos estudam um grande número de processos, incluindo movimentação das placas tectônicas, erosão costeira, poluição marinha, circulação oceânica, recursos pesqueiros e diferentes ecossistemas marinhos, além das conexões entre os oceanos e o aquecimento global. Muitas descobertas feitas na área da oceanografia são o produto de esforços multidisciplinares e abrangentes envolvendo oceanógrafos e pesquisadores de todos os ramos da ciência, no intuito de compreender a interdependência que existe entre todos estes processos.​​ A  oceanografia física  se ocupa do movimento das águas (dinâmica das ondas, correntes e marés) e da interação oceano-atmosfera. Esta é a área que mais se preocupa com a previsão dos processos oceanográficos, como El Niño e mudanças climáticas. A  oceanografia química  estuda componentes químicos presentes na água do mar, seja orgânicos ou inorgânicos, buscando entender suas fontes, interações e perdas. A poluição marinha está relacionada principalmente com essa área. A  oceanografia geológica  estuda as rochas e os sedimentos. É a parte da oceanografia que estuda depósitos minerais no fundo oceânico e o processo de erosão costeira. A  oceanografia biológica  pesquisa os animais e vegetais marinhos, e suas relações com o ambiente, com ênfase nas relações ecológicas. Também se preocupa com o impacto das atividades antrópicas sobre esses organismos e com a produção pesqueira. A  oceanografia social  ainda é mais restrita que as áreas clássicas da oceanografia, mas não menos importante. Ela traz um diálogo com as ciências humanas, lidando com comunidades tradicionais (pescadores e marisqueiras), seus conhecimentos e seu território. Esses profissionais utilizam uma variedade de métodos para a obtenção de informações oceanográficas, como instrumentos de medição in situ que medem a profundidade, velocidade, temperatura ou composição da água, e equipamentos de coleta de água, sedimento ou organismos. O  sensoriamento remoto via satélites  permite a obtenção de dados simultâneos ao longo do oceano global e em tempo real, melhorando principalmente a compreensão das propriedades oceânicas superficiais. Por outro lado, o uso de modelos numéricos permite a combinação de medições e teorias sobre o comportamento do oceano, para compreender os processos que ocorrem em toda a coluna d’água, por meio de simulações da circulação, propagação de ondas, transporte de sedimentos e dispersão de poluentes, nutrientes ou organismos. No Brasil, embora a lei que regulamenta a profissão de oceanógrafo só tenha sido sancionada em julho de 2008 (Lei 11.760), a primeira faculdade de oceanologia foi implantada em 1970, na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) – RS, e completou 48 anos de atividade em 2018. O mercado de trabalho do oceanógrafo abrange o setor público, principalmente universidades e órgãos federais, estaduais e municipais vinculados à temática ambiental; o setor privado, empresas que atuam na aquicultura e na pesca, na engenharia oceânica e na prospecção e produção de petróleo e gás; e organizações não governamentais, instituições ligadas a projetos de conservação e proteção da biodiversidade como os projetos Tamar, Peixe-Boi, Golfinho Rotador e Baleia Jubarte. Fontes: AOCEANO O planeta azul - Uma introdução às ciências marinha, de João Schmiegelow. Fundamentos de oceanografia, de Tom Garrison. Livro sobre etnooceanografia : “Águas da Coréia: uma viagem ao centro do mundo numa perspectiva etnooceanográfica”, de Gustavo G. M. Moura Sobre a autora: Mariana é oceanógrafa, mestra em oceanografia física e fundadora do projeto Oceano para Leigos cuja missão é aproximar pessoas e oceano, por meio da popularização das ciências marinhas. Através das atividades do Oceano para Leigos, busca contribuir para uma sociedade bem informada e com participação crítica na gestão dos oceanos e seus recursos. #descomplicando #MarianaThévinin #Oceanografia

bottom of page