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  • A impressão digital do petróleo

    Por Juliana Leonel Ilustração: Joana Ho Todo mundo já viu um filme/seriado/novela em que as impressões digitais deixadas em um objeto são usadas para identificar o autor de um crime. Mas você sabia que o óleo gerado em diferentes bacias petrolíferas também possuem “impressões digitais” únicas? Pois é… nem todos os petróleos são iguais. Antes de entender a ciência por trás disso, é preciso saber que o petróleo é formado a partir de processos de diagênese (reações que ocorrem nos primeiros centímetros da coluna sedimentar com presença de microorganismos e em temperaturas de até 50 °C) e catagênese (transformações que ocorrem sem presença de microorganismos, em temperaturas entre 100-150 °C e resultam na formação do petróleo) da matéria orgânica. Esses dois termos são usados para explicar a formação de rochas, fósseis e, claro, petróleo. Quando restos de plantas, animais, fitoplâncton, bactérias etc. são enterrados no sedimento, eles passam por diversas transformações químicas e físicas. O soterramento dos resíduos orgânicos acumulados no sedimento aumenta a pressão local e, com pressão suficiente, há aumento também da temperatura. Nesse processo, a matéria orgânica sofrerá uma série de transformações até, em alguns casos, formar o petróleo. O acúmulo de matéria orgânica que deu origem às bacias petrolíferas que temos hoje aconteceu há milhões de anos em períodos geológicos distintos. Assim, a composição do petróleo dessas bacias não é igual, pois ela depende do tipo de matéria orgânica inicial (por exemplo, óleos gerados a partir de fitoplâncton têm características diferentes de óleos que surgem a partir de bactérias ou plantas superiores), da evolução térmica, das características da bacia sedimentar onde ocorreu o acumulação e de outros processos primários e/ou secundários ocorridos antes e após a sua acumulação, tais como migrações do óleo e contaminação por microrganismos. Ao longo da diagênese e catagênese, muitas moléculas são destruídas e/ou transformadas, mas algumas resistem a essas condições ou sofrem modificações mínimas, perdendo apenas alguns grupos funcionais. Essas moléculas são, em sua maioria, compostos lipídicos que preservam em sua estrutura informações sobre a origem e condições de formação daquele petróleo. Por essa razão, elas são chamadas de biomarcadores, ou fósseis geoquímicos, e muitas podem ser usadas como a tal “impressão digital” (fingerprint) do petróleo. Por exemplo: um petróleo originado de matéria orgânica de plantas superiores tem n-alcanos (hidrocarbonetos lineares formados por carbono e hidrogênio) com cadeias carbônicas maiores do que aquele derivado de matéria orgânica derivada de fitoplâncton. Da mesma forma, uma série de outros compostos, como terpanos, estereranos, hopanos, etc., podem ser usados para caracterizar cada petróleo. Mapear esses compostos também permite identificar se o óleo em questão é recente ou se ele já esteve em contato com o ambiente por mais tempo e sofreu intemperismo (conjunto de processos que leva à desintegração de materiais). Uma vez que o óleo chega ao ambiente marinho ele pode sofrer uma série de processos: a) espalhamento causado pelo ventos, correntes e ondas; b) evaporação dos compostos mais leves; c) dissolução dos compostos mais solúveis; d) disersão: incorporação de partículas de óleo com a água; d) emulsificação: mistura do óleo com a água formando um material semelhante a uma maionese; e) adsorção de parte do material aos organismos vivos e as partículas em suspensão; f) remoção: sedimentação dos componentes mais densos; g) biodegradação: microorganismos usam o óleo como fonte de carbono quebrando as moléculas em moléculas menores; h) fotoxidação: quebra de moléculas pela ação de raios solares. Para identificar a impressão digital de uma amostra de petróleo é usada a técnica de cromatografia de fase gasosa, na qual os componentes da amostra, após um pré-processamento, serão separados em função das suas propriedades físico-químicas. Assim, seus constituintes poderão ser identificados e quantificados. Essa análise dá origem a um cromatograma, que é a representação gráfica do sinal do equipamento (eixo x: tempo que o composto demora para passar pelo equipamento, eixo y: intensidade do sinal que é relacionada a concentração do composto). E já pela observação do cromatograma de diferentes óleos é possível ver que eles têm características bem distintas. No exemplo da imagem, as amostras A e B apresentam diferenças tanto na composição quanto na abundância dos seus compostos. Assim sendo, o estudo da “impressão digital” do petróleo é uma ferramenta muito valiosa para a geoquímica forense. Quando ocorre um derrame e nenhuma empresa se responsabiliza pelo ocorrido, a geoquímica forense pode auxiliar na investigação de qual bacia originou esse óleo e/ou comparar o material com óleos de diferentes refinarias. No caso do petróleo que está aparecendo há mais de um mês nas praias do nordeste do Brasil, é esse tipo de análise que as universidades estão fazendo para identificar se o óleo é originário de bacias brasileiras e para tentar avaliar há quanto tempo ele está no ambiente. #petroleo #fingerprints #forense #derramamento #materiaorganica #julianaleonel #joanaHo #ciênciasdomar

  • Mesa Redonda sobre Mulheres e Mercado de Trabalho: Empreendedorismo no Ambiente Marinho

    No dia 23 de outubro de 2019, promovemos a mesa redonda “Mulheres e Mercado de Trabalho: Empreendedorismo no Ambiente Marinho”. A mesa foi coordenada por nossa editora Catarina Marcolin e pela querida Tatiana Dadalto que já escreveu pro nosso blog (confira aqui). Convidamos três mulheres incríveis para falar sobre como é ser mulher e líder no mercado de trabalho relacionado aos oceanos. Primeiro conversamos com Naira Silva por webconf, Co-fundadora da empresa de Nauplii Aquaculture. Naira já foi editora do Bate-papo com Netuno e hoje ela tem seu próprio negócio. Ela nos contou sobre como fundou uma startup no ramo da aquicultura. A segunda convidada foi a Thaís Melo, que atualmente é Coordenadora de Sensibilização Ambiental do Coral Vivo. A Thaís também dividiu suas experiências como empreendedora no ramo do turismo ecológico, quando criou o passeio turístico para avistamento de baleias na Costa do Descobrimento. Ao final, Luena Santos, a Gerente da Associação de Pescadores Indígenas Pataxó compartilhou suas experiências conosco. Luena ganhou o prêmio Mulher de Negócios do Sebrae em 2014 e nos contou sobre como ela e as mulheres de sua comunidade se tornaram as protagonistas de uma atividade tradicionalmente dominada por homens. #netuniandoporai #catarinarmarcolin #mulheresemercadodetrabalho #empreendedorismo #lugardemulheréondeelaquiser

  • As tartarugas marinhas do Rio Grande do Norte precisam de você

    Por Janine Braz Ilustração: Joana Ho A ONG Associação de Proteção e Conservação Ambiental Cabo de São Roque (APC Cabo de São Roque) trabalha desde 2016 junto com a comunidade costeira para a proteção das tartarugas marinhas. Você sabia que apesar de todos os esforços do projeto TAMAR e outras ações de conservação no Brasil ainda existem cinco espécies de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção? No estado do Rio Grande do Norte, em 2016, os biólogos Lucas Silva (que atualmente é o presidente da organização e pesquisador titular do Projeto Tartarugas ao Mar/RN) e Isadora Barreto (pesquisadora do Projeto Tartarugas Marinhas do Cabo de São Roque-Maxaranguape/RN e do Projeto Tartarugas ao Mar) criaram a Associação de Proteção e Conservação Ambiental (APC) Cabo de São Roque no município de Maxaranguape - RN em prol da conservação das tartarugas marinhas. Por se tratar de uma organização não governamental (ONG), não possui fins lucrativos e desenvolve junto com a comunidade ações para a defesa e proteção das tartarugas marinhas e do ambiente costeiro da região. Os benefícios desse projeto vão muito além da conservação desses animais lindos. No município de Maxaranguape, antes da APC Cabo de São Roque, a caça das tartarugas marinhas e a coleta dos ovos eram atividades que faziam parte do dia a dia da comunidade local. Além do consumo da carne, eles também comercializavam acessórios confeccionados a partir do casco das tartarugas marinhas como pentes e objetos para decoração. Por esse motivo, a APC Cabo de São Roque começou a desenvolver projetos para estimular a comunidade a participar ativamente do processo de conservação local, por meio de ações do projeto “Sensibilização e Educação Ambiental”, como Cinema itinerante, Museu itinerante, palestras nas escolas, limpeza de praias e oficinas de capacitação para identificação e manejo de tartarugas presas em rede com os pescadores que participam do “Projeto Pescador Amigo da Conservação”. Essas atividades formam novos multiplicadores de conhecimento e agentes ambientais na comunidade, além de sensibilizar turistas que visitam diariamente a região. Os resultados desse trabalho estimulam a pesca sustentável, o turismo ecológico e a valorização da cultura e economia local. O projeto ConecTar da APC surgiu para resgatar a cultura artesanal local desenvolvido por mulheres independentes da comunidade pesqueira estimulando uma economia mais sustentável. O ConecTar não apenas promoveu a substituição da matéria-prima artesanal (anteriormente casco de tartarugas) para o uso de crochê, como também proporcionou o empoderamento feminino já que essas mulheres possuem uma nova fonte de renda e participam ativamente da construção de novos valores socioambientais na comunidade. Pescadores, crianças, jovens e mulheres auxiliam na realização de campanhas para a não poluição das praias, bem como no monitoramento de veículos nas áreas dos ninhos e notificação de encalhe de tartarugas. Essas atividades não apenas reduzem os impactos ambientais nas praias de Maxaranguape como também ajudam na proteção das tartarugas. Assim como os moradores locais, nós também precisamos reconhecer que somos responsáveis pelas tartarugas marinhas e por nossas praias. Por isso, a APC Cabo de São Roque construirá um centro de visitação que contará com o Museu das Tartarugas Marinhas, loja e auditório para receber visitantes. O centro também realizará conferências, palestras e oficinas para os voluntários e pesquisadores. Esses poderão usufruir de alojamentos enquanto participam dos treinamentos e da realização de pesquisas científicas. Ainda não há data para início da construção e previsão de abertura ao público, já que a APC necessita de doações e voluntários para se manter em funcionamento. Minha atuação na APC Cabo de São Roque é como membro voluntário e direcionada para a realização do intercâmbio científico com as universidades, bem como na comunicação e divulgação científica das atividades realizadas pela ONG. Atualmente estamos em parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido para desenvolver um projeto de pós-graduação na área, sob coordenação do Prof. Dr. Carlos Eduardo Bezerra de Moura. Faça parte dessa história! Ajude a APC Cabo de São Roque a salvar as tartarugas marinhas. Você pode participar adotando um ninho, ou doando seu tempo através do Projeto Seja +1, ou ainda, doando qualquer valor para a construção do Centro de Visitantes. Siga nossas redes sociais e compartilhe que você está ajudando a salvar as tartarugas marinhas da extinção #issoéconservacao. Mais informações APC Cabo de São Roque Endereço: Rua da Cumoa S/N, Praia de Caraúbas, Maxaranguape-RN (Brasil) Telefone: +55(84) 9683-7125 E-mail: contato@cabodesaoroque.org Site: http://cabodesaoroque.org/ Instagram: @apccabodesaoroque Sobre Janine: Janine Karla França da Silva Braz é graduada em ciências biológicas (UFRN), Especialista em Ciências Morfológicas (UFRN), Mestre em Biologia Estrutural e Funcional (UFRN) e Doutora em Ciência Animal (UFERSA). Considera-se uma pesquisadora híbrida por trabalhar com morfofisiologia cardiovascular de tartarugas marinhas, bem como biomateriais adaptados aos sistemas orgânicos. Atualmente é professora adjunta da Escola Multcampi de Ciências Médicas (UFRN). Nas horas vagas curte a praia de Santa Rita (RN), corre, bate perna mundo a fora e escreve sobre suas aventuras e hobbies no Portal Nominuto | Blog Bióloga de Salto. E deseja um dia ter uma linha de pesquisa em comunicação científica, será esse o primeiro passo? #issoeconservacaoAPC #BSciencia #tartarugamarinha #ONG #convidados #ciênciasdomar #joanaho

  • Matéria orgânica sedimentar: uma fonte infindável de informações - Parte 1

    Por Juliana Leonel Se o termômetro só foi inventado no início do século XVIII, como é possível haver estudos que falam da temperatura superficial da água do mar há milhares de anos atrás? Para uma oceanógrafa, que trabalha de geoquímica marinha, o sedimento é muito mais que simples partículas de matéria orgânica e inorgânica. Quando olho para o sedimento marinho, vejo uma infinidade de informações preservadas que são a chave (ou uma das chaves) para estudar a história passada não só dos oceanos, mas do nosso planeta. Por exemplo, a partir das informações armazenadas nos sedimentos marinhos sabemos que durante o Cretáceo (aproximadamente 90 milhões de anos atrás) a temperatura dos oceanos (e da atmosfera) era muito mais quente do que a atual. Além disso, quantidade de oxigênio dissolvido era baixíssima e uma grande quantidade de matéria orgânica produzida foi preservada nos sedimentos e, posteriormente, deu origem a importantes bacias petrolíferas. Também foi através de estudos do sedimento marinho que sabemos que a Terra passou por ciclos de glaciação e interglaciação nos últimos 2 milhões de anos. Sabemos quando ocorreu o fechamento do Istmo do Panamá e quando houve a formação das calotas polares na Antártica. "Mas como isso é possível?", você deve estar se perguntando. Esses estudos são possíveis graças ao uso de diferentes ferramentas, que vão desde o estudo da composição da matéria orgânica preservada nos sedimentos marinhos até estudos da ocorrência/composição de microfósseis (como foraminíferos, diatomáceas etc) preservados no sedimento. Com relação à matéria orgânica sedimentar, vamos antes entender de onde ela vem, para onde ela vai e como ela sobrevive a essa "viagem"... A matéria orgânica (MO) presente nos sedimentos marinhos é oriunda principalmente de duas fontes: a) plantas terrestres (principalmente plantas superiores); e b) organismos fitoplanctônicos. No primeiro caso trata-se da matéria orgânica alóctone (produzida em um ambiente externo) e o segundo caso da MO autóctone (produzida no próprio ambiente). A MO vai além de restos de folhas e algas, ela é constituída por diversos grupos de compostos, tais como proteínas, carboidratos, lipídios, lignina, entre outros. Não só a quantidade de cada um desses componentes, mas também as moléculas que os constituem, vão depender de fatores como: fonte da MO (plantas superiores de metabolismo C3, plantas superiores de metabolismo C4, fitoplâncton, bactérias etc) e das características do ambiente durante a sua formação (temperatura, salinidade, disponibilidade de oxigênio, etc.). Diferenças na composição da matéria orgânica terrestre e marinha. Uma vez na coluna de água, a matéria orgânica particulada irá sedimentar e durante esse processo poderá ser remineralizada, ou seja, será degradada até retornar aos seus constituintes inorgânicos (tais como carbono, nitrogênio e fósforo inorgânicos). No entanto, uma pequena porção vai chegar até o sedimento intacta ou sofrendo apenas pequenas alterações. É importante ressaltar que mesmo no sedimento a matéria orgânica pode ser remineralizada. Nas condições ambientais atuais estima-se que, em média, do total de MO produzida na zona fótica apenas 1 % chegará ao sedimento marinho e apenas 0,1% será preservada. Ainda que representando uma parcela pequena de toda as partículas orgânicas do ambiente marinho, a matéria orgânica sedimentar guarda na sua composição informações importantes sobre a sua fonte e condições em que foi produzida e preservada. Para recuperar essas informações, pesquisadores coletam amostras de sedimentos superficiais ou testemunhos sedimentares que são fatiados (geralmente a cada 1 ou 2 cm) e datados (usando radioisótopos¹). Uma vez que se sabe a idade de cada uma dessas camadas, a matéria orgânica é analisada e seus componentes identificados e quantificados. Fotos de testemunhos por Juliana Leonel com Licença CC BY-SA 4.0. Ok. Mas, como uso a MO sedimentar para saber a temperatura superficial da água do mar de milhares de anos atrás? Entre os diversos componentes da MO sedimentar, há um grupo de compostos chamado alquenonas, que são cetonas de cadeia longa (de 37 a 39 carbonos) contendo de 2 a 4 insaturações (= ligações duplas). Produzidas por duas espécies de cocolitoforídeos, Emiliana huxleyi e Gephyrocapsa oceanica, sendo que a primeira tem ampla distribuição nos oceanos. Esses compostos são lipídios que resistem aos processos de degradação ao longo da sua sedimentação na coluna de água e fazem parte da MO sedimentar. Emiliana huxleyi. Fonte: (2011) PLoS Biology Issue Image | Vol. 9(6) June 2011. PLoS Biol 9(6): ev09.i06 com licença CC As alquenonas de 37 carbonos e com 2 e 3 insaturações são utilizadas como biomarcadores para avaliar a temperatura superficial da água do mar (TSM), pois são produzidas em diferentes proporções em função da temperatura da água em que o organismo se encontra. Para manter a estabilidade das membranas celulares, conforme a temperatura aumenta, esses organismos produzem mais alquenonas com um número maior de insaturações. Sabendo disso, pesquisadores criaram um índice, o Uk'37 que é uma relação entre as alquenonas de 2 e 3 insaturações e o qual permite calcular a temperatura da água onde as alquenonas foram formadas. Além das alquenonas, existem outras ferramentas geoquímicas que podem ser usadas para estudar a temperatura dos oceanos em tempos passados, tais como os Glicerol dialquil glicerol tetraether (produzidos por arqueobactérias e carinhosamente chamados pela sigla GDGTs) e relação entre os isótopos estáveis de oxigênio (δ18O) ou da relação entre magnésio e cálcio (Mg/Ca) nas carapaças calcárias de foraminíferos. A matéria orgânica é uma ferramenta incrível e nos ajuda a entender muito sobre o passado e presente da Terra, por isso falarei mais sobre o tópico em um próximo post! Vocabulário: ¹Radioisótopos: isótopos instáveis que, em busca de estabilidade, decaem produzindo outros eles e liberando energia na forma de radiação. #JulianaLeonel #CiênciasDoMar #MatériaOrgânica #Paleoceanografia #Paleotermometro #Alquenonas #GeoquímicaMarinha

  • Nature, o direito das mulheres e uma volta ao passado

    Por Cláudia Namiki Um artigo publicado na semana passada na revista Nature causou grande indignação na academia, principalmente entre as mulheres, já que concluía que mulheres orientadas por outras mulheres tinham menos sucesso acadêmico do que aquelas orientadas por homens. No post Como validar o machismo estrutural com uma publicação mal feita mostramos que as conclusões foram baseadas em dados não confiáveis, pouco representativos, que as análises eram limitadas, e que portanto o artigo jamais poderia ter sido publicado. Além disso, parece mesmo uma afronta que nesse momento, quando mulheres levantam a sua voz, no meio acadêmico e em todas as esferas da sociedade, para expor os problemas causados pela desigualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, um artigo seja publicado em uma revista tão conceituada. No entanto, isso não deveria nos surpreender. Basta olhar para a história e veremos que sempre existe um grupo deslegitimando as reivindicações ou até mesmo questionando a capacidade das mulheres. "Origem e desenvolvimento de uma sufragista. Aos 15 uma princesinha, aos 20 uma coquete, aos 40 ainda não se casou, aos 50 uma sufragista.” Fonte: Hypeness sob licença CC by NC-SA 2.5.BR. Assim que a indignação por causa do artigo começou a pipocar nas redes sociais, imediatamente me lembrei de uma carta escrita em 1920 por Virgínia Woolf, endereçada a um crítico literário inglês, sobre suas afirmações de que as mulheres eram intelectualmente inferiores. O crítico baseou sua afirmação no fato de que pouquíssimas mulheres, ou nenhuma, se destacava no campo da arte. Na carta Virgínia afirmava que não faltava talento às mulheres, mas sim oportunidade. As mulheres ficavam aprisionadas em casa, lidando com os afazeres domésticos, como propriedade de seus pais, irmãos e maridos. As mulheres não podiam decidir o seu destino e eram proibidas de estudar. Apenas mulheres pobres tinham o “direito” de trabalhar para garantir o seu sustento, em péssimas condições e com salários bem inferiores aos dos homens. Ela explicou que para cada homem bem sucedido existiam muitos outros que não o foram, e que, portanto, era preciso que muitas mulheres exercessem determinado ofício para que algumas delas se destacassem. Além disso ela escreveu: “Mas não é preciso apenas educação. É preciso que mulheres tenham liberdade de experiência; que elas difiram, sem medo dos homens, e que expressem sua diferença abertamente…” “...que toda atividade da mente seja estimulada de modo que sempre exista um núcleo de mulheres que pensem, inventem, imaginem e criem tão livremente quanto os homens, sem nenhum medo do ridículo e da condescendência.” Movimento anti sufragista nos Estados Unidos. Muitos tentaram impedir que as mulheres tivessem direito de votar e escolher seus representantes políticos. Fonte: Wikimedia Commons. Imagem de domínio público. Parece que muito tempo se passou e que hoje nós mulheres temos direito a tudo e que logo alcançaremos a tão sonhada igualdade/equidade. Não precisamos reclamar, porque as coisas vão melhorar, basta deixar o tempo agir. Só que não é bem assim. Todos os direitos que possuímos hoje não nos foram dados de bom grado, não foi um processo evolutivo natural, e não foi rápido. A entrada das mulheres na universidade aconteceu primeiro nos Estados Unidos em 1837, com a criação de universidades exclusivas para as mulheres, enquanto no Brasil, o início do acesso ao ensino superior para mulheres ocorreu de forma extremamente restrita nos anos de 1880. Excursão de integrantes da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino – FBPF ao Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro em 1930. Fonte: Acervo Arquivo Nacional. Imagem de domínio público. No cenário político, o direito ao voto foi conquistado pelas neozelandesas em 1893, mas foi instituído para todas as mulheres na África do Sul somente em 1994 e na Arábia Saudita, só para as eleições municipais, em 2015. No Brasil, as mulheres conquistaram o direito de votar em 1932, após um longo processo de quase 100 anos de luta e da participação decisiva da zoóloga Bertha Lutz. Mesmo assim, era preciso ter autorização do marido, ou uma comprovação de renda, no caso de viúvas ou solteiras. Mas foi em 1965 (ou seja somente há 55 anos!) que essas restrições foram extintas. E só a partir da constituição de 1988 que passamos a ser reconhecidas como iguais aos homens em direitos e deveres. Vale ressaltar que todas essas conquistas foram alcançadas graças à articulação e cooperação feminina. A educadora e sufragista americana Nannie Helen Burroughs. Fonte: Wikimidia Commons. Imagem de domínio público. A bióloga, política e sufragista brasileira Bertha Lutz. Fonte: Ministério das Relações Exteriores sob licença CC BY-ND 3.0. E isso nos leva a outro ponto sobre o artigo publicado na Nature: ao afirmar que uma mulher mentorada por outra tem menos chances de prosperar, ele parece querer enfraquecer o movimento de união entre as mulheres, ou sororidade, que tem crescido nos últimos anos (como por exemplo, os coletivos Liga das Mulheres pelo Oceano e o Ictiomulheres). Embora não seja dito no artigo, essa ideia de que mulheres não deveriam trabalhar juntas traz à tona aquela velha falácia de que mulheres são inimigas naturais. Um truque bem conhecido do machismo estrutural. Na verdade os autores não explicam porque as mulheres não obtém sucesso acadêmico quando trabalham juntas. Dizem apenas que talvez elas tenham tarefas demais e que um homem resolveria tudo. É até sútil, mas você pode chegar à conclusão de que, na verdade, as mulheres nem precisam fazer ciência, já que, como mentor ou mentorado, a performance masculina é sempre superior, sendo a dupla homem-homem a que rende um maior número de publicações. Aqui está claro o discurso do homem salvador, aquele que sempre salva a mocinha no final, e que é sempre relatado em filmes, novelas, desenhos animados e, agora, até em um artigo científico... O nascimento do coletivo Ictiomulheres durante a mesa redonda "Participação e representatividade de mulheres na Ictiologia", realizada em Belém, no XXIII Encontro Brasileiro de Ictiologia em 2019. Fonte: Ictiomulheres. Todos os direitos reservados. Coincidentemente, este artigo foi publicado exatamente cem anos depois da resposta de Virgínia Woolf ao crítico literário. Agora, em 2020, ainda estamos nós aqui, indicando as contradições de uma publicação que novamente parece querer diminuir a capacidade das mulheres, desconsiderando todo o contexto histórico, social e local no qual estamos inseridas. Isso nos mostra que para a igualdade de direitos, a máquina do tempo existe, e que se não estivermos atentas, ela só nos levará para o passado e nunca para o futuro que queremos. Referências 5 Black Suffragists Who Fought for the 19th Amendment—And Much More. Agência Câmara de Notícias. 88 anos após conquistarem direito ao voto, mulheres buscam ampliar representatividade. Publicado em 03 de novembro de 2020. Agência Câmara de Notícias. Voto feminino foi conquistado depois de uma luta de 100 anos. Publicado em 03 de novembro de 2020. Ana Cristina Furtado Pereira e Neide de Almeida Lança Galvão Favaro. XIII Congresso Nacional de Educação. Fernanda Fernandes. A história da educação feminina. MultiRio. Publicado em 07 de março de 2019. Fernando Limongi, Juliana de Souza Oliveira e Stefanie Tomé Schmitt. 2019. Sufrágio universal, mas... só para homens. O voto feminino no Brasil. Revista Sociologia e Política, v. 27, n. 70, e003. Ivana Carolina Santos da Silva. 2016. Sororidade e rivalidade feminina nos filmes de princesa da Disney . Projeto final apresentado no Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade de Brasília, como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Comunicação Social. Marcia Tiburi. Vamos juntas? – O guia da sororidade para todas. Rio de Janeiro: Galeria Record. 2016. Tata Pinheiro. As principais conquistas das mulheres na História. Nova escola. Publicado em 01 de março de 2019. Virginia Woolf. As mulheres devem chorar... Ou se unir contra a guerra: Patriarcado e militarismo. 2019. Organização e Tradução: Tomaz Tadeu. Prefácio: Guacira Lopes Louro. Autêntica Editora. Teresa Cristina de Novaes Marques. O voto feminino no Brasil. 2. ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2019. #MulheresNaCiência #Sororidade #Orientação #Pesquisa #Feminismo #DireitoDasMulheres #VirginiaWoolf #Sufragistas #CláudiaNamiki

  • Refúgios em ambientes marinhos

    Por Alice Reis Refúgios são lugares que oferecem proteção. Esses lugares podem ser um habitat, vegetação, recife, buraco, toca... A proteção pode ser contra contra predação, competição, perturbações ambientais de temperatura, salinidade, umidade, oxigênio ou pH, por exemplo. E quem se beneficia pode ser um indivíduo, uma população, uma comunidade ou até mesmo um ecossistema inteiro! Vamos abordar neste texto alguns exemplos de refúgio em ambientes marinhos e costeiros. Refúgios para indivíduos 1. Refúgio criado pelo próprio organismo Alguns organismos constroem os seus próprios refúgios. Esse é o caso de poliquetas que constroem tubos e galerias no sedimento, de caranguejos chama-maré que constroem tocas e de moluscos que produzem uma estrutura protetora, a concha. Essas estruturas protegem os indivíduos da predação, das altas e baixas temperaturas que ocorrem fora (por exemplo, dentro da toca dos caranguejos chama maré e do caramujo Littoraria, a temperatura oscila menos do que em volta) e também da maré (no caso dos caranguejos chama-maré, que são terrestres, algumas espécies fecham a entrada da toca quando a maré sobe, deixando uma bolha de ar presa dentro da toca). Da esquerda para a direita (1) poliqueta tubícola. Foto: John Solaro (CC 2.0); (2) toca de caranguejo chama-maré. Foto: https://doi.org/10.1371/journal.pone/0000422g001; (3) gastropode Littoraria angulifera. Foto: Alice Reis. 2. Refúgio adquirido pelo organismo Outros organismos usam estruturas encontradas no ambiente. O paguro ou caranguejo ermitão não constrói seu próprio refúgio. Esse organismo usa conchas de moluscos que já morreram, que ficam então disponíveis nos ambientes costeiros e marinhos. Buscando um refúgio rápido e disponível, os paguros também já foram vistos usando objetos deixados pelo ser humano no ambiente, como potinhos e tampinhas de garrafa de plástico. Outro exemplo interessante de organismo que adquire um refúgio é é o polvo do coco (Coconut octopus, Amphioctopus marginatus). Como o nome sugere, ele usa as partes do coco como esconderijo. (1) Caranguejo eremita ou paguro em sua concha acima. Foto: Judy Gallagher (CC 2.0). (2) caranguejo eremita em frasco deixado na praia. Foto: Jenny Downing (CC 2.0). (3) Polvo utilizando coco como refúgio. Foto: Daniel Kwok (CC 2.0). 3. Refúgio no ambiente, usado pelo indivíduo Às vezes o refúgio não pode ser criado nem carregado, apenas utilizado quando disponível. É o caso das fissuras nas rochas usadas por peixes goby que ficam dentro ou próximos para ficarem inacessíveis pra predadores. Esse é o caso das anêmonas, usadas como refúgio pelos peixes-palhaço. Ali, eles ficam protegidos da predação, pois a maioria dos animais “se queima” ao encostar na anêmona, mas ele não (o peixe palhaço tem um mucus microbiano que reveste todo o seu corpo que o protege da ação da anêmona). À esquerda peixe goby utilizando fissura em rocha com corais como refúgio. Foto: Klaus Stiefel (CC. 2.0). À direita peixe palhaço se refugiando na anêmona. Foto: Arctic Wolf (CC 2.0). Refúgio para populações Na maioria das vezes entendemos refúgio como um local que fornece proteção contra um predador em um momento específico, mas os refúgios também podem ser lugares que tornam o ambiente mais tolerável ao longo do tempo e que permitem que a população prospere. Esse é o caso de cardumes de peixes que utilizam corais para se protegerem da radiação solar em determinados momentos do dia e de lontras marinhas que descansam aglomeradas em terras que ficam próximas a fontes de alimento, mas inacessível aos predadores como orcas e tubarões. Acima Cardume de peixes em coral tabular, retirado de Kery & Bellwood (2015), Coral Reefs Journal. Abaixo Lontras marinhas se refugiando na costa. Foto: USFWS (CC 2.0). Andar em grupo também é uma forma de se refugiar. Na presença de perigo, um dos indivíduos do grupo sinaliza o risco e todos os outros respondem como uma unidade, tornando mais difícil para um predador escolher e acertar uma presa. Estratégia de defesa de sardinhas usando agrupamento. Foto: Flickr Wanderlasss (CC 2.0). Refúgio para a biodiversidade Para além de indivíduos e populações, numa escala global, podemos ainda pensar em regiões que ao longo do tempo foram e são refúgios da biodiversidade. Esse é o caso das regiões tropicais durante períodos glaciais (quando grande parte do globo congela), das zonas abissais (regiões oceânicas profundas, dificilmente atingidas por impactos na superfície, como poluição e exploração humana) e também das áreas de proteção ambiental (refúgios de biodiversidade delimitados pelo ser humano com o intuito de preservação, como as áreas de manguezais, que entre outras funções, são berçários naturais de muitas espécies marinhas). Anêmonas e corais encontrados em oceano profundo. Foto retirada de Long e colaboradores (2020), Frontiers in Marine Science Journal. https://doi.org/10.3389/fmars.2020.00460 Como foi mostrado, um refúgio marinho pode ser uma estrutura criada, adquirida ou apenas usada pelo indivíduo que protege de predadores ou variáveis ambientais, como a temperatura. Pode ser um lugar (como a terra para lontras) ou um comportamento (como o agrupamento de cardumes) que pode definir o quão protegida uma população está. Mas, pode ser também muito mais complexo e permitir que todo um ecossistema continue existindo ou consiga se recuperar diante de grandes ameaças, como os impactos causados pelo homem. Sobre a autora: Alice é doutoranda no programa de Ecologia: Teoria, Aplicação e Valores da Universidade Federal da Bahia e formou-se mestre em Ecologia e Biomonitoramento pela mesma instituição, quando estudou o papel de marismas tropicais como refúgio para caranguejos chama-maré. Desde a graduação, Alice é apaixonada por oceanografia, e logo se vinculou ao Laboratório de Ecologia Bentônica (LEB) onde vem exercendo atividades de pesquisa relacionadas à interação entre organismos bentônicos e ecologia de ambientes estuarinos. #Convidados #RefúgiosMarinhos #Descomplicando #EcologiaMarinha #Oceanografia #Ecologia

  • Even fish love the beach

    By Jana M. del Favero English edit by Lidia Paes Leme and Katyanne Shoemaker *post originally published in Portuguese on June 30, 2015 The beach may seem like a lifeless environment, as we look out at the endless sand and sea. But if we pay a little attention, we start to notice the crabs, mole crabs, and sand dollars, and our opinion starts to change. Then we go for a swim, and, sometimes, even when in shallow waters, it is possible to spot some fish. The number of fish sighted may seem minimal when compared to what can be seen when swimming close to a coral reef or a rocky shore. However, even without any craggy rocks, holes in corals, or mangrove roots to protect them, it is possible to spot some fish “fighting” with the ebb and flow of the waves. And it was exactly this group of fish that I decided to study during my master’s degree, the fish of the shallow zone of beaches. The main objective of the study was to analyze the influence of several environmental variables (different beaches, tides, seasons, salinity and temperature) on the composition and structure of the ichthyofauna (meaning fish fauna) from beach environments. To obtain the data for my project, I collected with the help of technicians from the IOUSP Research Base in Cananeia (SP) fish from three beaches situated in Ilha Comprida and three in Ilha do Cardoso, southern São Paulo State (that is, I had the opportunity to travel during one year to a special place, as said in the post “Internacionalizar é preciso”). These beaches had different levels of exposure to the estuary waters: two facing the interior of it, where almost no waves were observed, two intermediate, and two exposed, with bigger waves and no influence of estuarine waters. Samples were taken using a net called a seine, which is manually dragged by two people, one on each side. Sampling with the seine net in an “exposed” beach and in a “sheltered” one in Ilha Comprida (SP). (Photographs by Jana M. del Favero, licenca CC BY SA 4.0). A total of 57 species were sampled, mostly in their juvenile phases, varying from 0.4 to 6 cm in length. Some larvae were sampled too (see post “A vida “dura” de um peixe marinho bebê”). The more protected the beach, the greater the quantity of sampled individuals and greater the number of species. On the other hand, the more exposed beaches showed high dominance of a few species, mostly Pompanos (genus Trachinotus) and Mullets (genus Mugil). Trachinotus carolinus (Pompano), left (A and B); and Mugil curema (Mullet), right (D and C). The photos on the top show them young, while the bottom ones show them as adults. (Photos A and D are by Jana M. del Favero, licence CC BY SA 4.0 / Photo B is by Trevor Meyer, licence CC BY NC / Photo D is by Carla Elliff, licence CC BY). Fish use these beaches for many reasons: as growth areas (despite the lack of hiding spots, the simple fact that this area is shallow prevents larger predators from feeding there, offering protection to the small fish); as a migration route between the ocean and the estuary; and only one species, Silverside “The Kingfish” (Atherinella brasiliensis) can be classified as a lifelong resident, meaning that it lives there throughout all phases of its development (larvae, young and adults) in the same region throughout the year. Menticirrhus littoralis, an example of species that uses the area of study for growth (even the biggest individual in the picture was still a juvenile). (Photo by Jana M. del Favero, licence CC BY SA 4.0). A fish from California, USA, which belongs in the same Family as our “Kingfish” (Atherinopsidae), uses beaches in a quite different way: they go completely out of water to spawn in the sand. The most interesting is that they leave the water by the thousands, so the beach is filled with “dancing” fish. It is worth watching the video: Another interesting fact is that the largest number of fish and the greatest diversity is obtained during the summer, the season in which the beaches are impacted most by tourism, and also the time that the beach sees the most trash! Are you interested? Click here to access my dissertation! Have a great time at the beach, everybody! #ChatWithNeptune #BatePapoComNetuno #MarineScience #Fish #MarineBiology #Beach

  • Como validar o machismo estrutural com uma publicação mal feita

    Por Juliana Leonel e toda a equipe do Bate-Papo com Netuno Qual o nível de comprometimento do corpo editorial de uma revista científica em relação à qualidade dos artigos por ela publicados? Não estou falando sobre concordar ou discordar dos resultados e conclusões. Me refiro à escolha e aplicação correta dos métodos para responder às perguntas da pesquisa em questão. Estamos em um momento que muito tem se falado sobre a equidade no ambiente acadêmico, sobre a importância da diversidade, sobre não fazer as mulheres escolherem entre carreira ou serem mães. Somado a isso, os dados mostram o viés da academia em aprovar mais projetos/artigos de homens, que eles têm mais chances de serem selecionados nos processos seletivos, que eles são promovidos quando se tornam pais enquanto mulheres são preteridas quando se tornam mães. Mas, na prática, o que tem sido feito para mudar isso? Tem se feito muito pouco! E se não bastasse a pandemia para aumentar ainda mais o abismo entre homens e mulheres, uma revista científica bem conceituada publicou essa semana um artigo que conclui que mulheres mentoradas por mulheres têm menos chances de serem bem sucedidas e que tanto mentoras quanto mentoradas são lesadas ao estabelecer relações de colaboração com outras mulheres O artigo até mesmo sugere que isso seja levado em conta nas políticas de diversidade. Todavia, o método utilizado no estudo é questionável, e aqui cito apenas alguns motivos: - Define como sucesso apenas a publicação de artigos científicos (e sabemos que ciência e academia são muito mais que isso); - Estabelece como relação de mentoria apenas o fato de um pesquisador sênior ter publicado com um pesquisador júnior, mas uma co-autoria pode ser em função de diversos motivos que não apenas a mentoria (há denúncias inclusive de revisores que já sugeriram a pesquisadoras que colocassem um homem entre os co-autores para o trabalho ser aceito); - A separação entre pesquisador sênior e júnior foi feita com base na idade acadêmica, que foi determinada como o tempo que decorreu desde a primeira publicação de um artigo científico por aquela pessoa (desconsidera licenças de saúde, maternidade ou qualquer outra pausa na carreira); - Os autores não deixam claro como trabalharam com as limitações dos métodos que estimam o gênero em função do nome; - Eles também não justificam porque usaram o banco de dados Microsoft Academic Graph (MAG) e quais as vantagens e desvantagens em relação a outros agregadores (como Google Scholar); um dos revisores deste artigo inclusive apontou que o MAG possibilita que um mesmo pesquisador tenha múltiplos IDs e que isso poderia refletir em inconsistências no trabalho; - Os autores escolheram ao acaso 2000 pessoas para enviar um questionário sobre a relação de mentoria, mas apenas 167 responderam; isso representa apenas 0,006% de um total de 3 milhões de mentorias analisadas no trabalho; - Em momento algum é levado em conta que as mulheres sempre tiveram menos espaços na academia e aos homens, historicamente, foram dados mais privilégios. Dito isso, volto ao questionamento inicial: qual a responsabilidade do corpo editorial? Uma revista científica precisa ser comprometida com a qualidade e robustez das informações que vai publicar, ainda mais quando os próprios revisores já chamaram a atenção sobre os problemas metodológicos (​Acesse o comentário dos revisores aqui). Mas, será que para aumentar os números e a visibilidade (o artigo já está entre um dos 20 mais visualizados no site da revista) vale a máxima do "falem mal, mas falem de mim"? Não, a ciência séria e comprometida não pode ficar em segundo plano e não pode buscar apenas número de visualizações. Métricas do artigo. Fonte: Nature Communications. Acesso em 21 de novembro de 2020. A revista em questão se pronunciou dizendo que vai analisar os questionamentos levantados pela comunidade e, se for o caso, pode retirar a publicação. Será o suficiente? Ou o dano já foi causado? Vale lembrar que não é a primeira vez que artigos que trazem metodologias questionáveis foram publicados (e não removidos) por essa mesma revista. Por exemplo, esse artigo (acesse aqui) que reforça a eugenia foi publicado no ano passado e até agora não foi removido. Soluções? Poderiam começar retirando o artigo, pedindo desculpas, revendo suas políticas de inclusão e diversidade (o artigo diz muito sobre as políticas internas da revista) e adotando medidas de assegurar qualidade ao invés de apenas números. Para quem tem interesse no tema, seguem alguns artigos que mostram a importância de mentorias entre mulheres: PNAS: Female peer mentors early in college increase women’s positive academic experiences and retention in engineering Nature: Inspiration, inoculation, and introductions are all critical to successful mentorship for undergraduate women pursuing geoscience careers E para quem, assim como a equipe do Bate-Papo com Netuno, quer fazer algo para sacudir sua indignação, segue uma lista de abaixo-assinados e cartas sendo elaboradas: Formulário da Rede Kunhã asé Relate sobre mentorias que você teve com mulheres #MulheresnaCiência #MachismoEstrutural #JulianaLeonel #Nature

  • Oceanografia

    Por Mariana Thévinin Originalmente publicado em: https://www.oceanoparaleigos.com/oceanografia A oceanografia, também conhecida como oceanologia ou ciências marinhas, é o ramo das geociências que estuda os oceanos, desde os estuários – onde a água do rio se mistura com a água do mar – até o oceano profundo. É uma ciência interdisciplinar que investiga os processos físicos, químicos, geológicos e biológicos dos oceanos e das zonas costeiras, seus limites e suas interações com a atmosfera, com os continentes e com a sociedade. Os oceanos cobrem 70% da superfície terrestre e menos de 5% das suas águas são conhecidas, sendo um grande vasto campo para pesquisas e investigações. Os oceanógrafos estudam um grande número de processos, incluindo movimentação das placas tectônicas, erosão costeira, poluição marinha, circulação oceânica, recursos pesqueiros e diferentes ecossistemas marinhos, além das conexões entre os oceanos e o aquecimento global. Muitas descobertas feitas na área da oceanografia são o produto de esforços multidisciplinares e abrangentes envolvendo oceanógrafos e pesquisadores de todos os ramos da ciência, no intuito de compreender a interdependência que existe entre todos estes processos.​​ A oceanografia física se ocupa do movimento das águas (dinâmica das ondas, correntes e marés) e da interação oceano-atmosfera. Esta é a área que mais se preocupa com a previsão dos processos oceanográficos, como El Niño e mudanças climáticas. A oceanografia química estuda componentes químicos presentes na água do mar, seja orgânicos ou inorgânicos, buscando entender suas fontes, interações e perdas. A poluição marinha está relacionada principalmente com essa área. A oceanografia geológica estuda as rochas e os sedimentos. É a parte da oceanografia que estuda depósitos minerais no fundo oceânico e o processo de erosão costeira. A oceanografia biológica pesquisa os animais e vegetais marinhos, e suas relações com o ambiente, com ênfase nas relações ecológicas. Também se preocupa com o impacto das atividades antrópicas sobre esses organismos e com a produção pesqueira. A oceanografia social ainda é mais restrita que as áreas clássicas da oceanografia, mas não menos importante. Ela traz um diálogo com as ciências humanas, lidando com comunidades tradicionais (pescadores e marisqueiras), seus conhecimentos e seu território. Esses profissionais utilizam uma variedade de métodos para a obtenção de informações oceanográficas, como instrumentos de medição in situ que medem a profundidade, velocidade, temperatura ou composição da água, e equipamentos de coleta de água, sedimento ou organismos. O sensoriamento remoto via satélites permite a obtenção de dados simultâneos ao longo do oceano global e em tempo real, melhorando principalmente a compreensão das propriedades oceânicas superficiais. Por outro lado, o uso de modelos numéricos permite a combinação de medições e teorias sobre o comportamento do oceano, para compreender os processos que ocorrem em toda a coluna d’água, por meio de simulações da circulação, propagação de ondas, transporte de sedimentos e dispersão de poluentes, nutrientes ou organismos. No Brasil, embora a lei que regulamenta a profissão de oceanógrafo só tenha sido sancionada em julho de 2008 (Lei 11.760), a primeira faculdade de oceanologia foi implantada em 1970, na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) – RS, e completou 48 anos de atividade em 2018. O mercado de trabalho do oceanógrafo abrange o setor público, principalmente universidades e órgãos federais, estaduais e municipais vinculados à temática ambiental; o setor privado, empresas que atuam na aquicultura e na pesca, na engenharia oceânica e na prospecção e produção de petróleo e gás; e organizações não governamentais, instituições ligadas a projetos de conservação e proteção da biodiversidade como os projetos Tamar, Peixe-Boi, Golfinho Rotador e Baleia Jubarte. Fontes: AOCEANO O planeta azul - Uma introdução às ciências marinha, de João Schmiegelow. Fundamentos de oceanografia, de Tom Garrison. Livro sobre etnooceanografia : “Águas da Coréia: uma viagem ao centro do mundo numa perspectiva etnooceanográfica”, de Gustavo G. M. Moura Sobre a autora: Mariana é oceanógrafa, mestra em oceanografia física e fundadora do projeto Oceano para Leigos cuja missão é aproximar pessoas e oceano, por meio da popularização das ciências marinhas. Através das atividades do Oceano para Leigos, busca contribuir para uma sociedade bem informada e com participação crítica na gestão dos oceanos e seus recursos. #descomplicando #MarianaThévinin #Oceanografia

  • Mulheres, ciência e o mar: navegar é preciso

    Por Natália Roos O meu contato com o mar começou muito cedo. Quando eu era criança, amava explorar o costão rochoso da pequena praia em que minha família costumava passar o veraneio, chamada Barreta, no Rio Grande do Norte. Naquela época, eu já conhecia vários peixinhos por seus nomes populares, porém, não imaginava que um dia chamaria o famigerado peixe “saberé” de Abudefduf saxatilis, ou o “peixe-gato” de Labrisomus nuchipinnis, e que o “peixe vermelho” que eu pesquei aos oito anos se tratava de um Holocentrus adscensionis. Eu costumava andar por todo o costão e nunca tinha medo de nada. Entre algumas insolações, arranhões e beliscões de siris, eu aprendi muita coisa observando a dinâmica daquele lugar. Mal sabia que todo aquele aprendizado seria muito útil vinte anos depois. Eu nunca tive dúvidas de que trabalharia com algo relacionado ao meio ambiente e por isso escolhi cursar Ecologia. Por incrível que pareça, no início eu não pensava em trabalhar com ecologia marinha, o que agora me parece loucura: onde eu estava com a cabeça? A minha relação com o mar tinha adormecido. Somente quando entrei no mestrado, essa relação começou a aflorar novamente, e durante o doutorado, desabrochou de vez e muita coisa aconteceu. Em abril de 2015 lá estava eu navegando rumo à minha primeira expedição na Reserva Biológica do Atol das Rocas para participar de um projeto de microchipagem de tartarugas marinhas. A reserva possui como chefe a Maurizélia Brito, mais conhecida como Zelinha, mulher forte com uma história incrível. O Atol das Rocas localiza-se a 266 quilômetros da costa de Natal/RN, e é o único atol do Oceano Atlântico Sul. Para chegar lá são necessárias 24 horas de navegação em uma embarcação tipo catamarã. Foi a primeira vez em que passei muitas horas em um barco e, assim como quando eu era criança, continuava sem medo de nada. Nessa época eu ainda não tinha muito conhecimento científico sobre peixes marinhos, mas aprendi como era uma expedição de um mês em um local totalmente isolado onde a água doce era só para beber; banheiro e banho, só no mar, dentre muitas outras coisas que só o isolamento em uma ilha proporciona. Mais tarde, em julho de 2016, chegou a hora de fazer minha coleta de dados para o doutorado e junto com ela muitos desafios. O campo envolvia a realização de censos visuais de peixes em diversos ambientes recifais do Rio Grande do Norte através do mergulho autônomo, ou seja, com o uso de equipamentos de suprimento de ar. Detalhe: eu mal sabia mergulhar. Contei com a ajuda de várias pessoas, é claro, incluindo meu amigo e orientador Guilherme Longo, com quem muito aprendi. Mais uma vez, lá estava eu, sem medo de nada e navegando rumo ao desconhecido, literalmente. Não foi fácil: barco de pesca, cheiro de diesel, monta equipamento de um lado, vomita do outro, mergulha, e assim por diante. Na época, eu era a única mulher na equipe. Essa foi a minha rotina de trabalho de campo mensal durante praticamente um ano e meio. Apesar de não ter sido fácil, o conhecimento que adquiri nessa época foi enorme e transformador. Em pouco tempo, aprendi o nome científico de diversos peixes, corais, algas, esponjas e sobre as várias interações entre esses organismos, o que só aumentou o meu fascínio pelo mar. De quebra, aprendi de vez a mergulhar. Quando me dei conta, eu estava navegando em um mar de oportunidades. O conhecimento adquirido durante o doutorado me abriu muitas portas. Tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis, incluindo mulheres cientistas que muito admiro, dentre elas, Roberta Bonaldo, Mariana Bender e Beatrice Padovani. Também tive a oportunidade de voltar à Reserva Biológica do Atol das Rocas como parte da equipe do Projeto de Pesquisa Ecológica de Longa Duração – Ilhas Oceânicas Brasileiras (PELD-iloc). A expedição de 2019 no Atol ocorreu entre maio e junho e contou com a participação de três mulheres cientistas: eu, Tainá Gaspar e Isadora Cord; e do querido Jarian Dantas, funcionário da reserva que conhece o local há mais de vinte anos e estava lá para nos guiar. Durante a expedição realizamos diversas atividades, incluindo novos censos visuais de peixes, monitoramento da estrutura da comunidade bentônica e da saúde, branqueamento e recrutamento de corais, coleta de algas para extração de seus metabólitos, investigação do comportamento alimentar de peixes herbívoros, dentre outras. O Atol das Rocas abriga um ecossistema único importante para muitos organismos, incluindo tubarões, tartarugas marinhas, peixes recifais endêmicos, corais e aves marinhas. Voltar a este lugar único depois de quatro anos com um olhar diferente e novos conhecimentos, foi emocionante. Pensando sobre a minha trajetória até aqui, tenho vontade de dizer a todas as mulheres (e serve para mim como um lembrete): vocês não imaginam do que são capazes! Eu pelo menos, não imaginava. Mas ao lembrar de mim aos oito anos de idade no costão rochoso, tudo parece fazer sentido. Nós, mulheres, passamos a vida sendo sistematicamente desencorajadas a fazer diversas atividades, mas saibam que o mar de possibilidades é infinito quando queremos algo e não temos medo – navegar é preciso! Sobre Natália: Ecóloga, doutora em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Atualmente é pós-doutoranda no Laboratório de Ecologia Marinha (LECOM) da UFRN. Durante o doutorado, utilizou tributos bioecológicos, demografia e ferramentas moleculares com o objetivo de avaliar a vulnerabilidade do budião azul (Scarus trispinosus) e subsidiar ações para a conservação da espécie. Em seu tempo livre treina capoeira angola. Email: nataliaroos@gmail.com #vidadecientista #EcologiaMarinha #Mergulhadoras #mulheresnaciência #ilhasoceânicas #atol #convidados #mergulhocientífico #NatáliaRoss

  • Roda de Conversa "Mulheres nas ciências" - I Sembio-UFSB

    No dia 26 de setembro de 2019, nossa editora Gabrielle Souza participou da roda de conversa sobre Mulheres nas Ciências organizada por ela e pelo coletivo de Mulheres nas Ciências da UFSB. A atividade foi parte da programação da I Semana de Biologia da UFSB, que teve como tema “Dialogando saberes para tecer novas percepções na Biologia”. Coletivo de Mulheres nas Ciências da UFSB com ganhadoras do sorteio realizado após a roda de conversa #netuniandoporai #Gabriellesouza #mulheresnaciência

  • Is the Pacific Ocean getting smaller?

    By Jana M. del Favero English edit Carla Elliff Before answering this question, we must understand some concepts and theories. So, grab a world map and observe. By looking at this kind of map we are under the impression that our continents are anchored for good to a certain point of the Earth’s surface, right? But, in fact, they are drifting around the world over time. During the time it takes you to read this post, the place where you are will have slowly but surely drifted. Looking at our world map again we can see an impressive jigsaw formed by the coastlines of either side of the Atlantic Ocean, especially along Africa and South America. This suggests that if you carefully put together the borders of all continents, they can be regrouped into a single landmass, solving the jigsaw puzzle. By using geological and paleontological (mainly fossils) information, the German meteorologist and geophysicist Alfred Wegener presented to the world in 1915 a new hypothesis to understand the history of Earth: the continental drift. According to Wegener, between 100 and 150 million years ago, a single landmass called Pangea broke up and its pieces, which are now our continents, moved apart, opening up new ocean basins between them (an important detail here is that if there used to be a single supercontinent, there was also a single ocean, which was called Panthalassa). However, several researchers objected to Wegener’s affirmation that the granite crust of the continents could “plow” its way through the denser basalt crust of the oceans. At the time, some geophysicists calculated that continental drift was not possible. In addition, Wegener himself could not explain why the continents drifted. Thus, Wegener’s theory remained ignored for over half a century. However, with the later discovery of the Mid-Atlantic Ridge mountain range, new similarities were observed between the shape of this feature and the margins of Atlantic continents. Moreover, the seafloor of the valley of this mountain ridge was shown to be composed of newly crystallized basalt. Thus, in the mid-1960s, geologists and geophysicists proposed a new hypothesis: new seafloor and crust are created continuously! They emerge from the intrusion and extrusion of basalt at the crest of all mid-oceanic ridges. The newly formed crust moves laterally, giving way at the crest of the ridges for new basaltic crust to form. This process, known as seafloor spreading, causes the expansion of ocean basins and this is how the continents on each side of the basin move with the seafloor, thus explaining continental drift! The continental drift hypothesis then became part of a larger theory: plate tectonics. This theory was formulated in the 1960s and is based on the idea that the planet’s surface is divided into a series of plates with borders that are defined by seismicity, which means the frequency/amount, magnitude/strength and distribution of earthquakes. These plates, known as tectonic or lithospheric plates, are like thin pancakes covering our planet because they are much wider than they are thick – their width can be 10 to 50 times greater than their thickness. In all ocean basins there are plates that are moving apart forming mid-ocean ridges and new seafloor (seafloor spreading). In turn, other plates, especially those around the Pacific Ocean are undergoing a process called subduction: when a pair of plates actively collide and one plate is “forced” to dive under the other towards the asthenosphere (Earth’s second layer, right below the lithosphere), where it melts and is incorporated into the magma. When the continents of two different plates meet at a subduction zone, they collide and squash the marine sediments between each other, lifting them up and creating huge mountain folds, like those found in the Himalayas. Last but not least, when the lithosphere is neither created nor destroyed at the limit of plates, we have what is called a transform fault. In these cases, plates slide along the sides of each other. Now we are ready to get back to our initial question: is the Pacific Ocean getting smaller? The answer is yes! Since there are very few subduction zones in the Atlantic, Indian and Arctic oceans, these basins are expanding due to seafloor spreading. On the other hand, most subduction zones are found at the margins of the Pacific Ocean. Since subduction rates are much greater than the rates of producing new seafloor at the mid-oceanic ridges, simply because there are more spreading regions than subduction zones, the result is that the Pacific Ocean is shrinking on a geological time scale. Sources: Garrison, T. Essentials of oceanography. 5a edição. Brooks/Cole, Cengage Learning, 464 p. Pinet, P.R. 2014. Invitation To Oceanography. 7a edição. Jones & Bartlett Learning. 662 p. #chatjanamdelfavero #marinescience #seafloor #oceanbasins #continentaldrift #platetectonics

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