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  • Por que achamos que os tubarões são maus?

    Por Raquel Lubambo Ostrovski Você tem medo de tubarões? A maioria das pessoas responde “Sim”. Mas então eu pergunto: “Você já viu um tubarão de perto?” A maioria das pessoas responde “Não”. Mas como ter medo de algo que você nunca presenciou? Continue lendo que eu vou te explicar. Atualmente, temos passado muitas horas do nosso dia em contato com as mídias, sejam elas os tradicionais programas de televisão ou também o Facebook, o Instagram, e até mesmo lendo esse texto on-line. A informação chega até nós rapidamente e o tempo todo. Mas será que tudo o que é compartilhado pela mídia pode ser considerado representativo da realidade? Ou será que algumas das coisas que lemos e vemos são romantizadas e dramatizadas, constituindo um tipo de “marketing” voltado apenas para o entretenimento? É isso que acontece com muita informação envolvendo animais selvagens, principalmente aqueles que têm “cara de mau”. Como a natureza não “fala por si”, cabe a nós cientistas mostrarmos como ela realmente é, porque o papel de cada ser vivo é muitas vezes é distorcido pela falta de informação. Tubarão Branco ( Carcharodon carcharias ) nadando tranquilamente em seu habitat natural. (Fonte: foto por Flickr, link ) Desde criança sou apaixonada por tubarões, e consequentemente ouvia muito: “nossa, não poderia escolher um animal com menos dentes?”. Ouvia também “você ainda vai perder uma perna”, entre outros comentários negativos. Sempre assisti filmes, documentários e notícias sobre esses animais, e notava que a maioria passava uma imagem bem negativa desses peixes cartilaginosos, como se eles fossem algum tipo de “máquina mortífera”. Nunca liguei muito para isso, pois sempre reconheci a importância dos tubarões para os ecossistemas marinhos. Como predadores no topo da cadeia alimentar, os tubarões acabam sendo responsáveis por manter os ecossistemas saudáveis. Por exemplo, entre caçar um peixe saudável e forte ou caçar um que esteja doente e fraco, adivinha qual é a presa preferida? Acertou quem disse o doente e fraco! Dessa forma, os tubarões economizam energia na caçada e ao mesmo tempo evitam a proliferação de doenças entre os organismos. Além disso, os tubarões também fazem um controle populacional dos peixes; imagine o que aconteceria se eles sumissem! E foi isso que me instigou a pesquisar mais sobre como a mídia pode influenciar a percepção das pessoas, neste caso, os tubarões . Há décadas muitos pesquisadores vêm estudando a influência da mídia sobre nossa mente, e já é sabido como ela pode nos manipular. Os documentários de tubarões, narrativas com foco nos ataques a outros animais, com músicas de filmes de terror ao fundo, ou notícias de ataques a humanos, dando detalhes do “estrago” feito pelo tubarão, gera muita repercussão e contribuem para criar um imaginário popular do animal como uma máquina mortífera, extremamente violenta e que caça seres humanos. Você provavelmente já viu o filme “Tubarão” de Steven Spielberg e treme só de pensar na música-tema. Uma pesquisa recente mostrou que antes do filme, ninguém nem imaginava que esse animal atacava humanos; entretanto, depois do filme, o medo foi tão concretizado na mente das pessoas, que elas começaram a sair para caçar todos os tubarões que pudessem. Isso acabou causando uma diminuição nas populações desses animais em grande parte dos ambientes marinhos, deixando muitas espécies em algum grau de ameaça de extinção. Por outro lado, comunidades tradicionais litorâneas, que mantinham um convívio diário e saudável com os mesmos, não tinham nenhum medo. Capa do famoso filme “Tubarão” de Steven Spielberg, em 1975. (Fonte: foto por Flickr, link ) Assim, meu trabalho teve o objetivo de mostrar como as mídias podem influenciar a percepção das pessoas sobre os tubarões, e se isso pode ter impactos na sua conservação. Utilizando um questionário on-line, entrevistei cerca de 350 pessoas de diversas idades, níveis de escolaridade, localizações na cidade do Rio de Janeiro e, principalmente, com as mais diversas opiniões. No questionário, perguntei quais filmes/documentários/outras mídias o entrevistado já tinha visto e, com as respostas, comparei para determinar se havia uma relação entre os fatores analisados. A maioria das pessoas nunca viu um tubarão pessoalmente, mas gostaria de ver. E quase todos, apesar de terem medo do animal, também têm uma boa noção de como é necessário preservá-los. Além disso, depois de algumas análises estatísticas, foi constatado que quanto mais as pessoas assistem mídias com conteúdo mais positivo, ou seja, que passam imagens do animal em seu ambiente natural, e não apenas como máquina mortífera, menos medo elas sentem. Do mesmo modo, quanto mais mídias com conteúdo negativo as pessoas vêem também há menos medo. Apesar de ser um resultado confuso, ele pode ser explicado pelo fato da pessoa, que tem pouco ou não tem medo de tubarões, procurar mais mídias em que esse animal aparece pela simples diversão, curiosidade, instrução ou prazer de assistir, como eu mesma faço. Pessoas que tem muito medo costumam evitar esses tipos de mídias. Por fim, foi pedido às pessoas para explicarem o porquê de seu medo de tubarões, e a partir das respostas foram construídas as duas imagens abaixo. As figuras mostram as palavras mais citadas nas respostas, em tamanho proporcional à sua ocorrência: a figura em vermelho foi construída reunindo as frases das pessoas com mais medo (6 a 10) e a figura em azul com as respostas das pessoas menos medo (0-5). O resultado foi surpreendente! É facilmente perceptível que no vermelho (medo maior: 6-10) as pessoas têm uma visão desse animal relacionada a um monstro matador, com a prevalência de palavras como “medo”, “predador”, “ataque” e “filme”, confirmando nossa hipótese sobre a influência da mídia na percepção sobre o animal. Já na figura azul (medo menor: 0-5) as palavras têm significado mais ameno, mostrando que as pessoas que têm menos medo não são tão influenciadas pela mídia (palavras como "ataques raros" e a ausência de palavras relacionando as mídias, como “filme”) e até reconhecem sua importância ecológica (palavras como "respeito") e sua possibilidade de extinção global (palavras como "ameaçado"). Word Cloud da escala de medo 6-10, muito medo. Word Cloud da escala de medo 0-5, pouco medo. Apesar dos resultados dessa pesquisa, não devemos desconsiderar o poder de ataque dos tubarões. Não significa que devemos ignorar as placas de aviso de ataques e correr para o mar, nos expondo a um risco desnecessário. Em alguns locais, devido aos desequilíbrios ecológicos e outros fatores ambientais, há sim sérios riscos de ataques de tubarões a banhistas e surfistas, como na Praia de Boa Viagem, em Recife (Pernambuco). Os resultados aqui expostos servem de alerta para olharmos as informações da mídia com cautela e visão crítica, para não acreditarmos em todas as informações que chegam a nós, porque elas podem ser exageradas ou tendenciosas. Estudar esses animais e protegê-los de alguma forma é a minha missão neste mundo. Não devemos temer a eles, e sim compreender a sua importância para o ambiente marinho. Espero que, daqui pra frente, veja com olhar mais crítico toda a informação sobre tubarões que chegar até você, a fim de saber distinguir o que é importante sobre a realidade do animal e o que é apenas marketing negativo e entretenimento. E que você passe essa ideia adiante, para que o mundo conheça e valorize esses gigantes donos do mar. Tubarões são de extrema importância ecológica, como já mencionei no início do texto, para controle de populações e de disseminação de doenças no ambiente marinho. São passivos no geral e ativos para caça e defesa; se alimentam principalmente de peixes, lulas, raias e crustáceos. Os ataques de tubarões são eventos extremamente raros em escala mundial, calculado em aproximadamente 15 casos por ano, e todos decorrentes de regiões com alguma modificação antrópica que prejudicou a cadeia alimentar local. Já estive na presença de tubarões e inclusive já mergulhei com eles na África do Sul. Eles eram o animais tranquilos que não me fizeram mal algum. Entretanto, não é recomendável que você se aproxime, pois como são animais selvagens, são muito imprevisíveis. Isso significa que você não tem como saber se representa uma ameaça ou não, então é melhor deixá-los em paz. Sempre que estiver em um local com alertas de ataques, como em algumas praias sinalizadas com placas, apenas evite entrar na água. Você não se machuca e eles não se estressam. ... Os resultados que encontrei neste trabalho foram publicados em: https://ethnobioconservation.com/index.php/ebc/article/view/426 ... --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Sobre a autora: Raquel é estudante de Ciências Biológicas da PUC-Rio, que trabalha em um laboratório sobre ecologia marinha e biotecnologia pesqueira da UFRJ e atualmente estuda populações de tubarões no estado do Rio de Janeiro e os impactos da pesca sobre a teia trófica do mesmo. É apaixonada por trabalhos envolvendo Etnobiologia, porque adora interagir com as pessoas e compartilhar de seus conhecimentos, além de estar em campo e perto do mar, o melhor lugar para ela. Instagram: @raquelubambo E-mail para contato: raquelubambo@gmail.com #tubarão #conservação #divulgaçãocientífica #mídia #ciênciasdomar #entretenimento #convidados

  • Primary producer dynamics and deep convective overturn in the Mediterranean Sea

    A 3D high resolution approach By Fayçal Kessouri Edited by Katyanne M. Shoemaker My work focuses on modeling plankton ecosystems using a physical-biogeochemical coupled model. This kind of modeling is a 3D virtual representation of the main constituents of the lowest trophic level of a marine ecosystem. It includes plankton, bacteria, and the nutrients that support them under realistic hydrological conditions and atmospheric forcing. The biogeochemical model I use shows the impact of current dynamics on the nutrients that support the marine plankton including nitrate, phosphate, and silicate. How are they distributed in the ocean? How are they consumed? Who consumes them? The biogeochemical model shows only a part of the complex feedbacks between different components of the ecosystem. Some examples are as follows and are shown in figure 1 below: inorganic matter feeds the phytoplankton when certain abiotic conditions are available (enough light, stratified ocean layer), phytoplankton feed zooplankton, both of them produce organic matter. Organic matter is mineralized to inorganic matter, which then feed bacteria, which release dissolved inorganic and organic matter, and the cycle continues. Marine plankton are the foundation of all marine life. They influence fisheries, the world economy, and world health, and they have an important role of maintaining biodiversity. Plankton are composed of: 1- The phytoplankton: which contain the largest mass of marine plants in the world. Some estimates show that marine vegetation produces more than half of the oxygen we breathe on Earth. 2- The zooplankton: which feed on phytoplankton (see also Catarina’s post ). They represent the largest diurnal animal migration in the world. 3- The bacterioplankton and virioplankton: making up the largest biomass on the planet, prokaryotes and viruses are often a forgotten aspect of classic marine food webs. The Mediterranean Sea lies between three continents (Europe, Africa and Asia) and therefore undergoes physical pressures from river discharge and atmospheric deposits of inorganic and organic matter, which has two levels of impacts: (1) overall balance of organic and inorganic matter in the whole sea, (2) eutrophication of coastal waters. One of our most important findings using this modeling is the quantification of all imports and exports of matter during the last ten years between the Mediterranean and the surrounding environments (continents and Atlantic Ocean). We have estimated that the Mediterranean enriches the Atlantic by more than 140 X 109 moles of nitrogen every year through the Strait of Gibraltar. The Mediterranean Sea has a common feature with the North Atlantic Ocean and the Antarctic Ocean: deep convection zones. In the Mediterranean, intense mixing is observed almost every winter for two months. Imagine a drop of water moving from the bottom of the Mediterranean at a depth of 2300 m and rising to the surface in a single day. This convective overturn from the gradients created by exchanges in surface heat and freshwater fluxes is the engine of global oceanic thermohaline circulation. This density-gradient driven circulation is estimated to be on the timescale of 70 years in the Mediterranean and 1000 years in the world ocean. The deep-water masses contain high concentrations of nutrients, which are propagated to the surface during the deep mixing events. When the mixing stops at the end of winter, some of these nutrients are trapped in the surface waters, and a huge plankton bloom occurs over an area of 5 000 to 20 000 km2 (figure 2). Phytoplankton blooms can be so large, many can be observed and estimated from space by Satellites, and are thus well modeled. The phytoplankton bloom takes directly above the site of deep convection, which is referred to as the northern gyre of the NW Mediterranean Sea. They gyre is surrounded by strong cyclonic currents (counterclockwise in the Northern hemisphere). About Fayçal Kessouri: I am currently a postdoc in the Ocean and Atmospheric department at the University of California in Los Angeles, CA, USA, and my Ph.D. was developed at Toulouse University in France ( Laboratoire d’Aerologie) . My field of work is oceanic biogeochemistry and 3D modeling of plankton ecosystems, especially oceanic physical forcing. I worked on the deep convection of the Mediterranean Sea impact on the plankton ecosystem, and currently I am working on the upwelling of the California Current System and its impact on acidification and hypoxia of the western US coast. My desire to get training in numerical modeling motivated me to work with a team of physicists to acquire a more integrated vision of ecosystem functioning and impacts. It has helped me to study dynamic processes such as the deep convection that has always fascinated me. I am convinced that modeling is the perfect tool to complement the networks of observations currently being made, especially if one wants to study different time and space scales. #fayçalkessouri #marinescience #modeling #plankton #invited #chat

  • For plankton, size matters

    By  Catarina R. Marcolin Edited by Katyanne M. Shoemaker Today, I want to discuss a subject that has fascinated me since I started my PhD. We are often asked “What is you PhD about?” and the general reaction of grad students is simply to avoid the subject or to just reproduce the title (some long and complicated name that nearly nobody, let alone ourselves sometimes, is able to understand). Or we simply say that it is too hard to explain with simple words. Notice how this sounds like we think too much of ourselves: we are very smart and outsiders will never be able to understand what took us so long to embrace. Well, that is exactly the kind of attitude that the grad student should avoid. This blog is designed to be a place where academia may connect with society. I had a beloved professor that used to say that every grad student should be able to explain his/her project to his/her grandmother, and only once we accomplish that, would we finally be confortable with the theory behind our research. So, I’ll try to do exactly that, a little late I confess since I have already finished my PhD. I’ll explain in a simple – but not simplistic – way the work I developed during my PhD. I am interested in plankton, more specifically, the zooplankton! No, I’m not referring to SpongeBob’s villain, but they are nonetheless, interesting creatures worth knowing a bit more about. Zooplankton are tiny aquatic critters, usually invisible to the naked eye. They are traditionally described as organisms that travel with the currents because they don’t have enough “strength” to swim against it, due to their small size. But that does not mean they are lazy guys. On the contrary, many of them are able to vertically migrate large distances through the water column, sometimes hundreds of meters, on a daily basis. Zooplankton are very important in marine food webs, and they are also fundamental to other important processes in the oceans (we can discuss that in another post). These organisms feed on phytoplankton (the photosynthetic plankton that are to the oceans, what the trees are to the Amazon Forest) and are eaten by fish, which are ultimately eaten by larger fish, marine mammals including whales, and even us humans. So you can imagine that if there are few plankton in the area, there will also be less fish and other organisms in higher trophic levels. This includes a limited supply of fish for us, which means less sushi, and I love Japanese food! If zooplankton are so important in mediating the transfer of biomass and energy from primary producers (phytoplankton) to higher trophic levels (fish, birds, whales, man) then we must understand these feeding relationships very deeply, don’t you agree? Well, one of the golden rules in the ocean is that organisms always (or almost always) feed on organisms that are smaller than themselves. That is why size matters when zooplankton choose the dinner menu. Many researchers have studied the flow of biomass and energy through the trophic levels. For example, it has been calculated how much of a “dinner” is actually absorbed by a zooplankton and how much is left to the fish, birds and whales that feed on the same guy. This information can potentially explain a lot of things about the oceans. peixes, aves e baleias que se alimentam desse mesmo plâncton. E essa informação aparentemente tão simples tem potencial explicar um monte de coisas sobre nossos oceanos. But how? Well, if you measure the size of organisms, calculate their weights, and plot this information in a graph, such as the one in this page, you will notice that there is always more biomass accumulated in the small organisms than in the bigger ones. By accumulated biomass I mean the biomass of all organisms in that particular size range. What does that mean? It means that to satisfy the hunger of one big guy, it is necessary to have a whole bunch of small guys. You must remember there is energy loss in every “meal” because total nutrition is never absorbed with everything that we, or any other organisms, eat. Based on these facts, the biomass size spectra theory was developed. This theory relates the shape of the biomass distribution through size classes (and also the mathematical indices associated with it) with properties of the ecosystems. Personally, I think it is absolutely amazing how a simple mathematical index can be used to determine the energy transfer efficiency in an ecosystem, taking into account productivity, predator-prey interactions, and the number of trophic links in the oceans. My PhD was based on this theory with a scary name ( spectra tends to conjure images of ghosts, no?), but the theory is not as complex as it seems. To get my data, I collected zooplankton samples with a simple net (as seen in the photo) aboard several cruises. When back in the lab, all I had to do was to scan my samples with a waterproof scanner (the ZooScan), and very useful software automatically classified, counted, and measured the size of each organism. I also learned how to program in R and Matlab to analyze the enormous amount of data for me, because life is short and I have other hobbies in addition to science to dedicate myself to, such as this blog! The results I found for the coast of Ubatuba, Sao Paulo and Abrolhos Bank revealed that the mathematical indices associated with the biomass size spectra theory can be used to detect differences in the zooplankton community caused by seasons and local features (water column stratification, depth, proximity of the coast). That means these indices are useful for monitoring oceanic ecosystems because they are easily calculated – granted you have technology to help – and there is no need to identify species, which is usually a time-consuming task when we are talking about plankton. If you are interested in the subject, my PhD dissertation is available at this link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/21/21134/tde-12052014-173357/pt-br.php . #chatcatarinarmarcolin #marinescience #plankton #chat

  • Why algae are not plants

    By Gabrielle Souza Edited by Katyanne M. Shoemaker When we walk along the beach and see seaweed, we associate it with terrestrial plants. Afterall, scientific evidence strongly suggests that plants evolved from green algae in the Paleozoic Era. However, they are quite quite different in many ways. Algae, like terrestrial plants, are eukaryotic organisms (the cell has several organelles including a nucleus surrounded by a membrane) and photosynthetic autotrophs (produce their own food through photosynthesis).  The word algae comes from Latin and means "marine plant," but you must be aware that not all algae live in the water. Some live in terrestrial environments associated with fungi, in a mutually beneficial relationship, or symbiosis, forming so-called lichens. One thing is important to keep in mind: while the plants belong to a single Kingdom, the Plantae, the term "algae" encompasses many distinct taxonomic groups in the Kingdom Protista, including the Stramenopila (brown algae and diatoms), Rodophyta (red algae) and Chlorophyta (green algae) (Nybakken & Bertness, 2005).  Thus, due to the complexity and constant taxonomic changes of these organisms, we will not go into details of classification of this polyphyletic group (they do not share a common ancestor) called "algae," but we will focus on its general characteristics. Lichen on a rock. By: Wikipedia public domain. Algae have several forms of stuctural organization. They can be found in unicellular forms such as diatoms and dinoflagellates, or as multicellular filamentous forms. They can form colonies that are physically united, and their organization can be defined between amorphous colonies that do not have defined numbers of cells, or those that present complex organization in number of cells and defined forms. They can also take planktonic or benthic forms (learn more about these forms here ). The stalk may be divided into cells, or it may not and instead take a tubular shape (cenocytic). Among these various forms, it is common to hear the term “microalgae” when they are microscopic, and “macroalgae” when they are visible to the naked eye. Usually, the macroalgae are confused with plants. One of the main characteristics that differentiates macroalgae from plants is their structure. They may appear similar, but the macroalgae do not have specialized organs and tissues, and they are not vascularized. They also do not have the capacity to form a structure with flowers, leaves, roots or a stem. The multicellular algae just have a stalk to support its filaments. a) Multicellular algae, by Stef MaruchCC BY-SA 2.0 via Commons Wikimedia ; b) Unicellular algae (dinoflagellate), by Pxhere CC BY 2.0; c) Multicellular algae, by Ronile Pixabay ; d) Unicellular algae, by Prof. Gordon T. Taylor via Commons Wikimedia public domain. Now, what about underwater plants? Are all of those green things in the aquarium algae? No! An example of an aquatic plant is Elodea, a common waterweed which is widely used to decorate aquariums and artificial aquatic environments. This plant belongs to the group of Angiosperms, of the Kingdom Plantae.  This kingdom is comprised of vascular and avascular photosynthetic organisms, that is, with or without the presence of vessels that are responsible for the conduction of mineral salts and water. Vascularization is also responsible for the presence or absence of the reproductive parts; in the case of Angiosperms these reproductive parts generate flowers, leaves and fruit.  The leaves of the submerged aquatic plants are generally very thin and stubby, allowing them to support turbulence and oscillations of the water, without tearing. The leaves of the aquatic plants also have a permeable surface, which aids in internal circulation of the air. Elodea (scientific names: a) Egeria canadensis, by Frank Vincentz CC BY-SA 3.0 via Commons Wikimedia ; b) Egeria densa, by Par Lamiot com CC BY-SA 4.0 via Commons Wikimedia . References: NYBAKKEN, J.W. & BERTNESS, M. D. 2005. Marine Biology: an ecological approach (6º ed.) MIGOTTO, Alvaro E.. Dinoflagelado: fitoplâncton, dic, unicelular, planctônico, cebimar-usp. Cifonauta- Banco de Imagens de Biologia Marinha. Disponível em: < http://cifonauta.cebimar.usp.br/photo/11554/ >. Acesso em: 06 dez. 2016. LAS ALGAS EUCARIOTAS. Disponível em: < http://recursos.cnice.mec.es/biosfera/alumno/1bachillerato/organis/contenidos10.htm >. Acesso em: 06 dez. 2016. PATTERSON, David J.. Algae: Protists with Chloroplasts. Disponível em: < http://tolweb.org/accessory/Algae:_Protists_with_Chloroplasts?acc_id=52 >. Acesso em: 06 dez. 2016 AGUIAR, Celio. As Algas marinhas bentônicas. Projeto Ilhas do Rio. Disponível em: < http://maradentro.org.br/ilhasrj/livro/as-algas-marinhas-bentonicas >. Acesso em: 06 dez. 2016. SIENA, Ádamo. Elódea: Alga? Não! Planta aquática. Disponível em: < http://ead.hemocentro.fmrp.usp.br/joomla/index.php/publicacoes/ciencia-em-foco/210-elodea-alga-nao-planta-aquatica >. Acesso em: 06 dez. 2016. AOYAMA, Elisa Mitsuko; MAZZONI-VIVEIROS, Solange Cristina. ADAPTAÇÕES ESTRUTURAIS DAS PLANTAS AO AMBIENTE. 2006. 17 f. Tese (Doutorado) - Curso de Programa de Pós Graduação em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente, Instituto de BotÂnica – Ibt, São Paulo, 2006. Disponível em: < http://www.biodiversidade.pgibt.ibot.sp.gov.br/Web/pdf/Adaptacoes_estruturais_das_Plantas_ao_Ambiente_Elisa_Aoyama.pdf> . Acesso em: 16 dez. 2016. #algae #plants #science #scienceofthesea #chatgabriellesouza #chat #chatkatyannemshoemaker

  • Por que alga não é planta, por que planta não é alga?

    Por Gabrielle Souza Quando estamos na praia e vemos uma alga, logo associamos este organismo às plantas terrestres, visto que existem evidências científicas que sugerem fortemente que as plantas evoluíram das algas verdes no período paleozóico. Porém algumas de suas características são bem diferentes. As algas, assim como as plantas terrestres, são organismos eucariontes (ou seja, a célula possui núcleo e este possui uma membrana e várias organelas) e autótrofos (produzem o próprio alimento) fotossintetizantes. A palavra alga vem do latim e significa “planta marinha”, mas se ligue: nem toda alga vive na água. Elas podem viver em ambientes terrestres associadas à fungos, em uma relação mutuamente benéfica chamada simbiose, formando os chamados liquens. Uma coisa é importante ter em mente, enquanto as plantas pertencem a um único Reino, o Plantae, o termo “alga” engloba distintos grupos taxonômicos, como por exemplo, os Reinos Stramenopila (algas marrons e diatomáceas), Rodophyta (algas vermelhas) e Chlorophyta (algas verdes) (Nybakken & Bertness, 2005). Assim, devido a complexidade e constantes mudanças taxonômicas destes organismos, não entraremos em detalhes nas formas de classificação desse grupo polifilético (que não possui um ancestral comum) chamado “alga” e sim focaremos em suas características gerais. Líquen sobre uma rocha em Ardrossan North Beach, Escócia ( Fonte : Wikipedia em domínio público). As algas possuem diversas formas de organização. Podem ser encontradas nas formas unicelulares como por exemplo as algas verdes e os dinoflagelados e pluricelulares que se organizam de forma filamentosa. Podem formar colônias que são unidas fisicamente e sua organização pode ser definida entre colônias amorfas que não possuem número definido de células, ou as que apresentam organização complexa em número de células e formas definidas. Podem ainda assumir formas planctônicas ou bentônicas (saiba mais sobre essas formas neste link ) e cenocíticas onde o talo não está dividido em células e possui uma forma tubular. Dentre essas diversas formas, é comum escutarmos os termos microalgas, quando são algas microscópicas, e macroalgas, quando são visíveis a olho nu. E são, comumente, as macroalgas que são confundidas com plantas. Uma das principais características que diferenciam as macroalgas das plantas é a sua estrutura. Visivelmente elas são parecidas, mas as macroalgas não possuem órgãos e tecidos especializados e não são vascularizadas, bem como não possuem capacidade de formar uma estrutura com flor, folhas, raiz e caule. No caso das algas multicelulares sua estrutura diferenciada é um talo utilizado para sustentação dos seus filamentos. a) Alga pluricelular Fonte: Stef Maruch com CC BY-SA 2.0 via Commons Wikimedia b) Alga unicelular (dinoflagelado) Fonte: Pxhere com CC BY 2.0; c) Alga pluricelular Fonte: Ronile por Pixabay ; d) Alga unicelular Fonte: Prof. Gordon T. Taylor em domínio públio via Commons Wikimedia . Outra diferenciação está na estrutura celular. As algas verdes unicelulares, por exemplo, estão classificadas no reino protista. Os flagelos, que são estruturas utilizadas para facilitação da movimentação, presente em alguns protistas como dinoflagelados, não se encontram nas plantas. Agora, existem plantas embaixo d’água? Todas as que estão nos aquários, são algas? Um exemplo de planta aquática é a Elódea, que é muito utilizada para ornamentar aquários e ambientes aquáticos artificiais. Esta planta é do grupo das Angiospermas e pertencente ao Reino Plantae. Este reino abrange organismos fotossintetizantes vasculares e avasculares, ou seja, com presença ou não dos vasos que são responsáveis pela condução de sais minerais e água, e ausência ou não das partes reprodutivas; no caso das Angiospermas essas partes reprodutivas geram flores, folhas e frutos. A Elódea tem características evolutivas que permitiram a sua adaptação ao ambiente aquático. Segundo Scremin-Dias (1999) as folhas das plantas aquáticas submersas são geralmente muito finas e recortadas características que permitem que as elas suportem turbulências e oscilações da água, evitando a dilaceração. As folhas das plantas aquáticas apresentam também  muitos espaços aeríferos que, além de possuírem superfície permeável ao líquido que circunda a planta, auxiliam na sustentação e circulação interna do ar. Elódea. Nome científico: a) Egeria canadensis Fonte: Frank Vincentz com CC BY-SA 3.0 via Commons Wikimedia , b) Egeria densa Par Lamiot com CC BY-SA 4.0 via Commons Wikimedia ) Posts relacionados: Aquele mato chamado marisma Um mar de algas Algas flutuantes: o meio de transporte dos invertebrados marinhos Referências: NYBAKKEN, J.W. & BERTNESS, M. D. 2005. Marine Biology: an ecological approach (6º ed.) MIGOTTO, Alvaro E.. Dinoflagelado: fitoplâncton, dic, unicelular, planctônico, cebimar-usp. Cifonauta- Banco de Imagens de Biologia Marinha. Disponível em: < http://cifonauta.cebimar.usp.br/ photo/11554/ > Acesso em: 06 dez. 2016. LAS ALGAS EUCARIOTAS. Disponível em: < http://recursos.cnice.mec.es/biosfera/alumno/1bachillerato/organis/contenidos10.htm > Acesso em: 06 dez. 2016. PATTERSON, David J.. Algae: Protists with Chloroplasts. Disponível em: < http://tolweb.org/accessory/ Algae:_Protists_with_ Chloroplasts?acc_id=52 > Acesso em: 06 dez. 2016 AGUIAR, Celio. As Algas marinhas bentônicas. Projeto Ilhas do Rio. Disponível em: < http://maradentro.org.br/ilhasrj/livro/as-algas-marinhas-bentonicas > Acesso em: 06 dez. 2016. SIENA, Ádamo. Elódea: Alga? Não! Planta aquática. Disponível em: < http://ead.hemocentro.fmrp.usp.br/joomla/index.php/publicacoes/ciencia-em-foco/210-elodea-alga-nao-planta-aquatica >. Acesso em: 06 dez. 2016. AOYAMA, Elisa Mitsuko; MAZZONI-VIVEIROS, Solange Cristina. ADAPTAÇÕES ESTRUTURAIS DAS PLANTAS AO AMBIENTE. 2006. 17 f. Tese (Doutorado) - Curso de Programa de Pós Graduação em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente, Instituto de BotÂnica – Ibt, São Paulo, 2006. Disponível em: < http://www.biodiversidade.pgibt.ibot.sp.gov.br/Web/pdf/Adaptacoes_estruturais_das_Plantas_ao_Ambiente_Elisa_Aoyama.pdf >. Acesso em: 16 dez. 2016. #algas #plantas #descomplicando #dinoflagelados #gabriellesouza #protistas

  • Descarte de pesca

    Por Heloisa De Cia Caixeta Fonte: Steven Fruitsmaak, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons A primeira vez que ouvi o termo “ descartes da pesca ” logo veio à minha mente um monte de lixo no mar. Quem poderia imaginar que, na realidade, esses descartes são compostos por diversos seres vivos? Pois é, uma parte dos organismos marinhos pescados é “jogada fora”. Mas antes de entender o que são estes descartes e porque eles ocorrem, é preciso entender como as pescarias funcionam. Cada pescaria utiliza ferramentas específicas para capturar a espécie de interesse, denominada espécie-alvo. Por exemplo, o arrasto de fundo é utilizado pelas frotas direcionadas aos camarões, visto que eles são organismos que vivem associados ao fundo (bentônicos). Esta arte de pesca é composta por uma rede que é arrastada pelo fundo capturando o que estiver no caminho, independente de ser a espécie-alvo ou não. Veja bem, quando arrastamos uma rede ou instalamos uma rede de espera no ambiente não conseguimos controlar os organismos que entram em contato com o equipamento. Mesmo que tenhamos o conhecimento dos locais de ocorrência da espécie-alvo, é muito difícil não capturar também as demais espécies que compartilham o mesmo habitat.. Neste contexto surge o termo fauna acompanhante , que são indivíduos pescados junto ao recurso alvo. Ela pode ser composta por peixes, crustáceos (ex: siri), elasmobrânquios (ex: tubarões e raias), mamíferos aquáticos (ex: golfinhos), tartarugas e até mesmo aves. Parte dessa fauna acompanhante é composta por espécies que apresentam interesse comercial sendo, desta forma, aproveitadas. No entanto, outra parte desses organismos não serão aproveitados e acabam descartados no mar. Este descarte pode ocorrer porque as espécies não apresentam interesse comercial e, assim, não é economicamente viável levar a captura para a terra, ou por questões legais, como estar na lista de espécies proibidas de serem capturadas ou por estarem fora da cota e tamanho mínimo permitidos para serem pescadas. A chance de sobrevivência destes organismos quando devolvidos ao mar é mínima, visto que passam pelo estresse da captura e, muitas vezes, este processo de seleção entre “aproveitado” e “descartado” é demorado. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) , entre 2010 e 2014 os descartes globais da pesca foram em torno de 9,1 milhões de toneladas. Isto equivale a aproximadamente 2 milhões de orcas, ou 1,5 milhões de elefantes da savana. No Brasil, os dados de captura pesqueira são obtidos no momento do desembarque. Portanto, os descartes (que ocorrem ainda a bordo) não são contabilizados na estatística pesqueira oficial, tornando-se capturas não reportadas . Mas, diversos pesquisadores têm direcionado esforços para conhecer a composição e estimar os volumes destes descartes. E foi dentro deste contexto que, em 2017, eu iniciei uma iniciação científica no Centro de Pesquisa do Pescado Marinho - Instituto de Pesca dentro do projeto “Capturas não Reportadas”. Neste projeto, a partir de uma parceria com os pescadores, conseguimos amostras do que seria descartado, gerando dados sobre composição, aspectos biológicos e estimativa destes descartes. Da esquerda pra direita: Amostras de descartes de pesca; Heloísa na companhia dos parceiros de laboratório Isabela Acorsi e Kaique Tavano identificando amostras; Heloisa apresentando resultados no XVIII Congresso Latinoamericano de Ciencias del Mar ( Fotos por Heloisa de Cia Caixeta com licença CC BY SA 4.0). O descarte de pescados implica na remoção de indivíduos do meio ambiente em números muito maiores do que o conhecido, fazendo que uma parcela significativa de informação seja desprezada. Os dados de captura são extremamente importantes para avaliar o estado de exploração dos recursos pesqueiros. Essa lacuna de informação é ainda mais preocupante quando espécies exploradas comercialmente também são descartadas, como ocorre com as pescadas ( Cynoscion guatucupa e Cynoscion jamaicensis ) e a corvina ( Micropogonias furnieri ), que estão entre as principais espécies comerciais do sudeste do Brasil. O problema não é só a perda de informação. São seres vivos retirados do ambiente sem nenhuma finalidade. A retirada indiscriminada de organismos do ambiente, afeta também a riqueza de espécies, o tamanho das populações e até mesmo processos, como o de reprodução por exemplo. Temos uma grande quantidade de proteína, que poderia ser utilizada na alimentação humana, desprezada nesse processo. Além disso, grande parte do esforço empregado na atividade é desprezado, seja a quantidade de horas de operação da frota ou até mesmo o desperdício de combustível utilizado. Mas não precisa desanimar, porque nem tudo está perdido! Existem diversas medidas para reduzir e até eliminar os descartes. A melhoria nas tecnologias de pesca, controle do esforço (horas de pesca, tamanho da rede, quantidade de operações, entre outros), determinar áreas próprias para pesca e obrigação do desembarque do que seria descartado são alguns exemplos. Para que possamos chegar à sustentabilidade e consequentemente aproveitar melhor os recursos pesqueiros, o descarte da fauna acompanhante é um problema que deve ser tratado com urgência, a fim de conservar as populações dessas espécies, e assim suprir as demandas ecológicas e de consumo das próximas gerações. Sobre a autora: Nascida na Mooca, um dos tradicionais bairros de São Paulo. Atualmente reside em Santos. Estudante de Ciências do Mar pela Universidade Federal de São Paulo. Dedica-se desde o primeiro ano de graduação a pesquisas relacionadas à biologia pesqueira. Foi estagiária no Instituto de Pesca pelo projeto “Capturas não Reportadas” e atua como colaboradora do projeto “Deep Ocean”, realizado pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Compartilha o amor pelo oceano. Atua na luta feminista, ambientalista e pela educação como um direito universal. #Convidados #Descomplicando #CapturasNãoReportadas #Pescado #Pesca #DescartesDaPesca #FaunaAcompanhante

  • DO MAR AO AR: microplásticos em aves marinhas e costeiras

    Por Júlia Jacoby de Souza Todo mundo já viu alguma consequência do plástico no mar, não? Desde lixo na praia até interações com animais marinhos. Mas, e os microplásticos, que quase não enxergamos, como eles afetam a fauna marinha? Microplásticos são partículas pequenas, menores que 5 milímetros, que podem ser fabricadas nesse tamanho, como os pellets (bolinhas de plástico virgem) e microesferas de cosméticos, ou podem se originar da degradação de plásticos maiores (embalagens, objetos plásticos variados, tecidos sintéticos). O destino final dos resíduos plásticos, transportados através do vento e corpos d’água, no geral, é o oceano. Microplásticos encontrados na areia da praia no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. (Foto: Derek Blaese de Amorim com licença CC BY 4.0) Essas partículas, que podem atingir tamanhos invisíveis a olho nu, estão disponíveis a uma ampla variedade de organismos, desde o microscópico zooplâncton até grandes peixes, aves e mamíferos, por exemplo. Mas por que que esses animais interagem com o microplástico? Bom, basicamente porque no mar existem microplásticos em todos os lugares: da água superficial até as profundezas, no sedimento das praias e no fundo do mar. Além disso, ele pode ser ingerido por organismos que servem de alimento para outros, virando uma bola de neve, ou melhor, de plástico. Assim é difícil não entrar em contato com algo praticamente onipresente! Esquema de acumulação do microplástico através da ingestão direta desse material, ou ingestão indireta, através das presas. (Imagem por Júlia Jacoby de Souza com licença CC BY 4.0) Iniciei os estudos sobre esse tema há cerca de dois anos, quando estava na metade da graduação em Biologia Marinha. Foi nessa época que comecei a me interessar por aves. Então, entrei em contato com o professor que veio a ser meu orientador, o Dr. Guilherme Tavares Nunes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e ele me propôs estudarmos a questão da contaminação por plástico em aves marinhas e costeiras no sul do Brasil. As aves marinhas são organismos que dependem totalmente dos oceanos em pelo menos parte de suas vidas[1] e que, no geral, reproduzem-se em ilhas. Esse grupo tem se mostrado especialmente suscetível à presença de plásticos no ambiente: dentre todas as espécies de aves já registradas com alguma interação com esse material, quase 80% delas são marinhas[2]! Apesar de alta, essa porcentagemnão surpreende, já que existe plástico em todos os lugares no mar. Outro fator contribuinte é que essas espécies identificam zonas de alimentação pela detecção de dimetil sulfeto (DMS), substância liberada pelo consumo do fitoplâncton pelo zooplâncton. No ambiente marinho, o DMS atua como um “cheiro de restaurante” , indicando que naquele local há alimento disponível. Entretanto, o fitoplâncton que se adere a pedaços de plástico flutuantes também libera DMS, fazendo com que regiões com alta concentração de plástico também sejam identificadas como “restaurantes”, gerando uma armadilha para essas aves[3]. Um dos primeiros registros de ingestão de plástico por aves marinhas data dos anos 60, quando pesquisadores encontraram pedaços de plástico nos estômagos de albatrozes-de-Laysan[4] que se reproduzem no Atol de Midway, no Oceano Pacífico. Esse local fica a mais de 3.000 quilômetros de distância do continente americano, mas recebe enormes quantidades de lixo transportadas pelas correntes marinhas. O fato dessa espécie de albatroz estar vindo à óbito neste atol por ingestão de material plástico foi retratado no documentário “Albatross”, de Chris Jordan . No entanto, essa espécie é apenas uma do grupo no qual se insere (Procellariifomes) e cuja interação com plástico vem sendo amplamente estudada, inclusive no Brasil. Filhote de albatroz-de-Laysan morto com pedaços de plástico ingeridos ( Foto por Lindsay C. Young, Cynthia Vanderlip, David C. Duffy, Vsevolod Afanasyev, Scott A. Shaffer, com licença CC BY 2.5 ) Entretanto, para nossa pesquisa, optamos por fugir dos grupos mais estudados e focar em outros cuja contaminação é pouco conhecida, tanto no Brasil quanto no mundo: aves costeiras. Você já prestou atenção nas aves que você vê quando vai à praia? Então, são justamente essas que estamos procurando estudar! Nosso grupo de estudo abrange aves que utilizam o ambiente costeiro, sendo residentes ou migratórias, que se alimentam no litoral do Rio Grande do Sul em período não-reprodutivo. Entre essas, existem organismos com diversas formas do corpo, dietas e comportamentos. Há espécies que comem peixe (piscívoros), como os trinta-réis e talha-mares, outras que comem invertebrados enterrados no sedimento (bentívoros), como maçaricos e pernilongos, e ainda há espécies, como as gaivotas, que comem praticamente qualquer alimento disponível (generalistas). Assim, falamos que, entre as aves que utilizam o ambiente costeiro, existem diferentes grupos tróficos funcionais ,ou seja, grupos de espécies que se alimentam de formas e comidas semelhantes. Grupos tróficos funcionais: 1- trinta-réis-boreal / 2- talha-mar / 3- maçarico-de-sobre-branco / 4- pernilongo-de-costas-brancas / 5 - gaivota-maria-velha / 6 - gaivotão. (Imagens por Daniela Martins com licença CC BY 4.0) Então, assumindo que existe microplástico em praticamente todos os lugares dos ambientes marinhos e costeiros, incluindo no sedimento das praias e potencialmente no alimento dessas aves, será que essas espécies, algumas até então sem registro de ingestão de plástico, também estão sendo contaminadas? Será que diferentes dietas e formas de alimentação alteram essa contaminação? Será que as aves costeiras, ou algum grupo trófico específico, são bons indicadores para detectar a presença de plástico no ambiente? Bom, essas são algumas perguntas que estamos tentando responder! Utilizar as aves costeiras como modelo têm sido desafiador, já que trabalhamos com grupos pouco estudados e partículas muito pequenas. Logo, não existe uma “receita de bolo” que mostre “como encontrar e identificar microplásticos em aves costeiras”. Então, tivemos que testar o que outros pesquisadores já realizaram, com diferentes metodologias e grupos animais (peixes, moluscos, outras espécies de aves) a fim de adaptar “receitas de bolo” já desenvolvidas para nosso grupo de estudo. Estamos trabalhando tanto com amostras de aves vivas (fezes) como de aves que vieram a óbito no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres e Marinhos do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (CECLIMAR/UFRGS). Em nossos testes preliminares, foi possível visualizar fibras coloridas em algumas amostras. Posteriormente, pretendemos realizar a identificação química desse material através da parceria com o Laboratório de Processos Ambientais de Contaminantes Emergentes (LAPACE), do Instituto de Química da UFRGS. Dessa forma, será possível saber o tipo de plástico que originou o microplástico, seja de tecidos, sacolas ou embalagens, por exemplo. Infelizmente, devido à situação de pandemia em que estamos vivendo, tivemos que pausar as nossas atividades, mas pretendemos retomá-las assim que possível. Fibra azul encontrada em amostra de fezes de trinta-réis-boreal (Foto por Júlia Jacoby de Souza, com licença CC BY SA 4.0) O plástico abrange um grupo de materiais incríveis e é praticamente impossível não depender deles para nossas atividades diárias, já que eles estão em todos os lugares, incluindo no aparelho que você está lendo esse post! Mas as pesquisas que já foram e que estão sendo realizadas evidenciam o quanto a má gestão desse material, do nível individual ao global, tem impactado todos os organismos, incluindo nós, os seres humanos. A ciência é fundamental para expor e entender suas consequências, a fim de elaborar soluções e alternativas. Pequenas mudanças em nossas ações do dia a dia são essenciais, repensar e evitar o uso de um plástico por dia pode representar milhões de microplásticos a menos! A nossa pesquisa conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS). Referências [1]Votier, S. C; Sherley, R. B. 2017. Seabirds. Current Biology, v. 27, n. 11, p. R448–R450. https://doi.org/10.1016/j.cub.2017.01.042 [2]Battisti, C; Staffieri, E; Poeta, G; Sorace, A; Luiselli, L; Amori, G. 2019. Interactions between anthropogenic litter and birds: A global review with ‘black-list’ of species. Marine Pollution Bulletin, vol 138. https://doi.org/10.1016/j.marpolbul.2018.11.017 [3]Savoca, M. S; Wohlfeil, M. E; Ebeler, S. E; Nevitt, G. A. 2016. Marine plastic debris emits a keystone infochemical for olfactorry foraging seabirds. Science Advances, vol 2, n.11. DOI: 10.1126/sciadv.1600395 [4]Kanyon, KW; Kidler, E. 1969. Laysan albatrosses swallow indigestible matter. The Auk. Sugestões de conteúdo - Matéria da UFRGS Ciência sobre nossa pesquisa e a do LAPACE . - Vídeo “Microplástico: de onde vem e para onde vai” produzido pela autora e colegas: Sobre a autora: Sou estudante de Biologia Marinha e faço parte da equipe do Projeto de Extensão Aves da Praia, que procura divulgar a biodiversidade das aves e abordar a questão da poluição plástica para a comunidade do Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Adoro sair para trabalhos de campo, são oportunidades incríveis de conhecer lugares novos e ter muitas histórias pra contar depois. Gosto muito de desenhar e andar de bicicleta com o Galgo, meu “cãopanheiro”. E-mail para contato: julia.jacoby.s@gmail.com Instagram: @juliajacobys @avesdapraia #CiênciasDoMar #Convidados #Microplásticos #AvesMarinhas #AvesCosteiras #AvesDaPraia #BiologiaMarinha

  • El Niño

    Por Juliana Leonel "Inverno começa e clima no Brasil terá influência do El Niño." (Globo Rural, 22/06/2019) "Agricultura já sente efeitos do El Niño." (GAZ, 16/05/2019) Você já deve ter ouvido falar ou visto/lido alguma notícia em que o "El Niño"é o culpado pela seca, ou pela chuva, ou pela baixa produção agrícola, ou pelo calor etc. Mas o que é esse tal de "El Niño"? E como/por que ele influencia tanto o clima? Historicamente, os residentes do Peru sempre observaram que, com intervalos de alguns anos, uma corrente de água quente reduzia a quantidade de anchovetas que eles pescavam na costa. Com menos anchovetas, também havia uma redução na quantidade de outros peixes, aves e demais organismos que dependem da anchoveta para se alimentar. Além disso, a ocorrência dessa corrente de água quente coincidia com o aumento de chuvas que contribuiam para o aumento da produção agrícola em terras que eram normalmente áridas. Os períodos de ocorrência dessa água quente foram primeiramente chamados, em espanhol, de años de abundancia (= anos de abundância) devido ao seu efeito positivo na produção agrícola, mas depois começaram a ser associados a desastres ecológicos e econômicos. Com o passar do tempo, a ocorrência dessa corrente de águas quentes, que acontecia perto do Natal, passou a ser chamada de El Niño (o menino) em referência ao menino Jesus. Já na década de 1920, um pesquisador identificou um fenômeno de variação leste-oeste na pressão atmosférica, acompanhado dessa corrente quente e o chamou por outro nome: Oscilação Sul. Atualmente, esse fenômeno de variação é chamado de El Niño-Oscilação Sul (ENSO) e sabe-se que é uma combinação de efeitos oceânicos e atmosféricos que, periodicamente, alternam entre fases quentes e frias, causando grandes mudanças ambientais. Quando as condições estão "normais" (= sem El Niño ou La Niña, fenômeno oposto que já vamos explicar) os vento alísios sopram no sentido leste-oeste sobre o Oceano Pacífico Tropical (Figura 1a). Esses ventos constantes sempre na mesma direção resultam em um maior deslocamento de água em direção ao oeste do Pacífico onde ocorre um empilhamento de água. De fato, é possível observar uma elevação da superfície do mar de até meio metro de altura a mais na costa da leste da Ásia e da Austrália em relação à costa oeste da América do Sul. Os ventos alísios também resfriam a água superficial próxima ao Peru e empurram as águas mais quentes da região em direção ao Pacífico ocidental onde localiza-se uma região chamada de piscina quente do Pacífico . Na região de águas mais quentes, ocorre maior evaporação e formação de nuvens. Nesse processo, ao mesmo tempo que ocorre a subida do ar quente durante a evaporação no Pacífico ocidental (região de baixa pressão), ocorre a descida de ar mais frio no Pacífico oriental (região de alta pressão), isso chama-se Célula de Circulação de Walker . Durante a Fase Quente (El Niño) , há um enfraquecimento da zona de alta pressão atmosférica ao longo da costa sul americana que resulta na redução da diferença de pressão entre as zonas de alta e baixa pressão da Célula de Circulação de Walker. Consequentemente, os ventos alísios enfraquecem. Com o enfraquecimentos dos ventos alísios, as águas da piscina quente do Pacífico começam a fluir em direção à América do Sul. Com o auxílio do aumento do fluxo da Contra Corrente Equatorial , forma-se uma banda de água quente que se expande por todo o Pacífico Equatorial (Figura 1b). Conforme essa água chega na costa sul americana, ela espalha-se para sul e para norte. Além disso, conforme a água quente vai em direção à América do Sul, a zona de baixa pressão também migra nessa direção e, em anos de El Niño forte, ela pode permanecer sobre esse continente. Esse cenário resulta em alta precipitação ao longo da costa sul americana, mas em secas na região da Indonésia e norte da Austrália. Além disso, a chegada da água quente causa danos a corais e outros organismos sensíveis a mudanças de temperatura. Há também um aumento no número de furacões tropicais formados no leste do Pacífico. Na costa do Peru, onde normalmente a ressurgência traz águas frias e ricas em nutrientes, ocorre um enfraquecimento desse fenômeno e as águas ficam mais pobres em nutrientes. Logo, ocorre uma diminuição na produção primária e, por isso, a diminuição na quantidade de anchovetas e outras espécies marinhas. Em anos de El Niño forte, a temperatura superficial da água do mar na costa do Peru pode ficar até 10 °C acima da temperatura regular e pode ocorrer um aumento de até 20 cm no nível do mar devido à expansão térmica da água. Durante a Fase Fria (La Niña), o fenômeno é inverso: ventos alísios mais intensos resultam em um aumento na diferença de pressão entre Pacífico leste e oeste e, consequentemente, uma intensificação na Célula de Circulação de Walker. Em anos de La Niña, uma banda de água mais fria se estende ao longo do Pacífico Sul Equatorial e as ressurgências se intensificam (Figura 1c). Desde 1950, o padrão de alternância entre El Niño, La Niña e condições normais (mais raras) são monitoradas e representadas pelo índice ENSO (Figura 2). Este é calculado usando a média ponderada de fatores oceânicos e atmosféricos (pressão atmosférica, ventos, temperatura superficial do mar, entre outros). Valores positivos indicam condições de El Niño, valores negativos condições de La Niña, e valores próximos de zero condições normais. Além disso, quanto maior o valor do índice, mais forte é a respectiva condição. Efeitos do ENSO no Brasil Os efeitos são bastante distintos em função das características de cada região do Brasil. De uma forma geral, em condições de El Niño, enquanto nas regiões Norte e Nordeste há diminuição das chuvas e intensificação das secas, respectivamente, nas regiões Sul e Sudeste ocorre aumento das chuvas e invernos com temperaturas mais amenas; na região Centro-Oeste, além da intensificação das chuvas, há um aumento nas temperaturas. No entanto, ainda há uma carência de estudos sobre os efeitos do El Niño/La Niña nos diferentes ecossistemas brasileiros. #julianaleonel #Elniño #elnino #lanina #enso #clima #fenomenoclimatico #descomplicando

  • From the beach to the laboratory: How I became a scientist

    By Mônica Lopes-Ferreira English edited by Lídia Paes Leme a Katyanne M. Shoemaker I have loved the ocean since childhood. I enjoyed the beach on weekends, vacations, holidays, and any other time I could get there. I was enchanted by everything coastal: landscape, plants, and animals. While enjoying the green, lukewarm waters of Maceió, my hometown, I took in the entire ecosystem around me. There came a point in my youth that I needed to choose what career to follow. I was very certain that the study of animals made my mind and heart pulse. I decided to enroll in Biology; I studied hard and entered the University Federal de Alagoas. I'm very curious and have always liked to learn. In addition to my required courses at the University, I participated in many courses, seminars, and lectures in the field. In 1989, a special encounter changed the course of my history. Ivan Mota, a researcher of the Butantan Institute, taught a course on immunology in Alagoas. As a student, I felt stimulated to know more about this research center, which I had read about in science books. I knew that the scientists at Alagoas studied venomous animals and produced serum to treat accidents. But what did this have to do with immunology? I had to find out. It was a complex course. There were many students, and the lectures lasted all-day. I learned a lot of new topics and made many discoveries. The teacher was very competent, enthusiastic, and passionate, and he shared my love of the sea. I was completely enamored by immunology. To my surprise, at the end of the course he announced that he would select five students for an internship at the Butantan Institute. I passed the interview and was selected for one of the coveted positions. I had total support from my parents to do the internship. We sat, talked, and decided that I'd go to São Paulo. They knew that it would be a great opportunity for me, filled with wonderful experiences. When I arrived in São Paulo, I was surprised with the size of the city. How different it was from Maceió! I'll never forget the first day, my first look, and my racing heart as I discovered the city. The Butantan was a haven inside of the city. It was filled with trees, old buildings, museums, labs, snakes, spiders, and scorpions, amongst other species of venomous animals. The researchers taught me a lot. The dynamic lab life filled with questions, hypotheses, and experiments set me on a trajectory to become a scientist. I ended up living in São Paulo and finished the Biology program there. I studied hard and enrolled in a graduate program in the field of immunology. My research was focused on one particular venomous animal. It wasn’t a snake, spider, nor scorpion. My ocean origins spoke out, and I decided to study a fish. My animal of choice was the Niquim, whose scientific name is Thalassophryne nattereri; a species from northeastern Brazil, which gained my attention during vacations in Maceió. A dermatologist told me about how the animal caused many accidents in fishermen and bathers. There was no treatment and there were very few studies about their venom. As I began to talk to local fishermen, I became convinced of the importance of studying this species. They told me "it is a small fish that doesn't move much, but when its area is invaded, it unleashes a poison capable of crippling." The lab's aquarium grew and other dangerous fish arrived: catfish, rays, scorpion-fish and other species that live in the water and cause accidents. One day however, a more docile fish arrived, vastly expanding our studies. Zebrafish The zebrafish (scientific name Danio rerio ) is known popularly as "Paulistinha." It is used as an experimental model in many countries for behavioral, genetic, and toxicity testing, among other areas. I deepened my knowledge of the species and started studies with the fish in the Butantan Institute. Research has advanced, and in 2015 the Zebrafish Platform was inaugurated. The Platform is a breeding and management site that aims to develop science and share information. From the Platform arrose the Zebrafish Network: A project that links 80 researchers from 40 institutions throughout Brazil. The “Paulistinha” is also about communication, a disseminator of science and storytelling. I’ve been moving forward with it, reaching different locations and audiences, talking to kids, teens, adults, and the elderly. Woman and scientist During a talk I gave at a state school in Osasco about Zebrafish, the students did not know what to expect of the visiting scientist that day. Most of the students expected an old man in a lab coat with white hair. I made a point of only bringing with me other female researchers; they are the majority in our lab and should serve as an example for children. You have to break paradigms for things to change. I feel fulfilled by the opportunity of working towards the advance of women in science. This is my story as a woman and scientist. I studied, entered graduate school, and, in 2000, finished my doctorate in the Department of Immunology at the University of São Paulo. I'm currently a postdoctoral researcher in the Butantan Institute and currently the director of the Special Toxicology Lab. And for all that, I can say I'm happy, I'm a scientist. Mônica is a researcher at the Butantan Institute and coordinator of the Zebrafish Platform. The illustrations of this post are Veridiana Scarpelli's. #chatlídiapaesleme #chatkatyannemshoemaker #womeninscience #scientist #Mônica

  • Workshop Preparatório para a Década da Ciência Oceânica

    Entre os dias 25 a 27 de novembro de 2019 ocorreu o Workshop do Atlântico Sul Preparatório para a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030). Essa década visa produzir “ a ciência que precisamos para o oceano que queremos ”, estando alinhada ao documento “O Futuro que Queremos”, resultante da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, realizada em 2012 no Rio de Janeiro, e com a Agenda 2030 e com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (Vida na água). Nós já falamos sobre a Década no post: Estudo dos oceanos é a chave para um futuro sustentável. O material de divulgação da Década no Brasil pode ser obtido neste link . Com o objetivo de avançar na busca de soluções para a sustentabilidade dos oceanos, o workshop preparatório reuniu cerca de 120 pessoas, entre cientistas, instituições acadêmicas, organizações da sociedade civil e iniciativa privada. Nossa editora Jana del Favero foi selecionada para participar do Grupo de Trabalho 7: Estratégias de comunicação sobre a relevância dos oceanos: um oceano valorizado por todos.  Em breve o documento com os resultados obtidos em cada grupo será disponibilizado.  Maiores informações em: https://en.unesco.org/ocean-decade https://oceanliteracy.unesco.org https://issuu.com/fundacaogrupoboticario/docs/produto_conex_o_oceano/26 #netuniandoporai #decadadosoceanos #culturaoceanica #workshop #janamdelfavero

  • Research Pitching Competition by Slush & Skolar

    Em novembro de 2019, nossa editora Carla Elliff participou como finalista do Research Pitching Competition by Slush & Skolar . Esse evento é uma competição anual de pesquisa que acontece na Finlândia. Cientistas com ideias inovadoras são selecionados para uma semana de treinamentos em comunicação e, ao final, precisam convencer um júri para garantir um patrocínio de 100 mil euros e tirar seu projeto do papel. Porém, a apresentação ao júri foge completamente dos moldes de uma apresentação científica tradicional! Os oito finalistas foram desafiados a fazer um pitch (uma apresentação rápida e concisa para vender o seu peixe) de apenas três minutos, descrevendo como eles queriam responder às suas ousadas perguntas científicas. Além do desafio de comprimir todo um projeto científico em apenas três minutos, a apresentação final se deu em um dos maiores eventos de startups e tecnologia do mundo, o Slush. O palco onde foram apresentados os pitches , chamado Quantum Stage, contava com efeitos de luz, lasers e telões gigantes. Estima-se que 25 mil pessoas passaram pelo Slush durante os dois dias do evento! Carla foi a única representante do hemisfério sul, além da única pesquisadora na área de ciências do mar a participar dessa edição. Seu projeto abordava como podemos usar técnicas de reprodução artificial para melhorar a conservação de recifes de coral diante das mudanças climáticas. Sua proposta se encaixa dentro do Projeto Reefbank da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o primeiro e único banco de gametas para corais no Atlântico Sul. Apesar de não ter sido a vencedora da competição, Carla voltou com uma bagagem incrível de experiências e energia para encarar novos (e velhos) desafios com outros olhos. Assista aqui o pitch da Carla legendado em português pela equipe do Projeto Reefbank! Os pitches dos outros finalistas estão disponíveis em: E aí? Quer começar a montar um pitch para chamar de seu? Aproveite no link abaixo os recursos que o pessoal do Skolar preparou para te ajudar! #netuniandoporai #recifesdecoral #apresentação #comunicaçãocientífica #pitch #carlaelliff

  • Do satélite ao microscópio

    Como dados remotos me ajudaram a estudar ovos de peixes Por Jana M del Favero Ilustração: Joana Ho Muitas pessoas não entendem porque eu, bióloga, mestre e doutora em oceanografia, fui fazer um pós-doutorado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos - SP. O entendimento fica ainda mais difícil pelo fato de eu ter trabalhado, desde a graduação, com peixes. Meu marido frequentemente brinca que eu fui trabalhar no Instituto Nacional de PESCA Espacial, ou que eu estou caçando a constelação de peixes. O que muitas pessoas não sabem é que os satélites são grandes aliados dos estudos oceanográficos, fornecendo dados que podem ser usados em diversos estudos. Nós até já postamos aqui no blog um texto sobre a “razão de ser” da oceanografia por satélites . Ok Jana, eu já reli o post acima e entendi que alguns satélites fornecem dados para a estimativa de variáveis importantes como temperatura superficial, concentração de clorofila-a, altura de ondas, campo de ventos superficiais, entre outros... Mas onde entram os peixes? Para conectar os satélites e os ovos de peixes, eu vou precisar voltar lá no comecinho do meu doutorado. O principal objetivo do meu projeto de pesquisa era avaliar as flutuações de longo-prazo na abundância e distribuição dos ovos e larvas da Engraulis anchoita , uma espécie de peixe da família das manjubinhas, muito pescada na Argentina e no Uruguai, que chamarei apenas de anchoíta. Com isso, eu buscava compreender os fatores oceanográficos que causavam essas flutuações, onde estavam os locais de desova e fornecer informações que podem vir a ser usadas num futuro manejo da espécie. A anchoíta não é pescada comercialmente no Brasil, mas existem estudos sobre a viabilidade de começar a pescá-la comercialmente no sul do país. As amostras de ovos da anchoíta que eu analisei foram coletadas em diferentes anos entre 1970 a 2010, em toda a Plataforma Continental Sudeste do Brasil (PCSE), que se estende do Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro, ao Cabo de Santa Marta, em Santa Catarina. Para identificar os ovos da anchoíta, eles eram medidos (eu já falei do método que elaboramos para identificar mais rapidamente os ovos em outro post ). E foi durante essas medições que notamos que os ovos do sul da área de estudo eram maiores do que os do norte. Notamos também que os ovos amostrados durante o inverno eram maiores do que os do verão. E como cientistas curiosos, nos questionamos: por quê? Sabemos, por estudos anteriores, que: 1- A anchoíta é amplamente distribuída sobre a plataforma continental do Atlântico sudoeste, de Vitória, no Brasil (20°S) ao Golfo de São Jorge, na Argentina (48°S); 2- Sua população é dividida em três estoques: o patagônico (48-41°S, ocorre somente na Argentina), o bonaerense (41-27°S, ocorre na Argentina, no Uruguai e no sul do Brasil) e o da Plataforma Continental Sudeste do Brasil (PCSE, 27°-20°S, estoque unicamente brasileiro); 3- O tamanho do corpo e dos ovos dos indivíduos do estoque bonaerense são maiores do que os da PCSE. A partir dessas informações, nós levantamos uma hipótese para explicar porque no inverno o tamanho dos ovos da anchoíta era maior do que no verão: seria possível que os indivíduos maiores do estoque bonaerense estivessem migrando para o norte para desovar durante o inverno. Para confirmar essa hipótese nós pegamos dados fornecidos por satélite, ou seja, dados gerados remotamente, e desenhamos mapas de distribuição horizontal de temperatura superficial e da concentração de clorofila-a na superfície do mar para o Oceano Atlântico Sudoeste durante o verão e inverno de 2001 e 2002. Com isso, buscamos visualizar um possível fluxo de água que poderia guiar a migração dos adultos de anchoíta. O que notamos, através das imagens obtidas (veja a figura abaixo), foi que o fluxo da água da Pluma do Rio da Prata (lá na divisa da Argentina com o Uruguai) segue em direção ao norte apenas durante o inverno. Como a anchoíta gosta muito da região em que a água do Rio da Prata encontra o mar, acreditamos que esse fluxo pode servir como um guia para a migração de indivíduos da população bonaerense para desovar na região central e norte da PCSE , durante a estação mais fria do ano. Isto indica que nossa hipótese pode estar correta, e que os ovos encontrados no inverno na PCSE podem mesmo pertencer à população bonaerense. Lógico que existem outros fatores incluídos e discutidos no estudo. Então, para os mais curiosos que quiserem se aprofundar no assunto, compartilho o link do artigo publicado em 2017 na Fishery Bulletin, uma revista científica ( https://www.st.nmfs.noaa.gov/spo/FishBull/1154/delfavero.pdf ). Aqui, eu quis apenas trazer um exemplo de como os satélites ajudam até mesmo no estudo com ovos de peixes. A ciência é realmente fascinante, não é?! #janamdelfavero #ciênciasdomar #sensoriamentoremoto #ictioplâncton #peixes #satélites

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