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- É possível distinguir diferentes baleias assim como nós sabemos reconhecer as pessoas?
Por Liliane Lodi Foto-Identificação: A identidade de cada animal As baleias-de-bryde são identificadas com base no perfil de suas nadadeiras dorsais, através da presença de cortes e cicatrizes, utilizando uma técnica chamada de foto-identificação. Os cortes e cicatrizes da nadadeira dorsal têm características únicas. Nenhuma baleia é igual a outra. Estas marcas assemelham-se às nossas impressões digitais ou a um código de barras. Nos últimos 40 anos a técnica de foto-identificação tem sido utilizada para estudar inúmeras populações de golfinhos e baleias no mundo inteiro. Trata-se de uma técnica não invasiva ou hostil, uma vez que o animal não precisa ser fisicamente capturado ou marcado. Basta obter boas fotos de sua nadadeira dorsal. Durante as interações inter e intraespecíficas dos indivíduos, ou ainda como resultado do impacto com certos elementos humanos (tais como redes de pesca e hélices de embarcações) e ambientais (interação com o fundo), a nadadeira dorsal pode sofrer alterações resultando em padrões reconhecíveis de cortes e cicatrizes permanentes ao longo do tempo. A melhor fotografia de cada baleia (selecionada como aquela em que a nadadeira dorsal está mais em foco e perpendicular à câmara, em alta resolução) de uma dada ocasião é considerada como uma avistagem (captura). À medida que este indivíduo identificado for observado em outras oportunidades trata-se de uma reavistagem (recaptura). Com este procedimento é possível construir um álbum ou um catálogo fotográfico. Estudos de foto-identificação fornecem informações importantes que ampliam o conhecimento sobre as baleias que servem de base para a elaboração de estratégias de conservação. Além do trabalho desenvolvido por investigadores especializados, a participação pública pode adicionar informações importantes a este tipo de estudo. Como os pesquisadores não podem ter olhos em todos os lugares, foi criado em dezembro de 2017 o Programa de Pesquisa Participativa Brydes do Brasil, uma parceria entre o Projeto Baleias e Golfinhos do Rio de Janeiro e o WWF-Brasil. O programa é aberto não só para pesquisadores, mas também para ambientalistas, amantes da natureza, praticantes de esportes náuticos e quem mais quiser participar. É como se estivéssemos treinando novos olhos de pesquisadores em baleias! Objetivos do Programa de Pesquisa Participativa Brydes do Brasil Mobilizar e envolver a sociedade na pesquisa científica participativa; Elaborar uma base de dados de baleias-de-bryde foto-identificadas em águas brasileiras, através de um acervo fotográfico concentrado; Identificar, comparar e quantificar novas ocorrências das baleias-de-bryde identificadas em uma mesma área; Determinar os deslocamentos da baleia-de-bryde na costa brasileira e áreas chave para à conservação da espécie; Reunir registros para posterior análise objetivando entender se a(s) população(ções) está(ão) em decréscimo, mantida(s) ou aumentando, e; Conscientizar sobre a necessidade da conservação das baleias-de-bryde e do uso sustentável de nosso litoral como seu habitat. Como participar Você não precisa ser um pesquisador para aprender como fotografar adequadamente uma baleia-de-bryde para propósitos de identificação individual em registros que possam ser de fato aproveitados em prol da conservação desses animais. Assim, se você deseja auxiliar na pesquisa sobre as baleias-de-bryde, torne-se um colaborador da rede! Os resultados obtidos por esse banco de dados compartilhado pode fazer a diferença na conservação da espécie no Brasil! Obtenção das fotos As dicas para a obtenção de fotos de qualidade da nadadeira dorsal, de modo que possam permitir a identificação individual segura das baleias-de-bryde brasileiras, podem ser conferidas no web site. As fotografias submetidas serão analisadas e as consideradas de boa qualidade serão integradas numa base de dados a partir da qual é construído o catálogo compartilhado. O autor das imagens mantém todos os direitos sobre as mesmas. Quem tem olhos para ver e anda bem informado e equipado será sempre o fotógrafo mais premiado! A Portaria do IBAMA n.º 117, de 26 de dezembro de 1996 define normas para evitar o molestamento intencional de cetáceos em águas jurisdicionais brasileiras. Sempre siga o protocolo de observação de baleias e não as perturbe para obtenção de fotografias. Além dos detalhes e orientações para a identificação dessas gigantes, o web site também conta com espaços interativos para compartilhar fotografias, vídeos, artigos, textos de divulgação científica, notícias na mídia e outras informações relevantes sobre a espécie. Navegue nesta onda: Conheça - Participe - Colabore - Divulgue! Para saber mais: - Programa de Pesquisa Participativa Brydes do Brasil http://brydesdobrasil.com.br (Formatos: celular, tablet e computador) E-mail: contato@brydesdobrasil.com.br - Facebook: Onde estão as Baleias e os Golfinhos? https://www.facebook.com/groups/baleiasgolfinhos.rj - Instagram: @baleiasegolfinhosdorj - Portaria do IBAMA n.º 117, de 26 de dezembro de 1996 http://www.ibama.gov.br/sophia/cnia/legislacao/IBAMA/PT0117-040901.PDF Sobre Liliane Lodi : Doutora em Biologia Marinha trabalha com ecologia de cetáceos, com ênfase em distribuição, uso do habitat, comportamento e conservação. É administradora do grupo do Facebook “Onde estão as Baleias e os Golfinhos?” e do Programa de Pesquisa Participativa Brydes do Brasil direcionados à área de Ciência Cidadã. É coordenadora do projeto de pesquisa Baleias & Golfinhos do Rio de Janeiro (Instituto Mar Adentro, WWF-Brasil e Fundação SOS Mata Atlântica). #baleias #brydesdobrasil #ciênciasdomar #convidados #golfinhos #LilianeLodi
- Será que existe luz no fundo do mar?
Por Catarina R. Marcolin Já falamos aqui no blog que sabemos mais sobre o espaço sideral do que sobre os oceanos. Se quisermos saber mais sobre o fundo dos oceanos, o assunto fica ainda mais misterioso. No fundo dos oceanos, a luz do sol não consegue penetrar, então não temos fotossíntese, a base energética da maioria das cadeias alimentares. Apesar disso, existe bastante vida no oceano profundo, e acreditem, tem também muita luz. Isso mesmo, um estudo publicado este ano na Scientific Reports estimou que mais de 75% dos organismos marinhos que vivem até 4000 m de profundidade conseguem produzir luz, um fenômeno chamado de bioluminescência. Uma enorme variedade de animais como peixes, vermes, medusas, crustáceos, lulas e polvos conseguem emitir sua própria luz, o que pode promover um verdadeiro show de luzes no fundo do mar. A bioluminescência já é considerada uma característica ecológica (ecological trait), ou seja, é uma característica tão importante que a gente espera que animais que vivem nos oceanos a apresentem. Agora você deve estar se perguntando, por que será que é tão importante produzir luz? Bem, graças à ciência, podemos matar um pouco da nossa curiosidade sobre este ambiente tão pouco explorado. O que se sabe hoje é que organismos produzem sua própria luz para: Se defender de predadores: 1 - através de camuflagem (o animal consegue assumir cores semelhante ao seu ambiente para se esconder e escapar dos predadores); Uma lula usando bioluminescência para se esconder no fundo do oceano. Fonte 2 - e distraindo o predador (alguns animais conseguem expelir materiais luminescente criando um "sósia" para enganar seu predador enquanto escapam). Esse camarão é capaz de produzir bioluminescência de duas formas: uma secreção azul que é expelida pela boca para enganar predadores, bem como outros órgão são capazes de emitir luz como os membros, abdômen e olhos. Fonte Reprodução Encontrar um parceiro no escuro não deve ser nada fácil. Algumas espécies emitem flashes de luz para atrair potenciais parceiros sexuais ou ainda, como essa glow worm, cuja fêmea emite uma luz constante que se apaga, uma vez que tenha acasalado. Tomopteris helgolandica é um verme do mar, uma das raríssimas espécies de animais capazes de produzir luz amarela. A bioluminescência neste caso é emitidas no final dos parapódios (essas estruturas que se assemelham a perninhas), quando o animal é perturbado. Acredita-se que serve para distrair predadores. Conseguir comida Alguns peixes podem ser atraídos por pequenos pontos de luz emitidos pelo predador, que os captura quando se aproximam. Ao lado, temos o Angler fish ou peixe pescador. Os organismos podem produzir luz de duas formas diferentes: pela mistura entre dois compostos químicos (uma luciferina, que produz luz de fato, e uma luciferase, enzima que catalisa a reação) causando uma reação que produz luz, ou por meio da associação com diminutos microorganismos (como bactérias) que produzem luz pelo mesmo método. Juvenis de polvo (esquerda) e lula (direita) nas águas do Tahiti. A bioluminescência também pode ser útil para nós, humanos. Cientistas podem usar compostos químicos produzidos por animais que brilham em pesquisas médicas para iluminar as células que serão vistas ao microscópio. Da mesma forma, é possível visualizar células cancerígenas por meio destes compostos químicos. Um outro exemplo é a proteína relacionada com a fluorescência verde (Green Fluorescent Protein), encontrada em certas medusas, que é utilizada como marcador genético pelos cientistas. Ainda não se sabe exatamente qual a função da luminescência em Ctenóforos. Sabe-se que os padrões de cada espécie são únicos. Eles emitem tantas cores quanto um verdadeiro arco-íris, não é incrível? Não deixe de checar o vídeo! Se você gostou do que leu e quer saber mais sobre o assunto, comenta aqui que a gente tenta matar sua curiosidade! Para saber mais: https://www.nature.com/articles/srep45750 http://www.scholastic.com/browse/article.jsp?id=3757110 https://www.wired.com/2011/01/bioluminescent-sea-creatures/ http://www.sciencemag.org/news/2017/04/more-75-surveyed-sea-animals-glow-dark #bioluminescência #catarinarmarcolin #ciênciasdomar #luciferina #marprofundo
- The extraordinary life of whale carcasses in the deep ocean
By Joan Manel Alfaro Lucas Translated by: Lídia Paes Leme Edited by: Katy Shoemaker This story starts in 1987, when, during an oceanographic expedition lead by Dr. Craig Smith (University of Hawaii), the research robot Alvin found a whale carcass on the ocean floor in Santa Catalina Bay, California, 1240 meters deep (Smith et al., 1989). This discovery reinforced an idea that had been suggested before, that even though whale deaths are common in coastal zones, many die in spots far away from beaches and sink down to the depths of the ocean. The deep ocean covers 63% of the planet's surface and is considered the biggest biome on Earth. It is unique and extreme due to its low temperatures, high pressure, and darkness (light doesn't penetrate more than 200 meters below surface, where the deep ocean starts). The absence of light makes organic matter production via photosynthesis impossible. Because of this, the deep ocean ecosystem is limited in food sources and depends almost exclusively on the sinking of organic matter produced in the surface waters. In the vast, cold, dark deserts of the deep ocean known as the abyssal plains, the few organisms that survive there filter water and sediments to take in the little organic matter that sinks down from the surface. So now what about that Californian whale that Dr. Smith found? The carcass was completely missing meat, and other indicators suggested the whale carcass had been there for several years. However, the skeleton and the sediment around it were bursting with life! There were worms, snails, gastropods, dense mats of bacteria, and bivalves such as clams and mussels. The carcass was a real oasis of life in the deep desert of the bay. The scientists began to understand that, for an environment so poor in nutrients, the arrival of a whale carcass is an extraordinary event. Whales are the largest animals that inhabit Earth. The blue whale can be 30 meters (~100 feet) long and weigh 120 kilotons and is the largest animal that has ever existed on our planet. To the desert depths of the ocean floor, their carcasses are the biggest source of organic matter that arrives from the surface. One carcass from a 40-kiloton whale is the equivalent of 2000 years worth of organic matter falling down at once! Some of the organisms found for the first time on the carcass by Dr. Smith became much more interesting when identified. For example, some bivalve species found there are known to have symbiotic relationships with chemosynthetic bacteria. Those mussels feed on the matter produced by the bacteria, a process similar to what shallow water corals have with photosynthetic organisms. As it turns out, the dense bacterial mats found on the carcass were of that kind of bacteria. Similar to vegetables in the terrestrial environment, these chemosythetic bacteria form the base of the food chain in the deep ocean. Chemosynthetic communities feed on organic compounds, some of which can be abundant on the sea floor. This is the case in hydrothermal vents, which form in parts of the floor where volcanic activity is elevated and hydrocarbons flow from underground reservoirs (post about hydrothermal vents here ). The bivalve species associated with the whale carcass were discovered for the first time at cold hydrothermal vents! These similarities suggested that the whale carcass acts as a trampoline for the common habitants of different chemosynthetic communities to disperse, as they are usually separated by distances larger than can be reached by larval dispersion (Smith et al., 1989). This discovery, other than being revolutionary for the ecology of chemosynthetic communities, led several groups of scientists to research more about these ecosystems. Rather than looking for a carcass on the vast ocean floor (a real needle in a haystack situation), scientists started to sink dead whale carcasses with weights. They were able to sink them in a determined spot where they could sample whenever needed. After these experiments, scientists began to understand that not only chemosynthetic communities developed in the carcasses, but also there were extremely diverse and abundant communities that explored the carcasses in amazing ways… for almost a century! The whale carcasses develop mostly three ecological successive states, meaning three communities can be distinguished throughout time (Smith et al., 2015). The first stage starts with the arrival of the carcass in the bottom and includes the mobile necrophagous organisms. Hundreds of animals, like hagfish, drill the meat while sharks bite big chunks off. These communities, similar to vultures in a savanna, remove several dozen kilograms by day and can consume all the meat in up to two years, depending on the size of the carcass. The second stage involves the enrichment of opportunists and can also last up to two years. During this period, high densities of worms, crustaceans, and other invertebrates colonize the sediment around the skeleton that was exposed after the flesh was consumed. These invertebrates feed directly on the left over fat and meat left behind by the necrophagous organisms, as well as the bones, which are rich in protein and fat. The last stage, the one Dr. Smith's whale was in when he found it, is the sulphophilic stage. Some microorganisms are able to penetrate the dense bone structure and access the big quantities of fat remaining in the interior of the bones. These organisms use the sulfur dissolved in water to digest the fat, creating inorganic compounds as secondary products. Similar process can also occur in the surrounding sediment, which was impacted by the organic matter of the carcass. This creates enough of a flux to develop a community based on chemosynthesis. This is the longest stage, lasting up to 80 years. The discoveries around whale carcasses don't stop there. Since 1987, when Dr. Smith studied the first deep ocean carcass, 129 new species have been discovered, many of them only found in those communities. The most surprising one was discovered in 2002, when Osedax, a new kind of worm, was discovered in Monterey Canyon, California, at 2891 meters deep (Rousse et al., 2004). The species in this genre are sessile and don't have a mouth nor anus, nor any kind of digestive system, yet they feed on whale bones! Osedax have a structure called a root, which helps to answer the multiple mysteries surrounding these organisms. This structure, with globular ramifications, fixes the organism to the bones and has pumps that acidify the bone matter. The “soup” produced in this process is sent up through the root into internal structures, where endosymbiotic bacteria are responsible for digestion. These worms are capable of completely decaying a whole juvenile skeleton (containing less calcified bone or fat then adults) in one decade. Impressive, no? Just wait… All of these structures and endosymbionts only apply to female Osedax. The males are microscopic dwarves that live inside of the females, as simple sperm reservoirs. The Osedax larvae that are found on a skeleton develop as female, but if they find other females, they can get absorbed and develop as pedomorphic males, meaning they only develop sexually and not fully morphologically, retaining larval characteristics. Each female can absorb hundreds of males, which is believed to be a successful reproductive strategy. Organisms like Osedax show that whale carcasses are not only an oasis of life in the deep ocean, but also showcase uniquely evolved and specialized life forms. However, are the carcasses sustaining similar communities in all of the ocean basins? Or, like in hydrothermal vents, does each basin sustain communities with different evolutionary histories? This kind of question is still very hard to answer because practically all of the natural and placed carcasses have been studied in the Northern Pacific. Only in 2010 was a natural carcass discovered on the seafloor near Antarctica, and, more recently in 2013, in the Southwest Atlantic off of the Brazilian coast. The latter is currently being studied by Brazilian and Japanese researchers, and is the topic of my Master's project at the University of São Paulo. This represents the first whale sink community to be studied in all of the deep Atlantic. The results of the research are beginning to emerge, reinforcing some previous hypotheses and explaining even more about the functioning of various ecological processes. Many questions are still to be answered, and many more will be generated in the future. These extraordinary communities, not known 30 years ago, are a bottomless source of surprises! References, links and videos: Smith, C.R., Kukert, H., Wheatcroft, R.A, Jumars, P.A., Deming, J.W. (1989) Vent fauna on whale remais. Nature, 341. Pp 27-28. Rouse, G.W., Goffredi, S.K., Vrijenhoek, R.C. (2004) Osedax: Bone-Eating Marine Worms with Dwarf Males. Science, 305.Pp 668-671. Smith, C.R., Glover, A.G., Treude, T., Higgs, N.D., Amon, D.J. (2015) Whale-Fall Ecosystems: Recent Insights into Ecology, Paleoecology, and Evolution. Annual Review of Marine Science, 7. Pp 571-596. About Joan Manel Alfaro Lucas : A biologist from the Universitat Autonoma de Barcelona, Barcelona, I did a one year internship at the Federal University of Minas Gerais, which allowed me, among other things, to get to know Brazil and learn Portuguese. I'm passionate about the ecology of deep ocean communities, especially chemosynthetic ones. I did a Masters at the Oceanographic Institute of the University of São Paulo, where I had the opportunity to study the first whale carcass discovered in the deep Atlantic ocean. Other than that, I have experience in oceanographic cruises, sailed 2800 nautical miles across the southwest Atlantic, sampling, sorting and identifying benthic invertebrates, stable isotope analysis, and using the R language in ecological research. #joanmanelalfarolucas #carcass #chemosynthesis #invited #chatlídiapaesleme #osedax #seaflor #whale #chatkatyanneshoemaker
- Ugly animals need love too!
Written by Jana M. del Favero Edited by Katyanne M. Shoemaker Illustration by: Joana Ho What do a dolphin, a sea turtle, and panda bear have in common? They are considered flag species , meaning they are charismatic species that can draw public attention to a conservationist cause. This concept emerged in the 1980s as a way to ensure conservation of biodiversity. Since it is not possible to finance protection projects for all species of an area, we raise the status of a charismatic species as a means of supporting its overall ecosystem. When I was an intern for the Tamar Project, I was used to receive tourists at the Ubatuba base to talk about sea turtles. While teaching them about sea turtles, I ended up also teaching them about the fish that they consumed and the damages garbage and automobile use in spawning areas caused, etc. The main message always went through several other messages. Whenever we talk about the importance of preserving the flag species, we also talk about the importance of preserving the entire ecosystem. Although it is an efficient concept (who does not think about the Panda Bear when thinking about WWF?), its application requires caution. By prioritizing flag species, you run the risk of not preserving those who really need to be preserved. It is important to remember that several species are threatened with extinction. Some scientists even argue that we are going through the sixth major extinction of the Earth (episodes in which large numbers of species go extinct in a short period of time). According to scientists all prior mass extinctions were caused by natural catastrophes, such as the fall of a meteorite. However, WE (human beings) are causing the sixth extinction! Paradoxically, although WE are causing the sixth extinction, WE are also the ones that can prevent it from being more tragic. So, it was in thinking about the protection of a group of endangered and "disadvantaged" animals that the biologist Simon Watt created the “Ugly Animal Preservation Society.” No, that is not a type, this idea was quite contrary to the use of traditional flag species. According to the creator, it is not fair that the panda gets all of the attention. The innovative idea of Simon Watt did not stop with the creation of the society. To raise funds and save aesthetically unprivileged species, he and a group of artists ventured into the United Kingdom, performing shows and stand up comedy, in which each artist featured an ugly animal. At the end of each evening, people could vote on what should be the mascot of society. Among some strong competition of the weirdest frogs, salamanders, snails and insects, the winning mascot was a fish, the Blobfish. Besides being ugly, this fish, scientifically called Psychrolutes marcidus , inhabits the deep waters (between 600 and 1200 meters deep) of South Australia, including Tasmania. They have no swim bladder, only the minimum number of bones needed for survival, and their body has a gelatinous consistency. But these characteristics all contribute to being able to live in their high-pressure environment, with the water around them as their main structural support. But I confess that I found the vote somewhat unfair. Knowing that every 10 meters that we dive to find the Blobfish, the pressure increases by 1 atm. We would meet the ugly creature in an environment with more than 60 atm of pressure pushing down on us, and our organs would crush and we would probably look like paste (actually we would have died long before!). Meanwhile the Blobfish would look like an "ordinary" fish and not the gelatinous creature we thought so ugly while we analyzed it on the Earth’s surface, at only 1 atm. Another marine fish that competed as the ugliest animal was the European eel (scientific name: Anguilla anguilla ). Although it is critically endangered and it looks more like a snake than a fish, I believe that this species should not even be in this competition because they are wonderful! The European eel is a euryhaline fish, which withstands great variation of salinity, and is catdromic, meaning it grows in rivers and spawns at sea. In addition, it has leptocephalus larvae, which look beautiful, last about 3 years, and reach up to 8 cm in length! So, have I been able to convince you that the European eel and the Blobfish are not ugly, but that they do need our attention and protection? In your opinion, which endangered animal is ugly and should be preserved? About the “Ugly Animal Preservation Society” (Come in and laugh a lot watching the videos): http://uglyanimalsoc.com #chatjanamdelfavero #marinescience #biodiversity #blobfish #bubblefish #conservation #joanaho #chatkatyanneshoemaker
- Furacão, tornado, tufão e ciclones
Por Gabrielle Souza Hoje no descomplicando netuno falaremos sobre fenômenos assustadores, que tem recentemente causado sérios danos nos Estados Unidos. Falaremos de furacões, tornados, ciclones e tufões. Esses fenômenos climáticos naturais são todos originários dos deslocamento de massas de ar, o que chamamos popularmente de vento, e são ocasionados por mudanças fortes na pressão atmosférica. A única coisa que diferencia um furacão de um tufão e de um ciclone é o local onde ocorrem (veja a imagem abaixo). Imagem adaptada. Fonte Antes de começarmos a diferenciar estes fenômenos, é importante saber que ciclone tropical é um termo genérico usado pelos meteorologistas para descrever um sistema organizado de rotação das nuvens e trovoadas originado sobre águas tropicais e subtropicais. Quando o ciclone tropical atinge mais de aproximadamente 119 km/h, ele é então classificado em furacão, tufão ou ciclone, dependendo da localização, conforme já mostrado acima. Existem fatores que podem influenciar e contribuir para a ocorrência destes fenômenos, como: a presença de massas de água quentes nos oceanos, o rápido resfriamento da atmosfera e uma camada próxima a troposfera (camada atmosférica mais próxima da superfície terrestre) relativamente úmida, por exemplo. O furacão, mais popular nas mídias recentemente, é caracterizado por fortes ventos com velocidades que podem atingir até 300 km/h, girando em sentido horário (hemisfério sul) e anti-horário (hemisfério norte). Possuem entre 400 a 650 km de diâmetro e ocorrem geralmente no Oceano Atlântico. Os furacões são formados, quando o ar quente e úmido (seta vermelha da figura abaixo) sobe e se condensa formando chuvas fortes, criando uma zona de baixa pressão próximo a superfície da água. O ar quente estando sob uma pressão relativamente maior que o ar frio (seta azul), movimenta-se em direção ao "espaço" ocupado pelo ar mais frio, de menor pressão, que suga o ar do ambiente quente, e também sobe. Esse fluxo promove a criação de nuvens e chuva (veja a imagem abaixo). O ar que contorna a zona de baixa pressão cria uma espiral de velocidades muito altas que podem acabar atingindo a superfície terrestre e oceânica. Como se formam os furacões. Imagem adaptada. Fonte No centro do furacão está a parte denominada de “olho da tempestade” ou “olho do furacão”, onde o céu é praticamente limpo, os ventos são baixos e não existe precipitação. O tornado, outro termo que comumente escutamos, é caracterizado pelos meteorologistas como o fenômeno de menor duração. Ocorre geralmente nas zonas temperadas do Hemisfério norte, sendo os mais intensos observados no centro-oeste dos Estados Unidos e Austrália. Quando tocam o solo produzem grandes redemoinhos de poeira que possuem até 10 km de diâmetro, atingindo cerca de 500 km/h, durando entre 10 e 30 minutos. Quando acontecem no mar, o interior da coluna “vazia” é preenchida com a água sugada, formando-se a tromba d’água. De acordo com alguns cientistas o aumento recente da ocorrência e intensidade dos furacões está relacionado com o aquecimento dos oceanos. Isso ocorre porque, segundo o professor Gabriel Vecchi de geociências da Universidade de Princeton, “Um oceano mais quente faz uma atmosfera mais quente, uma atmosfera mais quente pode conter mais umidade”, ou seja, os furacões irão armazenar mais água. Por conta dessa elevação na temperatura, para cada aumento de 1 grau Celsius, aumenta também 7% de água no ar, justificando o aumento da quantidade de água quando essas tempestades atingem o solo. Para você fixar o assunto desse post nós elaboramos um Quiz. Só clicar no link abaixo! Esperamos que goste ;) https://quiz.fbapp.io/quiz-descomplicando-netuno Referências: NOAA. What is the difference between a hurricane, a cyclone, and a typhoon?: The only difference between a hurricane, a cyclone, and a typhoon is the location where the storm occurs.. 2017. National Oceanic and atmospheric administration U.S department of commerce- NOAA. Disponível em: < https://oceanservice.noaa.gov/facts/cyclone.html >. Acesso em: 20 set. 2017. INPE. Qual a diferença entre tornado, tufão e furacão? 2013. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais- INPE. Disponível em: < http://www.inpe.br/noticias/namidia/img/clip26092013_11.pdf >. Acesso em: 20 set. 2017. FIOCRUZ. Os ventos. Fundação Oswaldo Cruz- Fiocruz. Disponível em: < http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/ventos.htm >. Acesso em: 20 set. 2017. PAULO, Prefeitura de Santo André- São. Tornados, Furacões e Tufões. 2008. Disponível em: < http://www.santoandre.sp.gov.br/biblioteca/bv/hemdig_txt/080507001.pdf >. Acesso em: 20 set. 2017. THAN, Ker. Typhoon, Hurricane, Cyclone: What's the Difference?: Hurricanes, cyclones, and typhoons are all the same weather phenomenon.. 2013. National Geographic. Disponível em: < http://news.nationalgeographic.com/news/2013/09/130923-typhoon-hurricane-cyclone-primer-natural-disaster/ >. Acesso em: 20 set. 2017. BBC, British Broadcasting Corporation-. How hurricanes form. 2014. Disponível em: < http://www.bbc.co.uk/schools/gcsebitesize/geography/weather_climate/weather_human_activity_rev2.shtml >. Acesso em: 20 set. 2017. WORLAND, Justin. The One Number That Shows Why Climate Change Is Making Hurricane Season Worse. 2017. Disponível em: < http://time.com/4931586/irma-hurricane-season-climate-change/ >. Acesso em: 27 set. 2017. #descomplicando #gabriellesouza #furacão #tornado #tufão #ciclone
- O ar que você respira
Por Cláudia Namiki No dia 03 de setembro, recebi uma linda mensagem me parabenizando pelo Dia do Biólogo, que dizia assim: “Biologia: muito obrigado por você NÃO fazer parte da minha vida”. Depois de perceber o NÃO, achei essa frase um verdadeiro paradoxo, já que bio significa vida, e o ser humano que escreveu essa mensagem devia estar “vivinho da silva”, utilizando o oxigênio produzido por outros seres vivos através da fotossíntese, para a manutenção de suas células enquanto pensava que não tinha nada de biologia em sua vida... Ilustração: Joana Ho E se eu contasse que boa parte do oxigênio consumido por esse indivíduo foi produzido por microalgas e cianobactérias, organismos tão pequenos que a gente não consegue ver? Esses microrganismos formam o grupo que chamamos de fitoplâncton, que além de sustentar toda a teia trófica marinha, são responsáveis pela produção de aproximadamente 40% do oxigênio produzido anualmente no planeta (Falkowski, 1994). Assim, embora você não veja as microalgas e cianobactérias quando está em frente ao mar, saiba que elas podem afetar profundamente os ciclos de oxigênio e carbono na Terra tanto quanto as vistosas plantas terrestres (veja aqui Por que alga não é planta, por que planta não é alga ). Mas a importância dessas pequenas criaturas não para por aí: a vida no planeta como ela é hoje não existiria sem as cianobactérias. Os geólogos descobriram que durante a primeira metade dos 4,6 bilhões de anos de existência da Terra quase não existia oxigênio livre em sua atmosfera. O oxigênio começou a se acumular na atmosfera terrestre a apenas 2,4 bilhões de anos, graças à fotossíntese realizada pelas antepassadas das cianobactérias atuais. As plantas terrestres só apareceram 2 bilhões de anos após os níveis de oxigênio na atmosfera começarem a subir (Falkowski, 2012). Ou seja, todos os Homo sapiens sapiens , incluindo você, é claro, e todas as outras formas de vida dependentes de oxigênio devem, em grande parte, sua existência ao surgimento de uma única célula capaz de obter a energia do Sol para transformar a matéria inorgânica (carbono, água e outros nutrientes) em alimento. Deste modo, não pense que Biologia não faz parte da tua vida só porque não foi o curso que você resolveu estudar! Ela está em tudo, inclusive no ar que você respira! Para saber muito mais, assista ao vídeo na página http://www.sciencemag.org/news/2017/03/meet-obscure-microbe-influences-climate-ocean-ecosystems-and-perhaps-even-evolution Sugiro também que ouça a música do Spyro Gyro de Jorge Ben, para saber como as microalgas podem influenciar até a música popular brasileira. ;) Post relacionado: A fertilização dos oceanos e as mudanças climáticas Referências: Paul G. Falkowski. The role of phytoplankton photosynthesis in global biogeochemical Cycles. Photosynthesis Research 39: 235-258. 1994. Paul G. Falkowski. The power of plankton. Nature, 483: 17:20. 2012. #cianobactérias #ciênciasdomar #cláudianamiki #fitoplâncton #fotossíntese #joanaho #microalgas #microorganismos #oxigênio
- O que eu aprendi sobre saúde mental na pós-graduação
Por Carolina Maciel Não é novidade existirem alunos reclamando sobre a pós-graduação. Os comentários são sempre os mesmos: “isso me deixa nervoso”, “não estou conseguindo fazer isso”, “não vou conseguir entregar a dissertação/tese no prazo”, além do clássico: “estou cansado(a)!”. Depois de 4 anos exaustivos e uma média de 140 provas sobre diversos assuntos , como num passe de mágica eu finalmente repousaria no “paraíso da pós-graduação”, mesmo sem a advertência sobre as seis horas diárias de dedicação aos estudos para conseguir o tão sonhado lugar na universidade pública. Os motivos para que alunos recém-formados procurem a pós-graduação são muitos: realização profissional, pessoal, pressão de terceiros, indecisão na carreira, oportunidade de renda, etc., e independente de qual seja o motivo, a maioria das pessoas procura fazer o seu melhor trabalho. Assim como eu, muitos sonham em se especializar na área que mais teve afinidade na graduação, vendo o mestrado (ou doutorado) como uma opção de aprofundar seu conhecimento. Até aí, nenhum problema em vista. O problema começa na forma em que a pós-graduação é encarada pelos alunos, pesquisadores e universidades. A regra da pós-graduação é levar os alunos até o seu limite: sono atrasado para cumprir prazos apertados, relatórios, matérias de especialização, progresso na pesquisa, cobranças do orientador... Cobranças, sono atrasado, estresse e vida social restrita: bons ingredientes, que misturados, dão uma boa porção de distúrbios psicológicos. Não foi diferente comigo. Eu sempre achava: “tenho que tomar cuidado, mas é LÓGICO que isso não vai acontecer porque estou no controle”. Ilustração: Caia Colla Num dia ensolarado, trocava a praia pelo computador para começar a analisar meus resultados, quando, de repente, um clarão invadiu meus olhos, esqueci completamente meu nome, os comandos do programa que utilizava de olho fechado, o que eu estava fazendo de frente para o computador... E então eu senti um vazio extremo, como se todo o esforço e conhecimento tivessem desaparecido. Me vi no fundo do poço. Hoje sei que o que tive foi apenas uma das muitas crises de ansiedade causadas pela pós-graduação, o que me levaram a procurar ajuda psicológica externa. A pós-graduação tinha se tornado um peso para mim e que se eu continuasse a carregá-lo, iria entrar em depressão. Com essas palavras, eu resolvi parar. A pós-graduação nunca me ensinou a parar, e sim a continuar exaustivamente até conseguir minha melhor performance na pesquisa. Mas o que não te ensinam é que o cansaço estraga tudo e pausas (como férias) são extremamente importantes para a produtividade e manutenção da saúde mental. As pausas dentro da pós-graduação não são bem vistas. Já que a gente “só estuda”, por que tirar férias? Pois é, se consultar o site do CNPq (principal órgão brasileiro financiador de pesquisas), não existe férias para alunos de pós-graduação. A dedicação deve ser exclusiva. Nesse processo de adoecimento pela pesquisa, passei por crises de choro, inseguranças sobre o que estava fazendo no laboratório, ilusão de perseguição pelos meus amigos de trabalho, sentimento de que não era boa o bastante e o mais extremo de todos: o sentimento de que se eu tirasse a própria vida, o sofrimento de me sentir inferior na pesquisa, pararia. E essa não é uma realidade distante. Há alguns dias infelizmente perdemos um aluno de pós-graduação do Instituto Biociências da Universidade de São Paulo, vítima de distúrbios psicológicos relacionados à pós-graduação. A universidade e a ciência no país são completamente ingratas. E desde o dia em que eu não via mais sentido em viver, ressignifiquei tudo na minha vida. O que incluiu a minha relação com a pós-graduação. Reclamamos dos nossos orientadores, mas eles também são cobrados tanto quanto nós, criados nesse sistema onde o seu sobrenome e ano de publicação valem mais e são treinados dentro das universidades para explorar o potencial de cada aluno. A universidade não está pronta para considerar a questão mental nos programas de pós-graduação. Não nos sentimos acolhidos, e sim num campo de batalha: “aos vencedores, os artigos científicos!”. Sustentar a própria pesquisa no ambiente hostil das universidades torna os alunos e pesquisadores exaustos, aumentando as chances de desenvolver distúrbios psicológicos sérios como a depressão. A insegurança sobre o financiamento de nossas pesquisas no país é um fantasma que nos assombra e contribui para que nossa saúde mental seja afetada; afinal, hoje fazemos pesquisa, mas amanhã, não sabemos como nos manter financeiramente fazendo o que amamos no laboratório. Então qual seria a solução? Garanto que pausas resolvem parte do problema. Se dedicar ao que gosta (por mais clichê que seja) também é importante. Eu por exemplo, comecei a meditar, virei vegetariana e estou começando a empreender em algo que gosto. Fazendo isso, treinei a minha mente para não sentir culpa de viver além da pós-graduação e passei a me ver também como “pessoa”, além de “pesquisadora”. Fazer ciência é uma viagem prazerosa, mesmo que às vezes existam pontos de stress (stress saudável existe, sabia?). Se procurarmos no dicionário, “ciência” não é sinônimo de “sofrimento”. Desde que entendi isso, passei a relaxar, curtir a viagem sem pensar tanto no destino. Dedicação exclusiva sem férias é a regra da pós-graduação no país, mas pela minha saúde mental, eu resolvi ser exceção. Os resultados só foram positivos: a minha produtividade aumentou, as minhas relações interpessoais melhoraram, me apaixonei novamente pela pesquisa e consegui reencontrar o motivo pelo qual comecei a pós-graduação. Não é normal nenhum tipo de sofrimento causado pela pesquisa na pós-graduação. Nem pequeno, nem grande. Por isso, se já está na pós-graduação ou ainda pretende ingressar, vai meu conselho: cuide muito bem da sua saúde mental. Sabemos o quão difícil foi o caminho até aqui e desistir do que se ama não deve ser uma opção. Sempre existe um jeito mais leve de se encarar a pesquisa. Que tal começar a experimentar? Sobre Carolina Maciel: Bióloga marinha pela Universidade Santa Cecília, atual aluna de mestrado do programa de pós-graduação em Oceanografia da USP. Ama o mar e seus mistérios. Educação é sua paixão e autoconhecimento é sua palavra. #convidados #depressão #posgraduação #vidadecientista #CarolinaMaciel #caiacolla
- A "razão de ser" da Oceanografia por Satélites
Por Gustavo Prouvot Ortiz Originalmente publicado em: https://www.linkedin.com/pulse/razão-de-ser-da-oceanografia-por-satélites-gustavo-prouvot-ortiz Assim como o pioneiro Iuri Gagarin ficou extasiado ao observar nosso lindo planeta e exclamar que "A Terra é azul", atualmente os satélites científicos permitem que nós tenhamos momentos de êxtase diariamente. Isto é possível pois sensores em órbita na Terra são capazes de observar e medir diferentes variáveis e processos ambientais. O Sensoriamento Remoto por satélites permite a observação de grandes regiões praticamente no mesmo instante, sendo possível avaliar a extensão espacial de fenômenos normalmente pesquisados localmente, com auxílio de equipamentos de campo. A Oceanografia beneficiou-se com o advento dos satélites a partir do final da década de 70, permitindo uma visão e entendimento sem precedentes dos processos oceanográficos existentes. Diversas variáveis primárias medidas pelos satélites, como radiância, temperatura de brilho, rugosidade superficial e topografia dinâmica são utilizadas na Oceanografia por Satélites para a estimativa de variáveis importantes como temperatura superficial, concentração de clorofila-a, velocidade geostrófica, altura de ondas, campo de ventos superficiais, entre outros. Desta forma, o Sensoriamento Remoto tornou-se essencial para a Oceanografia moderna, provendo uma grande extensão espacial das observações às variáveis oceanográficas tradicionalmente estudadas por navios, bóias e sensores isolados. Atualmente, além da utilização dos sensores de campo para calibração e validação dos dados de satélites, há a tendência de sinergia dos dados de diferentes fontes, aproveitando o que cada tipo de sensor pode prover de melhor. Os crescentes avanços na capacidade computacional e gráfica dos grandes centros de Observação da Terra permitem, cada vez mais, que nós tenhamos momentos de êxtase como Iuri Gagarin, porém dizendo que "A Terra é Azul - e tem um monte de coisa acontecendo nela!". Este texto foi motivado por um post feito pelo Ocean Biology Distributed Active Archive Center (OB.DAAC) da NASA, que indica de forma simples "a razão de ser da Oceanografia por Satélite" “The patchiness exhibited by phytoplankton communities around New Zealand in the image provides the raison d'être for satellite remote sensing of ocean color; a whole fleet of ships, drifters, gliders, and buoys could not capture this variability before it morphed into a new pattern.” Saudações oceanográficas! Gustavo já publicou outro post no Bate-papo com Netuno, leia aqui Sobre Gustavo Prouvot Ortiz: Sou oceanógrafo com experiência em sensoriamento remoto, geologia marinha, Lei do Mar e geopolítica. Vejo o oceanógrafo (bem formado) como um "naturalista moderno", capaz de observar e descrever processos com abordagem multidisciplinar e desempenhar papel relevante em diversos setores da sociedade. Tenho paixão pela divulgação científica e, como pai, creio que somos responsáveis por desenvolver o senso crítico nos pequenos e fazê-los perceber seu papel em nosso complexo planeta. #oceanografia #oceanografiaoporsatélites #ciênciasdomar #gustavoprouvotortiz #convidados
- O que é Maricultura?
Por Gabrielle Souza Você já ouviu o termo “Maricultura”? Sabe qual a importância dessa prática? No Descomplicando Netuno de hoje vamos falar sobre isso! Você já deve ter escutado falar sobre a criação de algas e animais aquáticos em viveiros, não é mesmo?! Esta prática é conhecida como aquicultura, que nada mais é do que criar condições parcial ou totalmente controladas para cultivar esses organismos. Para ser considerada uma atividade de aquicultura, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), são necessários três requisitos: Que o organismo possua habitat predominantemente aquático em algum estágio de seu desenvolvimento; A existência de manejo e produção; A existência de um proprietário da criação (não é um bem coletivo). A aquicultura é um termo muito amplo e engloba todos os organismos que vivem em ambiente aquático. Por isso, para o cultivo e criação dos organismos marinhos ou estuarinos foi criado o termo maricultura. A maricultura pode ser subdividida de acordo com o tipo de organismo cultivado, como por exemplo: peixes (piscicultura), crustáceos (carcinicultura - que se restringe somente a camarões no Brasil), moluscos (malacocultura) e algas (algicultura). Você deve estar se perguntando, “como estes organismos são criados e obtidos?” Geralmente os organismos são obtidos no ambiente natural em seu estágio jovem, porém também podem ser produzidos em laboratório, incluindo a reprodução e criação de larvas, conhecida como larvicultura. Depois da obtenção da forma jovem, os organismos são cultivados em viveiros escavados, tanques ou no mar, comumente em ambientes costeiros abrigados como baías, golfos, entre outros. Os viveiros mais utilizadas para criar este animais no mar são: gaiolas, longlines, balsas e tanques-rede. Figura A: Longlines (ou longa linha). Fonte Figura B: Lanterna com cinco andares, utilizados para criação de moluscos. Fonte Figura C: Gaiola utilizada para criação de peixes. Fonte Para cada tipo de cultivo utiliza-se condições físico-químicas da água adequadas e controladas, como por exemplo temperatura, iluminação, salinidade, concentração de oxigênio dissolvido, amônia e nitrito. Na tabela abaixo observa-se a produção em toneladas da maricultura brasileira entre os anos de 2008 a 2010, onde as práticas mais comuns são carcinicultura e malacocultura. No país a maricultura é praticada em todos os estados costeiros e está, a cada dia mais, se estabelecendo como atividade produtora do pescado, sendo uma fonte de renda para diversas famílias, que garantem o sustento com essa prática. São destaques a região sul, em Santa Catarina, com a produção de mexilhões, ostras e vieiras. Tabela Adaptada de Castello & Krug, 2015 A maricultura é vista com grande importância na produção de alimentos e para outros ramos da indústria. É uma atividade de potencial crescimento, podendo atender o déficit entre demanda e oferta dos produtos pesqueiros. Porém, como qualquer outra intervenção humana na natureza, a maricultura tem seus pontos negativos e positivos. Ao mesmo tempo que é uma atividade que não sobrecarrega os estoques pesqueiros naturais, que gera fonte a comunidades tradicionais, pode causar desmatamento em áreas costeiras, a contaminação das águas, a introdução de espécies exóticas (que não são nativas) entre outros problemas. Assim sendo, faz-se necessário buscar uma maricultura cada vez mais sustentável, que minimize os impactos ambientais, e beneficie a sociedade e a economia local. Falaremos mais sobre isso em outro post, aguardem! Para saber mais: http://www.fao.org/3/a-i5555e.pdf Um documentário sobre salmões e mulheres cientistas Referências: CASTELLO, Jorge Pablo; KRUG, Luíz Carlos. Introdução às Ciências do Mar. Pelotas: Textos, 2015. 602 p. #algas #crustáceos #descomplicando #gabriellesouza #maricultura #moluscos #peixes #viveiros
- Para onde foi a água do mar?
Por Gustavo Prouvot Ortiz Originalmente publicado em: https://www.linkedin.com/pulse/vigia-remoto-2-para-onde-foi-água-do-mar-gustavo-prouvot-ortiz Recentemente foi muito comentado na imprensa e redes sociais o acentuado recuo do mar observado nos estados do Sul e Sudeste, nos dias 12 e 13 de agosto. Muitas dúvidas surgiram a respeito: Qual será o motivo desse fenômeno? Será que é um tsunami? Já aconteceu outras vezes? Para entender: o nível do mar é influenciado basicamente por: Nível Eustático + Maré Astronômica + Efeitos Meteorológicos Nível Eustático: nível regional, associado a longos ciclos climáticos maiores que 1.000 anos Maré Astronômica: forçada pela dinâmica gravitacional da Terra e outros corpos celestes (Sol, Lua...) - ciclos entre 12h e 24h (saiba mais aqui ) Efeitos Meteorológicos: também chamados de "maré meteorológica", são efeitos forçados por incidência de vento local ou instabilidades na atmosfera - duram até poucos dias Explicação : O recente caso chamou a atenção pelo baixíssimo nível do mar, que resultou no recuo da linha d'água de mais de 50m em alguns locais mais planos. Dentre as três opções anteriores, podemos, é claro, descartar a (1) pela escala temporal. A opção (2) também pode ser descartada como principal forçante, pois nos dias 12 e 13 a Lua estava indo para a fase minguante, que está relacionada às marés de quadratura (baixa amplitude). Sobra, então, a opção (3) Efeitos Meteorológicos. Mas como eles poderiam gerar tal fenômeno? Vejamos: O escaterômetro é um sensor a bordo de satélites capaz de medir a velocidade e direção do vento na superfície do oceano. Na manhã do dia 12 o sensor a bordo do MetOp-A registrou fortes ventos vindos de NE ao largo dos estados do Sul e Sudeste. Este padrão de ventos já vinha sendo observado há alguns dias na região. Esta configuração de vento paralelo à costa gera o processo oceanográfico chamado de transporte de Ekman: Através de um complexo equilíbrio de forças, há um deslocamento da superfície do mar à esquerda da direção do vento Foi este então o fenômeno observado. Matamos a charada! Respostas ao restante das perguntas iniciais: Será que é um tsunami? Não é um tsunami! Vimos que foi um efeito meteorológico o causador deste baixo nível do mar anômalo. Já aconteceu outras vezes? Felizmente há uma série histórica de dados globais de escaterômetros desde 1999, o que permite realizar análise dos períodos em que o campo de vento apresentou características semelhantes nesta região. Alguém habilita-se a colaborar em um estudo? Outra forma de encontrar períodos anômalos do nível do mar é analisando os dados de marégrafo. Os registros em Ubatuba-SP indicam sim que houve ao menos outros 04 período anômalos desde 2014: É interessante notar que no dia 05-out-2014 o nível esteve até mais baixo que o do recente fenômeno. Estes registros indicam que é um fenômeno anômalo, mas ocorreu entre os meses de junho e outubro. Será que há alguma regularidade? Uma análise temporal mais longa pode elucidar isto. Há algo em comum nos processos atmosféricos destes dois períodos? Sim! O campo de vento medido pelo escaterômetro registrou fortes ventos de NE e havia a mesma configuração sinóptica, como podemos ver nas cartas geradas pelo CPTEC: Em ambos os períodos havia um dipolo (Alta e Baixa pressão) com características estacionárias atuando na região. Será que esta configuração somente ocorreu entre os meses de junho e outubro, no mesmo período da anomalia de maré baixa? Para saber mais: https://www.youtube.com/watch?v=lnaEmcLE0nA Sobre Gustavo Prouvot Ortiz: Sou oceanógrafo com experiência em sensoriamento remoto, geologia marinha, Lei do Mar e geopolítica. Vejo o oceanógrafo (bem formado) como um "naturalista moderno", capaz de observar e descrever processos com abordagem multidisciplinar e desempenhar papel relevante em diversos setores da sociedade. Tenho paixão pela divulgação científica e, como pai, creio que somos responsáveis por desenvolver o senso crítico nos pequenos e fazê-los perceber seu papel em nosso complexo planeta. #gustavoprovoutortiz #convidados #ciênciasdomar #efeitosmeteorológicos #maré #níveldomar #oceanografia #transportedeekman #tsunami
- Seagrass: canaries of the sea
By Juliana Imenis, Juliana Nascimento, Larissa de Araujo, Natalia Pirani, Otto Muller and Paula Keshia Edited by Katyanne M. Shoemaker In the early 20th century, coal miners frequently carried caged canaries to work. The little birds saved many miners' lives because their sudden death or sickness indicated a possible gas leak. An alarm would sound and the mine would be evacuated. We could say the canaries were bioindicators, or organisms that indicate a possible environmental problem through their behavior or health status. Today, we no longer have a need to sacrifice the canaries because we have electronic indicators that can tell us about possible mine disasters. Like the canary, some organisms are extremely sensitive to pollution and habitat alterations; their populations tend to diminish or even vanish quickly after environmental modifications take place. Other organisms may be very tolerant to poor environmental conditions and can sometimes have a population boom in areas where the conditions would be inadequate to the majority of other species. One of these bioindicators is the marine phanerogam, also known as marine seagrass. Image by Joana Ho This particular group of plants grow on the sea floor, have elongated straight leaves, and subterraneous stalks, called rhizomes. Seagrass may live completely immersed in water, and they are found in coastal waters of nearly every continent. Despite being known as “seagrass”, this group is closer to the lily and ginger families than grass (Figure 1). They are an important part of the diet of manatees and sea turtles, and they are used as habitat by many other sea animals (Figure 2), including commercially important fish and crustaceans. Although difficult to quantify, seagrasses have a large aggregated commercial value, estimated to be up to 2 million dollars a year. They also play an important role in sequestering carbon into their biomass and sediment, thus decreasing the carbon dioxide (CO2) concentrations in the atmosphere. This helps promote nutrient recycling, coastal protection, and improve overall water quality. In Brazil, despite controversial information and the necessity of more genetic studies to differentiate the species correctly, there are so far, five known species of seagrass (Figure 3): Halodule wrightii Ascherson; Halodule emarginata Hartog ; Halophila baillonii Ascherson ; Halophila decipiens Ostenfeld and Rupia maritima Linnaeus. Seagrass are considered to be great environmental quality indicators, because they are very sensitive to light and nutrient availability variations. Global climate change has many impacts on the marine environment, including the rise of global average sea surface temperatures, variations in pH (ocean acidification), and alterations of ocean currents. These are some of the rapid changes in marine environment that have been seen by researchers, and their consequences are still little known. There are many factors involved in the interactions between environmental variables and biological communities, making overall consequences hard to forecast (Figure 4). Seagrass need specific environmental conditions, like low turbidity and high incidence of light. They are suffering local reduction and in some places completely vanishing, indicating that the anthropegenic environmental changes are happening fast, not giving the organisms enough time to respond to the new conditions. The capacity of ecosystems to respond to impact and return/maintain their original conditions is called resilience. Although the degree and type of impact on seagrass may vary with geography, some hypothesis were generated by the Benthic Habitat Monitoring Network (ReBentos) about how climate change may affect them: (1) the increased concentration of nutrients, given the increased quantity of rain, may cause changes in the community composition, favoring the occurrence of opportunistic species, which can be damaging for the local species; (2) changes in sea surface temperature can affect tropical species, favoring the extension and displacement of their occurrence limits towards higher latitudes; (3) extreme events, like floods and storms, may cause reduction or disappearance of seagrass in a quick and abrupt way; (4) the increased quantity of continental matter in estuaries may affect the abundance and composition of the communities, due to the increased turbidity and salinity changes. On the other hand, the reduction of rain and/or increased penetration of seawater into continental waters could increase or alter the estuarine seagrass' area of occupation; and finally (5) days or week-long heat waves, derived from external events, may reduce or extinguish fields in shallow areas. As an example of evidences that support these hypothesis, we can mention a study published by the Journal of Experimental Marine Biology and Ecology by Ricardo Coutinho and Ulrich Seeliger, that, in 1984, observed that the species R. maritima , although tolerant with eutrophicated conditions, was shadowed by epiphytes and macroalgae that grew due to an excess of nutrients in the water. Those organisms tangle in this seagrass species, causing reduction on its photosynthetic rates and increasing their drag, facilitating their detachment when subjected to waves and currents. Another example is the study published in the Marine Ecology by Frederick T. Short and collaborators, that in 2006 observed the reduction of H. hrightii through the movement of sediment, caused by stronger and more frequent storms, which buried the fields of seagrass. Therefore, as mentioned by other authors, we can consider seagrass as the canaries of the sea, important in diagnosing the environment's health in response to global climate change. Certainly, the loss of these ecosystems will bring not only economic loss, but also the loss of biodiversity, a factor that is much more valuable and difficult to measure. To know more: COPERTINO, M.S.; CREED, J.C.; MAGALHÃES, K.M.; BARROS, K.V.S.; LANARI, M.O.; ARÉVALO, P.R.; HORTA, P.A. (2015). Monitoramento dos fundos vegetados submersos (pradarias submersas). IN: TURRA, A.; DENADAI, M. R.. Protocolos de campo para o monitoramento de habitats bentônicos costeiros - ReBentos, cap. 2, p. 17-47. São Paulo: Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Disponível em: < http://www.producao.usp.br/handle/BDPI/48874 >. Acesso em: 04 nov. 2015. MARQUES, L. V.; CREED, J. C.(2008). Biologia e ecologia das fanerógamas marinhas do Brasil. Oecologia Brasiliensis, v. 12, n. 2, p. 315 - 331. MCKENZIE, L.(2008). Seagrass Educators Handbook. Cairns: Seagrass Watch-HQ. Disponível em: < http://www.seagrasswatch.org/Info_centre/education/Seagrass_Educators_Handbook.pdf >. Acesso em: 30 out. 2015. MCKENZIE, L (2009). Coastal Canaries. Seagrass Watch, v.39, p. 2-4. Disponível em: < http://www.seagrasswatch.org/seagrass.html> . Acesso em: 03 nov. 2015. About the authors: Juliana Imenis Barradas, CCNH-UFABC, PhD student in the postgraduate program in Evolution and Diversity, biologist, Master in Zoology (UFPB). juliana.imenis@ufabc.edu.br, http://lattes.cnpq.br/4843331968538355 Larissa de Araujo Kawabe, CCNH-UFABC, master graduate student of in the postgraduate program in Evolution and Diversity, biologist. http://lattes.cnpq.br/7133427266626274 Juliana Nascimento Silva, CECS-UFABC, undergrad in Environmental and Urban Engineering (UFABC). http://lattes.cnpq.br/5975285955317582 Paula Keshia Rosa Silva, CCNH-UFABC, master graduate student of in the postgraduate program in Evolution and Diversity. http://lattes.cnpq.br/9557245804556650 Natalia Pirani Ghilardi-Lopes, CCNH-UFABC, Adjunct Professor, Biologist, Assistant Professor, Biologist, holds a doctorate in Botanic (USP). http://lattes.cnpq.br/8457066927181345 Otto Müller Patrão de Oliveira, CCNH-UFABC, Adjunct Professor, Biologist, holds a doctorate in Zoology (USP), http://lattes.cnpq.br/7304237172635774 #julianaimenis #juliananascimento #larissadearaujo #nataliapirani #ottomuller #paulakeshia #invited #joanaho #marinescience #seagrass #chat #chatkatyannemshoemaker
- O mundo empresarial e acadêmico – como os dois estão relacionados na Oceanografia?
Por Davi Mignac Ilustração: Joana Ho Desde que comecei a graduação em Oceanografia, sempre tive um desejo imenso de desenvolver tecnologias e produtos voltados para atender demandas da sociedade. Entender a motivação do meu trabalho e a contribuição que ele poderia fornecer para setores específicos da sociedade foi a força motriz para me especializar em uma área chamada Oceanografia Operacional, focando particularmente na produção de previsões oceânicas na costa do Brasil e na sua importância para os setores de navegação e exploração offshore . Quando era criança, brincava que eu era o homem do tempo, e apenas olhando para o céu, dizia se iria chover nos próximos dias. Na universidade, relembrando esses tempos, dava risada sobre tamanha ingenuidade, mas começava a me perguntar: como produzir previsões de tempo mais precisas? Por que a previsão oceânica não é tão difundida como a previsão de tempo, e qual a importância dela para setores de navegação e para a indústria? Naquele momento, a universidade era minha “casa” e comecei a criar o espírito empreendedor ali mesmo, ao propor desenvolver um código de computador que melhorava a qualidade das previsões oceânicas geradas para a Petrobras, a qual financia o projeto da Rede de Modelagem e Observação Oceanográfica (REMO). A REMO é um grupo de pesquisa existente na Marinha do Brasil e em algumas universidades, incluindo a Universidade Federal da Bahia (UFBA), na qual me graduei. No meu mestrado na UFBA, continuei a aperfeiçoar esse código, fiz diversas viagens à trabalho para Marinha do Brasil e para fora do país, incluindo EUA, Europa e até mesmo para China. A REMO abriu minha cabeça para algo chamado inovação, que sim, está presente na universidade e é obrigação no mundo empreendedor. Comecei a circular em um ambiente empresarial, quando durante o mestrado, me tornei consultor da empresa Advanced Subsea, pois eles queriam desenvolver um sistema de visualização de previsões do estado da mar nas bacias petrolíferas brasileiras. Opa, naquele momento percebia que tinha empresas interessadas naquele universo da Oceanografia Operacional. Isso significa que então existia mercado para aquilo, e que pessoas estavam dispostas a pagar por um produto como esse. Então pensei “que maravilha, eu entendo disso, agora só falta abrir uma empresa”. Terminei meu mestrado, comecei a trabalhar na REMO por um tempo, e surfando uma tarde com amigos do curso, inclusive com dois que já tinham uma empresa de oceanografia,a Preamar Gestão Costeira , começamos a maturar um sistema de risco das operações portuárias com base em previsões hiperlocais das condições de mar e tempo. Não deu outra, abrimos uma empresa, agora a Preamar Soluções em Modelagem. Ficamos todos empolgados com a ideia, e então entramos nesse universo da start-up , um verdadeiro gatilho nas nossas vidas empreendedoras. A start-up respira inovação no seu dia a dia, e para ter sucesso, é preciso acreditar, ser criativo, ter ideias e saber moldar seu produto ao mercado. É preciso validar sua ideia com os clientes, é preciso saber se relacionar com pessoas, é preciso saber negociar, é preciso saber precificar, é preciso se acostumar com a resposta “não”, é preciso saber montar uma equipe de profissionais e zelar por ela, é preciso ter estratégia e frieza, é preciso criar uma cultura sólida e transmitir isso ao seu redor, é preciso ser fanático, um verdadeiro “workaholic” - no meu caso mesclado com doses de surf e diversão, claro. Começar a respirar esse mundo foi e ainda é uma experiência sensacional, quanto aprendizado! “Nunca teria enxergado esse mundo se tivesse me fechado completamente na academia”, penso eu agora. Então penso novamente, “deixe de ser ingrato Davi, pois não foi a academia que ajudou a abrir sua cabeça para a inovação? Que fomentou sua busca por coisas novas? Por conhecimento?” Esses dois mundos tem suas peculiaridades, mas são unidos por algo que move o universo das tecnologias: a busca pelo novo, o ritmo de constante aprendizado e o desejo de estar na fronteira do conhecimento. Para inovar, é preciso conhecer primeiro. E com essa mentalidade, aqui estou eu fazendo meu doutorado na Universidade de Reading na Inglaterra, longe fisicamente da minha terrinha, mas virtualmente conectado com a minha empresa, oras. Reuniões quase todos os dias, planejamento, desenvolvimento, programação, código. Numa start-up , o sócio faz tudo, o famoso “severino quebra-galho”, mas cada um tem suas prioridades, pois para a engrenagem girar, alguém tem que ficar responsável pela área de desenvolvimento, outro pela área administrativa e financeira, outro pela área de prospecção e relacionamento com clientes, e por aí vai. Vim para o doutorado porque acho que posso aprender mais e com isso contribuir para a empresa da qual faço parte. Posso conhecer o mercado aqui fora também, posso estabelecer contato e parcerias com universidades/instituições de fora. Porque eu acredito que universidades e empresas podem caminhar juntas. E no momento que eu terminar o meu doutorado (mais 1 ano e meio pela frente), devo me afastar da academia no meu dia a dia, mas minha filosofia irá continuar, de que deve existir uma parceria saudável entre universidade e empresa, com ambos se beneficiando dessa simbiose, e girando em torno de um objetivo comum: inovar e revolucionar as maneiras de enxergar processos e conceitos atualmente existentes. E rapaz, como você segura essa onda de doutorado e empresa? Porque como eu falei acima, eu sou fanático pelo que eu faço, e o sacrifício de hoje é a recompensa que virá no amanhã. Com calma, focado no dia a dia, mas pensando longe. E foi através da minha vivência na academia e na empresa que construí essa visão de trabalho, e do que quero para o meu futuro! Sobre Davi Mignac: Oceanógrafo, doutorando em Meteorologia pela Universidade de Reading e COO da Preamar Soluções em Modelagem. Fanático pela inovação e pelo mundo das tecnologias. Acredita que a Oceanografia e Meteorologia são áreas de empreendedorismo bem promissoras, e aposta todas suas fichas por aí. A inspiração vem do surf , que como seu trabalho, tem ligação com o oceano. Sempre disposto a aprender, vive seu sonho de um dia se tornar um empreendedor bem sucedido, mas sem nunca esquecer suas raízes acadêmicas. #oceanografia #oceanografiaoperacional #preamar #remo #startup #vidadecientista #DaviMignac #convidados #joanaho












